Liberdade e o Direito de Expressão

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

E não se pode extreminá-los ?

Agências financeiras americanas querem "rebentar" com o Euro
                                                                                                                                                  
O país não está em boa situação, mas é manifestamente infeliz e até terrorista fazer esta descida de 'rating' neste momento, quando entrou um novo Governo que trabalha com maioria absoluta. Se os americanos fossem impedidos de fabricar armamento, outro galo cantaria...
                                          
Moody’s baixa "rating" de Portugal para "lixo". Agência desceu quatro níveis, porque teme que o país necessite de um segundo pacote de ajuda financeira. A agência Moody’s cortou o "rating" da dívida portuguesa para "Ba2", uma notação que corresponde a "investimento de alto risco", ou seja, "lixo". A Moody’s baixou em quatro níveis o "rating" de Portugal (de "Baa1" para "Ba2"), mas admite voltar a descer ainda mais. A agência norte-americana diz que há o risco crescente de Portugal precisar de uma segunda ajuda financeira, teme que o país não seja capaz de cumprir os objectivos de redução do défice e duvida que o Estado consiga financiar-se a partir de 2013. Foi a 5 de Abril que a Moody’s fez o último corte a Portugal, nessa altura em um nível, para “Baa1”. Já nessa altura admitia novas baixas.
                                                                 
Corte no “rating” arrasta bolsa para o vermelho
                                                                                                  
Em dia de leilão, os juros sobre a dívida portuguesa estão de novo a subir. O corte do “rating” da dívida de Portugal para “lixo” pela agência Moody’s arrastou hoje os 20 títulos cotados no principal índice português para o “vermelho”, com PSI 20 a cair 1,83%. O PSI 20 segue a cair para os 7213,88 pontos. O sector da banda está a ser o mais penalizado. Em dia de leilão, os juros sobre a dívida portuguesa estão de novo a subir. No mercado secundário, a dívida a dois anos aproxima-se dos 15%, a cinco anos ultrapassa os 14%, e a dez anos está acima de 11,7%. A Moody’s cortou na terça-feira em quatro níveis o “rating” de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de “lixo” (junk). A agência de notação financeira justifica a descida com o risco de Portugal precisar de um segundo empréstimo internacional, a possibilidade da participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição e receios de que a totalidade das metas não sejam cumpridas. Na resposta, o Ministério das Finanças já fez saber que esta decisão não tem em conta o imposto extraordinário sobre o décimo terceiro mês, nem a intenção do Executivo de ir para além do programa acordado com a troika, por exemplo, ao acelerar o programa de privatizações.
                                                     
Governo critica corte do "rating" de Portugal para "lixo"
                                                                                  
A decisão da Moody's "ignora" o novo imposto extraordinário, afirma o Ministério das Finanças. O Governo critica a Moody’s por não ter tido em conta o novo imposto extraordinário na sua decisão de cortar o rating de Portugal para "lixo". O gabinete do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, diz, em comunicado, que "a decisão da Moodys ignora os efeitos da sobretaxa extraordinária em sede de IRS anunciada pelo Governo durante o debate do Programa de Governo no final da passada semana". A Moody’s tornou-se na primeira agência de “rating” internacional a atribuir uma notação financeira abaixo da linha que separa “grau de investimento” de “investimento de alto risco”. A notação de risco caiu em quatro níveis, de Baa1 para Ba2. José Reis, da Faculdade de Economia de Coimbra e um dos subscritores de uma queixa entregue na Procuradoria-Geral da República contra as agências de rating, não fica surpreendido com esta decisão. José Reis diz que “nada irá satisfazer as agências de notação financeira, provavelmente elas ficarão satisfeitas quando a economia acabar”. “Tudo o que está aqui em causa são processos que não têm em conta a economia e o seu funcionamento, não toma em conta as pessoas, não toma em conta as próprias deliberações dos governos”, acusa. Para o professor da Universidade de Coimbra, é necessário encontrar uma alternativa à especulação dos mercados.
                                                                    
Faria de Oliveira: Descida do "rating" é “imoral e insultuosa”
                                                                                               
Presidente do banco público defende que as autoridades europeias devem reagir a este “ataque”. O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) considera “imoral e insultuosa” a descida do “rating” de Portugal anunciada terça-feira pela agência de notação financeira Moody’s. Fernando Faria de Oliveira, em declarações à Agência Lusa, disse que a decisão é “imoral em relação aos argumentos e fundamentos; insultuosa para Portugal, que com um novo Governo maioritário e o apoio de 80% dos eleitores, está a aplicar rápida e determinadamente o acordo com a troika”. O presidente do banco público defende que esta decisão da Moody’s ofende igualmente a “União Europeia, a Comissão Europeia e os Estados Membros, e também o Fundo Monetário Internacional (FMI), que deram o seu aval ao acordo que agora começou a ser implementado”. No entender de Faria de Oliveira, estas autoridades “não são irresponsáveis”, pelo que defendeu que “a Zona Euro devia reagir perante este ataque e esta ofensa”.
                                                                    
Imprensa europeia destaca corte
                                                                                                     
O espanhol “El Mundo” diz que “Portugal enfrenta os mercados após descida da qualificação da sua dívida” e o “El País” relembra que “A agência Moody's baixa a divida de Portugal ao nível lixo”. Em França, o assunto também merece a atenção dos principais jornais, com o “Le Monde” a sublinhar que a “Moody´s baixou a nota de Portugal em quatro níveis” e o “Le Fígaro” a considerar que “Portugal se tornou num investimento arriscado para a agência Moody´s”. O "Le Monde" relembra que, segundo a agência, existe um risco crescente de que Portugal necessite de um segundo plano de assistência financeira antes de se conseguir financiar nos mercados internacionais. Em Inglaterra, o tema não passa despercebido mas o destaque dado ao assunto é menor, com o “The Times” a dizer que “Portugal está agora no nível lixo”, o “Financial Times” a referir que a “Moody´s alerta para segundo resgate a Portugal” e o “The Telegraph” a indicar que “O rating da dívida de Portugal foi desvalorizado”. A Moody’s cortou em quatro níveis o “rating” de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de lixo (“junk”). Em comunicado, a agência de notação financeira apresenta três razões que justificam esta revisão em baixa.
                                                          
Portugal paga mais no leilão da dívida
                                                                                                        
Estado coloca 848 milhões de euros, abaixo do máximo previsto. Com o nível da dívida no “lixo”, Portugal volta a pagar juros recorde para se financiar. Esta manhã, o Estado colocou 848 milhões de euros, em dívida a três meses, com juros a 4,9%. Os juros aumentaram uma décima face ao último leilão comparével. O valor ficou aquém do montante máximo esperado pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), que era de mil milhões em bilhetes de tesouro. A procura foi de duas vezes a oferta, o que compara com as 2,4 vezes de Junho. O gestor de dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva, confirma estes números e diz que a taxa de hoje acabou por ser penalizada pelo corte de’ rating’ da Moody’s. Com o leilão de hoje, a linha de Bilhetes de Tesouro que vence a 21 de Outubro deste ano fica agora com um saldo vivo (montante a amortizar pelo Estado quando a linha atingir a maturidade) de 2.975 milhões de euros. O leilão de hoje, o quinto desde que Portugal pediu assistência financeira externa, acontece um dia depois da agência de notação financeira Moody’s ter cortado em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).
                                                                
Mira Amaral: Corte “rating” é uma decisão “infeliz e terrorista”
                                                                                                      
Antigo ministro da Indústria fala numa decisão "precipitada e exagerada" quando o novo Governo tem maioria absoluta e disse que vai cumprir escrupulosamente as medidas da troika. Luís Mira Amaral considera a decisão da Moody's de descer o “rating” da dívida portuguesa "infeliz" e "terrorista" até porque acabou de tomar posse um novo Governo. "É evidente que o país não está em boa situação, mas acho manifestamente infeliz e até terrorista fazer esta descida de 'rating' neste momento, quando entrou um novo Governo que teve a maioria absoluta", disse à Lusa o também presidente do Banco BIC. Para Mira Amaral, a decisão é ainda mais "precipitada e exagerada" quando o novo Governo tem maioria absoluta e "já disse que vai cumprir escrupulosamente as medidas da troika e ainda vai mais além". A decisão, sublinhou, tem "consequências negativas no sentido em que aumenta os custos de capital e, portanto, os encargos financeiros não só do Estado português como também dos bancos e grandes empresas".
                                                                         
Estamos todos cada vez mais pobres
                                                                                                       
Graça Franco analisa consequências do corte de rating para lixo
A directora de Informação da Renascença diz que, desde ontem, “estamos todos mais pobres: as nossas empresas valem menos e, sobretudo, os nossos bancos vão ver dificultada a vida, que já não era fácil. Situação que se vai repercutir nos consumidores, pois nesta altura “há pouco crédito na economia e agora vai ser ainda mais escasso e mais difícil”. O que aconteceu, de ontem para hoje, para estarmos todos mais pobres? “Houve uma empresa, que avalia o risco, que disse aos investidores internacionais para não apostarem em Portugal: fujam porque isso são investimento de alto risco. Isto acontece, diz Graça Franco, exactamente na altura que gostaríamos de dizer ao exterior “venham para Portugal , ajudem-nos a sair desta crise, invistam e confiem em nós”.
                                                                                                        
Corte do ‘rating’ português coloca Espanha em maior risco
                                                                                                              
Bolsa de Madrid em queda. Imprensa espanhola considera que Espanha está mais vulnerável à instabilidade portuguesa do que à grega. O risco da dívida espanhola disparou esta manhã, influenciada pela decisão da Moody’s de baixar o ‘rating’ da divida portuguesa. A imprensa do país vizinho considera que a decisão da agência de ‘rating’ reactiva outro foco de incerteza no mercado que tinha estabilizado depois do impacto da situação na Grécia. O jornal “Expansion” recorda que Espanha está mais exposta à situação de Portugal do que da Grécia pelo que o efeito contágio é, neste caso, maior. Assim, o risco da dívida espanhola subiu dos 247 pontos base do fecho de terça-feira para os 260 na abertura de hoje. O impacto nota-se também ao nível da bolsa com o principal indicador, o Ibex 35, a abrir em queda impulsionado, especialmente pelas descidas do sector bancário.
                                                                                                                    
Agência da ONU exige extinção das agências de "rating"
                                                                                                                                   
O alemão Heiner Flassbeck defende que, pelo menos, deviam limitar-se a avaliar empresas e não os Estados - uma matéria muito complexa. O director da Agência das Nações Unidas para o Comércio Mundial , o alemão Heiner Flassbeck, exigiu hoje a extinção das agências de "rating". Em declarações à televisão pública alemã, o ex-secretário de Estado das Finanças defendeu que, pelo menos, deviam limitar-se a avaliar empresas e não os Estados, que são uma matéria muito complexa, em que elas ignoram frequentemente muitos aspectos positivos". Graça Franco analisa consequências do corte de rating para lixo. O papel das agências de "rating" está a ser cada vez mais contestado na Europa, segundo um artigo publicado hoje no matutino “Berliner Zeitung”. O jornal lembra que, na terça-feira, a chanceler Angela Merkel pôs em causa a importância da maior agência deste género, a Standard & Poor 's, depois de esta ter afirmado que considerava o modelo de participação voluntária de bancos e seguradoras num novo pacote de ajuda à Grécia um "incumprimento parcial" do pagamento da dívida por parte de Atenas. "É importante que a troika não permita que lhe retirem a sua capacidade de avaliação", advertiu a chanceler, referindo-se à estratégia definida pelo Banco Central Europeu, pela Comissão Europeia e pelo FMI para os resgates de países em dificuldades financeiras, caso da Grécia, mas também de Portugal. Thomas Straubhaar, presidente do Instituto de Economia Mundial, de Hamburgo, exigiu também, em declarações ao jornal “Rhein-Neckar-Zeitung”, a limitação do poder das agências de "rating" e o regresso a outros critérios de avaliação.
                                                                                              
Durão Barroso lamenta corte do "rating" de Portugal
                                                                                                            
É mais uma manifestação de apoio a Lisboa, após a Moody’s ter colocado a dívida do país na categoria de “lixo” (junk). O presidente da Comissão Europeia lamentou hoje a decisão da Moody’s de cortar o ‘rating’ de Portugal e incentivou Lisboa a prosseguir no rumo das reformas. “Lamento a decisão de uma agência de notação de cortar no ‘rating’ de Portugal", disse José Manuel Durão Barroso, acrescentando que “encoraja Portugal a prosseguir no rumo definido pela Comissão Europeia, BCE e FMI. A Moody’s cortou na terça-feira em quatro níveis o “rating” de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de “lixo” (junk). A agência de notação financeira justifica a descida com o risco de Portugal precisar de um segundo empréstimo internacional, a possibilidade da participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição e receios de que a totalidade das metas não sejam cumpridas.
                                                                              
Governo francês confia na capacidade de Lisboa
                                                                                                         
O novo ministro das Finanças francês manifestou hoje confiança na capacidade de Portugal para ultrapassar as dificuldades e afirmou que não é a opinião de uma agência de notação que vai "resolver a questão da dívida soberana". "Confiamos em Portugal", frisou François Baroin à rádio Europe 1, ao ser interrogado sobre a decisão da agência de notação financeira Moody’s. Na entrevista à Europe 1, citada pela Agência France-Press, Baroin disse também que o novo plano de resgate da Grécia deverá estar pronto em Setembro, referindo que a Zona Euro tem ainda algumas semanas para definir as modalidades de uma participação dos bancos na ajuda a Atenas. Responsáveis por bancos franceses e alemãs reúnem-se hoje, em Paris, para discutir a participação numa ajuda à economia grega.
                                                                                         
Ministro "salva" militares da GNR das limpezas
                                                                                                                         
Miguel Macedo diz que resolveu o problema em seis dias, quando o anterior Governo não o fez em seis meses. Os militares da GNR já não vão ter de assegurar os serviços de limpeza nos quartéis. A garantia foi deixada hoje pelo ministro da Administração Interna. À margem de uma vista ao Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana (GNR), no Largo do Carmo, em Lisboa, Miguel Macedo lamentou o caso, mas confirmou que está desbloqueado o problema com a renovação do contrato com a empresa que assegurava os serviços de limpeza. O ministro diz que resolveu o problema em seis dias, quando o anterior Governo não o fez em seis meses. "A situação está resolvida. Em termos práticos, era absolutamente impossível ter resolvido em menos tempo." Em causa estavam os contratos com oito empresas, num total nacional de 741 horários, que expiraram a 1 de Julho, como revelou a Renascença no início da semana. As consequências sentem-se sobretudo nos centros de formação da Figueira da Foz e de Portalegre, no centro clínico em Lisboa, no próprio comando-geral do Quartel do Carmo e em todos os comandos territoriais dos 18 distritos.
                                                                                                                          
Polémica continua em Leiria. PSD quer impugnar venda do estádio
                                                                                                                                                  
Assembleia municipal de Leiria autorizou ontem à noite, por maioria, a Câmara a vender o estádio Magalhães Pessoa, um dos palcos do Campeonato Europeu de Futebol 2004, pelo valor de 63 milhões de euros. O PSD vai impugnar judicialmente as deliberações da Câmara e da assembleia municipal de Leiria que permitem concretizar a hasta pública do estádio Magalhães Pessoa, utilizado para o Euro 2004. Os sociais-democratas falam em situações que "ultrapassam a legalidade". "Penso que há aqui vários aspectos que ultrapassam a legalidade. Teremos naturalmente que estudar o assunto, ver quais são as consequências das decisões tomadas e, depois, partir daí para fazermos valer aquilo que consideramos serem os direitos dos cidadãos de Leiria", disse aos jornalistas Manuel Antunes, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal. A decisão do PSD foi anunciada após a deliberação deste órgão, na terça-feira à noite, que autoriza a autarquia a alienar três de quatro fracções da infra-estrutura desportiva: parte do topo norte (área inacabada do estádio), o estacionamento, de 450 lugares, (estes dois espaços avaliados em 24 milhões de euros), e o campo de futebol e respectivas bancadas. Para a autarquia fica reservada a quarta fracção, um espaço de cerca de 2.000 metros quadrados no topo norte para reinstalar o centro associativo. Confrontado com a decisão do PSD de impugnar no Tribunal Administrativo e Fiscal as decisões, o presidente da Câmara de Leiria declarou: "(...) Penso que estamos seguros em termos do cumprimento da Lei". Raul Castro, independente eleito pelo PS, adiantou que o município vai preparar o caderno de encargos para realizar a hasta pública, insistindo que esta operação resulta dos custos que o estádio comporta, o que "inviabiliza a possibilidade de fazer investimentos fundamentais para as populações". Já Carlos Guerra, da CDU, lembrou que dado que a propriedade do estádio e do topo norte pertencem à Leirisport - empresa municipal que gere as infra-estruturas desportivas e de lazer do município - a assembleia está "legalmente" impedida de "poder decidir sobre este assunto deste modo".
                                                                               
Avião da TAP aterra em Faro devido a desacatos. Um passageiro detido
                                                                                                                         
O avião, com cerca de uma centena de passageiros a bordo, seguiu posteriormente a sua rota rumo ao Gana. Um voo da TAP entre Lisboa e Acra, no Gana, teve de aterrar hoje em Faro para largar um passageiro que estava a causar distúrbios a bordo, informou a empresa. O voo, proveniente do aeroporto da Portela, aterrou em Faro por volta das 18h00 horas, para desembarcar o passageiro, que foi entregue à polícia, segundo o assessor da TAP, André Serpa Soares. De acordo com a mesma fonte à agência Lusa, o avião, com cerca de uma centena de passageiros a bordo, seguiu posteriormente a sua rota. André Serpa Soares adiantou que, uma vez que o avião estava cheio de combustível, foram accionados, por precaução, como é habitual nestas circunstâncias, os meios de segurança e socorro.
                                                                                                                                                  
Alzheimer: Cientista portuguesa descobre mecanismo que pode ajudar a perceber doença
                                                                                                                            
Estudo de Cláudia Almeida, de 35 anos, investigadora no Instituto Curie, foi publicado na revista “Nature Cell Biology”. Uma cientista portuguesa descobriu um novo mecanismo de regulação do tráfego de proteínas dentro das células do corpo humano que poderá ajudar no tratamento do cancro ou da doença de Alzheimer. O estudo de Cláudia Almeida, de 35 anos, investigadora no Instituto Curie, em Paris, foi publicado na revista “Nature Cell Biology”. O que está em causa é perceber as razões por que algumas proteínas deixam de chegar aos seus destinos dentro das células, originando as doenças, de modo a conseguir depois agir de modo a tratar e corrigir essas alterações. O que Cláudia Almeida agora descobriu foi que há uma proteína que contribui para deformar as paredes do Golgi, a estrutura onde se formam as novas moléculas e que as encaminha para os seus destinos. Em declarações à Lusa, Cláudia Almeida salientou a importância destas investigações, que vão permitir perceber as alterações nos mecanismos celulares que vão originar as doenças. Sem avançar prognósticos, a cientista diz que se trata de um processo demorado de investigação, que não exclui que de um momento para outro sejam feitas descobertas relevantes que abreviem o tratamento.
                                                                                                                            
                                                                                                                    
                                                                                                
                                                   

sábado, 15 de janeiro de 2011

Fim de Semana

Submarino “Tridente” já “meteu água”
                                                                                                                                                  
É "novo", custou milhões, mas mete água... Marinha acredita que dentro de uma semana o submarino, recém-chegado a Portugal, já estará reparado.
                                                       
O submarino Tridente, que custou a Portugal 500 milhões de euros e chegou há quatro meses, está em terra na Base Naval do Alfeite para reparação do revestimento, que se mostrou demasiado frágil perante as águas do Atlântico. A Marinha confirmou esta manhã que a reparação está a ser feita e que nos próximos dias o navio deve voltar ao mar. Alexandre Fernandes, chefe de relações públicas da Marinha, disse ainda que os custos desta reparação serão suportados na totalidade pelos alemães, uma vez que a garantia ainda está em vigor. Quanto ao segundo submarino, o “Arpão”, já vem com a correcção feita de origem
                                                      
Uma década de Wikipédia
                                                                                             
Dezassete milhões de artigos, em 270 línguas, são apenas alguns dos números desta enciclopédia de acesso livre, disponível a todos através da Internet. Criar uma enciclopédia de acesso livre na Internet, feita pelos cibernautas. A ideia foi posta em prática há precisamente dez anos. A Wikipédia foi lançada no dia 15 de Janeiro de 2001, pelos norte-americanos Jimmy Wales e Larry Sanger, e desde então não parou de crescer.
O site conta actualmente com mais de 17 milhões de artigos, em 270 línguas, sobre as mais variadas áreas do conhecimento. Todos os meses é visitado por mais de 400 milhões de pessoas e conta com a colaboração regular de 100 mil editores de todo o mundo. O Português é a oitava língua mais representada na Wikipédia, com mais de 660 mil textos, entre os quais um sobre a Rádio Renascença. O ranking é liderado pelo Inglês, com cerca de 3,5 milhões de artigos, seguido do Alemão e do Francês.
Manuel de Sousa, membro da Wikimedia Portugal, uma associação de wikipedistas portugueses, começou a colaborar há seis anos e desde então nunca mais parou. “Colaboro desde 2005 como editor registado. Fiz cerca de 14 mil edições, trabalho temas relacionados com História, Geografia, Política, temas ligados à realidade dos países lusófonos, também com o tema do Acordo Ortográfico”, disse à Renascença o director de marketing, de 45 anos, que esteve directamente envolvido na criação da Wikipédia em Tétum, a língua co-oficial de Timor-Leste.
A Wikipédia não tem publicidade e depende de donativos para manter uma equipa de 50 funcionários e os servidores que armazenam toda a informação a funcionar. Os editores espalhados pelo mundo trabalham por amor à camisola e ao conhecimento. "Colaborar com a Wikipédia é um misto de «hobby» e de voluntariado. Nós sacrificamos algum do nosso tempo, uma ou duas horas por dia, a contribuir com o que escrevemos, com fotografias que tiramos, com mapas que fazemos ou gráficos", conta Manuel de Sousa.
                                                                                         
A credibilidade da informação
                                                                                                       
Susana Morais dedica-se, sobretudo, à "História da Arte em Portugal, monumentos e História da Arte em geral". Já perdeu a conta a quantos artigos escreveu, "mas são muitos", refere. A designer, de 32 anos, começou a consultar a enciclopédia online em 2004 e aventurou-se na edição quando encontrou um artigo "com um disparate escrito".
A comunidade de “wikipedista” está empenhada em melhorar a fiabilidade dos dados e a qualidade da informação disponibilizada. Além da revisão efectuada pelos diferentes editores, Susana Morais explica que há um esforço cada vez maior para que todos os artigos sejam acompanhados de referências e notas de rodapé... "Muito importante nos próximos tempos será, pelo menos para nós na Wikimedia Portugal, tentar arranjar parcerias com diferentes entidades, como museus ou arquivos, que possam disponibilizar a informação e que dêem alguma credibilidade, que cada vez é mais necessária, e apostar na formação de professores para ensinarem os alunos a preencherem artigos e a saber como usar a informação que lá está”, diz Susana Morais.
                                                                                                                       
“Guerra de editores”
                                                                                                         
Quando há situações polémicas, como aconteceu no caso da licenciatura de José Sócrates ou da cidade fronteiriça de Olivença, por vezes acontece o que na gíria da Wikipédia se chama “guerra de editores”. “Uma guerra de edições é alguém que chega lá, altera um pormenor qualquer, e o outro reverte e assim sucessivamente. Quando essas situações ocorrem, quando há mais de três reversões, a página deve ser congelada e bloqueada e, depois, deve-se passar para a página de discussão e as diversas tendências devem discutir os argumentos antes de passar à redacção”, refere Manuel de Sousa.
O administrador desconhece casos de censura ou de eventuais pressões para modificar informação e sublinha que uma alteração “pouco consensual” pode sempre ser corrigida. “Na Wikipédia isso é aberto, por isso é um «work in progress», é um trabalho que está sempre em construção, nunca está terminado, por isso é difícil haver muitas pressões para alterar porque, mesmo que alterassem determinado parágrafo, no dia seguinte se calhar ele já estava outra vez diferente. É uma lógica diferente de um livro ou de um jornal, não é algo fechado, é algo dinâmico”, remata.
                                                                                                  
Aniversário assinalado em todo o mundo
                                                                                                         
Os dez anos da Wikipédia comemoram-se este sábado. Em todo o mundo, 300 iniciativas assinalam o lançamento da chamada enciclopédia livre da Internet. Em Lisboa, a festa de aniversário tem início marcado para as 14h30, no Instituto Superior Técnico, e é organizada pela Wikimedia Portugal. Além da exibição do documentário "Truth in Numbers”, vão realizar-se cinco palestras e um debate sobre a Wikipédia. A comemoração dos 10 anos da Wikipédia vai também ter direito a brinde e bolo de aniversário.
                                                                                                       
Portugueses identificam gene ligado ao desenvolvimento de tumores
                                                                                                    
Gene "Viriato" está implicado no crescimento celular descontrolado. Cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto identificaram o gene “Viriato”, que controla a proliferação das células e poderá desempenhar um papel no desenvolvimento de tumores.“Graças à sequenciação do genoma nós conseguimos acelerar o processo de identificação de genes importantes para o crescimento celular”, disse Paulo Pereira, coordenador da pesquisa. O cientista explica que falta agora passar da investigação na mosca-da-fruta para os tecidos humanos.
“A próxima etapa é estabelecermos colaboração com grupos que olham para aquilo que acontece em células humanas e sermos capazes de estudar qual é a função do «Viriato» em células humanas”. O trabalho vai agora ser divulgado numa revista da especialidade enquanto se procuram parcerias entre os cientistas portugueses. Uma delas poderá vir a ser com a Fundação Champalimaud, onde começou esta sexta-feira um simpósio internacional para debater os avanços na terapia do cancro. Um dos investigadores do centro, Raghu Kalluri, diz que, embora sejam cada vez maiores os avanços para controlar o cancro, a ciência aposta, sobretudo, em formas de evitar a doença.
                                                                                         
                                                                           

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Estudo

Cresce capacidade ciêntífica em Portugal
                                                                                                                                    
Capacidade científica em Portugal cresceu 10 por cento entre 2008 e 2009. Os dados indicam que o crescimento da despesa em I&D verifica-se quer no sector público quer no sector empresarial.
                                            
A despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) em Portugal ultrapassou 2791 milhões de euros em 2009, mais 10 por cento que em 2008, revela um estudo que foi ontem divulgado na presença do primeiro ministro e do ministro da Ciência. Segundo dados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) de 2009, fornecidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), entre 2008 e 2009 a despesa total em investigação passou de 1,55 para 1,71 por cento do PIB e o número de investigadores cresceu de 7,2 para 8,2 investigadores por mil ativos. O crescimento da despesa total em I&D para 1,7 por cento do PIB aproxima Portugal dos atuais níveis médios de intensidade da despesa em I&D na União Europeia (1,9 por cento do PIB). Em 2008 a despesa em I&D nacional tinha representado 1,55% do PIB, a comparar com 0,81% do PIB em 2005. "O investimento total em investigação e desenvolvimento mais do que duplicou entre 2005 e 2009", refere uma nota do MCTES.
Os dados indicam que o crescimento da despesa em I&D verifica-se quer no sector público quer no sector empresarial, evidenciam o reforço da capacidade científica do ensino superior e de instituições privadas de investigação" e refletem a criação de novas instituições científicas, públicas e privadas, e o alargamento da base de empresas, hospitais e outras instituições com actividade de investigação. O número de empresas com actividades de I&D cresceu também, atingindo 1989 em todos os sectores de actividade económica em 2009, enquanto era cerca de 930 em 2005 e 1833 em 2008. A despesa em I&D das empresas atinge agora cerca de 0,80 por cento do PIB (era 0,78 por cento do PIB em 2008 e 0,31 por cento do PIB em 2005).
O sector das Instituições Privadas sem fins lucrativos atinge cerca de 295 milhões de euros em 2009 (era 210 milhões de euros em 2008), crescendo para 11 por cento da despesa total em I&D. "A despesa em I&D da totalidade do sector privado (empresas e instituições privadas sem fins lucrativos) continua a representar, em 2009, tal como em 2008, cerca de 58 por cento do total da despesa em I&D", adianta o MCTES. Os dados mostram que as instituições de ensino superior assumem crescentemente um papel indutor de todo o crescimento da I&D, uma vez que, entre 2008 e 2009, a despesa em I&D no ensino superior aumentou cerca 11 por cento, representando hoje este sector cerca de 35 por cento da despesa nacional total em I&D.
No sector do Estado, assume particular relevância em 2009 a construção e instalação do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, INL, em Braga, tendo a despesa global nesse sector crescido 10 por cento entre 2008 e 2009. O reforço da formação e qualificação de novos recursos humanos, e a sua inserção institucional, a par da captação e fixação, em Portugal, de investigadores do resto do mundo, é para o MCTES outro traço resultante do inquérito. Em 2009, foram registados 45 909 investigadores, para um pessoal total de 52 313 (incluindo aqui pessoal técnico).
O Ensino Superior continua a representar a maior fração de investigadores, aumentando para cerca de 61 por do total (28 086 investigadores). As Instituições Privadas sem fins lucrativos incluem 3618 investigadores, representando 8 por cento do total nacional. O sector Estado contribui com 3364 investigadores, ou seja, 7 por cento do total. O número de investigadores nas empresas aumenta 5 por cento entre 2008 e 2009, e o seu conjunto representa já cerca de 24 por cento do total de investigadores em Portugal, tendo triplicado entre 2005 e 2009, atingindo agora 10 841 (ETI). Os dados indicam que o total das exportações das 100 empresas que mais investiram em I&D em 2008 representou mais de 25 por cento das exportações nacionais.
                                                                                                                                  
Projeto antiterrorista com cunho português mostra "confiança" entre a Aliança e Rússia
                                                                                                                                    
A NATO e a Rússia estão a desenvolver um sistema de deteção de bombistas suicidas em transportes públicos, um projeto de engenharia com "cunho" português que, segundo os seus responsáveis, mostra a crescente "confiança mútua" entre as duas partes. Em entrevista à Agência Lusa, em Bruxelas, o cientista português Carvalho Rodrigues e o cientista russo Enver Akhmedov, que desenvolvem em conjunto o sistema, explicaram os seus contornos, sem entrar em detalhes por se tratar de informação confidencial, a razão pela qual também apenas deverá ser "mencionado", e não apresentado, na Cimeira da NATO em Lisboa. "É muito cedo (para a apresentação) e os detalhes não são algo para o público, porque entre o público pode encontrar-se todo o género de pessoas. O que o público pode saber é que estamos a trabalhar juntos numa questão tão crucial quanto esta", apontou Akhmedov.
Também o embaixador da Federação Russa junto da NATO, Dmitri Rogozin, foi cauteloso ao abordar a questão, assinalando também que se for divulgada muita informação, esta não estará disponível "apenas para gente decente", e terroristas tentarão encontrar formas de contornar o sistema. "Temos de estar orgulhosos com projetos como este, mas temos que falar pouco sobre eles. A nossa abordagem deve ser eficiente, profissional e confidencial", disse. Carvalho Rodrigues, conhecido como o "pai do satélite português" (POSAT), e que integra o programa científico da NATO, explicou que se trata de "um programa de engenharia que engloba vários laboratórios espalhados pelos Estados da NATO e Rússia, que vai detetar explosivos em ambientes de transportes de massa". Trata-se de um "sistema inteligente de gestão", através de sensores, que irá "detetar, reconhecer e identificar" explosivos transportados por pessoas em transportes públicos.
O sistema será testado em simultâneo em Paris e São Petersburgo, e os responsáveis dizem esperar "obter os primeiros resultados em finais de 2012, meados de 2013". Akhmedov apontou que se trata do "maior projeto" alguma vez desenvolvido em conjunto pela NATO e Rússia, e não só em termos orçamentais: na sua opinião é também o mais significativo "em termos de confiança, é um bom sinal de confiança mútua. O projeto mostra que a Rússia e a NATO podem combinar os seus melhores esforços e juntar a sua melhor ciência e tecnologia para enfrentar uma ameaça comum, de bombistas suicidas. (Mostra que) cientistas e especialistas em segurança pública (das duas partes) podem trabalhar juntos e de forma muito frutuosa. No final do projeto podemos esperar grandes resultados para a nossa segurança mútua", disse.


sábado, 18 de setembro de 2010

Fim de Semana

Londres não se preocupa com terremotos. Mas deveria...

Cientistas dizem que a cidade é vulnerável a tremores de terra, e que os modernos edifícios precisam de se preparar melhor.

O risco de um terramoto em Londres tem sido subvalorizado, afirmam cientistas na British Geological Survey. Eles analisaram o histórico de tremores de terra no Reino Unidos e chegaram à conclusão de que a vulnerabilidade da capital do Reino Unido é muito maior do que se admite. É improvável que o sudeste da Inglaterra seja atingido por um terremoto devastador, mas os planos de segurança ainda precisam de se preparar para terramotos que podem produzir danos prejudiciais, argumentam os pesquisadores. Eles fizeram as suas observações no Festival Britânico de Ciência, na Universidade de Aston, em Birmingham. O maior terramoto já registrado no Reino Unido ocorreu no Mar do Norte, ao largo da costa de Yorkshire, em 1931.
A magnitude de 6,1 sacudiu o leste da Inglaterra até Londres, onde a cabeça de cera do infame assassino Dr. Crippen, no Museu de Madame Tussaud, caíu no chão. Um terramoto de magnitude 5 ou superior ocorre em cada cem anos na Grã-Bretanha. Em abril de 1580, um tremor no Estreito de Dover danificou um grande número de edifícios em Londres e matou duas pessoas. Apesar da distância do Estreito de Dover da capital, os solos de argila da cidade tendem a ampliar qualquer agitação. Um terramoto semelhante quase certamente vai ocorrer de novo no futuro. Os cientistas afirmam que estão bastante seguros disso porque o terramoto de 1580 foi uma repetição de um tremor que ocorreu em 1382, com quase o mesmo epicentro, tamanho, magnitude e efeitos.
"Desde 1580 a exposição da sociedade aos terramotos aumentou", disse Roger Musson. "O mesmo terramoto, caso ocorra no futuro, terá um impacto muito maior do que aconteceu no século XVI. Londres, em termos de população, é cerca de 50 vezes maior do que era então na época. Portanto, se duas pessoas foram mortas em Londres em 1580, pode-se imaginar que tipo de escala teria um terramoto contemporâneo do mesmo tamanho." Ninguém sugere que as autoridades de Londres deveriam ter um tipo de planeamento de segurança para desastres parecido ao que ocorre em cidades como Tóquio e São Francisco. Os modernos arranha-céus da capital da Grã-Bretanha devem lidar facilmente com um terremoto de magnitude 5,5. Mas os pesquisadores acreditam que as condições de alguns dos edifícios mais antigos de Londres devem ser revistas.
"Se um de nós sair pelas ruas de Londres nos dias de hoje, basta olhar para os telhados. Provavelmente verá um monte de telhados frágeis, ornamentos antigos e chaminés que surpreendem por não terem desabado na última tempestade", disse Musson. "São os alvos mais susceptíveis de serem danificados. Pode não parecer muito dramático em comparação com edifícios desabando, mas se alguém estiver andando pela rua e uma chaminé cair na sua cabeça, isso é uma má notícia." Este ano, os cientistas europeus completaram o Arquivo Histórico de Dados de Terramotos. É um banco de dados que detalha todos os grandes tremores de terra registrados no continente. Destina-se a planeamentos de segurança, políticos e seguradoras – ou qualquer um interessado no assunto. "Com este recurso, é possível para as pessoas verem o que ocorreu no passado e compreender que cenários de tremores podem ser esperados em algum momento no futuro", disse Musson.

Pesquisa

O egoísmo também pode contribuir para o bem comum...

Fungos "preguiçosos" economizam energia e ajudam população a crescer. Situações semelhantes, segundo os pesquisadores, existem também noutras espécies em que os "egoístas" ajudam em vez de dificultar o conjunto.

A premissa de que a cooperação é essencial para o bem-estar de toda a população acaba de cair por terra. Uma nova pesquisa britânica dá indícios de que os preguiçosos também têm um papel importante na sociedade. Ao estudar populações de levedura - um tipo de fungo -, os cientistas descobriram que uma mistura de "ajudantes" e "egoístas" cresce mais rápido do que uma população utópica formada apenas por "ajudantes". O estudo, que será publicado na próxima semana no jornal online PLoS Biology, usou experiências de laboratório e um modelo matemático para entender como um pouco de egoísmo pode beneficiar toda uma população.
Na pesquisa, a levedura "ajudante" produz uma proteína chamada invertase, que quebra o açúcar (sacarose) para fornecer comida (glicose) para o resto da população. Os "egoístas" comem o açúcar excedente, mas não produzem invertase, e, assim, economizam energia. Verificou-se, então, que a levedura utiliza o açúcar com mais eficiência quando há escassez, por isso os "egoístas" ajudam a população a não desperdiçar comida e energia.
Além disso, como o fungo não consegue perceber quantidade de sacarose que resta para ser consumida, ele desperdiça energia fabricando a invertase mesmo quando o açúcar acaba, retardando o crescimento da população. Contudo, se a maioria da população for de "ajudantes" e alguns "egoístas", nem todos desperdiçam energia limitando o crescimento populacional. De acordo com os autores da pesquisa, os resultados sugerem que a noção comum de "ajudantes" e "egoístas" pode esconder a realidade. Situações semelhantes, segundo os pesquisadores, existem também noutras espécies em que os "egoístas" ajudam em vez de atrapalhar a situação.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Fim de Semana

Eles ainda andam por aí...

Novas descobertas de fósseis de dinossauros comprovam a teoria de que, embora extintos, eles encontram-se presentes na natureza por meio dos seus descendentes – as aves.

Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos, mas as descobertas dos seus fósseis reafirmam a tese de que, por caprichos da evolução, eles continuam presentes entre nós na forma dos seus descendentes – as aves. Um estudo divulgado na semana passada sobre o fóssil de uma espécie de dinossauro até hoje desconhecida, o Tawa hallae, encontrado em 2006 em escavações no estado americano do Novo México, comprova essa tese. Com 213 milhões de anos, o Tawa hallae é um dos mais antigos fósseis de dinossauro já descobertos. A prova do seu parentesco com as aves são os ossos ocos, que tornam o seu esqueleto mais leve e facilitam o voo, além do pescoço alongado em forma de S.
A ideia de que os dinossauros e as aves modernas têm um ancestral comum foi proposta pelo biólogo inglês Thomas Huxley em 1868 e, desde então, tornou-se foco permanente de debate entre os cientistas. Para chegar a essa conclusão, Huxley analisou um fóssil de ave, encontrado em 1861 na Alemanha, que tinha características comuns com os dinossauros, o Archaeop--teryx. A cauda longa e ossuda, os dentes e as garras aproximavam-no dos dinossauros, enquanto as penas e a presença da fúrcula (o osso da sorte) remetiam para a características das aves modernas. O Archaeop-teryx viveu há aproximadamente 140 milhões de anos.

Leveza ancestral

Representação do Tawa hallae, espécie de 213 milhões de anos encontrada nos Estados Unidos: como as aves, ele tinha os ossos ocos, o que diminui o peso do esqueleto, e pescoço em forma de S

A teoria de Huxley ampara-se na teoria da evolução de Darwin, segundo a qual as espécies sofrem mutações aleatórias que, eventualmente, podem originar novas espécies. Os arcossauros, grandes répteis quadrúpedes que surgiram no começo da Era Mesozoica, há 250 milhões de anos, teriam-se diversificado, originando novas linhagens. Uma delas resultou nos crocodilos e jacarés. Outra linhagem deu origem aos dinossauros e, entre eles, os terópodes, o grupo que estaria na ascendência das aves. As penas são óptimos indicadores do parentesco entre os dinossauros e as aves. Em ambas as espécies, as penas assimétricas são as que possibilitam o voo e as simétricas as que cobrem somente o corpo. Acredita-se que, nos dinossauros, as penas serviam primeiramente para exibições em disputas territoriais e rituais de acasalamento. Além disso, actuavam como abrigos térmicos – uma adaptação evolutiva para conservar o calor do corpo. Só posteriormente os dinossauros passaram a usar as penas para voar. Em 2002, foi descoberto na China o Microraptor, o primeiro dinossauro que apresentava evidências de que a espécie era capaz de voar. Tinha penas assimétricas e quatro asas, mas supõe-se que ele voava planando. "Enquanto as penas das patas dianteiras do Microraptor foram crescendo com a evolução, as das patas traseiras foram-se reduzindo até desaparecer", diz o paleontólogo Max Langer, da Universidade de Yale.
Charada resolvida

Anchiornis: a descoberta do seu fóssil, na China, há três meses, elucidou um mistério. Todos os fósseis de dinossauros com penas encontrados até hoje tinham 80 milhões de anos. Com 150 milhões de anos, ele é a prova que faltava de que os dinossauros emplumados surgiram muito antes dos pássaros.
Os cientistas já comprovaram também afinidades de comportamento entre dinossauros e aves, como o instinto para cuidar dos filhotes e organizarem-se socialmente para chocar os ovos. Em 1995, no Deserto de Gobi, na Mongólia, cientistas americanos acharam o fóssil de um Oviraptor de 80 milhões de anos. As suas pernas estavam dobradas atrás do corpo e os seus braços envolviam os ovos. Os pesquisadores acreditam que o animal tenha sido morto repentinamente por uma tempestade de areia e que o seu gesto era uma tentativa de proteger os ovos. No fim de 1998, na Patagónia, Argentina, foram encontrados fósseis de milhares de ovos de dinossauro espalhados por diferentes profundidades numa área de 1 quilómetro quadrado. Supõe-se que todos os anos eles se reuniam na mesma localidade para desovar.
Em setembro deste ano, a equipe do paleontólogo chinês Xu Xing desenterrou, no nordeste do seu país, o fóssil de um dinossauro com penas que ajuda a elucidar um mistério. Todos os fósseis de dinossauro com penas encontrados até hoje têm até 80 milhões de anos, ou seja, viveram há muito menos tempo do que o Archaeop-teryx, a primeira ave de que se tem registo. Isso induziria à hipótese disparatada de que o Archaeop-teryx seria anterior aos seus próprios ancestrais. A descoberta do Anchiornis, na China, mudou tudo. Com no mínimo 150 milhões de anos de idade, ele confirma a tese de que os dinossauros emplumados surgiram muito antes dos pássaros. "Com o Anchiornis, aproximadamente 10 milhões de anos mais velho que a primeira ave, o problema da lacuna de tempo foi finalmente resolvido", diz o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade de Yale. Para uma espécie extinta, os dinossauros permanecem bem presentes no planeta.

Pequeno e feroz

Raptorex: em 50 milhões de anos de evolução, só mudou o tamanho

Um dos mais relevantes fósseis de dinossauro descobertos recentemente é o do Raptorex, o ancestral do feroz Tyrannosaurus rex, o T-rex, popularizado pelo cinema como o maior dos predadores de sua espécie. Para surpresa dos paleontólogos, o Raptorex tem exactamente as mesmas características de seu neto que viveu 50 milhões de anos depois – braços curtos, pernas musculosas e aptas para correr, mandíbulas poderosas e olfacto bem desenvolvido. Tinha, porém, um quinto do seu tamanho. A descoberta fez cair por terra a ideia estabelecida de que as características do T-rex evoluíram ao longo do tempo. Ele apenas cresceu. O fóssil foi descoberto por Paul Sereno, um dos maiores paleontólogos da actualidade, e está 95% completo – falta-lhe apenas um pedaço da cauda. "Só neste ano, 45 novos dinossauros já foram identificados. Acho que a descoberta do Raptorex foi uma das mais importantes, pois revela muito sobre a trajetória dos tiranossauros", disse Sereno na Science and Nature. Os cientistas acreditam que, no período transcorrido entre o reinado do avô e o do neto, muitos tiranossauros de tamanho intermédio habitaram a Terra. Para reagrupar a família, será preciso descobrir novos fósseis.
Moura y Castro

Fonte: Science and Nature

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Avanços da Ciência

A nova Radiologia de Intervenção

Cientistas descobriram novo método para uma 'cirúrgia' sem dor e uma rápida recuperação.

A Radiologia de Intervenção permite através de métodos orientados pelas técnicas da radiologia (Angiografia, Tomografia Computorizada (TAC), Ressonância Magnética, Ecografia e Radiologia convencional) realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos de uma forma minimamente invasiva. A Radiologia de Intervenção (RI) permite realizar “cirurgias” de um modo pouco invasivo, aumentando a qualidade de vida dos doentes, que acabam por beneficiar de uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, com integração mais precoce na vida activa e consequentes ganhos quer a nível individual quer a nível da sociedade.
Apesar de se tratar de um dos sectores médicos com maior expansão na Europa e nos Estados Unidos, em Portugal a Radiologia de Intervensção é uma actividade que o público em geral desconhece, embora existam vários especialistas a exercê-la no nosso país. Segundo Paulo Vilares Morgado, Coordenador da Secção de Radiologia de Intervenção da Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear (SPRMN), “os últimos avanços técnicos e científicos nesta área fazem antever uma verdadeira revolução no tratamento de algumas patologias.
Através da RI é possível proceder à utilização de endopróteses revestidas com fármacos no tratamento da doença arterial periférica, utilizar diversos vectores por via endovascular que carregam substâncias citostáticas/agentes quimioterapêuticos. Recorrendo a algumas das mais inovadoras técnicas é possível aumentar a concentração de substâncias activas dentro de células tumorais e reduzir os efeitos colaterais (exemplo, queda do cabelo, náuseas, vómitos) de uma administração sistémica (por uma veia periférica).
A RI permite ainda proceder à destruição percutânea de lesões tumorais com diversas formas de energia sob orientação de métodos de imagem e que vão da utilização da radiofrequência, aos microondas, aos ultrassons focados, à crioablação, entre outras. O tratamento percutâneo das varizes com técnicas minimamente invasivas como o laser e a radiofrequência, com resultados claramente superiores às técnicas cirúrgicas clássicas, é outro dos exemplos onde poderemos aplicar a RI.
No caso das mulheres, o tratamento percutâneo dos miomas recorrendo a uma técnica minimamente invasiva da Radiologia de Intervenção (RI), a embolização das artérias uterinas, poderá constituir uma alternativa à histerectomia (remoção do útero) para resolver o problema dos fibromiomas sintomáticos (tumores benignos muito vascularizados que nascem nas paredes do útero), permitindo a conservação do útero e nalguns casos a possibilidade de levar uma gravidez a termo. “Hoje é possível preservar o útero e manter a fertilidade.”, refere.
Sem cirurgia clássica e sem dor é possível realizar “pequenas cirurgias” através da radiologia de Intervenção. De salientar que muitas destas técnicas são efectuadas com anestesia local ou com medicamentos sedativos e analgésicos, obviando a uma anestesia geral, com vantagens óbvias para os doentes.
Em termos sócio-económicos esta é uma prática que poderá contribuir para a redução de custos relacionados com os cuidados de saúde, uma vez que os períodos de internamento são curtos, na maioria dos casos inferiores a 24 horas. Por outro lado contribui para uma melhor gestão dos Recursos Humanos e equipamentos hospitalares. Os doentes acabam por permanecer nos hospitais, apenas, o tempo estritamente necessário para a realização da intervenção cirúrgica e da observação do paciente nas primeiras horas após o procedimento.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Universidade do Algarve

Mestrado para professores no âmbito de Bolonha

Estão abertas as candidaturas ao Mestrado em Dinamização das Ciências em Contexto Escolar.

Dinamizar as Ciências Físicas e Naturais em contexto escolar, tendo em conta temas científico-tecnológicos de interesse actual, é o objectivo principal do curso de mestrado em Dinamização das Ciências em Contexto Escolar, oferecido pela Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve. As candidaturas encontram-se a decorrer até ao próximo dia 16 de Outubro.
Adequado às actuais orientações no âmbito das ciências da educação, este curso pressupõe um desenvolvimento profissional e pessoal dos professores, que permita melhorar o processo de ensino e aprendizagem das ciências. “Química Farmacêutica”, “Organismos vivos geneticamente modificados”, “Biomecânica”, entre outros, serão alguns temas focados.
Deste modo, oferecer-se-á aos professores (mestrandos) uma cultura científica que permita a actualização dos seus conhecimentos em várias temáticas, contactando com a investigação em educação, em ciências físicas e naturais e com as metodologias de trabalho de investigação. Pretende-se ainda que os mestrandos elaborem actividades em ciências passíveis de transposição didáctica em contexto escolar, promovam actividades integradas em projectos educativos e entendam o impacto das ciências nos processos de inserção de alunos oriundos de diferentes comunidades.
O mestrado em Dinamização das Ciências em Contexto Escolar destina-se a Licenciados nas áreas de Biologia, Geologia, Física, Química e Ciências da Natureza com habilitação profissional para leccionar no 2.º ou 3.º Ciclo do Ensino Básico ou no Ensino Secundário nas áreas científicas referidas e a profissionais portadores de currículo relevante que atestem competências consideradas indispensáveis para o frequentar.
Consultar mais informações em: http://www.ese.ualg.pt/dinamizacao_ciencias