Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

domingo, 30 de março de 2008

DIREITOS HUMANOS

Marcados para morrer, pela hipocrisia dos súbditos de Sua Majestade!

Estranho silêncio paira sobre o processo de extradição de dois cidadãos Iranianos que pediram asilo humanitário em Inglaterra.
Um País bem nosso conhecido pelos seus excessos e costumes de libertinagem dos seus cidadãos, que se revela deste modo insensível, e hipócrita, ao subscrever os Direitos Humanos.

O Governo trabalhista britânico foi fortemente criticado pelo jornal "The Independent" por não conceder asilo político a dois cidadãos iranianos (um jovem homossexual e uma lésbica), que solicitaram por temerem uma condenação à morte no seu país. O último caso conhecido diz respeito a Pegah Emambakhsh, uma lésbica de 40 anos que fugiu para a Inglaterra depois da sua companheira ter sido condenada ao apedrejamento no Irão.

Agora, mais de 60 deputados britânicos enviaram um pedido ao primeiro-ministro, Gordon Brown, no qual lhe pedem que se detenha na decisão de deportar Mehdi Kazemi, um homossexual de 19 anos. Kazemi fugiu para a Holanda depois de o Ministério do Interior britânico negar o seu pedido de asilo político no ano passado, e o seu caso está actualmente nas mãos da Justiça holandesa, que deverá decidir se o devolve ao Reino Unido.
"De regresso ao Reino Unido, o jovem gay expõe-se ao risco de ser deportado para o país onde o seu companheiro já foi executado", informa o jornal.

Os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais indicam que há dezenas de pessoas com essa orientação sexual a serem executadas no Irão (foto ao lado), e outros que solicitaram asilo no Reino Unido por temor a sofrer perseguição caso voltem ao Irão. Pegah Emambakhsh chegou ao Reino Unido em 2005, depois de sua companheira ter sido detida pela Polícia de Teerão.
De acordo com a legislação islâmica iraniana, as lésbicas declaradas culpadas de relações sexuais podem ser condenadas a 100 chicotadas, mas, ao terceirodelito desse tipo, a condenação consiste na sua execução. Emambakshsh esteve a ponto de ser deportada em agosto, mas os parlamentares convenceram o Governo a deixá-la por enquanto no país até que se explorasse as diferentes possibilidades de recurso legal contra sua expulsão do país.

No mês passado, o Tribunal de Apelações rejeitou a solicitação que tinha apresentado para uma audiência sobre seu caso. Emambakhsh declarou-se muito "decepcionada" com essa decisão, mas afirmou que recorreria ao Alto Tribunal.
A eurodeputada Sarah Ludford, porta-voz do grupo a favor dos direitos dos homossexuais e lésbicas do Parlamento Europeu, escreveu à ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, pedindo-lhe que revise o casode Kazemi. "Jacqui Smith deve reconhecer e agir levando em conta a ameaça de perseguição e execução à qual estaria exposto Kzami caso ele seja deportado ao Irã", disse Ludford.

Mehdi Kazemi deslocou-se a Londres para estudar inglês em 2004, e durante a sua estadia na capital foi informado de que o seu amigo tinha sido detido pela Polícia iraniana sob a acusação de sodomia e enforcado. Numa conversa por telefone com o seu pai, que está em Teerão, Kazemi soube que o seu amigo antes de ser executado (foto acima), e torturado pela polícia iraniana, ao ser-lhe perguntado nomes de seus ex-namorados, ele, sob tortura, tinha deixado escapar o seu. Cinicamente, o Ministério do Interior britânico argumentou que em todos esses casos, que se os iranianos forem discretos sobre a sua homossexualidade, não serão perseguidos pelas autoridades do seu país.
Os ingleses, que até têm soldados seus naquelas paragens, e que urinam sobre as fotos dos ayatolahs... (foto ao lado), parecem esquecer que, deportar uma pessoa para um país onde ela será executada sem ter cometido nenhum crime, numa óbvia violação dos direitos humanos, é condená-la à morte antecipadamente.

E, mesmo que o Ministério estivesse certo no seu presuposto (hipócrita) - de que "se a pessoa é 'discreta' ela não sofrerá perseguição" (um verdadeiro absurdo!) - nesse caso, e ainda em Inglaterra os dois já estão a ser perseguidos e, pelo que se entende, marcados para morrer.

sexta-feira, 28 de março de 2008

INTERNACIONAL

O terrorismo e o exemplo Australiano

A Austrália é só o maior país da Oceania, ocupando todo o "continente australiano", e várias ilhas adjacentes. O continente-ilha, como a Austrália por vezes é chamada, é banhado pelo Oceano Índico e, tem fronteira marítima com a Indonésia, Timor-Leste e Papua-Nova Guiné, Nova Caledónia e a Nova Zelândia. Muitos deles são muçulmanos.

A capital do país é a cidade de Camberra. Tornou-se independente do Reino Unido em 1910, tem uma população de 21,152 milhões de habitantes, sendo o 53º país mais populoso do mundo. O PIB per capita é de US$32,220, o 15º. maior no mundo A Austrália faz parte do continente mais novo do mundo - a Oceania. Apesar de ser habitada por aborígines há mais de 40.000 anos, somente há 2 séculos se iniciou a sua colonização por europeus. Geograficamente para o mundo a Austrália era um continente invisível, uma vasta terra que estranhamente foi desconsiderada pelos cartógrafos sem nada que justificasse a sua ausência nos mapa-múndi.
Segundo algumas versões, portugueses e holandeses, bem como outros povos, passavam ao largo da costa e, no entanto, nunca acharam convidativo efectuar uma colonização. Foram os ingleses que em 1770 se atreveram a isso. No começo, esta era feita apenas com o objectivo de "esvaziar" as cadeias britânicas. Os condenados, após cumprirem a sua pena já em solo australiano, recebiam uma pequena parcela de terra e ficavam por lá, não regressando ao Reinno Unido. Isso, desde que não houvessem habitantes nativos nelas. Assim, aos poucos foi-se ampliando o domínio dos ex-saqueadores ingleses naquele vasto e desprotegido continente, até que por volta de 1950 o censo mundial estimou a população australiana em menos de 5.000.000 habitantes.

O país é hoje uma nação moderna e multicultural que recebeu, e recebe, imigrantes desde o processo de colonização europeia com início de forma efectiva e duradoura no século XVIII pelo Reino Unido. Por isso, a maioria étnica da população é de origem britânica, porém é significativa outras minorias étnicas como irlandeses, gregos, asiáticos e árabes. A Austrália tornou-se independente do Império Britânico em 1942, mas faz parte da Commonwelth (Comunidade Britânica das Nações) e o seu governo é uma monarquia parlamentista.

Vem tudo isto a propósito do recente discurso do ex-1º Ministro Australiano John Howard à Comunidade Muçulmana. A todos aqueles que querem viver de acordo com a lei do Sharia Islâmico foi-lhes dito muito abertamente para deixarem a Austrália, no âmbito das medidas de segurança tomadas para continuar a fazer face aos eventuais ataques terroristas. Aparentemente, o Primeiro Ministro John Howard chocou alguns muçulmanos australianos declarando que apoiava agências-espiãs encarregadas de supervisionar as mesquitas da nação.
E passamos a citar:
“...Os imigrantes não-australianos, devem adaptar-se. É pegar ou largar ! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do Australianos. A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua! A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas.
Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura. Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.
Este é o nosso país, a nossa terra, e o nosso estilo de vida, o oferecemo-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana, : 'O DIREITO de PARTIR.' 'Se não são felizes aqui, então PARTAM. Nós não vos forçámos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou.”
Foi este o recente e frontal discurso do 1º Ministro Australiano à comunidade Muçulmana. O mínimo que se poderia desejar, era que o resto da Europa – incluindo Portugal – seguisse o exemplo. Sem complexos de xenofobia nem arrivismos bacocos. Simplesmente como exemplo de uma cidadania no respeito pelos Universais Direitos do Homem.
Talvez entre todos os cidadãos do mundo livre, encontrássemos o meio de falar e espalhar as mesmas verdades. Por exemplo: a comissão Bouchard-Taylor deveria inspirar-se nesta declaração antes de qualquer outra. E que bom seria!
Indignação em Loulé

Para os tempos mais próximos, o Governo cancelou a concretização da Circular Norte para a cidade. “Lado-a-lado" os autarcas do PS e PSD manifestaram a sua indignação.

Durante a sessão camarária, os vereadores do PSD e PS da Câmara Municipal de Loulé votaram, por unanimidade, uma moção de indignação pelo facto do Governo, mais concretamente o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, ter relegado para segundo plano a construção da Circular Norte de Loulé, “uma via tão necessária quanto urgente para a população deste Município”. Neste documento, o executivo municipal justifica este descontentamento “pelo incumprimento do acordo estabelecido para a construção da Circular Norte de Loulé, pela decisão de adiar sine die a concretização de tão importante infra-estrutura rodoviária e pela permanente criação de falsas expectativas que se traduz num mero paliativo que fere a dignidade de todos os munícipes”.
Recorde-se que a concretização desta via estruturante para a cidade e para o Concelho foi um compromisso assumido pelo Governo na década de 90, como contrapartida pela instalação do Aterro Sanitário na Cortelha, e “durante anos foi objecto de inscrição orçamental no PIDDAC do Orçamento Geral do Estado”. Este processo sofreu alguns revezes ao longo do tempo, com vários protocolos e acordos de colaboração entre as Estradas de Portugal e a CCDRAlg, envolvendo várias administrações autárquicas, mas que nunca foram por diante.
Segundo os signatários desta moção, no passado dia 19 de Março, aquando da apresentação pública da requalificação da EN 125, em Loulé, ao ser questionado pelo presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, o Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Telecomunicações “referiu que esta empreitada esteve prevista para integrar o projecto ora apresentada (da EN 125) e numa atitude decisória de geometria variável não só a não incluiu como se prepara para anular o concurso de tal empreitada, que decorre desde Junho de 2006, remetendo-a para ‘melhor oportunidade’”.
Para os responsáveis do Município louletano, “os munícipes de Loulé sentem-se penalizados e injustiçados por uma decisão que não atende a uma reivindicação sua mais do que justa, quebrando um compromisso antes assumido e defraudando o seu esforço em prol da região”.Nesta moção é ainda sublinhado o facto de Loulé estar a ser “subalternizado” em relação a outros municípios algarvios como Faro, Olhão, Lagos, Albufeira, Monchique, Lagoa e Silves que irão beneficiar de um conjunto de intervenções ao nível da rede viária previstas fora da requalificação da EN 125. Loulé fica para depois...

quinta-feira, 27 de março de 2008

EXPOSIÇÃO

POR UMA VIDA MELHOR

Uma exposição que é o retrato da emigração portuguesa na década de 60 e 70 feita pelo fotógrafo que denunciou a miséria dos milhares de emigrantes portugueses que partiram para França em busca de uma vida melhor.

Pintor, poeta, escritor, activista social e fotógrafo, Gérald Bloncourt, 81 anos, traz pela primeira vez a Portugal a exposição "Por Uma Vida Melhor" – um retrato histórico do fenómeno social da emigração de portugueses para França, nas décadas de 60 e 70, que contém fotografias nunca publicadas do artista que denunciou em França e também um pouco por todo o mundo as condições indignas, de miséria e exploração que os emigrantes portugueses enfrentavam ao chegar a território francês.
Patente no Museu Colecção Berardo até 18 de Maio, "Por uma Vida Melhor" apresenta-se como um relato inédito e cru das condições indignas que os emigrantes portugueses enfrentavam assim que transpunham os Pirenéus.
Nascido no Haiti, em 1926, e amigo de Cartier Bresson e de Willy Ronis, Gérald Bloncourt fez, no final dos anos 50, uma série de reportagens sobre a emigração portuguesa em França. Esta exposição reúne cerca de 50 fotografias das que Bloncourt efectuou nessas reportagens, imagens que nunca chegaram a ser apresentadas ou publicadas.

Bloncourt trabalhava como repórter freelancer para vários jornais sindicalistas, e durante anos seguiu os “filhos dos grandes descobridores”, acompanhando a chegada dos emigrantes - crianças, mulheres e homens - que fugiam da ditadura de Salazar, ou das más condições de vida em Portugal.
Gérald Bloncourt interessou-se desde logo pelo fenómeno da emigração portuguesa em França, movido pelo seu activismo social que muito cedo, aos 19 anos, lhe valeu a expulsão do seu país natal, o Haiti.
Durante duas décadas, captou emigrantes portugueses instalados em bairros de lata em condições de miséria, e começou a denunciar a sua situação junto de uma imprensa militante deste tipo de causas, como o "La Vie Ouvrière", semanário da Confederação Geral do Trabalho, um poderoso sindicato francês criado em 1906.
A entrada nas fábricas pelas mais altas horas da madrugada, a exploração dos portugueses nos estaleiros de obra, barracas feitas com restos de materiais, crianças na fila da água, ou a brincar nas ruas enlameadas, ilustram uma realidade que Bloncourt testemunhou e que pode pela primeira vez ser apreciada em Portugal.
A exposição dá a conhecer as características do trabalho deste fotógrafo, sublinhando o seu olhar humanista, propondo ainda uma reflexão sobre a questão dos fenómenos de emigração/imigração.

REFORMA FISCAL

EMPRESÁRIOS ESPERAM E DESESPERAM

Os empresários do sector da hotelaria e restauração esperam que o Governo baixe impostos, nivelando pelo que se pratica na visinha Espanha.

Mais de 1.000 empresários, que se vão reunir nas Jornadas da ARESP - Associação da Restauração e Similares de Portugal na FIL, em Lisboa, aguardam, com grande expectativa, que o Primeiro Ministro lhes faça, pessoalmente, o anúncio da descida da taxa do IVA.
No momento em que é anunciado o sucesso da diminuição do défice das contas públicas, abaixo dos 3%, o Sector da Restauração e Bebidas, responsável pela alimentação de 10 milhões de portugueses, com uma grande componente de preços sociais, e de 30 milhões de visitantes estrangeiros, entende que estão reunidas as condições para repor a fiscalidade das empresas a nível de uma competitividade internacional.
A taxa do IVA, superior em 5% ao praticado na vizinha Espanha, tem obrigado ao encerramento de muitas empresas do Sector. O Sector da Restauração e Bebidas, que é responsável por 54,7% do total das receitas turísticas de Portugal, também está desnivelado em 7% relativamente à taxa do IVA do alojamento, que representando 16,3% das receitas turísticas, tem uma taxa de 5%.
Com o acentuar da crise económica, com o aumento dos preços dos produtos alimentares e das energias, com a diminuição do poder de compra dos consumidores, as empresas de restauração e bebidas que estão em crise há vários anos, não suportam mais o sacrifício, imposto pelo primado das finanças públicas sobre a economia real. É a qualidade dos produtos e serviços que está em causa.
Agora, reunidos em Congresso, os empresários esperam que o Primeiro Ministro lhes anuncie finalmente, e pessoalmente, a tão esperada, e justa, reforma fiscal do Sector. Que para alguns já vem muito tarde.

terça-feira, 25 de março de 2008

ALGARVE LITORAL

EN125: 11 Km requalificados

O anunciado projecto da Concessão Algarve Litoral vai requalificar 11 Km da EN125, em Albufeira, mas a cidade continuará estrangulada na sua principal entrada turística.

A Câmara Municipal de Albufeira recebeu o Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, a fim de apresentar a Concessão Algarve Litoral, e a requalificação da Estrada Nacional 125. No concelho de Albufeira, a requalificação da EN125 abrange 11 km e inclui, a implantação de Vias de Serviço em 1km na zona da Guia, Implantação de 3 novas Rotundas (Lagoas, Fontainhas e Pata de Cima), Requalificação entre o Zoomarine e o Nó da Guia e Tratamento Urbano da Travessia da Patã. A requalificação da EN125 contempla ainda a realização de um conjunto de intervenções específicas e direccionadas para o objectivo de reduzir significativamente os níveis de sinistralidade, nomeadamente em locais em que se registaram nos últimos 10 anos 16 vítimas mortais.
No âmbito desta concessão será ainda construído o troço da Estrada Nacional 395 (EN395) entre a Guia e Albufeira com 3,5 km e encontra-se dividido em 2 troços: um correspondente a construção de uma nova variante com 2,5 kms e outro, com 1,0 kms, relativo à beneficiação da actual EN395 entre o Parque de Campismo e a rotunda de acesso ao Centro de Saúde.
A variante a construir, com um perfil transversal tipo de 2x2 vias, inicia-se no nó entre o IC1 e a EN125, o qual irá ser totalmente reformulado, e termina numa rotunda a construir na EN395 existente junto ao Parque de Campismo, fazendo charneira com o projecto a cargo do Programa Polis de Albufeira.
Esta variante vai proporcionar, principalmente, ao tráfego proveniente da A22, do IC1 e da EN125 (Portimão) um acesso mais rápido a Albufeira, evitando que o tráfego tenha que utilizar o Nó de Vale Paraíso da EN125 actualmente bastante congestionado, e um troço da EN395 existente que apresenta características geométricas bastantes reduzidas. O secretário de Estado referiu a importância deste projecto de requalificação que no total da obra nos seus 273 km implica um investimento de 150 milhões de euros, e tem como principal objectivo a redução da sinistralidade. Este mega projecto terá início em 2009, prevendo-se a sua conclusão até ao final de 2010.

segunda-feira, 24 de março de 2008

HOLOCAUSTO


60 ANOS DEPOIS DE AUSCHWITZ

É uma questão de História lembrar que, após o término da 2ª. Guerra Mundial imposta por Adolfo Hitler, quando o Supremo Comandante das Forças Aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas da guerra nos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de documentos e fotos. Fez também com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos, e aí mesmo enterrassem aqueles mortos. E o motivo, ele explicou: "Que se tenha o máximo de documentação de toda esta barbárie - façam filmes - gravem testemunhos - porque, pode muito bem acontecer nalgum ponto ao longo da história, haver algum bastardo que se erga e diga que isto nunca aconteceu!".

"Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam". (Edmund Burke)

Relembrando
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares com a desculpa de que "ofendia" a população muçulmana, a qual afirma que o Holocausto nunca aconteceu... Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingir o mundo, e o quão facilmente cada país está a deixar-se levar por essa onda.
Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial. Esta notícia deverá ser lida em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos de fome e humilhados, enquanto a Alemanha e a Rússia olhavam para outras direcções. Agora especialmente, e mais do que nunca, com o Irão (entre outros) sustentando que o "Holocausto é um mito"... Que nunca aconteceu barbaridades como Auschwitz, Birkenau, Dachau, Mauthausen-Gusen, Buchenwald...
Torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça. A intenção, é que tudo isso seja recordado em memória, por 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

POLÍTICA NO SEU MELHOR

COMO SE FAZ UM MINISTRO!

Conta-se nos 'mentideros' do governo uma história deliciosa, que a ser verdade (nunca se sabe onde começa a ficção e acaba a realidade) revela bem todo o mundo e engrenagem que envolve a política.

O Primeiro Ministro tem, como todos devem saber, um assessor cultural. Trata-se de um típico intelectual luso, minimalista, de negro sempre vestido, triste, taciturno e crítico de todas as artes, em tempos assessor de... Manuel Maria Carrilho. Chama-se Alexandre Melo, pertence como não podia deixar de ser, ao lobby colorido do PM e é grande amigo de outro célebre crítico de arte, também de negro sempre vestido, cujo nome é António Pinto Ribeiro, antigo funcionário da Gulbenkian e hoje em dia da Culturgest. Sócrates telefonou ao seu assessor a quem pediu que lhe indicasse o nome de alguém para substituir a ex-ministra Isabel Pires de Lima no Ministério da Cultura e o seu assessor, sem hesitar, indicou António Pinto Ribeiro. Logo a seguir, o Melo telefonou ao amigo Pinto Ribeiro a quem preveniu que logo lhe telefonaria José Sócrates a convidá-lo para Ministro da Cultura. Exultaram os dois, e o indigitado futuro ministro ficou de olho e ouvido no telefone à espera de um telefonema que não havia maneira de chegar.
Entretanto, José Sócrates, no seu gabinete, solicita que o ponham em contacto com o Dr. Pinto Ribeiro. A telefonista procede com prontidão visto ter à mão uma lista de todos os funcionários superiores de todos os ministérios, um dos quais é o Dr. JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, advogado de formação e profissão, mas exercendo as funções de Presidente da Colecção Berardo no CCB, lugar para onde fôra nomeado por ter sido o advogado intermediário entre o Comendador Joe Berardo e o Primeiro-Ministro por alturas daquela escandalosa história de transferência da chamada Colecção Berardo para o Centro Cultural de Belém! Sócrates cumprimenta-o calorosamente e convida-o para Ministro da Cultura, julgando estar a falar com o outro Pinto Ribeiro, o tal de "agente cultural" que lhe havia sido calorosamente recomendado pelo seu diligente assessor cultural, Alexandre Melo.
Muito à portuguesa o interlocutor a quem por equívoco José Sócrates estava a convidar para Ministro da Cultura respondeu imediatamente que aceitava... "SIM SENHOR, E SEM FAZER QUALQUER PERGUNTA" a Sua Excelência, é claro.
Sócrates desliga o telefone e informa o assessor do facto de ter o Pinto Ribeiro aceite o convite. O assessor dá-lhe parte do seu regozijo e telefona logo a seguir ao amigo para o felicitar. Mas só nesta altura se apercebem ambos de como de enganos e desenganos a vida é feita em Portugal, a tal ponto é feita de ignorantes, trapalhões e imbecis a classe política.
Se assim foi, é uma delícia fazerem-se ministros neste País. Se não passa de ficção... ficará bem numa rábula de revista e, ao contrário de certas nomeações, não faz mal a ninguém.

Portugal dos pequeninos

Na semana do Natal passado, um cliente enviou um email para a VODAFONE a pedir o cancelamento do contrato. A resposta, seria para rir à gargalhada se não demonstrasse o quanto somos pequeninos e pouco profissionais.
Eis a cópia do que se passou:


Cancelamento de contrato- telefone 9145046??

Exmos. Senhores,

Por falecimento da V. cliente Maria Fernanda V...... de M....... Teles, no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.

Sem outro assunto,
Alda Teles

RESPOSTA DA VODAFONE

apoiocliente@vodafone.pt <mailto:%20apoiocliente@vodafone.pt> wrote:

Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.

Boas festas. Viva o momento, Now!

Paula Santos
Apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.

PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net <mailto:%20Heeellp@Yorn.net> mailto:Heeellp@Yorn.net >>.

NOVO EMAIL DO CLIENTE

-----Original Message-----
Sent: sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005 19:12 To:apoiocliente@vodafone.ptSubject
mailto: apoiocliente@vodafone.ptSubject

Re: Cancelamento de contrato- telefone 9145046??

Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.


SEM COMENTÁRIOS!

domingo, 23 de março de 2008

CINEMA

Filme da Páscoa: Juno - Uma história dos nossos dias

Dirão que se aprova que uma adolescente engravide e dê o seu bebé? Recomendo apenas que a gente abra os olhos e veja em Juno a história de multiplicadas situações dos nossos dias.

Os filmes são como as estações: sinais dos tempos. Por natureza, raramente comento livros ou filmes: estou do outro lado do balcão. Mas leio e escuto da parte dos profissionais, ou amadores, que pensam saber de tudo, demasiadas críticas sobre o assunto. Hoje, apenas dou a minha interpretação da humanidade expressa no filme Juno, candidato aos Óscares de Hollywood como melhor “Melhor Filme do Ano”. Original, provocador, às vezes irritante. Não me interessa se é ou não um "grande filme". Porquê só se assistir aos chamados grandes filmes e só ler as ditas grandes obras de livros?
Para os moralistas, Juno é sem dúvida o elogio da irresponsabilidade: uma adolescente americana engravida quase por acaso, é apoiada pela família, mas resolve entregar o seu bebé a quem julga que poderão ser bons pais. Para os convencionais, será improvável: uma quase-miuda passa pela prova extrema da maternidade, dá a criança, e tudo termina com ela e o namorado cantando num jardim florido. Mas o filme, tal como a adolescente Juno, é singular. Durante todo o tempo nós hesitamos entre castiga-la ou pegar-lhe ao colo. Solitária, ela caminha contra a corrente dos seus colegas nos corredores da escola, expondo-se aos olhares críticos. Surpreende por ser muito mais informada do que o habitual na sua idade. Nada convencional, mas vivendo num lar afectuoso, ela faz amor sem protecção e engravida. Mesmo apoiada pela família, resolve tomar por si as decisões: vai fazer um aborto numa clínica. Protegendo-se da emoção, com a típica arrogância dos assustados, ela fala do bebé como "a coisa" que ela simplesmente vai expelir.

Mas a natureza inclui sentimentos além de hormónios, ou faz hormónios manipular os sentimentos. Dando-se conta de que tem dentro de si uma pessoazinha, "com unhas", Juno desiste do aborto: vai dá-la ao que parece um casal ideal. Responsável, ela sabe que, com o seu namorado de 16 anos, não vai ter condições de criar um filho, e também não quer dar esse encargo à família. Com a bravata típica, ela insiste em que tudo é apenas um processo fisiológico, mas encanta-se quando vê a ecografia da criança, e a madrasta a faz comer comida saudável e lhe pede que não se chegue "perto do microondas".
A certa altura, o casamento dos candidatos à adopção desmorona-se. Primeira reacção nossa (minha): agora ela vai ficar com a criança, ou terá um caso com o futuro pai adoptivo. Mas – um dos seus encantos – o filme tem surpresas: observadora e determinada, vendo a candidata a mãe, já separada do marido, brincando amorosamente com uma criança, Juno decide entregar-lhe o bebé. A princípio impliquei com a cena final: depois de tudo, música, viola e flores? Mas um autor de ficção escreve o que quiser. Uma adolescente nada fútil entrega o seu bebé para adopção num gesto consciente, enquanto aprende a amar o pai dele, um garoto feioso que, segundo ela, é "o tipo mais legal de todos lá na escola". A vida segue: deseja-se que seja boa. Dirão que aprovo que uma adolescente engravide e dê o seu bebé? Não aprovo nem recomendo. Recomendo apenas que a gente abra os olhos e veja em Juno a história de multiplicadas situações dos nossos dias, que ele também é.
Por isso, este filme da Páscoa não ganhou a puritana estatueta de Hollywood.

sexta-feira, 21 de março de 2008

ECONOMIA

Crise vai chegar a produtores de leite portugueses

Parlamento Europeu aprova aumento voluntário de 2% das quotas leiteiras e deixa produtores nacionais preocupados com a futura liberalização do sector.

O Parlamento Europeu aprovou uma proposta que prevê que os Estados-membros da União Europeia possam aumentar voluntariamente em 2% as quotas de produção de leite a partir de 1 de Abril. O sistema actual deverá terminar em 2015 e dar lugar à liberalização do sector. As medidas não agradam aos produtores portugueses, que receiam uma baixa de preços e, em ultima análise, o fim da produção nacional.
O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma proposta da Comissão Europeia de aumento de dois por cento nas quotas leiteiras para a campanha de 2008/2009, como forma de fazer face à subida de preços dos lacticínios no mercado. Para satisfazer a crescente procura registada na União Europeia e no mercado mundial, a Comissão Europeia propôs em Dezembro de 2007 um aumento de 2% nas quotas leiteiras a partir de 1 de Abril de 2008, o que se traduzirá num total de 2,84 milhões de toneladas, distribuídas equitativamente pelos 27 Estados-Membros.
O PE propôs que as quotas dos estados-membros sejam aumentadas “numa base voluntária”. A partir de 1 de Abril, Portugal pode assim aumentar voluntariamente a sua produção de leite em 38.971 toneladas - para 1.987.521 toneladas.
A Comissão Europeia também já fez saber que pretende liberalizar em 2015 o sector do leite através do fim do sistema de quotas, o que levou vários países, entre os quais Portugal, a defender um período de transição para preparar o mercado e proteger os pequenos produtores.

quinta-feira, 20 de março de 2008

TELEMÓVEL AO SERVIÇO DE SURDOS

Projecto pioneiro cria linha de emergência

A Associação de Surdos do Algarve (ASA) e o Governo Civil de Faro assinaram um protocolo para a criação de um serviço pioneiro a nível nacional. Trata-se do Projecto Regional “SMS-Voz”, activado desde as 14h00, que permitirá à comunidade surda aceder a uma linha de emergência via telemóvel, através do número 91 112 000.

Durante a cerimónia de assinatura, traduzida em língua gestual e presidida pela Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, a Governadora Civil de Faro considerou que a criação deste novo serviço, a que se associou a Vodafone, constitui “mais um passo para a igualdade de oportunidades para todos”. Isilda Gomes realçou ainda o papel da ASA na concretização deste projecto. “Alertaram-nos para um problema que provavelmente muitos de nós ainda não nos tínhamos apercebido, mas que era de facto limitativo para um grande número de pessoas. Era inaceitável que não existisse um serviço disponível para a comunidade surda aceder ao sistema de socorro e emergência quando esse é um direito de todos os cidadãos”, referiu a Governadora Civil, frisando a intervenção da Secretária de Estado Idália Moniz, na aplicação das políticas do Governo em prol das pessoas portadoras de deficiência.
O Projecto Regional SMS-Voz, que para o presidente da ASA, Bruno Brito, representa um “compromisso muito importante para a comunidade surda”, consiste na instalação de um telemóvel no Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro (CDOS), que funcionará durante 24 horas. O equipamento está acessível a todas as pessoas com problemas ao nível da comunicação, que podem transmitir um pedido de auxílio através de uma mensagem escrita a qual, de acordo com uma tipologia estipulada, identificará a respectiva situação de emergência e permitirá ao CDOS reencaminhar os pedidos para as entidades competentes. A recepção da mensagem enviada será sempre confirmada pelo operador de serviço.
De acordo com a Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, este projecto, que permite derrubar mais uma barreira e criar uma nova acessibilidade, será alvo de uma avaliação permanente com vista ao seu alargamento a todo o País, podendo mesmo via a ser adoptado por outros Estados Membros da União Europeia. “Passo a passo vamos conseguindo construir os alicerces para que, pessoas com capacidades diferentes, possam aceder a todos os bens e serviços, dando assim cumprimento à igualdade de oportunidades para todos” referiu Idália Moniz, para quem deve ser a sociedade a adaptar-se aos cidadãos e não o inverso.

quarta-feira, 19 de março de 2008

POLÍTICA NACIONAL

COMO NUNCA ANTES, ATÉ HOJE

ABRIU A CAÇA AO VOTO:
Sócrates promete investimento sem precedentes no plano tecnológico da educação

A Lusa divulgou uma nota onde o primeiro-ministro afirmou que haverá nos próximos anos um investimento sem precedentes no plano tecnológico para a educação, num discurso em que criticou os resultados das políticas educativas dos governos anteriores, incluindo os de Guterres.
José Sócrates discursava no Convento do Beato, em Lisboa, no final de uma cerimónia de assinatura de acordos entre o Governo e 30 empresas de tecnologias de informação e comunicação (TIC) para a abertura de 300 estágios ao nível do ensino profissionalizante.
Na sua intervenção, feita de improviso, o primeiro-ministro defendeu os resultados das políticas educativas nos últimos dois anos - atribuindo o "sucesso" de haver aumento de alunos e mais sucesso escolar à escola pública e aos professores" - e prometeu que, nos próximos anos, haverá investimento no plano tecnológico da educação "como nunca foram feitos até hoje".
Segundo Sócrates, já no próximo ano lectivo, as escolas terão um aumento da velocidade da Internet em banda larga de 40 para 100 megabytes, as salas estarão equipadas com quadros electrónicos interactivos e, a prazo, o objectivo é ter um computador por cada dois alunos.
Para o reforço da segurança nas escolas, o primeiro-ministro referiu que continuará a ser desenvolvida a videovigilância e os estudantes passarão a pagar todas as suas despesas dentro da escola com o cartão de aluno. "Ainda este ano será lançado o concurso para a requalificação de mais de 30 escolas secundárias. Queremos escolas de vanguarda em todo o país", declarou Sócrates, numa cerimónia que contou com a participação dos ministros da Educação, das Obras Públicas, da Economia e do Ambiente, além de cinco secretários de Estado.

REQUALIFICAÇÃO DA EN 125

INFAME É... O MINISTRO JAMÉ

No seu novo afã político, Mendes Bota anda “sob brasas” e reage às declarações do ministro Mário Lino sobre a requalificação da EN 125

Reagindo às declarações do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, feitas no contexto da sessão de propaganda do governo, realizada no Algarve, para anunciar as obras de requalificação da EN 125, o Vice-Presidente do PSD, e líder da Distrital do Algarve, Mendes Bota, declarou: “A requalificação da EN 125, agora anunciada como Concessão Algarve Litoral, é necessária e é urgente. Já vem tarde. Perderam-se demasiadas vidas, e este Governo tem a responsabilidade maior por este atraso. O investimento previsto de 150 milhões de Euros é bem-vindo numa região onde o Estado parou de investir há 3 anos. Mas os algarvios não se deixam iludir. É para gastar em três anos (2008-2009-2010), o que fica reduzido a 50 milhões por ano. O PIDDAC para o Algarve, em 2003, era de 333 milhões de Euros. Para 2008 estão inscritos no Orçamento de Estado apenas 95 milhões de Euros".
Sem contemplações, o líder do PSD/Algarve e membro do Concelho Nacional daquele Partido, acusa o Partido Socialista de ter vencido as eleições de 2005 no Algarve, “estribado num conjunto de promessas, entre as quais, a de que a Via do Infante não teria portagens ‘nunca, jamais, em tempo algum’. Agora, questionado sobre a intenção de introduzir portagens na Via do Infante, o Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Mário Lino deixou escapar: 'Portagens, para já, não!'. Para seguidamente ironizar que não poderia garantir a sua não colocação até ao século XXII".

“Este Ministro não é garante de coisa nenhuma!”

Mendes Bota diz que "ainda não foram esquecidas as suas declarações na audição da Comissão de Obras Públicas da Assembleia da República onde, em 18 de Maio de 2005, a propósito da introdução de portagens nas SCUTS (incluindo a Via do Infante), Mário Lino afirmou que isso ‘é tão certo como a morte!’ Ficará para a história a sua monumental inversão de posição, que conduziu à decisão de aeroporto internacional de Alcochete Jamé... Este Ministro das Obras Públicas não é garante de coisa nenhuma!
Mas o Engenheiro Mário Lino foi mais longe, proferindo acusações ao PSD e à sua direcção completamente desajustadas, e falsas, que aproveito para esclarecer. O PSD/Algarve, e eu próprio, somos frontalmente contra a colocação de portagens na Via do Infante".
Mendes Bota relembra que “ainda há seis meses atrás, o actual Presidente do PSD em discurso proferido na Quarteira, deixou explícita a sua oposição à implantação de portagens na Via do Infante, atendendo ao facto de esta ser, em mais de metade do seu traçado, muito anterior ao modelo SCUT inventado pelo governo de António Guterres, de não possuir todos os requisitos técnicos de uma auto-estrada, e de a EN 125, mesmo depois das obras de requalificação, nunca poder constituir uma verdadeira alternativa à Via do Infante, na principal região turística do País”. Na sua opinião, a acontecer a colocação de portagens na Via do Infante, isso seria um desastre para a fluidez do trânsito na zona mais litoral e habitada do Algarve, avisando que “o Ministro das Obras Públicas não tem o direito de faltar à verdade, e de colocar no PSD qualquer intenção de defender a colocação de portagens na Via do Infante. É uma infâmia que desminto categoricamente.”

terça-feira, 18 de março de 2008

BANCA

Eles comem tudo...

O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos, aposentando os seus administradores, ainda que efémeros, com «obscenas» pensões, vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos.

De um leitor devidamente identificado, recebemos um curioso email que passamos a divulgar: "A Caixa Geral de Depósitos (CGD) enviou recentemente aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária e os governantes deste país que pretendem explorar.
A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em «oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços», incluindo no que respeita «a despesas de manutenção nas contas à ordem».
As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre «racionalização e eficiência da gestão de contas», o «estimado/a cliente» é confrontado com a informação de que, para «continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção», terá de ter em cada trimestre um «saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras» associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal.

É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR 343,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio de EUR 3,57 (três euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social. Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar «despesas de manutenção» de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria.
O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões, a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma sordície vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade.
Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia socialista, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso a quem se aplicam como uma luva as palavras sempre actuais do poema de Zeca Afonso, « Os Vampiros»:

«Eles comem tudo / eles comem tudo / eles comem tudo e não deixam nada.»

domingo, 16 de março de 2008

SAÚDE

DEIXAR DE FUMAR?


Se fuma, experimente mudar alguns dos seus hábitos e enfrentar duas semanas decisivas

Todos sabemos o sacrifício que é exigido, porque os primeiros 15 dias após a decisão de deixar de fumar são os mais difíceis, em que há maiores probabilidades de recair. Mas se mudar os hábitos, talvez tudo seja um pouco mais fácil... E não custa experimentar.

A influência do consumo de tabaco na saúde está mais do que provada. A dificuldade de mudar os hábitos também. Por isso é necessário uma consciencialização gradual e compreensiva até que se consiga o efeito desejado: reduzir o consumo ou deixar de fumar totalmente. “Para chegar a esse estado, e não recair, há que ir, aos poucos, alterando os comportamentos habituais e rituais para que na altura decisiva não seja tão problemático largar o cigarro”, aconselha Cecília Pardal, médica pneumologista responsável pela consulta de cessação tabágica do Hospital Fernando Fonseca e ex-coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
Esta médica especialista, deixa uma série de dicas e conselhos aos fumadores que querem deixar de fumar: “o fumador que queira deixar de fumar deve mudar os seus rituais e hábitos associados ao cigarro e ao acto de fumar. Por exemplo, deve alterar os locais onde habitualmente fuma, como o carro, o sofá ou ao computador; se fuma com a mão direita, deve alterar para a mão esquerda; sempre que tem vontade de fumar, deve tentar adiar o cigarro o máximo de tempo que conseguir. Dificultar o acesso ao tabaco e, quando sai, não levar consigo o lume são algumas das medidas que ajudam a ultrapassar a dependência”.

Também se devem evitar situações que lembram os cigarros, como as festas, reuniões stressantes ou estar com o grupo de amigos que todos fumam, são outras das atitudes que se podem adoptar, bem como reduzir o consumo de álcool e do café, sendo sabido que os cigarros mais difíceis são os que fumamos a seguir ao café ou a seguir às refeições. Devem ter ainda sempre as mãos ocupadas, com uma caneta ou o telemóvel e mastigar pastilhas ou rebuçados sem açúcar.
A médica pneumologista diz ainda que “Diário do Fumador” pode ser uma grande ajuda nesta jornada, pois aqui o fumador pode apontar a que horas fumou, o motivo e se esse cigarro valeu de facto a pena. Muitas das vezes a pessoa percebe que fuma muitos cigarros sem reparar e esses são os mais fáceis de eliminar. É ainda importante pedir apoio aos familiares e amigos, para serem mais compreensivos caso fique mais irritável. Falar com ex-fumadores sobre as dificuldades sentidas também pode ajudar. Como actividade complementar, o exercício físico pode ser uma grande ajuda, pois além de ocupar o tempo e fazer esquecer o cigarro, evita o aumento de peso que pode estar associado á cessação tabágica.
É caso para dizer: Pela sua saúde, não fume!

CIÊNCIA

As células-tronco e os novos pecados

Menos de uma semana depois de ter tido conhecimento que um estúpido acidente em Faro, tinha deixado tetraplégico um jovem universitário de 18 anos, abro o jornal, e leio: "Manipulação genética e poluição são pecados modernos, diz Vaticano".

Tal como aconteceu com Galileo Galilei, mais uma vez, a Igreja Católica mostra-se contrária aos avanços da ciência em nome de um fundamentalismo que afasta cada vez mais crentes das suas práticas religiosas.
Hoje, já não se trata do eixo da Terra, neste caso, está em causa o futuro das pesquisas com células-tronco embrionárias que pode ajudar não só a salvar muitas vidas, como a repor no seu lugar aquelas que um triste acaso do destino ajudou a destruir, como o caso de todos aqueles que ficam tetraplégicos ou sofrem de doenças incuráveis como a parkinson.
Todos se lembram que dois grupos de pesquisadores, do Japão e dos Estados Unidos, reportaram recentemente que as células adultas - da pele, por exemplo - poderiam ser reprogramadas para se comportarem como as embrionárias. Para isso seria necessário inserir um vírus com quatro genes específicos e teoricamente essas células iriam adquirir as mesmas características das embrionárias. Sabemos que isso não é verdade. Além do risco de tumores, células adultas reprogramadas acumulam inúmeras mutações patogénicas. E por isso é tão importante continuar as pesquisas com células-tronco embrionárias "verdadeiras".
Mas os opositores às pesquisas com células originárias de embriões festejaram o anúncio dos pesquisadores Thomson e Yamanaka. Não será mais preciso destruir embriões, afirmavam categoricamente. "Células adultas reprogramadas são melhores que as embrionárias", repetiam os defensores de embriões congelados. E de repente, lê-se o pronunciamento do bispo Gianfranco Girotti, segundo o qual, manipulação genética transformou-se num novo pecado. Ora, o que é a reprogramação de células adultas senão um exemplo típico de manipulação genética? Ou a terapia génica, que tenta corrigir defeitos nos genes causadores de doenças? Essas pesquisas também serão proibidas?

Por que a pesquisa é tão importante

Em Portugal, quer no Parlamento, quer no meio científico, quase não se assiste a qualquer tipo de discussão cujo tema sejam as investigações sobre o destino das células-tronco embrionárias. O tema é “tabu” de tão complexo que parece ser para os nossos (poucos) pesquisadores e cientistas.
Será que as células-tronco serão condenadas a ficar presas para sempre nos embriões congelados ou serão libertadas para revelar o que podem fazer pela ciência e pelo futuro da medicina?
A exemplo do que acontece noutros países, seria importante que, os nossos parlamentares aprovassem uma “Lei de Biossegurança”, que permitisse as pesquisas com células-tronco derivadas de embriões congelados há pelo menos 3 anos, desde que haja o consentimento dos genitores. Esses embriões são aqueles resultantes de fertilização "in vitro", que sobram nas clínicas de reprodução ou porque os seus genitores não querem ter mais filhos ou porque são inviáveis para implantação.
É importante deixar claro que esses embriões nunca serão transferidos para um útero e portanto se não forem utilizados ficarão congelados para sempre. Em vários países, a aprovação da Lei de Biossegurança foi muito festejada pela comunidade científica e teve grande repercussão internacional. Mas, tal como no Vaticano, há quem não compartilhe dessa alegria, e seja contra o contra o uso de células-tronco embrionárias, alegando que essa prática viola dois princípios éticos: o que garante a dignidade da pessoa (no caso o embrião) e o que define que a vida é inviolável. Esta tese pressupõe que todo embrião congelado em um tanque de nitrogénio seja "uma pessoa viva". Assim esse conjunto de oito células, muitíssimo menor que o buraco de uma agulha de injecção (esse é o tamanho de um embrião congelado), teria – por esses argumentos – os mesmos direitos que qualquer um de nós. Para resolver essa questão, há países que decidiram fazer uma audiência pública para ouvir os dois lados da questão: os cientistas a favor e contra essas pesquisas.

Entenda o que está em jogo e participe

As pessoas que se manifestam contra a investigação e manipulação desses embriões (conjuntos de oito células) costumam perguntar: por que é tão importante a realização dessas pesquisas? Por que não utilizar somente as células-tronco adultas? A resposta é simples: somente as células-tronco embrionárias têm o potencial para formar todos os tecidos do nosso corpo, 216 ao todo. Um potencial que as células-tronco do cordão umbilical conseguem formar músculo, osso, cartilagem e gordura. Mas elas não conseguem formar células nervosas funcionais que são fundamentais para recuperar pacientes afectados por doenças neuromusculares, doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson ou pessoas com medula lesionada, que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas.
Se as pesquisas forem proibidas, isso impediria uma única linha de pesquisa no tratamento da degeneração de órgãos. Será que já entenderam que o maior objectivo dessas pesquisas é justamente esse: a regeneração de tecidos e, no futuro, de órgãos em degeneração, não funcionais ou que foram destruídos num acidente?
Dois anos e meio de pesquisas desde a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, só confirmaram que elas são fundamentais. Ainda temos muito a aprender com elas. Essa é a posição das Academias de Ciências de 67 países, das nossas sociedades científicas e de milhões de pessoas que poderão no futuro se beneficiar dessas pesquisas. E mesmo sem ser cientista, você também pode participar dessa discussão. Se concordar connosco, assine a petição no link:
O seu apoio pode ser muito importante para convencer a comunidade que a não aprovação dessa lei representaria um retrocesso irreparável para a ciência e para o futuro da medicina nos países onde o Vaticano impõe a sua negativa influência com a “aprovação” de “novos pecados”. Que Deus lhes perdoe, mas não podemos deixar que isso aconteça!

quarta-feira, 12 de março de 2008

CRÓNICA DA CHORADEIRA

De “boas intenções” está o Inferno cheio

O desígnio dos nossos avós passou pelo fim das guerras mundiais. O dos nossos Pais, suspirando pelo fim de um regime fascista que conduziu a uma guerra colonial, dizimando a juventude que lutava pela tentativa de uma sociedade mais justa. A nós, compete-nos combater esta inércia que se instalou numa sociedade embebedada pelo PREC – do qual continuamos a pagar a ‘factura’, mas sobretudo combater a corrupção que nunca acabou, o descontrolo das contas e políticas governativas pós 25 de Abril, a total ausência de uma identidade social e solidária, e encontrar definitivamente uma missão e um destino para este País.
Falta fazer tudo? Não, mas quase.

Com tudo o que vem acontecendo, não sabemos bem o que nos reserva o futuro, com a evolução do resto do mundo, mas de uma coisa tenho a certeza: receamos a poluição ambiental, a fome e a pobreza, o terrorismo e a guerra. Tudo isso, porque não podemos confiar cegamente nos governos, nem no sistema de Justiça, nem na isenção Partidária face aos reais e verdadeiros interesses do País. Continuamos habituados à política do ‘deixa andar’, da cunha e do abstencionismo, enfiando a cabeça no chão, e esperar que as coisas acalmem. E na Justiça, que os processos e crimes onde figuras públicas e políticos estejam envolvidos não cheguem ao seu fim.
Tal como antes do 25 de Abril, continuamos a ver neste País endividado, demasiados jovens talentosos a querer sair na busca de horizontes, e sentimos que a fasquia já está demasiado em baixo. Desejamos uma sociedade de pessoas, honestas, responsáveis e independentes, e gostaríamos sobretudo de poder ter mais filhos e de os poder educar e criar num ambiente saudável, de segurança e verdadeiramente Europeu, não só de ‘fachada’.
Os nossos avós sempre disseram - ou dizem, que a vida é demasiado curta. Então, quanto tempo mais vamos deixar passar? E afinal… de que estamos à espera?
Quando chegar o momento, através do voto, todos nós devemos propor um modelo de governação onde se responsabilize os eleitos perante os eleitores num “cara-a-cara” em que se conheçam as pessoas em quem votámos, e delas possamos saber o que fazem com o nosso voto na execução das promessas eleitorais que nunca são cumpridas, com partidos políticos que produzam ideias e os projectem na sociedade. Temos de exigir modelos de gestão na administração pública assentes em princípios e valores da frugalidade, transparência, mérito e responsabilidade ao nível das compras, vendas, concursos públicos, obras, licenciamentos, e recrutamento de pessoas.
Na jurisprudência, é necessário implementar rapidamente um modelo de justiça rápido, eficaz e conclusivo, com penas mais pesadas para os criminosos, sem qualquer possibilidade de escapatórias, que imprima confiança no cidadão, procurando mais investimentos públicos na qualidade da Justiça, mas igualmente nas Escolas, Hospitais e protecção do ambiente, sem esquecer a tónica dos investimentos públicos na reflorestação do País.
Mas também não podemos ignorar a necessidade de maiores investimentos e uma maior participação pública nas áreas da investigação oceanográfica com vista a uma mais eficaz protecção ambiental, também com cidades mais limpas e equilibradas na protecção do seu território, com o desenvolvimento de fontes de energia limpa.
São efectivamente importantes os investimentos públicos em novos aeroportos e comboios ultra rápidos. Mas só depois de outros problemas mais importantes estarem resolvidos, como um salário mínimo nacional honesto, cuidados sérios com a Saúde, a Segurança Social e um generalizado apoio aos cidadãos seniores, com reformas condignas para a terceira idade, que para português bem entender, se devem chamar de idosos. Para quê escamotear uma realidade? Um país que não cuida de seus idosos, é uma terra sem alma.
É de facto muito importante que se pense ainda numa acentuada redução do numero de institutos e instituições publicas pagas com o dinheiro dos contribuintes. São demais os existentes, e cada governo eleito termina com dois ou três, para logo depois criar cinco ou seis. Precisamos de uma séria avaliação de pessoas e instituições - escolas, tribunais, hospitais e outros serviços públicos, mas justas e bem calendarizada, de acordo com uma reforma generalizada, numa cultura do mérito por oposição ao desleixo, à manipulação, ao compadrio e á preguiça. Deverá ser obrigatória uma educação orientada para o civismo, para a criatividade, com partilha e colaboração de todas as entidades envolvidas desde os pais aos educadores.
É urgente e preciso, habituar este País a respeitar e a conviver com a diferença, de opiniões, de raças e costumes, vivendo democraticamente como o sistema exige, tornando-se num Portugal referência em qualidade de vida na Europa.
Porque a revolução em democracia faz-se pelo voto.

POLÍTICA NACIONAL

ALTERAÇÃO DE ESTATUTOS "ESFRANGALHA" PSD

Ex-líderes estão contra alterações aos regulamentos aprovadas no último Conselho Nacional, e acusam actual direcção de «golpismo». Santana Lopes diz que «está a instalar-se um clima de terror» e que o País está... «de fio dental»!

Foram palavras breves, mas, como é habitual, certeiras. Sem querer personalizar, Santana Lopes comentou o estado do PSD, imerso na discussão sobre a alteração dos estatutos e do pagamento de quotas. «O que está a acontecer é um caminho perigoso. Está a instalar-se um clima de terror que não faz sentido», referiu durante um debate realizado em Gaia. Na cidade onde Luís Filipe Menezes lançou bases para a presidência do Partido, o líder parlamentar considerou que seria preferível «lançar o confronto de ideias», em vez de «transigir». Santana não gosta de ouvir «tantas falsidades» e, por isso, lança um previsão: «Penso que o que se vai dizendo, não é muito diferente do que se dizia de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso quando eram da oposição e assumiam as suas funções como presidentes do Partido. Estas polémicas só servem para prejudicar a unidade. São ataques que considero inaceitáveis».
Neste debate, Santana Lopes pôde falar sobre quase tudo e até teve tempo para elogiar a Ministra da Educação. «É quase uma heresia elogiá-la nesta altura, mas tenho que falar em algumas medidas das quais concordo, lançadas inicialmente, como o estabelecimento de uma carreia mais estável ao nível das colocações, com prazos de três anos. Depois disso, seguiu uma via estranha, que leva ao confronto com a classe», considerou.
Sobre José Sócrates, disse frontalmente que «não exerce uma governação socialista, antes uma governação à José Sócrates, com pitadas de Manuela Ferreira Leite» e atreveu-se a pedir para utilizar uma expressão lançada da audiência, após uma enorme gargalhada: «O país não está de tanga, está de fio dental». «Posso usar essa frase no próximo debate parlamentar?», questionou, com a certeza que poderá garantir mais um sound byte.

António Capucho admite demissão

Dos vários militantes de topo do PSD que estão contra as medidas tomadas, encontram-se António Capucho, Pacheco Pereira, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa, entre muitos outros ex-secretários gerais do partido. O presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, prometeu demitir-se do cargo de presidente da concelhia do PSD de Cascais se os novos regulamentos internos do partido «forem aprovados». Questionado se pondera demitir-se do cargo que ocupa na assembleia concelhia do PSD de Cascais, António Capucho respondeu: «Não pondero, tenho a certeza, se estes regulamentos forem aprovados recuso-me a ser presidente da assembleia».
Os novos regulamentos de quotas, de militantes, financeiro, eleitoral e das comunidades emigrantes do PSD o PSD foram já aprovados, na reunião do recente Conselho Nacional. A entrada em vigor prevista nos documentos é 01 de Maio deste ano.
Entre outras alterações, a reforma dos regulamentos internos do PSD promovida pela direcção de Luís Filipe Menezes repõe a possibilidade de os militantes pagarem as quotas em dinheiro e permite que isso seja feito nas secções concelhias. «Eu sou presidente da secção de Cascais do PSD, não sei se por muito tempo porque recuso-me a ser presidente com uma caixa registadora ao lado para receber as quotas dos militantes», disse António Capucho, considerando que as novas regras «vão permitir forte suspeição de pouca clareza, falta de transparência, arregimentação» e alegou não ter sido informado das mudanças. «Eu fui confrontado com o agendamento de um momento para o outro e de supetão destes regulamentos», criticou.

Marcelo Rebelo de Sousa critica «retrocesso»

Marcelo Rebelo de Sousa qualificou como um «retrocesso» as alterações aos regulamentos aprovados no Conselho Nacional do PSD, num momento em que o partido deveria estar a «alargar e não a reduzir». Falando no programa da RTP1 «As escolhas de Marcelo», o antigo líder social-democrata lembrou ter a «paternidade» das normas que davam mais «transparência» nos processos eleitorais internos e no pagamento de quotas, que agora foram alteradas por proposta da direcção de Luís Filipe Menezes.
Em causa está a reforma dos regulamentos de quotas, financeiro, eleitoral, de militantes e das estruturas de emigração, aprovada pela Comissão Política do PSD na terça-feira. Os antigos secretários-gerais do PSD Amândio de Azevedo, António Capucho, Manuel Dias Loureiro, Falcão e Cunha, Rui Rio, Azevedo Soares, Carlos Horta e Costa, José Luís Arnaut, Miguel Relvas e Miguel Macedo e também Pacheco Pereira, Pedro Passos Coelho e José Pedro Aguiar Branco contestaram a votação dos novos regulamentos.
«Não reajo por sensibilidade pessoal. Mas há duas razões fundamentais na lógica da transparência democrática», adiantou Marcelo Rebelo de Sousa, argumentando que os cadernos eleitorais devem ser conhecidos antes do acto da votação, tal como acontece nas eleições nacionais. O comentador também defendeu que o «melhor é não se pagar em dinheiro porque fica sempre a suspeita, a dúvida» e a acusação feita por Rui Rio em termos de ilegalidade. «Penso que é um retrocesso e que não é bom para a imagem do partido, que devia agora estar a alargar e não a reduzir. Não é bom para o pluralismo interno quando se usa o argumento que este enfraquece mais o partido perante o PS porque esse pluralismo fortalece em termos de dinâmica para o futuro», concluiu.

domingo, 9 de março de 2008

LEITURAS

Vem aí a Semana Santa

Uma vez na cidade de “la fiesta”, aproveite para ler «O Cego de Sevilha» de Robert Wilson, escritor que vive entre o Alentejo e Oxford, e tem boa parte da sua obra situada entre Portugal e Espanha.

Se exceptuar as cidades da Galiza, Sevilha será a cidade espanhola que mais visito. É mais perto que Lisboa, não se pagam portagens e tem uma oferta cultural admirável. Contabilizo em dezenas as vezes que lá me desloquei, sempre com excelentes recordações: meia dúzia foram turísticas, outro par de vezes para me deleitar com a EXPO’ 92 e, talvez as melhores, aquelas que dediquei às cerimónias da Semana Santa.
Inesquecível, a saída da procissão da Macarena, por volta da meia noite, com milhares de nazarenos e penitentes, e um altar lindíssimo, encimado pela imagem da Virgem, com o povo a saudá-la com gritos de “Guapa! Guapa!”. A comparação com a fé reverencial de Fátima e em como nós, portugueses, sentimos a vida de maneira diferente foi imediata. “Os portugueses cederam à condição humana”, refere uma das personagens do livro que abordarei adiante.
O meu fascínio pela Andaluzia provém, na verdade, pela essência de Espanha que ali encontro, pela alegria e espírito empreendedor, e pelo caleidoscópio de cores e sons que constituem uma autêntica banda sonora da cidade.
Por isso, ataquei o livro “O Cego de Sevilha/The Blind Man of Seville”, de Robert Wilson, com natural curiosidade, a que se veio juntar uma daquelas convergências em que a minha vida é fértil no referente à capital da Andaluzia. O livro é referenciado como um policial, o que também é verdade, mas a expressão deve ser lida em múltiplos sentidos.

A acção é despoletada pela descoberta do corpo de um rico comerciante de restauração sevilhano, num estado de profunda mutilação, a que não falta um toque macabro: o corte das pálpebras, obrigando a vítima a olhar para algo que, definitivamente, não quereria ver. O inspector repara que nos restaurantes da vítima estão espalhadas fotos do seu falecido proprietário com tudo o que é gente famosa de Sevilha. Curiosamente, com o seu pai não havia nenhuma. A suspeita recai sobre a sua mulher, uma sensual e inteligente quarentona.
O livro proporciona uma leitura cativante, sendo difícil de o largar. As descobertas vão sendo reveladas a um ritmo gerido inteligentemente e a opção pela revelação do passado do pai de Javier através da leitura dos diários em vez dos habituais flashbacks mostrou-se acertada, até pela identificação do leitor com o inspector. Há quem compare Wilson a Le Carré, pela densidade e consistência da história, ou aos ‘negros’ Hammet, ou Leonard, pela temática. Arriscaria dizer que Wilson conquista um lugar só dele, numa temática que cruza o policial com o drama psicológico profundo.
O título, “O Cego de Sevilha”, refere-se ao epíteto que a imprensa usa para designar o assassino. Aliás, a escolha desta cidade, que tem na "fiesta" a solução local para a tristeza e a localização da acção que mudará a vida a Javier Fálcon durante a Semana Santa, mostram o cuidado do escritor em envolver toda a sua obra em inteligentes simbolismos.
Robert Wilson vive entre o Alentejo e Oxford e tem boa parte da sua obra situada geograficamente entre Portugal e Espanha, com títulos como “A Companhia de Estranhos”, passado em na capital portuguesa e “O Último Acto de Lisboa”, ambos editados pela Gradiva. “O Cego de Sevilha”, editado em Fevereiro de 2003, mas só agora lançada a edição nacional, está inserido na brilhante colecção “Ficção Universal” da D. Quixote.
A ler durante a Semana Santa.

sábado, 8 de março de 2008

VIAGENS

O Paraíso nas terras do Fim do Mundo

Se o leitor dispõe de no mínimo duas semanas, decida-se por viajar nesta época do ano até o Brasil. A Bahia oferece-lhe o que de mais típico e verdadeiramente tropical este país tem para oferecer. Desde a sua gastronomia, ao rico folclore e artesanato. Um festival de emoções, cheiros, cores e paisagens paradisíacas.

Mangue Seco é a última praia no extremo norte do litoral baiano, fazendo já fronteira com o estado de Sergipe. A beleza do local foi bem retractada numa novela inspirada no romance "Tieta do Agreste", de Jorge Amado. Esta produção incentivou ainda mais o turismo no local, quando o Brasil e Portugal passaram a conhecer toda a beleza do lugar, que resguarda numerosas dunas encravadas numa paisagem de sonho e primitiva, de rios a desaguar no mar, no tropical Atlântico Sul.
Neste lugar, nos confins do mundo, as opções de lazer são variadas, com programas que satisfazem desde os surfistas, que nas praias da região encontram picos de grandes ondas, até os pescadores amadores, que nas águas calmas dos rios conseguem fisgar os mais variados peixes. Dentre eles está o peixe-boi, uma espécie rara, geralmente encontrada só no rio Amazonas, mas que povoa as águas calmas do Rio Fundo, um dos cinco rios que confluem em Mangue Seco, onde encontrou um habitat propício para se reproduzir.
O Rio Real merece um destaque especial, com margens a perder de vista. As suas águas, um pouco salgadas, lembram as águas do mar e são uma verdadeira surpresa para os mais desavisados. A salinidade diverte os banhistas com a facilidade de, simplesmente, flutuar e relaxar ao sabor do rio.

O vilarejo fica na foz do Rio Real - que dia a dia vai escavando as suas margens - e as imensas dunas que mudam constantemente a paisagem, movendo-se com o vento e avançando querendo encobrir tudo. A dificuldade do acesso ao lugarejo – exclusivamente de barco – é o que torna Mangue Seco mais atraente e o mantém naturalmente rústico e pouco acessível às hordas de turistas.
As poucas ruas são todas cobertas de areia fina e macia. À noite, as crianças ainda brincam ao esconde-esconde, enquanto os visitantes ouvem histórias antigas, contadas pelos pescadores ou numa visita ao café da D. Ana (que também entrou na novela) ou, ainda, participando de serenatas junto à população nativa. Pouco iluminada, a vila oferece uma noite estrelada, com uma beleza extraordinária nos períodos de lua cheia, ou particularmente ao final do dia com o majestoso Pôr do Sol entre coqueiros e as altas dunas.
A paisagem, que é sempre deslumbrante e esmagadora, ganha um atractivo a mais quando o reflexo da lua se intensifica nas águas dos rios que cercam a região. Em posição privilegiada, a baía de Mangue Seco testemunha o encontro dos rios Real, Piauí, Fundo, Guararema, Priapu e Saguí com o Oceano Atlântico.
Um verdadeiro festival paradisíaco da natureza!

A mistura de água doce e salgada propicia a formação de extensas áreas de ilhas e mangue e, consequentemente, a fartura de frutos do mar. Na praia de rio, os coqueiros debruçam-se, curvando o tronco sobre as águas calmas. Do lado do mar, eles são fustigados pela brisa constituindo sombras desejadas para os turistas se deleitarem entre dois banhos de mar em águas inacreditavelmente quentes.
Por toda a margem, espalham-se pousadas, bares, restaurantes e casas de pescadores, criando uma boa e típica estrutura de apoio aos turistas. Indispensáveis, são os passeios de lancha pelos rios, e de “boogie” pelas dunas ou bordejando as praias rodeando os manguezais.
Aqui o tempo parou, talvez para contemplar a paisagem, ou por perceber que nada mais pode ser melhorado, a perfeição foi atingida. A natureza não agredida, retribui com belezas raras e inesquecíveis em todo o seu esplendor selvagem e primitivo.
O luar é único e contemplado em todos os pontos do lugar, - nas dunas, na praia, no rio, nas redes das pousadas, onde quer que se esteja, ele alcança-nos e envolve-nos, com uma magia de sonho indescritível.
Ir a Mangue Seco, é ficar marcado para sempre pelo toque da natureza. É também ficar com a certeza de que Deus existe, e passou aqui.

Sociedade

Tatuagens: Uma moda de gosto discutível

Em Portugal, fazer uma tatuagem está na moda, e sai mais barato. Como mostram alguns jovem de ambos os sexos, que cobrem de desenhos todo o corpo, até às unhas dos pés.

Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia – de um estilo de vida "marginal". Elas já não são feitas em locais precários e marginais, mas sim em grandes estúdios onde há cuidado com a higiene. As técnicas refinaram-se: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e ferramentas como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem de que já não se gosta. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora do marinheiro. Uma prova desse novo status é um reality show como o Miami Ink, produção americana exibida no canal People & Arts.
O programa acompanha o dia-a-dia de um estúdio de tatuagem na cidade de Miami. A graça está em ver como as ideias mais mirabolantes são traduzidas na pele dos participantes. O Miami Ink gerou dois filhos, um ambientado em Los Angeles e outro em Londres. E o canal já abriu inscrições para produzir um especial no Brasil.
Hoje, é possível dividir as pessoas segundo três níveis de atracção pela tatuagem. Numa ponta está o grupo que se contenta em ter uma ou duas, só para efeito de beleza ou para demonstrar "atitude" – porque é estar na moda, aí inclui-se o exemplo de alguns modelos como Gisele Bündchen e a sua estrelinha no pulso, bem como em algumas portuguesas com desenhos no ombro, no dorso ou no tornozelo.
No outro extremo está o mundo dos que não poupam nem o rosto à picada das agulhas. Agora, pode-se vislumbrar ainda uma outra tribo intermediária. São pessoas que coleccionam tatuagens, ou pelo seu suposto valor estético ou por algum tipo de simbologia, e não por opção radical de vida. Este é o caso mais comum.

Espantoso, ou talvez não

Não faltam espelhos para eles(as) se mirarem. A actriz Angelina Jolie tem ao menos uma dúzia de tatuagens, entre as quais um tigre asiático nas costas. No antebraço direito, ostenta a expressão "força de vontade" em árabe. O braço esquerdo traz as latitudes onde nasceram os seus três filhos adoptivos e o primogénito da relação com o actor Brad Pitt. Essas últimas cobriram uma antiga tatuagem com o nome de seu ex, Billy Bob Thornton. Mas sabe-se que Angelina também é pródiga em apagar tatuagens: livrou-se de sete, até agora. Outro astro mediático que não hesita em adornar a pele é o inglês David Beckham. Nas costas, o jogador tatuou o nome dos filhos e um anjo da guarda. No braço direito, exibe símbolos dos cavaleiros medievais da ordem dos templários. Recentemente, confessou: "A dor de fazer tatuagens é viciante". A cantora inglesa Amy Winehouse – outra que tem o corpo coberto de tatuagens, com predilecção pelas pin-ups – diz que elas são uma forma de "espantar o tédio".
Há justificações para todos os gostos.
Porém, o mais espantoso é começar-mos a ver por aí crianças que, de acordo com o desejo de seus pais, exibem desenhos espalhados pelo corpo, os quais possam embora, ser tatuagens “fáceis de limpar” mais tarde, iniciam em suas mentes um espírito tribalista.
"Por detrás da decisão de preencher uma parte do corpo com tatuagens está o desejo de contar uma história, reter uma recordação ou demonstrar uma linha de raciocínio", diz Lúcio Tattoo, do estúdio Banzai, em Albufeira, onde tem como clientes muitos portugueses, embora a maioria sejam estrangeiros residentes ou de passagem “porque em Portugal, fazer uma tatuagem fica mais barato”. Como mostram alguns jovem de ambos os sexos, que pretendem cobrir de desenhos todo o corpo, até às unhas dos pés, ou... o céu da boca.