Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ETA em Portugal

Dois presumíveis membros da ETA foram detidos

Autoridades tiveram de perseguir suspeitos e de fazer disparos para os intimidar. Detidos passaram a noite no posto da GNR sem proferirem qualquer palavra.

Dois presumíveis terroristas espanhóis que fugiram para Portugal estão detidos em Torre de Moncorvo depois de uma perseguição policial em que as autoridades tiveram de fazer disparos para intimidar os fugitivos, disse à Lusa fonte da GNR. Segundo fontes citadas pelo El País, a carrinha na qual ia um dos alegados etarras vinha para Portugal mas o material explosivo não estava preparado para ser utilizado num atentado de forma imediata.
De acordo com a fonte da GNR, os dois elementos, interceptados este sábado em Espanha, junto à fronteira, numa carrinha carregada de explosivos, vão ser entregues à Polícia Judiciária, que tomará conta deles até estar concluído o processo judicial que se segue. Os suspeitos, um homem e uma mulher, entraram em Portugal na fronteira de Bemposta, e a fuga prolongou-se por várias dezenas de quilómetros até Torre de Moncorvo, no sul do distrito de Bragança.
A fonte da GNR disse que estiveram envolvidas «quatro a cinco viaturas» e que «foi necessário recorrer ao fogo (armas) para intimidar os fugitivos». O homem foi o primeiro a ser detido e a mulher depois. As autoridades estão ainda a «recolher informações e a clarificar a situação», sendo que os dois elementos deverão permanecer detidos em Portugal «pelo menos alguns dias».
Segundo disse, os presumíveis terroristas vão ser presentes a um tribunal português, depois Espanha deverá pedir a sua extradição, que será também analisada judicialmente e só ai serão entregues às autoridades espanholas.
O processo não deverá ser longo, já que os dois suspeitos não cometeram crimes em território português, embora um deles se faça acompanhar de documentos falsos, o que é crime. A operação ocorreu entre as 22h00 e as 24h00 de sábado, depois de a Guardia Civil espanhola ter localizado uma carrinha carregada com explosivos em Bermillo de Sayago, Zamora, próximo da fronteira com o Nordeste Transmontano.
De acordo com o jornal El Mundo, por volta das 22h00 (21h00 em Lisboa), dois agentes da Guardia Civil, num controlo de rotina, decidiram mandar parar a carrinha, que levantou suspeitas por ter matrícula francesa. O condutor do veículo, presumível membro da ETA, conseguiu escapar aos polícias roubando-lhes o carro patrulha com o qual concretizou a fuga e entrou em território português. A mulher seguia à frente da carrinha, num outro carro, também com matrícula francesa.

Detidos não resistiram nem tinham armas

Os dois espanhóis detidos em Moncorvo suspeitos de pertencerem à ETA não ofereceram resistência e já não possuíam qualquer arma na altura das suas detenções, noticia a Lusa. Segundo disse à agência noticiosa uma fonte que esteve envolvida na operação que montou um cerco na zona da Torre de Moncorvo, o homem que seguia no jipe da Guarda Civil, entretanto furtado em território espanhol, foi interceptado já na vila de Moncorvo, depois de ser visto passar no entroncamento de Larinho.
Equipas da Guarda civil espanhola, mantiveram-se no encalço dos suspeitos ainda em território português. Em plena Torre de Moncorvo, a GNR terá obrigado a parar o referido jipe com fogo intimidatório, pelo que o suspeito em fuga não mostrou qualquer resistência nem possuía nenhuma arma, segundo a mesma fonte.
Já a etarra Iratxe Yáñez Ortiz de Barron foi detida na estrada que liga Torre de Moncorvo ao Pocinho (Vila Nova de Foz Côa), tendo sido levada igualmente para o posto da GNR, disse a mesma fonte militar. Os dois suspeitos passaram a noite no posto, foram tratados como os demais, refere a mesma fonte, e não proferiram qualquer palavra. Em comunicado, o Ministério do Interior espanhol explicou que esta operação teve início na noite de sábado, quando as autoridades espanholas detiveram uma carrinha com explosivos junto à fronteira com Portugal.
O Governo afirma que a carrinha - que era conduzida por Garcia Arrieta, estava carregada com explosivos e levantara suspeitas por ter matrícula francesa - foi interceptada em Bermillo de Sayago (Zamora), num ponto de controlo da Guarda Civil. Enquanto os agentes inspeccionavam a carrinha, o condutor entrou no carro de patrulha policial e fugiu em direcção a Portugal. Neste automóvel, que tinha matrícula francesa e vária documentação falsa (passaportes e bilhetes de identidade), seguia Iratxe Yáñez Ortiz de Barron, com antecedentes por ter reunido informações sobre eventuais alvos políticos, militares ou policiais da ETA.
Na carrinha interceptada em Espanha foram encontrados cerca de 10 quilos de explosivos, bidões e material para fabrico de engenhos explosivos, três armas de vários calibres, documentação variada e matrículas francesas.
Agentes da Guarda Civil Espanhola realizaram este domingo buscas domiciliárias em dois locais, em Aretxabaleta (Guipuzcoa) e Vitoria, ambas no País Basco, na sequência da detenção em Portugal de dois alegados membros da ETA. Fontes policiais confirmaram que a primeira rusga efectuou-se a meio da tarde e a segunda iniciou-se pouco depois das 22h00, envolvendo agentes de várias unidades das forças de segurança espanholas. As duas operações relacionam-se com as detenções em Portugal de Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yañez Ortíz de Barrón, esta última incluída na lista de suspeitos de envolvimento nas acções da ETA levadas a cabo em Burgos e Mallorca, em Julho do ano passado.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Crónica de Domingo

Antes, eramos cawboys, agora somos astronautas

Antes, não tínhamos receio de desbravar o mundo. Foram as caravelas pelo mar, e os cawboys no Oeste americano. Hoje, estamos aprender a viver numa nave super-lotada, e com recursos restritos. O caminho para enfrentarmos as enrascadas globais passa agora pelo nascimento de uma cidadania planetária.

Mais uma vez o passo dado na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de Copenhaga é decepcionante em relação às esperanças semeadas pela prévia campanha mobilizadora da opinião pública mundial. De novo o anunciado multilateralismo ficou reduzido a um escasso número de decisores, com a reserva inspirada pelas dúvidas sobre a real capacidade dos que, neste como em outros casos, são admitidos a tomar parte no anúncio de que participam nessa dignidade directora. A linguagem cuidada do angustiado secretário-geral da ONU, que não perde de vista salvaguardar a imagem da organização acima dos parcos resultados das iniciativas, adoptou o modelo mobilizador dos discursos eleitorais de Obama, mas não chegou para nada.
Hoje, pode soar como clichê, pois é uma imagem algo desgastada, mas o facto é que, em 1969, quando o homem chegou à Lua e de lá observamos o nosso planeta, algo começou a mudar na nossa mente. Porém, apesar da contundente imagem na televisão e nas páginas de revistas e jornais, a vida real continuou a mesma. Afinal, éramos meros 3,6 bilhões de pessoas. Não pensávamos na nossa "pegada ecológica", mas, se o fizéssemos, veríamos que só 70% da capacidade da Terra era utilizada. Como os cawboys, víamos num vasto mundo a ser ocupado e usufruído sem receio. Buscávamos o nosso oeste, qual El-Dourado, apoiados nas descobertas da ciência. Em apenas quarenta anos, tudo isso mudou.
Hoje somos quase 7 bilhões de seres humanos, e tiramos da Terra 30% mais do que ela nos pode dar, exaurindo rapidamente o património de cuja renda dependemos. Descobrimos que já não somos cawboys nem navegadores-descobridores, mas astronautas. Vivemos isolados numa grande nave, com recursos finitos e limitado ao espaço para os dejectos. A realidade que conhecíamos – mas não sentíamos – agora impõe-se, sob a forma de mudanças climáticas, montanhas de lixo, conflitos pela posse de água, petróleo e outros recursos.
Existem saídas para esse impasse? Certamente sim, e somos capazes de as construir, apesar dos enormes obstáculos a superar. Um deles, talvez o maior, é o desafio institucionalmente global, do qual pouco se fala. A imagem da Terra vista do espaço revela, também, que o mundo não tem fronteiras. E esse é mais um dado da realidade plena que ainda insistimos em ignorar. Os 192 países que hoje compõem a ONU nada mais são que invenções humanas, criadas há poucas centenas de anos. Conceitos hoje quase sagrados – como pátria e soberania nacional – só foram consolidados em meados do século XVII, com a Paz de Vestfália. Foi nesse conjunto de tratados que, finalmente, os potentados da nobreza europeia, incluindo o Sacro Império Romano-Germânico, reconheceram mutuamente os seus respectivos poderes, estabelecendo o que hoje chamamos de estados nacionais: parcelas do planeta sobre as quais existiria uma e apenas uma autoridade central, soberana. O tempo passou, e a globalização actual torna cada dia mais evidente que falta algo nesse modelo: falta combinar como pilotaremos a nossa nave, o nosso planeta sem fronteiras – sem esquecer, obviamente, a autonomia de cada país.
Além de elementos naturalmente globais – como o clima, as aves migratórias e os temidos vírus –, temos hoje criações globais humanas, como a poluição, os mercados, as telecomunicações e a cultura de massas. Já sentimos na pele a necessidade de enfrentar unidos os desafios planetários. Mas, para isso, dispomos apenas de instituições nacionais ou, na melhor das hipóteses, de um sistema internacional. Mas um problema existe: ele não é de facto global, acima das nacionalidades, pois apenas junta países, que continuam inevitavelmente enredados nas suas agendas nacionais, quando não reféns da desonestidade ou do egoísmo de lideranças políticas locais. Os tropeços e impasses na recente conferência do clima – a COP15, em Copenhague – são o mais recente e dramático exemplo desse triste cenário que nos rodeia.
A necessidade de instituições verdadeiramente globais é evidente. Mas construí-las será um desafio gigantesco. A crise de representatividade dos estados nacionais e dos políticos que os dirigem é gritante no mundo todo. Mas confiar apenas na "mão invisível" do mercado, sem regulamentações, também é perigoso, como mostrou a recente crise financeira que nasceu dos exageros dos cawboys engravatados de Wall Street. Intensificadas pelas modernas tecnologias da informação, navegando no espaço criado pela internet, iniciativas mundiais de cooperação e articulação são cada vez mais frequentes. Elas mesclam os estados nacionais com representantes de segmentos auto-organizados da sociedade planetária – como empresários, investidores, cientistas, trabalhadores, consumidores e ONG’s. Um exemplo disso é a plataforma ISO 26.000, uma norma internacional de responsabilidade social que já está praticamente pronta e deve ser publicada em fins de 2010. Ela representa um magnífico passo rumo à globalização.
Trabalhando juntas num processo altamente inovador, centenas de pessoas de todo o mundo dedicam-se, há mais de cinco anos, a compilar as expectativas embutidas nos acordos internacionais produzidos pelo sistema das Nações Unidas e a combiná-las com as mais consagradas práticas da boa gestão administrativa. O resultado é um guia de directrizes inédito, que mostra a qualquer organização – empresarial ou não – o que espera dela a comunidade global, além de orientá-la sobre como aplicar essa conduta no seu dia a dia.
Como esse projecto da ISO 26.000, vários outros exemplos demonstram que está em plena construção um novo paradigma de uma cidadania global. De que é esse o caminho, já não há dúvidas a ter. O resultado que vai ter, isso é que é uma pergunta ainda em aberto, infelizmente por algum tempo.
Esperemos que não seja tarde demais.
Carlos Ferreira

sábado, 9 de janeiro de 2010

Fim de Semana

Opinião
Dias de 'modernidade'

1Quem acredita na democracia representativa não pode deixar de respeitar a lei que ontem a esquerda (PS, Bloco e CDU) aprovou no Parlamento no que respeita ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, sou levado a também acreditar que ou a maioria da sociedade portuguesa se "modernizou" realmente imenso nos últimos anos de governação socialista, ou, se pudesse ser chamada a pronunciar-se concretamente sobre este tema, escolheria uma via aproximada da "União Civil Registada" com que o PSD, à pressa, tentou emendar a sua falta de visão estratégica na condução da discussão política sobre este tema nos últimos anos.
Começo por aí: o centro-direita e os seus líderes não têm estado à altura no que respeita à definição da sociedade que pretendem. Nesta mediocridade das discussões pequeninas, sobre mais uma estrada, menos um comboio, mais uma escuta, menos uma asfixia, o PSD e o PP entregaram os valores. O hedonismo vai impondo a sua ditadura sobre a família, sobre o direito à Vida, sobre a forma como olha para a droga, e não aparece um líder político que oponha um caminho alternativo. Que tenha um discurso frontal e esclarecido. Que sensatamente reconheça os direitos das pessoas a serem livres e respeitadas nas suas decisões mais íntimas mas, ao mesmo tempo, com coragem trace fronteiras claras entre a sociedade de onde vimos e aquela para a qual o Bloco de Esquerda há muito nos quer conduzir.
Por razões várias, nem Manuela Ferreira Leite nem Paulo Portas têm sabido estar à altura das suas responsabilidades nessa matéria. A líder do PSD falhou a possibilidade na última campanha. Teve uma oportunidade, e até uma boa intervenção, mas logo recuou amedrontada pela eventual perda de votos. Os grilos do PSD calaram a senhora presidente, retiraram- -lhe os temas fracturantes com medo de que ela voltasse a ser politicamente incorrecta, como havia sido antes com a "procriação".
Os costumes, e as questões morais, por enquanto só têm tido, do lado do centro-direita, uma voz coerente: Cavaco Silva. Veremos o que o Presidente da República diz já de seguida quando receber esta lei para promulgação.

2 Dentro de pouco tempo será muito normal que uma criança tenha dois pais ou duas mães (a luta pela adopção vai continuar), consuma livremente "drogas leves" na adolescência (não tardará…), opte nessa altura pela interrupção de uma gravidez que de repente deixou de desejar, ou não desejou de todo, e até se poupe razoavelmente cedo à luta contra uma doença apelando à eutanásia (outra discussão que não falha).
Por esse mundo fantástico, no qual todos os cidadãos serão completamente livres para não fazerem sacrifício algum, dou, desde já, os meus parabéns a Francisco Louçã, o homem que viu na fractura completa da sociedade portuguesa, em especial na vulgarização da instituição família, o cimento para fazer crescer uma nova ordem social e dentro dela o seu partido.
A José Sócrates, que pegou nestas bandeiras a reboque de interesses meramente políticos, e de controlo de danos eleitorais, concedo neste particular muito menos mérito do que aquele que ele provavelmente se achará credor.
A homossexualidade é um tema delicado. Mexe transversalmente em todos os partidos. Condiciona todas as intervenções. Hoje, um partido tradicionalista e conservador, como o PCP, onde a família conta, tem a posição que tem. E partidos como o PP e o PSD parecem envergonhados dos seus valores fundacionais. Há muita desorientação. Mas há, sobretudo, pouca coragem para assumir. Até posições políticas.
João Marcelino

Casamentos

O direito da família e da adopção português está submetido a dois parâmetros de validade: a Constituição da República e a Convenção Europeia dos Direitos do Homem. O Tribunal Constitucional já se pronunciou, em Julho de 2009, sobre a natureza aberta da Constituição portuguesa em matéria de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Segundo aquele tribunal, a Constituição não impõe, mas também não proíbe, o reconhecimento jurídico do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, o legislador teria liberdade para introduzir, no direito ordinário, uma concepção "abrangente" de casamento, que inclua o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas também poderia não o fazer, preferindo uma concepção "tradicional" de casamento.
Sucede que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem vai muito mais além do que o Tribunal Constitucional. Com efeito, o Tribunal Europeu já firmou jurisprudência, em três decisões fundamentais, quer sobre o conceito convencional de casamento, quer sobre os direitos parentais de um homossexual, quer sobre os direitos de adopção de pessoas homossexuais. Com efeito, no caso Goodwin, o Tribunal Europeu decidiu que o conceito convencional de casamento não tem como critério constitutivo a diferença de sexo biológico dos contratantes. Isto é, o Tribunal Europeu abandonou o conceito "tradicional" de casamento e concluiu que o direito de casar e fundar um família reconhecido pelo artigo 12 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem também pertence aos transexuais, o que, por maioria de razão, implica o reconhecimento desse direito às pessoas que, embora mantendo o seu sexo biológico, se queiram unir a outras do mesmo sexo. Mais: o Tribunal Europeu também decidiu, num caso contra Portugal, o caso Salgueiro Mouta, que os pais que vivam relações homossexuais têm direito a ter a custódia dos seus filhos, não podendo ser discriminados no processo para atribuição da guarda dos filhos em função da sua orientação sexual. Mais ainda: o Tribunal Europeu decidiu, no caso EB vs. França, que as pessoas que vivam uma relação homossexual têm direito a adoptar crianças nos mesmos termos e condições jurídicas das pessoas que vivam uma relação heterossexual, não podendo ser discriminadas no processo de autorização para adopção em função da sua orientação sexual. Em síntese, a orientação sexual da pessoa não pode servir para a discriminar juridicamente no seu relacionamento afectivo com outras pessoas, isto é, na celebração do casamento, no exercício dos seus poderes paternais e na adopção de crianças.
Do que se conclui que a decisão do Tribunal Constitucional fica aquém do padrão europeu, o que não surpreende porque o Tribunal Constitucional só ponderou a primeira das decisões referidas, esquecendo as duas outras. Se o Tribunal Constitucional tivesse tomado em consideração, como deveria, o conjunto da jurisprudência europeia e, sobretudo, a decisão da Grande Câmara do Tribunal Europeu de 2008, proferida no caso EB vs. França, teria de concluir inevitavelmente que o conceito "abrangente" de casamento, com todos os direitos e deveres legais comuns, é uma imposição do direito convencional europeu, que obriga o Estado português. O que o Tribunal Constitucional não fez, tem agora de fazer o legislador português, reconhecendo juridicamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo, com todos os direitos e deveres legais comuns, incluindo o direito de adoptar crianças nos mesmos termos e condições que as pessoas heterossexuais. A tanto obriga o facto de Portugal ser membro do Conselho da Europa. A tanto obriga o facto de Portugal ter ratificado a Convenção Europeia dos Direitos do Homem.
Paulo Pinto de Albuquerque

Ler mais em: http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1464788&seccao

Como é que tu dirias?

Em tempos que já lá vão; vivia um papagaio à varanda de um primeiro andar pertença de uma já idónea e reformada ministra da Educação. No trajecto que os estudantes traçavam rumo à escola. Estes, ensinaram ao pássaro falante uma piada burlesca que, cujo exímio florestal... habituado à cidade e, ao que aí se manifesta: sem sentir falta de nada, com quem passava gozava, fosse quem fosse... que interessa?
Queixosos, os estudantes, magoados com a sua antiga ministra ensinaram ao papagaio a «boca» ardilosamente sinistra! Sempre que iam a caminho da faculdade; dando-lhe amendoins... ensinavam ao papagaio em gracita entoação: «Morra Salazar não faz falta à nação.»Inteligente, o colorido espécime, logo de manha, para quem passava, não se cansava da repetição: (Morra Salazar...)
Rindo e galhofando, os estudantes e alguma da mais satírica população; o caso teve, publica e larga ovação! Quando, a polícia política, neste caso a velha PIDE teve de entrar em acção ou o pássaro falante se calava ou... a dona e o difamador iriam parar à prisão. Ripostando, argumentava a ditosa senhora: não! Nem eu nem o pássaro; iremos para a prisão! Do que é que afinal consta a acusação!? Por escrito, por favor, como o fundamentam as regras e o determina a Constituição.
Em papel azul, de vinte e cinco linhas timbrado ao centro do cabeçalho com as insígnias da nação, na esfera armilar. Com que então, «Morra Salazar, não faz falta à Nação.» Não! Returque a engenhosa senhora. Há um erro de interpretação motivado pela incorrecta pontuação. Deixem lá que, por isto, nem eu, nem o dito litigante iremos para a prisão. Leiam, então, a citação ortografada: e compreenderão, como estão, de opinião errada. ¿Morra Salazar? Não. Faz falta à Nação!¿
Mas... como eram tempos em que o ¿analfabetismo¿ era nota dominante na cultura portuguesa; à falta de perspicácia e de maior clareza: não podia permitir-se a afronta e vai daí, o bicho, metido à força numa cesta e aos saltos; em menos de nada estava metido num galinheiro junto de patos... perus, galos, galinhas...
O Rei da capoeira, ao ver tão belas penas... beleza tão altaneira! Não está com meias medidas e... nos preliminares, começa a fazer cenas... ao qual, o assediado, às bicadas e com garras de leão; repudia, ao mesmo tempo que o pretenso «Rei» advertia: - Ouve lá, ó... ¿PICA CRISTAS¿ não sabias, que eu estou aqui como prisioneiro político: não, como... marinheiro de água doce.»
G. Santos

Um frio de rachar

Portugal «a bater o dente»

Quedas de neve e temperaturas inferiores a 20 graus negativos causam perturbações em vários países da Europa.

Novas quedas de neve levaram a fortes perturbações nos transportes na Europa, incluindo no Reino Unido, onde se verificaram temperaturas siberianas, inferiores a 20 graus negativos. Desde o início da vaga de frio, em Dezembro, já morreram 24 pessoas no Reino Unido, segundo a contabilidade feita pelos meios de comunicação social locais.
O serviço de meteorologia britânico mantém o alerta de frio para as próximas duas semanas. Na noite passada, os termómetros registaram -22,3º em Altnaharra, uma aldeia escocesa. Esta sexta-feira, apesar de os principais aeroportos terem estado abertos, dezenas de voos foram cancelados. A circulação de comboios e automóveis também foi afectada. A companhia ferroviária de alta velocidade Eurostar, por exemplo, reduziu em um terço o seu serviço.
Em Portugal, os zero graus previstos para Lisboa durante a madrugada de sábado levaram o Metropolitano a manter as portas abertas aos sem-abrigo nas estações do Marquês de Pombal, dos Restaurantes e de Arroios.
Já em França, a neve privou dezenas de milhares de lares de electricidade, causando ainda atrasos nos comboios e cancelamentos de voos no aeroporto de Lyon. A Direcção-Geral da Aviação Civil francesa já pediu às companhias para anularem, no sábado, 25 por cento das suas ligações para o Aeroporto Roissy-Charles-de-Gaulle, em Paris.
Em Espanha, todas as regiões, com excepção da Andaluzia, da Extremadura e das Canárias, estão em alerta devido à previsão de novas quedas de neve, ventos fortes e descida de temperatura. Cinco regiões e 25 departamentos foram colocados sob alerta.
Por sua vez, na Alemanha, onde são esperados -10º, as autoridades aconselharam a população a guardar comida e medicamentos para três ou quatro dias e a não sair de casa, a não ser para o indispensável. O número de sem-abrigo mortos com a vaga de frio aumentou no país para dez.
Após numerosos acidentes rodoviários, a República Checa decidiu fechar, durante três horas, a circulação a camiões em duas importantes fronteiras, com a Alemanha e a Eslováquia, e na Polónia, a intempérie já matou, desde Novembro, 139 pessoas.

Quando a Imprensa estrangeira fala deste País...

Histórico ou não, Portugal progressista é falado

Casamento gay em destaque na imprensa internacional. Jornais assinalam desde o facto de Portugal ser um país católico ao de há três décadas ser ainda proibida a homossexualidade.

A aprovação da proposta de lei do Governo que torna legal o casamento entre homossexuais não teve destaque apenas em Portugal. Sites noticiosos de vários órgãos de informação estrangeiros deram destaque ao tema, de forma especial na Europa.
Em Espanha, os principais jornais destacaram o tema. «Sócrates qualifica a reforma de "momento histórico" no "combate contra a discriminação e a injustiça"», lê-se no «El País», que realça que a nova lei não contemplará a adopção.
O «El Mundo» também assinala este último dado. «Os casais de pessoas do mesmo sexo não poderão adoptar numa medida qualificada como "histórica" pelo Governo»
A palavra «histórica» é também utilizada pelo «ABC» no destaque dado a esta decisão do Parlamento e na forma como foi descrita por José Sócrates.
No Reino Unido, a BBC destaca a notícia entre as principias do dia: «Parlamento de Portugal passa uma lei para legalizar casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas rejeita propostas para permitir que casais homossexuais adoptem».
O «The Guardian» também noticia o tema, mas de forma mais discreta, assinalando que tornará «o país, predominantemente católico, o sexto da Europa a permitir o casamento gay».
Em França, o «Le Monde» também incluiu o asssunto num dos destaques da primeira página do site. «Portugal autoriza o casamento homossexual, mas não a adopção».
Mais discreto é o destaque no «Le Figaro», que assinala que «para ser definitivamente adoptado, o projecto de lei do governo socialista deverá passar pelas mãos do chefe de Estado, o conservador Aníbal Cavaco Silva, que dispõe do direito de veto».
O italiano «La Repubblica» também pega no assunto. «Sim de Portugal ao casamento gay», escreve, realçando também que se trata do «sexto país europeu a adoptar esta medida, que ainda deverá ser promulgada por Cavaco Silva e que não autoriza a adopção».

Manifestações de alegria dentro e fora do Parlamento. Casamento gay celebrado com palmas, brindes e beijos.

Do outro lado do atlântico, o norte-americano «New York Times» realçou a notícia em grande destaque na primeira página, com direito a fotografia. «O Parlamento português passou uma lei permitindo o casamento gay no país mais católico romano, que tem ainda de ser ratificada pelo Presidente, que também pode vetá-la».
Mais a sul e em Português, o site da Globo, o G1, apresentou a notícia entre as principais da primeira página. «Parlamento de Portugal aprova lei que permite o casamento entre gays». O «Folha de São Paulo» também trata o assunto, mas sem grande destaque.
Do outro lado do planeta, ao australiano «The Sydney Morning Herald» o tema também não escapou. Ainda que só na secção de Internacional. «O Parlamento de Portugal aprova uma lei que legaliza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, menos de 30 anos depois do país ter revogado a proibição da homossexualidade», lê-se.
As muitas pessoas que encheram esta sexta-feira as galerias do Parlamento para assistir à discussão das propostas sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo suspiraram de alívio e algumas abraçaram-se após a aprovação do projecto do Governo que alarga o acesso ao casamento a pares homossexuais.
À saída das galerias, dado que estas manifestações são proibidas dentro das instalações da Assembleia da República, os defensores do acesso ao casamento por casais homossexuais manifestaram-se com palmas, enquanto desciam a escadaria do Parlamento.
Algumas dezenas dessas pessoas reuniram-se na rua em frente à Assembleia da República para celebrarem com um brinde o alargamento do casamento a pares homossexuais.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

De coveiros a heróis

Os salvadores da Pátria

Orçamento do Estado: Oposição começa a responder à proposta do Governo para negociar OE 2010. PSD propõe pacto nacional e CDS negociação formal.

O apelo lançado pelo Governo aos partidos da oposição, para que colaborem numa discussão prévia do Orçamento do Estado, com vista à sua viabilização, já recebeu algumas respostas. Os partidos estão dispostos a colaborar, mas fazem algumas exigências para passar as contas para 2010.
De acordo com os jornais «i» e «Diário de Notícias», o PSD propõe ao Governo um pacto de salvação nacional, com o objectivo de reduzir o défice.
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, enviou uma carta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, onde diz a José Sócrates que pode contar com Manuela Ferreira Leite, mas com a condição de combater o endividamento externo, no prazo de 4 anos.
De acordo com a Lusa, o CDS-PP também já respondeu, e propôs ao ministro dos Assuntos Parlamentares que o processo de negociação do Orçamento do Estado para 2010 seja «institucional e formal» e sugeriu a constituição de «equipas de negociação» interdisciplinares.
«Consideramos que o processo de negociação de um documento como o Orçamento do Estado deve ser institucional e formal. Isto é, vemos vantagem no conhecimento das datas e locais de reunião, de modo transparente e objectivo», afirma o presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, na carta de resposta ao ministro Jorge Lacão.
Tudo indica que os partidos e o Governo estão a seguir a recomendação feita pelo Presidente da República no discurso de Ano Novo, em que defendia a necessidade de um entendimento entre os vários partidos com vista a tirar Portugal da crise.

Mais vigilância nas estradas

Radares de norte a sul do país

Do Minho ao Algarve, estradas vão ficar mais vigiadas.

Nos próximos anos a rede nacional de radares vai ser estendida a todo o país. Serão instalados cerca de 300 radares para controlar a velocidade de circulação do tráfego rodoviário, anunciou ontem Rui Pereira, o ministro da Administração Interna.
Estas novas medidas estratégicas visam reduzir o número das vítimas na estrada e os primeiros concursos públicos serão lançados já este ano. Para o ministro da Administração Interna, esta é uma das medidas da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, que poderá contribuir para atingir uma "meta ambiciosa. Queremos deixar de ter vítimas de acidentes rodoviários".
O governante explicou que o plano estratégico "engloba um importante conjunto de medidas que vão ser tomadas até 2015 para colocar Portugal entre os dez países da União Europeia com menores taxas de sinistralidade".
A conferência de imprensa foi ontem promovida pelo Ministério da Administração Interna, e que envolveu dezenas de responsáveis dos sectores da segurança rodoviária, serviços de emergência e socorro e autoridades policiais.

Poupar energia

É preciso acabar com o supérfluo

Foi aprovado novo incentivo para poupança de energia.

O Conselho de Ministros de hoje aprovou um Decreto-Lei que regula a actividade de produção combinada de calor e electricidade (cogeração), tendo em vista o aumento da eficiência energética e de redução da produção de CO2 em processos industriais como a secagem, a evaporação ou o aquecimento.
Com a cogeração a poupança de energia primária é superior a 10% relativamente à produção separada de electricidade e calor, permitindo uma eficiência global superior a 70%.
Neste contexto, a promoção da cogeração de elevada eficiência com base na procura de calor útil deve ser considerada prioritária, devido ao seu potencial de poupança de energia.

As controversa tecnologia

Radiações de telemóveis podem reverter Alzheimer

Investigadores mostraram que a exposição de ratos mais velhos às ondas electromagnéticas reduziu o acúmulo danoso da proteína beta-amilóide em áreas do cérebro.

As pessoas que passam horas ao telemóvel podem ter uma nova desculpa para falar. Um novo estudo feito com ratos dá a primeira evidência de que a exposição às ondas eletromagnéticas associadas ao uso do aparelho podem proteger da doença de Alzheimer e até mesmo reverter o seu desenvolvimento.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Florida Alzheimer's Disease Research Center (ADRC), da Universidade do Sul da Flórida, foi publicado hoje no “Journal of Alzheimer's Disease”.
“Ficamos surpresos ao concluir que a exposição ao telemóvel, iniciada cedo na idade adulta, protege a memória de ratos destinados a desenvolver o mal de Alzheimer”, afirmou Gary Arendash, autor da pesquisa. “Foi ainda mais surpreendente verificar que as ondas eletromagnéticas geradas pelos aparelhos reverteram as debilidades na memória de ratos mais velhos com a doença.”
Os investigadores mostraram que a exposição de ratos mais velhos às ondas electromagnéticas reduziu o acúmulo danoso da proteína beta-amilóide em áreas do cérebro, além de prevenir o acúmulo em ratos jovens.
“Se conseguirmos determinar os melhores parâmetros de exposição para efectivamente prevenir o depósito e remover as placas de beta-amilóide, esta tecnologia pode transformar-se rapidamente em benefício contra o mal de Alzheimer”, disse Chuanhai Cao, pesquisador da Universidade do Sul da Flórida e também um dos autores do estudo.
O teste de memória aplicado para avaliar os efeitos da exposição ao telemóvel em ratos foi desenvolvido de forma semelhante ao usado para determinar a presença da doença e seus primeiros sinais em humanos. “Acreditamos que nossas conclusões podem ter considerável relevância para o organismo humano”, disse Arendash.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Gasolina volta a subir

Combustíveis já estão mais caros

Todas as gasolineiras aumentaram ontem os preços da gasolina e do gasóleo em Portugal, um dos mais caros da Europa.

O mercado cumpre o prometido. Depois do petróleo renovar máximos à volta dos 80 dólares por barril nas últimas semanas, anunciando o aumento dos combustíveis, logo no início do ano, «eles» aí estão, apurou a Agência Financeira.
A começar pelo gasóleo, e por valores de referência crescentes, este combustível está mais caro 1 cêntimo para os 1,089 euros por litro e na Galp subiu 2 cêntimos para os 1,094 euros. Tanto na Repsol como na Cepsa custa 1,099 euros, com subidas de 1,7 e 2,2 cêntimos, respectivamente.
Na gasolina, o preço de referência mais baixo é o da BP e da Galp (1,329 euros por litro), com aumentos de 1 e 1,5 cêntimos. Já na Cepsa, este combustível está 2 cêntimos mais caro para os 1,338 euros e, na Repsol, 1,7 cêntimos para os 1,339 euros.
As subidas de hoje, que reflectem o facto da gasolina e do gasóleo na Europa, desde meados de Dezembro, terem disparado 16,7% e 15,6%, respectivamente. De referir que a última vez que os preços estiveram tão altos foi, para o gasóleo, em finais de Novembro de 2008 e, para a gasolina, em finais de Outubro do mesmo ano, também fruto da alta do preço do petróleo.

Adopção na "Órdem do Dia"

Discutida a liberdade de votar

Sócrates impõe disciplina de voto contra adopção por homossexuais. Haverá apenas algumas excepções entre os deputados socialistas.

José Sócrates impôs disciplina de voto no PS quanto aos diplomas do BE e PEV que prevêem a possibilidade de adopção entre casais homossexuais. A decisão, que está a gerar polémica no interior do partido, foi comunicada durante um almoço em São Bento que juntou Francisco Assis, a direcção da bancada e José Sócrates.
Haverá, contudo algumas excepções e José Sócrates mandatou Franscico Assis para decidir quem dentro do partido vai ter liberdade de voto nesta matéria. O próprio Francisco Assis defende a adopção por casais homossexuais, mas vai dar o exemplo e não vai votar a favor.
A decisão de José Sócrates foi discutida com o grupo parlamentar numa reunião que se realizou a noite passada e que prometia ser acesa. Falta agora saber quem é que afinal tem liberdade de voto e quais os critérios para votar a favor.

O Turismo para 2010

Tendências, oferta e destinos

Criando 25 mil novos empregos, a InterContinental Hotels Group abriu mais de um hotel por dia em 2009.

O InterContinental Hotels Group (IHG), a maior empresa hoteleira do mundo em relação ao número de quartos, apresenta as dez tendências para a indústria turística em 2010. Este ano, o Grupo abriu mais de um hotel por dia por todo o mundo, criando mais de 25.000 novos postos de trabalho.
Fidelidade do turista: Com orçamentos mais apertados, os passageiros de negócios ou lazer estão a ter mais atenção na selecção do destino, companhia aérea e hotel,por isso, os programas de fidelização estão no auge. Por exemplo, o Priority Club Rewards do IHG, com 47 milhões de membros, teve um elevado crescimento na redenção de pontos este ano, com três milhões de novos membros, só nos últimos três meses.
Sempre conectados: As novas tecnologias são fundamentais, mas o mais importante não é a quantidade de tecnologia disponibilizada nos hotéis, mas sim como é usada junto do hóspede. Aqui inclui-se as páginas web e a experiência no check-in. É importante não esquecer a monitorização dos espaços como o TripAdvisor, para entender o que se está a fazer bem e o que se pode melhorar, até ao Twitter, para levar de forma imediata a informação ao cliente.
Caprichos luxuosos: As pessoas têm menos dinheiro para gastar, mas continuam a querer alguns caprichos, como uma boa refeição ou um momento relaxante num spa. O Grupo IHG encontra cada vez mais um novo tipo de hóspedes inteligentes que aproveitam as tarifas competitivas, até gastando o mesmo que antes, mas procuram mais luxo pelo mesmo valor.
A tendência lazer-negócio continua: Uma das grandes tendências de 2007-2008 foi o «lazer-negócio», passageiros de negócios que aumentam as estadias por mais alguns dias, convidando também outras pessoas a juntar-se a ele. Esta tem-se mantido, e este ano o número de passageiros europeus que aumentaram a estadia de negócios para mais uns dias de lazer, chegou aos 6,7 milhões.
As «férias domésticas» chegaram para ficar: As famílias estão a descobrir as vantagens de ficar no seu país durante as férias. Neste sentido, a empresa está consciente da necessidade de proporcionar às famílias alguns benefícios, como é o caso da campanha levada a cabo pelo Grupo Intercontinental «As crianças comem e alojam-se gratuitamente». Desta forma, a empresa procura reduzir as dificuldades financeiras.
Pop-ups e espaços para todos: A tendência será o aparecimento de hotéis ¿pop-up¿ em festivais, grandes eventos desportivos, ou espaços de reuniões ad-hoc, permitindo às marcas levar o hotel ao cliente em vez de estarem limitados por uma localização.
Começar o dia de forma apropriada: Todos sabemos que começar o dia com o pequeno-almoço é fundamental, já que é a refeição mais importante do dia. No entanto, na maior parte dos hotéis implica um custo adicional. Tendo em conta esta situação, o Holiday Inn Express sempre incluiu o pequeno-almoço na sua tarifa de habitação, e em 2010 esta refeição vai adequar-se ainda mais às necessidades nutricionais.
Os destinos chave: O Este do Mediterrâneo funcionou bem em 2009. O Grupo acredita que cidades como São Petersburgo e Moscovo, zonas da Comunidade de Estados Independentes, Turquia e outras partes menos conhecidas do Médio Oriente, vão ser os próximos destinos chave.
A mulher de negócios: A tendência será responder às necessidades das hóspedes femininas. Desde a chegada ao check-in, até às instalações de lazer, restaurante e espaço públicos, esta cadeia hoteleira defende que deverá existir uma maior preocupação de satisfazer as mulheres, de forma a que se sinta cada vez mais relaxada e segura.
Tudo se baseia na produtividade: Os executivos sentem cada vez mais pressão. Neste sentido, os hotéis Crowne estão a investigar sobre como o sono e a dieta influem na produtividade, de forma a potenciar estes pontos junto dos hóspedes.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tristeza que mata

Solidão arrasta nove idosos para a morte em 12 horas

Entre as 10.00 e as 22.00 de domingo foram encontrados mortos nove idosos, sete homens e duas mulheres, que viviam sós.

"Janeiro e Fevereiro levam e o velho e o cordeiro", diz o adágio popular a admitir que aqueles meses são os mais ameaçadores para a vida dos idosos. Mas as nove mortes, sete homens e duas mulheres, que a PSP registou entre as 10.00 e as 22.00 de domingo apresentam características que violam a ordem natural da existência humana. Uns morreram abandonados, outros em situação de solidão, outros provavelmente às mãos de gente criminosa, e outros porque os desespero ditou o fim da linha.
"Não, não é normal. São muitas mortes em poucas horas", disse ao DN a sub-comissária Carla Sofia, do gabinete de relações públicas do comando de Lisboa da PSP. A situação chamou a atenção dos agentes, sendo que nunca antes a carrinha de transportes de cadáveres da corporação tinha sido tão requisitada para levar tantos idosos ao Instituto de Medicina Legal de Lisboa.
A situação mais estranha talvez seja a que se registou em Benfica, junto ao Centro Comercial Colombo, n o domingo à noite. Um casal, ele com 76 anos e ela com 75, apareceram mortos no apartamento. Não se trata de uma situação de indigência. A qualidade do prédio indicia que se trata de pessoas com algum poder económico. Só não se sabe porque morreram. A hipótese de ter havido ali uma mão criminosa não está descartada. Mas, de acordo com fonte policial, só a autópsia poderá revelar algumas pistas.
Albertina morreu em Alfama. O alerta foi dado às 11.00 de domingo. Não pode ser considerada uma pessoa idosa. Afinal, tinha apenas 53 anos. Vivia há um ano e meio num quarto de um apartamento arrendado pela Santa Casa da Misericórdia, e que serve para acolher quem não tem um lar, ou uma estrutura familiar de apoio. Mas Albertina era doente, contou Maria do Carmo, residente naquele mesmo espaço juntamente com mais duas outras mulheres. Já por várias vezes a falecida estivera internada no hospital Pulido Valente com problemas nos pulmões. E acabado o internamento regressava sempre àquela casa que não era a sua, e onde também ninguém existia que fosse seu. "Tinha várias filhas e acho que a mais nova a visitava", contou-nos Fernanda, proprietária do restaurante situado na rua ao lado e onde às sextas e sábados canta o fado. Foi Fernanda quem chamou o INEM. " A D. Carmo chegou aqui, aflita, e disse: 'Acho que a Albertina morreu. Está tão fria'...".

Albertina, ao que parece, era reformada devido à doença. Maria do Carmo não soube explicar porque foi ela ali parar. Também sobre o seu próprio fado poucas explicações tem. Existe há 59 anos. Garante que tem família e a passagem por várias empregos. Um dos últimos foi no Jardim Zoológico, como tratadora de animais. "Não me renovaram o contrato", justificou assim a sua nova condição de indigente a viver numa casa arrendada pela Misericórdia de Lisboa. No bairro, as quatro residentes são conhecidas como "as senhoras da Santa Casa". Por Albertina não se jorrou nem uma lágrima. "Vivem juntas sem se escolherem e morrem sem se chorarem". Nem as filhas irão chorar, quem sabe. "Nem as mais nova a visitava. Ninguém a visitava", garantiu. Aquele quarto vai ser ocupado por alguém que se encontra em lista de espera.
Meia hora antes do alerta para Albertina, a PSP tinha ido à Praça D. João da Câmara ver o que se passava com um homem de 49 anos, alcoólico. Estava na rua e tombou para o lado, morto. "Foi morte súbita", segundo fonte policial.
Por volta das 13.00, a PSP de Massamã foi alertada para a morte de um homem de 61 anos. Vivia sozinho. As causas da morte serão reveladas com a autópsia, mas até lá fica ficam no ar as questões das solidões urbanas em expansão.
À mesma hora, na Avenida Estados Unidos da América, em Lisboa, morria um outro homem de 66 anos. Vivia com um amigo. As circunstâncias da morte estão ainda por apurar, mas trata-se de uma situação em que faltam os apoios e a família.
Durante a tarde de domingo a PSP foi ainda chamada para transportar o cadáver de um idoso encontrado numa área geográfica da competência da GNR. Não foi possível ontem apurar em tempo útil pormenores sobre este caso.
O dia acabaria, por volta das 22.00, de forma ainda mais trágica. Um idoso, cuja idade não foi possível apurar, escolheu o momento para o seu fim. Com uma corda.
Os idosos de Lisboa são sobretudo mulheres, vivem em casas da autarquia, numa situação de isolamento e com baixos níveis de escolaridade e rendimento, de acordo com o Plano Gerontológico Municipal, a que o DN teve acesso.
Este Plano, do pelouro da Acção Social, faz um diagnóstico inédito sobre a população idosa da capital e propõe medidas a concretizar entre 2009 e 2013.
Entre a população inquirida, 60 por cento são mulheres e 40 por cento homens, sendo o escalão etário mais representado o que compreende as idades entre 65 e 79 anos.
As mulheres estão em esmagadora maioria (69 por cento) entre os idosos com idades iguais ou superiores a 80 anos, o que é explicado pela sua maior esperança de vida. A maioria dos idosos vive em casas municipais (44 por cento), seguindo-se a habitação em casa arrendada (23 por cento), casa própria (21 por cento) e lares ou residências (11 por cento).
O acesso às habitações apresenta degraus em 73 por cento dos casos, sendo também expressiva a existência de barreiras arquitectónicas dentro das casas. Por isso, poucas vezes saem à rua.

E tudo o temporal levou...

Seis desmoronamentos de falésias no Algarve

Com três temporais seguidos, que destruíram ainda quatro casas de férias, a Região fica virada do avesso.

O temporal registado no Algarve provocou seis desmoronamentos de falésias, a destruição de quatro casas de férias e pôs em risco três apoios de praia, disse à Lusa a presidente da Administração da Região Hidrográfica (ARH) da região.
«Até ao momento registaram-se seis desmoronamentos de falésias com grande expressão, entre as praias das Belharucas e Oura. Apesar disso, a área mais crítica é a Ilha da Fuzeta, onde o temporal levou à destruição de quatro casas de férias», afirmou Valentina Calixto. A responsável da ARH acrescentou que a ilha da Fuzeta «tem 76 edificações e já estava referenciada como área altamente vulnerável», onde desde 2008 já ruíram 20 habitações.
«O que tivemos foi três temporais seguidos, que, pela sua frequência, afectaram o assoreamento de todas as praias da região», explicou, precisando que normalmente costumam ocorrer «com um período de retorno entre cinco e 10 anos». A presidente da ARH do Algarve frisou que a frequência dos temporais fez com que «houvesse um desassoreamento das zonas mais a poente das praias», tendo os casos mais graves de erosão sido registados nas praias do Peneco, Belharucas e Vale do Olival, onde durante a tarde houve trabalhos para evitar a destruição do apoio de praia pelo mar.
«Tecnicamente, dentro de dois meses a areia será reposta pelo próprio mar. O único caso em que o enchimento será artificial é o de Vale do Lobo. A ARH, em parceria com o empreendimento turístico de Vale do Lobo, vão proceder à recarga de 1,25 milhões de metros cúbicos de areia, numa extensão de frente de mar de quase cinco quilómetros, entre as praias de Forte Novo (Quarteira) e de Vale do Garrão (Almancil)», precisou Valentina Calixto.
Os apoios de praia afectadas são os da praia do Barranco do Vale do Olival (Silves), Vale do Lobo e praia das Júlias (Loulé), praia da Oura e do Inatel (Albufeira).

O prematuro optimismo

«Um bom ano para o Presidente será um bom ano para o país»

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, foi optimista na cerimónia de recepção aos embaixadores em que Cavaco fez votos de um «ano melhor» do que 2009.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, fez esta segunda-feira votos que 2010 seja «um ano melhor» do que o anterior para Portugal, manifestando o desejo que o país consiga «agarrar de forma forte» as oportunidades de recuperação económica, refere a Lusa. «Que 2010 seja para Portugal um ano melhor do que foi aquele de 2009, que se vão esbatendo os efeitos da crise económica e financeira internacional e que Portugal consiga agarrar de forma forte, se possível, as oportunidades de recuperação económica», afirmou Cavaco Silva.
Falando perante os cerca de 120 embaixadores e chefes de missão que recebeu hoje no Palácio de Belém para uma recepção realizada no âmbito do seminário diplomático que decorre em Lisboa, o chefe de Estado transmitiu também de «forma inequívoca» a sua «total confiança» na diplomacia portuguesa e prometeu «total colaboração» ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. «Quero dizer ao senhor ministro dos Negócios Estrangeiros que pode contar com a minha total colaboração naquilo que são as competências do Presidente da República no plano externo», sublinhou.
Antes, Luís Amado tinha já transmitido a Cavaco Silva as suas saudações de bom ano, considerando que um bom ano para o chefe de Estado será um bom ano para o país.
«Em nome de todos os diplomatas, queria transmitir as saudações de bom ano, na certeza de que um bom ano para o senhor Presidente da República do ponto de vista pessoal e profissional será seguramente um bom ano para o nosso país», referiu, já depois de ter manifestado a certeza de que o corpo diplomático português contará com a «colaboração leal e fraterna com o Presidente da República».

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Um passo para melhor ambiente

Obras na ETAR de Messines e Parragil

Águas do Algarve investe 1,7 milhões em saneamento.

Mais de 1,7 milhões de euros vão ser investidos pela empresa Águas do Algarve (responsável pelo sistema multimunicipal de água e saneamento) na remodelação da ETAR de São Bartolomeu de Messines e no sistema de intercepção e tratamento de águas residuais de Parragil (concelho de Loulé).
No que se refere à ETAR de Messines, o objectivo é criar um sistema de tratamento terciário, que permitirá a desinfecção das águas por radiação ultravioleta, enquanto em Parragil será construída uma estação elevatória com emissário de descarga e uma ETAR de lamas dimensionada para uma população de 1500 pessoas.

Lince ibérico atropelado

Próximo de Ayamonte

Face à subida da água dos rios, o animal poderá ter-se desorientado no regresso ao seu habitat.

Um lince ibérico fêmea com idade compreendida entre os dois e os três anos foi atropelado na estrada que faz a ligação entre San Lorenzo de Calatrava e Huertezuelas, em Ciudad Real, Espanha, tendo o cadáver seguido para o centro de recuperação da fauna silvestre de Albacete, para autópsia.
O acidente, ocorrido a 30 de Dezembro, aconteceu perto do parque natural de Andújar, que aloja a maior população espanhola de linces ibéricos, espécie em vias de extinção.
Juan José Fuentes, do Conselho de Indústria, Energia e Meio Ambiente, aponta a chuva intensa como a causa do atropelamento. O lince, que se encontrava em fase de colonização de novos territórios, poderá ter-se desorientado no regresso à toca devido à subida dos rios.
Para evitar a extinção, foi criado em Silves o Centro Nacional de Recuperação do Lince Ibérico, que, juntamente com Espanha, estimula a reprodução em cativeiro.

Terrorismo obriga a novas medidas de segurança

Aeroportos com segurança reforçada

Maioria dos aeroportos europeus não aplicam medidas dos EUA. Reino Unido, Alemanha, França, Espanha ou Suíça mantêm critérios de segurança que tinham.

A maior parte dos aeroportos europeus não está a seguir as novas medidas de segurança sugeridas pelos Estados Unidos, em vigor desde esta segunda-feira, no sentido de um reforço da vigilância dos passageiros provenientes de 14 países.
Os passageiros de voos com partida ou escala no Sudão, na Síria, no Irão ou em Cuba, considerados pelos Estados Unidos como patrocinadores do terrorismo, estão sujeitos a uma pesquisa corporal e física completa.
O mesmo se passa com os viajantes de voos de ou para o Afeganistão, a Somália, o Iémen, a Argélia, o Iraque, o Líbano, a Líbia, a Nigéria, o Paquistão e a Arábia Saudita.
Os cidadãos de outros países ficam sujeitos à possibilidade de buscas aleatórias quando viajarem de avião para os Estados Unidos.
A agência Lusa quis saber se Portugal reforçou ou vai reforçar as medidas de segurança nos aeroportos ou nos voos com destino aos Estados Unidos, mas a ANA - Aeroportos de Portugal remeteu para o Instituto Nacional da Aviação Civil, do qual não foi possível obter um esclarecimento. Por sua vez, a TAP remeteu um eventual comentário para terça-feira.
A agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP) informou esta segunda-feira que a maioria dos países da Europa está ainda a estudar as novas medidas decretadas pelos Estados Unidos, na sequência da detenção de um nigeriano que tentou rebentar um explosivo num voo de Amesterdão (Holanda) para Detroit (EUA), no dia de Natal.
Reino Unido, Alemanha, França, Espanha ou Suíça, por exemplo, ainda não adoptaram as novas medidas de segurança.
O Aeroporto Internacional de Amesterdão, contudo, já usa 15 scanners corporais para os voos com destino aos EUA, tendo as autoridades anunciado hoje a compra de mais 60 equipamentos. Em Oslo, na Noruega, os passageiros têm de mostrar duas vezes os passaportes e os cartões de embarque, sendo os seus pertences revistados.
Ainda segundo a AP, nenhuma medida de segurança extraordinária foi implementada nos aeroportos da Síria, da Argélia, da Líbia e do Líbano, países que integram a lista das nações de maior risco. Na Arábia Saudita foi apenas reforçado o pessoal de segurança.

Bilhete Postal

O recado está dado:
Repto dos empresários ao País político

O ano que agora começou coloca enormes desafios ao País, que o conduzem necessariamente a uma mudança de atitudes. O mote, claro está, é a crise económica, que teima em não acabar e que ameaça mesmo agravar os mais estruturais problemas do País: o da sua falta de competitividade e também o do seu enorme endividamento. Para responder a este desafio, pede-se mais do que nunca responsabilidade. Aos empresários para começar, mas, claro, também aos políticos. Foi, aliás, o que pediu aos partidos o Presidente da República na sua mensagem de Ano Novo.
E é neste contexto que devem ser lidos os avisos de vários empresários e gestores de topo publicados nos jornail. Os seus reptos, dirigidos a todos os actores políticos sem excepção, pedem o mesmo que o País lhes exige também a eles: mais responsabilidade.
Depois de muitos meses de campanha eleitoral, e após outros tantos de crispação política, o que é pedido agora ao Governo, à oposição e também a Cavaco Silva é simples: que tenham o bom senso de pensar, antes do mais, no futuro do País, deixando os mais primários cálculos políticos. Leia-se o que dizem Jorge Armindo, António Câmara, Pedro Gonçalves, Luís Filipe Pereira ou Diogo Vaz Guedes no Diário de Notícias, e ver-se-á que todos falam do mesmo: que os políticos abram uma nova etapa com o novo ano e negoceiem, procurem soluções, encontrem consensos, para que Portugal possa encontrar uma saída adequada desta crise.
O que os empresários pedem é apenas que se evite, no pior dos anos, a mais inconveniente das crises políticas. E que se aprenda com o que de mais saudável existe na Europa: estabilidade política, com responsabilidades partilhadas.

Ler mais em: http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/editorial.aspx?content_id=1461210

Continua o mau tempo no Algarve

Praias e pomares destruidos, pontes fechadas

Pontes fechadas, estradas cortadas, cafés inundados, pomares e cultivos inundados e praias destruídas. No Algarve era ontem este o cenário provocado pela chuva intensa e vento forte. Vale de Lobo ficou irreconhecível.

O mau tempo atingiu várias praias, que segundo o comandante da zona marítima do Sul, ficaram sem areia. "O mau tempo provocou o desassoreamento de várias praias, No lugar da areia, ficaram pedras", explicou ao DN o comandante Marques Ferreira, garantindo que a situação foi já comunicada à Administração Regional Hidrográfica do Algarve.
No entanto, o responsável garante que não é razão para alarme. "Ainda estamos longe da época balnear", diz. Segundo adiantou ao DN, foram seis as praias atingidas, que ficaram sem areal. São elas: Fuzeta. Cancela, Faro. Garrão, Salema e Vale do Lobo. Esta última foi a que, segundo as autoridades, ficou em pior estado.
A zona de Tavira foi das mais afectadas. Aqui e desde a madrugada, duas pontes ficaram intransitáveis: a de São Domingos e a de Almargem A primeira , atravessada pela Estrada Municipal nº. 397 com ligação de Tavira a Cachopo, "ficará interdita à circulação até serem efectuadas obras de recuperação por ter ruído o acesso poente", disse ao DN fonte da autarquia.
Além das pontes, duas estradas nacionais estiveram encerradas durante várias horas - a Estrada de Almargem e de Asseca. Mas foram reabertas ontem à tarde. tendo sido enviados para o local elementos da protecção civil.
O mau tempo provocou ainda avultados prejuízos no sector agrícola. Um dos mais atingidos pelo temporal junto à ribeira de Assêca, foi o agricultor Gilberto Ferro, proprietário de um pomar de cerca de 40 hectares com centenas de laranjeiras e limoeiros.
Os estragos atingiram ainda dois terrenos com vinhas, num total de onze hectares. "Ficou tudo inundado e nem consigo chegar junto daquilo que foi destruído. Também a tubagem e o sistema de rega foram arrancados e alagados", contou ao DN Gilberto Ferro, também presidente da Associação de Regantes do Sotavento, que só quando o tempo melhorar, fará uma avaliação dos prejuízos.
Na cidade de Lagos, o Restaurante 'Chefe Artur' sofreu a quarta inundação em poucos meses devido à subida da maré que irrompeu por uma das tampas do colector de esgotos. "Uma arca frigorífica sofreu um curto-circuito e o peixe e carne congelados que se encontravam no interior foram para o lixo, provocando um prejuízo superior a 300 euros e a perda de clientes ao almoço", disse Artur Craveiro, dono do restaurante.
O mau tempo afectou ainda a rede eléctrica na cidade, tendo várias habitações, situadas numa zona antiga, ficado sem energia durante mais de12 horas. Isto devido a fusíveis queimados no sistema de abastecimento da EDP por causa do mau tempo.

Agora vem aí o frio


Esta terça-feira, o sul do país está em alerta devido ao mau tempo.

A chuva que tem atingido Portugal nos últimos dias vai manter-se durante esta terça-feira. A previsão do Instituto de Meteorologia aponta para chuva para todo o território nacional e nos próximos dias deverá verificar-se uma descida das temperaturas. Nas regiões do interior, a temperatura mínima deverá mesmo registar valores negativos.
Mas se nos próximos dias, o frio não deverá faltar, a chuva promete parar a meio da semana. A precipitação começa já a diminuir gradualmente a partir de terça-feira.
Esta terça-feira, a zona sul está em alerta amarelo devido ao mau tempo. No litoral é a ondulação do mar que ameaça causar problemas. As ondas deverão chegar aos 5 metros. Nas terras altas, a maior preocupação é o vento que deverá soprar forte com rajadas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

2010: As grandes obras públicas

Voam ao sair do papel


Finalmente o TGV e novo aeroporto em Alcochete vão dar primeiros passos este ano.

As grandes obras públicas, como a alta velocidade (TGV) ou o novo aeroporto, devem começar a sair do papel este ano, depois de em 2009 a contestação pré-eleitoral ter levado ao adiamento de algumas decisões e concursos, avança a Lusa.
A alta velocidade, que marcou a campanha eleitoral e acentuou as diferenças entre PS e PSD em matéria de investimento público, será o primeiro projecto a avançar, com o Governo a classificá-lo como «arma de combate à crise e ao desemprego».
As primeiras obras, referentes à ligação Poceirão-Caia, deverão arrancar no Verão, enquanto durante o primeiro semestre avançam mais três concursos do projecto de alta velocidade, avaliado em 8,9 mil milhões de euros: os sistemas de sinalização e telecomunicações de toda a rede, a aquisição de comboios e a ampliação da Gare do Oriente, de acordo com a Rave - Rede Ferroviária de Alta Velocidade.

TGV funciona como «resposta à crise»

O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, garante que o investimento no TGV funciona precisamente como «resposta à crise», para criar «condições muito importantes» para o desenvolvimento económico do país e para a competitividade das empresas. «Eu acho que o TGV é precisamente a resposta à crise, porque temos de separar aquela crise que é a manifestação da crise internacional, das dificuldades mais amplas, que são de natureza estrutural e que têm a ver com a perda de competitividade do país», disse o ministro.
António Mendonça falava aos jornalistas perto de Évora, à chegada ao local da cerimónia onde foi anunciada a adjudicação da concessão do troço Poceirão-Caia, integrado na ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. O primeiro-ministro defendeu também que, após «todos os estudos feitos», este é «justamente o momento» para que o projecto da Alta Velocidade (AV) passe do «papel» para o «terreno», sobretudo na actual situação de crise.
«A crise é mais uma razão para o fazermos. É neste momento que o país precisa de investimento, de oportunidades de emprego. Há muita gente à procura de emprego e muitas empresas à espera desta oportunidade». Por isso, garantiu o Chefe do Governo, afiançando que a Alta Velocidade vai permitir criar «milhares» de postos de trabalho, «este é justamente o momento» para que o projecto avance, porque o país «precisa de investimento».

Sabe os aumentos que 2010 trouxe?

O que ficou mais caro a partir de ontem?

Algumas coisas aumentaram já ontem, outras vão ficar mais caras ao longo do ano. Mas nem tudo é mau: há preços que ficam na mesma e até alguns que baixam.

Já entrámos em 2010. E com o novo ano, chegam muitos aumentos. Prepare-se para as despesas extra!
Uma das coisas que já estão mais caras é a electricidade. Prepare-se para pagar mais de luz. O aumento, para quem tem uma factura média de 40 euros, é de um euro. A subida estipulada no preço é de 2,9%.
O gás também pode aumentar, mas não para já. Por enquanto, os preços mantêm-se, mas em Julho serão conhecidas as novas tarifas para os consumidores domésticos.
Também a água vai ficar mais cara: os aumentos deverão ser conhecidos nos próximos meses, definidos pelas autarquias. O início de 2010, ainda assim, também trará boas notícias para as famílias portuguesas, adianta a Lusa.
Ao longo do ano, conte também com um aumento da prestação do crédito à habitação. As Euribor vão começar a subir à medida que se espera que o Banco Central Europeu (BCE) aumente a taxa de referência na recta final do ano. As prestações que forem revistas, sobretudo na segunda metade do ano, deverão aumentar.
Mais caros vão ficar também os legumes, pelo menos nos próximos meses, por causa do mau tempo, que destruiu as colheitas. Alguns produtos, como tomate, alface ou brócolos, já aumentaram bastante e vão ficar ainda mais caros. Nalguns casos, o preço duplicou.
Nem tudo são más notícias. Há preços que não sobem, como é o caso das rendas das casas e dos transportes públicos, urbanos e suburbanos. Os transportes podem aumentar, mas só em Julho, altura em que costuma ser feita a revisão dos preços. Os táxis também não vão aumentar.
A maioria das portagens também permanece inalterada. As únicas excepções verificam-se na A2 e na A12.
Nos alimentos, pão e leite devem continuar a custar o mesmo, já que as respectivas indústrias não manifestaram vontade de subir os preços.
Os preços do serviço postal universal também não vão subir, segundo avançaram já os CTT.
E o que fica mais barato? As boas notícias vão chegar do sector das telecomunicações: a Portugal Telecom anunciou que vai descer o preço das chamadas fixas em cerca de 10,5% e oferecer chamadas ilimitadas dentro da sua rede aos fins-de-semana a partir do dia 01 de Janeiro. Nas redes móveis, TMN, Vodafone e Optimus não anunciaram qualquer alteração dos preços.
E mais rendimentos... Em 2010, conta ainda com outros aumentos, mas estes bem mais agradáveis: o salário mínimo nacional (SMN) vai aumentar 25 euros, para 475. As pensões também sobem, no máximo 1,25%. Os mais velhos e com menores rendimentos podem contar com outra ajuda: o complemento solidário para idosos também vai aumentar 1,25%, para 418,5 euros por mês.

Mau tempo destruiu estufas

Dois milhões de prejuízo só no Algarve

Temporal registado durante a semana passada provocou danos elevados na agricultura regional.

O temporal registado durante a semana passada no Algarve provocou danos na agricultura regional na ordem dos dois milhões de euros e, para enfrentar os prejuízos, o deputado socialista Miguel Freitas vai pedir ao Governo medidas de apoio para a região, escreve a Lusa.
«Vou pedir esta semana, ao Governo, que haja uma extensão das medidas que foram aprovados em Conselho de Ministros, extensivas ao Algarve», disse Miguel Freitas em entrevista à Lusa, depois de ter visitado as zonas agrícolas mais afectadas no Algarve pelo mau tempo.
O Conselho de Ministros aprovou na passada quarta-feira uma resolução que acciona verbas do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural do Continente), permitindo o financiamento a fundo perdido de 50 por cento, o que representa um total de 18 milhões para comparticipar investimentos na agricultura até 36 milhões de euros.
O deputado parlamentar pelo círculo do Algarve referiu que as zonas agrícolas mais afectadas pelo temporal no Algarve estão localizadas nos concelhos de Faro e Olhão, mas também há prejuízos em Silves, Albufeira e Tavira, nomeadamente com a destruição de estufas de tomate, melão e alface.
«A situação do Algarve, felizmente, não é tão dramática como noutras regiões do país, mas existem situações graves que necessitam de uma atenção especial do Governo», referiu, reiterando que pedirá a extensão da medida de reposição de reposição de potencial produtivo (estufas) ao Algarve.
Miguel Freitas defende também que o Algarve deve ser apoiado com a linha de crédito de 50 milhões de euros, com prioridade para casos mais dramáticos, como alguns jovens agricultores que têm investimentos na ordem dos 600 mil euros em estufas e que perderam todo o investimento destruído.

Algarve alvo dos burlões

Aluguer de casas no Fim de Ano gerou onda de burlas

Várias pessoas foram enganadas por oferta existene na Internet. Depois de depositarem as verbas solicitadas, verificaram que as casas nem existiam.

A GNR recebeu nos últimos dias 11 queixas de pessoas que foram burladas no aluguer de moradias e apartamentos em Albufeira para a Passagem de Ano que depois de pagar verificaram no local que as casas não existiam.
Em declarações à Lusa, Vítor Calado, da GNR, explicou que o modus operandi da burla é semelhante a outros casos registados no Verão no Algarve e baseia-se em publicidade de aluguer de casas em páginas da Internet. Depois, as pessoas pagam por transferência bancária e quando chegam ao local para pernoitar as «casas não existem».
A GNR apela às pessoas para redobrarem os cuidados quando alugam pela Internet e para se certificarem da «idoneidade dos interlocutores»: «As pessoas devem desconfiar de imediato quando estão a falar por telefone com uma pessoa que tem um determinado nome e depois pedem para depositar o dinheiro na conta bancária de um titular com nome diferente».
As pessoas interessadas em alugar as moradias e apartamentos de Albufeira referem que o contacto telefónico está na Internet e que depois de acertarem o preço telefonicamente, procedem ao pagamento por transferência bancária. A burla do aluguer das moradias e apartamentos para a Passagem de Ano em Albufeira foi feita quase toda na mesma rua de Albufeira.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mensagem de Ano Novo do PR

Explosivo? Normal, é só o começo do ano!

Na sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva deixou recados ao Governo e à oposição. O Presidente recusa intervir na governação ou fazer o papel dos partidos que não estão no poder, e avisa para uma «situação explosiva» com o elevado desemprego.

O Presidente da República aproveitou a mensagem de Ano Novo para deixar claro que não tenciona substituir-se ao Governo e à oposição, por o seu cargo estar «acima do combate político». Cavaco Silva apelou a que sejam encontrados entendimentos para resolver os problemas que afectam o país. E realçou que quando se dirige aos portugueses o faz quando acha que o interesse de Portugal assim o justifica, sem «nunca vender ilusões nem esconder a realidade». Deixou ainda um alerta para a «situação explosiva» que o desemprego e outros problemas podem gerar.
«Na lógica do nosso sistema constitucional, não compete ao Presidente da República intervir naquilo que é o domínio exclusivo do Governo ou naquilo que é a actividade própria da oposição», disse o chefe de Estado na habitual mensagem que dirige ao país no primeiro dia de cada ano. O Presidente salientou ainda que «Portugal dispõe de um Governo com todas as condições de legitimidade para governar, um Governo assente numa maioria relativa conquistada em eleições ainda há pouco realizadas».
Para Cavaco Silva, a actual conjuntura exige uma atitude proactiva para enfrentar as dificuldades. «Não devemos esperar que sejam os outros a impor a resolução dos nossos problemas», disse, acrescentando: «O novo quadro parlamentar, aliado à grave situação económica e social que o País vive, exige especial capacidade para promover entendimentos. Os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas e que não empenhassem o máximo do seu esforço na realização de entendimentos interpartidários», frisou o Presidente.
Sobre os problemas do país em concreto, o chefe de Estado não quis esquecer as finanças portuguesas, salientando que uma das prioridades dos partidos deveria centrar-se no desenvolvimento de «um entendimento sobre um plano credível para o médio prazo, de modo a colocar o défice do sector público e a dívida pública numa trajectória de sustentabilidade». Para Cavaco Silva, o momento certo para que aconteça esta «concertação política» é «Orçamento do Estado para 2010», que deverá ser assumido com «responsabilidade de todas as partes» e servir «o interesse nacional».
O chefe de Estado mostrou-se muito preocupado com os efeitos da dívida externa e do desemprego. «Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva», avisou, deixando uma pallavra de alento para os desempregados, que no final de 2009 eram 548 mil. Para o chefe de Estado o empenho da recuperação da economia deve fazer-se com uma aposta na produtividade, competitividade e também na credibilidade das instituições, mas sem deixar de lado «o apoio social aos mais vulneráveis e desprotegidos e às vítimas da crise».
Cavaco Silva fez ainda um apelo à valorização da «ética republicana». «A ética nos negócios, nos mercados e na vida empresarial, mas também na vida pública, tem de ser um princípio de conduta para todos», disse, realçando também a importância de salvaguardar o papel da família na sociedade.

Crónicas sem Tempo

Justiça comprometida

Com elites rascas que até podem ser ladrões de colarinho branco (...) mais as elites politicas partidárias abaixo de rascas (...), pouco ou nada se salva a não ser o Sindicato dos Magistrados do Ministério Publico, que remando contra a maré tem demonstrado que é possível inverter o caminho sinuoso do vale tudo para obtenção de objectivos mafiosos lesivos do interesse nacional.

A Justiça está pelas ruas da amargura devendo no ano de 2010 ser completamente clarificada sob pena de ter de se concretizar um processo mãos limpas a exemplo do que aconteceu em Itália nos anos oitenta do século passado que pôs fim aos partidos do sistema saídos da segundo guerra mundial, que criou as condições para a celebração do “Compromisso Histórico” que levou ao poder uma democracia cristã coadjuvada pelo partido socialista, o partido comunista e outros pequenos partidos moderados e radicais. Foi um sistema que durou mais de 50 anos até se pulverizar caindo de podre, tendo como resultado o desaparecimento destes partidos pactuantes no “Compromisso Histórico”. Por cá, os mais altos representantes das instituições judiciárias dão um espectáculo de incompetência, falta de rigor e duvidosa independência como se pode deduzir da actuação do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça que ao mandar destruir as gravações comprometedoras das conversas entre o Primeiro Ministro e o seu estimado amigo Armando Vara, deixou no ar a duvida de que em tais conversas poderiam estar fortes índicios de cometimento de crimes, como revelou a investigação do juiz de Instrução do Tribunal de Aveiro, que neste processo “Face Oculta” revelou que no mundo da justiça ainda não está tudo corrompido.
O Procurador Geral da Republica, quando foi nomeado parecia ser uma agradável surpresa e perspectivava-se um mandato exemplar, competente, independente e moralizador da justiça, acima de qualquer suspeita. Fui dos que escreveram em seu abono dando-lhe o beneficio da duvida. Foi preciso chegar o processo “Freeport” para que as ilusões dessem lugar à duvida e desta se passasse à realidade que está à vista de toda a gente com as sistemáticas trapalhadas que o processo “Face Oculta” tem revelado, desde a promessa de pôr tudo a nu das conversas bombásticas dos dois políticos socialistas, até ao pertinente jogo do empurra, num ping pong entre o Presidente do STJ e PGR. Ora, estas cenas não abonam o bom nome da Justiça que hoje não convence ninguém e está colocada na opinião publica como a pior das actividades profissionais, só servindo para dar cobertura aos desvios criminosos dos grandes políticos, empresários e figuras sagradas do sistema apodrecido que está no fim e deve ser derrubado, pelos cidadãos eleitores que são as únicas vitimas.
Outra figura cimeira da Justiça, é o Bastonário da Ordem dos Advogados, que igualmente não tem dado boa nota do recado. A Ordem dos Advogados, já é uma instituição antiga muito prestigiada por onde passaram grandes dirigentes e associados, personalidades da maior relevância nacional. A OA, nunca se vendeu e mesmo no antigo regime foi conotada como uma corporação anti-Estado Novo, que revelou magníficos tribunos, que nos Tribunais Plenários fascistas, defenderam os anti-fascistas de todas as matizes. Quando se fala nos anti-fascistas, é-se levado a pensar que eram os perigosos comunistas. Nada disso. Nas prisões do fascismo, coabitavam sociais democratas, socialistas, católicos progressistas, monárquicos, para além dos comunistas que na realidade eram os principais alvos do poder. A defesa destes perseguidos era feita por grandes Advogados como Francisco Salgado Zenha, Adelino da Palma Carlos, Mário Soares e tantos outros que dignificaram o direito, colocando a OA num lugar de superioridade moral de prestigio e solidariedade militante. O actual Bastonário não tem dado provas de independência em relação ao partido liderante do Governo, para além de ter praticado nestes dois anos de mandato uma politica nefasta para a profissão, sobretudo os Estagiários que têm de estar três anos submetidos a uma constante humilhação, por que nenhuma licenciatura passa em Portugal, nem na União Europeia.
Tudo isto tem contribuído para que a Justiça que se pratica no País, seja cara, tardia, demorada, falha de independência e completamente prejudicial para os cidadãos portugueses que representam a chacota da politica da União Europeia que no conjunto dos 27 países, estamos colocados nos últimos lugares em todas as áreas do desenvolvimento, tendo-se perdido mais uma década e ultrapassados pelos países saídos do bloco de leste, quando ainda há 10 anos estavam com bastante atraso em relação a Portugal. Os escândalos permanentes que se conhecem, já não são só de dimensão interna, uma vez que o caso Lopes da Mota, obrigou-o a renunciar à presidência do Eurojust, importante organismo da justiça da União Europeia, alertando os cidadãos europeus para tais personagens que são eles os verdadeiros casos de policia, quando deviam ser a imagem de marca da isenção e salvaguarda dos direitos cívicos. Com elites rascas que até podem ser ladrões de colarinho branco a gerir o BPP como afirmaram encurralados os depositantes lesados, tal como aconteceu no BPN, administrado por ex-ministros e um Conselheiro de Estado de nomeação insuspeita do PR, mais as elites politicas partidárias abaixo de rascas que só se preocupam com os seus umbigos e corporações insensatas lideradas por maus exemplos, pouco ou nada se salva a não ser o Sindicato dos Magistrados do Ministério Publico, que remando contra a maré tem demonstrado que é possível inverter o caminho sinuoso do vale tudo para obtenção de objectivos mafiosos lesivos do interesse nacional. O ano de 2010 pode marcar a diferença? Temos duvidas!

Manuel Aires