O Presidente da República questiona ainda como é que podia saber do desvio financeiro na Madeira se os próprios Instituto Nacional de Estatística (INE) e Banco de Portugal não o conseguiram detectar. O Presidente da República, Cavaco Silva, diz que as omissões de despesas na Madeira prejudicam a credibilidade de Portugal junto das instituições internacionais. O chefe de Estado comentou hoje pela primeira vez, em concreto, a situação financeira da região autónoma da Madeira. Cavaco Silva sublinha que o Governo já está a trabalhar em legislação para melhorar o controlo das dívidas públicas, leis que podiam estar feitas há mais tempo, reconhece. Ontem, o presidente do Governo dos Açores disse que Cavaco Silva tinha de saber que algo se passava na Madeira. O Presidente da República questiona como é que podia saber do desvio financeiro na Madeira se os próprios Instituto Nacional de Estatística (INE) e Banco de Portugal não o conseguiram detectar. Mais à frente nestas declarações, prestadas na Ilha de Santa Maria, nos Açores, o Presidente da República desmentiu ter recebido informações do PS-Madeira em Julho sobre a dívida no arquipélago. Jacinto Serrão, líder dos socialista madeirenses, confirmou ontem à que abordou o assunto na audiência para a marcação das eleições regionais. Cavaco Silva garante que não.
Carlos César ataca Cavaco Silva "em casa"
Durante a visita que o Presidente da República está a fazer aos Açores, o presidente da Região Autónoma diz que Cavaco tinha de saber que algo se passava na Madeira. “Havia uma forte presunção no país de que as coisas não estavam a correr bem na Madeira”, diz o presidente do Governo Regional dos Açores. O presidente do Governo Regional dos Açores diz que é impossível que o Presidente da República não soubesse da situação financeira da Madeira. Carlos César, anfitrião de Cavaco Silva no arquipélago durante os próximos cinco dias, deixou escapar a "farpa" ao almoço. “O que se passou foi uma situação muito grave, que era certamente conhecida, pelo menos do ponto de vista da intuição, dos principais responsáveis políticos e da fiscalização em Portugal. É impossível que, com valores de tal dimensão, não fossem do conhecimento de vários níveis da administração e de vários níveis de autoridade. Presumo que se [o Presidente] não tinha uma visão concreta do que se passava, havia pelo menos uma forte presunção no país de que as coisas não estavam a correr bem na Madeira”, disse Carlos César ao almoço, em conversa com os jornalistas. O presidente do Governo Regional dos Açores deixa também claro que a polémica do estatuto político-administrativo ainda está bem fresca: “Já perdoei, mas não esqueci. Mas não é isso que é importante, porque o estatuto não está na ordem do dia - está a constatação de um país em grandes dificuldades, a região autónoma da Madeira numa situação de grande infelicidade e nós aqui fazemos o que podemos”. A rematar, Carlos César não vê qualquer importância se Alberto João Jardim perde ou não a confiança política do PSD nacional. “Nem sei que isso quer dizer. Penso que, se me retirassem a confiança política, não sei se deixaria de dormir por causa disso. Não vejo grande importância nisso.”
Passos não faz campanha por Jardim nem tenciona aumentar taxa máxima de IVA
Primeiro-ministro admite avançar com rescisões amigáveis na Função Pública e rejeita corte de 8 pontos na Taxa Social Única (TSU) sugerida pelo FMI. Governo não tenciona aumentar taxa máxima de IVA, e está preparado para defender Portugal em caso de bancarrota grega. O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho não vai fazer campanha ao lado de Alberto João Jardim, nas eleições de Outubro na Madeira, e revela que não tenciona aumentar a taxa máxima de IVA. Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro afirma que, nas actuais circunstâncias, ninguém entenderia o seu envolvimento na campanha eleitoral do arquipélago. Passos Coelho admitiu, também, que o “buraco” nas contas da Madeira lhe "causa desconforto", enquanto líder do PSD, e também causa desconforto ao PSD nacional. Passos Coelho repetiu a ideia de que o “buraco” financeiro na Madeira é uma situação grave e irregular, com custos para a reputação de Portugal. O primeiro-ministro afirma que a Madeira vai ser obrigada a sacrifícios para resolver o seu défice.
Nesta entrevista à televisão pública, o chefe do Governo garantiu que o aumento de impostos previsto para o próximo ano é o que consta do acordo com a “troika” e revela que não está prevista uma subida da taxa máxima do IVA. Passos Coelho explica que as mudanças no IVA envolvem a "requalificação de bens e serviços que hoje estão taxadas à taxa intermédia ou reduzida". Questionado se vai manter o escalão intermédio de IVA, afirmou: “não posso garantir isso nessa altura”.
Relativamente à Taxa Social Única (TSU), Passos Coelho revelou que o Governo não aceita a descida de 8 pontos percentuais sugerida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não aceitamos nem aceitaremos trazer Portugal para uma espécie de laboratório de ideias que, nesses termos, são ideias extremamente radicais", afirma o primeiro-ministro. O Governo equaciona uma descida menor que será conhecida a breve prazo. Uma das possibilidades em cima da mesa, neste momento, é acabar com a TSU para empresas que criem emprego, admitiu Passos Coelho. "Ou equacionamos uma descida menor para 2012 e isso significa, provavelmente, um esforço fiscal razoável, mas sem ter um grande impacto na competitividade das empresas, ou conseguimos adoptar uma medida que não é de descida de quatro pontos, pode até ser muito mais, pode ser até na totalidade para as empresas que criem novos empregos." O primeiro-ministro admitiu, também, a possibilidade de avançar com rescisões amigáveis na Função Pública.
Se a Grécia entrar em bancarrota, as consequências poderão ser "desastrosas" para Portugal, sobretudo "ao nível do financiamento da banca e da economia, adverte. Pedro Passos Coelho refere que está a preparar essa eventualidade, não o fazer seria uma "irresponsabilidade", e sublinha que, se a Grécia entrar em incumprimento, "não podemos excluir a possibilidade" de um segundo programa de ajuda a Portugal. "Se alguma coisa muito negativa acontecer é importante que aqueles que nos podem ajudar, reforçando o pedido de ajuda, nomeadamente a todo o sistema financeiro, reforçando eventualmente o próprio programa de assistência, que o possam fazer convencidos de que aquilo que aconteceu na Grécia não acontecerá em Portugal", remata o chefe do Governo.
Entrevista de Passos Coelho minuto-a-minuto
Confira os principais momentos da entrevista do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. (leia de baixo para cima)
21h53 - Fim da entrevista.
21h52 - Passos Coelho diz que Governo conseguiu um acordo sobre a avaliação dos professores em apenas três meses.
21h49 - As relações com o Presidente da República estão "bem" e a cooperação tem sido "perfeita", garante Passos Coelho. A saúde da coligação governamental também está "muito boa. "Não existe nenhum problema de confiança nem de solidariedade".
21h48 - Sobre a privatização da RTP, o primeiro-ministro diz que vai avançar até ao final de 2012. "Hoje a RTP consome mais despesa do que os apoios que damos à Cultura num ano".
21h48 - "A ideia de que vale mais vender daqui a três ou quatro anos quando o mercado estiver boa é fantasiosa", diz Passos.
21h47 - "O Estado não nasceu para gerir empresas. Temos de atrair capitais externos", diz o primeiro-ministro.
21h46 - Há empresas que vão fechar ou ser vendidas não pelo dinheiro que possam gerar, mas por causa dos prejuízos, diz Passos Coelho.
21h45 - Governo não vai vender empresas a preço de saldo, garante o primeiro-ministro.
21h44 - REN, EDP e GALP vão ser privatizadas até ao final do ano, diz Passos Coelho. O processo de privatização da TAP será acelerado.
21h43 - Precisamos de levar mercadorias de Sines para toda a Europa através de linha ferroviária, afirma Passos Coelho. A nossa prioridade não é o transporte de passageiros, mas de mercadorias em linha de bitola europeia.
21h41 - Sobre o TGV, Passos Coelho diz que está suspenso. O TGV vai gerar mais despesa no futuro que terá de ser paga pelos portugueses. "Teremos de renegociar esse projecto" com a União Europeia. "Não temos interesse na alta velocidade, temos interesse numa ligação boa de velocidade moderada a Madrid".
21h40 - "A redução que nós estamos a fazer nos lugares dirigentes na Função Pública nunca foi feita em Portugal".
21h38 - "A nossa despesa na área da Saúde aumentou significativamente nos últimos anos", diz Passos Coelho. A despesa aumentou mais do que a qualidade dos cuidados prestados, defende o primeiro-ministro. "Temos de retornar a níveis de despesas compatíveis com os nossos impostos, mantendo a qualidade".
21h37 - "Ninguém disse que vamos cortar nos transplantes", diz Passos Coelho.
21h36 - Ministro da Saúde, Paulo Macedo, tem sido criticado por finalmente implementar os cortes na despesa que há muito estavam previstos, diz o primeiro-ministro.
21h35 - Rescisões amigáveis na Administração Pública "é algo que não descartamos", afirma Passos Coelho.
21h34 - Promessa de reduzir o défice dois terços pelo lado da despesa e um terço pelo lado da receita do Estado "será cumprida", garante o primeiro-ministro.
21h33 - "Temos de reduzir despesas significativamente, todos os meses, até ao final do ano".
21h31 - "O Governo tem apresentado cortes na despesa que são significativos", diz Passos Coelho quando questionado sobre a demora na introdução de cortes na chamada "gordura" do Estado.
21h30 - Se alguma coisa muito grave acontecer na Grécia "não podemos excluir essa possibilidade" de um segundo programa de ajuda a Portugal, admite o primeiro-ministro.
21h29 - "Não confundo o que é o direito à greve e à manifestação daquilo que se tem passado nas ruas da Grécia e que nós não queremos em Portugal", afirma Passos Coelho.
21h28 - Eventual bancarrota da Grécia iria afectar Portugal e o Governo tem um plano de prevenção para essa possibilidade, afirma Passos Coelho.
21h27 - "Se não controlarmos o nosso défice e a dívida o financiamento acaba já", avisa o primeiro-ministro.
21h25 - O ministro da Economia está a preparar o seu trabalho na reestruturação das empresas públicas que deve estar concluído até ao final do ano, afirma Passos Coelho a quem diz que Álvaro Santos Pereira anda "desaparecido".
21h24 - Sobre medidas para estimular a economia, Passos Coelho destaca o adiamento por um ano do pagamento dos empréstimos PME Invest concedidos às empresas.
21h23 - Passos Coelho admite uma descida da TSU em 2012 para todas as empresas que criem novos empregos.
21h21 - Governo não vai cortar 8 pontos na Taxa Social Única (TSU) como defende o FMI, revela Passos Coelho. "Não aceitaremos que Portugal seja uma espécie de laboratório de medidas", afirma o primeiro-ministro.
21h20 - Passos Coelho diz que a questão é saber se vai haver uma descida da TSU para todas as empresas ou só para as empresas exportadoras. Decisão será tomada "dentro de muito pouco tempo".
21h19 - Relativamente ao corte na Taxa Social Única (TSU), previsto no memorando da troika, Passos Coelho diz que será financiado pelo IVA.
21h18 - Sobre a reestruturação do IVA, o primeiro-ministro diz que não está previsto o agravamento da taxa máxima do IVA, que é de 23%. Alterações serão feitas nas taxas intermédia e reduzida, sublinha.
21h17 - Em 2012, aumentam os impostos previstos no memorando de entendimento com a "troika", garante Passos Coelho.
21h16 - "Fomos forçados a tomar medidas indesejados por nós para evitar que a receita da Grécia não se aplicaria aos portugueses".
21h14 - "Quando chegámos ao Governo não encontrámos a situação que estava retratada no memorando da troika", afirma o primeiro-ministro, referindo-se a um desvio de dois mil milhões de euros.
21h13 - Grande esforço de austeridade "será feito do lado da despesa", mas vai ser preciso reestruturar o Estado. Por isso, é preciso um esforço imediato do lado dos impostos, justifica Passos Coelho.
21h12 - "Há despesas que não se conseguem baixar instantâneamente", como na Saúde, na Educação e em salários, refere Passos Coelho sobre o programa de austeridade.
21h10 - "Não confundimos a responsabilidade de quem não reportou este caso com as dificuldades de quem vive na Madeira", afirma o primeiro-ministro.
21h08 - "Buraco" na Madeira não põe em causa o cumprimento do défice para 2011, porque é anterior a 2011, avança Passos Coelho. O impacto será "limitado", garante. O problema "é o custo de reputação que pode ter", sublinha.
21h06 - Acha que Jardim pode executar um plano de austeridade? Primeiro-ministro diz que o futuro o dirá. O programa para a Madeira tem que "ser cumprido pelo próximo Governo da região autónoma".
21h05 - "O que aconteceu na Madeira é grave e não pode voltar a repetir-se", defende Passos Coelho.
21h04 - Mantém a confiança em Alberto João Jardim? Passos Coelho diz que foi o PSD-Madeira e os eleitores que escolheram Jardim. Admite que o que se passa na Madeira é uma situação que "causa desconforto" ao líder do PSD e ao PSD nacional.
21h03 - Precisamos de rever os mecanismos de report, de inspecção e de responsabilidade política, afirma o primeiro-ministro.
21h02 - O que falhou na Madeira? Falhou a obrigação de report do Governo Regional, responde Passos Coelho. É indispensável assegurar que o INE, o Banco de Portugal e o Tribunal de Contas tenham capacidade para evitar novas situações.
21h01 - Primeiro-ministro soube dos problemas na Madeira "há uma semana", através do INE e do Banco de Portugal.
20h59 - Passos Coelho não vai fazer campanha na Madeira ao lado de Alberto João Jardim. Governo tem que mostrar qual é a verdadeira dimensão do buraco nas contas do arquipélago, uma "situação que não pode voltar a acontecer".
20h58 - Início da entrevista.
Pedro Passos Coelho deu esta noite a sua primeira grande entrevista como primeiro-ministro, à RTP.
As medidas de austeridade e o buracos nas contas públicas da Região Autónoma da Madeira vão ser alguns dos temas em destaque.

