Destroços são do A 447 da Air France
Brasil decreta três dias de luto nacional pelas 228 vítimas. Principe brasileiro entre passageiros.
O vice-presidente do Brasil, José Alencar, anunciou esta terça-feira, três dias de luto nacional pelas 228 vítimas do acidente com o aparelho da Air France. O anúncio foi feito poucas horas depois de o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ter confirmado que os destroços encontrados pela Aeronáutica a 740 km do arquipélago de Fernando de Noronha eram do Airbus-A330 da Air France, noticia a «Folha Online». Não há notícia de sobreviventes.
«Não há dúvida» de que os destroços localizados pela Força Aérea Brasileira a flutuarem no Oceano Atlântico pertencem ao avião da Air France, que desapareceu na madrugada de domingo para segunda-feira, com 228 pessoas a bordo. Jobim fez o anúncio numa conferência de imprensa, após visitar os familiares das vítimas num hotel do Rio de Janeiro, indicando que o Airbus A330 caiu em águas brasileiras.
A Aeronáutica do Brasil identificou esta manhã manchas de óleo e de sinais metálicos do aparelho que desapareceu no domingo durante o voo Rio de Janeiro - Paris. A Reuters avançava que a Força Aérea detectou ainda cadeiras de avião e uma bóia. Os sinais metálicos e as manchas de óleo situam-se perto do arquipélago de São Paulo e de São Pedro. O local referenciado coincide com a zona indicada por um piloto da companhia aérea TAM, que diz ter visto sinais laranja, que poderiam ser fogo.
O Airbus da Air France descolou do Aeroporto Tom Jobim no domingo, por volta das 19 horas locais. A companhia informou que por volta das 23 horas de Brasília, o aparelho atravessou «uma zona com forte turbulência». O avião emitiu ainda um alerta automático de problemas no circuito eléctrico e de despressurização. Imagens de satélite dão conta de uma forte tempestade na rota do avião, com a presença das temidas nuvens
cumulus nimbus.
Falha pode ter conduzido Airbus 330 à tempestadeA actividade da zona de turbulência por onde passou o voo 447 que ligava Rio de Janeiro a Paris está acima do normal este ano. Um piloto brasileiro que fez a mesma rota que o aparelho da Air France confirmou ao «O Globo» que «tem havido uma actividade muito forte na área».
A Força Aérea Brasileira (FAB) emitiu entretanto um alerta sobre as condições climáticas perigosas, com ocorrência de turbulência severa na região onde o Airbus 330 desapareceu.
Imagens de satélite, bem como os dados da Rede Mundial de Raios, que é operada na América do Sul pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam a ocorrência de uma tempestade no horário e na área onde o avião desapareceu.
Na rota do aparelho, os dados de satélite dão conta do fenómeno de zona de convergência intertropical, onde existe uma «muralha» de nuvens muito densas e características das tempestades. É, aliás, este fenómeno que está a causar as chuvas torrenciais que assolam o Norte e o Nordeste do Brasil desde o final de 2008. Ainda não se sabe porquê, mas a atmosfera está a libertar uma quantidade anormal de energia este ano, informou o coordenador do projecto Ciclones do Atlântico do Sul ao «O Globo».
Cumulus nimbus «puxam» aviões para baixoA carta meteorológica do dia mostrava a formação de nuvens de desenvolvimento vertical, os temidos
cumulus nimbus.
«São as nuvens gigantes, que na região equatorial podem ter até 18 quilómetros de altitude, ou 45 mil pés», diz o meteorologista Luis Souza do INPE à revista brasileira «Época».
Este tipo de nuvens produzem descargas eléctricas e relâmpagos. As cargas eléctricas positivas de negativas dirigem-se ao solo e são seguidas de correntes de ar que empurram o avião para baixo. Os cumulus nimbus produzem a turbulência mais perigosa para os aviões, o «windshear», ou turbulência de baixa altitude com rajadas de vento.
Segundo disse o meteorologista do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica do Brasil (DECEA), major Robson Ressurreição, à revista «Época», os aviões costumam desviar-se destas nuvens, por ser muito difícil sair de dentro de um cumulus nimbus.
As imagens de satélite levantam a dúvida se algum tipo de falha terá colocado o avião na rota de uma tempestade perigosa. É que o controle de tráfego poderia ter dado indicações ao avião para uma mudança de rota e o piloto poderia também ter feito um desvio, de modo a evitar a intempérie.
Avião da TAP também viu a tempestade
À mesma hora, dois aviões da TAP atravessaram o Atlântico na mesma rota. Justamente um Airbus 330, igual ao avião da Air France que desapareceu, foi pilotado pelo comandante Jorge da Silva. À mesma hora o piloto português apercebeu-se da tempestade. Jorge da Silva relata ao «Jornal do Dia» da TVI24 que a turbulência era «normal» para aquela zona.
VEJA AQUI A ENTREVISTA Mesmo assim, o voo da TAP foi obrigado a desviar-se da rota cerca de 80 milhas para evitar atravessar os
cumulus nimbus.
Jorge da Silva duvida que o aparelho da Air France tenha sido atingido por um raio, uma vez que os aviões têm equipamentos específicos que descarga a electricidade dos raios para fora do avião. O piloto da TAP diz mesmo que já foi atingido em pleno voo por vários raios e «sem danos absolutamente nenhuns».