Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Polis: 10 anos

Polémico projecto de requalificação continua

Cinco cidades continuam com atrasos, a maioria por problemas judiciais. Outras apresentam obras irregulares com o desagrado das populações.

Dez anos depois do início do Programa Polis, cinco das intervenções em cidades continuam com grandes atrasos, a maioria devido a problemas judiciais, mas o Polis do Funchal é para já o único a ficar para trás. Este programa para a requalificação das cidades foi iniciado por uma resolução do Conselho de Ministros de 15 de maio de 2000, quando era ministro do Ambiente o atual primeiro-ministro, José Sócrates.
Segundo José Pinto Leite, coordenador nacional do Programa Polis, o programa "foi mais ou menos cumprindo os objetivos que estavam traçados, à exceção dos prazos, que começaram a derrapar por diversos motivos". O responsável considerou que os atrasos de devem à dificuldade de aprovação de instrumentos de planeamento em Portugal e também a questões de tribunal, que quando entram em providencias cautelares ficamos sem qualquer perspetivas.
Das grandes intervenções do Polis no Algarve, o Polis Ria Formosa encontra-se em fase inicial, estando concluídos o de Silve e Albufeira. Nesta cidade, a intervenção do Polis gerou grande controvérsia pela inadquação envolvida que se queixam os habitantes de “ter retirado a tipicidade da cidade”, além de grandes parte das obras terem sido concluidas com má qualidade de aproveitamento e conclusão. Apenas Viana do Castelo e Costa de Caparica não estão concluídas, presas por questões judiciais.
Em Viana do Castelo, uma providência cautelar impede a destruição do prédio Coutinho para dar lugar a um mercado e o projeto da Costa de Caparica, com um grande atraso logo no início, está agora parado por uma providência cautelar contra a transferência dos parques de campismo. "Sinceramente, não temos a certeza de quando podem arrancar, porque estamos dependentes de decisões judiciais. Do resto tudo correu bem, embora algumas com atrasos e cumpriram todos os objetivos", salientou. Quanto aos programas mais pequenos, Gondomar teve um grande atraso, mas finalmente, no ano passado, começou a avançar e está em bom ritmo.
Neste momento, Torres Vedras é a operação mais atrasada e o Funchal deve ser o único Polis a ficar para trás. "A operação no Funchal possivelmente vai ser fechada sem cumprir os objetivos, porque perdeu-se um pouco a noção do que se queria fazer. Posso dizer até que é a única operação que vai ficar pelo caminho. Sobre Torres Vedras continuo na expetativa de a câmara conseguir fazer obras", disse.
Além destes casos, há um conjunto de operações que estão quase feitas há vários anos, mas ainda não foram concluídas por pequenas coisas, a maioria das quais por expropriações. Em Évora falta expropriar umas casas à volta da muralha para acabar o programa, a Lagos e a Santarém falta apenas encerrar as contas, na Moita a câmara não consegue encaixar a obra toda no dinheiro que tinha, em Setúbal e em Sintra faltam apenas pequenas coisas.
"Na Marinha Grande apenas faltava uma expropriação e vai ser concluído este ano porque a autarquia desistiu desta expropriação e no Barreiro, a frente de rio está quase concluída há mais de 2 anos, mas há um troço de ligação que está dependente de um projeto particular", destacou. O Programa foi criado em 2000 e teve 40 intervenções em 39 cidades portuguesas (o Porto sofreu duas intervenções), 22 das quais desenvolvidas por sociedades Polis.

Depois das cidades e do Litoral, próximo Polis será nos rios: Guadiana fica de fora.

Por considerar que o Polis foi um sucesso, o Governo alargou o conceito deste programa à requalificação do litoral e deverá, em breve, estendê-lo também aos rios, esperando despertar o interesse de entidades privadas. O projeto de um Polis para requalificar os rios está a ser estudado no Tejo, mas o programa deverá depois estender-se ao Douro, ao Vouga e ao Mondego. O rio Guadiana que banha grande parte da região nordeste algarvia ficou de fora. Segundo José Pinto Leite, coordenador nacional do Programa Polis, a dificuldade das intervenções no litoral e nos grandes rios está relacionada com o facto de a sua gestão "estar dispersa por diversas entidades".
"O rio Tejo depende essencialmente de Lisboa, mas há uma parte que depende do Alentejo e outra de Coimbra. Agora estamos a fazer uma experiência à volta do Tejo e estamos a por todas as pessoas à volta da mesma mesa", explicou Pinto Leite. Para este novo Polis, o coordenador põe expetativas de novo nas Câmaras, mas também noutras entidades públicas e privadas. "Por exemplo, no rio Tejo vamos conversar com a REFER e com a EDP e temos a certeza de que, com um projeto desta visibilidade para recuperar zonas ribeirinhas, se houver uma ou outra estação de caminho de ferro ao abandono, eles terão interesse em recuperá-la", disse.
O Polis das cidades envolveu mais de mil milhões de euros e tinha uma expetativa de 20 por cento de investimento de privados. "Não foi concretizada, mas ficou nos 17,5 por cento, o que mesmo assim é muito positivo", considerou. O coordenador tem esperança na boa vontade gerada pelo Polis, lembrando que, quando se deu a requalificação das cidades, ao verem as praças de cara lavada, os proprietários das casas ao redor caiavam as suas habitações.
Apesar de considerar que é o Estado quem tem a obrigação de fazer muitas destas intervenções nas zonas ribeirinhas, Pinto Leite sublinha que as margens e os diques recuperados, se não forem tratados, ao fim de uns anos requerem novos investimentos. "Ora, as margens podem ser utilizadas para o lazer. As câmaras podem usá-las para passeios pedonais, ciclovias ou parques de merendas. Isso vai fazer com que as obras se mantenham", afirmou. "É por isso que esta parceria e o facto de o programa ser desenhado conjuntamente com entidades que tenham diversas obrigações sobre o mesmo território vai potenciar que os investimentos sejam muito mais duradouros e que depois haja uma utilização de espaços", concluiu.

O "milagre" das obras adiadas

Governo recua nos grandes projectos

“Decisão do Governo vai ao encontro do que muitos economistas e políticos têm defendido” diz Cavaco Silva

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse este fim de semana que a decisão do Governo de reponderar todas as grandes obras públicas não adjudicadas "vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido". Questionado pelos jornalistas, durante uma visita a Óbidos, se considera que essa decisão anunciada pelo primeiro ministro, José Sócrates, foi uma boa opção, Cavaco Silva respondeu: "Bem, vai ao encontro daquilo que muitos economistas e muitos políticos têm defendido". O Presidente da República ressalvou que não conhece "ainda em concreto as decisões do Governo".
"Encontrei-me com o senhor primeiro ministro na passada quinta feira, na reunião antes de ele partir para França e para a reunião do Conselho Europeu. Portanto, eu não tenho pormenores, mas o que todos nós sabemos é que várias entidades políticas, económicas e outras têm vindo a pedir alguma ponderação em matéria de investimentos públicos e privados nas áreas não transacionáveis", acrescentou. Questionado se a nova posição do primeiro ministro em matéria de obras públicas é uma resposta àquilo que pessoalmente defendeu, o Presidente da República respondeu: "Não, eu não pretendo conseguir respostas do Governo dessa forma".
Cavaco Silva fez questão de "afirmar de forma clara" que no seu entender a competência "para a decisão específica compete ao Governo. O Presidente da República lança causas, defende-as, lança desígnios, aponta caminhos, e depois o Governo tem a sua competência executiva para tomar as decisões", defendeu. Questionado se o caminho que o Governo está a seguir é aquele que defendia o Presidente da República, evitou responder: "Eu penso que em público não devo estar a julgar o Governo, nem tão pouco o primeiro ministro".
"O Governo tem a sua competência e a sua legitimidade. Eu como Presidente da República tenho as minhas competências, que constam da Constituição da República, e tenho a minha legitimidade. Mas sei muito bem onde é que está a fronteira entre aquilo que eu devo dizer em público e aquilo que devo dizer em privado", reiterou. Cavaco Silva falava aos jornalistas no final de uma visita a um convento em Óbidos que alberga empresas ligadas às indústrias criativas, inserida no seu Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras.

Portugal precisa de mais exemplos de rigor na gestão e ponderação nas decisões

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou que Portugal precisa de mais exemplos de "responsabilidade, solidariedade, rigor na gestão e ponderação nas decisões que têm efeitos no futuro". Cavaco Silva falava durante uma visita à associação mutualista Montepio Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha, que apontou como "um bom exemplo que deve ser conhecido e replicado no nosso país".
Depois de ter ouvido os responsáveis desta associação, o Presidente da República referiu: "Foi utilizada aqui uma expressão que eu já tenho utilizado várias vezes, e até nos últimos dias sublinhei, que é a combinação da responsabilidade com a solidariedade. E aqui o senhor presidente da direção sublinhou bem a responsabilidade nas decisões quanto aos investimentos que pretende fazer o Montepio. Ao mesmo tempo, já tinha sido aqui sublinhado o rigor na gestão desta instituição", acrescentou.
"Nós bem precisamos que, por todo o país, se repliquem estas orientações: responsabilidade, solidariedade, rigor na gestão, ponderação nas decisões que têm efeitos no futuro", considerou, em seguida, o Presidente da República. Antes da intervenção do chefe de Estado, o presidente do conselho de administração do Montepio Rainha D. Leonor, Joaquim Sousa, tinha dito, a propósito da gestão desta associação, que Cavaco Silva sabia "melhor do que ninguém que os tempos atuais aconselham prudência nos investimentos".
No final do seu discurso, Joaquim Sousa deixou um elogio a Cavaco Silva, dizendo-lhe estar certo de que, daqui a 150 anos, "a história há de assinalar aos que cá estiverem que aquele Presidente da República foi um dos maiores, senão o maior estadista português do seu tempo". Por sua vez, o Presidente da República deu os parabéns à associação, que "nasce dos cidadãos", pelos seus 150 anos "ao serviço dos mais humildes, dos mais fracos, dos doentes, dos mais vulneráveis".
"É pelo conhecimento local dos casos específicos, muitas vezes, que se consegue melhorar o sofrimento das pessoas", defendeu.
O Presidente da República iniciou na sexta feira uma visita à parte norte da região do Oeste, que termina ontem, em Óbitos, inserida no seu Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras.

Sobre redução do défice, é preciso confiar no ministro das Finanças

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse ontem que é preciso confiar no ministro das Finanças, questionado sobre a capacidade de Portugal reduzir o seu défice das contas públicas para 7,3 por cento este ano. Questionado se considera possível reduzir este ano o défice para 7,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e não para 8,3 por cento, meta inicial do Governo, Cavaco Silva declarou ao jornalista que lhe colocou a questão: "Bem, não posso responder-lhe".
O Presidente da República remeteu essa questão para "o senhor ministro das Finanças", defendendo: "Devemos sempre confiar nos ministros das Finanças nos momentos particularmente difíceis e todos nós devemos compreender as suas dificuldades, não apenas na resolução dos problemas, mas também no diálogo com os seus colegas".
"Nesta fase difícil", os portugueses têm de confiar no ministro das Finanças "para saber onde é que faz ou não faz ajustamentos", acrescentou. O Presidente da República adiantou que não tem "informação segura sobre aquilo que o Governo vai fazer em novas medidas", referindo que "normalmente" recebe essa informação "diretamente do senhor primeiro ministro" e que não falou com José Sócrates "nos últimos dias".
Sobre a nova meta de redução do défice anunciada pelo primeiro ministro na sexta feira à noite, em Bruxelas, a seguir à reunião do Conselho Europeu, Cavaco Silva disse ainda que, segundo sabe, vai ao encontro daquilo que "foi sugerido nas instâncias comunitárias. O próprio responsável do Banco Central Europeu terá feito essa sugestão em Lisboa e vai encontro de outras sugestões que têm chegado", acrescentou.

FMI nega que esteja a negociar créditos com Portugal e Espanha

O "número dois" do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, reiterou ontem que a entidade não está a manter conversações com Espanha e Portugal para conceder-lhes créditos, contrariando os rumores que correram esta semana nos mercados. "Não temos negociações [quanto a um programa de créditos] com Portugal ou com Espanha", declarou Lipsky numa conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho Executivo do FMI que aprovou um plano de ajuda à Grécia.
O economista norte-americano disse que "ficou claro", pelo movimento nas bolsas esta semana, que "há um stress nos mercados financeiros que vai além da Grécia". As dúvidas sobre a resposta europeia e do FMI à crise fiscal na Grécia fizeram com que o prémio pedido pelos investidores para comprarem dívida portuguesa em vez da dívida alemã subisse para os 438,9 pontos base, um dos valores mais altos desde a introdução do euro.
Os juros da dívida soberana de Portugal subiram sexta-feira para um novo máximo histórico, alcançando os 6,053 por cento, num dia em que os mercados continuaram pressionados pela situação das finanças públicas de vários países europeus. Em resposta o Governo espanhol anunciou hoje que vai reduzir o défice este ano em mais meio ponto percentual, ou seja em 5 mil milhões de euros, e um ponto percentual inteiro em 2011. Na madrugada de sábado, o primeiro ministro português, José Sócrates, anunciou em Bruxelas que o Governo decidiu reduzir a meta do défice para este ano para 7,3 por cento, dos 8,3 por cento previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento.
Os ministros da Economia europeus reuniram-se hoje de emergência em Bruxelas para desenhar um mecanismo de ajuda financeira destinado aos países em dificuldades de fazer pagamentos. Segundo a proposta, a União Europeia captaria dinheiro a baixo custo nos mercados graças à notação máxima (AAA) que tem junto das agências de rating e em seguida iria emprestá-lo a países forçados a pagar juros demasiado altos para convencer os investidores a comprarem os seus títulos de dívida. Lipksy disse que o FMI "apoia e vai cooperar" nesta iniciativa europeia, ressalvando no entanto que até agora não há detalhes sobre como o fará.

Opiniões controversas

Desenvolvimento adiado

Basílio Horta é de opinião que novo Aeroporto e TGV são essenciais para o desenvolvimento do país.

O novo aeroporto e o TGV são obras essenciais para o desenvolvimento do país e "terão de ser feitos" a seu tempo, defendeu o presidente da AICEP, Basílio Horta, considerando "um erro gravíssimo" não investir na rede de transportes. "Ninguém de bom senso pode criticar o facto de querermos fazer um aeroporto novo, porque só quem não conhece o nosso aeroporto é que não percebe que este já não serve", afirmou o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em entrevista à agência Lusa.
O primeiro ministro anunciou sexta feira em Bruxelas, após uma reunião do Eurogrupo, o adiamento de grandes investimentos públicos, como as obras do futuro aeroporto e a terceira travessia do Tejo, no quadro do esforço de acelerar as medidas de consolidação orçamental. Em reação, o Presidente da República disse que a decisão do Governo de reponderar todas as grandes obras públicas não adjudicadas "vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido". Os partidos dividiram-se entre o apoio à decisão do governo e as críticas ao facto de não ter adiado também o TGV.
O ministro das Obras Públicas, que participou sábado na cerimónia de assinatura do contrato do troço Poceirão-Caia para o TGV, admitiu a "reponderação" da terceira travessia e do novo aeroporto de Lisboa. Para Basílio Horta, que defende que estas obras não devem ser transformadas em "bandeiras políticas", a questão é muito simples: "Queremos que Portugal se mantenha um 'hub' [centro de distribuição de tráfego aéreo] e que venham pessoas de todo o mundo para ir para o Brasil e África, à semelhança do que ainda acontece, ou queremos perder isso para Madrid?"
O responsável admite ser "perfeitamente justificável e natural" que, numa altura em que se quer reequilibrar as contas públicas e reduzir o défice externo, se "reavalie esses investimentos", mas defende que o adiamento não retira a importância das grandes obras. "Não significa que não sejam decisivas. Esses investimentos terão de ser feitos, o tempo em que serão feitos é outra questão", disse. Relativamente ao TGV (cuja primeira adjudicação "já deveria estar tão avançada que não poderia haver um recuo), o presidente da AICEP apontou a urgência de uma linha rápida para mercadorias e passageiros.
"O que tem que ser feito urgentemente é uma linha que parta de Sines, passando pela logística do Poceirão e de Castanheira - dois grandes investimentos logísticos - passe por Badajoz e vá a Madrid pela via rápida de mercadorias e, a partir dali, entra a via rápida Lisboa - Madrid", defendeu. Segundo o responsável, "um país periférico em relação à Europa, central em relação aos outros continentes, tem na logística um aspeto essencial para o seu desenvolvimento e a logística é transportes. "Se nós não apostamos aí e ficamos confinados aqui, estamos a perder mais-valias e aí quem é que investe?", interrogou, reiterando que "a parte positiva está lá, a parte negativa é preciso estudá-la bem e não empolá-la para efeitos políticos".
Confrontado com as recentes declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, segundo as quais o país deve investir em bens transacionáveis e ponderar os grandes investimentos, Basílio Horta respondeu que "isso é o que se tem vindo a fazer. Mas temos que os armazenar [bens transacionáveis] e que os transportar, tem que ter logística e transportes. De que vale termos bens transacionáveis se não tivermos vias de comunicações rápidas? Não podemos ter vias em que o comboio de mercadorias espera meia hora para o comboio de passageiros passar e depois este vai à frente e espera, novamente, para o outra passar. Isto não é país!", rematou Basílio Horta.
O Presidente da República recebe hoje um conjunto de economistas e antigos governantes conhecidos pela sua oposição ao lançamento, neste momento de crise, de grandes obras públicas, como o novo aeroporto e a alta velocidade ferroviária. Os economistas criticam os grandes investimentos numa altura em que Portugal enfrenta uma forte degradação das condições de financiamento nos mercados internacionais e é, ao mesmo tempo, obrigado a reduzir o défice e a trajetória de aumento da dívida pública, ao abrigo das condições enunciadas no Programa de Estabilidade e Crescimento.

Os sábios europeus...

Felipe González avisa

“A Europa leva já dez anos de atraso nas reformas estruturais.”

O antigo primeiro-ministro espanhol Felipe González considerou este fim de semana, em Bruxelas, urgente a União Europeia (UE) concluir reformas estruturais uma vez que leva já um atraso de "pelo menos dez anos. Temos que começar as reformas estruturais. E estas têm que ser coordenadas com as medidas anti crise porque a UE tem um atraso de, pelo menos, dez anos", disse González.
Considerando que o pacto de estabilidade e crescimento é "condição necessária mas não suficiente" para estabilizar e harmonizar a Zona Euro, o ex-governante referiu que "a crise económica apenas veio evidenciar problemas que a Europa já tinha".González falava, em conferência de imprensa, após ter entregue o relatório "Projeto Europa 2030", elaborado por um "grupo de sábios" a que preside.
"Tenho a certeza que o relatório não vai agradar a todos os chefes de Estado e de Governo", sublinhou, depois de ter sugerido que a UE adote uma "economia social de mercado altamente competitiva e sustentável do ponto de vista ambiental". O "grupo de sábios" é composto por 12 personalidades, incluindo o antigo presidente polaco Lech Walesa e o arquiteto holandês Rem Koolhaas, autor da Casa da Música, no Porto.

domingo, 9 de maio de 2010

Crónica de Domingo

A sustentável irreverência do samba

O perigoso namoro do Brasil com os aiatolás atómicos, dá a convicção de que o país quer ter o direito à bomba, - ideia que persiste em setores do governo e das Forças Armadas brasileiras. A diplomacia lulista em relação ao Irão é sinal disso mesmo, e para confundir as hostes, exibem-se milhões enquanto nas favelas predomina a miséria mais básica.

Para desanuviar o ambiente lusitano sempre tão tenso politicamente, mas religiosamente festivo, hoje não escrevo sobre temas nacionais, e muito menos opinarei sobre a visita do Papa. Vou escrever sobre a política externa do Brasil. Para que saibamos as nuances que vão por este mundo lusófono. Este artigo também se poderia chamar “Bomba, p'ra que te quero”, mas preferi dar-lhe um título mais sarcástico e menos agressivo. Por uma questão de princípio. Escrevo hoje sobre a política lulista, homem considerado na semana passada pela insuspeita (?) revista “Time” como um dos homens mais influentes do Mundo.
Sim senhor, é verdade. Veio em quase todos os jornais, inclusivé nalguns portugueses.
A realidade é que o Brasil vive hoje uma pujança económica sem precedentes, a par de uma miséria exibida com misto de alegria-resignação, que se tornou num monstro difícil de dominar. A “crise” mal passou por cá seu cheiro, e a prová-lo está o facto que o país vai emprestar 286 milhões de dólares (224 milhões de euros) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para contribuir na ajuda à crise de financiamento e pagamento da dívida soberana da Grécia. O próprio ministro da Fazenda, citado pelo diário brasileiro Globo, garantiu que "o dinheiro sairá das reservas internacionais do país", que atualmente ascendem a 200 mil milhões de dólares (157 mil milhões de euros)". Este governante brasileiro considerou ainda que a crise que afeta a Grécia "é muito séria", mas disse também que se generalizou "um nervosismo exagerado" nos mercados financeiros internacionais. O minstro reiterou ainda que se a crise chegar a expandir-se a outros países europeus e ao resto do sistema financeiro internacional, o "Brasil é um dos países mais bem preparados para enfrentá-la". No entanto, admitiu que se bem que não haja "riscos financeiros" para o Brasil, uma crise de maiores dimensões teria consequências diretas no comércio internacional e poderia afetar as exportações do país.
Por outro lado, li também que o ex-embaixador brasileiro em Paris disse há tempos que, ao contrário dos países que procuram disfarçar as medidas ilícitas de uma forma lícita, o Brasil gosta de dar uma aparência ilícita a atividades perfeitamente lícitas. A observação é perfeita para descrever a postura ambígua da diplomacia brasileira em relação aos esforços para coibir a proliferação de armas atómicas pelo mundo. O Brasil tem um programa nuclear civil, mas age como se considerasse correto usá-lo para fins militares. Primeiro, porque se recusa a apoiar sanções económicas para convencer o Irão a desistir dos seus planos de desenvolver uma bomba atómica. Segundo, porque ameaça não aderir a uma renovação do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). As sanções ao Irão e a revisão do TNP serão discutidas numa reunião das Nações Unidas marcada para o mês que vem, em Nova York. O Brasil está a isolar-se nesse tema, como ficou claro na semana passada. Durante a Conferência de Segurança Nuclear nos Estados Unidos, Lula criticou o anfitrião, o presidente Barack Obama, pelo seu plano de punir o Irão pelas suas ambições atómicas. Sempre discreto, Obama, em resposta, demonstrou quanto considera irrelevante a opinião brasileira ao ceder apenas três minutos da sua agenda para uma conversa com Lula. Dias depois, durante o encontro dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) em Brasília, Lula tentou fazer proselitismo sobre este assunto. Os presidentes Dimitri Medvedev, da Rússia, e Hu Jintao, da China, os únicos presentes com poder de vetar uma proposta de sanção no Conselho de Segurança da ONU, não lhe deram trela.
Ao defender países párias e distribuir bravatas contra os tratados de não proliferação, o governo de Lula faz a comunidade internacional supor que o programa nuclear brasileiro não tem fins pacíficos. "A história brasileira e declarações recentes de membros do governo dão margem à especulação de que poderia haver planos sigilosos de armas nucleares no país", escreveu no Globo o conceituado historiador Marco Antonio Villa. Desde 1975, quando o Brasil fechou um acordo com a Alemanha para a construção de reatores em Angra dos Reis, que os militares brasileiros namoram a ideia de ter a bomba. O governo de Ernesto Geisel chegou a cavar um poço de 320 metros de profundidade na Serra do Cachimbo, no Estado do Pará, para testar artefatos atómicos. O buraco afinal, nunca utilizado, foi fechado em 1990. Suspeita-se que, no governo de João Batista Figueiredo, o Brasil tentou colaborar com o ditador iraquiano Saddam Hussein para desenvolver armas atómicas. Em 1981, dois aviões iraquianos chegaram a levar yellow cake (urânio concentrado) do interior de São Paulo para Bagdád. Em 2004, a comunidade internacional voltou a desconfiar de tudo isso quando o Brasil impediu a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), da ONU, às instalações da fábrica de enriquecimento de urânio que estava a ser construída em Resende, no Rio de Janeiro. Um ato de dúbia interpretação. Naquela época, o governo justificou a proibição dizendo temer a espionagem industrial. Antes disso, Lula teve de demitir o ministro da Ciência e Tecnologia por ter defendido o direito do Brasil de desenvolver a tecnologia necessária para construir a bomba.
O desejo latente e, muitas vezes, mal disfarçado de alguns setores do governo de dar um passo além no programa nuclear é alimentado pela noção de que há uma assimetria no direito internacional. "Existe um grande desequilíbrio no mundo em relação ao poderio nuclear. Por isso, não há razão para assinar um protocolo adicional ao TNP", diz o “lulista” presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, do Ministério de Ciência e Tecnologia. Se os Estados Unidos e a Rússia, as duas maiores potências nucleares do mundo, não cumprem as suas promessas de desmantelar o seu arsenal, por que os outros países vão ficar atrás? Simples. "O argumento da igualdade entre as nações aplicado à questão nuclear pode ser verdade na teoria, mas é perigoso quando defendido por um presidente, como tem feito Lula", explica o sociólogo brasileiro Demétrio Magnoli em artigo recentemente publicado no Globo. Nesse caso, a realidade sobrepõe-se aos princípios. Nove países detêm a bomba atómica. Estados Unidos e Rússia acabaram de assinar um acordo comprometendo-se a reduzir em 30% o seu stoque de ogivas nucleares. Pode não ser o suficiente, mas pior do que eles manterem os seus arsenais é a possibilidade de o clube atómico aumentar com o poderio de governos insanos. Isso significaria multiplicar o risco de um conflito apocalíptico. Sem contar o perigo, ainda mais real, de as armas nucleares caírem nas mãos dos terroristas. O que se desconhece completamente, se já aconteceu.
Este perigoso namoro do Brasil com os aiatolás atómicos, dá a convicção de que o país tem direito à bomba, - ideia que persiste em setores do governo e das Forças Armadas. A diplomacia lulista em relação ao Irão é sinal disso mesmo, e para confundir as hostes, exibem-se milhões enquanto nas favelas predomina a miséria mais básica.

Carlos Ferreira

sábado, 8 de maio de 2010

Fim de Semana


Este homem devia demitir-se!


Por estar a ser questionado com perguntas incómodas por jornalistas no exercício do seu trabalho, o deputado do PS, e vice-presidente da bancada parlamentar, Ricardo Rodrigues, abandonou uma entrevista que estava a conceder à revista Sábado e levou consigo os gravadores dos jornalistas, que não devolveu. Uma câmara de video registou tudo.

É este tipo de democratas que o país elege!

Por causa do Papa

Lisboa virada do avesso

Depois da estrondosa e milionária campanha publicitária de sensibilização em volta da visita, Lisboa preparada para receber "os milhares de pessoas" esperadas para vêr o Papa em Portugal.

Lisboa acordou hoje "virada do avesso". Durante a noite centenas de polícias municipais e da PSP isolaram passeios e bernas das ruas por onde irá passar o Papa daqui a 4 dias. Dizem as autoridades que é "a maior operação de segurança jamais montada em Portugal". Alguns dos carros estacionados se não saírem durante o dia de hoje, serão rebocados para um parque. "E se rebenta alguma bomba colocada nalguma viatura", pergunta um polícia à nossa indagação, que conclui "era uma vergonha para o País".
Esta teoria pressupõe que a PSP entende esta visita com algum risco. O vice-presidente da câmara de Lisboa garantiu hoje que a cidade está preparada para receber os milhares de pessoas que são esperadas no centro da capital na terça feira por ocasião da visita do papa a Portugal. "A cidade está sempre preparada", disse hoje à Lusa. Manuel Salgado, à margem de uma visita ao Terreiro do Paço, acrescentando que "os espaços que estão disponibilizados e preparados para acolher as pessoas esperadas [cerca de 200 mil] têm essa capacidade".
Segundo o coordenador da missa do Terreiro do Paço, o padre Mário Rui Pedras, são esperadas na praça 80 mil pessoas, mas contando com as áreas circundantes poderão chegar a ser 220 mil. "Esta zona [Praça do Comércio] leva 80 mil pessoas, do lado da Avenida Infante D. Henrique está previsto para mais 40 a 50 mil, a Rua Augusta leva cerca de 30 mil pessoas e as duas ruas, Prata e Ouro, que ficam com som até à Praça da Figueira e ao Rossio podem levar mais 40 a 60 mil", disse hoje o padre durante a visita.
De acordo com Mário Rui Pedras, serão colocados no centro de Lisboa seis ecrãs para que as pessoas possam acompanhar a missa. Quanto aos eventuais incómodos devido a alterações no trânsito e cortes de ruas, Manuel Salgado acredita que "as pessoas compreendem que sejam necessários alguns sacrifícios nestes momentos. São dias excecionais e eventos que são muito importantes para a cidade", disse.
A vinda do papa a Lisboa, onde chega na terça feira, é, para o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, um bom momento para a cidade. "Independentemente de uma pessoa ser ou não crente, não há dúvida de que a vinda de uma personalidade como o papa a Lisboa leva a uma enorme projeção da cidade do ponto de vista mediático e isso é sempre bom", afirmou.
Manuel Salgado salientou ainda que "é evidente que para os crentes e para a Igreja a vinda do papa a Lisboa é um evento com uma dimensão completamente diferente". Bento XVI visita Portugal de 11 a 14 de maio e passará por Lisboa, Fátima e Porto. O papa celebrará missas nas três cidades. A missa de Lisboa está marcada para as 18:15 de terça feira.

A crise económica e a falta de emprego


Todos sabem mais do que o povo, mas o País continua na miséria

"Sei muito bem o que é que devo fazer como Presidente da República" - Cavaco Silva

Cavaco Silva considerou hoje que as suas palavras sobre investimentos públicos foram mal interpretadas e afirmou saber muito bem o que deve fazer como Presidente da República pelo interesse nacional, com os seus conhecimentos de economia. Durante uma visita a Peniche, inserida no seu Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras, Cavaco Silva apontou o seu "grande empenho" enquanto Presidente da República para "evitar que Portugal seja muito atingido em termos de fraqueza de crescimento económico e em termos de emprego com a crise económica".
Questionado pelos jornalistas se entende que o candidato a Presidente da República Manuel Alegre estava a criticá-lo quando defendeu que "em momentos de crise a obrigação dos responsáveis políticos é não entrar em pânico", Cavaco Silva começou por remeter essa questão "para os comentadores e os analistas".
"Eu sei muito bem o que estou a fazer, até porque se trata de uma matéria que eu ainda não esqueci, domino razoavelmente bem", acrescentando, "e sei muito bem o que é que devo fazer como Presidente da República para defender o interesse nacional, com o conhecimento que tenho do funcionamento dos mercados e do funcionamento da economia em geral. Quanto àquilo que diz este ou que diz aquele, qualquer que ele seja, o Presidente não é comentador, existem muitos comentadores", concluiu.
Antes, a propósito das suas palavras sobre investimentos públicos, Cavaco Silva considerou que a sua declaração "foi mal interpretada de uns lados" e que alguns a comentaram sem a conhecer na totalidade. "Para isso basta ir à página da Internet da Presidência da República. E se for necessário lembrar, eu tenho boa memória, e eu disse que faz sentido neste tempo reexaminar investimentos públicos e privados na área dos bens não transacionáveis que seja um capital intensivo e que tenha uma grande componente importada", acrescentou.
Segundo o Presidente da República, esta sua declaração "corresponde àquilo que os manuais de macroeconomia nos ensinam para um país que tem duas dificuldades em simultâneo: uma elevada, muito elevada, dívida externa e um grande desemprego e não tem política monetária e política cambial autónoma".

Juros da dívida portuguesa

Atingiram ontem novo máximo acima de 6%

Os juros da dívida soberana de Portugal voltaram ontem a subir para um novo máximo histórico, alcançando os 6,053 por cento, num dia em que os mercados continuam pressionados pela situação das finanças públicas de vários países europeus.

Deste modo, o prémio pedido pelos investidores para comprarem dívida portuguesa em vez da dívida alemã subiu para os 438,9 pontos base, de acordo com os dados da agência Bloomberg, demonstrando a crescente preocupação dos investidores com a economia portuguesa.
As preocupações dos investidores relativamente às contas públicas dos países do sul da Europa, com o foco apontado, sobretudo, à Grécia, têm provocado nas últimas semanas um avanço dos juros das obrigações dos mesmos para níveis históricos, desde a criação da moeda única europeia.
Quanto aos 'credit default swaps' (CDS) sobre a dívida pública portuguesa a cinco anos, o preço de contratar a proteção para um eventual incumprimento segue, pelas 12h00, nos 453,36 pontos, o que representa um custo anual de 453,36 mil euros para segurar dez milhões de euros em títulos de dívida portuguesa com maturidade a cinco anos.
Já os CDS da Grécia continuam a bater máximos, tendo hoje ultrapassado a barreira psicológica dos 1.000 pontos, sendo o terceiro país do mundo com maior risco de incumprimento, depois da Venezuela e da Argentina, ao passo que Portugal é já o sexto da tabela mundial e o segundo a nível europeu, tendo ultrapassado a Islândia.

Governo português decidiu descer défice este ano para 7,3%

O primeiro ministro, José Sócrates, anunciou ontem, em Bruxelas, que o Governo decidiu reduzir a meta do défice para este ano dos 8,3 por cento previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento para 7,3 por cento.
O chefe de Governo, que falava no final de uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da Zona Euro, revelou que deu conta dessa decisão hoje à tarde ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, antes de assumir, à noite, esse compromisso com os restantes líderes dos países da moeda única.

Obras públicas

José Sócrates admite atrasar

O primeiro ministro admite adiar obras do novo aeroporto e terceira travessia do Tejo. No entanto “o que está já adjudicado deve prosseguir”.

O primeiro ministro José Sócrates disse ontem em Paris que os grandes investimentos públicos que já estão adjudicados devem prosseguir, admitindo apenas rever aqueles cujos concursos ainda estão em aberto.
Sócrates, que falava numa conferência de imprensa conjunta com o chefe de governo francês, François Fillon, sustentou que as responsabilidades para o Estado de cancelar contratos seriam superiores aos de os prosseguir e afirmou que é "ridículo" pensar que os ataques de especuladores a Portugal se devem aos grandes investimentos públicos.
Já em Bruxelas, o primeiro ministro admitiu no entanto, o adiamento de grandes investimentos públicos como as obras do futuro aeroporto e a terceira travessia do Tejo, no quadro do esforço de acelerar as medidas de consolidação orçamental.
O chefe de Governo, que falava no final de uma cimeira de líderes da Zona Euro, disse que o compromisso hoje assumido em Bruxelas de reduzir o défice este ano para 7,3 por cento, em vez dos 8,3 previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento, implicará novas medidas, apontando aquelas como possibilidades, que quer discutir com o líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Podem ser precisas mais medidas de austeridade

Constâncio: seria «normal» adiar as grandes obras públicas

Ex-Governador do Banco de Portugal recorda que é preciso «reforçar o PEC» e «reduzir mais o défice». E acrescenta, «seria útil se o país conseguisse reduzir ainda mais o seu défice já este ano».

O ex-governador do Banco de Portugal disse esta quinta-feira que «acharia normal» se o Governo anunciasse o adiamento do lançamento do TGV e do novo aeroporto, uma vez que «é preciso reforçar o PEC» e «reduzir mais o défice». Aliás, para Vítor Constâncio, o Executivo socialista poderá mesmo ter de tomar medidas de austeridade adicionais.
O ex-governador do Banco de Portugal admitiu que Portugal deve considerar novas medidas para tornar o seu plano de austeridade mais forte. Vítor Constâncio considera ainda, num encontro com o presidente da República esta tarde, que seria útil se o país conseguisse reduzir ainda mais o seu défice já este ano.
«Portugal deve considerar tomar novas medidas para reforçar o plano de austeridade. Não podemos ignorar esses sinais (dos mercados financeiros)», afirmou. «Seria desejável por em marcha medidas para serem aplicadas nos próximos anos de forma a concentrá-las neste momento de tensão no mercado. Seria útil ter uma redução maior do défice do que aquela que está programada para 2010», rematou.

Marques Mendes ataca

«Parece que estamos numa República de bananas»

Marques Mendes comenta caso dos gravadores surripados por deputado do PS, além das presidenciais, obras públicas e revisão constitucional.

Marques Mendes considerou esta quinta-feira no espaço de opinião do TVI24 que a atitude do deputado do PS Ricardo Rodrigues, ao «surripiar gravadores e metê-los ao bolos» faz parecer que «estamos numa República das bananas».
«O deputado Ricardo Rodrigues normalmente é notícia por más razões (...) Mas nos últimos dias foi longe de mais. (...) Aquela atitude de surripiar os gravadores, metê-los ao bolso, desaparecer, é qualquer coisa de inacreditável. Parece que estamos numa República de bananas».
Marques Mendes considerou o caso uma «vergonha», mas foi mais longe ao apontar a falta de consequências políticas. «Mais intolerável é isto não ter consequências nenhumas. Há poucos meses o ex-ministro Manuel Pinho fez o que fez na Assembleia da República e foi imediatamente demitido. (...) O próprio parlamento onde tudo isto se passou está impávido e sereno».
O ex-líder o PSD criticou ainda a posição do Governo ao insistir no avanço de grandes obras públicas, como o TGV, tendo em conta o coro de críticas que se tem levantado. «Portugal parece um navio que está a naufragar porque tem carga a mais. O que se espera de um navio nestes momentos? Que deite carga ao mar, que deite carga fora. Em Portugal está a ser feito o contrário, em vez de ser carga fora, é mais carga no navio, neste caso mais despesa pública, assim não evitamos o naufrágio. Assim afundamo-nos todos. É esta a factura da teimosia que aí está», disse.
Por fim, o social-democrata deixou ainda a sua opinião sobre as presidenciais e à forma como o PS tem lidado com o «dossier» Manuel Alegre. «Se Mário Soares pudesse suspender estar eleições presidências, suspendi-as. Ou seja, vê-se que há de facto um incómodo grande do dr. Mário Soares e dos soaristas. (...) Eu acho que eles não querem a candidatura de Manuel Alegre, provavelmente não a vão apoiar».
O antigo presidente do PSD Marques Mendes considera que a «Constituição precisa sempre de melhoramentos e de aperfeiçoamentos» e, por isso, «é natural que os partidos apresentem iniciativas nesse sentido. Também acho natural que o PSD, que sempre liderou as revisões constitucionais, durante anos, também lidere a agenda política desta vez» e esta atitude «parece-me uma boa vantagem», acrescentou. O antigo líder social-democrata escusou-se, no entanto, a adiantar aspectos em relação aos quais a Constituição deve, na sua perspectiva, ser revista.

Bloco e PS defendem nova taxa de IRS

Tema vai hoje a debate no Parlamento

O Bloco de Esquerda e o PS garantiram ontem que vão apoiar a criação de um novo escalão do IRS, com o CDS ainda sem posição definida sobre o tema, que vai na sexta feira a debate no Parlamento.

O debate no parlamento arranca hoje com a proposta de introdução de uma nova taxa de IRS, de 45 por cento, para quem tenha rendimentos anuais superiores a 150 mil euros, incluindo ainda a proposta de lei que vai permitir o empréstimo a Grécia, temas que PS, Bloco de Esquerda e CDS preveem algum consenso. O PCP e o PSD não adiantaram as suas posições antes do debate. O ponto mais polémico na discussão de sexta feira deverá ser a introdução de um regime de tributação de 20 por cento às mais-valias mobiliárias. Todos os partidos com assento no Parlamento vão apresentar propostas próprias.
José Gusmão, deputado do Bloco de Esquerda, disse à Lusa que os bloquistas vão "viabilizar todos os projetos para votação na especialidade. O que esperamos é que haja algum avanço na posição do PS na tributação das mais-valias em relação aos fundos de investimento mobiliário e em relação às Sociedade Gestoras de Participações Sociais", disse. "Não tem sentido que se avance na tributação das mais valias em sede de IRS deixando de parte a tributação de outras mais-valias em contradição com o que o próprio PS escreveu no Pacto de Estabilidade e Crescimento", acrescentou.
O PSD apresentou já um projeto de lei para alterar a tributação das mais valias mobiliárias, aplicando o regime único de uma taxa de 10 por cento, sem retroatividade, ao contrário da proposta do PS, que prevê retroatividade. Quanto à introdução da nova taxa de IRS, o deputado socialista Afonso Candal afirmou que se trata de "um compromisso do Partido Socialista". Já o Bloco de Esquerda anunciou que vai apoiar a proposta, apesar de criticar o limite inferior do escalão, enquanto Assunção Cristas, do CDS, referiu que o partido "não tem posição fechada".
"No nosso programa eleitoral somos contra o aumento de impostos, mas somos sensíveis a que, num momento difícil, quem ganhe mais seja chamado a contribuir com um pouco mais. Até porque o Governo apresentou a medida como transitória", disse Assunção Cristas à Lusa. José Gusmão afirmou que se trata de "uma antiga proposta do Bloco", que irá votar a favor.
Um terceiro ponto no debate parlamentar é a aprovação de um regime que viabiliza a possibilidade do Governo conceder empréstimos a Estados-membros da zona Euro para reforçar a estabilidade financeira na zona euro. "Trata-se de um compromisso com os nossos parceiros europeus, e o que podíamos fazer de mais errado era deixar de cumprir os nossos compromissos com os nosso parceiros europeus nesta fase", disse Afonso Candal.
José Gusmão considera que a medida "é paliativa e surge porque a União Europeia não soube lidar de forma adequada com o problema da dívida pública e com a necessidade de ter políticas coordenadas. Assunção Cristas referiu que "há um solidariedade europeia que é necessário acautelar" mas o partido irá questionar o Governo sobre "a forma como será feito o empréstimo e como está acautelado um eventual incumprimento da Grécia".

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Comentar neste espaço com regras

Aos Senhores comentadores

Se os comentadores atras apostos, que usam nomes diversos de pseudónimo (não é pseudónio que se escreve - isso é outra coisa, na gramática portuguesa)...
Repito, se os comentadores anónimos que usam o estilo de colocar nomes vários, como o menino e a menina usa o chupa-chupa-cada-cor-seu-paladar, querem ver os seus comentários difundidos no local onde os colocam, ou divulgados com destaque - seja comunista, fascista, andróide ou misógeno, deve em princípio usar de algumas normas de ética. E aprender:

1º. NÂO OFENDER (insultar) NOMES PESSOAIS OU DE INSTITUIÇÕES.

2º. NÂO USAR (apropriar-se de) NOMES PÚBLICOS POR DEMAIS CONHECIDOS E RESPEITADOS.

3º. IDENTIFICAR-SE PESSOALMENTE COM DOCUMENTAÇÃO PERANTE ALGUM DOS ADMINISTRADORES DESTE BLOGUE (que se responsabilize por seus escritos), COMO O FEZ A. RAMOS.

Neste país habituámo-nos ao "vale quase tudo". Mas ainda existe o quase.
E de gente "séria" e bem intencionada, que repete até à exaustão as suas boutades. Já que de boas intenções, está o inferno cheio...

Boas leituras!

Algarve Reporter

Escândalo na AR

Deputado do PS filmado a furtar gravador a jornalistas

Ricardo Rodrigues não gostou das perguntas que estavam a ser feitas, e diz ter sido vítima de "violência psicológica insuportável".
(Veja o video)

O deputado do PS Ricardo Rodrigues foi filmado a furtar um gravador dos jornalistas da Sábado que o entrevistavam, no Parlamento. O deputado açoriano não gostou das perguntas que lhe estavam a ser feitas e não hesitou em levantar-se da cadeira e abandonar a sala, não sem antes levar consigo no bolso das calças o gravador onde estava a ser registada a conversa. A revista Sábado já anunciou que apresentou queixa criminal contra Ricardo Rodrigues, no DIAP de Lisboa.
A entrevista estava a ser filmada, facto que Ricardo Rodrigues não terá tido em conta. Já fora do Parlamento, quando confrontado pelos jornalistas, o deputado recusou-se a devolver o gravador, segundo relata a revista.
No vídeo é possível ver o deputado incomodado com as perguntas sobre a sua ligação, como advogado, sócio e procurador, com Débora Raposo, condenada em 2008 por burla e falsificação de documentos, num caso que defraudou em vários milhões de euros a Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, nos Açores. E em que ele próprio chegou a ser arguido, mas não acusado.
Alguns momentos depois o deputado deu uma conferência de imprensa no Parlamento onde revelou que interpôs uma providência cautelar contra a revista e que o gravador está junto a esse processo. Em sua defesa, o deputado considerou que as perguntas a que foi sujeito foram proferidas no tom «inquisitório», sobre «falsas premissas». Ricardo Rodrigues disse ainda que «irreflectidamente» tomou posse de dois gravadores de jornalistas da revista «Sábado» por ter sido sujeito por estes «a violência psicológica» durante uma entrevista.
«Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital, os quais hoje são documentos apensos à providência cautelar que corre termos no Tribunal Civil de Lisboa», afirmou Ricardo Rodrigues. Ricardo Rodrigues fez esta declaração na Assembleia da República, sem direito a perguntas por parte dos jornalistas e à qual assistiu o líder parlamentar do PS, Francisco Assis.

Veja aqui o vídeo

Entrevista dura

O deputado Ricardo Rodrigues já tinha dito que não estava a gostar das perguntas feitas durante a entrevista. De repente, levantou-se da cadeira e saiu apressado. Antes, pegou discretamente os gravadores dos jornalistas da SÁBADO e meteu-os nos bolsos das calças. Já no exterior do Parlamento, encontrou os jornalistas, que o confrontaram com a situação, mas mesmo assim recusou devolvê-los. A SÁBADO apresentou queixa no DIAP de Lisboa, por furto e atentado contra a liberdade de imprensa e de informação. O deputado açoriano, um dos principais porta-vozes do PS para a área da Justiça, não quis responder a questões sobre a sua ligação, como advogado, sócio e procurador, com Débora Raposo, condenada em 2008 por burla e falsificação de documentos, num caso que defraudou em vários milhões de euros a CGD de Vila Franca do Campo, nos Açores. E em que ele próprio chegou a ser arguido, mas não acusado. No entanto, o juiz de primeira instância de Ponta Delgada, num processo em que Ricardo Rodrigues processou um jornalista, considerou questionável a sua ingenuidade: “Tem de admitir-se, à luz das regras da experiência comum e do normal acontecer das coisas, que um quadro daqueles era de molde a, ao menos, gerar suspeita numa pessoa medianamente diligente e prudente. Se o assistente (Ricardo Rodrigues), na sua condição de advogado, não representou sequer uma tal hipótese, então deve dizer-se que isso não impede os outros de duvidarem de um tal desconhecimento e até mesmo, supondo-o verdadeiro, o censurarem, sobretudo em quem depois se alcandorou a cargos políticos respeitáveis e de responsabilidade.”
Ricardo Rodrigues recusou ainda abordar, e levantou-se nessa altura, o tema da sua demissão, em 2003, do Governo Regional dos Açores, em que era secretário regional, na sequência de boatos, com repercussão pública, que o ligavam a um escândalo de pedofilia no arquipélago. A motivação da saída também foi pública. A questão, que já não foi possível colocar, não era sobre os boatos, mas sobre as consequências que os políticos devem – ou não – tomar face a esse tipo de situação. Ainda corre um processo colocado por Ricardo Rodrigues contra o Expresso e a SIC, sobre esta questão.
Em conferência de imprensa no Parlamento, Ricardo Rodrigues justificou o acto com a “violência psicológica insuportável” que, segundo o deputado, estaria a ser exercida sobre si pelos jornalistas. Ricardo Rodrigues acrescentou ainda que foi alvo de “perguntas inquisitórias e assentes em premissas falsas”. Incomodado com as perguntas, o vice-presidente da bancada socialista diz ter furtado os aparelhos de gravação, num "acto irreflectivo", como alternativa para preservar o seu bom nome. Ricardo Rodrigues anunciou ainda que apresentou, na passada segunda-feira, uma providência cautelar contra a revista Sábado e os dois jornalistas que conduziram a entrevista.

Fonte: http://www.sabado.pt/Multimedia/Videos/Especiais/Ricardo-Rodrigues-entrevista-dura.aspx

Sindicato dos Jornalistas condena furto

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) condenou esta quarta-feira a apropriação pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues de gravadores de jornalistas da revista Sábado, lembrando que o parlamentar «tem a especial obrigação de conhecer e proteger as leis da República». O SJ adianta, em comunicado, que os gravadores são «instrumentos de trabalho dos quais os jornalistas não podem ser desapossados» e que podem «conter material protegido pelo seu sigilo profissional».
Para o Sindicato dos Jornalistas, trata-se, porém, de uma atitude «inaceitável e condenável em qualquer pessoa, que constitui um comportamento especialmente condenável por se tratar de um deputado, que tem a especial obrigação de conhecer e proteger as leis da República». Ricardo Rodrigues, lembra o SJ, «tem direito a recusar responder a perguntas, e de se queixar dos jornalistas se o comportamento destes tiver sido incorrecto, mas não pode recorrer a acção directa para reagir a elas».
Na nota, o sindicato lamenta que o deputado «não tenha devolvido os gravadores e pedido desculpas pela sua conduta» e revela «profunda preocupação» por Ricardo Rodrigues ter «apensado à providência cautelar que diz ter apresentado» na segunda-feira «os gravadores de que se apropriou».
A providência cautelar destinava-se a suspender a divulgação do vídeo filmado pelos jornalistas da Sábado e da história associada, mas o filme está a ser transmitido no sítio da revista e a publicação está impressa e praticamente pronta para ser distribuída. A Sábado alega que não foi notificada pelo tribunal da providência cautelar, mas diz que já apresentou uma queixa contra o deputado no Departamento de Investigação e Acção Penal.

Finanças públicas afetadas pela crise

Bruxelas prevê défice de 8,5% este ano em Portugal

Comissão Europeia é menos otimista do que o Governo quanto à evolução do défice orçamental português, prevendo um desequilíbrio das contas públicas de 8,5 por cento do PIB em 2010 e de 7,9 por cento em 2011.

Nas Previsões da Primavera publicadas hoje em Bruxelas, o executivo comunitário reflete a advertência feita há um mês pelo comissário europeu dos Assuntos Económicos que avisou o Governo português para a possibilidade de ter, ainda este ano, de tomar "medidas suplementares de consolidação orçamental".
No Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) atualizado em finais de março, Lisboa previa que o desequilíbrio das suas contas iria evoluir de 9,3 por cento do PIB em 2009 para 8,3 em 2010, passando depois para um défice de 6,6 por cento em 2011, e abrandando para 4,6 por cento em 2012 e 2,8 por cento em 2013, abaixo do limite definido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (3 por cento).
O comissário europeu responsável pela Economia, Olli Rhen, advertiu em 14 de abril, aquando da aprovação do PEC atualizado português por Bruxelas, que "poderão ser necessárias medidas suplementares de consolidação orçamental, em especial para o corrente ano, caso se materializem os riscos que pesam sobre a evolução macroeconómica e orçamental".
A Comissão Europeia considera que "as finanças públicas foram visivelmente afetadas pela crise atual". Bruxelas sublinha ainda que, face a um "crescimento muito fraco" do produto, a melhoria do desequilíbrio das contas públicas em Portugal é explicada pelo fim das medidas temporárias contra a crise tomadas em 2009 e a execução de outras tendentes a reduzir o défice em 2010.

PR não comenta candidatura de Alegre

"Não devo interferir na governação", diz Cavaco Silva

Além disso, o Presidente escusou-se a comentar a revisão em alta da Comissão Europeia sobre as previsões de crescimento da economia nacional.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, escusou-se hoje a comentar a candidatura de Manuel Alegre às eleições presidenciais e garantiu que o seu dever é exercer as suas funções, rejeitando interferir na governação. Questionado sobre o anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, lançada na terça feira nos Açores, Cavaco Silva sublinhou não dever comentar "matérias como essa".
Na apresentação da candidatura, Alegre destacou que ao Presidente "não compete governar" e afirmou-se crítico do "conceito de cooperação estratégica, que tem implícita a ideia de uma partilha de governação e, por isso, é suscetível de gerar conflitos institucionais", uma posição que Cavaco Silva não quis comentar. "Entendo que não me devo pronunciar, mas sim exercer as minhas funções de Presidente da República", referiu.
Sobre afirmações de Manuel Alegre considerando que as declarações de Cavaco Silva sobre a necessidade de reponderar alguns investimentos "podem ser interpretadas como uma interferência nas escolhas" do Governo, o Presidente respondeu: "não devo interferir na governação".
"Não devo interferir na governação. Aquilo que eu faço está perfeitamente de acordo com aquilo que eu afirmei durante a campanha eleitoral e que consta de um documento que se chama, se não me engano, 'As minhas ambições para Portugal'", sustentou. O Presidente escusou-se a comentar a revisão em alta da Comissão Europeia sobre as previsões de crescimento da economia nacional, afirmando desconhecer o número e justificando que não pretende ofuscar a celebração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP.
Cavaco Silva visitou esta manhã a escola secundária Eça de Queirós, nos Olivais, Lisboa, que reúne alunos de 35 nacionalidades, e que considerou um "bom exemplo de qualidade do ensino, na valorização da língua portuguesa e um esforço extraordinário da integração multicultural".

Atenas está arder

Manifestação leva 20.000 às ruas de Atenas em dia de greve geral

Cerca de 20.000 pessoas estavam concentradas a meio do dia de ontem no centro de Atenas e 14.000 em Salónica, no quadro da greve geral organizada pelas grandes centrais sindicais gregas contra austeridade. Três mortos em incêndio em banco de Atenas.

Perto de 10 000 manifestantes, concentrados atrás de uma faixa apelando à "luta contra as medidas anti-sociais", escutavam discursos de dirigentes das duas grandes centrais sindicais: a Confederação dos Trabalhadores do sector privado (GSEE, um milhão de membros) e a do sector público (Adedy, 370 000 membros), antes do início do um desfile.
Cerca de 14.000 manifestantes estavam, por seu turno, reunidos em Salónica, a grande cidade do norte da Grécia, segundo fontes policiais. Em Atenas, numerosos cartazes exibidos pelos manifestantes exortavam a que fossem "os ricos a pagar a crise" e criticavam a UE e o FMI, que conseguiram que o governo grego aplicasse medidas rígidas de austeridade em troca por um plano de salvamento da Grécia de 110 mil milhões de euros em três anos. "O FMI e a UE roubam-nos um século de conquistas sociais", afirmava uma das faixas.
A manifestação foi convocada por ocasião de uma greve geral, a terceira desde fevereiro, organizada pelas duas centrais sindicais. Por seu turno, o PAME, frente sindical do Partido Comunista (KKE, ultra-ortodoxo), que recusa tradicionalmente qualquer manifestação unitária, reunia cerca de 10 000 pessoas numa outra praça da capital grega. Os grevistas preparavam-se para se manifestar do centro da capital até ao Parlamento, onde estão a ser discutidas em comissão as medidas de rigor e de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional.
Três pessoas, duas mulheres e um homem, morreram num incêndio numa sucursal bancária do centro de Atenas, atingida por 'cocktails' molotov lançados por jovens encapuzados à margem de uma manifestação, informaram os bombeiros. O incêndio foi extinto por duas dezenas de bombeiros, apoiados por vários veículos, segundo a mesma fonte. Dois edifícios administrativos também do centro de Atenas foram entretanto incendiados com 'cocktails' molotov. Num dos edifícios funciona uma repartição de finanças, no outro serviços municipais, segundo a polícia e os bombeiros.
Atenas era ontem palco de uma manifestação - cerca de 30.000 pessoas ao princípio da tarde, segundo a polícia - organizada no âmbito da greve geral convocada pelas grandes centrais sindicais gregas contra as medidas de austeridade aprovadas pelo governo.

Opinião do Leitor - Os Ídolos II

A propósito dos comentadores anónimos...

Ao ver estes comentários, que mais não são, PARA MIM, do que a mais elementar e primária prova de que os homens de hoje precisam mais de educação do que muitos jovens, sobre os quais nos babamos com a nossa escrita de geração orgulhosa e sabichona, (....) ao ver tudo isto, dizia, regresso. Não para responder mas para comentar. Sobretudo para o mais e melhor educadamente quanto queiram aceitar-me, dizer só uma coisa. O tal Sr. anónimo que me chamou de "fascista" tem todo o direito a ter as suas opiniões. Mas fez-me lembrar uma coisa que se aprende por aí, na antropologia social e política e não só. É que o nosso intelecto não deve ficar de fora daquele conhecimento que é já já reconstrução do mundo". Entender a dialética como método e não como lei abstracta dos fenómenos históricos, parece-me cada vez mais, uma necessária preocupação dos mais esclarecidos intérpretes de Marx. A lógica das contradições, só por si, como teoria ou estudo, não permite dizer que contradições estão neste ou naquele objecto, ou numa qualquer realidade particular. O Marx já dizia que as ideias gerais e a lógica do método NÃO DISPENSA O APREENDER DE CADA OBJECTO EM SI MESMO. A forma, a lógica do método deve subordinar-se ao conteúdo, ao objecto, à matéria em análise.
Não acertam lá muito sobre os outros os que pensam dizer tudo dizendo pouco (é preciso saber DECLINAR OS NOMES. Este pequeno fenómeno que eu nunca imaginei criar, vejam bem!... acaba por ser tão elucidativo do nosso nível, social, cultural, político, educacional. Começamos logo pela estranha capacidade da camuflagem em não nos declinarmos a nós mesmos. Anónimos... quase sempre esta categoria de gente a participar donde à partida de exclui!!! Os anónimos têm várias leituras. As deles, mas também as nossas. A pequenez das nossas satisfações prova-se no modo como somos e tratamos os outros. Sobretudo mais aqueles que não conhcecemos. Não quiz ofender absolutamente ninguém quando referi alguns pensamentos utilizando os "três éfes", e, acrescentando, ironicamente, mais dois "éfes" a um personagem que poderia ser tomado como ídolo...
Vamos lá a ver! Não tenho nada contra quem as pessoas se unem, casam, separam, etc... Só peço o grande favor de entre nós, comentadores e simples leitores tentarmos interpretar com correcção intelectual o que os outros dizem. Eu não fiz um texto "fascista", mas sim revolucionário e progressista. Por isso só lamento que as pessoas deixem falar mais as SUAS fezadas e crenças, sonhos e ridicularias pessoais onde se fecham (sem se darem por isso, talvez!) e, com isso, não sejam suficientemente livres e libertos. Libertos de si para entender, genuinamente, os outros. Livres por saberem ser "nómadas", aceitarem o condicional das suas acções como eu estou farto de admitir as minhas. E, como sou professor, lá terei de dar mais um exemplo deste género de cidadania aos meus alunos. Garanto que o faço. Aliás tudo isto me deu esta ideia (será óptima!?) de levar os alunos a pesquisar estes modos de ser das pessoas através dos blogues e comunicação digital.
Se um dia eles quizerem fazer um trabalhinho sobre tudo isto, quem sabe, talvez este Algarve Reporter seja também o lugar do seu (dos alunos) interesse e publicação.
Ao Sr que me chamou nomes eu peço desculpa por não me ter clarificado perante a capacidade do seu entendimento. Mas olhem que de "facho"!.... Hum! Nem sonhem comigo, meus caros.

A. Ramos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Manuel Alegre formaliza candidatura à Presidência

Alegre dirigiu-se a todos, mas sobretudo aos jovens

Na terra de Antero, pela inspiração e pelo apoio político, o candidato independente e suprapartidário, mas não neutro, afirma-se como um lutador e como lutador não há ninguém mais novo que o avô Alegre.

Em Ponta Delgada, no Teatro Micaelense, com sala cheia, Alegre explicou aos portugueses porque escolheu a terra de Antero de Quental - um dos fundadores do socialismo, que foi, e é, uma inspiração - para formalizar a apresentação sua candidatura à Presidência da República. Contra a atonia, afirma-se independente, suprapartidário, mas não neutro. Alegre começa por destacar a «autonomia, como sinónimo de liberdade e de democracia». A evocação de Antero; o elogio da autonomia; e o «republicano e socialista» Manuel Alegre, na pessoa de Carlos César, «uma grande referência dos Açores, do PS e da República», saúda todos os socialistas e democratas... dos Açores.
E de evocação em evocação, o candidato mantém-se na sua família política, para se referir ao «presidente Almeida Santos e ao secretário-geral, José Sócrates» e «saudar o meu partido, o partido socialista» e todas as forças de esquerda. Como presidente, Alegre quer assumir-se como uma alternativa ideológica. «Há quem pergunte por que motivo me recandidato. Faço-o pela convicção de que Portugal precisa. Mas faço-o sobretudo a pensar nas gerações mais novas, frequentemente acusadas de desinteresse pela política», afirmou Manuel Alegre. E o candidato pensa e já reflectiu sobre outras questões.
Sobre o «ataque especulativo contra o nosso país e contra o euro» e a ausência de «coordenação de políticas económicas como complemento necessário da união monetária»; sobre uma Europa que «ainda hesita para acudir aos países mais vulneráveis». Uma Europa que peca por «omissões». Manuel Alegre, conclui, sublinhando, que a Europa tem que ser um «projecto de solidariedade entre iguais».
Em momentos de dificuldades e austeridade tudo deve ser feito «para preservar o Estado social». Alegre acrescenta que é tempo de «uma grande exigência ética», e afirma-se pelo investimento público, ao lado do Governo e do PS. Alegre prossegue afirmando que o «investimento público não pode ser posto em causa pelas sucessivas intervenções, susceptíveis de leituras políticas contrárias à solidariedade e à coesão institucional». E fica quase tudo dito.
O candidato «suprapartidário», mas «não neutro», prossegue advertindo que não abdicará da opinião, da independência, da liberdade de consciência e da «ética republicana, como referência de probidade em defesa da causa pública». Alegre tem ainda tempo para o elogio à Constituição da República, «uma das mais avançadas da Europa», de que ele se orgulha e que «todos os portugueses se devem orgulhar». Uma constituição que tem permitido «as mais variadas soluções de governo, de direita e de esquerda, com maioria relativa ou absoluta, de um só partido ou de coligação». Para concluir que «a Constituição nunca foi um obstáculo à governação em Portugal».
E insiste: «não serei neutro». Não será neutro na defesa dos direitos sociais que a Constituição consagra como direitos humanos; na defesa da escola pública; do Serviço Nacional de Saúde; da Segurança Social; da Justiça como «pilar essencial ao funcionamento do Estado de Direito»; na defesa das Forças Armadas; e na valorização da História, da Cultura e da Língua Portuguesa.
E o poeta candidato fala aos jovens. Afirma o que é mais do que evidente: que o futuro está nas mãos das novas gerações, e que ele, Alegre, «quero ser o vosso presidente, quero ser o vosso aliado e o vosso companheiro de viagem».

«Portugal, se calhar, também vai precisar de solidariedade»

O candidato presidencial Manuel Alegre já tina defendido os investimentos públicos como meio de combate à crise e lamentou que a União Europeia tenha tido «dificuldade» em «acudir aos países que estão a ser alvo de um ataque especulativo». Em declarações aos jornalistas, à margem da 5ª Conferência da Cooperativa Militar, realizada em Lisboa, o também ex-dirigente socialista frisou que «tem que haver rigor técnico, tem que haver rigor financeiro; agora o combate à crise precisa também de investimentos públicos».
«Estou sempre a citar o presidente [norte-americano] Roosevelt quando, em 1929, ele utilizou como uma arma fundamental para combater a crise e evitar o colapso os investimentos públicos», lembrou o histórico socialista. Manuel Alegre considerou também que o apoio financeiro de 110 mil milhões de euros que a União Europeia acordou conceder à Grécia é um acto de «solidariedade» e esta «tem de ser distribuída por todos». «Nós, se calhar, também vamos precisar da solidariedade dos outros», aventou.
Questionado pelos jornalistas sobre se acredita neste cenário, o candidato presidencial retorquiu: «se não acreditar nisso tenho de deixar de acreditar na União Europeia». A União Europeia (UE) «tem de ser um projecto político, um projecto de coesão económico-social e um projecto de solidariedade», argumentou Manuel Alegre. Pelo que lamentou que a UE tenha «acorrido tão depressa para salvar a banca do colapso e agora tenha tanta dificuldade em acudir aos países que estão a ser alvo de um ataque especulativo, como a Grécia e como Portugal».

terça-feira, 4 de maio de 2010

Segurança rodoviária

Um em cada três condutores mortos está sob efeito de álcool

«Não devemos falar em acidentes, mas sim em desastres provocados por condutores irresponsáveis», diz presidente da Autoridade de Segurança Rodoviária.

Um em cada três condutores mortos nas estradas portugueses conduz sob o efeito de álcool, revelou o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). «Um em cada três condutores que morrem vítimas de acidentes de viação têm excesso de álcool e um em cada quatro condutores autopsiados têm mais de 1,2 gramas de álcool por litro de sangue», disse à Lusa Paulo Marques.
O presidente da ANSR falava à margem de uma reunião de 40 especialistas onde estão a ser discutidas estratégias para redução do consumo do álcool na condução, numa organização do Conselho Europeu de Segurança Rodoviária (ETSC) e da ANRS. A condução sob efeito do álcool é um dos factores de risco que mais contribui para a sinistralidade em Portugal. «Não devemos falar em acidentes, mas sim em desastres provocados por condutores irresponsáveis», considerou Paulo Marques. Segundo o responsável pela ANSR, o objectivo estratégico de Portugal é «reduzir significativamente o número de condutores mortos até 2015».
Uma evolução positiva: «Portugal tem vindo a fazer um percurso muito positivo. No início da década éramos o pior país da União Europeia e conseguimos reduzir para metade o número de mortos encontrando-nos perto da média europeia», lembrou Paulo Marques.
Contudo, e apesar da evolução, Portugal ainda pertence ao grupo de países com maior consumo de álcool per capita na UE e as doenças relacionadas com o álcool são responsáveis por cinco por cento das mortes. O número de mortes nas estradas portuguesas reduziu mais de metade, mas a estatística revela uma tendência de estagnação no que se refere às vítimas mortais relacionadas com o consumo de álcool.
Em termos gerais, muito embora Portugal apresente um dos melhores desempenhos em termos de condução não alcoólica comparativamente com outros estados da UE, a tendência é preocupante. As entidades fiscalizadoras submetem, por ano, mais de meio milhão de condutores aos testes de rastreio do álcool e a estatística mostra que de 2005 a 2009 o número de infractores aumentou 20 por cento.
No que se refere à imposição de limites de álcool diferenciados para determinados condutores, Portugal faz parte dos estados-membros da UE que ainda não adoptou medidas nesse sentido, pese embora estejam a ser objecto de estudo, no âmbito da revisão do Código da Estrada, prevista na Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR).

Opinião do Leitor

Os ídolos

Como poderei esquecer e deixar de falar de fado, fátima e futebol quando na esquina daquele que eu desejaria e acredito que seja um outro tempo, me aparecem os "Fascos Fonçalves"!?

Sempre que os homens sonham com um ídolo!?... coisa quase sempre estática, fixa: já pensada, admirada pelo que foi, mas esquecida do que hoje seria; realizada, onde a postura e a linguagem já nada dizem, já respirada, inspirada e expirada até ao cansaço; secreta e secretista para homens com o poder de tudo saberem, decifrarem; ausentes deste momento, olhando ou dormindo num espaço já sem tempo, sem verbo, sem conjugação indicativa; o ídolo, a estátua erguida e sustentada pelo esqueleto e ossadura dos de ontem no hoje, que foi e será absoluta e fatalísticamente uma acção no conjuntivo; tão realizada e difícil de conseguir que nos expõe perante a realidade o quanto é feita de condicional; de natureza histórica dogmática, expondo a existência a estruturas que teriam resposta para tudo.
Como poderei esquecer e deixar de falar de fado, fátima e futebol quando na esquina daquele que eu desejaria e acredito que seja um outro tempo, me aparecem os "Fascos Fonçalves"!?
Eu também já disse tudo ao meu cão, e o gajo até parece que sabe o que é o respeito. Para quê declinar com tanta teimosia a nostalgia do "medo" que o ídolo tão historicamente nos certifica?
Que raio de homens tenho eu na minha mente e desejo encontrar pela vida a fazer? A que coisas e a que pessoas deverei eu dizer que sim ou que não, não porque sim ou porque não? Como é que os meus ganhos e vitórias são o sucesso, a liberdade e a verificação da felicidade para toda a gente?
Não. Acho que não me sinto capaz de ser tão afirmativo. A revolução humana não terá parado nos ídolos com que engraçámos?

A. Ramos

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O paradoxo elevado ao extremo

Portugal tem condições para emprestar dinheiro?

O cumprimento das obrigações impostas pela adesão à União Europeia faz-nos ter de gastar e dar o que não temos...

Portugal irá emprestar à Grécia 2 064 milhões de euros de um total de 80 mil milhões do pacote de apoio que os países da Zona Euro aprovaram hoje em Bruxelas, anunciou o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.
"A parte portuguesa corresponde a cerca de 2 064 milhões de euros equivalente à nossa participação no BCE", disse Teixeira dos Santos no final de uma reunião extraordinária dos ministros das Finanças da Zona Euro para aprovar o mecanismo de apoio à Grécia.
O responsável governamental português sublinhou que "não há riscos de Portugal perder dinheiro" com esta operação que não foi desenhada para "ganhar dinheiro" mas sim para "dar estabilidade à moeda única".

A timidez do Presidente

Cavaco pede para "ajudarem..."

PR apela a produtores, consumidores e retalhistas para ajudar a resolver "problemas" do país.

O Presidente da República, Cavaco Silva, apelou hoje ao contributo dos agricultores para "a resolução dos problemas" do país, pedindo também aos portugueses para consumirem e às grandes superfícies para venderem produtos agrícolas nacionais a um "preço justo".
"Os produtos agrícolas são bens transacionáveis, que se importam e se exportam. Se conseguirmos apoiar os agricultores, e este é um apoio altamente rentável para o país porque contribui para diminuir o défice externo, então melhoraremos, com certeza, a situação do nosso endividamento externo", disse. Por isso, na visita que efetuou esta tarde à feira agropecuária Ovibeja, que considerou "a montra do mundo rural" português, o Chefe de Estado aproveitou para lançar um "apelo simultâneo" a agricultores, consumidores e distribuidores.
"Eu vim hoje à Ovibeja para manifestar o meu apoio aos agricultores portugueses e pedir-lhes que contribuam para a resolução dos problemas, das dificuldades de Portugal", disse, frisando que, "nunca como hoje, o país precisou tanto" dos homens da terra. "E eu apelo para que eles se empenhem no aumento da produção competitiva, para aumentarem as suas exportações e diminuírem as importações, dessa forma contribuindo para a redução dos nossos desequilíbrios externos", sublinhou.

sábado, 1 de maio de 2010

Fim de Semana - Crónica de Domingo

Na ressaca da festa


Depois da festa, será bom e muito conveniente que um certo "tipo" de portugueses pense finalmente em trabalhar!


Portugal vive a mais profunda e grave crise económica dos seus últimos 25 anos, só comparável ao descalabro resultante do PREC no pós 25 de Abril. Mas hoje as coisas são totalmente diferentes, e todos os portugueses têm responsabilidades e culpas nisso. Porque elegeram os políticos que nos têm (des)governado nas últimas décadas, e não souberam correr com eles no tempo certo.


Agora, que cada português deve 18,3 mil euros aos bancos estrangeiros, e que cada um de nós paga em média 590 euros em juros (2009), que pelos resultados do famoso rating a Bolsa de Lisboa perdeu em apenas dois dias mais de 5 milhões de euros e a UE fixou a taxa de desemprego nacional nos 10,5%... será bom que se atente nos números, e se deixem de festas, de gastar dinheiro perduláriamente em projectos e coisas supérfluas - (como os outdoors de boas vindas ao Papa espalhados pelas cidades, coisa que só se faz em termos comerciais para angariar público para concertos das vedetas pop...!) - e pense, de uma vez por todas em começar a trabalhar.


Mas trabalhar a sério, TODOS. Não só meia dúzia - como de costume, para dúzia e meia que não produz nada, nem deixa os outros produzir.


Portugal é hoje um país à beira do abismo, o FMI volta a estar perto da Portela, o tempo que vivemos exige clareza, determinação e consciencialização da gravidade do presente e do rumo a seguir, tendo como exemplo as medidas tomadas pelos nossos vizinhos espahóis, já que em Portugal não há a coragem política de se taxar devidamente os lucros exorbitantes de bancos e empresas, nem cortar com os bónus e ordenados escandalosos dos gestores públicos.


Perante este estado de coisas, só restam duas soluções: ou o país se afunda irremediávelmente nas mãos dos incompetentes, passando a viver de esmolas como uma colónia (pobre) da UE, ou arrepiamos JÁ caminho em direcção à produtividade. Caso contrário, seguramente que Portugal deixará de ter o lugar que por direito lhe competia na estória das nações responsáveis.


Quem se sente verdadeiramente português e que continua a contribuír com a sua quota-parte, agradece.


Carlos Ferreira



algarve.reporter@live.com.pt