É "novo", custou milhões, mas mete água... Marinha acredita que dentro de uma semana o submarino, recém-chegado a Portugal, já estará reparado.
O submarino Tridente, que custou a Portugal 500 milhões de euros e chegou há quatro meses, está em terra na Base Naval do Alfeite para reparação do revestimento, que se mostrou demasiado frágil perante as águas do Atlântico. A Marinha confirmou esta manhã que a reparação está a ser feita e que nos próximos dias o navio deve voltar ao mar. Alexandre Fernandes, chefe de relações públicas da Marinha, disse ainda que os custos desta reparação serão suportados na totalidade pelos alemães, uma vez que a garantia ainda está em vigor. Quanto ao segundo submarino, o “Arpão”, já vem com a correcção feita de origem
Uma década de Wikipédia
Dezassete milhões de artigos, em 270 línguas, são apenas alguns dos números desta enciclopédia de acesso livre, disponível a todos através da Internet. Criar uma enciclopédia de acesso livre na Internet, feita pelos cibernautas. A ideia foi posta em prática há precisamente dez anos. A Wikipédia foi lançada no dia 15 de Janeiro de 2001, pelos norte-americanos Jimmy Wales e Larry Sanger, e desde então não parou de crescer.
O site conta actualmente com mais de 17 milhões de artigos, em 270 línguas, sobre as mais variadas áreas do conhecimento. Todos os meses é visitado por mais de 400 milhões de pessoas e conta com a colaboração regular de 100 mil editores de todo o mundo. O Português é a oitava língua mais representada na Wikipédia, com mais de 660 mil textos, entre os quais um sobre a Rádio Renascença. O ranking é liderado pelo Inglês, com cerca de 3,5 milhões de artigos, seguido do Alemão e do Francês.
Manuel de Sousa, membro da Wikimedia Portugal, uma associação de wikipedistas portugueses, começou a colaborar há seis anos e desde então nunca mais parou. “Colaboro desde 2005 como editor registado. Fiz cerca de 14 mil edições, trabalho temas relacionados com História, Geografia, Política, temas ligados à realidade dos países lusófonos, também com o tema do Acordo Ortográfico”, disse à Renascença o director de marketing, de 45 anos, que esteve directamente envolvido na criação da Wikipédia em Tétum, a língua co-oficial de Timor-Leste.
A Wikipédia não tem publicidade e depende de donativos para manter uma equipa de 50 funcionários e os servidores que armazenam toda a informação a funcionar. Os editores espalhados pelo mundo trabalham por amor à camisola e ao conhecimento. "Colaborar com a Wikipédia é um misto de «hobby» e de voluntariado. Nós sacrificamos algum do nosso tempo, uma ou duas horas por dia, a contribuir com o que escrevemos, com fotografias que tiramos, com mapas que fazemos ou gráficos", conta Manuel de Sousa.
A credibilidade da informação
Susana Morais dedica-se, sobretudo, à "História da Arte em Portugal, monumentos e História da Arte em geral". Já perdeu a conta a quantos artigos escreveu, "mas são muitos", refere. A designer, de 32 anos, começou a consultar a enciclopédia online em 2004 e aventurou-se na edição quando encontrou um artigo "com um disparate escrito".
A comunidade de “wikipedista” está empenhada em melhorar a fiabilidade dos dados e a qualidade da informação disponibilizada. Além da revisão efectuada pelos diferentes editores, Susana Morais explica que há um esforço cada vez maior para que todos os artigos sejam acompanhados de referências e notas de rodapé... "Muito importante nos próximos tempos será, pelo menos para nós na Wikimedia Portugal, tentar arranjar parcerias com diferentes entidades, como museus ou arquivos, que possam disponibilizar a informação e que dêem alguma credibilidade, que cada vez é mais necessária, e apostar na formação de professores para ensinarem os alunos a preencherem artigos e a saber como usar a informação que lá está”, diz Susana Morais.
“Guerra de editores”
Quando há situações polémicas, como aconteceu no caso da licenciatura de José Sócrates ou da cidade fronteiriça de Olivença, por vezes acontece o que na gíria da Wikipédia se chama “guerra de editores”. “Uma guerra de edições é alguém que chega lá, altera um pormenor qualquer, e o outro reverte e assim sucessivamente. Quando essas situações ocorrem, quando há mais de três reversões, a página deve ser congelada e bloqueada e, depois, deve-se passar para a página de discussão e as diversas tendências devem discutir os argumentos antes de passar à redacção”, refere Manuel de Sousa.
O administrador desconhece casos de censura ou de eventuais pressões para modificar informação e sublinha que uma alteração “pouco consensual” pode sempre ser corrigida. “Na Wikipédia isso é aberto, por isso é um «work in progress», é um trabalho que está sempre em construção, nunca está terminado, por isso é difícil haver muitas pressões para alterar porque, mesmo que alterassem determinado parágrafo, no dia seguinte se calhar ele já estava outra vez diferente. É uma lógica diferente de um livro ou de um jornal, não é algo fechado, é algo dinâmico”, remata.
Aniversário assinalado em todo o mundo
Os dez anos da Wikipédia comemoram-se este sábado. Em todo o mundo, 300 iniciativas assinalam o lançamento da chamada enciclopédia livre da Internet. Em Lisboa, a festa de aniversário tem início marcado para as 14h30, no Instituto Superior Técnico, e é organizada pela Wikimedia Portugal. Além da exibição do documentário "Truth in Numbers”, vão realizar-se cinco palestras e um debate sobre a Wikipédia. A comemoração dos 10 anos da Wikipédia vai também ter direito a brinde e bolo de aniversário.
Portugueses identificam gene ligado ao desenvolvimento de tumores
Gene "Viriato" está implicado no crescimento celular descontrolado. Cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto identificaram o gene “Viriato”, que controla a proliferação das células e poderá desempenhar um papel no desenvolvimento de tumores.“Graças à sequenciação do genoma nós conseguimos acelerar o processo de identificação de genes importantes para o crescimento celular”, disse Paulo Pereira, coordenador da pesquisa. O cientista explica que falta agora passar da investigação na mosca-da-fruta para os tecidos humanos.
“A próxima etapa é estabelecermos colaboração com grupos que olham para aquilo que acontece em células humanas e sermos capazes de estudar qual é a função do «Viriato» em células humanas”. O trabalho vai agora ser divulgado numa revista da especialidade enquanto se procuram parcerias entre os cientistas portugueses. Uma delas poderá vir a ser com a Fundação Champalimaud, onde começou esta sexta-feira um simpósio internacional para debater os avanços na terapia do cancro. Um dos investigadores do centro, Raghu Kalluri, diz que, embora sejam cada vez maiores os avanços para controlar o cancro, a ciência aposta, sobretudo, em formas de evitar a doença.


