Plano da China para desvalorizar o prémio teve o efeito contrário, considera Bernardo Pires de Lima. Um dissidente chinês afirmou que o prémio Nobel da Paz 2010, detido numa prisão na China, pediu a um actor norte-americano que leia em Oslo um comunicado intitulado: "Não tenho inimigos".A cerimónia simbólica de entrega do Nobel da Paz 2010 decorreu hoje em Oslo sem a presença do galardoado, o dissidente chinês Liu Xiaobo. Uma cadeira vazia acabou, assim, por assumir na cerimónia um grande simbolismo. Antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo, de 54 anos, está preso desde Dezembro de 2008. Foi condenado a 11 anos de prisão por "actividades subversivas", depois de ter sido um dos autores de um manifesto que reclamava a democratização da China.
Apesar da considerável pressão do regime chinês, representantes de mais de 40 países assistiram à cerimónia. Na análise de Bernardo Pires de Lima, o comportamento de Pequim teve o efeito contrário ao pretendido pela diplomacia chinesa. “A China queria desvalorizar e acabou por sobrevalorizá-lo, não permitindo a presença do laureado, fazendo pressão para que muitos dos diplomatas em Oslo não comparecessem, sobretudo países com os quais a China tem grandes relações económicas." Para este analista, "o grande desafio chinês será saber se é possível garantir o desenvolvimento económico sem o respeito por direitos básicos, como são os de expressão, de associação ou de manifestação".
Pequim bloqueia acesso a sites
Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão por “actividades subversivas”, foi distinguido pelo Comité Nobel norueguês. O acesso aos sites da BBC, CNN e outros órgãos de informação ocidentais estava hoje bloqueado na China, numa aparente tentativa do Governo chinês de diminuir o impacto da cerimónia em honra do Nobel da Paz 2010. Organizações de defesa dos direitos humanos afirmaram que nos últimos dias, “dezenas ou centenas” de dissidentes chineses ficaram em prisão domiciliária, sem contactos telefónicos com o exterior, ou foram impedidas de viajar para fora da China. A vigilância policial é especialmente apertada nas imediações da casa de Liu Xiaobo, onde a sua mulher, Liu Xia, esta retida desde que o Comité Nobel norueguês anunciou a atribuição do Prémio da Paz ao marido, há dois meses.
“Numerosos veículos da polícia, identificados ou não, estavam estacionados perto da residência do casal, na zona ocidental de Pequim”, assinalou a agência France Press. As emissões da CNN e da BBC, captadas em muitos hotéis e condomínios de Pequim, são sistematicamente interrompidas quando os apresentadores dos noticiários se referem ao Nobel da Paz. O acesso ao site do Comité Nobel norueguês foi também bloqueado. Mais de 420 milhões de chineses estão ligados à Internet e alguns deles conseguem saltar a “Grande Firewall da China” através de uma VPN (virtual proxy network).
Liu Xiaobo, condenado em Dezembro passado a 11 anos de prisão por “actividades subversivas”, foi distinguido pelo Comité Nobel norueguês “pela sua longa e não violenta luta pelos direitos fundamentais na China”. Para o Governo chinês, o Nobel da Paz 2010 é “um criminoso condenado por ter violado a lei chinesa” e a sua distinção constitui “uma ingerência na soberania judicial da China”. A cerimónia de homenagem a Liu Xiaobo, em Oslo, está marcada para as 13h00 (20h00 em Pequim e 12h00 em Lisboa). A China apelou para o boicote da cerimónia, afirmando que “mais de cem países e organizações internacionais” apoiam a sua posição.
Prémio Nobel da Paz chinês envia comunicado a Oslo
Antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo está preso desde Dezembro de 2008, tendo sido condenado a 11 anos de prisão por “actividades subversivas”. Um dissidente chinês afirmou que o prémio Nobel da Paz 2010, detido numa prisão na China, pediu a um actor norte-americano que leia em Oslo um comunicado intitulado: "Não tenho inimigos". Nem Liu Xiaobo, nem a mulher vão poder participar na cerimónia de entrega do Prémio Nobel, na sexta-feira em Oslo, Noruega, afirmou na quarta-feira o dissidente chinês Xu Wenli à agência central de notícias de Taiwan.
No comunicado que será lido em Oslo, o Nobel chinês declara ter cumprido a sua responsabilidade social em defesa do direito de liberdade de expressão, assegurou Xu, que não explicou como recebeu notícias de Liu. “Tudo o que fiz foi inocente. Não me queixo, embora tenha sido acusado (pelo Estado)”, afirma Liu no comunicado, de acordo com uma citação de Xu. A liberdade de expressão é a base dos direitos humanos e a mãe da verdade, e a sua supressão equivale a pisar os direitos humanos, asfixiar a natureza humana e oprimir a verdade, sublinha o Prémio Nobel da Paz. O ódio prejudica a sabedoria e a consciência, enquanto a hostilidade envenena o espírito, acrescenta Liu no comunicado.
“Quando se fomenta uma luta cruel de vida ou morte, o espírito de tolerância e a natureza humana de uma sociedade são destruídas e o progresso em direcção à liberdade e democracia fica obstruído”, adianta. Entretanto, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução na quarta-feira em que homenageia Liu Xiabo e apela às autoridades chinesas para que libertem o dissidente. Antigo professor universitário e crítico literário, nascido em 1956, Liu Xiaobo, preso desde Dezembro de 2008 e condenado a 11 anos de prisão por “actividades subversivas”, foi distinguido pelo Comité Nobel norueguês pela “sua longa e não violenta luta pelos direitos fundamentais da China".