Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fogos de Verão podem ser flagelo

Condições climatéricas criaram muito mato

Secretário de Estado prevê ano "difícil" com dispositivo de combate aos incêndios idêntico ao de 2009.

O secretário de Estado da Proteção Civil, Vasco Franco, previu hoje que este ano seja "difícil" em matéria de incêndios florestais, contando com um dispositivo de combate que "é idêntico" ao de 2009. Vasco Franco falava à agência Lusa depois de assistir a um exercício da Força Especial de Bombeiros (FEB), em que participaram meios humanos e aéreos no combate a um simulacro de incêndio, na zona de Terena, concelho de Alandroal (Évora).
"Nós prevemos que seja um ano difícil, uma vez que as condições climatéricas têm produzido muito material [vegetação], que poderá permitir muitas ignições durante este ano", disse o governante. "Temos que estar muito atentos, muito vigilantes e capazes de dar uma resposta pronta às situações que poderão ocorrer", sublinhou. Vasco Franco adiantou que o dispositivo de combate a incêndios florestais, que se está a preparar em todo o país, "é idêntico àquele que existiu o ano passado", com os mesmos meios aéreos e com meios humanos "ligeiramente reforçados". Trata-se, segundo o governante, de um dispositivo que tem "um encargo total que ronda os 103 milhões de euros".
"Isso significa o esforço que o país faz anualmente para proteger as suas florestas e é um esforço que tem de ser correspondido com a prevenção e também com as atitudes preventivas por parte dos cidadãos", disse. O secretário de Estado da Proteção Civil justificou as "preocupações" com a próxima época de incêndios florestais com a existência de "muito material acumulado" nos campos e com o facto das condições climatéricas não terem permitido que toda a ação de prevenção que se costuma realizar em março e abril se realize".
"Vamos insistir com todas as entidades para que o façam (prevenção) assim que o tempo o permita, mas naturalmente isso são razões acrescidas de preocupação", salientou. "Estamos preocupados. Estamos atentos, especialmente apelamos a todos os cidadãos para que também se preocupem e atuem em conformidade", sublinhou.
O exercício a que o governante assistiu e que termina sábado visa o treino de abertura de faixas de contenção, combate com helicópteros e definição de estratégias de combate aos fogos. O secretário de Estado esteve acompanhado pelo presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, general Arnaldo Cruz, e pelo comandante Operacional Nacional, Gil Martins.

Autarcas condenados fora de eleições

Governo aprova proibição de candidaturas

A proposta de lei prevê ainda a aplicação da sanção de perda de mandato.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a proposta de lei que prevê que os autarcas condenados por um tribunal sejam impedidos de serem eleitos, após esgotados os recursos, alterando pela primeira vez a Lei da Tutela Administrativa. Segundo um comunicado divulgado pela Presidência do Conselho de Ministro, o projecto-lei, a submeter a aprovação pelo Parlamento, quer estabelecer «a possibilidade de aplicação da sanção de perda de mandato aos membros que tenham integrado órgão autárquico em mandato imediatamente anterior e relativamente ao qual se tenha verificado fundamento para dissolução».
A alteração à Lei da Tutela Administrativa pretende, também, criar um mecanismo que permite a «aplicação da medida de coação de suspensão do mandato aos autarcas no âmbito dos processos-crime relativos aos Crimes de Responsabilidade de Titular de Cargo Político». Em entrevista à agência Lusa em Janeiro, o secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, explicou que «se o autarca tiver sido condenado definitivamente depois do seu recurso não poderá candidatar-se nem ao ato intercalar nem ao ato seguinte (caso de Fátima Felgueiras)». Na ocasião, o responsável considerou que «quem tem de decidir é sempre o tribunal» e afastou a hipótese de automatismo de suspensão assim que existir uma acusação. Caso o juiz assim o entenda, com a dedução de uma acusação, o autarca poderá ver o seu mandato suspenso.
O secretário de Estado avançou ainda que, segundo a proposta do governo, um autarca suspenso por enfrentar um processo em tribunal, mas ainda não condenado em última instância, poderá voltar a candidatar-se. O mecanismo não abrange apenas presidentes de Câmaras Municipais, mas é alargado a todos os que fazem parte da tutela administrativa autárquica, nomeadamente o sector empresarial público local, como as empresas municipais.

Economia portuguesa: o cerco aperta-se

O terceiro mais elevado entre os países europeus

Portugal entra no 'top ten' dos países com maiores probabilidades de incumprimento da dívida externa.

O custo de subscrever a proteção para um eventual incumprimento da dívida portuguesa subiu ontem para novo máximo histórico, colocando Portugal no grupo dos dez países com maiores probabilidades de incumprimento.
Depois de ter superado os 250 pontos durante a manhã, o risco das obrigações de Portugal mantém-se também como o terceiro mais elevado entre os países europeus emitentes de dívida soberana, sendo apenas superado pela Grécia e pela Islândia. As preocupações dos investidores com a situação das finanças públicas portuguesas fizeram os Credit Default Swaps (CDS) sobre obrigações portuguesas dispararem durante as últimas sessões, sendo que, depois de avançarem para novo recorde, entretanto, recuaram para os 235,40 pontos (12:30).
Os CDS sobre a dívida pública portuguesa são neste momento apenas ultrapassados na Europa pelo risco da Grécia (que continua a subir, ultrapassando já os 500 pontos), que é o quarto mais alto do mundo, e da Islândia (relativamente estável nos 373,72 pontos), em oitavo lugar. Em termos mundiais, a Argentina ultrapassou a Venezuela no primeiro lugar da lista, seguindo-se-lhes o Paquistão.
O aumento de um ponto base no contrato de proteção de incumprimento (CDS) de 10 milhões de dólares de dívida a cinco anos provoca uma subida de mil dólares por ano nos custos anuais dispendidos para assegurar a sua proteção.Paralelamente, o 'spread' - o prémio que os investidores exigem para comprar dívida pública portuguesa em vez das obrigações alemãs - de Portugal também disparou para máximos, reagindo aos indicadores hoje libertados pelo Eurostat, com o 'spread' das Obrigações do Tesouro a 10 anos a crescer para 190 pontos base, o mais elevado desde a criação da Zona Euro.
O Eurostat (instituto responsável pelas estatísticas oficiais da União Europeia) validou hoje, no Luxemburgo, a notificação feita por Portugal em março que reportava um défice orçamental de 9,4 por cento do PIB e uma dívida pública de 76,8 por cento em 2009. Portugal teve no ano passado o quinto maior défice orçamental da União Europeia numa lista encabeçada pela Irlanda (14,3 por cento do PIB) e que a seguir tinha a Grécia (13,6 por cento), Reino Unido (11,5 por cento) e Espanha (11,2 por cento).

As previsões do FMI

Portugal empobrece, Eslováquia e Seychelles passam à frente

Até 2015, a economia nacional cairá no ranking da riqueza por habitante e registará das retomas mais apáticas do mundo. A Eslováquia aderiu ao euro a 1 de Janeiro de 2009, mas o país consegue crescer e manter o défice externo reduzido.

Cristalizada num modelo económico assente em endividamento, a economia portuguesa registará, até 2015, umas das retomas mais apáticas do mundo (pior só a Grécia) e será ultrapassada este ano pela Eslováquia e no próximo pelas ilhas Seychelles nos níveis de riqueza por habitante. É desta forma fria que os números ontem publicados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) descrevem o que deverá ser a primeira metade da década na economia portuguesa: a dinâmica será insuficiente para reverter a erosão que a crise financeira e económica provocou no crescimento e no emprego. Pelo caminho, os portugueses continuarão a empobrecer face aos seus pares.
A economia vai crescer menos do que o FMI previa há três meses. Vai, basicamente, estagnar durante dois anos e crescer de forma envergonhada nos anos seguintes. Ainda assim, a instituição mantém as projecções para a taxa de desemprego, a notícia menos má do relatório. O produto interno bruto (PIB) deverá crescer apenas 0,3% este ano (a previsão em Janeiro era de 0,5%) e 0,7% em 2011 (antes apontava para 0,9%). A taxa de desemprego continuará elevada, mas não se altera: fica em 11% da população activa este ano e 10,3% no próximo. As contas do FMI são agora mais pessimistas do que as do governo (no Programa de Estabilidade e Crescimento): o executivo espera uma expansão económica de 0,7% em 2010 e de 0,9% em 2011; e confia numa estabilização do desemprego em torno de 9,8%.Mas, quando se compara com a saída da crise de outros países, percebe-se que os próximos anos vão ser duros em Portugal. A Eslováquia, que também pertence à zona euro, regressará a um crescimento digno de nota (será a economia da moeda única que mais se expandirá nos próximos anos) e conseguirá combinar esse desempenho com um défice corrente (que reflecte as necessidades de crédito e os gastos em importações) bastante reduzido, que nunca chega a 2% do produto. A república do leste europeu está há vários anos no encalce de Portugal e, este ano, deverá conseguir finalmente ultrapassar o nível de PIB per capita (por habitante) dos portugueses. A cada eslovaco corresponderá 16.517 euros (já incorporando a paridade de poder de compra), mais do que os 16.354 que cabe a cada português.
No próximo ano é a vez das Seychelles deixarem Portugal para trás neste campeonato, ainda que as ilhas sejam um território offshore (paraíso fiscal) que, como tal, capta quantidades assinaláveis de capitais (investimentos) que, depois, terá de devolver à procedência. Isso mesmo está patente no défice corrente desse território no oceano Índico, que é um dos mais elevados do mundo, na casa dos 20% e 30% do PIB. Mas, nessa perspectiva, também Portugal tem um problema bastante grave por resolver. O FMI mostra que o crescimento da economia continuará a estar acorrentado a um dos défices correntes mais altos do mundo desenvolvido e que não dá sinais de querer aliviar de forma notória. Basicamente, Portugal tem dinheiro e capital que não é seu e terá de o devolver, mais tarde ou mais cedo.

Enquanto os bancos prosperam...

Este desequilíbrio - que ano após anos alimenta o stock de dívida externa que já vai em mais de 112% do PIB - deve piorar 9% do PIB em 2010 e acelerar 10,2% em 2011. Em Janeiro, o FMI esperava que a tendência fosse a inversa. Até 2015, o valor líquido das necessidades de financiamento da economia será o segundo mais elevado no grupo de 33 economias ricas. O economista Vítor Bento explicou num debate recente que "veio à cobrança o pacto faustiano" que Portugal celebrou nas últimas décadas. O país financiou o seu crescimento a crédito, mas o dinheiro foi abundantemente canalizado para consumo e para compra de casa (uma opção cultural, como sugere o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio), relegando para segundo plano outros investimentos mais reprodutivos e competitivos que pudessem hoje diferenciar mais a economia de outras, como a China ou o leste europeu.
Este processo ajudou o sector bancário a prosperar, mas trouxe consigo uma enorme dependência face ao exterior que agora, parece, os mercados querem aproveitar para resolver à força e ganhar algum dinheiro com isso "Os nossos credores têm dinheiro a haver, logo é natural que nos imponham condições se pressentem que o nosso risco de incumprimento aumentou", explica o economista. Em todo o caso, de acordo com a Lusa, Vítor Bento defendeu ontem que "Portugal não vai entrar em default" e que o país "está mais próximo da Alemanha do que da Grécia em termos de ratings e spreads da dívida".
A instituição de Washington aponta como causas as debilidades já conhecidas da economia (muito dependente de actividades de valor acrescentado baixo e, mesmo assim, incapaz de competir bem em muitos desses segmentos), mas também deixa perceber que o ajustamento imperativo nas contas públicas vai dificultar bastante a retoma. O FMI frisa que as economias mais pequenas da zona euro - caso da Grécia, Irlanda e Portugal - são as que sairão "mais lentamente da recessão" pois "o crescimento está constrangido por grandes desequilíbrios orçamentais ou da balança corrente". Depois dos ataques sucessivos de mercados e comentadores a Portugal, o FMI veio ontem pôr um pouco de água na fervura. "O destino da Europa vai estar muito mais ligado ao que acontecer no resto do mundo do que o que acontecer em na Grécia e Portugal", afirmou Jörg Decressin, director associado do Fundo, citado pela "Lusa".

Justiça “na berlinda”

Sentença é "sinal de que não vale a pena combater corrupção"

Ricardo Sá Fernandes foi o denunciante deste caso, tendo colaborado com a Polícia Judiciária, e disse que "faria outra vez" o que fez, mas lamenta que "o sinal que é dado aos portugueses seja 'aceitem o dinheiro dos Névoa".

O advogado Ricardo Sá Fernandes afirmou ontem que a absolvição do empresário Domingos Névoa é um sinal de que "não vale a pena combater a corrupção" e reiterou que há setores da magistratura "complacentes com a corrupção. Esta sentença é um sinal dado à sociedade portuguesa de que não vale a pena combater a corrupção. Este país está para os corruptores e para os corruptos. É este o país que nós merecemos, porque é este o país que corresponde à cultura dominante", disse Ricardo Sá Fernandes à agência Lusa.
O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu hoje o empresário Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes, irmão de Ricardo Sá Fernandes."No país em que estamos, recebi [esta decisão] com a naturalidade de eu saber que a grande maioria da população portuguesa é complacente com a corrupção. Sendo a maioria da população portuguesa complacente com a corrupção, não estranho que haja setores da magistratura complacentes com a corrupção", defendeu.
Ricardo Sá Fernandes, que foi o denunciante deste caso, tendo colaborado com a Polícia Judiciária, disse que "faria outra vez" o que fez, mas lamenta que "o sinal que é dado aos portugueses seja 'aceitem o dinheiro dos Névoa'". Segundo os juízes da Relação, "os atos que o arguido (Névoa) queria que o assistente (vereador José Sá Fernandes) praticasse, oferecendo 200 mil euros, não integravam a esfera de competências legais nem poderes de facto do cargo do assistente".
Assim, a decisão da Relação indica que "não se preenche a factualidade típica do crime de corrupção ativa de titular de cargo político", disse aos jornalistas o presidente do Tribunal da Relação, Vaz das Neves. O recurso do Ministério Público interposto após a condenação de Névoa a pagar uma multa de cinco mil euros foi julgado improcedente. A fundamentação estabelece que é preciso que as funções do funcionário visado pelo suborno possibilitem que sejam praticados os atos pretendidos pelo corruptor.
A alegada tentativa de corrupção foi denunciada em 2006 pelo irmão do vereador, o advogado Ricardo Sá Fernandes. Domingos Névoa estava acusado do crime por alegadamente ter tentado subornar o vereador, ao querer que José Sá Fernandes desistisse da ação popular - interposta enquanto cidadão - de contestação do negócio de permuta, entre a Câmara de Lisboa e a empresa Bragaparques, dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vulcão expõe debilidades no Algarve

Faltam motoristas de autocarro

Escoar turistas presos na região é a prioridade, mas tem-se revelado difícil.

O escoamento dos turistas tem sido o principal problema que os operadores do Algarve enfrentam esta semana porque não há motoristas suficientes para conduzir os autocarros e, por isso, apelam a uma maior articulação com a CP. São consequências da nuvem de cinzas que tem estado a afectar os céus da Europa, encerrando o espaço aéreo em vários países.
«Os operadores económicos, as unidades hoteleiras e as empresas de transportes estão a ser responsáveis, mas nós temos a nossa capacidade de escoamento e (...) neste momento já não há condutores para levar os autocarros aos destinos», alerta João Soeiro, da operadora turística Full Services, em declarações aos jornalistas. O responsável reitera que apesar de ainda existirem autocarros no Algarve, a situação é «aborrecida», porque a região está «sem condutores para os mesmos».
«O Governo devia estar a trabalhar activamente nisto e não apenas as regiões de turismo, não apenas os "players" da zona. Penso que a CP devia estar a assumir - e que seria uma oportunidade estratégica para a CP para se reposicionar e contribuir para um marketing territorial - dizendo nós temos a nossa capacidade de escoamento, temos a capacidade de em conjunto com os "players" internacionais encontrar soluções de escoamento», declarou.
Também Eduardo Magalhães, da Tui, a maior operadora turística da Europa, constata que a falta de motoristas para conduzir autocarros é um «inconveniente» provocado por uma legislação que obriga a que um autocarro tenha quatro motoristas para uma qualquer viagem do Algarve - região periférica - até ao centro da Europa.

Chuva e trovoada

Portugal está sob aviso amarelo

As previsões do IM apontam para aguaceiros, trovoada, vento sul e descida da temperatura.

O Instituto de Meteorologia (IM) colocou ontem, quarta-feira, todo o território de Portugal Continental em aviso amarelo, por causa da previsão de aguaceiros, sobretudo durante a tarde, que podem ser fortes e acompanhados de trovoada.
A previsão do IM refere «céu geralmente muito nublado, aguaceiros, mais frequentes durante a tarde, que poderão ser fortes e acompanhados de trovoada, em especial nas regiões do interior».
O vento será «em geral fraco (inferior a 20 km/hora), predominando do quadrante sul, soprando temporariamente moderado a forte (30 a 45 km/h) nas terras altas».
O IM prevê também uma descida da temperatura máxima, em especial nas regiões do interior, informa a Lusa.

Desemprego em Portugal

Segundo o FMI, este ano vai chegar aos 11%

As projeções da organização colocam Portugal como o quinto país com maior taxa de desemprego no total da Europa, tanto em 2010 como em 2011.

O desemprego em Portugal deverá atingir os 11 por cento este ano, superior à média da zona euro, baixando para 10,3 por cento em 2011, de acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). No relatório 'World Economic Outlook' ontem divulgado, o FMI projeta uma taxa de desemprego anual acima dos dois dígitos, superior em 1,2 pontos percentuais às projeções do Governo, que estima em 9,8 por cento a taxa de desemprego para este ano.
Quanto a 2011, a organização já aponta uma descida na taxa de desemprego, mas prevê que este se mantenha ainda acima dos dois dígitos, nos 10,3 por cento. Apesar de mais próxima esta projeção da estimativa oficial do Governo, incluída no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), ainda assim é superior em 0,5 pontos percentuais, já que o executivo aponta a mesma previsão para 2010 e para 2011, de 9,8 por cento. Quanto à zona euro, a média estimada é de 10,5 para este ano e para o próximo.
Para a totalidade da Europa em 2010, o FMI aponta que seis países, incluindo Portugal, deverão ter mais de 10 por cento da sua população desempregada, com especial destaque para a Espanha, cuja previsão aponta para uma taxa de desemprego de 19,4 por cento. As projeções da organização colocam Portugal como o quinto país com maior taxa de desemprego no total da Europa, tanto em 2010 como em 2011.

Bloco de Esquerda repudia "pressões" do FMI sobre economia portuguesa

O líder bloquista, Francisco Louçã, repudiou hoje "as pressões" do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia portuguesa, defendendo que a resposta passa por um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) de justiça fiscal e combate ao desperdício. O FMI estimou ontem que a economia portuguesa deverá crescer 0,3 por cento em 2010, menos de um terço do estimado para a zona euro, e menos de metade do previsto pelo Governo, e situou o desemprego em 11 por cento este ano e em 10,3 ppr cento em 2011.
"Rejeitamos por completo as pressões que o FMI faz contra a economia portuguesa, porque elas vão bater no bolso de cada contribuinte e dos desempregados", afirmou hoje Francisco Louçã, em conferência de imprensa no Parlamento, para quem este organismo internacional é o "embaixador dos especuladores". Para o líder do Bloco de Esquerda, o relatório do FMI é um "ataque especulativo" que tem por objetivo "enfraquecer o Euro" e assim "atingir a dívida pública e o pagamento dos juros dessa dívida de alguns países".
Francisco Louçã pede uma "resposta firme" e sublinha que a "economia portuguesa não pode estar sujeita a esta sangria de juros da dívida pública que representam o agravamento do risco de impostos, de desemprego, de falências e das dificuldades económicas. Se o juro da dívida portuguesa aumentar um por cento, isso quer dizer sete milhões de euros por dia que têm de ser pagos diretamente aos grandes agentes financeiros", exemplificou o dirigente bloquista.
Para o BE, essa resposta passa por um PEC que "permita sanear as contas públicas rapidamente, através do combate aos excessos, ao desperdício, à perda de valor, e que permita restabelecer a justiça fiscal, no combate à evasão, que representa uma parte importante da economia portuguesa. É preciso que haja políticas consistentes e o PEC não é consistente. Não responde às dificuldades fundamentais, não corrige as contas públicas e sobrecarrega quem tem mais dificuldades em Portugal", sustentou, considerando que ser "presa fácil da especulação dá dinheiro aos fundos especulativos, mas prejudica o contribuinte português e os desempregados".
"Se a correção das contas públicas for feita contra as despesas sociais, contra o investimento e o emprego, quem hoje já está a pagar os impostos para financiar esta especulação, vai ter muito mais dificuldades", alertou.

Jorge Sampaio diz que temos má democracia

Poder político influenciado por "setores corporativos"

Questionado sobre de quem é a culpa pelo estado da democracia em Portugal, Sampaio responde:
"Somos todos naturalmente responsáveis."

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio diz-se "nada satisfeito com a qualidade da democracia" em Portugal, onde a sociedade civil é "pouco atuante" e os poderes políticos são influenciados por "setores corporativos", como o da justiça.
"Não estou nada satisfeito com a qualidade da democracia, temos que a requalificar, revitalizar. A começar pela renovação das dinâmicas e das estruturas partidárias. E há uma remobilização dos cidadãos que é necessária", sustenta, em entrevista à rádio Antena 1, a primeira de uma série de três a antigos Presidentes da República do pós-25 de Abril, cujo aniversário se assinala no domingo.
Na entrevista, que passa hoje, na íntegra, às 10:00, Jorge Sampaio elogia o "estilo" do novo líder do PSD, alerta para os "perigos" da politização da justiça e da judicialização da política e defende a "diminuição" do segredo de justiça e a manutenção da Constituição. Quanto ao apoio à candidatura presidencial do socialista Manuel Alegre, o ex-secretário geral do PS garante que "isso é uma coisa" que dirá "primeiro" ao próprio, antes que "a toda a gente", mas deixa um recado: "O PS terá que se definir." Questionado sobre de quem é a culpa pelo estado da democracia em Portugal, Sampaio responde: "Somos todos naturalmente responsáveis."
Para Sampaio, é necessário que "os poderes políticos saibam resistir, pela seriedade das suas propostas, àquilo que são as profundas influências de setores corporativos da sociedade portuguesa". E nomeia médicos, juízes, magistrados do Ministério Público, enfermeiros e funcionários públicos.
"Temos que saber que, quando estamos no Governo e na oposição, há um limite para satisfazer determinadas reivindicações e não se pode jogar a favor das reivindicações quando se está na oposição e contra quando se está no Governo", advoga, entendendo ser "absolutamente essencial" evitar a "promiscuidade" entre os setores económico e político.
O antigo Presidente da República (1996-2006) defende a "diminuição do segredo de justiça" e aponta farpas à comunicação social que "arruína a reputação de uma pessoa. Apregoamos o princípio violando-o todos os dias e isso parece-me muito grave para a coesão social", sustenta. Sobre os poderes presidenciais, considera-os "suficientes" e diz que a revisão constitucional "não é uma prioridade". "Gosto pouco de estar constantemente a aperfeiçoar a Constituição", diz. O ex-secretário geral do PS elogia ainda o "estilo" do novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que "pode contribuir para a descrispação da vida política em Portugal" e para "um debate político sério, sem demagogias". Ramalho Eanes e Mário Soares são os próximos entrevistados da Antena 1, quinta e sexta feiras, respetivamente.

Os Media e o Governo

Quem são os “donos” dos meios de comunicação?

Executivo avança com lei para impor identificação da propriedade da comunicação social. A nova lei deverá conter normas de "clarificação sobre a independência dos diretores em relação às administrações na concretização das linhas editoriais.

O ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou hoje que o Governo tenciona avançar com normas que reforcem a "transparência" na identificação da estrutura de propriedade dos meios de comunicação social e a independência dos diretores de conteúdos.
Jorge Lacão assumiu estas posições no início da audição da Comissão Parlamentar de Ética sobre as relações do Governo com a comunicação social, após uma questão formulada pelo deputado socialista João Serrano. A questão da transparência da titularidade da propriedade dos meios de comunicação social foi levantada com grande insistência por deputados socialistas, durante uma audição desta mesma comissão ao diretor de informação do semanário "Sol", António José Saraiva, em fevereiro.
"Na medida em que está num estado avançado uma revisão das leis da televisão e da rádio, nesse quadro, o Governo poderá encarar algumas soluções jurídicas que possam de alguma maneira ajudar a suprir aspetos de omissão na nossa ordem jurídica, que resultaram da impossibilidade pretérita de aprovação da lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social", começou por declarar Jorge Lacão. O ministro dos Assuntos Parlamentares referiu-se depois à natureza das alterações que o Governo pretende introduzir nesta área da comunicação social.
Segundo Jorge Lacão, o Governo deverá avançar "com uma definição mais clara, mais rigorosa quanto à exigência de identificação da estrutura de propriedade dos meios de comunicação social". Neste ponto, o membro do Governo falou sobre a importância de haver "garantias relativamente à transparência na identificação da titularidade dos meios de comunicação social", assim como à existência de "regras que possam ser adequadas para estabelecer princípios limite às possibilidades de concentração dos órgãos de comunicação social".
A nova lei, de acordo com o ministro dos Assuntos Parlamentares, deverá ainda conter normas que levem "a uma clarificação sobre o significado da independência dos diretores de conteúdos em relação às respetivas administrações na concretização das linhas editoriais. São alguns aspetos em que, certamente, vamos ter ocasião próxima de, no quadro destes diplomas, poder refletir normas de clarificação sobre estes pontos", acrescentou.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

40 mil turistas não chegaram ao Algarve

“Cinzas” do vulcão largam prejuízo em Portugal

O presidente do Turismo do Algarve estima que existam 15 a 20 mil passageiros retidos na região e que cerca de 40 mil turistas não deram entrada neste destino.

O Governo e o Turismo do Algarve estão a "trabalhar" num "plano de contingência" para responder, em termos de alojamento, caso seja necessário, aos turistas retidos devido ao cancelamento de voos, revelou hoje o secretário de Estado do Turismo. A direção do Turismo do Algarve reuniu hoje em Faro com dezenas de responsáveis do turismo algarvio para encontrar soluções a curto e médio prazo para a crise provocada pelo cancelamento massivo de voos na Europa, devido à nuvem de cinzas vulcânicas vinda da Islândia.
O escoamento dos turistas é o principal problema que os operadores do Algarve enfrentam hoje porque não há motoristas suficientes para conduzir os autocarros e, por isso, apelam a uma maior articulação com a CP. Nuno Aires afirmou ser fundamental "manter as condições mínimas na permanência extraordinária destas pessoas no Algarve" e pediu esforços aos operadores turísticos para fazerem uma avaliação aos seus danos financeiros de forma a calcular os prejuízos regionais.
"Precisamos de antecipar cenários em relação à operação no destino para vermos o que fazer depois. Temos de ter a noção do impacte económico a curto e médio prazo", refere o presidente do Turismo Algarvio. O prolongamento da estada e a remarcação de reservas são as consequências mais diretas registadas até ao momento depois da interdição do espaço aéreo europeu, mas o Turismo do Algarve avança também que o mês de "maio é o mais comprometido"
Se não se registarem novas erupções, nem nuvens de cinzas, o tráfego aéreo deverá estar completamente normalizado até quinta-feira. Uma enorme nuvem de cinzas libertadas por um vulcão na Islândia, que entrou em erupção em 14 de abril, tem estado a afetar o tráfego aéreo em quase todo o espaço europeu, tendo sido cancelados milhares de voos.

Nuvem de cinzas atingiu zona de influência do espaço aéreo português

A nuvem de cinzas vulcânicas que tem provocado o cancelamento de voos na Europa entrou no espaço aéreo português, encontrando-se localizada na zona noroeste da ilha de Santa Maria, nos Açores, anunciou hoje o Instituto de Meteorologia (IM). "O que sabemos de momento é que a pluma de cinzas vulcânicas continua a influenciar o continente europeu, no qual se inclui as Ilhas Britânicas, e que uma parte da pluma já entrou no espaço aéreo nacional, na zona noroeste da ilha de Santa Maria", disse à Lusa o meteorologista de serviço do IM, Fernando Rei, adiantando que a área afetada é "muito pequena".
Uma nova erupção do vulcão islandês, registada na segunda feira, intensificou a nuvem de cinzas vulcânicas que desde a passada semana está a condicionar a circulação aérea na Europa, obrigando ao encerramento de vários aeroportos e cancelamento de milhares de voos. Segundo um comunicado dos Serviços Nacionais de Tráfego Aéreo (NATS), entidade que gere o espaço aéreo britânico, a erupção do vulcão islandês "intensificou-se" e "uma nova de cinzas espalhou-se para sul e para leste", em direção à Grã-Bretanha.
Em declarações à Lusa, no entanto, o meteorologista Fernando Rei recusa falar de uma nova nuvem de cinzas, dizendo que se trata da mesma, embora intensificada. "A dimensão e intensidade da pluma de cinzas está dependente da actividade do vulcão, já que há períodos em que expele mais ou menos cinzas, além de toda a dinâmica atmosférica, que vai originando o espalhamento da pluma", explicou o meteorologista. "Dadas essas condicionantes, chegou mais perto do continente americano, embora também tenha entrado no espaço aéreo de Santa Maria", acrescentou.
De acordo com Fernando rei, "até ao final do dia de hoje", a nuvem de cinzas "não deverá afetar" o território continental, sendo "muito difícil" prever qual será a sua direção. "A situação só estará resolvida quando o vulcão deixar de expelir cinzas", frisou, dizendo ainda que a nuvem "não é visível a olho nu" e que, à distância a que se encontra, abaixo dos 20.000 pés, "é quase impercetível".

Cavaco Silva e a bancarrota

UE centra atenções em Portugal

"Não acredito que se chegue a uma situação dessas”, diz o Presidente da República, que classifica a nossa situação “muito mais confortável” que na Grécia.

O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje não acreditar que Portugal "chegue a uma situação de bancarrota", reiterando que a situação financeira do país é diversa da de países como a Grécia. "Eu não acredito que se chegue a uma situação de bancarrota, isso é qualquer coisa que nem nos deve passar pela cabeça. Era preciso que cometêssemos muitos, muitos erros. Não podemos comparar Portugal nem com a Grécia, nem com a Islândia nem tão pouco com a Irlanda. A nossa situação é mais favorável do que estes países", disse, durante uma visita a Setúbal.
"Ninguém vem fazer a Portugal o trabalho que somos nós que temos que fazer (...) Penso que os portugueses estão a fazer aquilo que é possível e acredito também que o Governo está a fazer aquilo que ele considera correto para que Portugal não caia numa situação como aquela que se encontra a Grécia", salientou o Chefe de Estado. Cavaco Silva salientou ainda que o país tem de ter "uma visão de futuro muito correta".
Desde a semana passada especialistas internacionais têm expressado preocupações sobre a situação da dívida pública portuguesa, considerando que será a maior fonte de preocupações da zona euro nos próximos meses. Hoje, Stuart Thompson, economista chefe da empresa britânica de gestão de ativos Ignis, diz que os mercados ainda levarão alguns dias para "digerir" o plano de apoio à Grécia, da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, mas que depois irão centrar a sua atenção em Portugal e até em Espanha.
Na semana passada, à margem da sua visita oficial à República Checa, o Presidente da República tinha já manifestado a sua discordância em relação a "muita coisa" referida pelo antigo economista chefe do FMI. "Eu li esse artigo feito pelo ex-diretor do Fundo Monetário Internacional e como Presidente da República não concordo com muita coisa que lá está dita", afirmou então o chefe de Estado. No seu artigo, Simon Johnson considerava que Portugal será "o próximo no radar".
"Este país escapou em grande medida às atenções, muito porque a espiral da Grécia desvaneceu. Mas ambos estão economicamente à beira da bancarrota, e ambos parecem muito mais perigosos do que a Argentina parecia em 2001, quando entrou em incumprimento". Simon Johnson equiparou ainda o financiamento de Portugal a um esquema em pirâmide (como o utilizado pelo gestor norte-americano Bernard Maddof que lhe valeu a prisão perpétua).
O economista diz que Portugal, tal como a Grécia, em vez de abater os juros da sua dívida, tem refinanciado os pagamentos de juros todos os anos através de emissão de nova dívida, chegando mesmo ao ponto de dizer que "vai chegar a altura em que os mercados financeiros se vão recusar pura e simplesmente a financiar este esquema ponzi".

Portugal é o terceiro país europeu com maior risco atrás da Grécia e Islândia

O custo de subscrever a proteção para um eventual incumprimento da dívida portuguesa é atualmente o terceiro mais elevado entre os países europeus emitentes de dívida soberana, sendo apenas superado pela Grécia e pela Islândia. As preocupações dos investidores com a situação das finanças públicas portuguesas fizeram os Credit Default Swaps (CDS) sobre obrigações de Portugal dispararem durante a última semana, sendo neste momento apenas ultrapassados na Europa pelo risco da Grécia (467,14 pontos), que é o quarto mais alto do mundo, e da Islândia (381,93 pontos), em oitavo lugar.
Os CDS sobre obrigações de Portugal registavam [às 14:50] uma melhoria de três por cento, para 199,74 pontos, de acordo com os dados da CMA Vision, mas estiveram próximos do máximo histórico alcançado em fevereiro (ligeiramente acima dos 200 pontos base). Em termos mundiais, a Venezuela, a Argentina e o Paquistão estão posicionados nos três primeiros lugares dos países com maior risco de incumprimento, seguidos pela já referida Grécia, Ucrânia, Iraque e Dubai. Seguem-se-lhes a Islândia, a Letónia e a República Dominicana, que fecham a lista dos dez países com maiores custos para a proteção de um eventual incumprimento do pagamento das emissões de dívida.
Hoje, especialistas ouvidos pela agência de informação financeira Bloomberg disseram que Portugal poderá ser o próximo país a ficar sob pressão no mercado obrigacionista, caso a ajuda à Grécia não seja uma realidade no curto prazo, apontando precisamente para a evolução dos CDS do país. "Se a Grécia não encontrar o apoio de que necessita, claramente isto levará à criação de um risco sistémico e, neste contexto, Portugal será o próximo país a ficar numa situação vulnerável", afirmou o responsável do departamento de dívida europeia do Deutsche Bank, Dowding, que tem sob gestão 150 mil milhões de euros de ativos em obrigações. O aumento de um ponto base no contrato de proteção de incumprimento (CDS) de 10 milhões de dólares de dívida a cinco anos provoca uma subida de mil dólares por ano nos custos anuais dispendidos para assegurar a sua proteção.
A situação grega levou já hoje o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, a rejeitar comparações entre a situação grega e a portuguesa, como a que foi feita por Simon Johnson, antigo economista-chefe do FMI. "Creio que esses economistas ainda não perceberam que estão a alimentar o negócio de especuladores com intenções duvidosas. A situação da Grécia não pode ser comparada de todo com nenhum outro país", afirmou o governante, acrescentando que a União Europeia deveria questionar como puderam os organismos estatísticos deixar passar os números gregos sem os questionarem.

Sócrates com Passos Coelho

Primeiro encontro a sós durou quase três horas

A reunião do primeiro ministro com o novo líder do PSD contrastou em termos duração com as que teve com a anterior líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, que nem esgotavam os 60 minutos previstos.

A audiência do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, com o primeiro ministro, José Sócrates, em São Bento, prolongou-se quase por três horas.
No final da longa reunião, José Sócrates acompanhou Pedro Passos Coelho à porta da residência oficial do primeiro ministro, mas nenhum dos dois prestou declarações aos jornalistas sobre o teor do encontro, em que estiveram rigorosamente a sós.
José Sócrates, visivelmente bem disposto, inverteu os papéis e foi ele que fez uma pergunta aos jornalistas: "vocês ainda não jantaram?"
A primeira reunião do primeiro ministro com Pedro Passos Coelho contrastou em termos duração com as que teve com a anterior líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, que muitas vezes nem esgotavam os 60 minutos agendados.
O último encontro entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, integrado na tradicional ronda de audiências sobre as cimeiras de chefes de Estado e da União Europeia, durou cerca de 15 minutos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Crise na Igreja Católica

Pontificado de Bento XVI pode paralisar

A poucas semanas de se deslocar a Portugal, o papa enfrenta uma das piores crises da igreja católica, causada por declarações dos seus colaboradores, e que revelam insensatez.

O escritor e especialista em assuntos do Vaticano, John Allen Jr., disse em recente entrevista que a crise provocada pelos abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos contra menores é a mais grave dos primeiros cinco anos de Bento XVI como líder da Igreja Católica, e que ela corre o risco de paralisar "por meses ou anos" o seu pontificado.
O papa Bento XVI, que fez 83 anos na semana passada, completa nesta segunda-feira cinco anos à frente da Igreja Católica. Apesar disso, na entrevista, o especialista em assuntos do Vaticano defende Bento XVI de algumas críticas e afirma que o pontífice fez, antes e depois de sua eleição, "mais do que qualquer dirigente de seu nível na Igreja para responder bem a esta crise".
"Se o Vaticano não desenvolver uma capacidade mais articulada para comunicar e governar, há um sério perigo que este pontificado fique paralisado por meses ou até anos, em tentativas constantes de responder apenas à crise do momento, invés de prosseguir. Aos olhos do mundo, este pontificado é associado a uma cadeia de crises, isto porque o Vaticano não é capaz de comunicar bem com a realidade. E o problema é a falta de competência dos colaboradores de Bento XVI em comunicar e ajudar o papa", diz.
O escritor acrescenta que, "no caso dos abusos sexuais, os comentários do pregador da Casa Pontifícia, Raniero Cantalamessa (que comparou os ataques ao papa por causa dos abusos à perseguição contra os judeus), e do cardeal Angelo Sodano (que na Missa de Páscoa manifestou solidariedade ao papa criticando o "falatório" sobre os abusos sexuais), ou ainda do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano (que disse existir uma relação entre homossexualismo e pedofilia), todos eles queriam ser úteis. Mas eles não tinham consciência de que iriam enfraquecer a Igreja e o papa, que é seu representante, com as suas declarações insensatas", afirmou.
John Allen Jr. diz ainda que, "do ponto de vista da imagem, sem dúvida que a enfraqueceu, e muito. Todos estes escândalos, crises e controvérsias, de certa forma escondem do mundo os aspectos positivos deste pontificado e do papa, cujo ensinamento é elogiado até por pensadores leigos. Isto demonstra uma crise de governo neste Pontificado, porque o trabalho desenvolvido pelo papa não chega às pessoas", acrescenta o especialista em assuntos do Vaticano.

Vulcão da Islândia ataca de novo

Nova nuvem de cinza ameaça Reino Unido

A erupção do vulcão da Islândia intensificou-se, indicam as autoridades britânicas. A crise provocada no sector da aviação civil custou 150 milhões de euros diários, com mais de seis milhões de passageiros bloqueados nos aeroportos .
A erupção do vulcão da Islândia intensificou-se ao final do dia desta segunda-feira, com uma nova nuvem de cinzas que se desloca para a Grã-Bretanha, revelaram esta noite as autoridades aéreas britânicas. «A erupção vulcânica na Islândia intensificou-se e uma nova nuvem de cinzas está a deslocar-se para o Sul e o Leste em direcção a Grã-Bretanha», afirmou o serviço de controlo do tráfego aéreo britânico (NATS). «A última informação do Met Office (Instituto de Meteorologia) mostra que a situação está a piorar em algumas áreas», afirmou o NATS em comunicado.
Os aeroportos escoceses devem seguir em funcionamento a partir das 6h GMT (3h de Brasília), assim como foi anunciado anteriormente, mas o Nats não tinha informações sobre a situação dos aeroportos da Irlanda do Norte. As perspectivas são de que os aeroportos na Escócia possam funcionar a partir das 07:00 horas de terça-feira e que «mais algum» espaço aéreo britânico seja disponibilizado a partir das 13:00, embora os principais aeroportos de Londres devam permanecer encerrados.

O regresso completo à normalidade é esperado até quinta-feira, segundo a organização europeia para a segurança da navegação aérea, a Eurocontrol. Em relação a hoje, apenas foram efectuados 30 por cento dos voos habituais, «pode-se esperar que [os voos efectuados] aumentem entre 10 a 15 por cento na terça-feira e outro tanto na quarta», disse o seu director, Bo Redeborn. «Se as coisas continuarem como estão e o vulcão deixar de emitir cinzas para a Europa, estaremos possivelmente de regresso à normalidade até quinta-feira», acrescentou o director, antes da informação da existência de uma nova nuvem.
Entretanto, a Roménia reabriu completamente o seu espaço aéreo hoje à noite e a Suíça fá-lo-á na terça-feira, a partir das 06:00 TMG. Na Holanda, três aviões descolaram esta noite com destino a Xangai, na China, Dubai e Nova Iorque. A Estónia anunciou a reabertura do seu espaço para terça-feira, durante seis horas, a partir das 00:00 TMG, ao passo que a Letónia já autoriza o sobrevoo do seu território. A Lufthansa anunciou um reinício parcial do seu tráfego na Alemanha, cujo espaço aéreo continua oficialmente fechado, com voos a serem pilotados «à vista». Para terça-feira, a companhia alemã garante que se «realizarão todos os voos de longo curso conforme as previsões», enquanto que «alguns voos internos também se realizarão». A Air France também anunciou o reinício dos voos de longo curso, com partida dos aeroportos parisienses de Roissy e Orly, para terça-feira, tal como uma grande parte dos voos internos.
O Conselho Internacional dos Aeroportos estima em cerca de 6,8 milhões o número total de passageiros que ficaram bloqueados em 313 aeroportos, com milhares a dormirem no espaço aeroportuário. A retoma do tráfego faz-se sob pressão do sector da aviação, que criticou abertamente as restrições de voo, considerando-as excessivas. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, no acrónimo em inglês) criticou a gestão da crise pelos governos da UE, estimando um custo para o sector de 150 milhões de euros diários.

Líder açoriano afirma...

"Não tenho dúvidas que Alegre será apoiado pelo PS"

No encerramento do XIV Congresso do PS/Açores, Carlos César considerou que as próximas eleições presidenciais se vão decidir entre Cavaco Silva e Manuel Alegre.

O presidente do PS/Açores não tem dúvidas quanto ao apoio que os socialistas vão dar à candidatura de Manuel Alegre, considerando que a expressão desse apoio apenas depende da escolha do momento certo. «Não tenho a menor dúvida que de o secretário-geral do PS apenas tem dúvidas quanto à cronologia dos acontecimentos, não tem dúvidas de carácter estratégico», afirmou o líder socialista regional.
Carlos César, que falava aos jornalistas no final da sessão de encerramento do XIV Congresso do PS/Açores, em que participou José Sócrates, considerou que as próximas eleições presidenciais se vão decidir entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. «Há duas candidaturas, uma é de direita e, no que se refere aos Açores, é anti-autonomista, a outra, abrangente e agregadora da esquerda, é protagonizada por Manuel Alegre», salientou. Para Carlos César, «é nesta candidatura que se insere com naturalidade o PS».
O presidente do PS/Açores afirmou que o líder nacional do partido, José Sócrates, integra o «restrito clube de políticos nacionais» cuja adesão à autonomia «não se mede pelas palavras. Foi dos poucos e aquele que mais claramente apoiou a revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores e a Lei de Finanças Regionais que fez justiça aos Açores e aos açorianos», frisou Carlos César, no discurso que encerrou o XIV Congresso do PS/Açores. Nesta intervenção, o líder socialista regional recordou que houve outros, como o actual Presidente da República e o Tribunal Constitucional que, como «irmãos siameses», tiveram uma visão restritiva daquele estatuto.
«Há mais centralismo em certos espíritos de decisores nacionais do que no texto da Constituição da República», criticou. O presidente do PS/Açores admitiu que «nem tudo foi conseguido», pedindo a José Sócrates para «defender numa eventual revisão da Constituição o que defendeu na revisão do estatuto. O presidente do PS é um apoio seguro, bem como o de todo o PS para ganharmos uma autonomia mais segura», considerou.

PSD quer revisão constitucional

«Vice» do PSD justifica revisão constitucional

Marco António Costa explica por que razão as mudanças devem ser efectuadas já. Falou também em criar um novo sistema eleitoral para a Assembleia da República.
O vice-presidente do PSD defendeu sábado à noite que a conjuntura política actual é mais favorável ao arranque dos trabalhos de revisão da Constituição do que após as eleições presidenciais. «Não há pressa da nossa parte, apenas uma lógica consciente de que após as eleições presidenciais, com o avançar do mandato do actual Governo, com o aproximar de actos eleitorais, o ciclo político será sempre mais difícil, porque haverá maiores resistências, uma maior perturbação do ambiente político em Portugal», explicou à Lusa.
Marco António Costa falava em Felgueiras à margem de um jantar que assinalou os seis meses da vitória da coligação «Nova Esperança» (PSD/CDS) neste concelho. A propósito da revisão constitucional, Marco António Costa sublinhou que o seu partido «fez uma proposta pela positiva, construtiva para tentar neste preciso momento fazer-se aquilo que pode ser feito. Devem ser já iniciados os trabalhos. Nós não queremos impor uma visão partidária da revisão constitucional. Nós queremos propor uma solução de discussão entre todos os partidos, em pé de igualdade, das diferentes propostas», insistiu.
O vice-presidente do PSD e líder da distrital do Porto defendeu que «o país precisa de novas políticas e soluções que passam pela revisão constitucional». Como exemplo, defendeu que as entidades reguladoras, «que nem sempre dão as melhores garantias de independência e não têm o desempenho que os portugueses julgariam necessário», deverão passar a ser indicadas pela Assembleia da República e não pelo Governo, como acontece actualmente.
Falou também do «crescente afastamento dos portugueses relativamente à sua classe política», frisando que o combate a esse fenómeno passaria por criar um novo sistema eleitoral para a Assembleia da República. «Um país precisa de um sistema em que os portugueses saibam em quem votam, quem é que os representa e quem é que lhes presta contas do mandato que foi atribuído», observou. Marco António Costa afirmou que a nova direcção do PSD liderada por Pedro Passos Coelho se propõe «apresentar soluções inovadoras para velhos problemas, criando condições para uma revolução tranquila na sociedade portuguesa».

Passos Coelho com Cavaco, entra mudo e sai calado

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, foi ontem recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tendo saído ao fim de uma hora e meia sem prestar declarações aos jornalistas. A audiência na residência oficial do chefe de Estado começou pouco depois das 11:30, tendo Passos Coelho passado pela Sala das Bicas, onde habitualmente aguardam os jornalistas, às 13:10. O novo líder social democrata saiu acompanhado pelo chefe da Casa Civil da Presidência da República, Nunes Liberato.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Lua de Mel" na Madeira

Sócrates na Festa da Flor

Primeiro ministro realçou o "forte empenhamento e colaboração" entre governos para a reconstrução da ilha.

O primeiro-ministro afirmou hoje no Funchal existir "uma forte colaboração e empenhamento" por parte dos governos Regional e da República para concretizar a reconstrução a Madeira o mais rápido possível. "O que há é uma grande colaboração política e de empenhamento politico muito forte do Governo Regional e da República para honrar aquilo que é o desejo de todos os portugueses, que é fazer as coisas bem feitas e depressa", declarou José Sócrates quando questionado sobre o atual relacionamento entre os dois executivos.
"Fiquei agradavelmente surpreendido, primeiro por poder partilhar com os madeirenses este dia que é especial, de alegria, muito emotivo", disse, depois de assistir pela primeira vez ao cortejo da Festa da Flor, no Funchal. Segundo o primeiro-ministro, "todos os portugueses olham para a Madeira neste dia com um nó na garganta de quem se entusiasma ao ver o regresso ao otimismo".
Sócrates garantiu que o Governo da República "vai ajudar a Madeira e o Governo Regional".
"Vamos juntos reconstruir aquilo que falta reconstruir", prometeu, sublinhando que os dois governos têm trabalhado "muito em conjunto e que tem acompanhado com muita proximidade os trabalhos da comissão. Estou satisfeito com a forma como as coisas correram e o mais importante é termos rapidamente bem definido aquilo que é necessário fazer, quanto custa, como vamos fazer, que meios de financiamento vamos definir", mencionou.
Prometeu ainda "novidades" para segunda-feira, após a reunião que vai manter no Funchal com o Governo Regional, sobre os apoios para a reconstrução da Madeira devastada pelo temporal de 20 de fevereiro. "Faço esta visita com a emoção de quem assistiu ao que assistiu há uns tempos atrás e quem verifica este trabalho todo que os madeirenses fizeram, que o Governo Regional fez, e que é recebido por todos os portugueses com uma profunda admiração", sublinhou. "Venho também aqui estar junto dos madeirenses para dizer que nos orgulhamos pelo trabalho que fizeram", adiantou.
O cortejo da Festa da Flor foi o evento escolhido para marcar a transição da imagem de destruição provocada pelo temporal de 20 de fevereiro pela da reposição da total normalidade.
Esta tarde desfilaram pelas ruas do Funchal mais de 1 300 figurantes, distribuídos por nove grupos, mostrando a beleza, cor e variedade de flores naturais da ilha. Quando chegou ao local, Sócrates recebeu um chapéu de palha com o nome "Madeira" e durante todo o cortejo usou um colar de flores e uma orquídea na lapela. Durante a passagem do desfile, o primeiro-ministro recebeu por diversas vezes flores de responsáveis dos diferentes grupos. Milhares madeirenses e turistas aglomeram-se nas principais ruas do Funchal para ver passar o cortejo.
O primeiro-ministro jantou ontem na Quinta Vigia, a convite do presidente do Governo Regional e hoje, segunda-feira, marca presença numa reunião de trabalho entre elementos dos dois governos, seguida de conferência de imprensa.

domingo, 18 de abril de 2010

Domingo especial

O vulcão que quase paralisou a Europa

A nuvem de cinza está a dissipar-se, mas mais de 20 mil voos previstos só para hoje, foram cancelados. Destes, 360 voos têm como destino ou origem Portugal.
A situação do espaço aéreo europeu ficou pior do que com o 11 de setembro nos EUA.

A nuvem de cinzas vulcânicas originária da Islândia está a afetar cada vez mais países europeus. Segundo o posto de observação suíço Payerne, a nuvem de cinzas desceu 2.000 metros de altitude acima do nível do mar na última noite, tornando-se menos densa. "As partículas estão a começar a cair no chão", disse o especialista do observatório Bertrand Calpini, adiantando que a "nuvem está a começar a desaparecer".
Com base em medições feitas hoje de manhã, o especialista afirmou que os resíduos das cinzas vulcânicas já entraram na camada atmosférica que contém o ar que a Humanidade respira e em breve será capaz de detetar partículas da superfície, como aconteceu sábado à noite na estação suíça Jungfrau, situada a 3 600 metros de altitude. Apesar da nuvem estar a diluir-se, Bertrand Calpini não exclui a hipótese do vulcão islandês enviar outra onda de cinzas.
Cerca de 20 mil voos previstos para hoje em toda a Europa encontram-se cancelados, devido ao encerramento da "maior parte" do espaço aéreo europeu. O último balanço da Agência Europeia para a Segurança e Navegação Aérea - Eurocontrol indica que apenas 4.000 dos 24.000 voos previstos durante o dia de hoje poderão operar.
Entre quinta feira e o final do dia de hoje serão cerca de 63 mil os voos cancelados em toda a Europa. Segundo a Eurocontrol, os países europeus que encerraram total ou parcialmente o espaço aéreo são: Áustria, Bélgica, Croácia, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, a maior parte de França, Hungria, Irlanda, norte de Itália, Holanda, Noruega, Polónia, Roménia, Servia, Eslovénia, norte de Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e o Reino Unido. Entretanto, o espaço aéreo da Croácia e Roménia foi reaberto.
Em Espanha já são 16 os aeroportos encerrados. O espaço aéreo alemão vai manter-se encerrado pelo menos até às 18:00 de hoje (19:00 em Lisboa), um problema comum aos 16 aeroportos internacionais do país, assim como a todos os aeródromos regionais. O espaço aéreo holandês vai manter-se fechado até pelo menos as 12:00 GMT (13:00 em Lisboa), enquanto a maioria dos aeroportos franceses se conserva igualmente encerrada.
As autoridades francesas anunciaram já a intenção de manter os aeroportos encerrados até pelo menos às 08:00 de segunda feira (07:00 de segunda feira em Lisboa). Em Itália, os aeroportos do norte do país permanecem também sem operar aviões. No sul do país, os aeroportos estão operacionais, mas com grandes atrasos e cancelamentos. O espaço aéreo dinamarquês e o austríaco ficarão, por seu lado, encerrados, até às 02:00 de segunda feira (mais uma do que em Lisboa).

Entretanto, as autoridades da Bulgária decidiram encerrar parcialmente o espaço aéreo do país a partir das 06:00 GMT de hoje (07:00 em Lisboa), mas sem afetar o aeroporto da capital Sofia. Também o espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia continuará fechado pelo menos até à tarde de hoje.
Na República Checa, as previsões de hoje de manhã apontam para o encerramento do espaço aéreo até segunda feira às 12:00 locais (11:00 em Lisboa). O espaço aéreo croata e bósnio foi encerrado hoje de manhã, pelo menos até às 12:00 locais.
Em Portugal, mais de 360 voos foram cancelados até ao meio dia de hoje, devido ao encerramento de vários aeroportos na Europa provocado pela nuvem vulcânica com origem na Islândia, segundo a ANA - Aeroportos de Portugal. No conjunto dos aeroportos nacionais geridos pela ANA e ANAM-Aeroportos da Madeira foram cancelados 364 voos entre as 00:00h e as 12:00. "A maioria dos destinos e origens destes voos continuam a ser na Europa Central, Europa do Norte e Reino Unido", refere a ANA em comunicado enviado à agência Lusa.
O maior número de voos cancelados (155) foi no Aeroporto de Lisboa, sendo que 78 se referem a partidas e 77 a chegadas. No Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, foram cancelados 81 voos (41 partidas e 40 chegadas) e no Aeroporto de Faro 114 voos (58 partidas e 56 chegadas).
Dois voos (uma partida e uma chegada) foram cancelados no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, enquanto no Aeroporto da Madeira, gerido pela ANAM, foram anulados 12 voos (seis partidas e 6 chegadas).
A ANA - Aeroportos de Portugal, que fará novo balanço da situação às 17:30, aconselha os passageiros que tenham os seus voos planeados para hoje a contactar as companhias aéreas ou as agências de viagens antes de se dirigirem para os aeroportos. Apesar de algumas companhias aèreas já terem efectuado voos de teste, a TAP não o vair fazer, esperanto o resultado das outras companhias como a KLM, a Air France e a Air Berlin.

Cavaco Silva ficou retido em Praga

Regressou de carro, mas pode não sair de Barcelona esta noite de avião.

A Presidência da República está a ser permanentemente informada sobre a situação no aeroporto de Barcelona, mas neste momento é ainda "imprevisível" saber se Cavaco Silva conseguirá partir daquela cidade espanhola para Lisboa ao início da noite. Segundo fonte da Presidência da República, as informações fornecidas pelas autoridades espanholas estão permanentemente a ser atualizadas. Por isso, a Presidência da República irá fazer uma "nova avaliação da situação" a meio da tarde, com as informações que dispuser nessa altura.
O chefe de Estado saíu de carro de Praga com destino a Estrasburgo, de onde partiu às 08:10 locais (07:10 em Lisboa), cidade francesa onde chegou no sábado ao início da noite, depois de uma viagem de 600 quilómetros desde Praga, onde ficou retido na sexta feira devido à nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia. A chegada de Cavaco Silva a Barcelona está prevista para o início da noite e se o aeroporto daquela cidade da Catalunha estiver aberto, o Presidente da República terá à sua espera um Falcon para o transportar para Lisboa.
A restante comitiva será transportada para a capital portuguesa num C-130 da Força Aérea.
Caso o aeroporto de Barcelona encerre, Cavaco Silva e a toda a comitiva presidencial irá passar a noite naquela cidade espanhola, seguindo a viagem para Lisboa por via terrestre na manhã de segunda feira. Fonte oficial da TAP disse esta manhã à Lusa que o aeroporto de Barcelona foi hoje encerrado devido à nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia. Segundo informações dos Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea, o aeroporto de Barcelona foi encerrado por razões de segurança às 08:30 e deverá abrir às 16:00 (horas locais, 15:00 em Lisboa).

Contratempos para uns, sorte para outros

Houve um sortudo no meio da erupção do vulcão na Islândia. Devido ao cancelamento de voos da Irlanda do Norte para destinos fora da Grã-Bretanha, um taxista de Belfast facturou, nada mais, nada menos, do que 800 euros, com uma só viagem. O taxista Duffy precisou de 24 horas para levar um grupo de empresários de Belfast a Londres: depois de atravessar o mar entre a Irlanda e a Grã-Bretanha continuou por terra até ao aeroporto de Heathrow, a oeste de Londres. “Recebi uma chamada para ir até ao Hotel Hilton, em Belfast. A caminho do barco, eles perguntaram-me se eu podia levá-los a Londres. Pensava que era uma piada, mas eles disseram que era a sério”, contou o taxista à BBC.Apanhar um táxi, justificaram os empresários, saía mais barato do que pagar todos os bilhetes de autocarro ou comboio. No final dos 640 quilómetros, os passageiros ainda ofereceram uma gorjeta de 57 euros. A empresa de táxis onde Duffy trabalha - a Fonacab - afirmou que a viagem até Londres foi a mais longa e cara que qualquer taxista da empresa já fez.

Nem a força do vulcão os fez demover

O bloqueio aéreo europeu está a ter efeitos um pouco por todo o mundo. Ao que parece, a nuvem de cinzas insiste em estragar os planos de milhares de pessoas, até de um casal de noivos. Mas os namorados, um britânico e uma australiana, não se deram por vencidos e nem um vulcão os fez desistir do seu grande sonho: casar.
A decisão tinha sido tomada há três semanas, na Austrália, e o casamento estava já marcado para este fim-de-semana, na cidade inglesa de Ealing. No entanto, ao tentar voar para a Inglaterra, Sean Murtagh e Natalia foram surpreendidos pelo caos aéreo e obrigados a permanecer no Dubai. Um pequeno contratempo que não fez com que alterassem os seus planos.
A paixão do casal não cedeu... nem a um vulcão. E os noivos decidiram casar-se online.
Os funcionários do hotel ajudaram o casal a preparar a transmissão da cerimónia via net para que os parentes e amigos pudessem acompanhar tudo. «Os empregados decoraram o hotel. Fizeram um bolo de três andares e arranjaram um computador portátil com o programa Skype e um projector», revelou o noivo, satisfeito. Um casamento original, diz Carolina Black, que conduziu a cerimónia online a partir de Londres. Afinal «foi um casamento como outro qualquer, só a noiva e o noivo não estavam presentes».

Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudos/home.html

Crónica de Domingo

Hoje eles(as) são os filhos do lixo

"Gravei a tristeza, a resignação, a imagem daquelas crianças minúsculas, sujas e seminuas, contentes comendo lixo. Sentadas sobre o lixo. Uma a cuidar do irmãozinho menor, que escalava a montanha de lixo. Criadas, como as suas mães, acreditando que Deus queria isso".

Há quem diga que dou esperança quando escrevo; há quem proteste que sou pessimista quando falo, e também algumas vezes quando escrevo de certos temas. Pricipalmente de política. Eu digo que os maiores optimistas são aqueles que, apesar do que vivem, sofrem ou observam, continuam apostando numa vida esperançosa, trabalhando, cultivando afectos e mantendo projectos. Às vezes, porém, escrevo com dor. Como hoje, por exemplo.
Acabei de assistir há dias, a uma reportagem na TV Globo sobre a pobreza em Portugal, visando com especial destaque crianças que vivem de “catar lixo” em contentores e lixeriras. Nela envolvem portugueses e imigrantes sem qualquer diferenciação, esta só reconhecida por que conhecer bem o ADN de “ser português”. Digamos que mostraram quem são o lixo desse país, e nós enquanto portugueses, permitimos e criámos as condições para que isso esteja acontecer. Eu mesmo já vi com estes olhos de gente morando agora junto de grandes lixões, algumas crianças disputando com abutres pedaços de comida estragada para matar a fome. E não foi em Portugal.
Mas o que me interessa agora, é falar da minha terra. A reportagem pode considerar-se uma história de terror – mas verdadeira, nossa, desse país. Uma jovem de menos de 20 anos trazia num carrinho feito de madeiras velhas e latas os seus três filhos, de 4, 2 e 1 ano. Chegavam ao vazadouro de lixo, e a maiorzinha, já treinada, saía a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo começavam os três a comer, e a mãe, indagada pela reporter, explicou num mau português, mas perceptível e com simplicidade: "A gente tem de sobreviver, não é?".
O relato dessa quase adolescente e o de outras eram parecidos: todas com filhos pequenos, duas novamente grávidas e, como diziam, vivendo a sua sina – como a sua mãe, e sua avó já viveram, antes delas no século passado em tempos de ditadura. Uma chorou, dizendo que tinha estudado, mas então precisou de ajudar em casa e foi catar lixo, como outras mulheres da família já o faziam. "É a minha sina", repetiu, e olhou a filha que amamentava. "E essa aí?", perguntou a jornalista. "Essa, bom, depende, gostava que não, mas Deus é quem sabe. Se Ele quiser..."
Os diálogos foram mais ou menos assim; repito de memória, porque não gravei. Mas gravei a tristeza, a resignação, a dura imagem daquelas crianças minúsculas e seminuas, meias sujas e contentes comendo do lixo. Sentadas sobre o lixo. Uma cuidando do irmãozito menor, que escalava a montanha de lixo. Criadas como estão a ser, como suas mães, acreditando que Deus queria isso.
Não sei como é possível alguém dizer que o nosso país vai bem enquanto estes factos, e outros semelhantes, acontecem. E desconheço se tal tipo de reportagem acontece nos media portugueses. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a impunidade e o falso ufanismo e a corrupção reinante nos tempos que correm. Ouvimos dizer a toda hora que o país está no bom caminho, que os políticos se entendem e têm encontradas as soluções certas. Claro que não é verdade.
Em algumas pequenas coisas, talvez, melhorámos. Temos vacinas. Existem hospitais e ensino públicos – ainda que atrasados e muito ruins. Temos alguns benefícios, como apoios sociais – embora miseráveis –, e uma precária estabilidade económica. Não é preciso lupa: andamos de facto, um pouco mais bem equipados do que há 100 anos atrás...
Mas quem somos, afinal? Que país somos, em que gente nos tornamos, se podemos ver tudo isso e continuamos comendo, bebendo, divertindo, viajando, trabalhando e estudando como se nada fosse connosco? Deve ser o nosso modo de sobreviver, tão portuga e enraizado no “olhar para o umbigo” – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse outro lixo moral em seco, e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos convencermos de que isso acontece no nosso meio, no nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte disso, responsáveis por isso, que sentiríamos? O que se poderia - ou devia - fazer?
Pelo menos, reclamar, protestar, denunciar. Achar que nem tudo está tão maravilhoso como nos querem fazer crer. Procurar eleger pessoas de bem, interessadas, que cuidassem dos contentores do lixo, mas também dos que continuam pobres, da saúde pública, das camas e casas que faltam aos milhares de sem abrigo, dos colégios desprovidos, de tudo isso que cansativa mas incansavelmente tantos de nós têm dito e escrito. Que pelo menos a gente saiba e, em vez de disfarçar, espalhe essa realidade nua e crua. Não para criar hostilidade e desordem, mas para mudar um pouco essa torpe mentalidade. Para que nunca mais crianças que vivam em Portugal sejam filhas do lixo, nem mães dizendo que aquela é a sua sina, porque Deus quer que o seja assim.
De certeza, que Deus não quer assim. Os deuses não inventaram a indiferença, a crueldade, o mal estar causado pelo homem. Nem mandaram desviar o olhar para não ver um menino a meter avidamente na boca restos de um bolo encontrado no lixo, talvez a sua única refeição daquele dia. E, naquele instante, a câmera captou a sua irmãzinha num grande sorriso inocente atrás de um desengonçado par de óculos cor-de-rosa que acabara de encontrar: e assim se iluminou por um breve instante aquela enorme, imensa e trágica realidade.

Carlos Ferreira
Nota:
Pelas "400 mil visitas" (perto de serem atingidas...), obrigado aos leitores pelas suas mensagens. Que fique claro que, o estímulo deste site têm sido sempre os seus leitores. Sem eles, não valeria a pena escrever fosse o que fosse. Porque isto não é um blogue pessoal, mas colectivo. Todos estão de facto de parabéns!

algarve.reporter@live.com.pt

Opinião do Leitor

Portugal, visto do Brasil
(Por Hugo Henriques)

NA MARCA DO PENALTY

Fortaleza, 32 graus, 10h da manhã de frente para o mar, e lá longe minha mente se concentra num lugar chamado PORTUGAL, para muitos um jardim á beira-mar plantado, terra de grandes feitos, terra do FADO (ah grande MARCENEIRO), mas também, terra de tristeza, maledicência, padrasto e carrasco de sua massa cinzenta, a caminho da sua pobreza franciscana por conta de políticos e políticas incompetentes, hipotecando as gerações futuras correndo assim o risco de se transformar em TERRA DE NINGUEM, e a pergunta que não quer calar, e vale um milhão de euros: DE QUEM É EFETIVAMENTE A CULPA?
Inicialmente tudo aponta para os homens de cinzento e preto (se bem que ultimamente há uns mais “coloridos”) que se cruzam numa assembléia dita casa do povo, se movimentam em carros luxuosos e fazem uma dieta á base de uma boa picanha argentina ou de um bacalhau da Noruega, regado com um bom vinho chileno ou francês com um wisky 12 anos a fazer companhia ao tradicional café, (nada de charutos... a malta está de olho, também era demais!) podendo assim mansamente contemplar a majestosa montanha de bosta que serviram aos portugueses com todo o amor e carinho, mas se olharmos com mais atenção e isenção, teremos que perguntar a bem da verdade qual foi o papel dos portugueses nesta crônica de uma falência anunciada, até porque isto tudo não aconteceu da noite para o dia, no mínimo podemos afirmar com toda a certeza que foram todos cúmplices, ou por omissão, comodismo ou também porque fizeram parte da falcatrua pegada que tomou conta do país.
Desde a entrada no famoso mercado comum por mão de MÁRIO SOARES, tornamo-nos num povo preguiçoso (nos últimos 25 anos simplesmente nos recusamos a fazer trabalhos menores, assim sendo... viva os ucranianos, brasileiros, russos, etc. para quem aí viveu na década de 60, deve dizer já ouvi isto em qualquer lado... portugueses imigrados em França a fazer o que mais ninguém queria fazer. lembram-se?), hoje pedante, a viver constantemente acima das suas possibilidades, e pior ainda, nesta altura dificílima continuamos a exigir uma solução sem querer dar nada em troca nem trocar as regras do jogo mantendo jogadores viciados e sem idéias nos locais de decisão.
É necessário elaborar uma lista de prioridades, é altura de botar a mão na massa, arregaçar as mangas e trabalhar arduamente que se faz tarde, temos efetivamente um problema de alucinação e acomodação coletiva, acreditando em HARRY PORTER e suas mágicas, há que fazer uma ruptura na vertical vamos ter que fraturar o sistema e para isso acontecer é necessário, aliás, indispensável formar um MSN - MOVIMENTO DE SALVAÇÃO NACIONAL. A hora é de união, cerrar fileiras, formar um governo de salvação nacional, ir buscar os melhores quadros a independentes e todos os partidos, e ao setor privado, manter em funcionamento a Assembléia da Republica, mas suspender qualquer eleição nos próximos dez (10) anos, assim, evita-se perder o foco com disputas eleitorais e promessas demagógicas, privatizar as grandes multinacionais (EDP, PT, etc.) criar uma comissão fiscalizadora com participação popular para fiscalizar os bancos agregando um aumento nas taxas a cobrar aos mesmos.
Ao povo português cabe, poupar em suas despesas e PARAR com o endividamento, trabalhar ao sábado para aumentar a produção, diminuir os feriados, e aguentar heroicamente e patrioticamente o congelamento de salários, ser solidário, acreditar e consciencializar que o problema de um é de todos, e que todos juntos fizemos acontecer,.
Sem este tipo de atitudes, infelizmente não há volta a dar a esta situação.
É ISTO OU NADA... É PEGAR OU LARGAR (os filhos e netos agradecem)! A bola está na marca de grande penalidade... é só escolher o lado para onde chutar!...UMA MÃO CHEIA DE VENTO E OUTRA CHEIA DE NADA... mas há algo que todos temos que ter, e que é a coisa mais valiosa...VONTADE!
ÁS ARMAS ÁS ARMAS CONTRA A FALÊNCIA... TRABALHAR, TRABALHAR!

(escreveu de Fortaleza)

sábado, 17 de abril de 2010

COMEMORAMOS ENTRE DOMINGO E SEGUNDA 400 MIL VISITAS !

Fim de Semana

"Ano de Portugal na China"

Depois da China comemorar com multiplicado sucesso o seu comércio há vários anos em Portugal, em 2011 e apesar das "limitações orçamentais", o galo vai ficar de olhos em bico...

Portugal vai promover um ano de actividades culturais na China em 2011, para "projetar a arte, a cultura e a língua portuguesas", concretizando "um compromisso assumido" pelo Primeiro-ministro, disse o ministro dos Negócios estrangeiros, Luis Amado.
Luis Amado, que concluiu hoje em Pequim um périplo de cinco dias pelo nordeste asiático, alertou, contudo, que a programação do Ano de Portugal na China terá "limitações em termos orçamentais. No contexto das dificuldades financeiras que o país conhece não podemos ser muito ambiciosos", disse.
A realização de um "Ano de Portugal na China", inspirada em idênticas iniciativas promovidas pela França, Itália, Grécia, Espanha e outros países, foi anunciada pelo primeiro-ministro, Jose Sócrates, durante a sua primeira visita oficial a Pequim, em janeiro de 2007. Na altura - recordou Luís Amado - "foi decidido assumir o compromisso de projetar o nome de Portugal na China através da celebração de um ano de iniciativas de âmbito cultural".
"Tendo sido tomada essa orientação, teremos de organizar um programa para o próximo ano que possa dar alguma projeção à arte, à cultura e à língua portuguesas na China, e em particular em Pequim", acrescentou. Luis Amado adiantou que o programa, com exposições, espectáculos e outras iniciativas, está a ser preparado por uma equipa dirigida pelo embaixador Carlos Pais e envolve também "a promoção de Portugal em todo o continente asiático nos próximos anos". O governo chinês não irá organizar um Ano da China em Portugal, como fez em França, Itália ou Grécia, mas Luis Amado desvalorizou a falta de reciprocidade.
"O interesse em projetar melhor a marca e imagem de Portugal neste grande pais é nosso (...) A economia chinesa está em continuo crescimento e nós queremos que constitua também um importante mercado para os produtos e para a língua e cultura portuguesa", afirmou. Este modelo de promoção foi lançado em 1999 pelo então presidente francês, Jacques Chirac, e pelo seu homologo chinês, Jiang Zemin.
A realização do Ano da França na China, em 2004/05, custou cerca de 82 milhões de euros e a Grécia investiu mais de 40 milhões de euros no seu ano (2007/08), disse fonte diplomática europeia em Pequim. Em fevereiro passado, após uma visita a Pequim, Xangai e Macau, o deputado do PSD pelo círculo da Emigração José Cesário manifestou-se preocupado com a preparação do Ano de Portugal na China.
"E altura de serem tomadas decisões em definitivo porque é óbvio que não seria admissível neste momento uma hipotética desistência (...) É um desafio muito difícil e até bastante ambicioso, mas já que demos este passo não podemos correr o risco de que a imagem de Portugal fique minimamente comprometida", afirmou José Cesário. Em declarações à agência Lusa em Pequim, o ministro português dos Negócios Estrangeiros defendeu "uma relação muito mais ambiciosa" com a China e o "inadiável reforço" da presença diplomática, económica e cultural portuguesa no país.
"Temos que olhar para a nossa relação com a China de uma forma muito mais ambiciosa. Estamos a virar uma página da Historia do mundo e é preciso ter consciência das profundas mudanças que estão a ocorrer (...) A China está nessa nova página", disse. Luis Amado, cujo périplo pelo nordeste asiático incluiu também a Mongólia e a Coreia do Sul, regressa hoje a Lisboa,