"Reforço do capital do sistema bancário afigura-se imprescindível para assegurar a sua capacidade de resistência a choques adversos adicionais”, defende relatório do Banco de Portugal.As dificuldades de acesso ao crédito estão a aumentar e os bancos portugueses devem procurar novas formas de financiamento, adverte o Banco de Portugal. O Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado hoje, confirma que os tempos são difíceis para a banca portuguesa, devido à crise financeira e à pressão dos mercados internacionais, que estão a criar graves problemas de liquidez. O supervisor reconhece que nos últimos meses houve “alguma diminuição do recurso a financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE)”, no entanto, os bancos portugueses devem “continuar a promover políticas de ajustamento do balanço e de captação de recursos financeiros alternativos, em particular procurando alargar a sua base de clientes e a oferta de produtos atractivos de aplicação de poupanças”.
Para evitar os problemas de liquidez, a instituição liderada pelo governador Carlos Costa considera que "o reforço do capital do sistema bancário afigura-se imprescindível para assegurar a sua capacidade de resistência a choques adversos adicionais”. O supervisor considera que a interacção entre a crise da dívida soberana e o “risco do sistema bancário constitui, no caso português, o principal risco associado ao desempenho futuro dos bancos portugueses”. “Esse risco tornar-se-á incomportável caso não se assista à implementação das medidas de política que permitam consolidar, de forma credível e sustentada, as finanças públicas portuguesas”, sublinha o relatório do Banco de Portugal.
Bruxelas prevê nova recessão em Portugal no próximo ano
As previsões de Outono, hoje divulgadas pela Comissão Europeia, coincidem com as previsões de Lisboa para este ano, mas divergem para 2011. A Comissão Europeia considera que a economia portuguesa vai fechar o ano de 2010 dentro das previsões do Governo, mas traça um quadro bem mais pessimista para 2011, antecipando uma nova recessão em meados do próximo ano. De acordo com as previsões económicas de Outono divulgadas hoje em Bruxelas, a economia portuguesa vai entrar em contracção no último trimestre deste ano, situação que se manterá durante a primeira metade de 2011 – ou seja, Portugal entrará em situação de recessão técnica.
Para o conjunto do próximo ano, Bruxelas antecipa uma contracção da economia nacional em 1%, enquanto o Governo ainda acredita num crescimento de 0,2%. A confirmar-se esta previsão, Portugal e Grécia serão mesmo os únicos países da Zona Euro com crescimento negativo em 2011. A análise estende-se à evolução do défice, com a Comissão a não acreditar no cumprimento da meta dos 4,6% traçada pelo Governo e a prever um pouco mais elevado, de 4,9%. Em relação ao mercado laboral, Bruxelas aponta para uma deterioração da situação, com uma estimativa de desemprego de 10,5% este ano e de 11,1% no próximo.
Por outro lado, o executivo comunitário aponta para um crescimento económico de 1,3% em 2010 - mais do dobro do previsto em Maio e exactamente o mesmo valor esperado pelo Governo português. Também em relação ao défice, Bruxelas acredita que Lisboa vai conseguir este ano a redução prevista para os 7,3%, de acordo com o compromisso assumido pelo Governo. Olli Rehn, o comissário dos Assuntos Económicos e Monetários, afirmou na apresentação das previsões de Outono que se Portugal não cumprir as metas previstas para o défice terá de adoptar medidas adicionais.






