O Dr. Vital Moreira apareceu depois do 25 de Abril/74, como uma força da natureza, nas bancadas da Assembleia Constituinte, que criou a actual Constituição de 1976, pertencente ao grupo parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), com uma contribuição bastante positiva de que resultou uma Constituição que apontava para a realização do Socialismo real, não a Social Democracia ou o Socialismo Democrático inventado pelo Dr. Mário Soares que acabou por meter na gaveta. Depois de vários anos como importante Deputado, foi nomeado Juiz do Tribunal Constitucional, indicado pelo PCP e também ali se comportou à altura, desempenhando o cargo como um Juiz de mérito, contribuindo para a credibilização do novo Tribunal, orgão de cúpula da justiça portuguesa, até então inexistente no quadro do sistema judicial, tendo vindo para ficar, embora hoje pareça desajustado da realidade.
No ano de 1989, resolve abandonar o PCP, que só a ele diz respeito as razões encontradas que o possam justificar. Não se discutem tomadas de posição pessoal para qualquer individuo que em determinado momento da sua vida decide seguir por este, ou aquele caminho. Há até quem defenda que só os burros é que não mudam. Mas, há mudanças e mudanças, depende das pessoas que mudam, do seu grau de instrução, da sua posição politica, económica e social. Ao cidadão anónimo, não se critica um procedimento que pode não estar conforme com aquilo que dele se espera. O mesmo não acontece com as personalidades publicas que defenderam determinados princípios ideológicos e à sua sombra singraram na vida e atingiram patamares que de outro modo não conseguiriam. Se o Dr. Vital Moreira tivesse abandonado a politica partidária em 1989 (queda do Muro de Berlim), para se dedicar exclusivamente à docência universitária, seria compreensível, mas ao virar a casaca para um Partido concorrente ao que deixou, com uma postura e um discurso a roçar a provocação, é natural que provoque nas hostes “inimigas” um fricssom que pode ultrapassar marcas do tolerável e que não abonam os actores políticos de todos os quadrantes.
Como cabeça de lista do Partido Socialista para as eleições de 7 de Junho de 2009 que elege novo Parlamento Europeu, ao ir procurar votos no Comício da CGTP no dia 1º de Maio, junto de muitos milhares de trabalhadores, altamente prejudicados pelo Partido Socialista, que nos últimos 15 anos já governa há 12, trabalhadores explorados pelo patronato publico e privado, com o apoio do PS, trabalhadores vitimas de um Código de Trabalho execrável, que o Dr. Vital Moreira defende, trabalhadores às centenas de milhares desempregados e que nos últimos 4 anos de poder absoluto do PS, perderam o seu posto de trabalho, mais de 2 milhões de trabalhadores com empregos precários, e ainda mais de 1 milhão de trabalhadores a recibos verdes com todas as obrigações de obediência hierárquica e funcional, mas sem direitos, a que o Dr. Vital Moreira fecha os olhos, a tanta pouca vergonha protagonizada pelo Partido Socialista, que em troca lhe vai dar um tacho no Parlamento Europeu, é caso para dizer; Dr. Vital Moreira, tenha dó, não se lamente quando se vai meter no “vespeiro”. A CGTP, convidou o PS, não o candidato “independente” à procura de votos.
Praticar justiça popular, é ilegal, é somente legal a justiça que o Professor Doutor Vital Moreira, defende e ensina na sua cátedra da Universidade de Coimbra, a mesma que defende a burguesia, que valida os inconsequentes Códigos de Trabalho, dos despedimentos arbitrários, dos possuidores do dinheiro segredados nos offshores e das falcatruas tipo Madoff, que o Dr. Carlos Tavares, presidente da CMVM denunciou, com falha de supervisão do BdP e do Governo do PS. Com esta problemática que é publica e de cujos resultados negativos tem consequências gravíssimas nas vidas dos trabalhadores, seria muito natural que o Dr. Vital Moreira se ficasse pelo Comício da UGT, para onde voltou enxovalhado, não tendo necessidade de correr riscos desnecessários. A politica é uma actividade nobre e séria, não se podendo dar a impressão de que tudo é possível, que vale tudo e que se pode hoje dizer uma coisa e amanhã o seu contrário, sobretudo quando se tem a envergadura de um intelectual da sua craveira sobejamente conhecida.
Não pretendo contudo justificar o injustificável da agressão física seja em que condições for, mas enfrentar multidões clubísticas em fúria, digam elas respeito ao futebol, à politica, à cultura, hábitos ou costumes, é sempre perigoso, devendo-se evitar contornando os obstáculos com muita inteligência, bom senso e grande humildade. O acto do Dr. Vital Moreira e sobretudo do PS, armando-se em vitima, acusando os comunistas do que não fizeram, tal como não seriam os socialistas ou sociais democratas se um caso semelhante acontecesse no comício da UGT, não fica bem, não é sério e faz lembrar o regime anterior da ditadura, que via em tudo quanto mexe um perigoso marxista leninista, mesmo que fosse analfabeto que reclamava por paz, pão e liberdade.
Manuel Aires
manuel.j.c.aires@gmail.com


























O Centro de Interpretação de Vila do Bispo e o Caminho Municipal da Cordoama vão ser inaugurados no próximo dia 3 de Maio, numa cerimónia presidida pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional.