Quem é a testemunha importante que faltou?
O antigo inspector da PJ referiu em entrevista ao Expresso que o «rumo da investigação» terá ditado o seu afastamento, porque esperava depoimento de testemunha importante quando foi afastado 
O ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ) Gonçalo Amaral, que esteve na coordenação da investigação do desaparecimento de Madeleine McCann disse, em entrevista ao Expresso, que no dia em que foi afastado estava a preparar a vinda a Portugal de uma testemunha «muito importante» e referiu que o «rumo que estava a tomar a investigação» terá motivado o seu afastamento.
«Porque é que fui afastado? Tenho pensado muito nisso, não sei se provavelmente terá tido a ver com o rumo que estava a tomar a investigação. Não sei, é muito difícil. Sei é que era uma investigação que estava a causar muita mossa à justiça portuguesa, à polícia, à imagem», disse Gonçalo Amaral, que deixou a PJ na passada segunda-feira onde trabalhou 26 anos.
No excerto vídeo, publicado no sítio na Internet do semanário, o antigo inspector explicou ainda que no dia 2 de Outubro, data em que foi afastado do processo, estava a preparar-se para dar mais um passo na investigação. «Naquele dia estávamos a ultimar diligências para uma testemunha muito importante vir a Portugal», referiu. Questionado sobre se essa testemunha chegou a entrar no país, respondeu: «Que eu tenha conhecimento não, acho que nunca veio», sublinhando tratar-se de uma testemunha «muito importante», mas que não identificou.
O ex-inspector disse ainda ter «a convicção» de que Madeleine McCann está morta. Já sobre um hipotético envolvimento dos pais da menina no seu desaparecimento disse apenas: «Isso não posso dizer, ainda estamos em segredo de justiça, só quando terminar o segredo de justiça é que posso falar sobre isso».

O antigo polícia garantiu que os seus colegas britânicos estiveram sempre a par de toda a investigação do caso. «A policia inglesa esteve aqui desde o início a trabalhar em todas as hipóteses. Aliás foi a polícia inglesa que tomou a iniciativa de determinados meios virem para Portugal», apontou, numa referência aos cães pisteiros.
Depois de ter deixado a PJ, o ex-inspector disse numa entrevista à Lusa que saía da força polícia para «ter plenitude de liberdade de expressão». «Porque eu neste momento, para me poder defender, tenho de readquirir a minha liberdade de expressão», referiu. O Expresso refere que Gonçalo Amaral tem preparado um livro de 200 páginas pronto para ser publicado logo que seja levantado o segredo de justiça do caso.
Depois do seu último dia de trabalho antes de se reformar, o ex-coordenador da Polícia Judiciária do caso Maddie saiu às 17.30 da directoria de Faro e confessou aos jornalistas que o facto de ter sido afastado ainda no decorrer da investigação foi «um acto perigoso», refere a Lusa.
«Eu fui o único coordenador que foi afastado em concreto de uma investigação criminal, ainda ela decorria, o que é um acto muito perigoso. E mais não digo», declarou Gonçalo Amaral.

O ex-inspector adiantou ainda que nunca foi abordado directamente por ninguém do Governo sobre o seu afastamento. Questionado sobre se gostaria de ficar mais uns anos a trabalhar na PJ, Gonçalo Amaral afirmou, emocionado, que era possível.
Casos como o da «Mariana dos Açores» ou o «caso Joana» em Figueira, ganharam um mediatismo que teve «influência da vida privada» do ex-inspector pelo «tempo que se perdeu a investigar e a força e a intensidade» que puseram muitas vezes em causa a sua própria família.
Gonçalo Amaral disponibilizou-se para responder a perguntas de jornalistas ingleses, desde que haja «um tradutor para entender bem as perguntas».
As críticas da imprensa inglesa não caíram bem ao ex-coordenador do caso Madeleine, pelo que a possibilidade de accionar judicialmente alguns dos jornalistas ingleses foi deixada em aberto: «Já foram contactados dois (advogados), primeiro começam a dizer que sim e ao fim de 15 dias dizem que não. Não sei o que se estará a passar por lá, não será certamente um problema de democracia. O Reino Unido é um país democrático, e as suas leis são democráticas, portanto toda a gente deve ter direito. Não entendo o que se está a passar».