Do Algarve nem se ouve falar, na plataforma que junta as reclamações dos cidadãos, de norte a sul do País. Muitas autarquias já aderiram ao desafio, e dão resposta às questões. O www.autarquias.org nasceu em Agosto pela mão de uma associação que quer fomentar a cidadania.Junto ao supermercado Feira Nova de Chelas, em Lisboa, o problema é o estacionamento. Ou a falta dele. Na zona existem 12 edifícios de habitação e mais dois destinados a escritórios. Mas os lugares para deixar o carro são praticamente inexistentes. O alerta é dado por António Nascimento, segundo o qual é "premente proceder à construção de espaços para automóveis" pois as pessoas vêem-se forçadas a esta- cionar em cima dos passeios, sujeitando-se a multas da PSP.
Fernando Rocha, da Maia, Porto, está preocupado com o desnível de duas tampas de esgotos em plena Rua Padre Castro, com consequências "evidentes" para a segurança rodoviária. "Neste tempo de chuvas é ainda mais crítico. Urge resolução".
Em Peniche, Diogo alerta para um problema de poluição no Rio São Domingos. "Concretamente na foz, junto molhe Leste é constante o mau cheiro, águas estagnadas, espumas, cadáveres de aves, etc.", denuncia.
Estes são alguns dos muitos problemas colocados pelos cidadãos na plataforma da Internet www.autarquias.org. criada em Agosto deste ano pela Associação Partilhopinião, vocacionada para promover a "cidadania activa".
Através do site, as autarquias são alertadas para os mais variados tipos de problemas, desde a existência de lixos ou de buracos na via pública a postes de iluminação que não funcionam, equipamentos danificados ou problemas de abastecimento público de água.
"Peço à autarquia de Évora a colocação de um ecoponto na Estrada das Pimentas pois neste momento todos os ali moradores não podem reciclar o lixo", sugere Maria João Garcia.
Os munícipes podem ainda acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, adicionando-lhes comentários. Ou participar em debates, como os relativos aos actos de vandalismo no Largo da Graça (Lisboa), às taxas de resíduos sólidos e efluentes domésticos em Penamacor ou aos problemas na ligação entre Alpedrinha e o Fundão através do nó de Castelo Novo.
"Trata-se de uma plataforma destinada a dar mais poder aos cidadãos, para que possam partilhar informação entre si e com os autarcas", diz Pedro Caldeira, um dos responsáveis pelo projecto, acrescentando que a ideia foi "construir uma rede social de entreajuda pelo país fora" - uma espécie de democracia participativa online, adaptada aos processos de decisão política.
A aposta do site passa por "promover a inserção" dos munícipes nos assuntos que lhes dizem respeito, "face a um sistema político desenquadrado do cidadão comum, fechado ao acesso participativo e de aparente rigidez ou opacidade institucional".
Segundo Pedro Caldeira, o facto de a página autarquias.org ter sido lançada em Agosto, a poucos meses da realização de eleições legislativas e autárquicas, "condicionou" a adesão das câmaras municipais e suscitou algumas "reticências" por parte dos autarcas. Ainda assim, muitos municípios acompanham de perto as queixas dos cidadãos.
"Os autarcas entram na página como utilizadores normais, para consultarem os alertas e os debates sobre os temas que mais directamente lhe dizem respeito e acabam por responder, adicionando comentários ou, simplesmente, resolvendo os problemas referidos".
Para os promotores, outra das potencialidades da plataforma é a discussão sobre projectos de interesse local que podem ser submetidos a "debate público" e por onde, diariamente, passam entre quatro a cinco mil pessoas. Curiosamente, pelas autarquias do Algarve, nem se ouviu falar...



























