O Presidente da República defende que deve dar contributo à Justiça "de uma forma discreta". Cavaco referia-se subtilmente à entrevista dada por Paulo Rangel (PSD) ao jornal i.O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu que deve contribuir "de uma forma discreta" para o funcionamento das instituições judiciais, nomeadamente do Ministério Público. Cavaco Silva comentava aos jornalistas, em Sernancelhe, as declarações feitas na quinta feira pelo procurador geral da República, segundo o qual o Presidente da República se mostrou "preocupado com o estado da Justiça".
"Eu, como Presidente da República, entendo que, de uma forma discreta, devo contribuir para um funcionamento com toda a normalidade das instituições judiciais, neste caso em particular do Ministério Público. E contribuir para que se reforce a confiança dos portugueses na justiça, na investigação criminal", respondeu aos jornalistas, quando questionado sobre quais eram as suas preocupações. No entanto, Cavaco Silva disse entender que "um Presidente da República que queira exercer uma efetiva magistratura de influência não deve tratar dessas matérias na praça pública".
"O protagonismo mediático não joga com a eficiência da magistratura de influência de um Presidente da República. E há alguns que ainda não entenderam isto no nosso país", considerou. Isto porque, na sua opinião, "um Presidente da República que queira ter uma influência efetiva na sua magistratura muitas vezes tem que atuar de forma discreta". Quando questionado sobre se pretendia recandidatar-se, Cavaco Silva optou por lembrar o seu historial relacionado com o concelho de Sernancelhe.
"Vim aqui como primeiro ministro, cumprindo a minha obrigação. Vim depois mais tarde na caminhada da minha eleição para falar às gentes do interior e agora regresso aqui como Presidente da República. Estou a fazer a minha obrigação, cada coisa no seu tempo, procurando desempenhar bem as tarefas que me cabem quando estou nesta ou na outra função", afirmou. Apesar de não estar previsto no programa oficial divulgado pela Presidência da República, Cavaco Silva assiste hoje à noite, em Lamego, à antestreia da produção moçambicana baseada no livro de Mia Couto "O último voo do flamingo", que marca o arranque da segunda edição do Douro Film Harvest.
Cavaco diz que se deve "falar verdade" aos portugueses sobre desemprego
O Presidente da República defendeu ontem que "é fundamental falar verdade aos portugueses" para que o país consiga atingir o "grande objetivo" de redução da taxa do desemprego. "É fundamental falar verdade aos portugueses, porque falando verdade aos portugueses eles têm comportamentos que são consistentes com os objetivos que queremos alcançar", afirmou Cavaco Silva durante uma sessão na Câmara de Tarouca, onde prestou uma homenagem aos emigrantes, alguns dos quais abandonaram Portugal à procura de emprego.
Cavaco Silva considerou que, "tendo uma boa informação, cada um comporta-se e tem uma atitude coerente" com o objetivo da redução da taxa de desemprego. No seu entender, a "maior dificuldade" e o "maior drama" que atinge Portugal é o desemprego, lembrando que "cerca de 600 mil portugueses fazem diligências para encontrar emprego e não conseguem". Desses, "72 por cento estão nessa situação há mais de seis meses e 55 por cento estão desempregados há mais de um ano", lamentou.
"Cada um de nós pode imaginar a angústia destas famílias, o desespero, a carência alimentar que pode atingir alguns desses portugueses, a incerteza com que olham o futuro", afirmou. Neste âmbito, o Presidente da República considerou ser "uma obrigação de todos" os portugueses contribuir "para que se avance no combate ao desemprego" e que, para isso, "é preciso colocar Portugal numa trajetória de recuperação económica".
"E aí nós precisamos do contributo das pequenas e das grandes empresas, dos grandes e dos pequenos concelhos, das comunidades do litoral e das comunidades do interior", sublinhou. Na opinião de Cavaco Silva, só através dessa junção se poderá "mais rapidamente colocar Portugal numa trajetória de recuperação económica e de criação de emprego. Exige-se que as instituições da nossa democracia, no seu funcionamento, sejam um exemplo de eficiência no seu trabalho, de realismo e de união de esforços. Que cada instituição faça bem a tarefa que lhe compete", acrescentou.


















