Cavaco fez meia volta quando já estava quase a chegar à escola António Arroio - a alegria que demonstrou no ano passado por ver estudantes a protestar na rua desapareceu. O ministro português das Finanças curvou-se ao lado do ministro das Finanças alemão - nem o facto de Schauble andar numa cadeira de rodas retira à imagem dos homens a sussurrar qualquer coisa de emblemático. O Governo mandou imprimir a 120 euros por exemplar um livro com o programa de Governo - o conteúdo pode não ser grande coisa mas o papel é do melhor. Passos Coelho foi apupado entre populares, e fez orelhas moucas... Marcelo continua na "sua saga" a caminho da Presidência... As suas intervenções na TV são sempre mais um momento de campanha. São só isso.
Há sempre uma aura triste no fim de um Carnaval. Por mais fingida ou plástica a alegria que tenha presidido aos dias de festejo do Rei Momo. As aparências todas estão reluzentes, mas por de trás dos nossos tímidos passos e sorrisos há uma angustia de preocupação com o futuro próximo. Os dias de festa são anestésicos da realidade. Desvios prazeirosos com fim à vista. Boas doses de felicidades concretas ou artificiais, que terminam. Existe um sentimento de negação do fim. Mas, (in)felizmente todo o Carnaval tem o seu. E como é duro e difícil encarar tudo o que (de bom) acabou... O que quer tenha sido. Encarar a quarta-feira de cinzas. O pior dia do ano. O mais depressivo e solitário. Há um contraste de comportamento, porque continuamos no caminho do calvário. Somos obrigados a pensar, a seguir em frente, sem saber bem para onde. A dar um jeito nas acções e na coragem para enfrenta-las.
Mas ao mesmo tempo o Carnaval serve para sorrirmos e gozar com o engraçado, o divertido das coisas, ainda que sub-entendidas nas entrelinhas... Contemplar a felicidade na cara das crianças. A celebração dos momentos, das companhias com conversas cheias. Serve para não pensar durante minutos, horas, se possível. E sim, aproveitar a vida com o que resta de alegria. A ocupação numa bebida, as gargalhadas, da audição dos sambas que mais não são que alegres fados, embora os verdadeiros sejam cheios de ilusões perdidas. O samba de raiz; entenda-se Noel, Cartola, Nelson Cavaquinho, entre tantos outros, podiam ser Amália, Marceneiro ou Hermínia Silva, porque são a manifestação dos sentimentos sinceros, das agruras e das satisfações vividas.
Portanto, deparamos-nos com a tristeza. Não há como fugir dela. Ela também é essencial, tanto quanto a alegria. Então, há de se prestar atenção estritamente ao que nos acontece em redor, para facilmente chegar-mos à conclusão que desde sempre vivemos num país carnavalesco em cada dia que passa.
- Quanto é que ganha um caluniador de serviço? O CM continua a ser um jornal de "pérolas" jornalísticas, ao serviço do Curral das Freiras. Comento dois excertos de duas entrevistas que me vieram parar às mãos, enquanto sentado numa sala de atendimento público. Na 1ª. entrevista, li: CVM – O João Miguel Tavares decreta “um adeus sem saudades a Pinto Monteiro”, o Procurador-Geral da República…
JMT – Porque ele deu uma entrevista quase de despedida, de final de mandato, à Judite de Sousa. Eu não gostei nada da entrevista, mas ao mesmo tempo tinha aquele saborzinho bom de “oh, pá… acho que é a última vez que o vou estar a ouvir…”. E portanto eu gostei muito disso. Ele disse: “quero ser relembrado como um beirão de coragem”. Ele como beirão acho que vai ser relembrado, como de coragem é que duvido.
João Miguel Tavares é um caluniador profissional: alguém que é remunerado por órgãos de comunicação social para, entre outros serviços menores, caluniar. Deve a Sócrates a melhoria do seu nível de vida, tendo sido contratado pelo Correio da Manhã como vedeta antisocrática na sequência das calúnias que lançou contra um cidadão e contra um primeiro-ministro. Calúnias sem alcance legal, como se descobriu desde o arquivamento pelo Ministério Público do processo movido por Sócrates até ao acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, passando pelo Tribunal de Instrução Criminal. Mas calúnias com alcance moral, fazendo parte das campanhas de assassinato de carácter que invadiram a comunicação social a partir do episódio OPA da PT e imediata alteração da linha editorial do Público, iniciando-se uma vingança em registo de caça ao homem que iria ocupar a enorme maioria dos publicistas até às eleições de 2011.
Nesta passagem, atacando Pinto Monteiro continua Sócrates a ser o seu alvo obsessivo. O caluniador declara que o Procurador-Geral da República não foi corajoso ao longo do tempo em que exerceu as suas funções. As razões de tal opinião não foram sequer enunciadas, mas, com uma probabilidade que ultrapassa os 200%, o caluniador estará a falar dos casos que envolveram Sócrates. A ideia que deixa implícita é a de que algo terá ficado por fazer, precisamente aquilo que a aludida coragem levaria a ter sido feito. E era o quê? Levar Sócrates a tribunal, claro, usando os abundantes pretextos que foram recolhidos por tanta gente, onde se incluem o casal Moniz, os magistrados de Aveiro e o Pacheco Pereira.
O caluniador tem direito a conceber o Estado de direito como aquela coisa que mete na cadeia aqueles que o caluniador odiar, haja ou não provas. Podemos até considerar que o caluniador tem direito a fazer disto a sua vida, fazendo-se cobrar pelo veneno que liberta das vísceras no espaço público. O que lamento, ou o que me falta perceber, é que não haja a oportunidade do caluniador levar até ao fim a sua valentia. Por exemplo, chamar cobarde a Pinto Monteiro cara a cara. Ou usar a sua coluna no Correio da Manhã, juntamente com a sua carteira de jornalista, para demonstrar que Pinto Monteiro é corrupto. Porque é isso, e nada menos do que isso, que o caluniador está a dizer no embrulho de um programa radiofónico supostamente humorístico.
Não existe a figura da coragem quando se trata de cumprir a Lei na presidência da Procuradoria-Geral da República – mesmo que se trate desse tipo especialíssimo de coragem ao gosto do caluniador oficial, a qual consiste em arrastar na lama certas pessoas até à destruição completa do seu bom nome e credibilidade política. O que existe é a responsabilidade de Pinto Monteiro, a sua palavra, a sua honra, aqui achincalhadas por mais um dos infelizes que utilizam a sua projecção mediática para envilecer a democracia.
Quanto ganha por mês este caluniador de serviço?
- Na 2ª. entrevista, esta com António Capucho - fundador do PSD e ex-Conselheiro de Estado, li... vá-se lá saber porquê, ele a dizer que Passos é obrigado a ser liberal... “Criticou duramente o anterior Governo por estar a destruir o Estado Social. Este Governo não está a seguir o mesmo caminho?
AC - Em defesa deste Governo, tenho de dizer que está a fazer aquilo a que o anterior Governo se comprometeu, que o País e o Estado se comprometeram. De facto, as prestações sociais baixaram em todos os sentidos, estamos numa situação muito difícil. Mas o Governo, quando abriu o armário, aquilo estava cheio de esqueletos.
- O PSD ainda é um partido social-democrata neste momento? As políticas que estão a ser aplicadas são sociais-democratas?
AC - Não, são perfeitamente liberais, como é óbvio. Nem podiam ser outra coisa. Ninguém que assuma o poder e queira cumprir o acordo com a troika pode assumir a social-democracia.
- Identifica-se com o partido?
AC - Não é o partido que está em causa no momento, é um Governo obrigado a pôr em prática um conjunto de medidas de feição manifestamente liberal.” (Entrevista ao Correio da Manhã)
Nós sabemos que "não é o partido"... E não há um que escape (mas eu pasmo sempre): o gosto da mentira e da rasteirice está-lhes na massa do sangue. Desta feita, trata-se de António Capucho, um homem do "aparelho" do PSD, "sá-carneirista", mas que está em todas, e dura... dura... dura... O ex-presidente da Câmara de Cascais, que (se demitiu) pensava ser escolhido para presidente da AR e possivelmente ainda pensa candidatar-se a PR... E até já foi deputado pelo Algarve durante algumas legislaturas sem que nesta Região alguém o conheça. Como pode António Capucho insistir na conversa dos esqueletos, insinuando serem dívidas escondidas pelo governo anterior, mesmo depois de tudo o que é instituição oficial, do INE à UTAO, passando pelo próprio ministério das Finanças e pela troika, o terem desmentido e estar mais do que confirmado terem os encargos com o BPN, a dívida oculta da Madeira, a quebra das receitas e os novos juros sido os responsáveis pelo agravamento do défice no ano passado?
Como pode defender o actual governo alegando que está obrigado a executar o que o anterior assinou (e eles não assinaram?), quando todos nós já ouvimos o próprio Passos dizer que o programa da troika é o seu programa (melhor, que fica aquém do dele) e que não o executa de modo algum contrariado? (atenção: havia jornalista nesta entrevista?)
Por último, como se atreve a deixar a ideia de que Passos e companhia possivelmente até queriam “assumir a social-democracia”, mas não podem deixar de ser liberais porque a troika não lhes dá outra hipótese? Isto é demagogia, cegueira, disparate puro ou poeira, supondo que está a dirigir-se a burros?
Dr. Capucho, defenda lá o seu partido e os seus correligionários, seja lá com que propósito for, mas com um mínimo de objectividade e decência (o senhor que, às vezes, até parece querer elevar-se acima da jovialidade/irresponsabilidade e mediocridade deste governo, como no caso de Fernando Nobre e no caso recente do Carnaval), de preferência com frases claras (nem sempre proferidas nesta entrevista), coerência e sem fazer dos outros parvos (nós, que nos conhecemos tão bem). Acredite que é um favor que fará - primeiro, a si próprio, e depois aos outros.
Carlos Ferreira







