Quase 5 milhões de euros só para este ano
Conselho de Administração da Assembleia da República corta nas viagens e publicações e poupa 4,6 ME.
O Conselho de Administração da Assembleia da República aprovou ontem uma poupança de 4,6 milhões de euros para este ano, com medidas como a utilização de voos de classe económica em viagens curtas ou redução nos encargos com publicações. Numa nota enviada à comunicação social pelo gabinete da Secretária Geral da Assembleia, Adelina Sá Carvalho, refere-se que o Conselho de Administração aprovou hoje uma poupança que corresponde a uma redução de 5,4% num orçamento que, em relação a 2009, já tinha uma diminuição de 3,9%.
A poupança, detalha o comunicado, traduz-se em perto de 2,2 milhões de euros em despesas de capital, tendo sido recalendarizados "vários investimentos", e de quase 2,5 milhões de euros em despesas de funcionamento. Nas despesas correntes, o projecto de orçamento suplementar para este ano estima que uma poupança de cerca de 400.000 euros decorre da redução a título excepcional de 5% no vencimento dos deputados.
Para a diminuição das despesas correntes, refere a nota, "contribuiu ainda quer a adoção, a título excecional, do uso da classe económica para deslocações oficiais cuja duração de voo não ultrapasse as três horas, de que resulta uma redução estimada em 305.000 euros, quer as reduções nos encargos previstos para a actividade editorial no valor global de 772.565 euros". O Conselho de Administração aprovou ainda um conjunto de recomendações para o reforço do controle das despesas com comunicações, consumíveis e consumos energéticos.
Primeiro ministro defende que aumento do IRS retroativo a janeiro é "constitucionalmente sustentado"O primeiro ministro manifestou-se ontem convicto que a proposta de lei para aumentar as taxas do IRS abrangendo o rendimento desde janeiro "é constitucionalmente sustentada", em resposta ao líder do CDS-PP. No debate quinzenal, Paulo Portas citou recentes declarações do constitucionalista Jorge Miranda que defendeu a inconstitucionalidade da tributação retroativa dos rendimentos, e avisou que se o Governo não recuar nessa matéria "os tribunais julgarão".
"O primeiro ministro pode quebrar uma promessa e aumentar impostos daqui para a frente, os portugueses dirão, o que o senhor primeiro ministro não pode é aumentar os impostos para o passado porque aí os tribunais julgarão", advertiu Paulo Portas, questionando José Sócrates sobre se está disponível para "ouvir os constitucionalistas". De contrário, considerou, o Governo estará a "dizer à sociedade que comete ilegalidades ao mesmo tempo que pede à sociedade que cumpra a lei".
"A verdade é que aquilo que é a proposta do Governo é uma proposta que é assente em princípios de confiança em matéria fiscal e se acha que os tribunais julgarão, pois muito bem, nós achamos que eles julgarão e julgarão bem", começou por responder José Sócrates. O primeiro ministro afirmou que "o governo está bem ciente e bem seguro de que aquilo que propõe", acrescentando que a proposta de lei, aprovada quinta feira na generalidade, é "uma proposta constitucionalmente sustentada" e é feita para responder às necessidades do país.
Jorge Miranda criticou quinta feira, em declarações à Rádio Renascença, a ideia defendida pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, segundo a qual o princípio constitucional da não retroatividade das medidas fiscais não é um "valor absoluto". Assumindo que a proposta de lei do Governo afeta os rendimentos anteriores à entrada em vigor da lei, Teixeira dos Santos, hoje ausente do debate quinzenal, recusou assim a proposta de alteração do CDS-PP para excluir da tributação acrescida os rendimentos dos primeiros cinco meses do ano.
PSD acusa Governo de estar "sem estratégia" para "calamidade social" do desempregoO líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, acusou ontem o Governo de estar "de braços cruzados" e "sem estratégia" face ao crescimento dos números do desemprego no país, que qualificou como "uma calamidade social, porque Portugal tem já hoje cerca de 600 mil desempregados (...) esta situação é uma verdadeira chaga social, uma calamidade social que temos em Portugal. É um número que não tem paralelo nas décadas anteriores em Portugal. Nunca vimos uma situação como esta", disse, no debate quinzenal com o primeiro ministro, José Sócrates.
Para o líder da bancada social democrata, perante esta realidade o executivo está "de braços cruzados, parado, incapaz e impotente (...) totalmente paralisado, sem estratégia, sem rumo, sem definição de objetivos. O Governo reagiu de forma absolutamente patética aos números do desemprego. Entreteve-se com questões de vírgulas e de décimas, de técnica estatística, como se os desempregados fossem vírgulas e décimas", declarou. Em resposta, José Sócrates reconheceu o "problema seríssimo do ponto de vista económico e social" do desemprego, mas considerou "pouco sério" não considerar que o número de desempregados "subiu em todos os países do mundo desenvolvido nos últimos dois anos".
O primeiro ministro devolveu depois a acusação referindo que a última subida do desemprego, entre 2002 e 2005, coincidiu com um Governo liderado pelo PSD e ocorreu "quando não havia nenhuma crise no mundo" e criticou os sociais democratas por verberarem contra a ação do Governo em matéria de combate ao desemprego e, ao mesmo tempo, defenderem a diminuição do investimento público. "Como é que o senhor deputado compagina aquilo que é o apelo do PSD para que o Governo combata o desemprego com os insistentes apelos do PSD para que o Governo não promova nenhum investimento, investimento esse que dá emprego", questionou José Sócrates. E acrescentou: "Sem investimento é que não há emprego. E a batalha que o PSD tem feito contra o investimento público em nada beneficia nenhum potencial desempregado que queira ter emprego".
Em defesa da ação do executivo na promoção do investimento e das exportações, vias para mitigar o desemprego, o primeiro ministro comentou: "O senhor deputado não tem visto televisão ultimamente e por onde anda o Governo na promoção das exportações e da diplomacia económica?" "Quero registar a confissão do senhor primeiro ministro de que governa para a televisão", ironizou Miguel Macedo, acusando José Sócrates de "estar em estado de negação" em relação ao desemprego.
Pedidos de reforma na função pública caíram 49% entre abril e maioO número de pedidos de reforma que entrou na Caixa Geral de Aposentações (CGA) em maio baixou 49 por cento em relação a abril, mas aumentou face ao mesmo mês de 2009, anunciou o Ministério das Finanças. Em maio, entraram na CGA 2.014 pedidos de reforma, menos 1.929 pedidos do que no mês anterior, segundo o Ministério das Finanças.
"Naturalmente que esperávamos um forte abrandamento deste movimento precisamente porque grande número dos requerimentos que iriam ocorrer ao longo dos próximos meses foram antecipados para antes da entrada em vigor do Orçamento do Estado", disse à Lusa o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, Emanuel Augusto dos Santos. No entanto, face a maio do ano passado, o número de pedidos de reforma que deu entrada na CGA aumentou ligeiramente, tendo passado de 1.947 para 2.014.
Já o número de novas reformas atribuídas no primeiro semestre deste ano desceu face ao período homólogo. "De janeiro a junho de 2010 foram atribuídas 10.744 novas reformas, o que compara com 12.349 no período homólogo de 2009", de acordo com o Ministério das Finanças. "Não obstante o aumento de pedidos de aposentação nos primeiros meses do ano, a situação financeira da CGA está controlada", disse o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento.
"Para isso contribuíram as medidas de carácter estrutural que foram tomadas nos últimos anos visando a convergência do regime da função pública para o regime da Segurança Social aplicável ao sector privado", sublinhou o governante. Das medidas postas em prática nos últimos anos, o secretário de Estado destacou "o aumento da idade da reforma para os 65 anos e a progressiva integração de toda a carreira contributiva na fórmula de cálculo da pensão".