Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Salários a morrer à mingua

Metade dos trabalhadores ganha até 600 euros

No Algarve começa a ver-se pobreza a crescer. Trabalhar por conta de outrem não é solução para sair da miséria... Quem recebe então os maiores salários em Portugal?

Cerca de 151 mil pessoas não ganhavam mais do que 310 euros líquidos por mês, em 2007, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. Em Portugal, metade dos trabalhadores ganha menos de 600 euros por mês, diz o «Jornal de Notícias» em ampla reportagem de Domingo. Em Portugal, para se ser oficialmente pobre, não se pode ganhar mais do que 370 euros, mas quem gere a vida com o salário mínimo (426 euros), ou pouco mais, não se considera propriamente de classe média. E, o salário líquido de quase metade dos trabalhadores por conta de outrem não passa dos 600 euros,
É certo que, nos últimos anos, a quantidade de pessoas a viver com ordenados pouco acima do mínimo oficial tem vindo a diminuir. Em 2004, mais de metade (52%) dos trabalhadores por conta de outrem tinha um ordenado líquido até 600 euros; no final do ano passado, eram 46%.
Contudo, as subidas recentes de preços (da alimentação e dos combustíveis, em particular) «está a afectar toda a gente, mas sobretudo os mais pobres», lembrou Agostinho Jardim Moreira, presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, que encontra os casos mais graves na região Norte, mas sente que em Setúbal e especialmente no Algarve começam a ver a pobreza crescer. Tanto no Norte como nos Açores, quase seis em cada dez trabalhadores empregados ganha até 600 euros. Em Lisboa, não chega a três em cada dez.

Quatro ministros ganham mais que Sócrates

Há várias formas de atingir um salário de, pelo menos, cinco dígitos no fim de cada mês. Mas pelo menos uma é garantida: trabalhar na banca, de preferência no topo, sentado numa cadeira da administração. Até assumir a liderança do BCP, Carlos Santos Ferreira ganhava perto de 25 mil euros na CGD, revela a «Sábado». Agora o banqueiro poderá ter um salário na ordem dos 48 mil euros por mês. Paulo Azevedo, presidente executivo do grupo Sonae, arrecadou um vencimento global de 1,35 milhões só em 2007, uma remuneração mesmo assim 30% inferior à que Belmiro de Azevedo arrecadou nas mesmas funções.
Já Ana Maria Fernandes, da EDP renováveis, tem um salário fixo anual de 384 mil euros (perto de 27.500 euros por mês). Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa (grupo de Comunicação que detém a SIC) bem se pode queixar dos danos que a instabilidade das cotações tem nos rendimentos. Em 2007, por se ter tornado membro do sonselho de Estado, o empresário teve de apresentar rendimentos ao Tribunal Constitucional - declarou 1.191.636 euros.
O dinheiro também não será a principal motivação para quem aceita um cargo público. O salário do presidente da República não é o mais alto (7.416 euros). O primeiro-ministro, José Sócrates, ganha ainda menos (75% desse valor) e, no último ano, declarou um rendimento de 101.638 euros.
Mas mesmo não tendo um salário mais elevado, José Sócrates, ficou a ganhar com a entrada no Governo: em 2004, declarou um rendimento anual de 49.837 euros, valor que ganhava como deputado - três anos depois recebe mais 51 mil euros por ano, diz ainda a «Sábado». No entanto, há mais quatro ministros que ganham mais que Sócrates. São eles, Luís Amado (Negócios Estrangeiros), Teixeira dos Santos (Finanças), Jaime Silva (Agricultura) e Santos Silva (Assuntos Parlamentares), que declararam mais de 103 mil euros no último ano.

Serra de Monchique: Incêndios não serviram de aviso

Todos temem que volte acontecer

Proprietários não limpam as matas, mas todos concordam que as chamas deixaram um rasto de destruição que continua presente

Há cinco anos o fogo destruiu quase metade da Serra de Monchique, casas e os haveres de muita população, alguns deixando-lhe apenas a roupa do corpo e os olhos para chorar, esperando a força para recomeçar uma nova vida. A vaga de incêndios que atingiram Portugal em 2003 e 2004, só no Algarve devastaram mais de 100 mil hectares de mata e floresta em vários concelhos, onde as serras de Monchique e do Caldeirão (Loulé) foram as mais fustigadas. As chamas devoraram vidas humanas, casas e haveres, devastaram florestas e matas protegidas, deixando um rasto de estragos materiais e ambientais ainda visíveis e vivos na memória das populações.
Na Serra de Monchique, no Sítio dos Pinheiros, o fogo destruiu várias casas, deixando uma dezena de pessoas desalojadas, entre as quais quatro crianças, tendo os bombeiros resgatado ainda vários moradores, sobretudo idosos e acamados, de casas ameaçadas pelas chamas.
Apesar de ter recomeçado a vida, a população refere que nunca mais foi a mesma coisa, e ainda hoje vivem «sempre com medo que a situação se repita», principalmente devido à falta de limpeza dos terrenos perto das casas. «Existe maior vigilância, mas os terrenos continuam por limpar», observam populares, explicando que «muitos desses terrenos pertencem a proprietários que não residem aqui e apenas esporadicamente aparecem» no local.

A mesma preocupação é partilhada pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Monchique e por José Inácio, um agricultor que em 2003 recusou abandonar a sua casa, para combater as chamas e salvar a habitação e os cerca de 15 animais. Segundo aquele morador, «a autarquia tem limpo os caminhos, estradas e bermas, mas os donos não limpam os terrenos». «Uns não têm dinheiro para o fazer e outros raramente cá aparecem¿, realçou, acrescentando que «se houver um fogo, volta tudo a arder».
Por seu turno, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Monchique, Manuel Carvalho considera que apesar de terem sido implementadas algumas melhorias na prevenção e combate aos fogos, após os incêndios de 2003 e 2004, o concelho continua a ter um «elevado risco». Segundo o comandante, os factores que têm contribuído para o decréscimo do número de ignições e fogos no concelho de Monchique, onde este ano arderam apenas de cinco hectares de mata, são a «maior sensibilidade na prevenção e a articulação de meios no combate».
De acordo com Manuel Carvalho, «afinaram-se várias questões, apostando-se na primeira intervenção, com meios aéreos e terrestres, em quantidade e capazes de responder com maior rapidez ao fogo», mas para os proprietários das matas «parece que nada aconteceu».

E ao 3º. Dia... falou

Ferreira Leite encerrou “Universidade de Verão”

Líder do PSD acusa PS de ter «máquina» que «persegue» ou «simplesmente demite». Na política económica e na administração pública, a «asfixia» é «mais visível»

Ao fim de três dias de debates, Manuela Ferreira Leite encerrou ontem a Universidade de Verão do PSD, usando Castelo de Vide para marcar a rentrée social-democrata, e acusar o Governo socialista de «resultados medíocres». Depois de 40 dias de silêncio, e durante 30 minutos de discurso, perante uma plateia de alunos da Universidade e de notáveis do PSD, Ferreira Leite apontou o dedo ao Governo, acusou a máquina socialista de falta de democracia e garantiu que «se todos os anúncios correspondessem à realidade, o país tinha que estar melhor do que está».
Para Ferreira Leite, «os portugueses estão frustrados mediante as promessas que foram feitas; e este clima de mistificação só tem sido possível porque está apoiado numa máquina de comunicação e acção pouco democrática». Mas «chegou o momento de ficar claro o abismo que existe entre o discurso oficial e a dureza do dia a dia», garantiu a líder do PSD, à semelhança do que já na véspera tinha desvendado Pacheco Pereira.
«O Governo gasta imensa energia e recursos a tratar da comunicação e imagem, mas o objectivo não é informar (...) é enganar-nos ou distrair-nos», numa «estratégia de manter aparências, de esconder os fracassos e de iludir os portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas».
Os que «sabem que isto não vai bem», «não podem falar muito alto porque há uma impressionante máquina socialista que controla, que persegue, que corta apoios, que gere favores ou simplesmente que demite», acusou, apontando a «administração pública, a vida económica e o associativismo» como exemplos do «clima anti-democrático».

Governo falha «perigosamente» na Segurança


Num ataque cerrado à «máquina» que serve «os interesses do PS, Ferreira Leite apontou ainda a política económica como área na qual «a asfixia (...) se torna mais visível», «esmagando qualquer esperança de iniciativa empresarial». Uma «concepção centralizadora», que «vai deixar o país endividado como nunca, e sem perspectivas de ultrapassar a estagnação, como o próprio primeiro-ministro confidenciou recentemente a um presidente estrangeiro».
Manuela Ferreira Leite garante que o programa económico do PSD «será exactamente o oposto». Nomeadamente em matéria de obras públicas, tema a que a líder social-democrata voltou para criticar o financiamento de «projectos megalómanos que são um extraordinário luxo para o país porque não criam riqueza, mas que implicarão muitos anos de sacrifício para serem pagos. Mas é no emprego que a política económica que defendemos melhor mostrará os seus resultados», afirmou. A chave, para Ferreira Leite, está nas «pequenas e médias empresas», que serão capazes de criarem mais empregos.
Para a líder do PSD, «os acontecimentos dos meses de Verão tornaram patente essa falta de estratégia no que se refere à Segurança Interna»: «O Governo confunde espectáculo com intervenção», e em «matéria de segurança e de autoridade do Estado, isto é gravíssimo».
Apontando um exemplo concreto da «escandalosa operação mediática feita pelo Governo para calar os alarmes», Manuela Ferreira Leite falou de uma operação policial realizada em Loures «destinada a passar em directo na televisão», no terreno «tristemente emblemático de bairros problemáticos».

PS: «Puro bota-abaixismo»

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, acusou a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite (MFL), de ser incapaz de apresentar propostas alternativas às do Governo e de não fazer auto-crítica face ao seu passado enquanto ministra. «O PSD continua à espera de ouvir algumas ideias da sua líder, mas o país já nada espera da líder do PSD», declarou o porta-voz do PS, numa reacção ao discurso da líder social-democrata, o porta-voz do PS disse que a intervenção Manuela Ferreira Leite em Castelo de Vide correspondeu «inteiramente às baixas expectativas» existentes.
«Se houve alguma surpresa foi o facto de MFL não ter feito o mínimo esforço para apresentar uma alternativa ou uma simples medida para o país, mantendo uma linha de puro bota-abaixismo, que já vem do congresso que a elegeu como presidente do PSD», considerou o dirigente socialista. Vitalino Canas afirmou também que Manuela Ferreira Leite, ex-ministra de Estado e das Finanças no executivo de coligação PSD/CDS, liderado por Durão Barroso, «continua incapaz de fazer uma auto-crítica. Continua sem ser capaz de assumir a responsabilidade por ter deixado o défice chegar aos 6,83 por cento [em 2005] e de ter sido incapaz de fazer a reforma da administração pública», apontou o porta-voz socialista.
Para Vitalino Canas, a actuação política de MFL indicia que, «se eventualmente voltasse a ter responsabilidades políticas no país, não teria medidas ou sugestões diferentes daquelas que teve no passado. Estamos perante uma confissão velada do PSD de que não tem alternativas às do Governo do PS», acrescentou.

domingo, 7 de setembro de 2008

Bares e Clubes de Strip passados a ‘pente fino’

Limpeza noctívaga em Albufeira

Armas brancas, droga e menores identificados em bar na zona velha da cidade.
Dois Clubes de Strip encerrados por funcionarem ilegalmente

Três facas, um bastão extensível e um “boxer”, vulgarmente conhecido por “soqueira”, foram apreendidos pela GNR durante uma operação de fiscalização a estabelecimentos nocturnos, bares e clubes de strip, durante o fim de semana, em Albufeira.
Curiosamente, à excepção de uma das facas, todas as restantes armas foram apreendidas num bar da baixa frequentado por gente extremamente jovem onde foram identificados 23 menores de 16 anos. Dois destes foram surpreendidos a ingerir bebidas alcoólicas. Todos os que não se faziam acompanhar de documento de identificação foram identificados pelos familiares que se deslocaram ao local para o efeito. Outros 6 jovens menores foram identificados em outros estabelecimentos.
Os objectos apreendidos, encontrados espalhados pelo chão, abandonados aquando da entrada dos agentes da autoridade, devem constituir motivo de séria preocupação pois revelam uma clara sintomatologia de violência nestas camadas mais jovens. Para além das armas foram apreendidas cerca de 100 doses de haxixe e, num outro local, 20 de cocaína, igualmente abandonadas, sem que fosse possível identificar os seus detentores. Dois cidadãos estrangeiros foram detidos por permanência ilegal em território nacional. Uma terceira detenção, originada por usurpação de direitos de autor com utilização de CD’s contrafeitos, foi efectuada por inspectores da ASAE que participaram nesta operação.
No âmbito da segurança privada foram detectadas irregularidades que originaram 9 autos de contra-ordenação. Dois dos estabelecimentos, clubes de strip, foram encerrados pela ASAE por funcionarem sem alvarás. Os inspectores registaram outras infracções e apreenderam bebidas alcoólicas em situação irregular. Estiveram envolvidos nesta operação cerca de 80 militares da GNR e 4 inspectores da ASAE e as acções decorreram entre as 00h00 e as 03h00.

Crónica de Domingo

A olímpica arena

A propósito da recente participação dos atletas e dirigentes portugueses nos Jogos Olímpicos de Pequim, dei comigo a pensar: curioso, como as coisas mudam tão de repente.

Hoje, os atletas são os modernos gladiadores. Não enfrentam animais de quatro patas ou adversários humanos na arena do matar ou do morrer. Mas combatem outras feras: o público, os clubes, os dirigentes, as federações, a mídia, que os encaram como máquinas de produzir golos, marcas extraordinárias, golpes, saltos ou velocidades sobre-humanas. Não se pode obter menos do que o primeiro lugar e a medalha de ouro. Se for de prata, amarelaram o sorriso. Se for de bronze, quase que nos envergonham. Vejo espantado rapazes e raparigas que actuaram com sacrifícios e dores que nem sequer imaginamos, saírem como derrotados, vexados e perplexos, quando não conquistam o pódium. Que perversa cobrança lhes estão a fazer, ou os levamos a fazer a si mesmos? Que insano dever os obriga a estar na linha da frente na trincheira? E, depois dessa medalha de ouro, tem de vir outra igual, pois nada lhes é permitido fora disso, a não ser pedir desculpas.
Eu nunca fui de praticar desportos activamente. Só mesmo por desporto. Mas sempre os apreciei, vivendo a juventude numa época em que se torcia entusiasticamente nas tardes de domingo pelo futebol. Era, como hoje ainda, o desporto-rei, mas infinitamente com mais visibilidade que todos os outros desportos, o que hoje felizmente já não acontece. Fiz parte da torcida de muitos jogos de basquete e vólei em que primos e colegas meus disputavam aplausos ou vaias. Talvez já nessa época eu ligasse desporto a convívios alegres, ao brilho, à busca do melhor. Saúde, competição boa, camaradagem.
Actualmente, a nossa crueldade com os atletas é impressionante. Anos de treino severo, pouca vida pessoal, afastamento da família, implacáveis exigências dos treinadores, do público e de si próprios. Alguns atletas portugueses de origem modesta passaram a ser novos “milionários do sucesso” em poucos segundos nas grandes competições internacionais. As suas vidas resumiam-se a pouca diversão, dieta severa, sofrimento físico, e à pressão crescente de um público sempre insatisfeito. É preciso ser mais do que bom, pelo clube, pelo país. É uma obrigação ser um ídolo, manter-se um ídolo. Às vezes penso que odiamos os nossos ídolos, porque estamos sempre à espreita de uma falha para os devorar. Implacável, de polegar para baixo, ditando: fim da vida.
A questão não deveria ser o que esse atleta deu ao seu país, mas, antes de tudo, o que o país fez pelo seu atleta para ele se tornar excelente. Desporto faz parte da educação. Se ela anda em níveis trágicos, dificilmente o desporto brilha. As nossas escolas caem aos pedaços, as universidades afundam-se na mediocridade, os estudantes vagueiam na descrença, pressionados por mentiras, farsas, negligência e esquecimento. Onde estão os campos desportivos públicos, com condições para que se formem numa tradição de alta competição e cresçam futuros vencedores, para que em lugar da rua e da droga, as crianças e os jovens se empenhem em competir de forma saudável, com outros ideais além do mortal dinheiro fácil da venda de drogas? Circula muito dinheiro por de trás dos desportos e competições como as Olimpíadas: será que os nossos atletas recebem o cuidado desejado na formação pasicológica, alimentação, acompanhamento de primeira, de primeiríssima – como deveria, aliás, receber qualquer cidadão português?
Bibliotecas combinam com campos desportivos, professores bem pagos com treinadores valorizados. Ensinar a distinguir o pior do melhor, tornar as crianças e os jovens em cidadãos conscientes e activos, isso somado a ensinar a ler – habituar a ler, fazer escrever correcto, em suma, ensiná-los a pensar e a expressarem o seu pensamento de forma clara e ordenada. Os atletas não precisam só de treino, e continuarem burros. Os pobres não precisam de ser ignorantes. Não considero boa a educação que apenas tenta formar o chamado "cidadão consciente", quando ele nem ao menos sabe de que deve ter consciência e como se deve expressar, quando confrontado na mídia. Quando tachamos de "burros" os atletas que não se sabem expressar, devemos procurar saber que estímulo receberam os outros atletas que reagem melhor aos insucessos, seus e dos seus colegas. Desporto deveria ser convívio natural de gente saudável e pacífica, coerente e bem formada, sem medo de nenhum tipo de sucesso, e sem ter de correr atrás dele obsessivamente.
Nesta comédia de enganos, os "derrotados" por não terem obtido o ouro, têm de se esconder. Os vitoriosos, podem festejar, sim. Mas que fiquem atentos ao polegar: para cima ou para baixo, também para eles, se da próxima vez não cumprirem satisfatoriamente o seu papel na arena olímpica.

sábado, 6 de setembro de 2008

O outro Algarve

Retiros saudáveis são alternativa ao turismo

Preços para estadias completas variam entre os 2000 e os 2700 euros, e incluem dieta à base de alimentos biológicos da própria quinta

Uma semana de férias no Algarve onde o mar é substituido pelo campo, e os «banhos» de sol são substituídos por um retiro saudável, com exercício físico, meditação e passeios na natureza é o desafio lançado por uma empresa que está a cativar turistas ingleses. Sem televisão, telefones, cafeína ou álcool por perto, cada pessoa recebe um plano personalizado de treino e nutrição, baseado numa dieta orgânica, integrado num programa que privilegia também o bem-estar mental.
Com vista para a Serra de Monchique e ladeada por tranquilos jardins, a Quinta da Alegria é o local no Algarve escolhido para realizar os retiros, lançados no início deste Verão. A ideia já vinha sendo alimentada há alguns anos pelo canadiano Reza Niam, de 45 anos, especializado em «fitness» e nutrição, que se juntou à bióloga portuguesa Susana Vidal para criar a «Purescapes».
Dirigidos às pessoas que querem ir de férias, mas se recusam a estender-se ao sol e não fazer nada, os programas duram sete dias e incluem «fitness» e ioga na natureza, massagens, passeios a pé no campo, de caiaque e até aulas de surf. «O nosso retiro baseia-se em tentar alcançar o bem-estar privilegiando todos os aspectos do nosso corpo: o químico, o físico e o mental», conta Reza Niam, acrescentando que cada pessoa recebe um plano específico.
A parte química é assegurada por uma dieta orgânica, à base de alimentos biológicos, alguns cultivados na própria quinta, enquanto a vertente física é «alimentada» por treinos e actividades várias.

Clientes para encher o retiro não faltam

A outra vertente, o bem-estar mental, é trabalhada através do ensino de técnicas de relaxamento e gestão do stress, bem como de actividades ligadas à meditação, acrescenta o «personal trainer». Na Quinta da Alegria não há equipamentos de ginásio, nem luxos excessivos - apesar de os programas serem dirigidos a uma classe mais alta -, e fora das actividades, os turistas podem aproveitar o tempo como quiserem.
A maior parte dos clientes são britânicos, embora também haja irlandeses, canadianos e americanos. O sexo feminino domina o perfil dos clientes da «Purescapes», cuja média de idades ronda a faixa entre os 30 e os 40 anos. O dia na quinta começa bem cedo, por volta das 07h00, com uma sessão de aquecimento corporal, à qual se segue o pequeno-almoço e um passeio na natureza, em Sagres ou na Serra do Caldeirão.
Os passeios são conduzidos por Susana Vidal, que antes de fundar com Reza Niam a «Purescapes», era sócia de uma empresa de turismo de natureza, conhecendo por isso como ninguém os mais selvagens recantos do Algarve. Uma das características dos passeios organizados no retiro é o facto de valorizarem a cultura local, havendo a preocupação de mostrar as singularidades da região e integrar os turistas nos hábitos dos «nativos». À tarde, o grupo regressa à quinta e está livre para relaxar, ler um livro ou dar um mergulho na piscina, para depois participar numa aula de ioga ao ar livre que acontece normalmente antes da ceia.
Segundo Susana Vidal, que diz que desde Junho já houve cerca de trinta pessoas a fazer o retiro no Algarve, o «feed-back» tem sido positiva, com pessoas a afirmar que o programa mudou as suas vidas. Os preços oscilam entre os 2.000 e os 2.700 euros, o que inclui dormida na quinta (que tem seis quartos duplos), alimentação, os treinos diários, passeios a pé e de caiaque e transporte. A partir de Outubro, o retiro «muda-se» para Lanzarote e a partir do próximo ano a «Purescapes» começa a operar nos três destinos, organizando os retiros de forma repartida pelos diferentes locais e estações do ano.

Vale mais tarde que nunca

Primeira escola para sobredotados nasce em Portugal

Vem atrasada em relação ao ano lectivo, mas vai abrir em Portimão, e para já terá uma turma de 18 alunos

A primeira escola-piloto para sobredotados do País, em Portimão, vai abrir este ano lectivo com uma turma de cerca de dezoito alunos, depois da Direcção Regional de Educação (DRE) do Algarve ter dado «luz verde» ao projecto, informa a agência Lusa.
Desenvolvido por técnicos portugueses da Universidade da Criança em conjunto com o Instituto da Inteligência, o projecto foi entregue à DRE/Algarve em Fevereiro, mas a resposta só chegou em meados de Agosto. «Perdemos algumas matrículas devido ao facto da decisão ter chegado tão tardiamente, mas estamos a trabalhar a todo o vapor para que a escola abra a 15 de Setembro», disse o mentor do projecto. Segundo Ricardo Monteiro, não vai ser possível arrancar com duas turmas, como estava inicialmente previsto, pois muitos pais optaram por matricular os filhos noutras escolas devido à situação de «instabilidade».
O presidente do Conselho Pedagógico da Universidade da Criança chegou a ponderar transferir o projecto para Espanha, mas a tão aguardada «luz verde» da tutela chegou ainda a tempo do ano lectivo 2008/2009.

Muitos casos por conhecer

A escola-piloto, que ficará instalada no complexo da Universidade da Criança, em Portimão, rege-se por um sistema educativo diferente do convencional, em que o tradicional professor é substituído por uma equipa de onze profissionais.
As matérias a leccionar vão desde as habituais, como Matemática ou Português, a disciplinas como «Filosofia para Crianças» ou o ensino de duas línguas estrangeiras, neste caso Inglês e Alemão.
De acordo com Ricardo Monteiro, estima-se que existam em Portugal entre 35 mil a 50 mil crianças e jovens sobredotados, embora poucos sejam detectados, por não haver no sistema escolar meios de os identificar.
É exactamente essa uma das missões da Universidade da Criança, criada em Portimão em 2004 e que em parceria com o Instituto da Inteligência faz uma avaliação rigorosa do potencial das crianças, aconselhando igualmente os pais. «Acreditamos que o ensino superior começa na infância», afirma Ricardo Monteiro, lamentando que cada vez se produzam «menos génios» e defendendo ser necessário que os pais estejam «atentos aos sinais».
Uma criança com um Quociente de Inteligência (QI) de 140 - sendo que são considerados sobredotados aqueles com QI superior a 130 - aproveita apenas 50 por cento de uma aula comum, enquanto uma com QI de 170 não aproveita praticamente nada, segundo os especialistas.

Entrevista com Governadora Civil de Faro

“Considero que posso actuar como uma verdadeira provedora dos algarvios”

ISILDA GOMES
faz um “balanço de governação” em exclusivo para o “Algarve Reporter”

Ao fim de pouco mais de 1 ano de nomeação para o cargo de Governadora Civil do Distrito de Faro, Isilda Varges Gomes, professora de formação académica, norteia a sua actividade política por várias tabelas, dando prioridade à segurança, ao ambiente, ao desenvolvimento e à solidariedade.
Ela é uma mulher de causas.
Antes de assumir o cargo de Governadora Civil, foi presidente da Assembleia Municipal de Portimão e delegada regional do Algarve do Instituto do Emprego e Formação Profissional, cargo que assumiu em 2005. Foi também coordenadora do Núcleo Distrital do Projecto Vida, em 1997 e, entre 2000 e 2005, vereadora e vice-presidente da Câmara de Portimão.
Hoje, ela considera-se uma “provedora” dos algarvios junto do Governo.


Entrevista de Carlos Ferreira

Como balanço, qual a experiência recolhida em pouco mais de 1 ano como Governadora Civil.
-Tem sido uma experiência verdadeiramente enriquecedora, pois permite-me intervir em várias áreas e, simultaneamente, adquirir um conhecimento mais profundo da realidade da região. Tem sido um trabalho muito gratificante e estimulante, pois tenho conseguido concretizar vários projectos a que me propus, entre os quais, o das ‘Agendas Temáticas’, o do ‘SMS-VOZ’ e o da ‘Ria Solidária’, bem como os das campanhas sobre segurança nas falésias e de prevenção da sinistralidade rodoviária, sendo esta última uma área que considero extremamente importante. Destaco ainda o trabalho desenvolvido em duas áreas prioritárias, nomeadamente a segurança e a protecção civil, que exigem um envolvimento permanente e representam um grande desafio para quem assume este cargo.

Que filosofia tem imprimido no desempenho deste cargo.
- Quando tomei posse como Governadora Civil assumi o papel de grande proximidade dos algarvios e do Algarve, e é nesse compromisso que baseio todo o meu trabalho. A defesa dos interesses da região está sempre presente nas decisões que tomo e nos projectos que desenvolvo ou com os quais colaboro. Também é esse objectivo que persigo na minha intervenção junto dos membros do Governo, por parte de quem tenho contado sempre com uma grande abertura e uma vontade expressa para resolver as questões que coloco.

Para além de representar o Governo, que vantagem encontra para os algarvios na criação das "Agendas Temáticas".
- As ‘Agendas Temáticas’ surgem com o intuito de dar voz aos muitos actores que contribuem para a melhoria das condições de vida na região e nesse sentido tem sido um projecto muito gratificante. Foi-me possível conhecer uma outra face do Algarve que a maioria das pessoas desconhece, até porque, grande parte do trabalho que está a ser desenvolvido, é feito de forma discreta, embora com uma dedicação e eficácia extraordinárias. Saliento por exemplo a intervenção das instituições particulares de solidariedade social e do movimento associativo, em conjunto com as direcções regionais e as autarquias, em áreas tão distintas como a segurança social, a cultura e a agricultura. Fi-lo sempre em estreita ligação com os responsáveis regionais de cada sector e com o acompanhamento dos autarcas da região no sentido de, em conjunto, avaliarmos as situações e promovermos soluções para alguns problemas que fomos sinalizando. Considero por isso o balanço da primeira fase deste projecto bastante positivo.

Qual a opinião que faz da situação socio-económica do Algarve, enquanto região periférica.
- Considero que o Algarve tem uma situação socio-económica bastante equilibrada apesar das contingências inerentes à sua condição de região periférica. E saliento o facto de o Algarve ser uma região que tem merecido uma atenção muito especial por parte deste Governo, nomeadamente na concretização e lançamento de projectos estruturantes como os da Barragem de Odelouca, da requalificação da EN 125, do Hospital Central do Algarve, do curso de Medicina e do Polis da Ria Formosa. Trata-se de um conjunto de intervenções que vão permitir aumentar cada vez mais o nível de qualidade de vida na região. Há ainda a salientar que estão aprovados para o Algarve 12 Projectos de Interesse Nacional, o que corresponde à criação de cerca de seis mil postos de trabalho, o que irá contribuir fortemente para uma maior estabilidade económica na região.

Sendo o cargo que ocupa representativo do Governo, como faz chegar a este, os anseios e as preocupações dos algarvios.
- Como já referi, a ligação aos membros do Governo tem sido bastante eficaz. Todos os problemas e preocupações manifestadas pelos cidadãos desta região têm tido um tratamento sério por parte dos membros do Governo e também as sugestões e propostas que levamos, têm sido muito bem acolhidas.

Há quem defenda que existem hoje mais bolsas de pobreza no Algarve, que na última década. Que opinião tem sobre o tema.
- A questão da pobreza não pode, nem deve, ser abordada de uma forma ligeira. Existem famílias carenciadas na região, esse é um facto, mas as políticas sociais do Governo têm permitido encontrar soluções para muitos problemas, nomeadamente através da implementação de vários programas de apoio às famílias e de combate à pobreza e à exclusão social. Saliento como exemplo o Complemento Solidário para Idosos que deverá abranger, até ao final deste ano na região, cinco mil pessoas carenciadas.

Em termos de Segurança, também a situação não parece ter melhorado...
- É necessário haver algum cuidado na abordagem desta questão. Há a salientar o facto de a região ter contado este ano, durante os meses de Verão, com um reforço policial que totaliza 604 elementos, o que corresponde a mais 381 elementos do que em 2007. O Algarve é uma região indesmentivelmente segura e, enquanto destino turístico, das mais seguras do Mundo. Esta é também a opinião dos próprios turistas que nos visitam pois, de acordo com o inquérito realizado em 2007 pela Universidade do Algarve, 90% dos turistas afirmam sentir-se tão ou mais seguros aqui do que na sua terra de origem e, cerca de 90%, garantem sentir-se plenamente seguros na região. Apesar de todos estes indicadores, reconheço que a área da Segurança é extremamente importante e exige toda a nossa atenção, daí que a situação seja permanentemente acompanhada pelo Gabinete Coordenador de Segurança Distrital de Faro.

- Com o Verão 2008 a chegar ao fim, que balanço faz da Região como destino turístico, em relação a anos transactos.
- De acordo com algumas informações que me chegam parece-me ser um ano positivo apesar de não se verificar um crescimento como em 2007, já que o ano passado registou uma subida acima dos 5%, ou seja, muito para além das expectativas. Temos de considerar também a crise económica que não é exclusiva da Europa mas atinge todos os países do Mundo e tem um impacto muito forte na área do turismo. Perante este cenário, terminarmos o ano turístico com médias acima das registadas em 2007 será difícil. Mas o sector está estabilizado e esse é um indicador bastante animador.

- Há vários anos que se fala da extinção do cargo de Governador Civil. Uma vez dentro da experiência, que opinião tem sobre este assunto.
- Como já referi, quando tomei posse assumi precisamente o papel de “provedora” dos algarvios e, nesse sentido, tenho procurado manter uma proximidade aos cidadãos. Penso que essa é a missão prioritária do Governador Civil, pois as competências que lhe são atribuídas enquanto representante do Governo visam precisamente intervir em defesa dos interesses regionais. Este é um cargo que nos permite actuar de uma forma muito abrangente e, em algumas áreas, com uma possibilidade de decisão muito definida, o que imprime ao nosso trabalho uma dinâmica excepcional.
Exclusivo: Jornal 'Avezinha' - Algarve Reporter

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cheiro a imperialismo no Leste

Uma guerra que chega já no fim da história

A Geórgia invadiu a Ossétia, que pediu ajuda à Rússia, que invadiu a Geórgia: foi uma guerra à moda do século passado. É assim mesmo no Cáucaso, há eras...

O romancista americano William Faulkner escreveu que o passado nunca está morto. De facto, nem sequer é passado. Ele referia-se a outro lugar e outra situação, mas a definição aplica-se bem ao Cáucaso. Essa cadeia de montanhas nos extremos de dois continentes, a Europa e a Ásia, é o lar de uma variedade de povos que convivem aos empurrões uns com os outros. Alguns dos seus pequenos estados estão entre os mais solitários. A Arménia foi o primeiro país a adoptar o cristianismo como religião oficial, em 314. A Geórgia, que tinha sido súbdita do Império Romano, atingiu o seu esplendor entre os séculos X e XIII. A profundidade das raízes nacionais pode ser aferida pela exclusividade do idioma georgiano, que não pertence a nenhum dos grandes troncos linguísticos, como o indo-europeu, que inclui o português. O isolamento pode ser exemplificado por uma excentricidade: enquanto na maioria das línguas a palavra que designa mãe reflete o "mama" balbuciado pelo bebé, em georgiano é o pai que atende por "mama". Mãe é "deda".
Os ossetas, que falam uma língua aparentada ao persa e nunca formaram um reino poderoso, acreditam que são descendentes directos dos alanos. Em parceria com os vândalos, esses nossos conhecidos nómadas que devastaram a Península Ibérica e o norte da África (daí o adjectivo de "vândalos"). Os alanos que permaneceram no Cáucaso alistaram-se nas hordas de Átila, o Huno. Em homenagem a estes ancestrais, a Ossétia do Norte quer ser chamada de Alânia. Todas essas populações têm em comum a submissão centenária a vizinhos mitómanos e grandalhões. Não é difícil entender por que esses povos ciosos da sua identidade vivem em contínua ebulição nacionalista. A região é um barril de pólvora.

Desde o início dos anos 90, a Rússia luta para submeter os tchechenos, um povo muçulmano vizinho à Geórgia. Depois de penar nas mãos dos tártaros, persas e otomanos, a Geórgia foi incorporada no Império Russo no início do século XIX. A Ossétia do Sul foi riscada do mapa como uma região autónoma em território georgiano por decisão de Josef Stalin. Um túnel construído sob uma montanha é a sua única conecxão com a Ossétia do Norte, na Rússia.
São obscuras as razões do ditador para a criação de duas entidades de um mesmo povo em países diferentes. Stalin era georgiano, mas tinha bisavô osseta. O que não caía lá muito bem, pois os russos consideram os georgianos uns bandidos e os georgianos vêem os ossetas como bárbaros semipagãos.
Esta passagem pela história tem por finalidade ajudar na compreensão dos acontecimentos recentes: a invasão russa que esmagou o pequeno exército da Geórgia. A crise estalou com o separatismo dos sul-ossetas, que a Geórgia não aceita. Um cessar-fogo precário existe desde 1992. A soldadesca russa também garante outro buraco separatista, a Abkházia, no sul da Geórgia. O presidente Mikhail Saakashvili elegeu-se prometendo restabelecer a soberania georgiana nessas regiões. Saakashvili, que estudou e morou nos Estados Unidos, quer transformar o país num exemplo de democracia e capitalismo moderno, numa região que nunca viu nada parecido. Também quer entrar para a NATO, a aliança militar no Ocidente. Desta vez, ele perdeu a paciência e mandou o seu minúsculo exército atacar a capital da Ossétia do Sul. A reacção russa foi brutal.
A curta guerra foi facilmente vencida pela Rússia, que ocupou várias cidades no interior da Geórgia. A explicação do presidente russo, Dimitri Medvedev, e do primeiro-ministro Vladimir Putin, que é quem realmente governa, é a obrigação moral de ajudar um povo amigo ameaçado. Não é tão simples assim, evidentemente. Mas o cheiro do imperialismo ainda paira por lá.

Ao defender os seus clientes separatistas, a Rússia mandou basicamente três mensagens ao mundo. A primeira é que o Kremlin, vitaminado pelo lucro da venda de gás natural e de petróleo, tem músculos de ferro e não hesita em usá-los para defender os seus interesses estratégicos. A segunda é que a influência americana e européia nas áreas vizinhas à Rússia é vista como ameaça e pode levar à punição dos países que se aliarem ao Ocidente. A Ucrânia, que também quer entrar para a NATO, que se cuide. A terceira mensagem é que a Europa não se vai livrar com facilidade da dependência energética em relação à Rússia. O único oleoduto entre o Mar Cáspio e o Negro que não passa pela Rússia atravessa a Geórgia.
Que Putin preparou o cenário da guerra e Saakashvili caiu na armadilha está mais que visto e fora de dúvida. Nos últimos meses, a pretexto de manobras militares, a Rússia concentrou tropas na Ossétia do Norte. Nas últimas semanas, as milícias ossetas atacaram aldeias georgianas. Numa tentativa de contornar a crise, Saakashvili telefonou para Putin para lembrá-lo de que o Ocidente garantia a integridade territorial da Geórgia. Adepto da linguagem direta, o russo disse ao georgiano onde deveria enfiar as garantias ocidentais... No final, Saakashvili ficou mesmo sozinho. Quanto ao presidente americano, George W. Bush, o máximo de auxílio que deu à Geórgia, um dos seus raros aliados na Guerra do Iraque, foi mandar alguns aviões de ajuda humanitária.
E chegou.

A indiferença russa em relação ao que pensa a comunidade internacional ficou evidente nos dias que se seguiram ao cessar-fogo cosinhado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. No texto do acordo, Moscovo reconheceu a independência da Geórgia, mas não a unidade do seu território. "Os georgianos bem podem esquecer quaisquer negociações sobre a integridade territorial do país", avisou o chanceler russo, Sergei Lavrov. Foi a primeira vez que a Rússia invadiu um estado soberano desde o colapso da União Soviética. Apesar do que parece, não se trata de um recomeço da Guerra Fria. O conflito entre as duas superpotências era balizado por ideologias opostas. Isso não existe agora, ainda que a nostalgia pelo império soviético domine os corredores do Kremlin.
Na opinião de muitos observadores internacionais, Putin parece ver o conflito no Cáucaso principalmente como uma questão de honra, mas também como uma oportunidade para expurgar o sentimento de humilhação existente em Moscovo. Depois do colapso do império soviético, a Rússia viu-se forçada a engolir o avanço da NATO nos países da Europa Oriental que por décadas foram os seus satélites subordinados. A independência do Kosovo foi a última afronta ao orgulho soviético. O facto de a Geórgia ser apoiada pelos Estados Unidos torna o ataque uma espécie de revanche à atitude ocidental nos Balcãs.
A derradeira mensagem parece ser "se vocês podem, nós também podemos". É a lógica do Cáucaso.
C. Ferreira

A ver os turistas passar

Crise no Turismo algarvio

Ninguém assume, mas foi o pior Agosto de sempre para o turismo algarvio. Inesperadamente, o Aeroporto de Faro registou um aumento de passageiros. Para onde foram?

O Verão está a terminar e não há memória de um mês de Agosto tão fraco como o deste ano. O Algarve ressentiu-se da falta de turistas ingleses e os portugueses não chegaram para atenuar a quebra na ocupação hoteleira, que, pela primeira vez, baixou 3% face a igual mês de 2007. Em comunicado, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve diz isso meso. Elidérico Viegas, presidente da AHETA, acrescenta que Agosto é o mês por excelência do turismo no Algarve e, apesar das quebras verificadas ao longo do ano, existia a esperança de que Agosto salvasse o ano, mas tal não aconteceu. "Os números foram uma completa surpresa", desabafou o responsável pela associação que congrega a maioria dos alojamentos turísticos da região. Muitas unidades hoteleiras de cinco e quatro estrelas foram obrigadas a baixar os preços, mas mesmo assim ficaram a meio gás, e a crise atingiu também os bares e restaurantes.Números provisórios da AHETA revelam uma quebra de 2% no volume de negócios em Agosto. A falta de turistas registou-se em toda a região, mas foi particularmente sentida nas zonas onde se concentram tradicionalmente mais turistas, como Albufeira, Vilamoura, Quarteira e Monte Gordo. Os ingleses trocaram o Algarve pela Turquia, Egipto e Caraíbas. A desvalorização da libra face ao euro é uma das razões avançadas para a quebra de turistas ingleses, responsáveis por 37% da procura total na região, e que os portugueses não compensaram, sobretudo nos chamados "gastos extras". Este ano, as esplanadas estiveram mais vazias e os consumos foram mais fracos, com muitas doses de comida nos restaurantes e cafés a serem repartidas por várias pessoas.

Tráfego Aéreo no mês de Agosto aumentou 1/5% no Aeroporto de Faro

Como diz a AHETA, não há memória de um mês de Agosto tão fraco no Algarve como o deste ano, com a ocupação hoteleira a cair pela primeira vez. Faltaram turistas, sobretudo ingleses.
Mas a verdade da entrada de turistas vindos de avião, dá-nos outra visão.
Na realidade, o tráfego comercial no Aeroporto de Faro registou no mês de Julho um aumento de 0,3% em movimentos, e em Agosto um aumento de 1,5% em passageiros comerciais (incluindo trânsitos), comparativamente ao ano anterior. A evolução positiva no tráfego de passageiros continua a ser suportado pela operação regular/low-cost que regista uma variação acumulada em 2008, de 12,1%.
Ao nível de mercados, a destacar o aumento de passageiros com origem/destino na Holanda com +3,2% e ainda a evolução positiva registada nos 4 principais mercados. Destaque para os destinos de Londres e Amsterdão que viram aumentar o volume de passageiros em 3,6% e 3,4%
respectivamente, relativamente ao mês homólogo do ano anterior.
Ao comparar o relatório da AHETA com o da ANA, a conclusão é surpreendente: os turistas vieram, superaram mesmo os números de desembarque no Aeroporto de Faro em relação ao ano 2007, mas não ficaram no Algarve.
Tal como era previsível à algum tempo, a Andaluzia com a Costa de La Luz recém dotada de infraestruturas modernas e grandes empreendimentos turísticos de qualidade a nascerem como cogumelos em Isla Cristina e Isla Canela, La Antilla e Punta Úmbria, deveram estar a receber os passageiros que chegam ao Aeroporto de Faro. Só não sabe, quem não quer ver...

Hospital de Faro

Triplicam as cirurgias aos olhos

Depois da «exportação» de pacientes, os dirigentes do Hospital de Faro estão a conseguir encontrar «respostas» para os «problemas» de visão dos doentes algarvios

O Hospital Central de Faro (HCF) conseguiu em apenas um ano triplicar o número de cirurgias aos olhos, passando de 246 intervenções no primeiro semestre de 2007 para 788 este ano, mas a carência de médicos mantém-se, informa a agência Lusa.
«Carência de médicos (no serviço de Oftalmologia) em 2007» e necessidade de reforçar o «quadro médico no Hospital Central de Faro» foram as expressões utilizadas pela directora clínica do HCF, durante a cerimónia de apresentação do «Plano Especial para Acesso à Cirurgia Oftalmológica no Algarve».
Apesar do HCF ter conseguido mais que triplicar o número de cirurgias aos olhos e ter quadruplicado o número das primeiras consultas oftalmológicas, Helena Gomes alertou para a necessidade de uma «aposta na formação contínua» dos médicos e num «reforço do quadro clínico».

A melhoria no serviço de oftalmologia do HCF também agradou ao secretário de Estado adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, que esteve presente na cerimónia de apresentação do Plano Especial para Acesso à Cirurgia Oftalmológica no Algarve. «As coisas mudaram por completo no HCF sobre o acesso à oftalmologia dos utentes. É impressionante como o número de cirurgias mais que triplicou», referiu o secretário de Estado da Saúde.
Francisco Ramos congratulou-se por os dirigentes do Hospital de Faro estarem a conseguir encontrar «respostas» para os «problemas», como o das cirurgias, especialmente o da cirurgia às cataratas. Em 2006 havia um único médico com especialidade em oftalmologia no Hospital de Faro.
Em 2007 o HCF necessitou recrutar pessoal e em Outubro contratou um especialista de outra região para trabalhar dois dias por semana no HCF e uma equipa integrada por oftalmologistas, anestesistas e pessoal de enfermagem. O HCF conseguiu também apoios financeiros, através do «Programa Saúde XXI», na ordem dos 317 mil euros para equipamento cirúrgicos e 304 mil euros para consultas externas.
Com o recrutamento de mais pessoal médico e o investimento financeiro, o HCF aumentou o acesso às primeiras consultas externas e a «15 de Agosto deste ano havia 635 pedidos de consultas», às quais a administração do Hospital de Faro pretende dar resposta «em 45 dias» após o pedido, segundo os seus responsáveis.

Caso Maddie

Jornalistas tentaram arrombar janela

Jornalistas tentaram subornar empregadas de limpeza, e forçar entrada no apartamento do Ocean Clube, de onde Madeleinne McCann desapareceu

Vários jornalistas tentaram filmar e fotografar o interior do quarto de onde Maddie desapareceu a 3 de Maio de 2007. Em algumas situações tentaram mesmo forçar a persiana do apartamento.
Kate e Gerry Mccann regressaram a Londres dia 9 de Setembro de 2007 e, poucos dias após abandonarem a vivenda que alugaram na praia da Luz, a empresa imobiliária foi contactada por um jornalista que pretendia alugar o imóvel para fazer umas filmagens. A pretensão foi negada.
Na manhã do dia 20 de Setembro, a responsável administrativa do Ocean Club apercebeu-se da presença de três jornalistas televisivos no exterior do apartamento onde a família Mccann passou férias. Os dois homens e uma mulher já tinham forçado a persiana do quarto onde dormiam as crianças. Foi a própria responsável que os expulsou do local, suspeitando que o seu objectivo era filmar o interior da habitação. Cinco dias depois a empresa responsável pela segurança do Ocean Club foi chamada ao mesmo local devido à presença insistente de mais três jornalistas no pátio de acesso aos apartamentos.

As próprias empregadas de limpeza declararam ter sido abordadas por diversos jornalistas para que pudessem aceder ao interior do apartamento. Sempre que a pretensão foi negada ofereceram dinheiro em troca desse acesso. Se nas situações anteriores foram identificados jornalistas estrangeiros, nesta última a nacionalidade não está identificada no processo tornado público a 4 de Agosto de 2008, após arquivamento da investigação e levantamento do segredo de Justiça.
Ainda dia 26 de Setembro, ao início da noite, a Polícia Judiciária (PJ) foi contactada por um segurança do Ocean Club que informou ter encontrado a persiana do quarto levantada. Dois inspectores deslocaram-se ao local e constataram que a referida persiana tinha sido levantada, pelo exterior, até meio da janela. No entanto, não havia nada estragado.

UALg nos EUA

Destaque para docente da Universidade do Algarve

Visita à Casa Branca valeu a Professor da UAlg convite para dar conferências nos EUA

O Prof. Carlos Vieira, docente na área da Estratégia Empresarial na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo e vice-presidente do Centro de Investigação sobre Espaço e Organizações (CIEO), representou a UAlg na 2.ª Sessão Plenária da Peruvian American National Roundtable (PANR), evento que decorreu nos Estados Unidos da América (EUA), em Washington e na Casa Branca, e que teve como principal objectivo comemorar o Dia da Independência do Peru.
Na sequência da participação na 2.ª Sessão Plenária da PANR como orador principal, e dos contactos que estabeleceu com empresários, membros do congresso norte-americano e figuras do mundo académico, o Prof. Carlos Vieira foi convidado para assegurar diversas conferências em várias cidades dos EUA, que decorrerão até ao final de 2008 sob os auspícios da PANR.
Por outro lado, o docente da UAlg iniciou conversações, durante a sua estadia em Washington, que resultaram numa carta de intenções para concretizar um protocolo de colaboração, na área do Turismo e da Economia Internacional, entre a UAlg e a Universidade Inca Garcilaso, no Peru.
O docente da UAlg, de origem peruana mas com nacionalidade portuguesa, falou sobre como todo o processo de crescimento económico deverá sempre alavancar o desenvolvimento económico do país em causa, sendo que, no caso concreto do Peru, “deverão ser tidos em conta os processos históricos de dependência” para alcançar esta meta.
Professor na UAlg desde 1999, Carlos Vieira lecciona na área da Estratégia Empresarial na ESGHT, nos cursos de Mestrado da Faculdade de Economia e ocupa o cargo de vice-presidente do Centro de Investigação sobre Espaços e Organizações (CIEO) da UAlg.
Desde que lecciona naquela instituição, o professor tem levado estudantes da UAlg aos Estados Unidos, sendo que cerca de trinta alunos seus já beneficiaram nos últimos cinco anos desse programa de carácter intensivo, que dura cerca de um mês e inclui aulas diárias e contactos com empresários. Carlos Vieira é ainda docente convidado, desde 2006, da Governor´s School, igualmente localizada no Estado da Pensilvânia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sabe o que é um linfoma?

Portugueses estão mal informados sobre a doença

Cerca de 1.700 pessoas são diagnosticadas com linfomas anualmente em Portugal. Os doentes desconhecem que ao ser-lhes diagnosticado um linfoma significa terem cancro

No âmbito do Dia Mundial do Linfoma, que se celebra no próximo dia 15 de Setembro, a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), acaba de apresentar um estudo que revela que apenas 5.1 por cento dos portugueses que já ouviram falar de linfomas se considera bem informado sobre esta doença. O estudo revela ainda que a grande maioria dos portugueses (62.9 por cento), não conhece ninguém que tenha sido afectado pela doença, 88.8 por cento não consegue especificar nenhum tipo de linfoma em particular e 45.8 por cento é incapaz de nomear qualquer tratamento. Por outro lado, apenas 13.6 por cento dos portugueses refere ter conhecimento da existência dos linfomas por intermédio dos profissionais e instituições de saúde.
De acordo com o Dr. Herlander Marques, vice-presidente da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas “existe de facto um preocupante desconhecimento sobre o que são os linfomas, principalmente porque as pessoas não sabem que um linfoma é um cancro. Se tivesse essa noção acredito que procurariam mais informação e tomariam mais precauções”.
Embora mais esclarecida, também a população portuguesa já diagnosticada com linfoma demonstra um desconhecimento face à doença já que apenas 23.5 por cento considera estar bem informada e apenas 31.3 por cento considera ter um conhecimento muito satisfatório sobre os tratamentos existentes. Os doentes com linfoma têm por hábito procurar informações sobre a doença (65.4 por cento) principalmente na internet (81.2 por cento) ou nas revistas (60.7 por cento). No entanto, 39.1 por cento desconhece a existência de associações de apoio a doentes. As principais questões que os doentes com linfoma colocam aos seus médicos relacionam-se com a possibilidade de cura (77.1 por cento), a gravidade da doença (76.5 por cento), e as opções de tratamento (74.3 por cento).
O linfoma é um tumor maligno que resulta do crescimento anormal de células do sistema linfático e é considerado a quinta causa de morte relacionada com cancro nos homens e a sexta causa de morte relacionada com cancro nas mulheres. “O diagnóstico da doença por vezes torna-se difícil, porque os sintomas podem ser confundidos com outras patologias. Os mais frequentes são cansaço, febre e gânglios aumentados desvalorizados por alguns doentes. Quando não são tratados adequadamente, alguns tipos de linfoma podem ser fatais em seis meses”, alerta o vice-presidente da APLL e responsável de Hematologia do Hospital S. Marcos, em Braga.

Prémio contra Sexismo

Estímulo ao pudor

Parlamento Europeu propõe prémio para campanha publicitária que melhor rompa com estereótipos sexistas

O Parlamento Europeu quer mais acção contra os insultos sexistas ou imagens degradantes de mulheres e homens na publicidade e no marketing. Os eurodeputados sublinham que "a publicidade que veicula mensagens discriminatórias e/ou degradantes com base no género e em todas as formas de estereótipo de género constitui um obstáculo à emergência de uma sociedade moderna e igualitária" e apelam a "bons exemplos" no mundo dos meios de comunicação e da publicidade.
Os membros do Parlamento Europeu propõem assim que os Estados-Membros instituam oficialmente um prémio conferido pelos profissionais da publicidade aos seus pares, bem como um prémio do público, para recompensar a publicidade que melhor rompa com os estereótipos do género e dê uma imagem positiva das mulheres, dos homens ou das relações entre ambos.
O relatório aprovado, ontem, em sessão plenária sobre o impacto do marketing e da publicidade na igualdade entre homens e mulheres apela também a que sejam eliminadas dos livros escolares, dos brinquedos, dos jogos de vídeo, da Internet e da publicidade televisiva e noutros meios de comunicação todas as mensagens que veiculem estereótipos de género e que atentem contra a dignidade humana.
Para os eurodeputados, "é particularmente importante que a publicidade através dos meios de comunicação seja abrangida pelas actuais regras éticas e/ou regras juridicamente vinculativas e/ou códigos de conduta que proíbam a publicidade que veicula mensagens discriminatórias ou degradantes com base em estereótipos de género, bem como o incitamento à violência".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Operação policial de sucesso

Jovem que baleou turista alemão à saída do comboio foi apanhado

PJ de Faro detem o criminoso que atirou sobre homem de 64 anos, baleado na cabeça junto à estação de comboios de Boliqueime. Foram apreendidos 11 mil euros em notas

O homem de 20 anos que alegadamente terá baleado um turista alemão, no final do mês de Agosto, em Boliqueime, no Algarve, foi detido pela Polícia Judiciária de Faro. A detenção ocorreu na segunda-feira na estação de comboios de Olhão. O outro suspeito, que acompanhava o atirador, foi detido três horas depois. As prisões ocorrem uma semana após o crime.
A operação da PJ obrigou ao envolvimento de 30 polícias. Esta segunda-feira montaram um «cerco discreto» na estação de comboios de Olhão para deter os presumíveis autores. O suspeito apareceu no local, pelas 18h30, e foi imediatamente imobilizado pela PJ. No estação, estava também um outro jovem que fugiu, acabando por ser apanhado, alguns metros à frente, na sequência de uma perseguição e de «dois tiros de intimidação disparados para o ar», confirmou ao PortugalDiário Guilhermino Encarnação, director da PJ de Faro.
Três horas depois, já em Portimão, a PJ efectua nova detenção. Desta vez, a armadilha foi montada para apanhar o jovem que acompanhava o atirador na altura do crime. Ambos os jovens são portugueses e residentes na zona do Algarve. Um deles estava já referenciado pelas autoridades pela prática de furtos, «mas não por crime violento», adiantou a mesma fonte.

Alteraram modo de vida

A detenção dos dois suspeitos ocorre cerca de uma semana após o crime. «Foi necessário muito trabalho, nomeadamente, a colaboração dos Núcleos de Investigação Criminal da GNR de Loulé que nos primeiros dias permitiram recolher informações fundamentais», adiantou Guilhermino Encarnação. Os alegados autores do crime de furto com uso de arma foram identificados pela Judiciária no dia 26 à noite, um dia após o turista ter sido baleado e desde a manhã de 26 que a investigação decorre 24 sobre 24 horas.
Os alegados autores do crime alteraram por completo o seu «modus vivendi», nomeadamente deixando de frequentar os sítios que frequentavam e deixando de viver onde viviam - perto de Portimão - mas as autoridades conseguiram recolher indícios suficientes para desencadear a operação.
O jovem é suspeito de ter baleado a vítima na cabeça junto à estação de comboios, ou seja do crime de homicídio tentado e de roubo. Segundo a PJ informa, em comunicado enviado ao PortugalDiário, a vítima, de 64 anos de idade, residente no estrangeiro, sofreu graves ferimentos que o obrigaram a internamento hospitalar, em estado crítico. O turista baleado na cabeça foi operado ao cérebro no Hospital Central de Faro, e «está em recuperação», mas «continua na Unidade de Cuidados Intensivos, ventilado e a ser acompanhado pela equipa de neurocirurgia», adiantou esta manhã à Agência Lusa fonte hospitalar
O jovem que fugiu à PJ, na operação em Olhão, mas que acabou por ser também detido, não está relacionado com este crime, no entanto, é suspeito de porte de arma proibida e tráfico de estupefacientes. Aos detidos foram apreendidas duas pistolas e um revólver, bem como munições diversas, dinheiro e produto estupefaciente. A um dos detidos em Olhão - o que alegadamente se dedica ao tráfico de droga - foi ainda apreendida uma bolsa que trazia à cintura, que continha «11 mil euros em notas de 500, 200, 100, 50, 20, 10 e cinco euros». Ao principal suspeito foi apreendida uma pistola semi-automática de calibre 7.65.
Os detidos irão ser presentes às autoridades judiciárias para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coacção adequadas.

Lei com «Luz verde» para a regionalização

Macário diz que é um passo atraz para o Algarve

Processo de reorganização administrativa e organização autárquica do país está concluído, tendo entrado em vigor a legislação do associativismo municipal

O secretário de Estado do Poder Local, Eduardo Cabrita, afirmou esta segunda-feira que o processo de reorganização administrativa e organização autárquica do país está concluído, permitindo avançar para uma futura regionalização na próxima legislatura, caso «os portugueses queiram», informa a agência Lusa.
A regionalização «será uma matéria a tratar na próxima legislatura», disse o secretário de Estado no dia em que entrou em vigor a legislação do associativismo municipal, que permite às comunidades inter-municipais organizarem-se para gerir fundos comunitários, com projectos supra-municipais.
Segundo Eduardo Cabrita, a organização do país fez «dois caminhos», um no sentido da harmonização das estruturas regionais do Estado com as cinco regiões-plano e um outro na afirmação das estruturas supra-municipais. A harmonização, através do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), já foi feita, com excepção das áreas da segurança e protecção civil que continuarão a manter os mapas existentes. Agora, com esta legislação, cumpre-se o «compromisso do Programa do Governo», permitindo «condições de associação para os municípios».
Cada associação terá um representante na respectiva região-plano, com responsabilidades na gestão dos fundos comunitários, mas somente no Algarve será possível experimentar os eventuais benefícios deste novo modelo. Como neste caso, a região-plano do Algarve (NUTII) coincide com a associação de municípios (NUTIII), esta estrutura terá "competências alargadas e reforçadas" ao nível integrado do ordenamento do território. «Só aqui é possível porque as duas regiões são as mesmas», explicou o secretário de Estado.
No resto do país, «cada Comunidade Intermunicipal terá um presidente mas continuará a existir assembleia com representação proporcional dos municípios associados». Agora, caberá aos portugueses, nas próximas eleições legislativas pronunciar-se sobre se estas regiões deverão «ter ou não uma voz política eleita directamente», acrescentou Eduardo Cabrita.

«Esperar para ver»
O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) afirmou querer «esperar para ver» os benefícios da nova lei do associativismo municipal, que, disse, ter entendido que se traduziria num reforço de competências a nível regional.
«Eu fui percebendo que era isso que se queria. Tudo aquilo que é feito é com base nas NUT III (sub-regiões)», a própria contratualização do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) é feito a um nível supra-municipal e «se juntarmos várias NUT III dá uma região», afirmou o presidente da ANMP, Fernando Ruas.
Questionado sobre a acumulação de competências avançar em 2009 no Algarve, o presidente da ANMP e presidente da Câmara de Viseu (PSD) recordou que sempre defendeu a existência de uma «região-piloto»: «e houve uma coisa que falhou na regionalização, quando foi o referendo, foi o facto de ser obrigatoriamente universal. Parecia-me que, se tivesse havido a possibilidade de uma região piloto, o resultado teria sido outro». Segundo Ruas, o Algarve é «o exemplo mais paradigmático» de uma região, «que pela sua característica endógena não traz os problemas da maior parte das regiões propostas».
Já o presidente da Área Metropolitana do Algarve (AMAL), Macário Correia, recusa a tese de que a região do Algarve vai ganhar mais poderes com a nova lei do associativismo municipal.
Em declarações à Lusa, Macário Correia classificou o documento de «banal» e diz que a nova lei em termos de organização e designação é «um passo atrás» para o Algarve, porque a região vai perder o estatuto de «Área Metropolitana»: «Esta legislação não representa nenhuma evolução especial e no caso do Algarve representa um retrocesso».

Praia dos Salgados interdita a banhos

«Desastre ecológico»

Marés vivas rompem mais uma vez cordão dunar na Lagoa dos Salgados

Marés vivas galgaram de novo a Praia dos Salgados e romperam a Lagoa, em Albufeira, uma das mais importantes zonas húmidas do Algarve utilizada para a nidificação de aves, tendo sido levantada interdição a banhos, indicou fonte oficial. Uma mancha verde oriunda da Lagoa dos Salgados e a possibilidade de alguns efluentes terem sido libertados no mar levaram a que a Praia dos Salgados fosse esta manhã interdita a banhos, informou a Autoridade Marítima.
«Por precaução», e em parceria com a Autoridade da Saúde e Ambiente, a Autoridade Marítima do Sul decidiu também içar a bandeira amarela nas praias contíguas à dos Salgados - Armação de Pêra e Galé. É a segunda vez este Verão que a Lagoa dos Salgados, importante zona húmida situada nos concelhos de Silves e Albufeira, foi rompida por força das ondas do mar. A 26 de Junho, uma onda do mar galgou a praia junto à Lagoa dos Salgados, em Albufeira, e rompeu aquela zona húmida classificada como habitat de conservação prioritário e uma das áreas mais importantes para as aves em Portugal.
Em Abril deste ano, a Lagoa dos Salgados foi também esvaziada com a autorização da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve. O canal aberto entre a Lagoa dos Salgados e o mar permitiu o escoamento de água, causando a perda de ninhos de aves aquáticas, facto criticado por algumas associações de ambientalistas, que referiram que haviam sido violadas regras básicas de conservação relativamente à Lagoa dos Salgados.
Na altura a CCDR/Algarve explicou à Lusa que o esvaziamento da lagoa foi autorizado porque durante o Inverno de 2008 aquele habitat foi alvo de «fenómenos de galgamento oceânico», «sofreu grande influência oceânica durante esta época húmida» e recentemente, «após um episódio intenso de precipitação» aumentou uma subida brusca ao nível da lagoa.
O ministro do Ambiente chegou mesmo a admitir que o esvaziamento da Lagoa dos Salgados, Algarve, autorizado pela CCDR/Algarve, tinha sido um «desastre ecológico», mas que estava ultrapassado com a reposição arenosa.

Arsenal apreendido

Algarve: Três detidos com nove armas de fogo

Operação levada a cabo pela PSP apreendeu ainda 10 mil munições, 10.500 doses de haxixe e 250 doses de cocaína

A detenção de três pessoas no Algarve, com nove armas de fogo, 10 mil munições, 10.500 doses de haxixe e ainda 250 doses de cocaína foi o resultado de uma operação da PSP levada a cabo na madrugada desta sexta-feira, escreve a Lusa.
Em conferência de imprensa esta tarde em Portimão, a PSP informou que a detenção de dois homens, de 21 e 29 anos, e de uma mulher, de 23 anos, em Monchique e Lagos, foi o «culminar de uma investigação em curso por tráfico de estupefacientes».
Durante a operação a PSP apreendeu também vários tipos de material, nomeadamente nove armas de fogo, entre elas sete espingardas de «diversos calibres» e «duas pistolas», uma glock.40 e uma walther.22, acrescentou fonte da PSP.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) apreendeu ainda «10 mil munições de vários calibres», «10.500 doses de haxixe, um saco de folhas de haxixe», «250 doses de cocaína» e «três mil euros em dinheiro».
Os três detidos vão ser presentes ao Tribunal Judicial de Faro no sábado para primeiro interrogatório. Até serem presentes ao juiz, os detidos ficam a aguardar as medidas de coacção nos quartos de detenção da PSP de Faro, acrescentou a mesma fonte policial.
A PSP referiu que esta operação e os resultados obtidos demonstram «o empenho da Polícia no combate à criminalidade em geral como importante contributo para o reforço da segurança pública».

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Ferrari, o Fiat 600 e as derrapagens

Esperar pelo “crash”

O PSD está transformado num Partido do ‘vale tudo’. Desde as cúpulas às bases. Se por qualter alteração metafísica Sá Carneiro voltasse á terra, morria de novo. Não tanto pelas transformações desagregadoras que o ‘seu’ PPD sofreu, mas particularmente por constatar como o seu nome tem sido usado e abusado pelos charlatães da política laranja.
Dia sim, dia não, o dr. Luis Filipe Menezes exibe o seu estilo através de artigos, discursos ou protestos, todos eles repletos da grandeza que o distingue e de rancor à parcela do Partido que o despachou.
Para quem prometeu não abrir boca sobre a actual direcção do PSD até
às “Legislativas de 2009”, o homem é estranhamente desbocado e trauliteiro.
A sua última inspiração masturbatória foi comparar-se a um Ferrari em função da actual direcção liderada pela drª. Manuela Ferreira Leite, que seria igual a um Fiat 600.
Eu penso que o dr. Menezes o que está mesmo a pedir é um processo
movido pela Ferrari, que o impeça de circular...
Para que não acompanhe o seu colega dr. Marcelo Rebelo de Sousa nas derrapagens e diabruras que vem insistindo em fazer do alto do seu pulpito de sabichão-mor, em direcção ao “crash” final.
Porque em partido onde não há poder-pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Câmaras são as novas “agências de animação”

Milhões para “os sempre em festa”

Albufeira está no ‘top’ das autarquias que mais dinheiro gastaram em animação nos últimos 2 meses: mais de 100 mil euros

Nos últimos anos, as autarquias transformaram-se nos novos agentes de aminação, muito em particular no que diz respeiro aos artistas mais em voga no ajuste directo da contratação e organização do evento.
Os empresários particulares de espectácuos populares deixaram de fazer esse trabalho, grande parte deles desistindo mesmo de organizar festas e concertos, face “à desonestidade exercida por uma concorrência absurda” - dizem alguns deles, a respeito das novas dimâmicas de animação cultural impostas pelas Câmaras Municipais que oferecem o espectáculo ao público sem qualquer encargo para o espectador.
E os números gastos falam por si.
Um mês depois da entrada em vigor do novo código da contratação pública, o único balanço que é possível fazer é o do número de ajustes directos realizados por entidades públicas. Em Agosto, foram publicitados no site www.base.gov.pt, conforme exige a nova lei, cerca de 160 contratos realizados por ajuste directo. O valor global ascende a 2,8 milhões de euros para este tipo de contrato, em regra de baixo valor, que não é entregue por concurso público, consulta pública ou negociação com mais que uma entidade.

As autarquias são as entidades públicas que mais adjudicações destas realizaram, quase 80, com um valor global da ordem de 1,3 milhões de euros.
Em mês de férias e festas populares não será pois surpreendente constatar que cerca de 40% desta despesa foi feita com a montagem de espectáculos, animação e a realização de concertos. Este tipo de evento mobilizou um esforço financeiro de aproximadamente 530 mil euros.
A Câmara de Albufeira surge destacada como a autarquia que mais verbas gastou, por ajuste directo, neste tipo de serviços, com um dispêndio superior a 100 mil euros. Seguiram-se as câmaras de Cascais, Elvas, Aljezur e Lagos.
Só um espectáculo pago pela Câmara de Albufeira à fadista Mariza, realizado no dia 20 de Agosto, ascendeu a 68.233 Euros, pagos à Estratégia - Produção de Eventos Culturais, uma sub-contratante da empresa que representa a cantora.
O valor pago pela Câmara de Lagos ao produtor de Marco Paulo pelo erspectáculo que o cantor deu na cidade foi de 20.440 Euros, mas em contrapartida e sem justificação aparente, a Câmara de Elvas pagou só 14 mil Euros, por um concerto do mesmo cantor.

Faro, que se apresenta como uma Câmara com dificuldades financeiras de gestão, vai pagar 26 mil Euros pela contratação do ex-vocalista dos Trovante, Luis Represas, no concerto a realizar no próximo dia 6 de Setembro.
Para além da contratação de artistas, sobretudo nacionais, houve também despesas com festivais e fogo de artifício. Valores em contratos que podem ser considerados como promoção, e que passam por vídeos de apresentação do concelho ou presença em eventos representam uma parcela da ordem dos 150 mil euros das despesas por ajuste directos das câmaras. A aquisição de equipamentos é a segunda maior fatia nos custos.
Fora destes valores estão todos os espectáculos realizados e promovidos no âmbito do programa ‘Allgarve’ o qual é da responsabilidade do Governo, sob a tutela do Ministério da Economia.
Como se depreende, esta é uma grande negociata, que agora vai ficar ao alcanse dos comuns dos mortais. Não surpreende por isso, que a classe empresarial que outrora se dedicava à contratação e organização de concertos tenha na prática ficado sem actividade e entrado em colapso operacional, tendo alguns deles associado-se aos artistas representados como seus agentes exclusivos.