Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Crónicas sem Tempo

Vamos à segunda volta?
                                                                                                                                      
Apesar de tudo estas eleições ficam marcadas por revelações que eram do domínio publico, mas que as pessoas fingem ignorar, mostrando como os políticos dum modo geral têm pés de barro sobretudo aqueles que mais alto conseguem chegar o que não admira pois não é por mérito pessoal que singram deixando para trás aqueles que não utilizam processos venais, onde o lema é não olhar a meios para atingir os fins.
                                                  
Estamos na recta final da campanha eleitoral para eleger um novo Presidente da Republica uma vez que o mandato de Cavaco Silva termina no dia 9 de Março de 2011 e ao que parece não deixa saudades, uma vez que o País está muito pior do que estava em 9 de Março de 2006 e já nessa altura Cavaco Silva teve graves responsabilidades na maioria absoluta do Partido Socialista ao contribuir para o derrube do governo maioritário do Dr. Santana Lopes ao não permitir a sua imagem nos folhetos e outdoors das campanhas eleitorais do PSD e dos artigos demolidores da má moeda, quando agora se verifica que durante estes últimos 5 anos tal má moeda vingou e afundou Portugal de uma forma quase irreparável. Cá se fazem, cá se pagam e não se compreende como o PSD, anti cavaquista, liderado por Passos Coelho e Paulo Portas do CDS que era o Ministro mais poderoso do Governo Santana Lopes, agora caucionaram a recandidatura de Cavaco Silva que ao longo dos anos já tinha provado que não é a figura ideal para desempenhar a mais alta magistratura da Nação com sobejas provas negativas, dadas nos seus dois governos de maioria absoluta que colocou o País na mão da sinistra União Europeia dos mercados agiotas e promoveu internamente uma série de governantes corruptos do tipo: Majores Valentins, Dias Loureiros, Oliveiras Costas, Isaltinos Morais e outros que tais que nada ficam a dever às máfias de leste e de outras latitudes.
Nesta conjuntura, os 6 candidatos em disputa pouco ou nada contribuíram para o esclarecimento da opinião publica nacional acerca dos reais problemas que o País atravessa e que foram criados por estas politicas que Cavaco Silva vem protagonizando desde 1985 quando assumiu o cargo de Primeiro Ministro e já tinha sido Ministro das Finanças no Governo Sá Carneiro ainda na década de setenta do século XX, o que lhe dá um tempo de governação de Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da Republica, em mais de 30 anos, numa Democracia que somente conta 36 anos, pelo que se pode concluir, que Cavaco Silva e Mário Soares são na realidade os responsáveis máximos por toda esta desgraça em que Portugal está mergulhado ao ponto de uma maioria de 58% dos portugueses achar que estamos pior que há 25 anos e 48% afirmar mesmo que estamos pior que antes do 25 de Abril de 1974, o que não concordo! Mas há culpados por este descalabro de politicas erradas isso é indiscutível, e esses personagens têm nomes, partidos e fortunas pessoais que descredibilizam o sistema republicano cujos ideais são a liberdade, igualdade e fraternidade, a justiça social, o respeito pela diferença politica, religiosa, intelectual e moral, tudo princípios constitucionais que nenhum Presidente da Republica jamais respeitou desde Abril de 1974.
A cultura anti democrata está bem expressa em todos os actos dos concorrentes, da imprensa escrita e falada que não dá um tratamento de igualdade a todos os candidatos, fazendo crer que só são 5 quando legal e legitimamente são 6. O candidato José Manuel Coelho, cumpriu o mesmo processo de candidatura junto do Supremo Tribunal, que os restantes 5, pelo que, não devia ser discriminado e mostrou que preparação politica e cívica não lhe falta podendo como qualquer dos outros exercer o cargo de Presidente da Republica e evocando a discriminação poder até impugnar o acto eleitoral de 23 de Janeiro. Só quem não sabe o que representa ser discriminado é que pensa que os poderosos a tudo têm direito enquanto os pequenos, mesmo em igualdade de circunstâncias como é o caso, tal como em todos os actos eleitorais para as eleições legislativas, autárquicas e regionais. O sistema dito democrático é uma fraude. Eu já senti isso na pele quando na qualidade de independente aceitei liderar a lista do Bloco de Esquerda, nas ultimas eleições autárquicas para a presidência da Câmara Municipal de Albufeira, onde aí a discriminação foi plural abrangendo o BE, o PCP e o CDS, visto que só as candidaturas do PSD e do PS, contaram para tudo e mais alguma coisa num sistema corrupto de bipartidarismo de alternância no poder do BC de falsa democracia.
Apesar de tudo estas eleições ficam marcadas por revelações que eram do domínio publico, mas que as pessoas fingem ignorar, mostrando como os políticos dum modo geral têm pés de barro sobretudo aqueles que mais alto conseguem chegar o que não admira pois não é por mérito pessoal que singram deixando para trás aqueles que não utilizam processos venais, onde o lema é não olhar a meios para atingir os fins. Cavaco, tem sabido jogar a mão desses processos como ninguém e nesta campanha ao dramatizar o discurso fazendo-se passar por ingénuo, anti politico, mais honesto que todo o mundo quando na realidade só tem telhados de vidro que qualquer minusculo grão de areia os quebra completamente. Manuel Alegre, é outro comensal da politica profissional há 36 anos que tomando poucas medidas a vulso de contestação é tão responsável politico quanto Cavaco Silva. O candidato do PC, Francisco Lopes revelou-se um bom polemista, e como funcionário do partido aufere o tratamento privilegiado que o sistema dá aos políticos profissionais, que são deputados, assim como o deputado do PS, Defensor Moura que teve a coragem de chamar a terreiro o actual Presidente da Republica tocando-lhe nas feridas mais expostas, quer como médico quer como autarca de mérito de Viana do Castelo e certamente descredibilizou Cavaco Silva. Finalmente, a candidatura independente do Dr. Fernando Nobre, podia ter sido uma pedrada no charco da lama em que o sistema dito democrático assenta, mas tem as vicissitudes das candidaturas independentes que tudo lhes falta e não conseguem fazer passar a mensagem, mas salda-se por uma postura cívica notável, embora politicamente lhe falte tarimba onde só os donos do sistema pontificam. Contudo, todos devemos ir votar para que possa haver uma segunda volta e dos 6 ficarem dois que podem não ser os melhores, mas é isto o que o sistema nos oferece, enquanto estas politicas e estes medíocres políticos persistirem, no engano sistemático do povo português.
Manuel Aires


                                  

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Yes... Of course!

Várias

Dois reclusos fogem à porta do DCIAP e continuam a monte
                                                                                                                                                  
Fonte policial adiantou que durante a fuga foram trocados tiros e que os dois reclusos continuam em paradeiro incerto. Os dois fugitivos fazem parte de um grupo de cinco brasileiros que a Polícia Judiciária deteve por suspeitas de introduzirem em Portugal mais de 1.700 quilos de cocaína.
                                                
Dois reclusos considerados perigosos fugiram hoje de uma carrinha celular que estava estacionada próximo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa, tendo-se registado tiros, disse fonte policial. Os reclusos escaparam às autoridades prisionais quando a viatura se preparava para seguir para o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), às 15h10. Os presos depois furtaram um automóvel, que entretanto já foi encontrado vazio. A fonte policial adiantou que durante a fuga foram trocados tiros e que os dois reclusos continuam em paradeiro incerto.
Três agentes fizeram a marcação no chão do invólucro de bala, para preservação de prova. Entretanto, a Direcção-geral dos Serviços Prisionais (DGSP) confirmou à agência Lusa "a fuga de dois reclusos junto das instalações do DCIAP”, que fica na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa. "Os guardas prisionais receberem tratamento hospitalar e aparentemente estão livres de perigo", acrescenta a DGSP numa nota, que refere também que "foi determinada a abertura de um inquérito a cargo do Serviço de Auditoria e Inspecção, dirigido por um procurador".
Continuam a monte os dois reclusos brasileiros que ontem à tarde fugiram de uma carrinha celular, quando iam ser levados para interrogatório no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa. Os dois homens surpreenderam os guardas prisionais na altura em que a porta da viatura foi aberta. “Quando foi aberta a porta, um dos reclusos já não tinha as algemas e dá um salto e sai da carrinha. O outro, que continuava com as algemas, também o seguiu”, explicou à Renascença Rui Sá Gomes.
O director geral dos serviços prisionais acrescentou que “entretanto, foi atirada para cara dos guardas uma substância, que ainda não sei qual é, o que provocou forte irritação nos olhos de um dos guardas”. Apesar dos tiros ainda disparados por um dos guardas, os dois homens conseguiram fugir, roubando pelo caminho uma viatura, que mais tarde viria a ser encontrada abandonada em Monsanto. Rui Sá Gomes revela que já instaurou um inquérito a este caso. Os dois fugitivos fazem parte de um grupo de cinco brasileiros que a Polícia Judiciária deteve no passado mês de Outubro. Estão todos em prisão preventiva suspeitos de introduzirem em Portugal mais de 1.700 quilos de cocaína.
                                                                                                   
Dois sindicalistas detidos junto à residência oficial de José Sócrates
                                                                                                                       
As forças de segurança e os sindicalistas chegaram mesmo a envolver-se em confrontos. Dois sindicalistas foram ontem detidos pela polícia no final de uma concentração dos sindicatos da Administração Pública, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa. As forças de segurança e os sindicalistas chegaram mesmo a envolver-se em confrontos. O incidente teve lugar durante um plenário de dirigentes, delegados e activistas sindicais da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, realizado em frente à residência oficial do primeiro-ministro, no âmbito da luta contra a retirada de direitos e o corte de salários na administração pública. A PSP diz que os dois detidos desrespeitaram a ordem para não ultrapassar um cordão policial que estava pré-definido.
No entanto, a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, tem outra versão dos factos e diz que vão continuar em frente à residência oficial de São Bento “enquanto não soltarem os dirigentes”. “Depois de aprovada a resolução e de a resolução ter sido entregue na residência oficial do primeiro-ministro é que as pessoas, ao quererem sair para ir para casa, foram impedidas pela polícia de passar aqui na rua Borges Carneiro e houve um confronto policial como nunca se viu. Esta é a democracia do engenheiro Sócrates”, acusa Ana Avoila. De acordo com a coordenadora da Frente Comum, “há dirigentes e delegados sindicais que não estão bem, porque foram agredidos e estão feridos”. Os dois sindicalistas estão a ser ouvidos na esquadra de Alcântara, onde está a ser elaborado o auto de detenção. Ainda hoje deverão ser libertados, devendo ficar notificados para comparecer num tribunal de pequena instância já amanhã.
                                                                                              
Alegre e Lopes criticam bastonadas
                                                                                                            
O tema já chegou à campanha das presidenciais. Manuel Alegre e Francisco Lopes já reagiram ao incidente. A Manuel Alegre chegou a informação de "bastonadas sobre sindicalistas", que, para já, a PSP - citada pela Lusa - não confirma. Mesmo sem ter a certeza dessa informação, Alegre decidiu comentar: "Não tenho conhecimento [das bastonadas], mas critico na mesma, como é óbvio". Francisco Lopes também comentou, considerando “incompreensível” a “atitude desproporcionada e inaceitável” da polícia.
                                                                                     
ANTRAM preocupada com preço dos combustíveis.
                                                                                                              
Associação de transportadores garante que vai tentar evitar o regresso das manifestações. A Associação Nacional de Transportadores de Mercadorias (ANTRAM) alerta para manifestações de preocupação em tudo idênticas às vividas em 2008 e que resultaram em protestos que originaram diversos cortes de estrada. Em causa, mais uma vez, está o preço dos combustíveis que atingiram os preços mais elevados de sempre, acima dos máximos registados em Julho de 2008, quando o barril de petróleo chegou aos 142 dólares. O secretário-geral da ANTRAM, Abel Marques, diz à Renascença que, no momento actual, ainda há mais motivos de preocupação do que os vividos há cerca de dois anos e meio. No entanto, Abel Marques diz que a ANTRAM tentará evitar o regresso das manifestações. Para já, a Antram diz que a alta dos combustíveis obrigará a uma nova actualização dos transportes de mercadorias. A associação vai reunir-se para a semana e o preço das gasolinas é um dos temas do encontro.
                                                                                                                                  
Preço das matérias-primas subiu em média 80% no ano passado
                                                                                                      
As questões climáticas, maior consumo dos países emergentes e especulação nos mercados são algumas causas para este aumento. Não é só o petróleo que está a atingir máximos históricos nos últimos dias. O mesmo se passa com os cereais, o ouro, o café, o cacau, o algodão, entre outras matérias-primas essenciais e básicas da economia mundial. Em média as subidas, só o ano passado, foram de 80%. Face a estas subidas, a questão impõe-se: Porquê este aumento tão acentuado? Segundo o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares (FIPA) são três as razões principais: “Em primeiro lugar questões climáticas; o aumento do consumo em países onde as classes médias/altas estão a crescer muito e passaram a consumir outro tipo de produtos; e depois temos uma grade dependência dos tais mercados especulativos que estão claramente a fazer o seu dinheiro à custa das matérias-primas”, explica Pedro Queirós. Um sector decisivo para a competitividade portuguesa é o sector têxtil. Os preços do algodão têm aumentado constantemente, ao ponto de haver falta de matéria à venda, segundo João Costa, presidente da Associação Têxtil de Portugal.
“No imediato temos efectivamente dificuldades. Há países como a Índia que proibiram a exportação de algodão e outros países, não tendo proibido, criaram entraves à saída do algodão e isso criou dificuldades de abastecimento de muitas empresas”, frisa João Costa. Neste, como em outros casos, a razão aparente foi o abandono, nos últimos anos, do cultivo de certos produtos que davam pouco lucro. Só que, entretanto, a produção baixou e a procura aumentou. Logo, o preço inflacionou rapidamente. “Quando os preços depreciam demasiado, a determinada altura, os produtores abandonam as culturas desse produto e dirigem-se para outros e o que aconteceu nos últimos anos é que começou a haver um abandono da produção de algodão e a aposta noutro tipo de produtos”, acrescenta o presidente da Associação Têxtil de Portugal.
Já o presidente da FIPA lamenta a grande dependência portuguesa em relação ao exterior, no que se refere a matérias-primas. “Entendemos que continuamos com uma larga dependência da importação de matérias-primas nomeadamente ao nível dos cereais. Isso tem-se reflectivo em toda a fileira agro-alimentar, desde o início do problema que é a alimentação animal”, diz Pedro Queirós. No último ano, o preço do açúcar aumentou 23%, do ouro 25%, do trigo 30%, do milho 39%, do café 54% e do algodão 98%. A Organização Mundial da Alimentação (FAO) diz que estes aumentos são “incomportáveis” para a maioria da população mundial. Outras agências falam ainda em possíveis revoltas populares em alguns países, devido ao aumento dos preços dos bens essenciais.
                                                                                       
Governo sob ultimato dos camionistas
                                                                                                                                 
Associação de Transportadores admite que camionistas deixem de circular devido ao aumento de custos. A Associação Nacional dos Transportadores Portugueses aguarda até sexta-feira por uma resposta do Governo às propostas para atenuar os efeitos do aumento do preço dos combustíveis que atingiram os preços mais elevados de sempre. A associação insiste, por exemplo, na criação do gasóleo profissional. “Era de bom tom que fossemos ouvidos porque fizemos uma proposta séria, uma proposta redutora para resolver um problema urgente, que exige uma medida extraordinária”, diz Artur Mota, presidente da associação. A Associação Nacional dos Transportadores Portugueses não exclui novos protestos, embora garanta que não irá promover nada que possa ser ilegal. “O termo paralisação não é correcto. Ninguém vai bloquear estradas. Agora, o que as pessoas podem fazer é não sair”, acrescenta.
                                                                                                                                    
Gasolina nunca esteve tão cara em Portugal
                                                                                                          
Um litro de gasolina custa agora 1,53 euros, batendo por um cêntimo o máximo anterior, fixado quando o petróleo estava 50 dólares mais caro do que hoje. A gasolina nunca esteve tão cara em Portugal, apesar da descida verificada no valor do barril de petróleo. A Galp aumentou a gasolina em 2 cêntimos e o gasóleo em 3. Isto significa que um litro de gasolina custa agora 1,53 euros, um novo máximo histórico, batendo por um cêntimo o valor anterior, que foi fixado quando o petróleo estava 50 dólares mais caro do que hoje. Nas bombas da CEPSA, o aumento foi de 1 cêntimo na gasolina e de 0,9 cêntimos no gasóleo. Certo é que o preço da matéria-prima está a descer. O barril de Brent, que serve de referência para Portugal, desceu para 96,8 dólares, sobretudo devido às notícias relativas ao aumento de produção de petróleo.
                                                                                                                               
Escalada dos preços do petróleo coloca "verdadeiro risco económico"
                                                                                                                         
A procura de petróleo a nível mundial em 2011 deverá aumentar para 89,1 milhões de barris diários. A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu em alta as suas previsões para a procura mundial de petróleo em 2010 e 2011 e considera que a recente escalada nos preços do crude nos mercados coloca “um verdadeiro risco económico”. A agência aponta que a recente escalada do preço do petróleo para os 100 dólares por barril “suscitam receios sobre o impacto dos preços elevados na recuperação económica mundial”, no seu relatório semanal.
“O nível recente do preço já coloca um verdadeiro risco económico”, dizem os autores do relatório, que esperam que este não se mantenha muito além dos 100 dólares por barril. A AIE estima agora que a procura de petróleo a nível mundial em 2010 se tenha situado nos 87,7 milhões de barris por dia e que em 2011 aumente para 89,1 milhões de barris diários. Para este crescimento terá contribuído, ainda segundo a agência, um crescimento económico sólido na Ásia, em especial na China, e ainda uma procura mais forte que a esperada nos países ricos que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Para 2011, as previsões de consumo também foram revistas e malta em 320 mil barris por dia, para uma subida de 1,4 milhões de barris face a 2010 (um aumento de 1,6%).
                                                                                               
Reeleição anunciada?
                                                                                                                        
Boa parte do eleitorado de esquerda estará desiludida com a governação socialista. Resta saber se o centro e a direita mantêm a confiança em Cavaco Silva. O estado de espírito do país não é o melhor. A célebre crise – inicialmente negada e depois confirmada – chegou primeiro à cabeça e só depois ao bolso dos portugueses.
Vitória de Cavaco Silva depende da resposta a três pontos. No segundo mandato, os presidentes da República tornam-se mais atrevidos. Mário Soares, por exemplo, tudo fez para destronar o primeiro-ministro Cavaco; e o presidente reeleito Jorge Sampaio liquidou em dois tempos o governo Santana Lopes. Nos primeiros cinco anos, os Presidentes da República ganham o respeito da maioria do país, que depois não lhes regateia uma segunda eleição. Deste modo, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio foram reeleitos com relativa facilidade para um segundo mandato. Em 2011, o Presidente Cavaco Silva fará igual ou pior do que os seus antecessores? 
A chave parece estar na abstenção. A crise social e o modo como a campanha decorre vão induzir uma abstenção maior ou menor? A abstenção terá mais clientes à esquerda ou à direita? Destas respostas depende a reeleição de Cavaco Silva, no próximo dia 23.
Havendo eleições presidenciais, os eleitores vão penalizar o governo, votando em massa num Presidente de cor contrária? Ou vão afastar-se das urnas, responsabilizando quase todos por igual? O que fará, por exemplo, o chamado eleitorado do centro, que nas diferentes eleições faz pender a balança final para um lado ou para o outro?  Boa parte do eleitorado de esquerda estará desiludida com a governação socialista. Resta saber se o centro e a direita mantêm a confiança em Cavaco Silva, como líder indispensável à recuperação do país.

Opinião do Leitor

Os cinco cavacos


Cavaco Silva está na semana final da sua recandidatura. Foi ministro quando eu tinha 11 anos. Pode sair da Presidência quando eu tiver 46. Ele é o maior símbolo de tantos anos perdidos. E aqui se fala das suas cinco encarnações. Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças em tempos de PREC, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.


O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.


O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.


O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.


O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros. Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.


E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama...


Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiroministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
(Leitor identificado)



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa "vira" pesadelo aterrador

Várias

Prazo para Executivo responder às providências terminou
                                                                                                                                             
Sindicatos fazem hoje plenário frente à residência oficial de José Sócrates. A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila deixa claro que as iniciativas jurídicas não vão parar por aqui.
                                           
Terminou ontem o prazo para o Governo responder às providências cautelares antecipatórias entregues pelos diversos sindicatos da Função Pública contra os cortes salariais. E se o processo for tão rápido como na admissão das providências, nos próximos dias alguns juízes dos Tribunais Administrativos e Fiscais podem anunciar a decisão. Os sindicatos esperam que as sentenças saiam a favor dos trabalhadores e que o Executivo seja obrigado a repor os salários. Mas a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila deixa claro que as iniciativas jurídicas não vão parar por aqui. Amanhã à tarde, dirigentes e activistas sindicais vão fazer um plenário em frente à residência oficial do primeiro-ministro e marcar novas acções de luta para a segunda quinzena de Fevereiro. Greve ou manifestação nacional, é uma questão que só ficará decidida no dia 8 de Fevereiro, quando a Frente Comum reunir a cimeira.
                                                                           
Governo diz que é legal o acordo de troca de dados pessoais com os EUA
                                                                                                                           
"Se Portugal também não recebesse dos Estados Unidos da América os dados pertinentes, seriam os portugueses a ficar numa situação de indesejável vulnerabilidade", esclarece o Executivo. O Governo nega que o acordo de cooperação para a prevenção e combate ao crime assinado entre Portugal e o Estados Unidos da América (EUA), que pressupõe a troca de dados pessoais, viole "qualquer disposição constitucional". Num esclarecimento conjunto dos Ministérios da Administração Interna, da Justiça e dos Negócios Estrangeiros, é dito que "não se pode confundir a troca de dados para efeitos de investigação, que constitui um instrumento indispensável para a eficaz acção das polícias, com a eventual extradição de pessoas implicadas em actividades criminosas".
"Do acordo não resulta qualquer obrigação de extradição da qual pudesse resultar a aplicação de sanções aos visados. Essa matéria é regulada por acordo entre os EUA e a União Europeia, que expressamente exclui a extradição quando dela possa resultar a aplicação de pena de morte", explica o documento. A notícia da eventual inconstitucionalidade de algumas normas do acordo é hoje publicada pelo “Diário de Notícias”, que refere que a "partilha de informação com EUA não exclui a pena de morte, violando a Constituição". O esclarecimento governamental indica que "os artigos 6.º e 9.º do acordo remetem expressamente para as leis internas que regulam a cooperação judiciária internacional e os termos da transmissão de dados para investigação criminal".
E, adianta o texto, "A Lei da Cooperação Judiciária em Matéria Penal impede o auxílio mútuo quando o facto a que respeite seja punível com pena de morte". "No mesmo sentido, o próprio acordo prevê a imposição, pelo Estado português, de condições à utilização desses dados que resultem do seu Direito interno (artigo 11.º, n.º 3), norma que é aplicável ao tratamento de dados para fins de investigação criminal".
"É esse risco de 'pena de morte' infligida a inocentes que se visa eliminar, detectando em tempo útil indícios relevantes dessas actividades criminosas. Se Portugal, estando na posse de tais dados, não os facultasse, não contribuiria para o necessário combate antiterrorista, violando os seus deveres para com a comunidade internacional", sustenta o documento. O texto refere que, "se Portugal também não recebesse dos Estados Unidos da América os dados pertinentes, seriam os portugueses a ficar numa situação de indesejável vulnerabilidade". Os ministérios recordam que a parceria ressalva expressamente, em diversas normas, a salvaguarda dos direitos, liberdades e garantias que decorrem do Direito Português.
"Em especial, o artigo 12.º e seguintes garantem a privacidade, a protecção e a segurança dos dados transmitidos, determinando, nomeadamente, a sua destruição imediata após um período de dois anos", refere o comunicado. O acordo sobre o reforço da cooperação para a prevenção e o combate ao crime entre Portugal e os EUA foi assinado a 30 de Junho de 2009 e visa facultar a "troca de informações sobre actos cuja prática poderia pôr em perigo vidas humanas, sacrificadas por crimes graves e acções terroristas", e só entrará em vigor depois de discutido e aprovado pela Assembleia da República. Um acordo desta natureza já foi assinado por 15 Estados da União Europeia: Bulgária, República Checa, Alemanha, Estónia, Letónia, Lituânia, Hungria, Malta, Áustria, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e Itália.
                                                                           
Obras do Centro Materno-Infantil do Norte arrancam duas décadas depois
                                                                                                                              
A Administração do Centro Hospitalar do Porto diz que o CMIN deve ficar pronto daqui a dois anos e quatro meses. A obra do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) “vai começar ainda esta semana”, garantiu hoje Pedro Esteves, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto (CHP), promotor do projecto, com cerca de duas décadas. “Vamos dar luz verde ao empreiteiro para começar rapidamente com a obra. A empreitada avança ainda esta semana”, revelou Pedro Esteves, adiantando que o Centro Materno-Infantil do Norte deverá ficar pronto “dentro de 28 meses”.
A Câmara do Porto anunciou hoje, em comunicado, que a construção do CMIN pode avançar, depois de ter dado “parecer positivo” ao novo projecto. A autarquia esclareceu que o novo projecto contempla, “entre outros pontos”, a construção de um arruamento para melhorar o escoamento do tráfego na envolvente à maternidade Júlio Dinis. A isto, junta-se a redução da cércea do edifício do CMIN, que “garantirá um enquadramento mais equilibrado com as construções existentes na zona”. “O novo projecto concretiza o respeito pela legalidade preconizado pela Câmara, nomeadamente pelo cumprimento de todas as normas urbanísticas regulamentares, incluindo as relativas ao Plano Director Municipal em vigor e cuja não observância havia motivado o seu indeferimento, em Setembro, por parte dos serviços técnicos municipais”.
De acordo com a nota, falta ainda resolver a questão dos títulos de propriedade dos terrenos onde o CMIN vai ser construído, mas continua o “diálogo” para resolver o problema. “Ultrapassadas as questões urbanísticas e de mobilidade, Câmara do Porto e a Administração Regional de Saúde (ARS) mantêm o diálogo que permita resolver questões que se relacionam com os títulos de propriedade dos terrenos nos quais o projecto do CMIN irá ser edificado, uma vez que alguns deles pertencem à Câmara e outros a privados”. De acordo com Pedro Esteves, tanto o CHP como a ARS estão “muito felizes” com a “solução de consenso”, porque o CMIN é “um equipamento demasiado importante para ser feito de costas voltadas com a Câmara do Porto”.
A Câmara emitiu, em Julho, pareceres desfavoráveis ao licenciamento do CMIN. Em Agosto, o CHP anunciou ir desistir de tentar licenciar o projecto, por considerar que, legalmente, a construção não exigia autorização do município. Um novo parecer não vinculativo da autarquia, em Setembro, voltou a chumbar a operação, mas a comissão gestora de fundos comunitários alertou que não libertava a verba se a obra fosse ilegal. Desde então a autarquia e o Ministério da Saúde mostraram-se convictos de que o diálogo permitiria encontrar uma solução. Em Outubro, o CHP resolveu dar início à montagem do estaleiro da obra, de forma a ter tudo pronto para a empreitada avançar quando se chegasse a um entendimento.
                                                                                 
                                                                

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais

Cavaco: "campanha de calúnias e mentiras"
                                                                                                         
A uma semana das Eleições, candidato presidencial não esclarece quem está a levar a cabo tal campanha, mas Cavaco exorta a resposta nas urnas contra.
                                          
Os portugueses devem nas urnas dar resposta à “campanha de calúnias, mentiras e insinuações” montada contra si, diz Cavaco Silva. O Presidente recandidato, ao almoço em Famalicão, confessou-se preocupado com o diz ser uma campanha baixa. "É um sinal de alguma doença na vida política portuguesa e cabe ao povo português dar-lhe a devida resposta", considerou o candidato apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP, acrescentando: "E no próximo dia 23, no próximo domingo os portugueses irão dar a resposta". No seu discurso, Cavaco Silva apresentou algumas "conclusões" que disse ter retirado da "jornada" que tem feito pelo país. Uma das conclusões que enunciou foi a de que "o povo tem vindo para a rua também para afirmar que repudia veementemente a campanha de calúnias, de mentiras, de insinuações que foi montada. Perante o desespero, para eles vale tudo. Não interessa a dignidade que deve revestir a eleição do mais alto magistrado da nação", criticou, assegurando que nunca irá "por aí, qualquer que seja a circunstância". Segundo o ainda Presidente da República, "o povo já percebeu quem tem uma ideia clara para o futuro de Portugal e aqueles que apenas estão especializados no insulto, na calúnia e na mentira".
                                                                                      
Portugal está no Qatar “para ficar”, garante Sócrates
                                                                                         
O primeiro-ministro José Sócrates prometeu em Doha, na abertura do Fórum Empresarial entre Portugal e Qatar que está no país "para ficar". José Sócrates, perante centena de empresários de ambos países disse que a sua vinda Qatar, que termina hoje, servirá para "reforçar os laços políticos", frisando que é a primeira vez que um primeiro-ministro de Portugal faz uma visita oficial aquele país. Em jeito de agradecimento, o primeiro-ministro agradeceu o apoio do Qatar à candidatura de Portugal ao mundial de futebol e disse que Portugal votou no Qatar e assim contribuiu para a vitória daquele país que vai organizar o evento em 2022. "Sabemos da importância do Qatar na economia mundial", disse Sócrates, acrescentando que essa é uma das razões porque traz uma comitiva portuguesa de negócios: "Viemos com intenção de continuar uma relação económica que possa servir os dois países".
Como trunfos da economia portuguesa, o primeiro-ministro ofereceu o conhecimento e a influência portuguesa na Europa, através da União Europeia, mas também a América Latina, nomeadamente o Brasil, os países africanos de expressão da língua portuguesa e ainda a Ásia. José Sócrates, para 'vender' o país, destacou dois sectores de actividade: construção civil e obras públicas e novas tecnologias de informação e comunicação, dando o exemplo de que Portugal "é o país europeu que lidera o 'ranking' de 'e-governance'. Falou ainda do sector energético e disse que Portugal "é um dos países do mundo que mais está a apostar nos carros eléctricos. Após a visita oficial ao Qatar, José Sócrates parte hoje para Abu Dhabi onde estará até terça-feira. Esta é uma visita em que o primeiro-ministro está acompanhado por vários ministros, entre os quais Teixeira dos Santos (Finanças), Vieira da Silva (Economia), Luís Amado (Negócios Estrangeiros) e António Mendonça (Obras Públicas e Transportes), em que está previsto encontros bilaterais com os respetivos homólogos nos dois países. Governante luso segue agora para o Abu Dhabi.
                                                                                                      
Amado confirma que Portugal tenta vender dívida ao Qatar
                                                                                                          
Em declarações à SIC, o ministro admite que o assunto tenha sido discutido entre ministros das Finanças dos dois países. O ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado confirma à SIC que Portugal está a tentar vender parte da dívida no Qatar. O governante, que acompanha o primeiro-ministro José Sócrates na visita ao Qatar, confirmou que o Governo português está a tentar vender dívida soberana a países do Médio Oriente, designadamente a investidores do próprio Qatar. "Acredito que os ministros das Finanças tenham falado sobre isso", disse Luís Amado à SIC. Esta é uma informação contraditória àquela prestada pelo primeiro-ministro quando confrontado com esta questão. De recordar que José Sócrates disse que “durante as conversas com as autoridades do Qatar não foi discutida a possibilidade de comprarem dívida portuguesa. Essa está no mercado e pode ser comprada pelos investidores”. O primeiro-ministro acrescentou que está no Qatar “para discutir oportunidades de investimento entre os dois países nas áreas de energia, telecomunicações, banca e turismo”.
                                                                                     
Marcelo espera que Sócrates esteja a informar Cavaco sobre dívida
                                                                                            
Comentador lembra que decisões estão a comprometer futuros governos e, por isso, Passos Coelho também deve ser informado. Marcelo Rebelo de Sousa exige ao primeiro-ministro que informe o Presidente Cavaco Silva e o líder da oposição Pedro Passos Coelho sobre como estão a decorrer as negociações da venda da dívida portuguesa ao estrangeiro. No seu habitual comentário na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa diz que essa informação é devida. “Temo que aquilo que o Governo está a fazer hoje em relação à dívida pública não esteja a comunicar ao líder da oposição, nem sei se está a comunicar ao Presidente da República. Acho isso mal porque trata-se de uma coisa vital. Estamos a lutar pela sobrevivência, estamos a fazer operações privadas, estamos a ter uma política muito sensível que vai comprometer os futuros Governos durante imensos anos. Espero que esteja a comunicar ao Presidente da República e a Pedro Passos Coelho”, disse.
                                                                   
                                                

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma verdade a não esquecer

Recorte de Imprensa

Deus, pátria, FMI


Tal como a aldeia gaulesa de Asterix, Portugal continua a resistir. A Grécia demorou 17 dias até ser forçada a pedir ajuda externa depois de passar os 7% nos juros da dívida pública a dez anos e a Irlanda durou pouco menos de um mês. Portugal luta: 65 dias depois de termos rompido essa linha da vida ainda estamos oficialmente de pé. Mas até quando? E a que preço?


A primeira pergunta é a menos difícil de responder: Portugal, que oficiosamente já capitulou há muito (com as ajudas do Banco Central Europeu), resistirá oficialmente enquanto a Europa quiser. Esta semana foi prova disso. Enquanto o BCE comprava dívida portuguesa antes do leilão de quarta-feira (estancando a pressão), a Comissão Europeia elogiava o hábil anúncio em Lisboa de um défice orçamental abaixo da meta de 7,3% - isto apesar de José Sócrates não ter apresentado qualquer número definitivo, ter falado apenas de uma parte das contas do Estado e recorrido a receita extraordinária. [Parece que, na hora do aperto, "lá fora" também compram destas coisas.] Ao mesmo tempo, a Comissão e a Alemanha admitiram o alargamento do fundo de resgate, num bom sinal de que os alemães estão dispostos a acompanhar com dinheiro as palavras de que tudo farão para salvar o euro.


Este desejo europeu explica-se não pela "confiança" na consolidação orçamental portuguesa - a de 2010 foi menos que razoável e sobre este ano só haverá sinais significativos a partir de Maio -, mas pela compreensão por parte da Europa de que Portugal é o pequeno dique que protege a grande Espanha de se tornar a próxima na fila. Enquanto estivermos no centro das atenções mediáticas Madrid beneficia de mais sombra. Para as autoridades europeias, a prolongada resistência lusa compra tempo para tentar travar a crise do euro. Isso é positivo para Portugal apenas na medida em que ajudar no combate geral à crise.


Mas podemos então afastar uma intervenção externa? Não. Mesmo com todas as ajudas, a pressão continua muito alta e Portugal continua vulnerável a más notícias e rumores. No mercado, a maioria dos investidores e dos analistas e os media internacionais ainda considera inevitável a capitulação portuguesa. O país perdeu parte importante da sua base tradicional de investidores, não compensada pelo esforço de diversificação do Tesouro, pago a peso de ouro. Se a febre nos mercados passar o suportável (os 7%) e não responder aos analgésicos do BCE, poderá ser esta mesma Europa a encostar-nos às boxes.


O que leva à segunda pergunta: estaremos a pagar demasiado pela nossa resistência? Não seria melhor pedir ajuda mais cedo, como sugeriu Teodora Cardoso? Muitos, como José Sócrates e Manuel Alegre, dizem que não, jogando no derradeiro plano do patriotismo. Mas a soberania já está comprometida simplesmente porque tem sido a Europa a impedir que Portugal vá ao tapete - isto tem o seu preço, como descobriu Sócrates, que voltou de Bruxelas duas vezes com pacotes de austeridade debaixo do braço. Os critérios mais importantes são outros, como o custo do financiamento. Aqui tudo depende da taxa negociada com o fundo europeu. No leilão de quarta-feira Portugal pagou 5,396% a três anos, mais do que a Grécia está a pagar pelo seu resgate (5,2%), mas menos do que a Irlanda (5,8%). À China o país pagou um preço promocional de 4,75% a meros 18 meses. E no financiamento de longo prazo o Banco de Portugal estima uma taxa média de 6,6% este ano e 6,2% em 2012. São valores incomportáveis para um Estado sobredimensionado, no pressuposto de que há dinheiro barato.


Seria bom centrar o debate público no plano dos custos de financiamento e sociais, analisando se valeria a pena recorrer à ajuda (e desdramatizando essa ajuda), como sugeriu Teodora Cardoso, especialmente quando se fala em baixar os juros cobrados pelo fundo de emergência. Isto se quisermos que este patriotismo, em boa medida alimentado de cálculo político, não acabe por custar demasiado aos seus patrióticos contribuintes.
                                        
por Bruno Faria Lopes
Grande Reporter
                                                         
Ler em: http://www.ionline.pt/conteudo/98464-deus-patria-fmi
                                                                        
                                    

Fim de Semana

Submarino “Tridente” já “meteu água”
                                                                                                                                                  
É "novo", custou milhões, mas mete água... Marinha acredita que dentro de uma semana o submarino, recém-chegado a Portugal, já estará reparado.
                                                       
O submarino Tridente, que custou a Portugal 500 milhões de euros e chegou há quatro meses, está em terra na Base Naval do Alfeite para reparação do revestimento, que se mostrou demasiado frágil perante as águas do Atlântico. A Marinha confirmou esta manhã que a reparação está a ser feita e que nos próximos dias o navio deve voltar ao mar. Alexandre Fernandes, chefe de relações públicas da Marinha, disse ainda que os custos desta reparação serão suportados na totalidade pelos alemães, uma vez que a garantia ainda está em vigor. Quanto ao segundo submarino, o “Arpão”, já vem com a correcção feita de origem
                                                      
Uma década de Wikipédia
                                                                                             
Dezassete milhões de artigos, em 270 línguas, são apenas alguns dos números desta enciclopédia de acesso livre, disponível a todos através da Internet. Criar uma enciclopédia de acesso livre na Internet, feita pelos cibernautas. A ideia foi posta em prática há precisamente dez anos. A Wikipédia foi lançada no dia 15 de Janeiro de 2001, pelos norte-americanos Jimmy Wales e Larry Sanger, e desde então não parou de crescer.
O site conta actualmente com mais de 17 milhões de artigos, em 270 línguas, sobre as mais variadas áreas do conhecimento. Todos os meses é visitado por mais de 400 milhões de pessoas e conta com a colaboração regular de 100 mil editores de todo o mundo. O Português é a oitava língua mais representada na Wikipédia, com mais de 660 mil textos, entre os quais um sobre a Rádio Renascença. O ranking é liderado pelo Inglês, com cerca de 3,5 milhões de artigos, seguido do Alemão e do Francês.
Manuel de Sousa, membro da Wikimedia Portugal, uma associação de wikipedistas portugueses, começou a colaborar há seis anos e desde então nunca mais parou. “Colaboro desde 2005 como editor registado. Fiz cerca de 14 mil edições, trabalho temas relacionados com História, Geografia, Política, temas ligados à realidade dos países lusófonos, também com o tema do Acordo Ortográfico”, disse à Renascença o director de marketing, de 45 anos, que esteve directamente envolvido na criação da Wikipédia em Tétum, a língua co-oficial de Timor-Leste.
A Wikipédia não tem publicidade e depende de donativos para manter uma equipa de 50 funcionários e os servidores que armazenam toda a informação a funcionar. Os editores espalhados pelo mundo trabalham por amor à camisola e ao conhecimento. "Colaborar com a Wikipédia é um misto de «hobby» e de voluntariado. Nós sacrificamos algum do nosso tempo, uma ou duas horas por dia, a contribuir com o que escrevemos, com fotografias que tiramos, com mapas que fazemos ou gráficos", conta Manuel de Sousa.
                                                                                         
A credibilidade da informação
                                                                                                       
Susana Morais dedica-se, sobretudo, à "História da Arte em Portugal, monumentos e História da Arte em geral". Já perdeu a conta a quantos artigos escreveu, "mas são muitos", refere. A designer, de 32 anos, começou a consultar a enciclopédia online em 2004 e aventurou-se na edição quando encontrou um artigo "com um disparate escrito".
A comunidade de “wikipedista” está empenhada em melhorar a fiabilidade dos dados e a qualidade da informação disponibilizada. Além da revisão efectuada pelos diferentes editores, Susana Morais explica que há um esforço cada vez maior para que todos os artigos sejam acompanhados de referências e notas de rodapé... "Muito importante nos próximos tempos será, pelo menos para nós na Wikimedia Portugal, tentar arranjar parcerias com diferentes entidades, como museus ou arquivos, que possam disponibilizar a informação e que dêem alguma credibilidade, que cada vez é mais necessária, e apostar na formação de professores para ensinarem os alunos a preencherem artigos e a saber como usar a informação que lá está”, diz Susana Morais.
                                                                                                                       
“Guerra de editores”
                                                                                                         
Quando há situações polémicas, como aconteceu no caso da licenciatura de José Sócrates ou da cidade fronteiriça de Olivença, por vezes acontece o que na gíria da Wikipédia se chama “guerra de editores”. “Uma guerra de edições é alguém que chega lá, altera um pormenor qualquer, e o outro reverte e assim sucessivamente. Quando essas situações ocorrem, quando há mais de três reversões, a página deve ser congelada e bloqueada e, depois, deve-se passar para a página de discussão e as diversas tendências devem discutir os argumentos antes de passar à redacção”, refere Manuel de Sousa.
O administrador desconhece casos de censura ou de eventuais pressões para modificar informação e sublinha que uma alteração “pouco consensual” pode sempre ser corrigida. “Na Wikipédia isso é aberto, por isso é um «work in progress», é um trabalho que está sempre em construção, nunca está terminado, por isso é difícil haver muitas pressões para alterar porque, mesmo que alterassem determinado parágrafo, no dia seguinte se calhar ele já estava outra vez diferente. É uma lógica diferente de um livro ou de um jornal, não é algo fechado, é algo dinâmico”, remata.
                                                                                                  
Aniversário assinalado em todo o mundo
                                                                                                         
Os dez anos da Wikipédia comemoram-se este sábado. Em todo o mundo, 300 iniciativas assinalam o lançamento da chamada enciclopédia livre da Internet. Em Lisboa, a festa de aniversário tem início marcado para as 14h30, no Instituto Superior Técnico, e é organizada pela Wikimedia Portugal. Além da exibição do documentário "Truth in Numbers”, vão realizar-se cinco palestras e um debate sobre a Wikipédia. A comemoração dos 10 anos da Wikipédia vai também ter direito a brinde e bolo de aniversário.
                                                                                                       
Portugueses identificam gene ligado ao desenvolvimento de tumores
                                                                                                    
Gene "Viriato" está implicado no crescimento celular descontrolado. Cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto identificaram o gene “Viriato”, que controla a proliferação das células e poderá desempenhar um papel no desenvolvimento de tumores.“Graças à sequenciação do genoma nós conseguimos acelerar o processo de identificação de genes importantes para o crescimento celular”, disse Paulo Pereira, coordenador da pesquisa. O cientista explica que falta agora passar da investigação na mosca-da-fruta para os tecidos humanos.
“A próxima etapa é estabelecermos colaboração com grupos que olham para aquilo que acontece em células humanas e sermos capazes de estudar qual é a função do «Viriato» em células humanas”. O trabalho vai agora ser divulgado numa revista da especialidade enquanto se procuram parcerias entre os cientistas portugueses. Uma delas poderá vir a ser com a Fundação Champalimaud, onde começou esta sexta-feira um simpósio internacional para debater os avanços na terapia do cancro. Um dos investigadores do centro, Raghu Kalluri, diz que, embora sejam cada vez maiores os avanços para controlar o cancro, a ciência aposta, sobretudo, em formas de evitar a doença.