Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Leis de trabalho adaptadas à crise

De Espanha pode não vir bom vento, mas bom exemplo

Governo espanhol espera que parlamento aprove hoje reforma laboral que generaliza os contratos.

O Governo espanhol espera que a lei de reforma laboral, que deverá ser hoje votada no parlamento, possa ser aprovada rapidamente e sem grandes alterações, ainda que reitere estar aberto ao diálogo com as restantes forças políticas. Oficialmente ainda nenhuma força política foi clara sobre que posição assumirá na votação ainda que se espera alguma contestação, tanto da esquerda como da direita. Na véspera da reforma, o próprio Partido Popular (PP, oposição) solicitou um contacto do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, no poder) para tentar encontrar um potencial acordo que ajude a decidir o voto.
O maior partido da oposição, cuja posição será crucial para determinar eventuais obstáculos à lei explicou não ter ainda posição definida e, apesar de se mostrar crítico com o diploma - que considera insuficiente -, admite estar aberto a acordos. Em causa está o pacote de reforma laboral que o Governo aprovou na semana passada para, segundo defendeu, melhorar a produtividade, dar mais estabilidade ao emprego e dar mais flexibilidade à empresa, sendo uma das reformas cruciais dos últimos anos. "É uma reforma laboral substancial, com um conteúdo muito amplo e que é das mais importantes no nosso país nos últimos anos", afirmou, depois da aprovação da lei em Conselho de Ministros, o ministro do Trabalho espanhol, Celestino Corbacho. Nesta reforma, o Governo generaliza o contrato com uma indemnização de 33 dias por ano trabalhado, apenas para novos contratos e como "medida para combater a temporalidade". Tanto no caso das indemnizações de 33 dias como dos atuais 45 dias, o Governo pagará sempre um valor correspondente a oito desses dias, através do Fundo de Garantia Salarial. O objetivo do Governo, reiterou Corbacho, é que este modelo seja o mais utilizado como forma de combater a precariedade e estimular as contratações indefinidas.
O único contrato temporal que varia é o que se refere a "obras e serviços", no qual será definida uma indemnização de 12 dias que se alcançará, progressivamente, a partir de 2012. O decreto-lei faz referência ao dito "modelo austríaco", que cria um fundo de capitalização para os trabalhadores, como reforço financeiro para formação, eventual apoio em caso de perda de emprego ou suplemento na reforma. Com base no decreto, as empresas espanholas só terão que demonstrar perdas, sem qualquer período determinado, para justificar o despedimento objetivo dos trabalhadores.

‘Simplex’ em destaque

Exemplo de administração do futuro

Nações Unidas destacam Simplex e boas práticas de serviços centrados nos cidadãos.

O programa Simplex, a abordagem na distribuição de serviços públicos e as iniciativas e.escola e e.escolinha foram destacados pelas Nações Unidas como três iniciativas "inovadoras" de "modernização" dos serviços públicos em Portugal. De acordo com as Nações Unidas, "o programa Simplex é um exemplo da administração do futuro que para além de promover o acesso à informação e estimular a sua partilha, fomenta a participação dos cidadãos na criação de serviços públicos à sua medida", segundo um comunicado do gabinete do ministro português da Presidência.
Estima-se que até 2011 seja possível aceder a todos os serviços públicos 'online' através destes dois portais. Ainda neste ponto, o destaque vai para o prémio "Ideia.Simplex" que engloba mais de 600 ideias e mais de 12.600 votos, que este ano colocou mais duas ideias de funcionários em desenvolvimento. No âmbito dos serviços públicos, Portugal destaca-se, segundo as Nações Unidas, pelo facto de disponibilizar aos cidadãos serviços "iniciados num balcão e acompanhados na Internet, através da articulação entre as Lojas do Cidadão e os Portais do Cidadão e da Empresa".
Um terceiro ponto que mereceu o destaque das Nações Unidas prende-se com "o pioneirismo das iniciativas e.escola e e.escolinha" que cobrem 100 por cento do território nacional. Portugal destaca-se também pela ligação das escolas públicas por banda larga, sendo líder europeu nesta matéria, e ainda "na penetração de banda larga móvel (uma das mais elevadas da Europa)", segundo as Nações Unidas.

Relatório da ONU confirma

Droga: Menos tráfico vindo de África

Tráfico de droga está em declínio na África lusófona. Guiné-Bissau mantém alguma actividade graças aos militares.

O tráfico de drogas regrediu recentemente na África lusófona, onde a Guiné-Bissau serve como plataforma de distribuição, segundo o gabinete das Nações Unidas para as Drogas e Criminalidade (UNODC). "O declínio do tráfico, que afetou particularmente a África Lusófona, pode ser a razão da acentuada redução de apreensões de cocaína entre 2006 e 2008", refere o estudo Globalização do Crime, apresentado esta semana pelo diretor do UNODC, António Maria Costa.
As apreensões de cocaína registaram um forte aumento entre 2003 e 2006, particularmente com origem na África Ocidental. É nesta região que os traficantes, sobretudo da Colômbia, instalaram desde 2004 duas importantes placas giratórias: Guiné-Bissau e Guiné-Conacri e o Golfo do Benim, que compreende toda a região entre o Gana e a Nigéria. Esta rota, afirma o UNODC, está constrangida atualmente, "mas pode rapidamente ressurgir". Instabilidade política e combate bem sucedido às redes que operam a rota são as causas apontadas para o declínio.
As apreensões em Portugal, que juntamente com Espanha é porta de entrada para a cocaína na Europa, mostram estar diretamente ligadas aos "fortes aumentos e declínios" da atividade traficante na África Ocidental, "particularmente nos países lusófonos, Guiné-Bissau e Cabo Verde", refere o UNODC. O fenómeno "reflete os laços históricos e culturais com as antigas colónias" e "os traficantes colombianos parecem não desempenhar aqui um papel significativo". O estudo da UNODC relata ainda a recente instabilidade vivida na Guiné-Bissau, onde "a maior atenção internacional em relação à ameaça tornou o tráfico mais difícil a partir de 2008".
Na sequência da violência de março do ano passado, desapareceram grandes carregamentos de cocaína que estavam na posse da polícia guineense. "Os donos destes carregamentos, traficantes colombianos, podem ter concluído que os seus parceiros da África Ocidental tinham decidido ficar com a totalidade, em vez de um terço do carregamento, e terminaram assim o seu relacionamento", refere o UNODC. O gabinete das Nações Unidas relata ainda as ameaças a que têm sido sujeitos aqueles que denunciam o narcotráfico guineense.
"Vários jornalistas e ativistas tiveram de fugir do país ou de procurar refúgio depois de terem recebido ameaças de morte por terem relatado o envolvimento de militares no tráfico de droga. Quer o chefe militar [em 2007], quer o chefe da Marinha parecem ter estado envolvidos nestas ameaças", adianta. O envolvimento dos militares no tráfico foi denunciado mesmo por membros da administração e do Governo guineenses, também eles alvo de ameaças. Segundo o UNODC, "as drogas apreendidas pela polícia são confiscadas pelos militares e depois desaparecem" e os acusados, incluindo traficantes, "são simplesmente libertados".
O gabinete das Nações Unidas considera mais provável que as mortes do ex-Presidente Nino Vieira e do ex-chefe das Forças Armadas guineenses Tagmé Na Waié tenham sido motivadas por querelas pessoais do que pelo narcotráfico. A natureza da mais recente alegada tentativa de golpe de Estado, em agosto de 2008 protagonizada pelo oficial da Marinha Bubo na Tchuto, "é ainda menos clara. Mas dada a natureza da corrupção e a dimensão relativa do contrabando e da economia, praticamente todos os conflitos políticos têm marca criminosa", adianta.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Liberdade de Imprensa

Estatuto do jornalista deve ser revisto

PCP propõe alteração ao Estatuto do Jornalista que preve punição para quem apreender ou danificar material para exercicio da profissão.

O PCP apresentou uma proposta de alteração ao Estatuto do Jornalista que prevê, entre outros aspetos, a punição com prisão ou multa de quem apreender ou danificar materiais necessários ao exercício da profissão. Segundo o Partido Comunista, o projeto de Lei sobre a Segunda Alteração à Lei nº 1/99, de 13 de janeiro, que aprovou o Estatuto do Jornalista, surge na sequência do relatório da comissão de ética sobre liberdade de expressão que identificou algumas fragilidades na proteção destes profissionais.
Em declarações à Lusa, a deputada comunista Rita Rato explicou que o PCP já estava a preparar a proposta há algum tempo e que com o cruzamento da discussão da liberdade de imprensa o documento ficou agora concluído. O projeto, explicou, tem como objetivo responder a alguns aspetos, nomeadamente, à proteção dos direitos de autor dos jornalistas contra a reutilização abusiva dos seus trabalhos, o reforço dos mecanismos de ação coletiva dos jornalistas nas redações e dos direitos e garantias.
Uma das alterações propostas é ao artigo 19º relativo ao atentado à liberdade de imprensa referindo que "quem apreender ou danificar quaisquer materiais necessários ao exercício da actividade jornalística, impedir a entrada ou permanência em locais públicos para fins de cobertura informativa ou através de qualquer outro meio tenha o intuito de atentar contra a liberdade de informação é punido com prisão até 1 ano ou com multa até 120 dias". Este artigo, explicou a deputada, surge na sequência de situações já denunciadas pelo Sindicato dos Jornalistas relativas ao jornalismo desportivo que regista casos de atentados à liberdade de imprensa ao vedarem o acesso dos profissionais.
Na proposta, o Grupo Parlamentar do PCP propõe ainda o reforço das competências do Conselho de Redação, nomeadamente, a pronunciar-se prévia e vinculativamente sobre a designação ou destituição de jornalistas com funções de direção e chefia. A proposta do PCP visa ainda equiparar este órgão à Comissão de Trabalhadores em matéria de direitos consagrados no código do trabalho e ainda reforçar as suas competências para dar parecer vinculativo sobre a elaboração e as alterações ao estatuto editorial.

Férias no Algarve sujeitas a vigaristas

Cuidado com viagens de férias marcadas pela Internet

GNR de Faro registou três queixas este fim-de-semana: pacotes de férias pela net podem ser falsos.

A GNR de Faro registou no fim-de-semana três queixas de veraneantes que dizem ter sido enganados na aquisição de pacotes de férias no Algarve, através da Internet.
Em declarações à Lusa, fonte da GNR explicou que só no fim-de-semana foram recebidas três queixas de pessoas que chegaram ao Algarve com férias pagas e nem sequer existia a morada do apartamento onde deveriam pernoitar.
O mesmo tipo de burla foi registado no Algarve na época da Páscoa e na última passagem de ano. No ano passado, a GNR contabilizou ao todo 30 queixas relacionadas com o mesmo crime, sendo que a maior parte das burlas ocorreram no Verão.
A GNR de Faro alertou as pessoas para que tenham «cuidado ao comprar pacotes de férias pelo Internet a preços convidativos».

Mundial de Futebol 2010

Soltaram-se as amarras: isto (já) é Portugal!

Ao 11º. dia "fêz-se luz"... Mundial vira a meio com subida no registo de golos.

Marcado pela maior goleada do Mundial-2010, e pelo melhor resultado de sempre de uma Selecção portuguesa em fases finais de grandes competições, o 11º dia de Mundial deu-nos a conhecer a segunda selecção a fazer as malas antecipadamente. O muro de silêncio em redor da Coreia do Norte ruiu com estrondo. Os 7-0 de Portugal, que deixam os oitavos-de-final a um pequeno passo e retiram alguma angústia ao jogo de sexta-feira com o Brasil, marcaram também o reencontro de Cristiano Ronaldo com os golos, contribuindo para rasgar finalmente os sorrisos no interior da Selecção.
Mas nem só de Portugal se fez a história: a vitória do Chile sobre a Suíça veio baralhar as contas no Grupo H, fazendo do nome do eventual adversário dos portugueses nos oitavos uma equação a três incógnitas. Isto porque a Espanha voltou ao normal, despachando a frágil selecção hondurenha sem grande sofrimento, num jogo em que Villa ficou a dever a si próprio o segundo hat-trick da prova. A vitória da Espanha sobre Honduras marcou a viragem sobre a segunda jornada. Meio Mundial já lá vai, e os indicadores melhoraram substancialmente em relação à primeira ronda da competição, a começar pela média de golos, que finalmente superou os dois por jogo.
Jogos à parte, o Mundial trouxe mais episódios à telenovela de uma França em desagregação interna, com Raymond Domenech a acentuar ainda mais a distância em relação aos seus jogadores. Com o passar dos dias avolumam-se os atritos, como se viu nos episódios registados com o ganês Sulley Muntari e, inesperadamente, na selecção inglesa, onde a franqueza de John Terry permitiu abrir um dossier-cerveja que não foi de todo do agrado de Fabio Capello.

Portugal-Coreia do Norte, 7-0: Meireles a quebrar o gelo, e... garantida a goleada, eis o capitão

Agora sim, Portugal apareceu no Mundial! À equipa das quinas bastou apresentar a atitude certa, para que o talento sobressaísse com naturalidade. Protagonizada a maior goleada do Mundial, até ao momento, resta esperar que a equipa se tenha libertado definitivamente das amarras. Perante a maior goleada de Portugal em fases finais de grandes torneios (Europeus ou Mundiais), cresce a fé do povo. O dia foi de festa, e até Cristiano Ronaldo regressou aos golos!
Com quatro novidades no «onze», Portugal entrou em campo com a postura adequada. Desde o primeiro minuto mostrou vontade de criar desequilíbrios, de arriscar em busca do golo. Ricardo Carvalho deu o exemplo logo aos cinco minutos, avançando de uma área à outra, para em boa posição atirar para as nuvens. Dois minutos depois o central voltava a aparecer na frente, mas agora na sequência de um canto, e para acertar em cheio no poste.
Para evitar que Portugal pensasse que iam ser «favas contadas», a Coreia do Norte respondeu à altura. Em dez minutos criou quatro situações de perigo, e não esteve nada longe de surpreender Eduardo. A Selecção Nacional assustou-se, e a linha defensiva baixou ligeiramente. O jogo ficava mais partido, mas os movimentos de ruptura continuavam a ser o segredo para o golo. Hugo Almeida, uma das novidades, mostrava mais serviço sem bola do que na posse dela, facilitando a entrada de outros jogadores. Raúl Meireles soube tirar proveito desse espaço em redor do «pivot», e aos 29 minutos chegou ao golo. Um grande passe de Tiago, o substituto de Deco, isolou o camisola 16 no interior da área, para uma conclusão eficaz.
O golo abalou a selecção norte-coreana, que deixou de aparecer com tanto perigo na frente. Mesmo sem deslumbrar, e aproveitando alguma passividade defensiva do adversário, que chegou ao intervalo sem ter cometido qualquer falta, a Selecção Nacional parecia perto do segundo golo quando chegou o descanso. Sem recuar na atitude irrepreensível, a Selecção arrancou para a vitória confortável no segundo tempo. Em quinze minutos surgiram mais três golos. Primeiro Simão, com assistência de Meireles, depois Hugo Almeida, após belo cruzamento de Coentrão, e mais tarde Tiago, a passe de Cristiano Ronaldo.
Mesmo com a equipa a vencer folgadamente, o capitão não ficou obcecado em quebrar o «jejum». Pelo contrário. A jogar para a equipa, Ronaldo teve o melhor período neste torneio, a nível individual. O golo começa a ser mais merecido do que nunca. Começou por não ser feliz, ao acertar na trave (71m), mas a três minutos do fim teve a merecida sorte, e voltou aos golos. Portugal marcava na altura o 6-0. Antes já Liedson tinha saído do banco para «picar o ponto», com Tiago a fechar as contas. 7-0! Uma goleada das antigas, digna dos «magriços».

Um "rio" de revoltas...

Portagens nas SCUT's geram contestação

Rui Rio avisa Governo que "as pessoas do Norte estão à beira de se poder revoltar a sério" por causa das SCUT.

O presidente da Junta Metropolitana do Porto, Rui Rio, alertou hoje o Governo para o facto das pessoas da região Norte estarem "à beira de se poderem revoltar", apelando ao chumbo dos chips para "acalmar" a situação das SCUT.
Em declarações aos jornalistas após uma reunião entre a Junta Metropolitana do Porto (JMP), as Comissões de Utentes contra as portagens nas SCUT, a ANTRAM, a Associação Empresarial de Viana do Castelo e o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, Rui Rio afirmou que a questão das SCUT foi "a gota de água" no "tratamento discriminatório" de que a Região Norte tem sido alvo. "Este tratamento discriminatório é, em minha opinião e pela leitura política que eu faço, muito perigoso para o Governo. Estamos à beira das pessoas se poderem revoltar a sério e com razão", alertou o também presidente da Câmara do Porto.
Segundo Rio, o Governo "deveria ponderar muito bem aquilo que está a fazer" e "optar por responder e por dialogar e ouvir os argumentos sérios" dos vários intervenientes. "Está nas mãos da Assembleia da República, não só dos deputados da maioria como dos deputados da oposição, a possibilidade de acalmar e nós não corrermos riscos maiores do que aqueles que estamos a correr", afirmou o presidente da JMP, apelando à revogação dos chips na próxima quinta feira. Rui Rio considera que "a Junta Metropolitana tem a obrigação e o dever político de apoiar as manifestações feitas pelos movimentos" contra a introdução de portagens nas SCUT. "Eu tenho esperança que na quinta feira tudo isto possa acalmar com a revogação dos chips e depois haja um clima de diálogo que possa conduzir tudo isto a bom porto", disse o autarca.
Questionado pelos jornalistas sobre o que o levaria a ter esperança no diálogo se ele nunca aconteceu nesta matéria, Rio foi perentório: "o senhor ministro das Obras Públicas não tem experiência política que eu tenho mas o Primeiro-ministro tem, talvez mais até do que eu, e talvez consiga perceber que não estamos a falar de uma brincadeira, estamos a falar de toda uma região que está à beira de se poder revoltar". O presidente da câmara garantiu que "se tivesse no Governo tinha muito cuidado a tratar todos por igual", considerando que "estão a lidar muito mal com os sentimentos das pessoas do Norte".

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Crónica de Domingo

O sexo triste dos mossos jovens

"A nós, adultos, cabe-nos não desviar os olhos, mas trabalhar na esperança de que um dia os nossos adolescentes conheçam o verdadeiro sexo com ternura".

Procuro ser aberto a tudo o que é novo, ao que me agrada no novo e também ao que exige um certo tempo para ser assimilado, porque é novo. Às vezes também existe o que não vale a pena ser assimilado, então, busco outras paisagens. Eventualmente não sabemos se vale ou não, então, a gente fica com humildade à espera. Uma novidade (para mim) espantosa, acidente narrado em carta por um amigo que é pai, e por mim confirmada em mais de um lugar no nosso país – especialmente pelo Algarve, é dessas que não quero assimilar. Se possível, enterrava-a numa cova funda, varrida para baixo de mil tapetes, fazia de contas que não existia: o sexo desbragado (ou simulacro de sexo) sem encanto, sem afeto, sem líbido de tesão, o sexo triste e compulsivo, paranóico, ao qual são coagidos muitos dos pré-adolescentes, quase crianças, em famílias de classe média e até alta. Essas que pensamos estar menos expostas às crueldades da vida moderna.
Talvez estes não precisem de catar lixo, correr ao som das balas disparadas na Musgueira ou na Bela Vista, suportar as brutalidades e incestos praticados no interior do País, tanto quanto os mais desvalidos. O seu mal vem sob outro pretexto: o de ser moderno e livre, ser aceite numa tribo, causar admiração ou inveja com roupas de marca. Acresce, que eu saiba, o número de meninas de 12, 13 a 16 anos grávidas e escondidas pelas famílias até chegarem incógnitas a uma boa clínica lisboeta ou com mais à-vontade a Badajoz. O impensável ocorre muitas vezes em festas nas quais se servem bebidas alcoólicas (que elas tomam, enebriadas diante das amigas, e com essa desculpa convencem depois os pais confusos), não havia nenhum adulto por perto (seria outra desculpa, e assim elas chantageiam os pais omissos), e ninguém imaginaria o que ia acontecer.
Nessas ocasiões pode muito bem acontecer uma coisa assombrosa sob o signo da falta de informação, autoridade e ação paternal. Nem sempre, mas acontece. Crianças bêbadas no chão das casas de banho de discotecas, bares e clubes chiques, com adultos cuidando para não sujar o sapato no vómito - não são novidade nenhuma (ambulância na porta, porque algumas dessas meninas ou meninos passam mesmo mal de verdade). Entre elas(es) discutem: quantas meninas consigo beijar na boca numa festa dessas? Com quantos meninos consigo fazer sexo oral? Sexo que vai congelando as emoções ou traz uma doença venérea, quem sabe uma absurda gravidez – interrompida por um aborto, de sérias consequências nessa idade, ou mantida numa criança que vai parir outra criança.
"Roubaram a sexualidade dessas crianças", disse-me um dia uma amiga, experiente psicóloga. Experiência que não deixará tesão nem emoção, mas uma espécie de uma agonia de espanto e incredulidade, nessas criaturas inexperientes que descobrem o seu corpo da pior maneira, ou aprendem a ignorá-lo, estimuladas ou coagidas por uma fragilidade familiar, pelo bombardeio de temas escatológicos com que nos assolam na TV e a internet, com cenas grotescas, gracejos grosseiros em torno do assunto – sem "valores" nem "pudor", palavras hoje tão arcaicas e arredadas do consumo. Efeito da pressão de uma sociedade imbecilizada pela ordem geral de valores ignorados, e da "máxima" que ser moderno é libertar-se cada vez mais, sem saberem que dessa forma mais nos aprisionamos. Precisam de estar na crista da onda em tudo, embora tão longe ainda da sua vida adulta: sendo que as mais bonitas e os mais espertos, vão desprezando os professores e iludindo os pais, sendo melancolicamente precoces em algumas coisas e tão infantilizados e ignorantes noutras, nisso incluindo o seu próprio corpo, emoções, saúde e vitalidade.
A nós, adultos, cabe-nos questionar muita coisa, entre elas, a nossa responsabilidade, e também não desviar os olhos, mas trabalhar na esperança (caso a tenhamos) de que os nossos adolescentes, às vezes ainda crianças, vivam de maneira natural essa delicada fase, e um dia conheçam o sexo com ternura, na tesão da sua idade natural – forte e boa, imprevista e imprevisível, com o seu grão de medo e perigo, beleza e segredo. Que essas criaturinhas sejam mais bem informadas e mais conscientes do que, muito mais protegidas que elas, nós éramos. Mas seguras e saudáveis, não precisando lesar a sua bela e complexa intimidade com tamanha violência mascarada de liberdade ou brincadeira. Sobretudo, sem serem estimuladas a lidar de modo tão insensato com algo que pode na maior parte das vezes lhes causar traumas profundos, ou anular um aspecto muito rico de suas vidas: a sexualidade sadia.
Sei que é difícil, mas a gente precisaria de inventar um movimento consciente, cuidadoso, responsável, contra essa onda sombria que quer transformar as nossas crianças em duendes pornográficos, deixando feias cicatrizes no caracter, e fechando-lhes boa parte do caminho no crescimento saudável e na aprendizagem do verdadeiro amor.

Carlos Ferreira


sábado, 19 de junho de 2010

Fim de Semana

Morreu o "escritor acidental"

Saramago foi o ideólogo do PCP no Diário de Notícias no Verão Quente. Saneou jornalistas sérios, o que fez ser a mancha negra da sua vida. Depois, foi despedido e ficou desempregado, porque Cunhal não o quis à frente de "O Diário". Sem trabalho, tornou-se escritor...

José Saramago morreu hoje aos 87 anos na sua residência na localidade de Tías, em Lanzarote, nas Canárias, às 12h30, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma doença prolongada. O escritor morreu ao lado da sua mulher, a espanhola Pilar del Río, depois de ter tomado o pequeno-almoço.
O vencedor do Prémio Nobel da Literatura nasceu a 16 de Novembro de 1922 na aldeia de Azinhaga, no Ribatejo, a 100 km de Lisboa. Filho e neto de agricultores pobres, Saramago tinha três anos quando a sua família foi viver para Lisboa. Antes de ser um escritor de êxito, foi serralheiro, tradutor, jornalista, director-adjunto do Diário de Notícias e um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura.
Em 1947, o autoditacta publicou o seu primeiro romance, "Terra do Pecado", aos 25 anos, no mesmo ano em que nasceu a sua filha Violante, fruto do primeiro casamento. Entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70, época em que se tornou militante activo do Partido Comunista, publicou vários livros de poesia (como "Provavelmente Alegria", em 1970, e "O Ano de 1993", em 1975). Mas só viria a alcançar o sucesso com a sua obra "Memorial do Convento", publicada em 1982.
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo", com primeira edição datada de 1991, foi o seu livro mais polémico, que veio provocar profundas cisões entre o escritor e a sua pátria, quando Sousa Lara, secretário de Estado da Cultura no governo de Cavaco Silva, impediu que o livro fosse candidato ao Prémio Literário Europeu (o primeiro-ministro, actual Presidente da República, apoiou Lara na decisão). Em 1988, viria a casar-se com a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, 28 anos mais nova que o escritor, com quem viveu em Lanzarote, nas Canárias, até hoje.
Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998 e soube da notícia através de uma hospedeira, depois de ter sido chamado nos altifalantes do aeroporto de Frankfurt. O seu livro "Ensaio Sobre a Cegueira", publicado em 1995, ano em que ganhou o Prémio Camões -o galardão literário mais importante da língua portuguesa - foi adaptado ao cinema em 2008 pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles. Em 2009, Saramago publicou "Caim", um livro que fez renascer das cinzas a polémica levantada com "Evangelho Segundo Jesus Cristo", desmistificando a parábola bíblica dos irmãos Caim e Abel. Na altura, o escritor disse já estar a preparar uma nova obra sobre a corrupção dos valores das sociedades actuais, que nunca chegou a ser publicada.

O comunista que Cunhal recusou para director de "O Diário"

Tinha sido o homem do PCP na redacção do Diário de Notícias. Foi o director-adjunto no Verão Quente de 1975, o "ideólogo" responsável pelo "saneamento" de duas dezenas de jornalistas que exigiam pluralismo na linha editorial. A decisão foi tomada por um plenário de trabalhadores, e o voto foi de braço-no-ar. Luís de Barros era o director, mas ninguém associa o seu nome à purga interna. O ónus foi todo para Saramago.
José Jorge Letria, na altura jornalista da secção de política, estava numa visita oficial quando ocorreu o plenário, mas explica porque é que foi o Saramago jornalista a ficar associado à linha editorial do Verão Quente. "Luís de Barros era mais jornalista, José Saramago era mais político. Luís de Barros sempre foi um homem de consensos, de diálogo, e sofreu muito com a ruptura. Era estruturalmente um jornalista, com uma visão muito aberta. Não era radicalizado nem sectário. José Saramago era o ideólogo, tinha uma visão política muito estruturada e uma visão muito clara do papel que lhe tinha sido atribuído para produzir ideologia num momento de revolução", afirma o escritor e jornalista José Jorge Letria.
Letria recorda a "discrição" do escritor, que já conhecia do "Diário de Lisboa" de antes do 25 de Abril, onde Saramago escrevia uma coluna diária, uma espécie de editorial informal do jornal. A reserva do autor de "As Pequenas Memórias" estava associada, segundo Letria, "à timidez". "Era muito discreto, mas era fácil conversar com ele. Ia muitas vezes almoçar connosco, mas era um homem muito tímido". Quando se reencontram no Diário de Notícias, em 1975, a discrição de Saramago acentua-se. "Não era frequente estar na redacção, não tinha um contacto regular connosco".
As instalações do Diário de Notícias - um prédio de cinco andares na Avenida da Liberdade - contrastava com a pequena redacção do "Lisboa", que na época ocupava um andar na Rua Castilho. José Saramago "estava muito presente na definição da linha política", recorda José Jorge Letria: "Era militante do PCP desde 1969". O saneamento das duas dezenas de jornalistas, lembra Letria, "foi um processo doloroso em termos políticos e de relacionamento dentro da redacção". Foi "um momento de grande fractura ideológica entre o PCP e alguma extrema-esquerda e a sua direita, incluindo o PS". Houve "intervenção muito directa dos sectores operários do DN" e o despedimento foi decidido em plenário de trabalhadores.
A seguir ao 25 de Novembro, é a vez de Saramago e um grupo de jornalistas - onde está José Jorge Letria - receberem uma nota de culpa. A maioria deste grupo vai fundar "o diário", mas Samarago ficou de fora. "Foi uma opção clara de Álvaro Cunhal, que recusou a hipótese que lhe foi colocada informalmente de José Saramago ser o director, e escolheu Miguel Urbano Rodrigues", conta José Jorge Letria. Saramago dirá mais tarde a Letria, com ironia, que "ainda bem que [a hipótese de ser director de "o diário"] não se tinha concretizado".
Jornalista desempregado, Saramago vive de traduções e dá então finalmente um impulso à sua carreira literária. Durante cinco anos, até ao sucesso do "Levantado do Chão", em 1980, está "apagado" e leva uma vida "modesta". José Jorge Letria entrevista-o para "o diário" em 1980 e aí Saramago anuncia que está já a preparar um livro que se passará no reinado de D. João V (será o "Memorial do Convento) e outro sobre um heterónimo de Fernando Pessoa ("O Ano da Morte de Ricardo Reis").
Foram precisos mais de 20 anos e a consagração do Nobel para José Saramago voltar a entrar no Diário de Notícias. Mário Bettencourt Resendes, então director, que era um jovem jornalista em 1975, empenhou-se em reconciliar o escritor com a "casa". O então presidente do conselho de administração, Luís Silva, encomendou um quadro ao pintor Luís Pinto-Coelho, que hoje está na sala nobre do DN. E foi só nessa altura que o escritor consagrado suavizou a imagem do director-adjunto. José Saramago percorreu a redacção inteira e "foi acolhido muito bem, havia jornalistas comovidos", lembra António Ribeiro Ferreira, na altura director-adjunto do DN. Nesse dia, Saramago disse-lhe: "Cuidado com o lugar de director-adjunto. É muito perigoso!".

Presidente da República falha funeral de Saramago

O Presidente da República não vai estar presente no funeral de Saramago que se realiza este Domingo pelas 12h00, no Cemitério do Alto de São João em Lisboa. Cavaco Silva está numas mini-férias nos Açores de onde só vai regressar no Domingo. A ausência do Presidente da República tem sido comentada, uma vez que são conhecidos os problemas entre Cavaco Silva e Saramago. Foi durante o governo do actual Presidente da República que o sub-secretário da cultura, Sousa Lara, decidiu não indicar o livro de José Saramago "Evangelho segundo Jesus Cristo" para o Prémio Europeu da Literatura.
Apesar disso, o Presidente da República deixou na sexta-feira uma mensagem de condolências à família de Saramago, dizendo que o vencedor do prémio Nobel da Literatura "será sempre uma figura de referência da nossa cultura." O conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou hoje a ausência do Presidente da República, Cavaco Silva, nas cerimónias fúnebres do escritor José Saramago, considerando que é mais importante a sua presença espiritual do que física.
Em declarações aos jornalistas, à saída dos Paços do Concelho de Lisboa, onde o corpo de José Saramago está em câmara ardente, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "o Presidente associou-se, através de uma mensagem, ao sentido nacional desta homenagem, e está presente no luto nacional destes dois dias. Ele não está presente fisicamente, mas está presente espiritualmente, representando os portugueses. Eu penso que a mensagem do Presidente é mais importante do que a sua presença", acrescentou o ex-presidente do PSD.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que "o Presidente, desde que se soube da morte, definiu a sua posição, e fez bem em definir, porque definiu uma posição em nome do povo português". "E o povo português, a nação portuguesa, homenageia, toda ela, José Saramago. Não é a homenagem de um partido, não é a homenagem de uma ideologia, é a homenagem de uma nação, independentemente das ideologias – e o Presidente disse isso mesmo, que era uma figura essencial da cultura portuguesa. Eu acho que é mais importante essa presença espiritual do que a presença física", concluiu Marcelo.
José Saramago morreu aos 87 anos na sexta feira, às 12:30, na casa onde residia em Lanzarote, Espanha. O corpo foi transportado num avião da Força Aérea Portuguesa para Lisboa e está em câmara ardente nos Paços do Concelho. O funeral sairá no domingo, às 12:00, para o cemitério do Alto de S. João, onde será feita a cremação.

Esqueça a crise por alguns momentos...

Fale no Mundial de Futebol: A Selecção Nacional gostava de estar nos oitavos-de-final. Portugal tem fé nesta questão. Devotos de Nossa Senhora de Fátima, terços do Sagrado Coração de Jesus ou orações, há lá de tudo. A selecção continua crente... É tudo uma questão de fé.

O apuramento para os oitavos-de-final das maiores potências mundiais é mais do que uma questão de fé. Mas esta também pode dar uma ajuda, como no caso de Diego Maradona, o agora seleccionador argentino que agora vai para o banco de fato e com um terço bem entrelaçado nos dedos da mão. E fé, em ambos os sentidos, é coisa que parece não faltar à selecção para copiar o exemplo da Argentina e passar a fase de grupos.
Depois da Nossa Senhora do Caravaggio, na era Scolari em Portugal, chegou uma nova fase com a Nossa Senhora de Fátima - Carlos Queiroz recebeu de alguns amigos de infância moçambicanos uma estátua da santa esculpida em madeira preta (das mais raras no mundo) após a mesma ter sido benzida na igreja onde o seleccionador nacional foi baptizado, em Nampula. A pequena oferta veio para a África do Sul abençoar o treinador.
Entre os jogadores, a religião também tem um redobrado peso. Meireles tem uma cruz tatuada na mão (entre os desenhos marcantes que fez com o passar dos anos) mas Hugo Almeida é o mais religioso de todos: as tatuagens relacionadas com valores e Deus já não se conseguem contar pelos dedos de uma só mão. Além disso, o dianteiro anda sempre acompanhado por uma imagem de Nossa Senhora de Fátima junto da fotografia da mulher e das duas filhas.
De baliza a baliza, os três guarda-redes nacionais têm igualmente grandes convicções religiosas. Eduardo, por exemplo, até trouxe um novo amuleto para a África do Sul (e, verdade seja dita, tem sido um abençoado porque tudo lhe tem corrido da melhor forma); Beto tem tatuada nas costas uma cruz em homenagem ao pai, já falecido; Daniel Fernandes, dos elementos mais desconhecido entre os 23 convocados, costuma andar fora dos relvados com um pequeno terço no pulso, tal como o luso-venezuelano Danny.
Para abrir o jogo, os defesas dão uma ajuda nas alas: Paulo Ferreira costuma sempre beijar três vezes o crucifixo que a mãe lhe ofereceu antes de entrar em campo, ao passo que Coentrão, que se casou entre o título no Benfica e o ingresso no estágio na selecção, é também um devoto de Nossa Senhora de Fátima. Por fim, há Ronaldo, a maior estrela da constelação, que não só costuma andar com um terço branco ao pescoço, com a imagem do Sagrado Coração de Jesus de um lado e a Nossa Senhora do Carmo no outro, como também encomendou cinco mil réplicas parecidas a uma fábrica perto de Fátima (Sobral) para vender.
No Valley Lodge, o hotel onde Portugal está hospedado e que tem uma capela, há fé num bom resultado com a Coreia do Norte. Agora é passá-la para dentro de campo, o local para onde quase todos os jogadores entram a benzer-se. De Magaliesburgo para toda a África do Sul, o Mundial está a ser bem aproveitado pela Igreja para passar a palavra. Além da oração aprovada para abençoar a realização do evento, há uma outra reza criada pelo arcebispo da Cidade do Cabo - "Benze, meu Deus, o Mundial, aqueles que competem e aqueles que apoiam, os anfitriões e os visitantes e ajuda todos os que amam este precioso jogo a crescer no amor que nos deste" - e um campeonato de futebol, promovido pela Church on the Ball, da Igreja Católica (70% da população aqui é católica) nos subúrbios de Pretoria (Atteridgville), com adeptos de 18 países, entre os quais portugueses, e uma equipa chamada... Benfica FC.

Acredita em coincidências? Então Portugal vai vencer o Mundial

Coincidências há muitas e cada uma vale o que vale. Se precisa delas para ter mais fé no desempenho português, tem aí uma à medida.
Lembra-se do Euro-2000? Sim, Portugal foi eliminado no prolongamento pela França nas meias-finais e viu de casa a selecção gaulesa derrotar a Itália. Lembra-se do Mundial-2006? Sim, Portugal foi outra vez eliminado pela França nas meias-finais, mas isso agora não interessa nada. Mantenha o pensamento positivo. É que a final desse Mundial foi novamente a reedição da final do Euro-2000, mas com um vencedor diferente, com a Itália a levar a melhor sobre a França nas grandes penalidades.
E o que tem Portugal a ver com isto? O Euro-2004 foi o Europeu que se seguiu ao de 2000 e este é o primeiro Mundial depois do de 2006. Logo, se a lógica deste milénio se mantiver, vamos assistir à reedição da final do Euro-2004 mas com um vencedor diferente. Logo, assistiremos a uma final entre Portugal e Grécia (que pode acontecer caso as duas equipas vençam os grupos ou fiquem ambas em segundo lugar). Charisteas ainda faz parte da selecção grega, mas desta vez as coincidências estão a nosso favor.
2006 marcou o final da tendência mais assustadora do futebol mundial. O epicentro desta curiosidade está em 1982, quando a Itália foi campeã em Espanha. Os mundiais organizados antes e depois de 1982 foram ganhos pela Argentina (1978 e 1986). Antes e depois destes títulos da Argentina, os mundiais foram ganhos pela Alemanha (1974 e 1990). Antes e depois da Alemanha, foi o Brasil a levantar o caneco (1970 e 1994). A seguir? Foram os países organizadores a conquistar o mundo, com a Inglaterra em 1966 e a França em 1998. E em 2002 e 1962? Novamente o Brasil, isso mesmo.
Em 2006, se a lógica imperasse, teria de ser novamente o Brasil a vencer, graças ao título conquistado em 1958. Mas a Itália deu cabo das expectativas de milhões de brasileiros e amantes de coincidências. Já agora, se é um deles não aposte muitas fichas na possibilidade de a Itália defender o título na final. Desde 1970, quando foram finalistas vencidos, só surgem no jogo decisivo de 12 em 12 anos: venceram em 1982, perderam em 1994 e ganharam em 2006. E há mais destas... basta procurá-las.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Em que pensa José Sócrates?

Guião para um país que não se entende

Avanços e recuos, promessas por cumprir, explicações por dar, um rumo confuso. A comunicação do governo com os portugueses já conheceu melhores dias e está a prejudicar a imagem externa do país. O i falou com especialistas em comunicação para identificar as falhas no guião de São Bento.

01 Promessas falhadas - Dizem os especialistas que é o erro de base na política de comunicação do governo: a promessa eleitoral de não aumentar impostos foi reiterada sucessivamente até Maio, altura em que o acréscimo da carga fiscal se tornou realidade. "Quando se diz uma coisa e se faz outra não são apenas os cidadãos a ficar desconfiados. As empresas e os mercados também não ficam a salvo de futuras surpresas", sintetiza o especialista em comunicação política Rui Calafate.
02 Autismo - Não foi um "orgulhosamente sós", mas quase. O director-geral da agência de comunicação Imago, Pedro Reis, diz que um dos erros do governo foi "achar que poderia resolver a situação internamente". "Não percebeu que estávamos sob os holofotes do BCE e foi arrastando a situação com a barriga, fazendo o mínimo possível", aponta. Resultado? "Pagámos um preço por não reagir na altura certa. Adiaram a resolução dos problemas por não quererem enfrentar a verdade."
03 Dissonâncias - Com a perda da maioria absoluta parece ter também acabado a voz única no governo. As dissonâncias entre o primeiro-ministro e os ministros Teixeira dos Santos ou Luís Amado são apontadas por um especialista em comunicação que pediu o anonimato como exemplo "daquilo que não deve ser uma comunicação clara e sem ruído". Calafate concorda: "Quando é preciso dar a imagem de serenidade, estes sinais de perturbação no interior do governo não ajudam."
04 Mudanças de rumo - Sim ao TGV, sim ao aeroporto, sim à terceira ponte sobre o Tejo. Até Maio o rumo para a recuperação económica passava sobretudo pela conjugação do verbo construir. Em grande escala. Os alertas vieram de todos os lados: as contas do país não permitiam tais investimentos. Sócrates resistiu até à última. Depois veio o TGV a conta- -gotas e o adiamento dos restantes megaprojectos. Um desnorte, que "prejudica a credibilidade externa" e a "convicção de existir um rumo", dizem os especialistas. "Qualquer agente do mercado precisa de segurança e previsibilidade para investir. Em Portugal não sabemos se há mais buracos orçamentais por desvendar."
05 Paternalismo - Para Pedro Reis, o "paternalismo" na relação do governo com os cidadãos é uma das grandes falhas do executivo socialista. "Houve relutância em assumir a situação grave do país. E a imagem que passa é que o governo pensa que não há maturidade dos cidadãos para que se abra o jogo", lamenta, acusando o governo de "viver demasiado das expectativas e do medo de as baixar".
06 Somos só turismo? - A colagem à Grécia prejudicou uma imagem já de si pouco famosa: a de membro dos PIIGS. "Estamos há muitos anos nesse patamar de países pouco credíveis na gestão do dinheiro público", diz Tiago Franco, director da agência de comunicação IPSIS. Acrescem a este facto as "barreiras burocráticas e jurídicas", que "não ajudam à vinda de capital estrangeiro para Portugal". "Temos uma imagem virada sobretudo para o turismo, exportamos pouco e por isso nunca crescemos mais de 2%", critica, lamentando que a promoção da imagem do país esteja apenas a cargo de figuras do desporto.
07 Expliquem, sff - Os sacrifícios estão aí. Mas para quê? Cavaco Silva pediu recentemente ao governo que dê explicações aos portugueses. Pedro Reis concorda. "Não explicam o porquê destas medidas e, pior, não estão a apontar uma saída. Os portugueses nem sequer percebem em que parte do túnel estão", aponta.
08 Irritação - A juntar a isto surge a questão da própria imagem do primeiro-ministro. "Era importante que não se mostrasse tão irritado e com a cara tão fechada", ironiza Calafate. "É preciso que apareça mais tranquilo se quer transmitir tranquilidade."

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/65127-jose-socrates-o-guiao-um-pais-que-nao-se-entende

A tentação é grande e não escolhe cargos...

O cardeal não perdoa Cavaco e... quer "fazer política"

O patriarca de Lisboa volta a criticar a "falta de ética nas escolhas políticas". O cardeal quer mais católicos na rua. Os activistas da igreja continuam a pressionar Bagão Félix para sêr candidato às presidenciais pelas hostes... O católico Marcelo Rebelo de Sousa diz que será "um suicídio"...

Bagão Félix já disse que não várias vezes, mas os activistas católicos acreditam que ainda vão conseguir convencer o ex-ministro das Finanças a candidatar-se à Presidência da República. Todos os dias aparecem novos apelos para que Bagão se apresente às eleições contra Cavaco Silva. Isilda Pegado, a ex-deputada do PSD que protagonizou os movimentos anti-aborto e pelo referendo ao casamento gay, vê "com bons olhos a candidatura do dr. Bagão Félix" e lembra o recente exemplo do social-democrata Paulo Rangel - que começou por recusar candidatar-se à liderança do PSD e depois mudou de ideias - para sustentar que "todos nós já vimos na política alguns 'nãos' converterem-se em "sins".
Ontem, o cardeal-patriarca de Lisboa fez um discurso fortíssimo de apelo ao envolvimento dos cristãos na política. "Estamos a cair na situação anacrónica que qualquer intervenção da Igreja, de modo particular da hierarquia (...) é facilmente julgada como intervenção na esfera do estritamente político, esquecendo que o domínio político é todo o interesse pelo bem da 'polis'", defendeu o cardeal. E se a hierarquia "por decisão própria e em defesa do carácter específico do seu ministério, abstém-se habitualmente de se imiscuir no âmbito estritamente político", já "os cristãos leigos não são a isso obrigados e devem ser porta-vozes, no seio da sociedade, dos autênticos valores cristãos". Ora, D. José Policarpo "pressente" que "virá dos leigos a energia para esta renovação da intervenção da Igreja na sociedade".
Para o cardeal-patriarca de Lisboa, "há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo". À cabeça, vêm os "meios políticos", seguidos dos intelectuais e profissionais da comunicação. "Em tais âmbitos não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã". "É impressionante verificar a pouca importância que a falta de ética tem nas escolhas políticas", clamou o cardeal que, recentemente, em entrevista à Rádio Renascença sugeriu que a promulgação da lei dos casamentos entre homossexuais pode pôr em causa a reeleição do Presidente da República.
José Ribeiro e Castro, defensor assumido da doutrina social da Igreja enquanto foi líder do CDS reconhece estar "bastante desapontado com o Presidente da República" e diz ao i que a mensagem do cardeal patriarca "é uma chamada de atenção muito importante". Para o deputado centrista "os políticos não devem entrar em contradição com aquilo que são as suas convicções". Mais: "como católico não me sinto representado" pelo Presidente, "mas essa não é a única questão que preside à minha escolha". Quanto a uma candidatura presidencial católica alternativa a Cavaco Silva, Ribeiro e Castro não quer comentar e diz ser necessária uma resposta mais estruturada, ainda que sublinhe que "os políticos católicos devem chegar-se à frente". Isto porque, defende, "um sistema político representativo deve representar todas as correntes, incluindo os católicos". A falta de representação "agrava o divórcio e conduz a uma crescente separação entre eleitos e eleitores".
Luís Nobre Guedes, católico, ex-dirigente do CDS concorda com o cardeal e assinala que "os católicos não têm expressão política no PSD e no CDS", uma vez que "as questões da vida e da família" estão afastadas do "ideário" e "agenda" dos dois partidos da direita. Por muito que tenha discordado da promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirma que tanto PSD como CDS também não reagiram à decisão. "Conclui-se que, para esses partidos, não foi politicamente relevante", aponta, lembrando inclusivamente que o líder do PSD é favorável ao casamento entre homossexuais e que na bancada do CDS houve três deputados favoráveis à lei, que votaram contra apenas por disciplina partidária, apresentando depois declarações de voto. Nobre Guedes votará "tranquilamente" em Cavaco Silva "sabendo que não concorda com tudo".
Nuno Gonçalves Morgado, dirigente da Plataforma Cidadania e Casamento, enviou domingo um mail a Bagão Félix a insistir na candidatura do ex-ministro. "Tenho assistido com interesse ao elevar do seu nome em múltiplos sectores da sociedade como alguém que se poderia apresentar como alternativa a esta apatia e falta de visão que caracteriza muitos dos nossos políticos, em particular muitos dos líderes em funções. (...) Interrogo-me qual a medida da sua insatisfação e inconformismo. Sei que tem um profundo espírito de serviço ao Portugal que amamos e que temos a responsabilidade de deixar melhor do que encontrámos mas que, como vão as coisas, estamos a deixar em matéria de costumes, bem pior do que o encontrámos". Ontem, o grupo "100 mulheres para o século XXI" reuniu-se em Cascais. Sofia Guedes, uma das promotoras, anunciou que o movimento iria também escrever a Bagão a pedir para que se candidatasse à Presidência da República.

Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudo/64938-cardeal-quer-mais-catolicos-na-rua-bagao-pressionadissimo


Festas em discussão

A produção, as festas, pontes e feriados

PS quer acabar com quatro feriados e criar um novo: o Dia da Família, a 26 de Dezembro. Dia 24 é 25 de Abril. Ou será dia 27?

Nova aliança do Bloco Central. O PSD admitiu estar "genericamente a favor" da proposta socialista de alteração dos feriados. E o CDS disse ser "favorável" à flexibilização, apesar de não querer reduzir o número de dias. Os partidos da esquerda e os sindicatos contestam e a Igreja Católica parece, para já, aceitar as mudanças. Portugal pode passar, assim, a ter 11 feriados, em vez dos actuais 14, e comemorá-los à sexta ou à segunda-feira mais próxima do dia oficial. O argumento é económico: aumentar a produtividade do país. No entanto, pondera-se transferir para segundas ou sextas-feiras os feriados que calhem a sábados ou domingos.
Segundo a proposta do PS, levada a cabo pelas deputadas independentes Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro, quatro feriados deixam de existir - dois civis e dois religiosos - e cria-se um novo: o Dia da Família a 26 de Dezembro. Os restantes passam a ser móveis, com excepções para Natal e Ano Novo, explica ao i a deputada do PS, Teresa Venda. A discussão vai passar agora pelo Parlamento, mas o PSD já deu luz verde: "Somos genericamente a favor, numa fase em que o país necessita de medidas que aumentem a produtividade", garantiu o vice-presidente da bancada parlamentar Luís Menezes. Já o CDS diz-se disposto a discutir a flexibilização de alguns feriados, mas não aceita para já a redução do número de dias. "O que é importante é perceber se há consenso no que toca a poder festejar alguns feriados em dias diferentes", explicou a deputada Cecília Meireles.
BE e PCP não aceitam a transferência do 25 de Abril ou do 1º de Maio. Ao i, a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins diz que "seria estranho comemorar o 25 de Abril ou o 1.º de Maio em dias diferentes". Com esta alteração, o Dia da Liberdade pode vir a ser comemorado a 23 de Abril - quando, em 1974, ainda havia ditadura. Uma situação com a qual o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, não concorda. "O Natal e o 25 de Abril estão no mesmo patamar de importância. É a data da fundação da Democracia. É aberrante pensar em comemorá-lo noutro dia. A proposta é demagógica e sem sentido." Também o PCP contesta. O líder da bancada parlamentar comunista, Bernardino Soares, defendeu que "não é nos feriados que reside o problema de produtividade do país" e que mudar o 25 de Abril é "inaceitável."
Para a Igreja não há, para já, problemas quanto à alteração das datas dos feriados religiosos. "Foi-nos dito que a Igreja alinharia naquilo que acontecesse na parte civil. Que fosse tudo feito de uma forma equitativa", garantiu ao i Teresa Venda. Também o Padre e teólogo Carreira das Neves considera que esta é uma proposta positiva. "Diante da crise, penso que não há problema em ajudar a Nação", esclareceu. Para o maior estudioso português da Bíblia, o fim dos feriados - os mais falados são o da Implantação da República, Restauração da Independência, Corpo de Deus e Dia de Todos os Santos - não levanta problemas para a Igreja Católica. "Somos o país da Europa com mais feriados católicos. A Igreja não perde nada com o fim dos dois porque tem a sua identidade."
Factor económico Portugal perde 508 milhões com os 14 feriados, cada ano. Cada um custa 37 milhões de euros, segundo um estudo de Luís Bento da Universidade Autónoma de Lisboa. As deputadas socialistas defendem que este dinheiro podia servir para "aumentar o salário mínimo". Os sindicatos não concordam. Segundo a CGTP, a produtividade passa "por outro modelo de organização das empresas". A proposta é "despropositada porque cada feriado tem a sua história", avança Arménio Carlos. Já a UGT admite a discussão mas o secretário-geral, João Proença, defende que "é absurdo comemorar-se o 1.º de Maio a 30 de Abril".
Assim, em 2012, 25 de Abril será comemorado a 23 (segunda) ou a 27 (sexta-feira)...

O CDS-PP é favorável a mudança de feriados

Centristas já apresentaram em 2003 um projecto similar: mudar feriados para segundas feiras, mas considera "precoce" falar em redução.

O CDS-PP disse hoje ser favorável a que se discuta a mudança de feriados para as segundas feiras, frisando já o ter proposto em 2003, mas considerou "precoce" falar em reduzir o número de feriados civis ou religiosos. "Nós achamos que esta pode ser uma boa maneira de conciliar aquilo que é o direito ao descanso das pessoas com as necessidades de produtividade do país, portanto, estamos abertos para discutir a questão", afirmou a deputada Cecília Meireles aos jornalistas, no Parlamento.
A deputada centrista sublinhou que a sua bancada "já em 2003 propôs, não a eliminação de feriados, mas que alguns feriados pudessem ser adiados até à segunda feira seguinte e nessa altura o PS foi contra. O que é importante é perceber se há um consenso no que toca, quanto a alguns feriados, a poder festejá-los em dias diferentes daquilo que tem sido feito até agora, quanto a feriados em concreto, eu penso que é precoce estar a falar disso", defendeu.
A deputada independente eleita pelo PS Teresa Venda disse hoje que o projeto de resolução que visa "flexibilizar" as datas dos feriados e eliminar as pontes tem como exceções o dia de Natal e de Ano Novo e visa apoiar o aumento do salário mínimo. Em declarações aos jornalistas no final da reunião da bancada parlamentar do PS, a deputada referiu que com esta proposta se acentua "mais a importância de celebrar o acontecimento do que celebrar o dia em que teve lugar o acontecimento". Segundo a deputada do PS, os ganhos económicos do Estado com esta proposta "serviriam para apoiar" o aumento progressivo do salário mínimo, definido pelo Governo socialista.
Teresa Venda disse que "outra etapa" da resolução seria "equacionar a redução de quatro feriados, dois civis e dois religiosos". Já o vice presidente da bancada do PS Ricardo Rodrigues anunciou que a proposta das duas deputadas mereceu um "consenso generalizado" da bancada e que existe abertura para discutir as datas a incluir.

Líder parlamentar do CDS-PP acha que um preso que expia seus crimes à sociedade, não deve ter direitos sociais.

O líder parlamentar democrata cristão, Pedro Mota Soares, considerou hoje que o Governo "deu razão" ao CDS-PP mas devia "ter ido mais longe" nos cortes e na fiscalização do Rendimento Social de Inserção. "Não percebo como é que alguém que tenha 100 mil euros num banco mesmo assim possa continuar a receber o rendimento mínimo, não percebo como é que é possível que um condenado por crimes violentos continua mesmo assim possa receber o rendimento mínimo. É preciso ir mais longe no controlo", afirmou Pedro Mota Soares. Em declarações à Agência Lusa, Mota Soares considerou que "na matéria do rendimento mínimo o Governo deu razão ao CDS mas não teve a coragem de ir mais longe".
Quanto à globalidade do corte nas prestações sociais, o deputado advertiu que o Governo devia ter tido "mais cuidado e atenção aos pensionistas. O Governo retira apoios médicos, taxas moderadoras, medicamentos a pensionistas com pensões muito baixas. Temos muito medo que possam vir a existir situações de injustiças nomeadamente no caso pensões mais baixas e que tenham gastos de saúde muito elevados", disse. Para Pedro Mota Soares, o Governo "pôs no mesmo saco pensionistas que trabalharam uma vida inteira e pagaram as suas contribuições sociais" e "pessoas que estão a receber o rendimento mínimo pago através dos impostos das outras pessoas".
O Governo publicou na quarta feira em Diário da República legislação que altera as regras de atribuição de apoios sociais, como rendimento social de inserção ou subsídio de desemprego. O secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, disse ontem que o Governo estima poupar, a partir de 2011, 200 milhões de euros por ano com as alterações às regras dos apoios sociais, que deverão fazer baixar a maioria das prestações. Pedro Marques disse que o Governo não põe em causa "a existência de nenhuma prestação nem nenhum apoio social em concreto", nem faz "cortes cegos", apenas promove o "reforço do rigor das prestações sociais" em "defesa do Estado social".

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ninguém ligou ao homem...

Houve um blogue que previu a crise da zona euro

Anteviu a crise do euro em textos que publicou durante anos em blogues. Não lhe deram atenção nem ouvidos. Agora é convidado para dar conferências.

Durante anos ninguém ligou aos avisos do tipo "o céu está prestes a cair-nos em cima" feitos por Edward Hugh, um bloguista britânico sociável e dedicado, economista autodidacta, que previu repetidamente que a zona euro não poderia sobreviver. Vivendo uma existência bastante espartana com o seu salário de professor a tempo parcial, enviou posts sucessivos para a ciberselva. Era o cúmulo da cegueira política, alertava ele, pensar que uma sociedade envelhecida poupada como a alemã poderia coexistir com outras mais jovens e dependentes do crédito como a irlandesa, a grega e a espanhola, que com ela partilham o euro.
No entanto, agora que a crise da dívida soberana europeia está a abalar os mercados mundiais, a desvalorizar o euro quase diariamente e a lançar dúvidas sobre o futuro da união monetária, as suas substanciais elucubrações tornaram-se leitura obrigatória para todo um público influente, e cada vez mais internacional, entre o qual se contam muitos decisores da Casa Branca.
Edward Hugh tem até sido abordado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que lhe pediu recentemente que fosse a Madrid para dar o seu contributo à análise que este organismo está a fazer da economia espanhola. "É até muito agradável", confessa Hugh, de 61 anos, com um ar divertido, recostado num carro de luxo a caminho da sua próxima palestra, organizada pelo Círculo de Economia, um grupo de pressão empresarial de Barcelona. "Encontro-me com toda a espécie de pessoas interessantes, que me pagam para almoçar com elas."
Noutros aspectos, a sua vida mudou muito pouco. A semana passada, teve de pedir dinheiro emprestado a amigos para comprar roupa e se apresentar condignamente perante a audiência da conferência composta por políticos e executivos espanhóis. As suas fontes de rendimento ainda são sobretudo as aulas de Inglês que dá há duas décadas. "Acho que estou em contraciclo", graceja. "Durante os anos em que o boom durou, quanto toda a gente estava a dar-se bem, eu não era ninguém."
Porém, a ideia de que um economista pode ser uma celebridade pop - nos moldes de um Nouriel Roubini (cuja previsão precoce da inevitabilidade do desmoronamento do mercado imobiliário dos EUA lhe trouxe fama e fez dele uma "marca" na consultoria internacional), ou nos de um Paul Krugman (economista, Prémio Nobel e cronista do "New York Times") - ainda não está muito arreigada na Europa, e particularmente em Espanha. No entanto, agora que se levantam questões sobre o modo como os governos europeus poderão escapar à armadilha do endividamento e regressar a uma situação de crescimento, Hugh, que há anos pensa sobre o tema, está pela primeira vez a ser abordado para fornecer ideias e partilhar a sua sabedoria.
A sua mensagem sombria em colunas de jornais e intervenções na televisão e rádio locais, bem como em reuniões com responsáveis governamentais, é quase sempre a mesma: uma vez que a Espanha e outros países da zona euro como a Grécia, Portugal, a Irlanda e a Itália não podem desvalorizar unilateralmente a divisa comum, resta-lhes enveredar pelo que seria, em essência, uma desvalorização interna de 20%. Isto significa que, em cada um desses países, os salários dos sectores público e privado têm de baixar aproximadamente nessa ordem de magnitude para os países poderem repor a sua competitividade, aumentar as exportações e obter o dinheiro necessário para pagarem a respectiva dívida.
"Por que razão esses países não convergiram com o resto da Europa?", pergunta o professor. "É uma questão demográfica. À medida que as populações envelhecem, vai havendo menos pessoas na casa dos 20 aos 40 a comprarem casa, por isso há mais poupança. Quanto mais jovem for um país, mais o seu crescimento depende do crédito..."
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Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudo/64729-houve-um-blogue-que-previu-crise-da-zona-euro-ninguem-ligou


Mas quem não sabe isso?

Estamos a pagar os erros do passado

"Desvalorização do ensino profissional foi dos erros mais graves de Portugal no pós 25 de Abril", diz José Sócrates.

O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou ontem que a desvalorização do ensino profissional após o 25 de abril de 1974 foi dos piores erros cometidos, porque prejudicou a economia e o sucesso escolar. José Sócrates falava no final de uma visita à nova Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, que funciona desde setembro, numa sessão em que estiveram também presentes a ministra da Educação, Isabel Alçada, e o presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão.
A Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa nasceu de um trabalho de recuperação da antiga Escola Industrial Machado de Castro, em Campo de Ourique, ocupa cerca de 10 mil metros quadrados, está equipada com modernas tecnologias e tem cerca de 300 alunos. A partir do próximo ano letivo, esta escola terá um hotel de aplicação destinado ao aprofundamento da formação prática, dispondo de 19 quartos. "Foi um erro no passado, logo a seguir à revolução, a desvalorização dos cursos profissionais, que o país pagou com o abandono escolar e com prejuízos na economia", afirmou o primeiro ministro na sua intervenção, em que fez o elogio do ensino profissional.
De acordo com o primeiro ministro, desde 2005, está assistir-se a uma "dupla mudança", havendo de forma crescente mais alunos na escola e melhorias no combate ao abandono escolar. "O ensino profissional é fundamental para os nossos jovens que procuram uma educação mais centrada nas obrigações existentes ao nível do mercado de trabalho", defendeu ainda o líder do executivo. Na sua intervenção, José Sócrates fez ainda o elogio da nova escola, dizendo que há três anos atrás, quando visitou o antigo edifício, "nem havia projeto" de reabilitação arquitetónica. "Três anos depois aqui estamos com uma escola moderna, com um projeto de arquitetura bem sucedido e com uma escola que oferece o melhor que existe em termos de tecnologias de informação e comunicação e que é um orgulho para o país", disse.
Já a ministra da Educação e o presidente do Turismo de Portugal salientam a ideia de a escola ter nascido de um trabalho de "cooperação institucional entre os ministérios da Educação e da Economia". Isabel Alçada referiu que a escola tem também um centro novas oportunidades - um dos 455 existentes no país e que "estão a transformar o panorama da educação em Portugal".
Já Luís Patrão sublinhou que o Turismo de Portugal nasceu da fusão de cinco entidades no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central (PRACE). "Uma das componentes mais nobre do Turismo de Portugal é a área da formação e da qualificação profissional. Neste momento, temos já uma rede de 36 escolas espalhadas pelo país", disse. Luís Patrão também destacou que grande parte destas novas escolas de hotelaria surge em antigos edifícios devolutos depois recuperados.

Reformas e corte de salários


Governo diz que medidas já são suficientes

Passos Coelho diz que reformas estruturais podem evitar corte de salários, mas José Sócrates afasta redução de salários, e diz que medidas já adotadas são suficientes.

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse ontem, em Bruxelas, que se forem adotadas reformas estruturais que reduzam as despesas do Estado, não será necessário haver um corte de salários. "Se o país apresentar um caminho de redução estrutural da sua despesa pública, estou convencido de que não serão necessárias medidas que envolvam cortes de salários", disse aos jornalistas, no final de uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE).
O presidente social democrata reiterou que as reformas estruturais que defende abrangem as áreas da justiça, da administração pública e das políticas sociais, nomeadamente a saúde. "Devemos ir mais além em medidas que reduzam as despesas do Estado", para que seja recuperada a confiança dos mercados, sublinhou Pedro Passos Coelho.
Por seu lado, o primeiro ministro José Sócrates rejeitou ontem em Bruxelas o cenário de redução de salários na função pública, afirmando acreditar que as medidas já adotadas pelo Governo são suficientes para atingir os objetivos orçamentais em 2010 e 2011.
Sócrates, que falava à entrada para uma reunião do Partido dos Socialistas Europeus, que antecede a cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia de quinta feira, disse que a redução de salários "não foi a opção" do seu executivo para reduzir o défice orçamental e garantiu que "não será preciso" seguir essa medida.
O primeiro ministro respondia a questões sobre uma eventual redução de salários, depois de, à tarde, o patronato ter proposto ao Governo a adoção de medidas transitórias para melhorar a competividade das empresas e aumentar o emprego, salientando a necessidade de "liberalizar mais" a contratação e o despedimento. "Não, não vai ser preciso", declarou.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Flexibilizar leis do trabalho

Prtoposta do PSD não agrada a socialistas

PS contra ideia do PSD de flexibilizar contratação e alargar duração dos contratos a prazo.

O PS manifestou-se ontem contra a proposta do PSD de alargar os contratos a prazo, considerando que essa legislação seria "imprópria" de um país civilizado e contribuiria para uma maior conflitualidade social. A reação do PS à proposta dos sociais democratas foi transmitida à agência Lusa pelo vice-presidente da bancada socialista Strecht Ribeiro, que deixou duras críticas ao presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.
"Para a agenda liberal da direção do PSD, esta proposta ainda é tímida, mas percebe-se que Pedro Passos Coelho não queira ainda dizer toda a verdade e se esconda na roupagem da transitoriedade", comentou Strecht Ribeiro, numa alusão ao facto de o PSD pretender que a maior flexibilidade nos contratos a prazo e a termo se prolongue apenas até 2014. Strecht Ribeiro recusou depois a tese de Pedro Passos Coelho de que estas alterações nos contratos a prazo não obrigariam a qualquer mudança no atual Código de Trabalho.
"A alteração dos contratos a prazo teria obrigatoriamente de mudar o Código de Trabalho. Julgava que Pedro Passos Coelho era um pouco mais sério do ponto de vista político, mas ver ela agora uma grande dualidade", considerou ainda o dirigente da bancada socialista. Para o dirigente do Grupo Parlamentar do PS, a concretizar-se a introdução de uma maior flexibilidade na contratação, "abriria a porta à aleatoriedade e a uma maior conflitualidade social".
"Não me parece nada razoável que, em período de crise, se desequilibre um dos partos da balança em prejuízo dos trabalhadores", disse, defendendo que nesta conjuntura "Portugal precisa de um pacto social. Penso também que no atual Código de Trabalho, que tem um ano de vigência, há mecanismos de adaptabilidade que permitem contribuir para o aumento da produtividade, sobretudo em termos de adequação entre a oferta e a procura", acrescentou o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Novos impostos e as reformas

Horizonte incerto nas reformas e finanças

Nova taxa de IRS de 45 por cento entra em vigor amanhã. Vivemos uma situação débil do ponto de vista financeiro e precisamos de fazer reformas importantes que ajudem a redução do défice, mas também de mostrar aos mercados que manteremos a disciplina orçamental.

A nova taxa de IRS a 45 por cento para rendimentos anuais superiores a 150 mil euros entra em vigor na quarta feira, segundo a legislação hoje publicada em Diário da República. A taxa de 45 por cento vai ser aplicada aos rendimentos obtidos entre os anos de2010 e 2013, inclusivamente. A criação deste novo escalão de IRS é uma medida incluída no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que prevê a tributação extraordinária, até 2013, dos rendimentos cuja matéria coletável seja superior a 150 mil euros. O Governo prevê, com a medida, encaixar 30 milhões de euros de receitas fiscais.
A proposta de lei tinha sido aprovada em maio com os votos a favor do PS, PCP, PEV e BE, e com a abstenção do CDS-PP e PSD.

Portugal evitará recurso ao Fundo de Emergência se fizer rapidamente reformas - Passos Coelho

O presidente do PSD afirmou ontem que, se Portugal não quiser recorrer financeiramente ao Fundo de Emergência Europeu, terá de adotar "rapidamente", no Orçamento do Estado para 2011, um conjunto de reformas com impacto a longo prazo. No final da audiência com o primeiro ministro, José Sócrates, sobre a próxima cimeira europeia, Pedro Passos Coelho colocou vários cenários sobre a eventual necessidade de Portugal recorrer ao financiamento do Fundo de Emergência Europeu.
"Temos uma situação ainda débil do ponto de vista financeiro e precisamos de fazer reformas importantes que ajudem não só a garantir uma trajetória até 2013 de redução do défice para 2,8 por cento, mas também precisamos de mostrar aos mercados que, após 2013, manteremos a disciplina orçamental", referiu Pedro Passos Coelho. Neste contexto, o líder social democrata defendeu que "não basta encontrar um conjunto de medidas de conjuntura que permitam a Portugal resolver o problema do défice nos próximos dois ou três anos".
"Temos de lançar mão de reformas estruturais que tornem a dívida portuguesa sustentável no longo prazo. Se tomarmos as medidas estruturais necessárias que deem garantias aos mercados que Portugal não voltará a registar problemas desta dimensão, se fizermos o nosso trabalho de casa é então possível evitar o recurso a esse financiamento ", frisou. No entanto, para o presidente do PSD, se Portugal "demorar muito tempo a fazer essas reformas, chegará a uma altura em que haverá menor capacidade e menor liberdade de decisão" em matéria de financiamentos externos.
"Se não vamos fazer aquilo que devemos sem intervenção externa, então devemos estar disponíveis (enquanto temos alguma margem de manobra) para poder eventualmente recorrer a fontes de financiamento mais estáveis para a nossa economia, mas, em contrapartida, temos de nos obrigar a reformas estruturais importantes", sustentou. No entanto, colocando o melhor dos cenários prováveis, Pedro Passos Coelho referiu que, se Portugal fizer reformas "sem se sujeitar a obrigações externas, então melhor. Mas isso significa que já não temos muito tempo para as adotar e espero que no Orçamento do Estado para 2011 o Governo dê já um sinal importante que essa reformas podem ser desenvolvidas", disse. Interrogado se o PSD faz do Orçamento do Estado para 2011 um teste definitivo ao Governo, Pedro Passos Coelho respondeu que se trata de "um instrumento muito importante".
"A credibilidade externa de Portugal joga-se muito com ambição que soubermos colocar nos objetivos de curto e médio prazo - e o Governo tem aí uma responsabilidade muito grande. A seu tempo, espero que o Governo apresente uma proposta de Orçamento para 2011, que não apenas reafirme os objetivos de redução do défice, mas dê também um contributo para a redução da dívida a médio e longo prazo", afirmou. O presidente do PSD considerou que ainda é cedo para se discutir o Orçamento do Estado para 2011, mas "é com certeza uma peça importante para o país e para a credibilidade externa do país".

terça-feira, 15 de junho de 2010

Férias no Algarve

Mais caro que viajar para as Caraíbas

Uma semana de férias no Algarve custa a um casal mais de 1.500 euros, mas se optar por uma viagem até às Caraíbas consegue viajar com tudo incluído por 2.000 euros.

Fazer férias "cá dentro", como o Presidente da República pediu, pode ajudar a economia nacional, mas em alguns casos sai mais caro ao bolso dos portugueses, constatou a Lusa na pesquisa de pacotes de férias em várias agências de viagens. Uma semana de férias no Algarve, o destino nacional de eleição dos portugueses, num hotel de cinco estrelas, custa a um casal mais de 1.500 euros em regime de alojamento e pequeno almoço (APA), mas se optar por uma viagem até às Caraíbas consegue viajar com tudo incluído por 2.000 euros.
Por mais 500 euros, um casal pode viajar até às águas quentes da República Dominicana (Punta Cana), México (Riviera Maya) ou Venezuela (Ilha Margarita) e passar sete noites (nove dias) num hotel de cinco estrelas com todas as despesas de alimentação e de transportes incluídas. Se se considerar as despesas das refeições de sete dias e a deslocação para as praias do Algarve, será difícil competir com os pacotes de praia e de sol mais distantes. As ilhas dos Açores e a Madeira constituem a maioria das propostas de turismo interno disponibilizada online pelas agências de viagem para os meses de julho e agosto, sendo que o pacote de sete noites mais económico que a Lusa encontrou para cada um dos destinos em hotel de quatro estrelas custa por pessoa 450 e 600 respetivamente, em regime de alojamento e pequeno almoço.
As ilhas portuguesas concorrem com as espanholas e, à data da pesquisa, as principais promoções disponibilizadas para Palma de Maiorca com a viagem e sete noites de alojamento em hotel de quatro estrelas, em regime de meia pensão, custam cerca de 700 euros por pessoa, mais 150 do que os Açores e 100 do que a Madeira, mas já com sete refeições incluídas. A par com a proximidade, as ilhas do país vizinho têm a vantagem de beneficiar de várias ligações aéreas 'low-cost' a partir dos principais aeroportos portugueses, que permitem aos turistas viajar a baixo custo e obter preços bastante competitivos no alojamento, que, de acordo com o Hotel Price Index Hotéis.com, sofreram uma quebra de 23 por cento no quarto trimestre de 2009 face ao ano anterior.
O Presidente da República manifestou-se no passado sábado preocupado com a "grave" situação económica de Portugal, e apelou aos portugueses para que façam férias "cá dentro", para ajudar a inverter e ultrapassar a difícil situação em que o país se encontra. "Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra", defendeu então Cavaco Silva.
De acordo com as contas feitas esta semana pelo Jornal de Negócios, os estrangeiros deixam em Portugal 2,5 vezes mais dinheiro do que os portugueses que fazem férias lá fora. Segundo os dados do Banco de Portugal, em 2009, os turistas estrangeiros gastaram 6.918 milhões de euros com viagens e turismo a Portugal face aos 2.712 milhões de euros gastos o ano passado pelos portugueses em viagens e turismo ao exterior.

Famílias em crise

Cortes no supermercado e na farmácia

Confrontadas com menos dinheiro, as famílias cortam no abastecimento em supermercados, mas também nos medicamentos, deixando mesmo de adquirir remédios necessários e prescritos pelo médico.

Alimentação e medicamentos são os principais alvos de corte nos gastos das famílias portuguesas em crise, que continuam contudo a aguentar bens mais supérfluos, como telemóveis ou televisão por cabo, tentando manter a aparência do mesmo estilo de vida. A associação de defesa do consumidor Deco foi contactada nos primeiros cinco meses do ano por 5500 famílias em situação de sobreendividamento e refere que o supermercado e a farmácia são os que sofrem mais cortes no orçamento destes lares. "Na alimentação começam a optar por alimentos de marca branca e deixam de comprar alguns produtos mais caros", explicou à Lusa a responsável da Deco pelo apoio ao sobreendividamento, Natália Nunes.
Confrontadas com menos dinheiro, as famílias cortam também nos medicamentos, deixando mesmo de adquirir remédios necessários e prescritos pelo médico. "Nem substituem os medicamentos. Pura e simplesmente deixam de os comprar", frisa. Já em serviços de telecomunicações e multimédia, as despesas tendem a manter-se. "Aparentemente, cortar na alimentação e nos medicamentos é mais fácil para as famílias, que tentam manter a mesma aparência de estilo de vida", indica Natália Nunes.
Outro exemplo é a "grande resistência" em vender os automóveis: "Há quase sempre a tentativa de manter o mesmo tipo de vida". As famílias que recorrem à Deco são geralmente compostas por um casal com um filho, com rendimentos líquidos mensais médios de 1500 euros. A especialista aconselha as famílias a gerir melhor o dinheiro, assumindo uma postura crítica e ativa para gastar menos, por exemplo, através da comparação e renegociação de valores com operadores de telecomunicações e serviços multimédia.
Foi precisamente esta a atitude de Sandra e António. Apesar de estarem longe de uma situação de sobreendividamento, a jornalista de 40 anos e o técnico de biblioteca de 42, renegociaram o contrato de telecomunicações, permitindo-lhes uma poupança mensal de 25 euros. Com um rendimento bruto conjunto de 2500 euros por mês, esta família com um filho de três anos tem cerca de 2100 euros de despesas fixas. "Quando houve aumento dos juros das casas cortei em coisas não elementares, como a engomadoria e um dos canais codificados. Apesar da baixa de juros, continuo sem sentir que estamos a recuperar", comenta Sandra Mendes, referindo que as idas a restaurantes se tornaram uma raridade, bem como os passeios fora de Lisboa.
Para Andreia e Ricardo, poucos são os "extra", já que cada um recebe menos de 600 euros líquidos, ela como auxiliar de ação educativa e ele como mecânico. "Já cortámos na televisão por cabo e este ano nem vamos de férias, nem sequer para o campismo, como temos ido nos últimos tempos. Temos renda da casa para pagar e também a creche da nossa filha. O dinheiro não chega para tudo", diz Andreia. No entanto, reconhece, não conseguem imaginar-se sem carro e continuam a sustentar os dois automóveis. "Pensámos na hipótese de vender um, não pelo dinheiro que rendia, mas porque se gasta muito em combustível e em seguros. Mas trabalhamos em sítios distantes e para cumprirmos horários precisamos mesmo do carro", justifica.

Passos Coelho e o emprego

Novos mecanismos de relação contratual

PSD vai propor "mecanismos mais flexíveis de emprego" sem alterar Código do Trabalho.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse ontem que o seu partido vai propor que o Parlamento aprove "mecanismos mais flexíveis de emprego" sem alterar o Código do Trabalho, para vigorar até 2013, 2014. "Nós precisamos de encontrar respostas mais rápidas para estes problemas e, dada a situação excecional, nós temos de encontrar medidas excecionais, portanto, que não mexam no Código do Trabalho, mas que possam criar mecanismos novos de relação contratual", defendeu Pedro Passos Coelho.
Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), na sede desta entidade, em Lisboa, Passos Coelho adiantou que o PSD deverá apresentar a sua proposta de "mecanismos novos de relação contratual" no Parlamento até ao final deste mês, depois de ter "recolhido o contributo de todos os parceiros sociais". Segundo o presidente do PSD, o Código do Trabalho, "revisto ainda há menos de dois anos", poderá "no futuro sofrer alterações em matéria de flexibilidade", mas neste momento o mercado de emprego português "não pode esperar".
Passos Coelho assinalou o aumento do desemprego em Portugal e referiu que "a perspetiva para os próximos meses é ainda de agravamento do desemprego". Neste contexto, a preocupação do PSD é "encontrar mecanismos que sejam extraordinários também, adequados a esta conjuntura difícil, que permitam que aqueles que estão desempregados ou à procura do primeiro emprego tenham uma circunstância mais favorável do ponto de vista contratual para poderem ter uma situação de emprego e que as empresas, aquelas que podem oferecer trabalho, tenham também mecanismos mais flexíveis durante este período extraordinariamente difícil, de modo a dar um contributo líquido para a criação de emprego", acrescentou.
Segundo Passos Coelho, o PSD quis ouvir a CIP para "aperfeiçoar" as medidas que pretende apresentar e saiu deste encontro com "um novo ângulo de visão sobretudo ao nível de uma política de estágios profissionais que sirva uma melhor adaptação daqueles que estão à procura de emprego às necessidades das empresas". Na reunião com a CIP participaram também o vice-presidente do PSD Marco António Costa e o vice-presidente da bancada social democrata Almeida Henriques.

"Sem a economia a crescer não há finanças públicas equilibradas", diz Paulo Portas

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou ontem que "Portugal nunca terá finanças públicas equilibradas se não tiver uma economia a crescer", ao comentar o aumento do número de falências de empresas e a taxa de desemprego. À margem de uma visita a uma escola no Entroncamento, o líder do CDS-PP afirmou que "é prioritário colocar a economia portuguesa a crescer, olhar para as pequenas e médias empresas, olhar para os seus problemas de acesso ao crédito, para o funcionamento do sistema judicial, olhar para leis laborais que não favorecem a contratação e conciliar os interesses dos trabalhadores com os das empresas".
"Só uma economia a crescer é que gera actividade, receita e emprego", considerou Paulo Portas, afirmando também que o aumento do número de falências hoje anunciado e da taxa de desemprego "são indicadores de uma economia que, infelizmente, ainda permanece doente".
"Fala-se muito de finanças públicas mas fala-se pouco de economia, fala-se pouco do aumento do número de falências de empresas e este ano, até abril, já foram registadas 1800 falências, uma subida de 10 por cento face ao ano passado", salientou Paulo Portas, criticando ainda o Governo por não admitir há mais tempo o valor real da taxa de desemprego que, segundo confirmação dada hoje pela OCDE, é já de 10,8 por cento. Apelando a uma aposta no estímulo ao crescimento económico, Paulo Portas disse que "aumentos de impostos indiscriminados não contribuem para o crescimento, contribuem para a contração da economia".