Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

segunda-feira, 24 de março de 2008

POLÍTICA NO SEU MELHOR

COMO SE FAZ UM MINISTRO!

Conta-se nos 'mentideros' do governo uma história deliciosa, que a ser verdade (nunca se sabe onde começa a ficção e acaba a realidade) revela bem todo o mundo e engrenagem que envolve a política.

O Primeiro Ministro tem, como todos devem saber, um assessor cultural. Trata-se de um típico intelectual luso, minimalista, de negro sempre vestido, triste, taciturno e crítico de todas as artes, em tempos assessor de... Manuel Maria Carrilho. Chama-se Alexandre Melo, pertence como não podia deixar de ser, ao lobby colorido do PM e é grande amigo de outro célebre crítico de arte, também de negro sempre vestido, cujo nome é António Pinto Ribeiro, antigo funcionário da Gulbenkian e hoje em dia da Culturgest. Sócrates telefonou ao seu assessor a quem pediu que lhe indicasse o nome de alguém para substituir a ex-ministra Isabel Pires de Lima no Ministério da Cultura e o seu assessor, sem hesitar, indicou António Pinto Ribeiro. Logo a seguir, o Melo telefonou ao amigo Pinto Ribeiro a quem preveniu que logo lhe telefonaria José Sócrates a convidá-lo para Ministro da Cultura. Exultaram os dois, e o indigitado futuro ministro ficou de olho e ouvido no telefone à espera de um telefonema que não havia maneira de chegar.
Entretanto, José Sócrates, no seu gabinete, solicita que o ponham em contacto com o Dr. Pinto Ribeiro. A telefonista procede com prontidão visto ter à mão uma lista de todos os funcionários superiores de todos os ministérios, um dos quais é o Dr. JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, advogado de formação e profissão, mas exercendo as funções de Presidente da Colecção Berardo no CCB, lugar para onde fôra nomeado por ter sido o advogado intermediário entre o Comendador Joe Berardo e o Primeiro-Ministro por alturas daquela escandalosa história de transferência da chamada Colecção Berardo para o Centro Cultural de Belém! Sócrates cumprimenta-o calorosamente e convida-o para Ministro da Cultura, julgando estar a falar com o outro Pinto Ribeiro, o tal de "agente cultural" que lhe havia sido calorosamente recomendado pelo seu diligente assessor cultural, Alexandre Melo.
Muito à portuguesa o interlocutor a quem por equívoco José Sócrates estava a convidar para Ministro da Cultura respondeu imediatamente que aceitava... "SIM SENHOR, E SEM FAZER QUALQUER PERGUNTA" a Sua Excelência, é claro.
Sócrates desliga o telefone e informa o assessor do facto de ter o Pinto Ribeiro aceite o convite. O assessor dá-lhe parte do seu regozijo e telefona logo a seguir ao amigo para o felicitar. Mas só nesta altura se apercebem ambos de como de enganos e desenganos a vida é feita em Portugal, a tal ponto é feita de ignorantes, trapalhões e imbecis a classe política.
Se assim foi, é uma delícia fazerem-se ministros neste País. Se não passa de ficção... ficará bem numa rábula de revista e, ao contrário de certas nomeações, não faz mal a ninguém.

Portugal dos pequeninos

Na semana do Natal passado, um cliente enviou um email para a VODAFONE a pedir o cancelamento do contrato. A resposta, seria para rir à gargalhada se não demonstrasse o quanto somos pequeninos e pouco profissionais.
Eis a cópia do que se passou:


Cancelamento de contrato- telefone 9145046??

Exmos. Senhores,

Por falecimento da V. cliente Maria Fernanda V...... de M....... Teles, no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.

Sem outro assunto,
Alda Teles

RESPOSTA DA VODAFONE

apoiocliente@vodafone.pt <mailto:%20apoiocliente@vodafone.pt> wrote:

Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.

Boas festas. Viva o momento, Now!

Paula Santos
Apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.

PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net <mailto:%20Heeellp@Yorn.net> mailto:Heeellp@Yorn.net >>.

NOVO EMAIL DO CLIENTE

-----Original Message-----
Sent: sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005 19:12 To:apoiocliente@vodafone.ptSubject
mailto: apoiocliente@vodafone.ptSubject

Re: Cancelamento de contrato- telefone 9145046??

Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.


SEM COMENTÁRIOS!

domingo, 23 de março de 2008

CINEMA

Filme da Páscoa: Juno - Uma história dos nossos dias

Dirão que se aprova que uma adolescente engravide e dê o seu bebé? Recomendo apenas que a gente abra os olhos e veja em Juno a história de multiplicadas situações dos nossos dias.

Os filmes são como as estações: sinais dos tempos. Por natureza, raramente comento livros ou filmes: estou do outro lado do balcão. Mas leio e escuto da parte dos profissionais, ou amadores, que pensam saber de tudo, demasiadas críticas sobre o assunto. Hoje, apenas dou a minha interpretação da humanidade expressa no filme Juno, candidato aos Óscares de Hollywood como melhor “Melhor Filme do Ano”. Original, provocador, às vezes irritante. Não me interessa se é ou não um "grande filme". Porquê só se assistir aos chamados grandes filmes e só ler as ditas grandes obras de livros?
Para os moralistas, Juno é sem dúvida o elogio da irresponsabilidade: uma adolescente americana engravida quase por acaso, é apoiada pela família, mas resolve entregar o seu bebé a quem julga que poderão ser bons pais. Para os convencionais, será improvável: uma quase-miuda passa pela prova extrema da maternidade, dá a criança, e tudo termina com ela e o namorado cantando num jardim florido. Mas o filme, tal como a adolescente Juno, é singular. Durante todo o tempo nós hesitamos entre castiga-la ou pegar-lhe ao colo. Solitária, ela caminha contra a corrente dos seus colegas nos corredores da escola, expondo-se aos olhares críticos. Surpreende por ser muito mais informada do que o habitual na sua idade. Nada convencional, mas vivendo num lar afectuoso, ela faz amor sem protecção e engravida. Mesmo apoiada pela família, resolve tomar por si as decisões: vai fazer um aborto numa clínica. Protegendo-se da emoção, com a típica arrogância dos assustados, ela fala do bebé como "a coisa" que ela simplesmente vai expelir.

Mas a natureza inclui sentimentos além de hormónios, ou faz hormónios manipular os sentimentos. Dando-se conta de que tem dentro de si uma pessoazinha, "com unhas", Juno desiste do aborto: vai dá-la ao que parece um casal ideal. Responsável, ela sabe que, com o seu namorado de 16 anos, não vai ter condições de criar um filho, e também não quer dar esse encargo à família. Com a bravata típica, ela insiste em que tudo é apenas um processo fisiológico, mas encanta-se quando vê a ecografia da criança, e a madrasta a faz comer comida saudável e lhe pede que não se chegue "perto do microondas".
A certa altura, o casamento dos candidatos à adopção desmorona-se. Primeira reacção nossa (minha): agora ela vai ficar com a criança, ou terá um caso com o futuro pai adoptivo. Mas – um dos seus encantos – o filme tem surpresas: observadora e determinada, vendo a candidata a mãe, já separada do marido, brincando amorosamente com uma criança, Juno decide entregar-lhe o bebé. A princípio impliquei com a cena final: depois de tudo, música, viola e flores? Mas um autor de ficção escreve o que quiser. Uma adolescente nada fútil entrega o seu bebé para adopção num gesto consciente, enquanto aprende a amar o pai dele, um garoto feioso que, segundo ela, é "o tipo mais legal de todos lá na escola". A vida segue: deseja-se que seja boa. Dirão que aprovo que uma adolescente engravide e dê o seu bebé? Não aprovo nem recomendo. Recomendo apenas que a gente abra os olhos e veja em Juno a história de multiplicadas situações dos nossos dias, que ele também é.
Por isso, este filme da Páscoa não ganhou a puritana estatueta de Hollywood.

sexta-feira, 21 de março de 2008

ECONOMIA

Crise vai chegar a produtores de leite portugueses

Parlamento Europeu aprova aumento voluntário de 2% das quotas leiteiras e deixa produtores nacionais preocupados com a futura liberalização do sector.

O Parlamento Europeu aprovou uma proposta que prevê que os Estados-membros da União Europeia possam aumentar voluntariamente em 2% as quotas de produção de leite a partir de 1 de Abril. O sistema actual deverá terminar em 2015 e dar lugar à liberalização do sector. As medidas não agradam aos produtores portugueses, que receiam uma baixa de preços e, em ultima análise, o fim da produção nacional.
O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma proposta da Comissão Europeia de aumento de dois por cento nas quotas leiteiras para a campanha de 2008/2009, como forma de fazer face à subida de preços dos lacticínios no mercado. Para satisfazer a crescente procura registada na União Europeia e no mercado mundial, a Comissão Europeia propôs em Dezembro de 2007 um aumento de 2% nas quotas leiteiras a partir de 1 de Abril de 2008, o que se traduzirá num total de 2,84 milhões de toneladas, distribuídas equitativamente pelos 27 Estados-Membros.
O PE propôs que as quotas dos estados-membros sejam aumentadas “numa base voluntária”. A partir de 1 de Abril, Portugal pode assim aumentar voluntariamente a sua produção de leite em 38.971 toneladas - para 1.987.521 toneladas.
A Comissão Europeia também já fez saber que pretende liberalizar em 2015 o sector do leite através do fim do sistema de quotas, o que levou vários países, entre os quais Portugal, a defender um período de transição para preparar o mercado e proteger os pequenos produtores.

quinta-feira, 20 de março de 2008

TELEMÓVEL AO SERVIÇO DE SURDOS

Projecto pioneiro cria linha de emergência

A Associação de Surdos do Algarve (ASA) e o Governo Civil de Faro assinaram um protocolo para a criação de um serviço pioneiro a nível nacional. Trata-se do Projecto Regional “SMS-Voz”, activado desde as 14h00, que permitirá à comunidade surda aceder a uma linha de emergência via telemóvel, através do número 91 112 000.

Durante a cerimónia de assinatura, traduzida em língua gestual e presidida pela Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, a Governadora Civil de Faro considerou que a criação deste novo serviço, a que se associou a Vodafone, constitui “mais um passo para a igualdade de oportunidades para todos”. Isilda Gomes realçou ainda o papel da ASA na concretização deste projecto. “Alertaram-nos para um problema que provavelmente muitos de nós ainda não nos tínhamos apercebido, mas que era de facto limitativo para um grande número de pessoas. Era inaceitável que não existisse um serviço disponível para a comunidade surda aceder ao sistema de socorro e emergência quando esse é um direito de todos os cidadãos”, referiu a Governadora Civil, frisando a intervenção da Secretária de Estado Idália Moniz, na aplicação das políticas do Governo em prol das pessoas portadoras de deficiência.
O Projecto Regional SMS-Voz, que para o presidente da ASA, Bruno Brito, representa um “compromisso muito importante para a comunidade surda”, consiste na instalação de um telemóvel no Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro (CDOS), que funcionará durante 24 horas. O equipamento está acessível a todas as pessoas com problemas ao nível da comunicação, que podem transmitir um pedido de auxílio através de uma mensagem escrita a qual, de acordo com uma tipologia estipulada, identificará a respectiva situação de emergência e permitirá ao CDOS reencaminhar os pedidos para as entidades competentes. A recepção da mensagem enviada será sempre confirmada pelo operador de serviço.
De acordo com a Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, este projecto, que permite derrubar mais uma barreira e criar uma nova acessibilidade, será alvo de uma avaliação permanente com vista ao seu alargamento a todo o País, podendo mesmo via a ser adoptado por outros Estados Membros da União Europeia. “Passo a passo vamos conseguindo construir os alicerces para que, pessoas com capacidades diferentes, possam aceder a todos os bens e serviços, dando assim cumprimento à igualdade de oportunidades para todos” referiu Idália Moniz, para quem deve ser a sociedade a adaptar-se aos cidadãos e não o inverso.

quarta-feira, 19 de março de 2008

POLÍTICA NACIONAL

COMO NUNCA ANTES, ATÉ HOJE

ABRIU A CAÇA AO VOTO:
Sócrates promete investimento sem precedentes no plano tecnológico da educação

A Lusa divulgou uma nota onde o primeiro-ministro afirmou que haverá nos próximos anos um investimento sem precedentes no plano tecnológico para a educação, num discurso em que criticou os resultados das políticas educativas dos governos anteriores, incluindo os de Guterres.
José Sócrates discursava no Convento do Beato, em Lisboa, no final de uma cerimónia de assinatura de acordos entre o Governo e 30 empresas de tecnologias de informação e comunicação (TIC) para a abertura de 300 estágios ao nível do ensino profissionalizante.
Na sua intervenção, feita de improviso, o primeiro-ministro defendeu os resultados das políticas educativas nos últimos dois anos - atribuindo o "sucesso" de haver aumento de alunos e mais sucesso escolar à escola pública e aos professores" - e prometeu que, nos próximos anos, haverá investimento no plano tecnológico da educação "como nunca foram feitos até hoje".
Segundo Sócrates, já no próximo ano lectivo, as escolas terão um aumento da velocidade da Internet em banda larga de 40 para 100 megabytes, as salas estarão equipadas com quadros electrónicos interactivos e, a prazo, o objectivo é ter um computador por cada dois alunos.
Para o reforço da segurança nas escolas, o primeiro-ministro referiu que continuará a ser desenvolvida a videovigilância e os estudantes passarão a pagar todas as suas despesas dentro da escola com o cartão de aluno. "Ainda este ano será lançado o concurso para a requalificação de mais de 30 escolas secundárias. Queremos escolas de vanguarda em todo o país", declarou Sócrates, numa cerimónia que contou com a participação dos ministros da Educação, das Obras Públicas, da Economia e do Ambiente, além de cinco secretários de Estado.

REQUALIFICAÇÃO DA EN 125

INFAME É... O MINISTRO JAMÉ

No seu novo afã político, Mendes Bota anda “sob brasas” e reage às declarações do ministro Mário Lino sobre a requalificação da EN 125

Reagindo às declarações do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, feitas no contexto da sessão de propaganda do governo, realizada no Algarve, para anunciar as obras de requalificação da EN 125, o Vice-Presidente do PSD, e líder da Distrital do Algarve, Mendes Bota, declarou: “A requalificação da EN 125, agora anunciada como Concessão Algarve Litoral, é necessária e é urgente. Já vem tarde. Perderam-se demasiadas vidas, e este Governo tem a responsabilidade maior por este atraso. O investimento previsto de 150 milhões de Euros é bem-vindo numa região onde o Estado parou de investir há 3 anos. Mas os algarvios não se deixam iludir. É para gastar em três anos (2008-2009-2010), o que fica reduzido a 50 milhões por ano. O PIDDAC para o Algarve, em 2003, era de 333 milhões de Euros. Para 2008 estão inscritos no Orçamento de Estado apenas 95 milhões de Euros".
Sem contemplações, o líder do PSD/Algarve e membro do Concelho Nacional daquele Partido, acusa o Partido Socialista de ter vencido as eleições de 2005 no Algarve, “estribado num conjunto de promessas, entre as quais, a de que a Via do Infante não teria portagens ‘nunca, jamais, em tempo algum’. Agora, questionado sobre a intenção de introduzir portagens na Via do Infante, o Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Mário Lino deixou escapar: 'Portagens, para já, não!'. Para seguidamente ironizar que não poderia garantir a sua não colocação até ao século XXII".

“Este Ministro não é garante de coisa nenhuma!”

Mendes Bota diz que "ainda não foram esquecidas as suas declarações na audição da Comissão de Obras Públicas da Assembleia da República onde, em 18 de Maio de 2005, a propósito da introdução de portagens nas SCUTS (incluindo a Via do Infante), Mário Lino afirmou que isso ‘é tão certo como a morte!’ Ficará para a história a sua monumental inversão de posição, que conduziu à decisão de aeroporto internacional de Alcochete Jamé... Este Ministro das Obras Públicas não é garante de coisa nenhuma!
Mas o Engenheiro Mário Lino foi mais longe, proferindo acusações ao PSD e à sua direcção completamente desajustadas, e falsas, que aproveito para esclarecer. O PSD/Algarve, e eu próprio, somos frontalmente contra a colocação de portagens na Via do Infante".
Mendes Bota relembra que “ainda há seis meses atrás, o actual Presidente do PSD em discurso proferido na Quarteira, deixou explícita a sua oposição à implantação de portagens na Via do Infante, atendendo ao facto de esta ser, em mais de metade do seu traçado, muito anterior ao modelo SCUT inventado pelo governo de António Guterres, de não possuir todos os requisitos técnicos de uma auto-estrada, e de a EN 125, mesmo depois das obras de requalificação, nunca poder constituir uma verdadeira alternativa à Via do Infante, na principal região turística do País”. Na sua opinião, a acontecer a colocação de portagens na Via do Infante, isso seria um desastre para a fluidez do trânsito na zona mais litoral e habitada do Algarve, avisando que “o Ministro das Obras Públicas não tem o direito de faltar à verdade, e de colocar no PSD qualquer intenção de defender a colocação de portagens na Via do Infante. É uma infâmia que desminto categoricamente.”

terça-feira, 18 de março de 2008

BANCA

Eles comem tudo...

O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos, aposentando os seus administradores, ainda que efémeros, com «obscenas» pensões, vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos.

De um leitor devidamente identificado, recebemos um curioso email que passamos a divulgar: "A Caixa Geral de Depósitos (CGD) enviou recentemente aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária e os governantes deste país que pretendem explorar.
A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em «oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços», incluindo no que respeita «a despesas de manutenção nas contas à ordem».
As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre «racionalização e eficiência da gestão de contas», o «estimado/a cliente» é confrontado com a informação de que, para «continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção», terá de ter em cada trimestre um «saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras» associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal.

É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR 343,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio de EUR 3,57 (três euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social. Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar «despesas de manutenção» de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria.
O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões, a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma sordície vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade.
Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia socialista, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso a quem se aplicam como uma luva as palavras sempre actuais do poema de Zeca Afonso, « Os Vampiros»:

«Eles comem tudo / eles comem tudo / eles comem tudo e não deixam nada.»

domingo, 16 de março de 2008

SAÚDE

DEIXAR DE FUMAR?


Se fuma, experimente mudar alguns dos seus hábitos e enfrentar duas semanas decisivas

Todos sabemos o sacrifício que é exigido, porque os primeiros 15 dias após a decisão de deixar de fumar são os mais difíceis, em que há maiores probabilidades de recair. Mas se mudar os hábitos, talvez tudo seja um pouco mais fácil... E não custa experimentar.

A influência do consumo de tabaco na saúde está mais do que provada. A dificuldade de mudar os hábitos também. Por isso é necessário uma consciencialização gradual e compreensiva até que se consiga o efeito desejado: reduzir o consumo ou deixar de fumar totalmente. “Para chegar a esse estado, e não recair, há que ir, aos poucos, alterando os comportamentos habituais e rituais para que na altura decisiva não seja tão problemático largar o cigarro”, aconselha Cecília Pardal, médica pneumologista responsável pela consulta de cessação tabágica do Hospital Fernando Fonseca e ex-coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
Esta médica especialista, deixa uma série de dicas e conselhos aos fumadores que querem deixar de fumar: “o fumador que queira deixar de fumar deve mudar os seus rituais e hábitos associados ao cigarro e ao acto de fumar. Por exemplo, deve alterar os locais onde habitualmente fuma, como o carro, o sofá ou ao computador; se fuma com a mão direita, deve alterar para a mão esquerda; sempre que tem vontade de fumar, deve tentar adiar o cigarro o máximo de tempo que conseguir. Dificultar o acesso ao tabaco e, quando sai, não levar consigo o lume são algumas das medidas que ajudam a ultrapassar a dependência”.

Também se devem evitar situações que lembram os cigarros, como as festas, reuniões stressantes ou estar com o grupo de amigos que todos fumam, são outras das atitudes que se podem adoptar, bem como reduzir o consumo de álcool e do café, sendo sabido que os cigarros mais difíceis são os que fumamos a seguir ao café ou a seguir às refeições. Devem ter ainda sempre as mãos ocupadas, com uma caneta ou o telemóvel e mastigar pastilhas ou rebuçados sem açúcar.
A médica pneumologista diz ainda que “Diário do Fumador” pode ser uma grande ajuda nesta jornada, pois aqui o fumador pode apontar a que horas fumou, o motivo e se esse cigarro valeu de facto a pena. Muitas das vezes a pessoa percebe que fuma muitos cigarros sem reparar e esses são os mais fáceis de eliminar. É ainda importante pedir apoio aos familiares e amigos, para serem mais compreensivos caso fique mais irritável. Falar com ex-fumadores sobre as dificuldades sentidas também pode ajudar. Como actividade complementar, o exercício físico pode ser uma grande ajuda, pois além de ocupar o tempo e fazer esquecer o cigarro, evita o aumento de peso que pode estar associado á cessação tabágica.
É caso para dizer: Pela sua saúde, não fume!

CIÊNCIA

As células-tronco e os novos pecados

Menos de uma semana depois de ter tido conhecimento que um estúpido acidente em Faro, tinha deixado tetraplégico um jovem universitário de 18 anos, abro o jornal, e leio: "Manipulação genética e poluição são pecados modernos, diz Vaticano".

Tal como aconteceu com Galileo Galilei, mais uma vez, a Igreja Católica mostra-se contrária aos avanços da ciência em nome de um fundamentalismo que afasta cada vez mais crentes das suas práticas religiosas.
Hoje, já não se trata do eixo da Terra, neste caso, está em causa o futuro das pesquisas com células-tronco embrionárias que pode ajudar não só a salvar muitas vidas, como a repor no seu lugar aquelas que um triste acaso do destino ajudou a destruir, como o caso de todos aqueles que ficam tetraplégicos ou sofrem de doenças incuráveis como a parkinson.
Todos se lembram que dois grupos de pesquisadores, do Japão e dos Estados Unidos, reportaram recentemente que as células adultas - da pele, por exemplo - poderiam ser reprogramadas para se comportarem como as embrionárias. Para isso seria necessário inserir um vírus com quatro genes específicos e teoricamente essas células iriam adquirir as mesmas características das embrionárias. Sabemos que isso não é verdade. Além do risco de tumores, células adultas reprogramadas acumulam inúmeras mutações patogénicas. E por isso é tão importante continuar as pesquisas com células-tronco embrionárias "verdadeiras".
Mas os opositores às pesquisas com células originárias de embriões festejaram o anúncio dos pesquisadores Thomson e Yamanaka. Não será mais preciso destruir embriões, afirmavam categoricamente. "Células adultas reprogramadas são melhores que as embrionárias", repetiam os defensores de embriões congelados. E de repente, lê-se o pronunciamento do bispo Gianfranco Girotti, segundo o qual, manipulação genética transformou-se num novo pecado. Ora, o que é a reprogramação de células adultas senão um exemplo típico de manipulação genética? Ou a terapia génica, que tenta corrigir defeitos nos genes causadores de doenças? Essas pesquisas também serão proibidas?

Por que a pesquisa é tão importante

Em Portugal, quer no Parlamento, quer no meio científico, quase não se assiste a qualquer tipo de discussão cujo tema sejam as investigações sobre o destino das células-tronco embrionárias. O tema é “tabu” de tão complexo que parece ser para os nossos (poucos) pesquisadores e cientistas.
Será que as células-tronco serão condenadas a ficar presas para sempre nos embriões congelados ou serão libertadas para revelar o que podem fazer pela ciência e pelo futuro da medicina?
A exemplo do que acontece noutros países, seria importante que, os nossos parlamentares aprovassem uma “Lei de Biossegurança”, que permitisse as pesquisas com células-tronco derivadas de embriões congelados há pelo menos 3 anos, desde que haja o consentimento dos genitores. Esses embriões são aqueles resultantes de fertilização "in vitro", que sobram nas clínicas de reprodução ou porque os seus genitores não querem ter mais filhos ou porque são inviáveis para implantação.
É importante deixar claro que esses embriões nunca serão transferidos para um útero e portanto se não forem utilizados ficarão congelados para sempre. Em vários países, a aprovação da Lei de Biossegurança foi muito festejada pela comunidade científica e teve grande repercussão internacional. Mas, tal como no Vaticano, há quem não compartilhe dessa alegria, e seja contra o contra o uso de células-tronco embrionárias, alegando que essa prática viola dois princípios éticos: o que garante a dignidade da pessoa (no caso o embrião) e o que define que a vida é inviolável. Esta tese pressupõe que todo embrião congelado em um tanque de nitrogénio seja "uma pessoa viva". Assim esse conjunto de oito células, muitíssimo menor que o buraco de uma agulha de injecção (esse é o tamanho de um embrião congelado), teria – por esses argumentos – os mesmos direitos que qualquer um de nós. Para resolver essa questão, há países que decidiram fazer uma audiência pública para ouvir os dois lados da questão: os cientistas a favor e contra essas pesquisas.

Entenda o que está em jogo e participe

As pessoas que se manifestam contra a investigação e manipulação desses embriões (conjuntos de oito células) costumam perguntar: por que é tão importante a realização dessas pesquisas? Por que não utilizar somente as células-tronco adultas? A resposta é simples: somente as células-tronco embrionárias têm o potencial para formar todos os tecidos do nosso corpo, 216 ao todo. Um potencial que as células-tronco do cordão umbilical conseguem formar músculo, osso, cartilagem e gordura. Mas elas não conseguem formar células nervosas funcionais que são fundamentais para recuperar pacientes afectados por doenças neuromusculares, doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson ou pessoas com medula lesionada, que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas.
Se as pesquisas forem proibidas, isso impediria uma única linha de pesquisa no tratamento da degeneração de órgãos. Será que já entenderam que o maior objectivo dessas pesquisas é justamente esse: a regeneração de tecidos e, no futuro, de órgãos em degeneração, não funcionais ou que foram destruídos num acidente?
Dois anos e meio de pesquisas desde a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, só confirmaram que elas são fundamentais. Ainda temos muito a aprender com elas. Essa é a posição das Academias de Ciências de 67 países, das nossas sociedades científicas e de milhões de pessoas que poderão no futuro se beneficiar dessas pesquisas. E mesmo sem ser cientista, você também pode participar dessa discussão. Se concordar connosco, assine a petição no link:
O seu apoio pode ser muito importante para convencer a comunidade que a não aprovação dessa lei representaria um retrocesso irreparável para a ciência e para o futuro da medicina nos países onde o Vaticano impõe a sua negativa influência com a “aprovação” de “novos pecados”. Que Deus lhes perdoe, mas não podemos deixar que isso aconteça!

quarta-feira, 12 de março de 2008

CRÓNICA DA CHORADEIRA

De “boas intenções” está o Inferno cheio

O desígnio dos nossos avós passou pelo fim das guerras mundiais. O dos nossos Pais, suspirando pelo fim de um regime fascista que conduziu a uma guerra colonial, dizimando a juventude que lutava pela tentativa de uma sociedade mais justa. A nós, compete-nos combater esta inércia que se instalou numa sociedade embebedada pelo PREC – do qual continuamos a pagar a ‘factura’, mas sobretudo combater a corrupção que nunca acabou, o descontrolo das contas e políticas governativas pós 25 de Abril, a total ausência de uma identidade social e solidária, e encontrar definitivamente uma missão e um destino para este País.
Falta fazer tudo? Não, mas quase.

Com tudo o que vem acontecendo, não sabemos bem o que nos reserva o futuro, com a evolução do resto do mundo, mas de uma coisa tenho a certeza: receamos a poluição ambiental, a fome e a pobreza, o terrorismo e a guerra. Tudo isso, porque não podemos confiar cegamente nos governos, nem no sistema de Justiça, nem na isenção Partidária face aos reais e verdadeiros interesses do País. Continuamos habituados à política do ‘deixa andar’, da cunha e do abstencionismo, enfiando a cabeça no chão, e esperar que as coisas acalmem. E na Justiça, que os processos e crimes onde figuras públicas e políticos estejam envolvidos não cheguem ao seu fim.
Tal como antes do 25 de Abril, continuamos a ver neste País endividado, demasiados jovens talentosos a querer sair na busca de horizontes, e sentimos que a fasquia já está demasiado em baixo. Desejamos uma sociedade de pessoas, honestas, responsáveis e independentes, e gostaríamos sobretudo de poder ter mais filhos e de os poder educar e criar num ambiente saudável, de segurança e verdadeiramente Europeu, não só de ‘fachada’.
Os nossos avós sempre disseram - ou dizem, que a vida é demasiado curta. Então, quanto tempo mais vamos deixar passar? E afinal… de que estamos à espera?
Quando chegar o momento, através do voto, todos nós devemos propor um modelo de governação onde se responsabilize os eleitos perante os eleitores num “cara-a-cara” em que se conheçam as pessoas em quem votámos, e delas possamos saber o que fazem com o nosso voto na execução das promessas eleitorais que nunca são cumpridas, com partidos políticos que produzam ideias e os projectem na sociedade. Temos de exigir modelos de gestão na administração pública assentes em princípios e valores da frugalidade, transparência, mérito e responsabilidade ao nível das compras, vendas, concursos públicos, obras, licenciamentos, e recrutamento de pessoas.
Na jurisprudência, é necessário implementar rapidamente um modelo de justiça rápido, eficaz e conclusivo, com penas mais pesadas para os criminosos, sem qualquer possibilidade de escapatórias, que imprima confiança no cidadão, procurando mais investimentos públicos na qualidade da Justiça, mas igualmente nas Escolas, Hospitais e protecção do ambiente, sem esquecer a tónica dos investimentos públicos na reflorestação do País.
Mas também não podemos ignorar a necessidade de maiores investimentos e uma maior participação pública nas áreas da investigação oceanográfica com vista a uma mais eficaz protecção ambiental, também com cidades mais limpas e equilibradas na protecção do seu território, com o desenvolvimento de fontes de energia limpa.
São efectivamente importantes os investimentos públicos em novos aeroportos e comboios ultra rápidos. Mas só depois de outros problemas mais importantes estarem resolvidos, como um salário mínimo nacional honesto, cuidados sérios com a Saúde, a Segurança Social e um generalizado apoio aos cidadãos seniores, com reformas condignas para a terceira idade, que para português bem entender, se devem chamar de idosos. Para quê escamotear uma realidade? Um país que não cuida de seus idosos, é uma terra sem alma.
É de facto muito importante que se pense ainda numa acentuada redução do numero de institutos e instituições publicas pagas com o dinheiro dos contribuintes. São demais os existentes, e cada governo eleito termina com dois ou três, para logo depois criar cinco ou seis. Precisamos de uma séria avaliação de pessoas e instituições - escolas, tribunais, hospitais e outros serviços públicos, mas justas e bem calendarizada, de acordo com uma reforma generalizada, numa cultura do mérito por oposição ao desleixo, à manipulação, ao compadrio e á preguiça. Deverá ser obrigatória uma educação orientada para o civismo, para a criatividade, com partilha e colaboração de todas as entidades envolvidas desde os pais aos educadores.
É urgente e preciso, habituar este País a respeitar e a conviver com a diferença, de opiniões, de raças e costumes, vivendo democraticamente como o sistema exige, tornando-se num Portugal referência em qualidade de vida na Europa.
Porque a revolução em democracia faz-se pelo voto.

POLÍTICA NACIONAL

ALTERAÇÃO DE ESTATUTOS "ESFRANGALHA" PSD

Ex-líderes estão contra alterações aos regulamentos aprovadas no último Conselho Nacional, e acusam actual direcção de «golpismo». Santana Lopes diz que «está a instalar-se um clima de terror» e que o País está... «de fio dental»!

Foram palavras breves, mas, como é habitual, certeiras. Sem querer personalizar, Santana Lopes comentou o estado do PSD, imerso na discussão sobre a alteração dos estatutos e do pagamento de quotas. «O que está a acontecer é um caminho perigoso. Está a instalar-se um clima de terror que não faz sentido», referiu durante um debate realizado em Gaia. Na cidade onde Luís Filipe Menezes lançou bases para a presidência do Partido, o líder parlamentar considerou que seria preferível «lançar o confronto de ideias», em vez de «transigir». Santana não gosta de ouvir «tantas falsidades» e, por isso, lança um previsão: «Penso que o que se vai dizendo, não é muito diferente do que se dizia de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso quando eram da oposição e assumiam as suas funções como presidentes do Partido. Estas polémicas só servem para prejudicar a unidade. São ataques que considero inaceitáveis».
Neste debate, Santana Lopes pôde falar sobre quase tudo e até teve tempo para elogiar a Ministra da Educação. «É quase uma heresia elogiá-la nesta altura, mas tenho que falar em algumas medidas das quais concordo, lançadas inicialmente, como o estabelecimento de uma carreia mais estável ao nível das colocações, com prazos de três anos. Depois disso, seguiu uma via estranha, que leva ao confronto com a classe», considerou.
Sobre José Sócrates, disse frontalmente que «não exerce uma governação socialista, antes uma governação à José Sócrates, com pitadas de Manuela Ferreira Leite» e atreveu-se a pedir para utilizar uma expressão lançada da audiência, após uma enorme gargalhada: «O país não está de tanga, está de fio dental». «Posso usar essa frase no próximo debate parlamentar?», questionou, com a certeza que poderá garantir mais um sound byte.

António Capucho admite demissão

Dos vários militantes de topo do PSD que estão contra as medidas tomadas, encontram-se António Capucho, Pacheco Pereira, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa, entre muitos outros ex-secretários gerais do partido. O presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, prometeu demitir-se do cargo de presidente da concelhia do PSD de Cascais se os novos regulamentos internos do partido «forem aprovados». Questionado se pondera demitir-se do cargo que ocupa na assembleia concelhia do PSD de Cascais, António Capucho respondeu: «Não pondero, tenho a certeza, se estes regulamentos forem aprovados recuso-me a ser presidente da assembleia».
Os novos regulamentos de quotas, de militantes, financeiro, eleitoral e das comunidades emigrantes do PSD o PSD foram já aprovados, na reunião do recente Conselho Nacional. A entrada em vigor prevista nos documentos é 01 de Maio deste ano.
Entre outras alterações, a reforma dos regulamentos internos do PSD promovida pela direcção de Luís Filipe Menezes repõe a possibilidade de os militantes pagarem as quotas em dinheiro e permite que isso seja feito nas secções concelhias. «Eu sou presidente da secção de Cascais do PSD, não sei se por muito tempo porque recuso-me a ser presidente com uma caixa registadora ao lado para receber as quotas dos militantes», disse António Capucho, considerando que as novas regras «vão permitir forte suspeição de pouca clareza, falta de transparência, arregimentação» e alegou não ter sido informado das mudanças. «Eu fui confrontado com o agendamento de um momento para o outro e de supetão destes regulamentos», criticou.

Marcelo Rebelo de Sousa critica «retrocesso»

Marcelo Rebelo de Sousa qualificou como um «retrocesso» as alterações aos regulamentos aprovados no Conselho Nacional do PSD, num momento em que o partido deveria estar a «alargar e não a reduzir». Falando no programa da RTP1 «As escolhas de Marcelo», o antigo líder social-democrata lembrou ter a «paternidade» das normas que davam mais «transparência» nos processos eleitorais internos e no pagamento de quotas, que agora foram alteradas por proposta da direcção de Luís Filipe Menezes.
Em causa está a reforma dos regulamentos de quotas, financeiro, eleitoral, de militantes e das estruturas de emigração, aprovada pela Comissão Política do PSD na terça-feira. Os antigos secretários-gerais do PSD Amândio de Azevedo, António Capucho, Manuel Dias Loureiro, Falcão e Cunha, Rui Rio, Azevedo Soares, Carlos Horta e Costa, José Luís Arnaut, Miguel Relvas e Miguel Macedo e também Pacheco Pereira, Pedro Passos Coelho e José Pedro Aguiar Branco contestaram a votação dos novos regulamentos.
«Não reajo por sensibilidade pessoal. Mas há duas razões fundamentais na lógica da transparência democrática», adiantou Marcelo Rebelo de Sousa, argumentando que os cadernos eleitorais devem ser conhecidos antes do acto da votação, tal como acontece nas eleições nacionais. O comentador também defendeu que o «melhor é não se pagar em dinheiro porque fica sempre a suspeita, a dúvida» e a acusação feita por Rui Rio em termos de ilegalidade. «Penso que é um retrocesso e que não é bom para a imagem do partido, que devia agora estar a alargar e não a reduzir. Não é bom para o pluralismo interno quando se usa o argumento que este enfraquece mais o partido perante o PS porque esse pluralismo fortalece em termos de dinâmica para o futuro», concluiu.

domingo, 9 de março de 2008

LEITURAS

Vem aí a Semana Santa

Uma vez na cidade de “la fiesta”, aproveite para ler «O Cego de Sevilha» de Robert Wilson, escritor que vive entre o Alentejo e Oxford, e tem boa parte da sua obra situada entre Portugal e Espanha.

Se exceptuar as cidades da Galiza, Sevilha será a cidade espanhola que mais visito. É mais perto que Lisboa, não se pagam portagens e tem uma oferta cultural admirável. Contabilizo em dezenas as vezes que lá me desloquei, sempre com excelentes recordações: meia dúzia foram turísticas, outro par de vezes para me deleitar com a EXPO’ 92 e, talvez as melhores, aquelas que dediquei às cerimónias da Semana Santa.
Inesquecível, a saída da procissão da Macarena, por volta da meia noite, com milhares de nazarenos e penitentes, e um altar lindíssimo, encimado pela imagem da Virgem, com o povo a saudá-la com gritos de “Guapa! Guapa!”. A comparação com a fé reverencial de Fátima e em como nós, portugueses, sentimos a vida de maneira diferente foi imediata. “Os portugueses cederam à condição humana”, refere uma das personagens do livro que abordarei adiante.
O meu fascínio pela Andaluzia provém, na verdade, pela essência de Espanha que ali encontro, pela alegria e espírito empreendedor, e pelo caleidoscópio de cores e sons que constituem uma autêntica banda sonora da cidade.
Por isso, ataquei o livro “O Cego de Sevilha/The Blind Man of Seville”, de Robert Wilson, com natural curiosidade, a que se veio juntar uma daquelas convergências em que a minha vida é fértil no referente à capital da Andaluzia. O livro é referenciado como um policial, o que também é verdade, mas a expressão deve ser lida em múltiplos sentidos.

A acção é despoletada pela descoberta do corpo de um rico comerciante de restauração sevilhano, num estado de profunda mutilação, a que não falta um toque macabro: o corte das pálpebras, obrigando a vítima a olhar para algo que, definitivamente, não quereria ver. O inspector repara que nos restaurantes da vítima estão espalhadas fotos do seu falecido proprietário com tudo o que é gente famosa de Sevilha. Curiosamente, com o seu pai não havia nenhuma. A suspeita recai sobre a sua mulher, uma sensual e inteligente quarentona.
O livro proporciona uma leitura cativante, sendo difícil de o largar. As descobertas vão sendo reveladas a um ritmo gerido inteligentemente e a opção pela revelação do passado do pai de Javier através da leitura dos diários em vez dos habituais flashbacks mostrou-se acertada, até pela identificação do leitor com o inspector. Há quem compare Wilson a Le Carré, pela densidade e consistência da história, ou aos ‘negros’ Hammet, ou Leonard, pela temática. Arriscaria dizer que Wilson conquista um lugar só dele, numa temática que cruza o policial com o drama psicológico profundo.
O título, “O Cego de Sevilha”, refere-se ao epíteto que a imprensa usa para designar o assassino. Aliás, a escolha desta cidade, que tem na "fiesta" a solução local para a tristeza e a localização da acção que mudará a vida a Javier Fálcon durante a Semana Santa, mostram o cuidado do escritor em envolver toda a sua obra em inteligentes simbolismos.
Robert Wilson vive entre o Alentejo e Oxford e tem boa parte da sua obra situada geograficamente entre Portugal e Espanha, com títulos como “A Companhia de Estranhos”, passado em na capital portuguesa e “O Último Acto de Lisboa”, ambos editados pela Gradiva. “O Cego de Sevilha”, editado em Fevereiro de 2003, mas só agora lançada a edição nacional, está inserido na brilhante colecção “Ficção Universal” da D. Quixote.
A ler durante a Semana Santa.

sábado, 8 de março de 2008

VIAGENS

O Paraíso nas terras do Fim do Mundo

Se o leitor dispõe de no mínimo duas semanas, decida-se por viajar nesta época do ano até o Brasil. A Bahia oferece-lhe o que de mais típico e verdadeiramente tropical este país tem para oferecer. Desde a sua gastronomia, ao rico folclore e artesanato. Um festival de emoções, cheiros, cores e paisagens paradisíacas.

Mangue Seco é a última praia no extremo norte do litoral baiano, fazendo já fronteira com o estado de Sergipe. A beleza do local foi bem retractada numa novela inspirada no romance "Tieta do Agreste", de Jorge Amado. Esta produção incentivou ainda mais o turismo no local, quando o Brasil e Portugal passaram a conhecer toda a beleza do lugar, que resguarda numerosas dunas encravadas numa paisagem de sonho e primitiva, de rios a desaguar no mar, no tropical Atlântico Sul.
Neste lugar, nos confins do mundo, as opções de lazer são variadas, com programas que satisfazem desde os surfistas, que nas praias da região encontram picos de grandes ondas, até os pescadores amadores, que nas águas calmas dos rios conseguem fisgar os mais variados peixes. Dentre eles está o peixe-boi, uma espécie rara, geralmente encontrada só no rio Amazonas, mas que povoa as águas calmas do Rio Fundo, um dos cinco rios que confluem em Mangue Seco, onde encontrou um habitat propício para se reproduzir.
O Rio Real merece um destaque especial, com margens a perder de vista. As suas águas, um pouco salgadas, lembram as águas do mar e são uma verdadeira surpresa para os mais desavisados. A salinidade diverte os banhistas com a facilidade de, simplesmente, flutuar e relaxar ao sabor do rio.

O vilarejo fica na foz do Rio Real - que dia a dia vai escavando as suas margens - e as imensas dunas que mudam constantemente a paisagem, movendo-se com o vento e avançando querendo encobrir tudo. A dificuldade do acesso ao lugarejo – exclusivamente de barco – é o que torna Mangue Seco mais atraente e o mantém naturalmente rústico e pouco acessível às hordas de turistas.
As poucas ruas são todas cobertas de areia fina e macia. À noite, as crianças ainda brincam ao esconde-esconde, enquanto os visitantes ouvem histórias antigas, contadas pelos pescadores ou numa visita ao café da D. Ana (que também entrou na novela) ou, ainda, participando de serenatas junto à população nativa. Pouco iluminada, a vila oferece uma noite estrelada, com uma beleza extraordinária nos períodos de lua cheia, ou particularmente ao final do dia com o majestoso Pôr do Sol entre coqueiros e as altas dunas.
A paisagem, que é sempre deslumbrante e esmagadora, ganha um atractivo a mais quando o reflexo da lua se intensifica nas águas dos rios que cercam a região. Em posição privilegiada, a baía de Mangue Seco testemunha o encontro dos rios Real, Piauí, Fundo, Guararema, Priapu e Saguí com o Oceano Atlântico.
Um verdadeiro festival paradisíaco da natureza!

A mistura de água doce e salgada propicia a formação de extensas áreas de ilhas e mangue e, consequentemente, a fartura de frutos do mar. Na praia de rio, os coqueiros debruçam-se, curvando o tronco sobre as águas calmas. Do lado do mar, eles são fustigados pela brisa constituindo sombras desejadas para os turistas se deleitarem entre dois banhos de mar em águas inacreditavelmente quentes.
Por toda a margem, espalham-se pousadas, bares, restaurantes e casas de pescadores, criando uma boa e típica estrutura de apoio aos turistas. Indispensáveis, são os passeios de lancha pelos rios, e de “boogie” pelas dunas ou bordejando as praias rodeando os manguezais.
Aqui o tempo parou, talvez para contemplar a paisagem, ou por perceber que nada mais pode ser melhorado, a perfeição foi atingida. A natureza não agredida, retribui com belezas raras e inesquecíveis em todo o seu esplendor selvagem e primitivo.
O luar é único e contemplado em todos os pontos do lugar, - nas dunas, na praia, no rio, nas redes das pousadas, onde quer que se esteja, ele alcança-nos e envolve-nos, com uma magia de sonho indescritível.
Ir a Mangue Seco, é ficar marcado para sempre pelo toque da natureza. É também ficar com a certeza de que Deus existe, e passou aqui.

Sociedade

Tatuagens: Uma moda de gosto discutível

Em Portugal, fazer uma tatuagem está na moda, e sai mais barato. Como mostram alguns jovem de ambos os sexos, que cobrem de desenhos todo o corpo, até às unhas dos pés.

Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia – de um estilo de vida "marginal". Elas já não são feitas em locais precários e marginais, mas sim em grandes estúdios onde há cuidado com a higiene. As técnicas refinaram-se: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e ferramentas como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem de que já não se gosta. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora do marinheiro. Uma prova desse novo status é um reality show como o Miami Ink, produção americana exibida no canal People & Arts.
O programa acompanha o dia-a-dia de um estúdio de tatuagem na cidade de Miami. A graça está em ver como as ideias mais mirabolantes são traduzidas na pele dos participantes. O Miami Ink gerou dois filhos, um ambientado em Los Angeles e outro em Londres. E o canal já abriu inscrições para produzir um especial no Brasil.
Hoje, é possível dividir as pessoas segundo três níveis de atracção pela tatuagem. Numa ponta está o grupo que se contenta em ter uma ou duas, só para efeito de beleza ou para demonstrar "atitude" – porque é estar na moda, aí inclui-se o exemplo de alguns modelos como Gisele Bündchen e a sua estrelinha no pulso, bem como em algumas portuguesas com desenhos no ombro, no dorso ou no tornozelo.
No outro extremo está o mundo dos que não poupam nem o rosto à picada das agulhas. Agora, pode-se vislumbrar ainda uma outra tribo intermediária. São pessoas que coleccionam tatuagens, ou pelo seu suposto valor estético ou por algum tipo de simbologia, e não por opção radical de vida. Este é o caso mais comum.

Espantoso, ou talvez não

Não faltam espelhos para eles(as) se mirarem. A actriz Angelina Jolie tem ao menos uma dúzia de tatuagens, entre as quais um tigre asiático nas costas. No antebraço direito, ostenta a expressão "força de vontade" em árabe. O braço esquerdo traz as latitudes onde nasceram os seus três filhos adoptivos e o primogénito da relação com o actor Brad Pitt. Essas últimas cobriram uma antiga tatuagem com o nome de seu ex, Billy Bob Thornton. Mas sabe-se que Angelina também é pródiga em apagar tatuagens: livrou-se de sete, até agora. Outro astro mediático que não hesita em adornar a pele é o inglês David Beckham. Nas costas, o jogador tatuou o nome dos filhos e um anjo da guarda. No braço direito, exibe símbolos dos cavaleiros medievais da ordem dos templários. Recentemente, confessou: "A dor de fazer tatuagens é viciante". A cantora inglesa Amy Winehouse – outra que tem o corpo coberto de tatuagens, com predilecção pelas pin-ups – diz que elas são uma forma de "espantar o tédio".
Há justificações para todos os gostos.
Porém, o mais espantoso é começar-mos a ver por aí crianças que, de acordo com o desejo de seus pais, exibem desenhos espalhados pelo corpo, os quais possam embora, ser tatuagens “fáceis de limpar” mais tarde, iniciam em suas mentes um espírito tribalista.
"Por detrás da decisão de preencher uma parte do corpo com tatuagens está o desejo de contar uma história, reter uma recordação ou demonstrar uma linha de raciocínio", diz Lúcio Tattoo, do estúdio Banzai, em Albufeira, onde tem como clientes muitos portugueses, embora a maioria sejam estrangeiros residentes ou de passagem “porque em Portugal, fazer uma tatuagem fica mais barato”. Como mostram alguns jovem de ambos os sexos, que pretendem cobrir de desenhos todo o corpo, até às unhas dos pés, ou... o céu da boca.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Lígua Portuguesa

Governo ratificou (des)acordo ortográfico

Muitos escritores consideram dispensável a ratificação do Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Eduardo Lourenço diz que não vai mudar para uma «ortografia comum» e Maria Lúcia Lepecki vai mais longe: «É um desperdício de energias e de dinheiro». Vasco Graça Moura afirma que «a língua portuguesa cobre-se de ridículo».
Ministro da Cultura quer ratificação para breve...

O Governo aprovou a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo ortográfico da língua portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para «garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos». A decisão, que ainda terá de ser sujeita à apreciação do Parlamento e do Presidente da República, Cavaco Silva, foi anunciada pelo ministro da Presidência, no final do Conselho de Ministros. «O Estado Português adoptará as medidas adequadas para garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos, nomeadamente ao nível da validação da ortografia constante dos actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, bem como de bens culturais, incluindo manuais escolares, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação», lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.
Na Assembleia da República, órgão a que competirá aprovar a resolução do governo, prepara-se entretanto uma conferência internacional e uma audição pública organizadas pela Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura. Segundo o presidente daquela Comissão, Luís Marques Guedes, trata-se de «uma iniciativa concertada» com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e «em princípio» decorrerá a 7 de Abril, «durante todo o dia».
Além de representantes da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras, as instituições que negociaram as bases científicas do acordo, serão ouvidos responsáveis da SPA e da APEL, entre outras entidades. O programa inclui também um frente-a-frente entre o escritor e eurodeputado social-democrata Vasco Graça Moura, um dos mais conhecidos adversários do acordo, e o professor Carlos Reis, antigo director da Biblioteca Nacional, que tem a posição contrária

Quem concorda?

O ensaísta, professor universitário e filósofo Eduardo Lourenço considera dispensável o Acordo Ortográfico da língua portuguesa cuja ratificação está pendente desde 1994 e vai continuar a escrever como aprendeu, mesmo que este entre em vigor. «Eu acho que se podia dispensar este acordo. Escrevo em português e penso que os portugueses vão continuar a escrever - sobretudo os da minha geração - no código em que foram ensinados. Na minha idade (84 anos), não vou agora mudar para uma ortografia - digamos «comum», disse Eduardo Lourenço. Já o novo ministro da Cultura tem uma posição ligeiramente diferente. Ao contrário de Isabel Pires de Lima, que anunciou uma moratória de dez anos para aplicação do acordo, José António Pinto Ribeiro confessou que tem uma opinião diferente: «espero que haja condições para que muito proximamente seja ratificado também por Portugal o acordo ortográfico, em coordenação com o mundo editorial, com os livros escolares e com todos os interessados», disse o responsável pela pasta da Cultura.
O ministro lembrou que o acordo está em vigor, mas escusou-se a dizer que Portugal está em incumprimento: «É uma questão que passa pela coordenação de vários Ministérios, mas aquilo que posso dizer é que em termos do ponto de vista da política internacional e do direito internacional, o acordo está ratificado já por três países e nos termos do próprio acordo, a partir desse momento ele entrou em vigor».

Desavenças constantes

A ensaísta e professora universitária de literatura portuguesa Maria Lúcia Lepecki defendeu que o Acordo é desnecessário e um desperdício de recursos: «Eu sempre achei que o acordo ortográfico não é preciso: um brasileiro lê perfeitamente a ortografia portuguesa e um português lê perfeitamente a ortografia brasileira. Olha a ortografia, sabe que palavra é que é, pronuncia correctamente. Acho que é um desperdício de energias, um desperdício de dinheiro, e penso que se devia gastar o pensamento e as forças em outra coisa qualquer», sustentou Maria Lúcia Lepecki.
A escritora moçambicana Paulina Chiziane também manifestou dúvidas quanto à razão de ser e à utilidade de um acordo ortográfico: «Há muitos anos que eu venho ouvindo falar deste acordo, que sai e não sai. Mas, se eu olhar para o meu próprio país, que é Moçambique, nós somos tão diversos que de vez em quando acho que cada um tem o direito de escrever a sua língua portuguesa».
Já o escritor Vasco Graça Moura, confrontado com a notícia da ratificação do Acordo Ortográfico, é peremptório: «Acho que é um erro!». Num artigo de opinião recentemente publicado no Diário de Notícias, Vasco Graça Moura escrevia que «a aplicação do Acordo não levará apenas ao caos no ensino nos oito países. Levará a que a língua portuguesa se cubra de ridículo no plano internacional». Mesmo sem se abordar a questão dos interesses culturais, políticos, económicos ou geostratégicos em jogo, afirmava Graça Moura, «qualquer leigo verifica que o Acordo não traz qualquer utilidade ou mais-valia. Enferma de muitos vícios e, a entrar em vigor, será altamente pernicioso nos mais variados planos».

quinta-feira, 6 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Portugal entre os países da UE com maior percentagem de mulheres nas prisões

Um estudo do Parlamento Europeu sobre "A Mulher nas Prisões Europeias" revela que Portugal é, juntamente com Espanha, um dos países da União Europeia (UE) com a maior percentagem de mulheres nos estabelecimentos prisionais. A média europeia é inferior a 5%, enquanto nos países ibéricos sobe para valores entre 8 a 10% do total da população prisional. As drogas - seja por tráfico ou consumo - são uma das principais razões da detenção. O retrato sobre "A Mulher nas Prisões Europeias" foi feito pela Comissão das Mulheres e da Igualdade de Género do Parlamento Europeu, a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se celebra a 8 de Março.
De acordo com o estudo, registou-se um "aumento significativo" da quantidade de mulheres nas prisões europeias, com incrementos na ordem de 410% no Chipre num período de 10 anos. Em 2006, existiam 914 mulheres nos estabelecimentos prisionais de Portugal, um dos únicos quatro países europeus que dispõe de projectos específicos direccionados para o tratamento das reclusas toxicodependentes.
Este estudo serviu de base para um relatório sobre a situação particular das mulheres na prisão e o impacto da detenção dos pais para a vida social e familiar das crianças, da autoria da eurodeputada grega Marie Panayitopoulos-Cassiotou, que será debatido e votado na próxima semana em Estrasburgo. No documento, o PE exorta os Estados-membros a tomar medidas específicas para as mulheres reclusas, atendendo à sua situação de toxicodependência, ao papel de mães e à reintegração profissional e social. Recomenda ainda a realização de inspecções periódicas às condições de vida das reclusas e a necessidade de harmonizar as condições de detenção tendo em conta as necessidades das mulheres.
Porque a maioria das prisões é "fundamentalmente orientada para homens", o Parlamento Europeu recomenda acções específicas neste campo que passam, nomeadamente, pela adopção de programas específicos em várias áreas. Portugal é um dos exemplos citados, sendo um dos países europeus que promove oportunidades de formação de nível superior e de formação vocacional às mulheres reclusas. As mulheres constituem entre 4,5 a 5 % da população prisional da Europa e mais de metade tem, pelo menos, um filho. A maioria tem entre 20 e 40 anos.O Dia Internacional da Mulher foi também assinalado pelo Parlamento Europeu em Bruxelas, com a realização de um seminário sobre a igualdade entre homens e mulheres e o papel da mulher na política, com a participação de políticos, técnicos e jornalistas de toda a UE.

terça-feira, 4 de março de 2008

RDP DISCRIMINA ALGARVE


"Lugar ao Sul" sofre novo ataque
Tratando-se de um programa de interesse cultural – do ponto de vista antropológico, etnomusical e diversas formas da literatura tradicional – a sua exclusão do canal cultural da RDP só se explica à luz da conhecida hostilidade do Director da RDP face ao programa "Lugar ao Sul".

Segundo Álvaro José Ferreira, a Antena 2 acaba de ser objecto de mais uma remodelação na sua grelha de programas, apesar de ainda há poucos meses a actual direcção ter afirmado que a mesma estava estabilizada. Deduz-se, portanto, que esta súbita mudança resulta de algum "puxão de orelhas" do novo conselho de administração aos inquilinos da direcção de programas pelo facto das "reformas" introduzidas no canal com o consequente acréscimo orçamental não terem correspondido a um aumento de audiências, que era o objectivo n.º 1 da anterior administração que mandatou e deu carta branca à actual direcção.

Olhando para a nova grelha, fica bem à vista o desinvestimento em programas de autor e a opção por simples alinhamentos musicais alargados, certamente muito mais baratos, mas completamente aleatórios e sem a mínima coerência editorial (ao contrário do que acontecia no espaço "Até Bach", cuja extinção se lamenta), sendo que agora os programas de autor são transmitidos, na sua maioria, ao fim-de-semana e uma única vez. O que, deve dizer-se, é uma decisão perfeitamente errada e falha de razoabilidade: não por passarem ao fim-de-semana mas pela simples e óbvia razão de não serem repetidos noutro horário, de modo a ficarem ao alcance de pessoas com diferentes disponibilidades de escuta. Neste aspecto, mudou-se de cavalo para burro!
E, já agora, quanto custou a campanha que anda aí a correr com música de Bach?
Ora, um dos programas de autor que podia ouvir-se ao fim-de-semana, mais concretamente ao sábado, era justamente o aclamado e premiado Lugar ao Sul, da autoria de Rafael Correia que, inexplicavelmente, foi agora eliminado da grelha. Porquê?

Não foi certamente por falta de audiências pois é sabido que o programa tem um auditório vasto e fiel. E também não foi, com certeza, devido às reclamações dos ouvintes mais ortodoxos da rádio clássica que acham que o programa não é adequado ao canal. Porque se fosse este o motivo, por maioria de razão teriam também desaparecido os programas "Império dos Sentidos", "Raízes", "Fuga da Arte" e "Vias de Facto", que foram alvo de uma contestação bem superior e que apesar disso continuam em antena. E diga-se, em abono da verdade, que aqueles programas, em especial os dois últimos, são claramente bem mais aberrantes na Antena 2 do que o "Lugar ao Sul", no qual Rafael Correia incluía por vezes justamente música de compositores eruditos (Vivaldi, Mozart, etc.). E tratando-se de um programa de inegável interesse cultural – do ponto de vista antropológico, etnomusical e de diversas formas da literatura tradicional – a sua exclusão do canal cultural da RDP só se explica à luz da conhecida hostilidade de Rui Pêgo face ao programa, que assim desautoriza o seu adjunto João Almeida que nele apostara em Janeiro de 2006.

É bom não esquecer que uma das primeiras medidas de Rui Pêgo (ao centro, na foto), no início do seu mandato como director de programas das antenas nacionais da RDP, em 2005, foi precisamente a amputação do "Lugar ao Sul" em metade do seu tempo de emissão nas manhãs de sábado da Antena 1. Em face dessa infeliz e descabida decisão, a inclusão de meia hora (depois alargada para um hora) de "Lugar ao Sul" na grelha da Antena 2 teve o mérito de vir ao encontro dos desejos do vasto auditório do programa, mitigando, de alguma forma, o corte sofrido na Antena 1. Nesta ordem de ideias, a medida agora tomada por Rui Pêgo não pode deixar de ser encarada como uma atitude desrespeitosa e revanchista face aos inúmeros ouvintes do programa e, igualmente, ao emérito profissional que é Rafael Correia.
Ora, enquanto ouvintes que contribuimos com a taxa do audiovisual e com impostos para o chorudo salário que Rui Pêgo recebe no fim cada mês, cumpre lembrar-lhe que não é pago para ter na rádio pública (apenas) os formatos ao jeito do seu umbigo e mandar às urtigas os programas e autores que não aprecia, ainda que tenham o afecto do público. E sendo o "Lugar ao Sul" um programa de grande popularidade e agrado, abrangendo todos os estratos sociais, e sendo, ao mesmo tempo, um exemplo paradigmático de serviço público – duas coisas que nem sempre andam a par – não podemos deixar de apresentar um veemente protesto por mais este vil ataque. Agora, o mínimo que se deve exigir é que o "Lugar ao Sul" volte a ter duas horas de emissão nas manhãs de sábado da Antena 1.
Como aliás sempre teve, antes de Luís Marques, com o aval de Almerindo Marques, ter tomado a desastrosa decisão de colocar um indivíduo como Rui Pêgo na direcção da estação de serviço público.

Ajude a defender o programa LUGAR AO SUL!

Ajude a defender o serviço público de rádio!
Exija que a taxa do audiovisual que lhe cobram na factura de eletricidade seja bem utilizada!
Não se acomode!

Exerça o seu direito à indignação!
Não deixe de escrever para os endereços abaixo apresentados!


Não é obrigatório que envie um texto muito elaborado. Uma mensagem com uma ou duas frases serve perfeitamente. Por exemplo:
"Queremos o LUGAR AO SUL com duas horas!"
É altura de exigirmos que nos tratem com mais respeito e consideração!

SOCIEDADE

Juventude alcoolizada

Portugal é o sexto maior consumidor de álcool da União Europeia. Todos os dias, há mais mortes causadas pelo álcool do que por outras drogas, sendo mesmo a primeira causa de morte entre os jovens, se juntarmos as doenças que lhe estão associadas e os acidentes por ele causados. O excesso de consumo de álcool pelos jovens sobe assustadoramente. A noite algarvia está a ficar “doente”.

O cocktail álcool/juventude tem cada vez mais saída. Basta dar uma saltada “às noites” de Albufeira, Praia da Rocha, Tavira, Monte Gordo ou Vilamoura. Os problemas, esses, são cada vez maiores. Em Portugal, são lendários os bacanais das Queimas das Fitas, onde a quantidade de cerveja ultrapassa a quantidade de estudantes e tudo o que é bom senso. Como se sabe, em Faro, durante aquela festa dos estudantes, é consumida mais cerveja do que todo o ano naquela cidade… Os próprios bares incentivam os estudantes ao consumo com festas temáticas como aquela famosa e tão imaginativa "Alcoolização dos Perús"!
A estupidez reinante é incomensurável, e os acidentes uns atrás dos outros. Recordo-me dos tempos de estudante, quando já nessa altura via muitos colegas, independentemente da faculdade, a embebedarem-se apenas por isso, beber. Não era para se divertirem, não era para ficarem felizes, não era para celebrar nada – era beber para ‘apanhar’ uma bebedeira como condição e orgulho estudantil. Consideravam-se (sentiam-se) “homens”. As cenas lamentáveis repetiam-se a cada minuto, algumas verdadeiramente humilhantes, o chão ficava pejado de lixo e os acidentes não eram tão poucos como isso. Para não falar nas cenas deprimentes que envolvia raparigas, e ao que elas se prestam embriagadas. Mas, no nosso país, não é preciso a primeira semana de Maio para beber em excesso.

As noites de sexta e sábado têm luz verde para o consumo desenfreado de álcool pela juventude nos bares das várias cidades algarvias. E as restantes faixas etárias continuam a abusar, não em momentos determinados, mas quase todos os dias. Almoço ou janto, quase todos os dias em restaurantes de classe média, e contam-se pelos dedos de uma mão as refeições em que não vejo alguém “deitar abaixo” uma garrafa inteira de vinho. “Hábitos velhos”, dirão alguns. “E irresponsabilidade acrescida”, diremos nós.
Ultimamente, televisão e jornais têm dado destaque à campanha “Se conduz, não beba” que decorre na noite algarvia. Tenho as minhas dúvidas sobre a bondade do projecto. Se é positiva a retirada da estrada de elementos potencialmente perigosos, também parece que se trata de um incentivo à bebida a sua venda nos postos de gasolina, recorrendo ao jargão futebolístico, “está a beneficiar-se o infractor”. Veremos quanto tempo irá durar.
Infelizmente, o problema do álcool não é só nacional e está a preocupar responsáveis de muitos países. Veja-se o exemplo relativo a Jenna, uma das filhas de George W. Bush, citado pelo New York Times: “Ela nunca estuda”, chegou a dizer uma colega, “embebeda-se metade da semana e passa a maior parte dos dias a tentar curar as ressacas”. O que Jenna aprendeu é um mistério porque as suas notas nunca foram afixadas publicamente! Os responsáveis disseram que o sigilo se deveu a “questões de segurança”, os colegas às péssimas notas. Licenciou-se em Inglês... e Barbara, a outra gémea, em Humanidades

Em Espanha, são as próprias autoridades a mostrar preocupação, não só pelo efeito que causa na juventude, mas também por todos as consequências que dali decorrem, desde a dependência até aos danos materiais e humanos. Um problema anexo é o do ‘botellon’, a verdadeira lixeira de garrafas e latas que atapetam, em cada noite de Verão, as praças das principais cidades turísticas espanholas, a começar por Sevilha bem aqui ao lado.
No Reino Unido, então, a situação é dramática. Estive em Londres no verão do ano passado, e no coração de Picadilly fiquei sinceramente chocado e... amedrontado. Na sua última edição, o Sunday Times apresenta um artigo sobre o consumo de álcool e tabaco por menores, na casa do 14-15 anos: 44% das raparigas e 42% dos rapazes bebem semanalmente; 26% das raparigas e 16% dos rapazes fumam. A imprensa local, famosa pelas suas inventivas parangonas, já achou um termo para este fenómeno feminino: “ladette” - a partir de “lad”, o termo usado pelos rapazes de média e baixa classe, clientes assíduos dos “pubs, clubs & bars”, no seu tratamento pessoal. E, como se vê dos números, a “ladette” já está a chegar a mulheres cada vez mais novas… Os pais e as autoridades estão preocupados com os excessos. Entre os primeiros já surgiu a moda de dar álcool a beber aos filhos, para que aprendam a fazê-lo dentro de um ambiente controlado. Já as segundas estão preocupadas com as consequências para a saúde do consumo de álcool em tão tenra idade: doenças do foro cardiológico, obesidade, problemas de fertilidade e concepção, além de descontrolo nas doenças sexualmente transmissíveis.

A explicação para este comportamento, segundo os especialistas, está relacionado, por um lado, com a baixa estima que as jovens têm e que procuram ultrapassar bebendo mais do que os companheiros, exibindo, assim, mostras de uma maturidade precoce. Uma segunda causa estará relacionada com os modelos que estas raparigas têm como referência. Desde cantoras com visual “trash”, como Avril Lavigne, até às raparigas da geração seguinte que vêm no locais que frequentam, passando pelos relatos que lêem nas suas revistas e na televisão. Porque, já se sabe, “o fruto proibido é o mais apetecido”.
O problema tende a agravar-se, um pouco por todo o lado, preocupando pais, professores e autoridades. Porque “as crianças de hoje são os homens e mulheres de amanhã”. Acho que a preocupação deveria ser geral. Porque aconselhar, indicar e não proibir é algo que se pode fazer – só que isso apenas funciona enquanto os adolescentes estiverem na nossa presença…
Portugal é o sexto maior consumidor de álcool da União Europeia. Todos os dias, há mais mortes causadas pelo álcool do que por outras drogas, sendo mesmo a primeira causa de morte entre os jovens, se juntarmos as doenças que lhe estão associadas e os acidentes por ele causados.
No que diz respeito à juventude algarvia, e a todos os outros jovens que nos visitam (nas férias da Páscoa, e no Verão as bebedeiras são monumentais) para além das campanhas a nível nacional, é preciso que as Autarquias e Associações de Pais sensibilizem a juventude e os visitantes para hábitos mais sadios e conscientes bebendo com moderação. Mas, e também, os “comerciantes da noite” para que estes tenham alguma consciência (?) e deitem mão nos excessos que se praticam nos seus bares e discotecas a troco do ganho de alguns euros.

A juventude de amanhã, agradece (já hoje).