Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

sábado, 15 de janeiro de 2011

Fim de Semana

Submarino “Tridente” já “meteu água”
                                                                                                                                                  
É "novo", custou milhões, mas mete água... Marinha acredita que dentro de uma semana o submarino, recém-chegado a Portugal, já estará reparado.
                                                       
O submarino Tridente, que custou a Portugal 500 milhões de euros e chegou há quatro meses, está em terra na Base Naval do Alfeite para reparação do revestimento, que se mostrou demasiado frágil perante as águas do Atlântico. A Marinha confirmou esta manhã que a reparação está a ser feita e que nos próximos dias o navio deve voltar ao mar. Alexandre Fernandes, chefe de relações públicas da Marinha, disse ainda que os custos desta reparação serão suportados na totalidade pelos alemães, uma vez que a garantia ainda está em vigor. Quanto ao segundo submarino, o “Arpão”, já vem com a correcção feita de origem
                                                      
Uma década de Wikipédia
                                                                                             
Dezassete milhões de artigos, em 270 línguas, são apenas alguns dos números desta enciclopédia de acesso livre, disponível a todos através da Internet. Criar uma enciclopédia de acesso livre na Internet, feita pelos cibernautas. A ideia foi posta em prática há precisamente dez anos. A Wikipédia foi lançada no dia 15 de Janeiro de 2001, pelos norte-americanos Jimmy Wales e Larry Sanger, e desde então não parou de crescer.
O site conta actualmente com mais de 17 milhões de artigos, em 270 línguas, sobre as mais variadas áreas do conhecimento. Todos os meses é visitado por mais de 400 milhões de pessoas e conta com a colaboração regular de 100 mil editores de todo o mundo. O Português é a oitava língua mais representada na Wikipédia, com mais de 660 mil textos, entre os quais um sobre a Rádio Renascença. O ranking é liderado pelo Inglês, com cerca de 3,5 milhões de artigos, seguido do Alemão e do Francês.
Manuel de Sousa, membro da Wikimedia Portugal, uma associação de wikipedistas portugueses, começou a colaborar há seis anos e desde então nunca mais parou. “Colaboro desde 2005 como editor registado. Fiz cerca de 14 mil edições, trabalho temas relacionados com História, Geografia, Política, temas ligados à realidade dos países lusófonos, também com o tema do Acordo Ortográfico”, disse à Renascença o director de marketing, de 45 anos, que esteve directamente envolvido na criação da Wikipédia em Tétum, a língua co-oficial de Timor-Leste.
A Wikipédia não tem publicidade e depende de donativos para manter uma equipa de 50 funcionários e os servidores que armazenam toda a informação a funcionar. Os editores espalhados pelo mundo trabalham por amor à camisola e ao conhecimento. "Colaborar com a Wikipédia é um misto de «hobby» e de voluntariado. Nós sacrificamos algum do nosso tempo, uma ou duas horas por dia, a contribuir com o que escrevemos, com fotografias que tiramos, com mapas que fazemos ou gráficos", conta Manuel de Sousa.
                                                                                         
A credibilidade da informação
                                                                                                       
Susana Morais dedica-se, sobretudo, à "História da Arte em Portugal, monumentos e História da Arte em geral". Já perdeu a conta a quantos artigos escreveu, "mas são muitos", refere. A designer, de 32 anos, começou a consultar a enciclopédia online em 2004 e aventurou-se na edição quando encontrou um artigo "com um disparate escrito".
A comunidade de “wikipedista” está empenhada em melhorar a fiabilidade dos dados e a qualidade da informação disponibilizada. Além da revisão efectuada pelos diferentes editores, Susana Morais explica que há um esforço cada vez maior para que todos os artigos sejam acompanhados de referências e notas de rodapé... "Muito importante nos próximos tempos será, pelo menos para nós na Wikimedia Portugal, tentar arranjar parcerias com diferentes entidades, como museus ou arquivos, que possam disponibilizar a informação e que dêem alguma credibilidade, que cada vez é mais necessária, e apostar na formação de professores para ensinarem os alunos a preencherem artigos e a saber como usar a informação que lá está”, diz Susana Morais.
                                                                                                                       
“Guerra de editores”
                                                                                                         
Quando há situações polémicas, como aconteceu no caso da licenciatura de José Sócrates ou da cidade fronteiriça de Olivença, por vezes acontece o que na gíria da Wikipédia se chama “guerra de editores”. “Uma guerra de edições é alguém que chega lá, altera um pormenor qualquer, e o outro reverte e assim sucessivamente. Quando essas situações ocorrem, quando há mais de três reversões, a página deve ser congelada e bloqueada e, depois, deve-se passar para a página de discussão e as diversas tendências devem discutir os argumentos antes de passar à redacção”, refere Manuel de Sousa.
O administrador desconhece casos de censura ou de eventuais pressões para modificar informação e sublinha que uma alteração “pouco consensual” pode sempre ser corrigida. “Na Wikipédia isso é aberto, por isso é um «work in progress», é um trabalho que está sempre em construção, nunca está terminado, por isso é difícil haver muitas pressões para alterar porque, mesmo que alterassem determinado parágrafo, no dia seguinte se calhar ele já estava outra vez diferente. É uma lógica diferente de um livro ou de um jornal, não é algo fechado, é algo dinâmico”, remata.
                                                                                                  
Aniversário assinalado em todo o mundo
                                                                                                         
Os dez anos da Wikipédia comemoram-se este sábado. Em todo o mundo, 300 iniciativas assinalam o lançamento da chamada enciclopédia livre da Internet. Em Lisboa, a festa de aniversário tem início marcado para as 14h30, no Instituto Superior Técnico, e é organizada pela Wikimedia Portugal. Além da exibição do documentário "Truth in Numbers”, vão realizar-se cinco palestras e um debate sobre a Wikipédia. A comemoração dos 10 anos da Wikipédia vai também ter direito a brinde e bolo de aniversário.
                                                                                                       
Portugueses identificam gene ligado ao desenvolvimento de tumores
                                                                                                    
Gene "Viriato" está implicado no crescimento celular descontrolado. Cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto identificaram o gene “Viriato”, que controla a proliferação das células e poderá desempenhar um papel no desenvolvimento de tumores.“Graças à sequenciação do genoma nós conseguimos acelerar o processo de identificação de genes importantes para o crescimento celular”, disse Paulo Pereira, coordenador da pesquisa. O cientista explica que falta agora passar da investigação na mosca-da-fruta para os tecidos humanos.
“A próxima etapa é estabelecermos colaboração com grupos que olham para aquilo que acontece em células humanas e sermos capazes de estudar qual é a função do «Viriato» em células humanas”. O trabalho vai agora ser divulgado numa revista da especialidade enquanto se procuram parcerias entre os cientistas portugueses. Uma delas poderá vir a ser com a Fundação Champalimaud, onde começou esta sexta-feira um simpósio internacional para debater os avanços na terapia do cancro. Um dos investigadores do centro, Raghu Kalluri, diz que, embora sejam cada vez maiores os avanços para controlar o cancro, a ciência aposta, sobretudo, em formas de evitar a doença.
                                                                                         
                                                                           

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Recorte de Imprensa

Isto não vai acabar bem

A luta pelas presidenciais só agora começou e já se percebeu que vai acabar mal. Entre Sócrates e Cavaco Silva já não há paz possível

                                       
O dano colateral mais relevante desta campanha presidencial é a consumação do corte entre Aníbal Cavaco Silva e José Sócrates. No próximo mandato de Cavaco Silva - não acredito na possibilidade de Manuel Alegre ser eleito este mês para a presidência da República, mesmo acreditando eu em milagres - vamos ver de facto o que o fim do mandato presidente já prenunciava: um Presidente que não tem um pingo de confiança num primeiro-ministro que já não quer merecer a sua confiança.

Não tendo nada a ver com presidenciais, esta será uma herança directa da campanha a que Manuel Alegre, com um forte empurrão do Bloco de Esquerda, foi obrigado. Na verdade, o Manuel Alegre que esteve na RTP, há tão pouco tempo, em debate com Cavaco Silva não é o mesmo que primeiro exigia "apenas" a resposta a uma pergunta e hoje usa os palcos de comícios e os microfones que lhe estendem para acusar o ainda Presidente de se vitimizar. Com o séquito dos seus apoiantes a bradar cada vez mais alto, pondo em causa a seriedade, é fácil a Alegre pretender que não faz qualquer ataque pessoal e que se limita a explorar o peso político das opções de investimento de Cavaco Silva. É fácil, mas não inteiramente inocente. Porque apesar das questões serem legítimas - e, no meu entender, são mesmo absolutamente legítimas - a forma como são postas e a sua intenção é inequivocamente pôr em causa a seriedade de Cavaco Silva. E se isso não é um ataque pessoal, não sei o que são ataques pessoais. Sejamos adultos: os ataques pessoais em política são ataques políticos, mas não deixam de ser pessoais. Tão pessoais quanto a acusação de que o candidato Manuel Alegre tinha feito publicidade ao Banco Privado Português, uma simpática moeda de troca: um candidato teve acções de um banco nacionalizado? Sim, teve e sim, vendeu-as com um lucro considerável, legalmente isento de mais-valias. Mas e o que fez o outro candidato? O outro fez publicidade (proibida por lei aos deputados) a outro banco - não nacionalizado mas basicamente falido no meio de suspeições e de amparo público. E que fez o candidato Manuel Alegre, que tanto acusa Cavaco Silva de não responder às suas perguntas? Fechou-se em casa, "vítima de uma indisposição" que durou enquanto duravam as questões do BPP, agravadas com as declarações do banco e da agência de publicidade contrariando frontalmente as explicações de Manuel Alegre sobre o texto que escreveu para o BPP.

Mas, adiante, que este episódio pouco mais vale do que as bananas da campanha em que Basílio Horta queria que Soares tropeçasse numa das suas campanhas.

Voltando ao futuro, vamos ter um mandato em que Cavaco Silva dificilmente manterá a cooperação institucional que tem tido com o governo. Pode dizer-se que as relações entre Cavaco e Sócrates tinham já sido abaladas publicamente. Primeiro, pelo episódio do estatuto dos Açores, segundo, pelo caso das escutas aos assessores do Presidente - que acabou por não ter quaisquer escutas mas nem por isso deixou de ser um caso "fabricado" na guerra entre Belém e São Bento.

Mesmo que Cavaco esteja disposto a tréguas, o próprio governo se encarregará de as impedir. Entre Sócrates e Cavaco não voltará a haver entendimento ou mesmo compreensão. Acabou a paz. E quando a paz acaba, resta a guerra.

                                                             
Inês Serra Lopes
Grande repórter
                                                         
Publicado em 12 de Janeiro de 2011  
                                               
Ler em: http://www.ionline.pt/conteudo/98060-isto-nao-vai-acabar-bem

                                            
                                            

Dívida externa

Portugal coloca dívida a juros mais baixos
                                                                                                                           
E ganha novo fôlego em relação ao FMI. A procura excedeu a oferta e o Governo conseguiu colocar os 1.250 milhões de euros a juros abaixo dos 7%.
                                               
O Tesouro português colocou hoje obrigações a dez anos com uma taxa de juro de 6,716%, inferior à da emissão anterior, tendo tido uma procura 3,2 vezes superior à da oferta. Na maturidade a quatro anos, a taxa de juro foi de 5,396%. Estes valores dão novo fôlego ao Governo para resistir à entrada do FMI em Portugal. Esta foi a primeira colocação portuguesa de Obrigações do Tesouro a cinco e dez anos desde que a Irlanda recebeu auxílio internacional.
                                                                                      
Francisco Sarsfield Cabral: Resultados desta emissão de dívida são positivos
                                                                                                       
O tesouro português levou a leilão obrigações do tesouro com maturidade em Outubro de 2016 e em Junho de 2020, no mínimo de 300 milhões de euros em cada linha, segundo o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), num montante indicativo entre 750 e 1.250 milhões de euros. Portugal necessita, em 2011, de assegurar 20 mil milhões de euros a encaixar, sobretudo, através da emissão Obrigações do Tesouro, com diferentes maturidades. Na terça-feira, os juros da dívida portuguesa a dez anos recuaram para os 6,889%, depois de terem batido máximos e atingido os 7,913% na sexta-feira.
                                                                                           
Risco de incumprimento de Portugal desce após leilão da dívida
                                                                                                       
Em Espanha, o leilão da dívida pública portuguesa está a ser interpretado como um êxito. Professor Salvador Ortiguera diz que apesar da dívida ter sido colocada perto dos 7%, "isto foi interpretado positivamente, porque as expectativas eram bem piores”. O risco de incumprimento de Portugal é o que mais desce em todo o mundo. Os seguros contra o incumprimento da dívida portuguesa a dez anos registam hoje a maior descida numa reacção à emissão de dívida bem sucedida desta manhã, seguidos pelos seguros da Grécia, Espanha, Itália e Bélgica.
Em Espanha, o leilão da dívida pública portuguesa está a ser interpretado como um êxito. De acordo com Salvador Ortiguera, professor de Finanças Públicas do Instituto de Economia da Universidade Carlos III, de Madrid, este pode ser um sinal de que Portugal poderá não precisar de ajuda. “Entendo que isto é uma questão de expectativas. Apesar da dívida ter sido colocada bem perto dos 7%, isto foi interpretado positivamente, porque as expectativas eram bem piores”, argummenta.
“No fim-de-semana, várias autoridades e políticos da União Europeia aludiam à necessidade de Portugal recorrer à ajuda externa. À luz dessas interpretações, só podemos interpretar o leilão de hoje como um êxito e como um sinal de que Portugal poderá não precisar de ajuda”, Salvador Ortiguera. Entretanto, a China terá comprado 1,1 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa na sexta-feira. A informação está a ser avançada pela agência de notícias Dow Jones. Analistas contactados pela agência consideram que esta emissão vai aliviar pressões sobre Portugal. O nosso país precisa de se financiar este ano na ordem dos 46 mil milhões de euros.
                                                                                                       
Primeiro-ministro diz que emissão de dívida foi "um sucesso"
                                                                                                   
José Sócrates diz que "é o reconhecimento por parte dos mercados" de que Portugal "está a fazer o que deve". O primeiro-ministro considerou a colocação da dívida portuguesa hoje nos mercados de capitais foi "um sucesso, qualquer que seja o parâmetro pelo qual se analise".
O leilão de hoje foi "um sucesso na procura e um sucesso no preço, e isso é a melhor demonstração de confiança na economia portuguesa por parte dos mercados", sublinhou José Sócrates, rodeado de dezenas de representantes da imprensa internacional, à entrada para a Heimtextil, em Frankfurt, na Alemanha.
José Sócrates acrescentou que o resultado da operação de refinanciamento o deixou "muito satisfeito", considerando-o "o reconhecimento por parte dos mercados de quer Portugal está a fazer o que deve". O chefe de Governo lembrou depois que o comportamento da economia portuguesa em 2010 "foi sem dúvida surpreendente", como já tinha sustentado na véspera, em Lisboa. "Não só vamos ter um défice menor do que esperávamos, e uma redução do défice superior a dois pontos percentuais, como vamos ter um crescimento económico superior a 1,3%", disse o primeiro-ministro.
Na opinião de José Sócrates, a colocação da dívida a juros menores do que têm vigorado ultimamente em diversas maturidades é "a reação dos mercados à boa conduta do governo português de reduzir o défice e pôr as contas em ordem", acrescentou. "Portugal não vai baixar os braços e o Governo português não vai baixar os braços. O meu dever é estar ao lado de todos os portugueses, que dão o seu melhor para a recuperação económica do país. E estou em Frankfurt para estar ao lado das empresas portuguesas", disse o primeiro-ministro, que visitou a Heimtextil, a maior feira do mundo de têxteis para o lar, onde estão 56 expositores portugueses. O Tesouro português colocou hoje obrigações a dez anos com uma taxa de juro de 6,716%, inferior à da emissão anterior, que atingiu os 6,806%, tendo tido uma procura 3,2 vezes superior à da oferta. A procura bateu o recorde dos últimos dez anos.
                                                                                      
Teixeira dos Santos fecha a porta. "Não há necessidade de ajuda externa"
                                                                                                                     
Ministro das Finanças espera que as taxas desçam à medida que os países em crise mostrem resultados positivos. “Um sucesso” é como classificou esta tarde o ministro das Finanças a colocação de dívida desta manhã. Portugal vendeu mil 250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a juros abaixo dos que têm sido praticados no mercado. Perante estes resultados, o ministro volta a fechar a porta: Portugal não precisa de ajuda externa e está a conseguir financiar-se sozinho.
Portugal não precisa de ajuda externa, diz Teixeira dos Santos. “Uma das conclusões a retirar da operação de hoje é que Portugal está em condições de ir ao mercado, tem procura e consegue, nesta conjuntura, condições de preço que são aceitáveis - e diria até favoráveis neste contexto. Perante isto, não há necessidade de ajuda externa”, garantiu Teixeira dos Santos.
Portugal não precisa de ajuda externa, diz Teixeira dos Santos. “O conjunto destas duas operações foi claramente um sucesso, porque a procura triplicou o montante emitido, o que é um recorde nos tempos mais recentes. Por outro lado, as taxas a que as operações se realizaram são claramente inferiores às taxas do mercado secundário. Em terceiro lugar, cerca de 80% da procura é proveniente do exterior e 20% proveniente de investidores domésticos”, sublinhou Teixeira dos Santos.
                                                                                
Teixeira dos Santos espera que taxas ainda baixem mais
                                                                                                                  
O ministro das Finanças espera ainda que este seja o início da descida dos juros sobre a dívida soberana. “Evidentemente, as taxas estão mais elevadas. À medida que os países da zona Euro, em particular os que estão a ser mais afectados, incluindo Portugal, apresentem os resultados das suas políticas, espero que a desconfiança dos mercados se vá desanuviando e as taxas baixem”, afirmou o ministro.
                                                            
Alemanha reage positivamente ao leilão da dívida pública portuguesa
                                                                                                             
Ministro alemão espera entendimento em Fevereiro ou Março sobre o pacote alargado para tentar travar a crise da dívida nos países da Zona Euro. O ministro alemão das Finanças classifica de “encorajador” o leilão da dívida pública portuguesa realizado hoje. Wolgang Schaeuble referiu esta tarde que os países da Zona Euro estão preparar um pacote alargado para tentar travar a crise das dívidas. Apesar do esforço, o responsável das contas alemãs não acredita que esse pacote esteja pronto a tempo da próxima reunião dos ministros da Zona Euro, a realizar segunda-feira. Schaeuble está esperançado que haja entendimento em Fevereiro ou Março, nas próximas cimeiras da União Europeia.
                                                                                 
Imprensa estrangeira céptica quanto à capacidade de Portugal evitar o FMI
                                                                                                                        
Jornais gregos, irlandeses e o "Wall Street Journal" continuam a sublinhar a inevitabilidade de Portugal ter de recorrer, mais cedo ou mais tarde, a ajuda externa. Da Grécia aos Estados Unidos, os jornais mostram-se surpreendidos com o sucesso da operação de colocação de dívida levada a cabo por Lisboa esta manhã, mas o tom mantém-se céptico em relação à capacidade da economia portuguesa se salvar sem ajuda externa. Os jornais gregos com edição "online" realçam que Portugal conseguiu negociar abaixo dos 7%, mas, tal como a imprensa irlandesa, afirmam que a maioria dos analistas duvida que Lisboa possa evitar por muito mais tempo o recurso a ajuda externa. O jornal grego "Ethnos" diz que as atenções centram-se agora em Espanha, que vai hoje aos mercados.
                                                                                                          
A Grécia e a Irlanda já foram intervencionadas
                                                                                                            
"Alívio" no "Financial Times", "situação insustentável" no "Wall Street". Os jornais financeiros destacam o efeito positivo da operação portuguesa sobre os mercados internacionais. O "Financial Times" fala mesmo em “alívio” dos bancos com a notícia de Portugal. O "Wall Street Journal", contudo, regressa à ideia de que a situação portuguesa é insustentável a prazo. “Leilão compra tempo, mas resgate visto como inevitável”, diz uma manchete. Os analistas citados por este jornal americano dizem, no geral, que este sucesso não muda grande coisa e que as taxas praticadas continuam a ser insustentáveis. A imprensa de língua alemã e francesa realçam o facto de a procura ter excedido a oferta no leilão de hoje e de a taxa praticada ser inferior ao que se previa. Realçam ainda os efeitos positivos sobre as bolsas de hoje. Espanha, que hoje vai procurar vender dívida, destaca naturalmente as notícias vindas de Lisboa. O "El Mundo" recorda os rumores de que a França e a Alemanha teriam pressionado Portugal a aceitar ajuda externa, o que fez disparar as taxas, e as consequentes perdas para a banca lusa.
                                                                                                        
Bispos alertam para "uma certa crise da protecção social"
                                                                                                                          
Fundo Social Solidário criado pela Igreja Católica já atendeu 323 pessoas. A Igreja Católica recomendou hoje uma maior atenção às medidas de protecção social, sublinhando que se verificam cada vez mais situações de pobreza por todo o país, e criticou o Estado por não ter respondido a algumas "propostas inovadoras". "As recomendações são sobretudo a uma atenção às medidas de protecção social, porque achamos que há aqui uma certa crise da protecção social das pessoas, sobretudo daqueles que tinham rendimento social de inserção e foi cortado com estes reajustamentos e ficaram aflitos e há situações que vão crescendo", defendeu o porta-voz da Pastoral Social.
                                                                    
D. Carlos Azevedo alerta para "uma certa crise"
                                                                                                 
Em declarações aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Consultivo da Comissão Episcopal, em Fátima, o Bispo D. Carlos Azevedo lembrou que neste momento "os hospitais não têm capacidade e mandam pessoas para as instituições da Igreja Católica", situação que se repete ao nível da Segurança Social, porque "não tem dinheiro", o que revela a tal "crise da protecção social". "Sabemos que o desemprego vai continuar a aumentar neste ano e ao longo do próximo ano e, portanto, mais situações se vão agravar e também aqui o Estado tem de estar muito mais atento e dentro da sua míngua atender a quem mais está aflito, porque às vezes parece que está mais atento a quem tem muito e não tão atento a quem não tem nada", sublinhou.
Da reunião saiu a constatação de que se verificam cada vez mais situações de pobreza que aparecem um pouco por todo o país" e um balanço do trabalho desenvolvido pelo Fundo Social Solidário, criado recentemente e que já atendeu 323 pessoas. "A experiência do Fundo Social Solidário fez notar como há uma generosidade grande por parte das pessoas para socorrer e para partilhar mesmo estando em necessidade, o que é surpreendente em como começa a haver um sentido de partilha de bens entre as várias comunidades", frisou D. Carlos Azevedo.
                                                                                               
D. Carlos Azevedo defende apoios à criação de auto-emprego
                                                                                                                        
Ao mesmo tempo, o Bispo realçou que da parte do Estado não tem havido resposta, mesmo quando essa resposta tem que ver com propostas concretas apresentadas pelas instituições da Igreja Católica. De acordo com o porta-voz da Pastoral Social, são sobretudo propostas de auto-emprego que contam agora com a ajuda de instituições bancárias. "Estamos continuamente atentos para que não seja uma ajuda que no mês seguinte vai voltar a ser pedida e a pessoa nunca sai da sua situação, mas antes começar a encontrar respostas de auto-emprego e para isso é preciso algum fundo económico e há instituições bancárias que estão dispostas a fazê-lo", revelou. No final, D. Carlos Azevedo deixou ainda o apelo para que "nesta hora tão grave do ponto de vista social" haja uma participação e uma responsabilização cada vez maior por parte da sociedade portuguesa.
                                                                                              
Cavaco Silva não exclui cenário de “crise política grave” em Portugal
                                                                                                                       
Para o recandidato a Belém, um Presidente da República tem de estar “acima dos partidos políticos” porque é “a reserva de último recurso em caso de crise grave”. O actual Presidente da República e recandidato a Belém afirma que "não se pode excluir uma crise política grave" em Portugal. Foi este o argumento que Cavaco Silva utilizou hoje, na Guarda, para defender uma posição supra-partidária. Um Presidente da República, afirma Cavaco Silva, tem de estar “acima dos partidos políticos”, porque é “a reserva de último recurso em caso de crise grave”. “E nós não podemos, de facto, excluir a possibilidade de existir uma crise grave em Portugal, não apenas no plano económico e social, mas também no plano político”.
Se for novamente eleito à frente dos destinos do país, o recandidato à Presidência garante rigor na avaliação ao Governo. “Serei exigente em relação ao Executivo. Prestarei uma atenção muito cuidada em relação a todas as leis que receba do Governo ou da Assembleia da República”, sublinha. Cavaco Silva fez questão de frisar que, da mesma forma que será exigente, também estará aberto ao diálogo. Garante que estará “sempre disposto a cooperar, quer com a Assembleia, quer com o Governo, para a resolução dos grandes problemas de Portugal”. “Há duas coisas que são fundamentais na minha vida e, principalmente, na minha vida política: falar verdade aos portugueses e colocar sempre em primeiro lugar o superior interesse de Portugal”, remata.
                                                                           
Palavras de Cavaco provocam “instabilidade ao país”, acusa Alegre
                                                                                                                 
Já o candidato do PCP, Francisco Lopes, acusa o recandidato a Belém de sacudir a água do capote. Manuel Alegre acusou Cavaco Silva de estar a provocar instabilidade no país. O candidato a Belém, apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda, diz que Portugal precisa de ter um Presidente que dê estabilidade aos portugueses. “Com as declarações que fez na Guarda, Cavaco Silva deixou pairar no ar uma ameaça de instabilidade política. Falou, por certo, para os seus eleitores, para aqueles que esperam que, no caso de ele ser eleito, venha a dissolver a Assembleia da República”. “Tornou-se num factor de instabilidade e num factor de dúvida”, acusa Alegre. O candidato afirma que o país precisa de um Presidente que seja “factor de estabilidade política, social, porque não há estabilidade política sem estabilidade social”. Segundo Manuel Alegre, um Presidente da República deve incutir “confiança” aos portugueses” e deve ainda ser “leal aos outros órgãos de soberania e com a sociedade portuguesa”.
                                                                                                     
Francisco Lopes acusa Cavaco de sacudir a água do capote
                                                                                                          
Quem também reagiu às palavras de Cavaco Silva, que hoje disse que "não se pode excluir uma crise política grave" em Portugal, foi o candidato do PCP. Francisco Lopes acusa o recandidato a Belém de sacudir a água do capote. “A pouco dias das eleições presidenciais ele quer desresponsabilizar-se de uma política económica e social em que está progressivamente envolvido e que trouxe o país à situação de atoleiro económico e de injustiças sociais brutais”, acusa, acrescentando que Cavaco “procura arranjar estes ou aqueles elementos para dizer que nada tem que ver com isso”.
                                                                                                               
Fernando Nobre apela ao voto útil
                                                                                                                                   
O candidato Fernando Nobre afirma, por seu lado, que Alegre está encostado a radicalismos e por isso tentou hoje captar o voto útil. “Não gosto de apelar ao voto directamente em mim. Eu diria às pessoas: por favor votem em consciência”, aconselha o candidato e médico. “Agora uma coisa em certa”, sublinha, “assumam as vossas responsabilidades porque sinceramente acredito que o único útil nesta campanha presidencial é em mim”.
                                                                                                                                           
Manuel Coelho promete ser um Mourinho em Belém
                                                                                                                        
Na Madeira, José Manuel Coelho, esteve em campanha no concelho de Machico e promete ser de tudo em Belém: um sinaleiro, um árbitro, enfim uma espécie de José Mourinho. “Um árbitro muitas vezes não sabe jogar futebol, mas dirige os futebolistas, porque para jogar ao futebol existem os jogadores”, afirma o candidato madeirense. “Eu vou ser o José Mourinho da política portuguesa”, garante.
                                                                                                                       
Defensor de Moura saúda venda da dívida portuguesa
                                                                                                                      
O candidato Defensor de Moura diz que fica satisfeito pela dívida portuguesa ter sido colocada hoje no mercado com juros abaixo dos 7%. Mas acrescenta que é preciso cautela. “Estou obviamente satisfeito por verificar que o cumprimento orçamental está a permitir uma recuperação da credibilidade da governação do país e isso é muito importante, mas também não quero embandeirar em arco”, afirma Defensor de Moura. Ontem, o dia ficou marcado pela emissão de divida a 10 anos com uma procura três vezes superior à oferta e com um juro de 6,7%.
                                                                                                
Casino de Vilamoura foi alvo de assalto fracassado
                                                                                                                   
Os assaltantes foram surpreendidos pelo segurança já dentro do edifício. O Casino de Vilamoura foi alvo, esta madrugada, de uma tentativa de assalto, que acabou por não se concretizar. Um grupo de três ou quatro indivíduos foi surpreendido pelo segurança do casino, numa altura em que já se encontravam no interior do edifício e já a tentar arrombar o cofre. Com o aparecimento do segurança – que foi entretanto agredido e manietado, – o grupo colocou-se em fuga, sem que tenha conseguido concretizar o assalto.
                                                                                                                           
                                                                                                                  

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A época de oiro do desenho animado no cinema

FMI à porta?

Cavaco avisa que Portugal deve estar preparado para o FMI
                                                                                                                                     
Presidente-candidato não deseja uma crise política, mas afirma que a "estabilidade política não é um fim em si". Alegre suspenderá campanha, se Cavaco quiser assumir lederança junto dos paízes da UE.
                                              
Portugal vive uma situação difícil e deve estar preparado para uma intervenção do Fundo Europeu de Estabilização e do Fundo Monetário Internacional (FMI), avisa Cavaco Silva. Em entrevista à RTP, o candidato à reeleição para a Presidência da República recorda que o Governo diz que está a "fazer tudo" ao seu alcance para evitar esse cenário e considera “fundamental" que a execução orçamental alcance os resultados previstos no primeiro trimestre. Em caso de uma intervenção do FMI, Cavaco Silva espera que seja possível manter o “clima de coesão” e de diálogo entre as forças políticas e sociais. Face a possíveis medidas de austeridade, receia que os analistas internacionais não conheçam a situação social "muito difícil" do país, com 600 mil desempregados. O professor de Economia diz que “o país tem sempre a alternativa de vender activos ao estrangeiro” para tentar obter financiamento e tentar evitar o recurso a ajuda internacional.
                                                                                 
"Estabilidade política não é um fim em si"
                                                                                                        
Sobre as declarações do líder do PSD, para quem a vinda do FMI deixaria o Governo de José Sócrates sem condições para liderar a recuperação, Cavaco Silva diz que a estabilidade política é importante, mas “não é um fim em si”. “Gostaria que não ocorresse uma crise política no país, mas a estabilidade não é um fim em si, é um meio para ajudar a resolver os problemas do país”, declarou. Em caso de uma moção de censura ao Governo, Cavaco Silva refere que, se for reeleito, só poderá dissolver o Parlamento depois de 9 de Março. “Se for aprovada uma moção de censura, o Presidente terá, talvez, de convovar o Conselho de Estado, ouvir os partidos na Assembleia da República e depois tomar uma decisão ponderada, que melhor sirva os interesses do país”, sublinhou.
                                                                              
Caso BPN
                                                                                                
Sobre o negócio com acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), antiga detentora do BPN, Cavaco Silva reafirma que está tudo esclarecido e que só por má fé é que o "caso" foi recuperado nesta campanha. Diz que se limitou a colocar as poupanças pessoais em várias brancos e que pediu para que fossem aplicadas de forma a “obter o máximo de rendimento”. O candidato a Belém garante que nunca discutiu o preço de compra ou venda de acções e afirma: “nem cheguei a saber quanto eram as mais valias, porque sugeriram logo aplicações em acções estrangeiras com nomes esquisitos”.
                                                                                                        
Se Cavaco interromper a campanha, Alegre diz que também o fará
                                                                                                                                
"Penso que este é o momento de os portugueses se unirem" para evitar intervenção do FMI, defende Manuel Alegre. O candidato presidencial Manuel Alegre assegurou hoje que, se Cavaco Silva quiser interromper a sua campanha para fazer diligências internacionais por causa dos juros da dívida portuguesa, "com certeza" que também suspenderá a sua. "Se o senhor Presidente quiser fazer diligências juntos de outros chefes de Estado, junto de entidades europeias para explicar que esta situação é injusta para Portugal, que estamos perante uma pressão especulativa que não corresponde à situação económica do país, se quiser fazer essas diligências e inclusivamente interromper a campanha terá a minha compreensão e terá o mau apoio", declarou Alegre.
“Penso que este é o momento de os portugueses se unirem, independentemente das suas posições políticas e ideológicas. É o momento dos portugueses resistirem e de colocar o interesse nacional acima de outras considerações”, salientou. O candidato presidencial apoiado pelo PS e Bloco de Esquerda falava aos jornalistas à entrada para um comício da sua candidatura na Marinha Grande. Questionado sobre se a entrada do FMI é inevitável, Manuel Alegre acusa Cavaco Silva ser “ter uma atitude excessivamente passiva e muito próxima daqueles que até sorriem quando se fala da entrada do FMI em Portugal”.
                                                                          
Primeiro-ministro deverá anunciar défice abaixo do esperado
                                                                                                                
José Sócrates deverá apresentar dados da execução orçamental do ultimo trimestre de 2010, que mostram que os objectivos definidos estão a ser cumpridos e que a execução está a um nível melhor do que o esperado. O primeiro-ministro José Sócrates vai fazer amanhã uma comunicação sobre a situação económica do país, marcada para as 9h30, na residência oficial. O Governo, numa tentativa de acalmar os mercados, prepara-se para antecipar a divulgação dos resultados da execução orçamental do último trimestre de 2010, com números bem melhores do que o inicialmente projectado pelo executivo.
Com esta comunicação, o primeiro-ministro pretende dar um sinal de confiança e mostrar o bom comportamento de Portugal em vésperas de emissão de dívida pública a 10 anos, prevista para quarta-feira. Em circunstâncias normais os resultados da execução orçamental apenas seriam publicados no dia 20. Recorde-se que os juros da divida pública portuguesa continuam próximos dos máximos históricos dos últimos dias, quando atingiram os 7,2%. Na semana passada, o secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, assegurou que a meta de 7,3% de défice orçamental em 2010 será alcançada
                                                                                      
Portugal já tem "políticas do FMI", afirma Francisco Lopes
                                                                                                                                    
Candidato presidencial desdramatiza eventual queda do Governo no cenário de intervenção do FMI em Portugal. As políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) já estão a ser aplicadas em Portugal, alertou o candidato presidencial Francisco Lopes, numa acção de campanha na AutoEuropa. “A política do FMI não é mais nem menos do que a política da União Europeia, a política a favor dos grandes grupos económicos e financeiros, só que vão por fases: foi PEC1, PEC 2, Orçamento, reformas estruturais e agora querem o passo seguinte, sempre a afundar o país”, argumentou.
O candidato presidencial apoiado pelo PCP desvaloriza a especulação, estrangeira e doméstica, sobre o recurso de Portugal à ajuda financeira internacional. Num recado ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, segundo o qual a vinda do FMI deixaria o Governo sem condições de liderar a recuperação, Francisco Lopes considera que andam a criar “cortinas de fundo”. "Não venha, seja quem for, colocar a questão «Governo, não Governo», quando está a cair sobre os portugueses esta política desastrosa”, declarou. Francisco Lopes distribuiu panfletos à porta da AutoEuropa e criticou Cavaco Silva por dizer que foi num Governo seu que a fábrica de automóveis se instalou em Portugal.
                                                                                           
O euro respira com dificuldade. Vai sobreviver?
                                                                                                         
João César das Neves e João Ferreira do Amaral analisam a crise na "eurolândia". Demasiada tolerância, falta de regras e problemas estruturais são apontados como causas das atribulações da moeda única. Há países a cair – na economia actual, "cair" é sinónimo de intervenção do FMI. O receio entre os defensores da moeda única é que "cair" evolua para um sinónimo que determine a queda do euro. Grécia e Irlanda já caíram à luz do sinónimo actual: o FMI entrou em ambos os países. Portugal é apontado há muito como o próximo a tropeçar e as pressões para o Governo de José Sócrates pedir apoio são notícia além-fronteiras. E por essa Europa fora, mais do que tropeções ou quedas avulsas, teme-se que o euro caia de vez.
                                                                                                          
Fitch não vai cortar rating de Portugal
                                                                                                                                       
Espanha e Comissão Europeia insistem que Lisboa está a tomar as medidas adequadas. A agência de notação financeira Fitch garantiu hoje que não vai alterar o "rating" de Portugal na sequência das alegadas pressões da França e da Alemanha no Eurogrupo para que Portugal peça ajuda externa. “Não vão ser feitas alterações”, disse oficial da agência de notação. A Fitch cortou o "rating" de Portugal de AA negativo para A positivo a 23 de Dezembro, justificado com maiores dificuldades de financiamento, tanto do Estado como dos bancos, desde a última revisão publicada. Na altura, a agência adiantou que mantinha um "outlook" negativo e acrescentou que este corte é justificado também pela redução menos pronunciada do défice externo português.
                                                                                                                                    
Portugal não precisa de ajuda
                                                                                                                                               
A ministra das Finanças de Espanha está confiante que Portugal não terá de pedir a intervenção do FMI. "Portugal não precisa de qualquer tipo de plano de resgate, uma vez que está a cumprir com os seus compromissos", disse Elena Salgado, em entrevista à rádio "Cadena Ser". A Comissão Europeia insistiu hoje, em Bruxelas, que Portugal está a tomar as medidas “adequadas” para resolver os desequilíbrios da sua economia e negou a existência de discussões sobre um eventual resgate ao país. “Portugal tem tomado as medidas adequadas para resolver a situação”, disse o porta-voz para os Assuntos Económicos e Monetários do executivo comunitário. Para Amadeu Altafaj Tardio, Lisboa está na direcção certa para diminuir o seu défice orçamental e aumentar a competitividade das suas empresas. A agência "France Press" noticiou este sábado que um artigo a publicar hoje na revista alemã "Der Spiegel" revela que "peritos" dos Governos da Alemanha e da França esperam que Portugal se coloque sob a assistência da União Europeia.
                                                                                                         
"Inevitável"
                                                                                           
Para a directora de Informação da Renascença, Graça Franco, o recurso ao FMI “parece cada vez mais inevitável”, tanto mais “porque já vimos este filme em relação à Grécia e à Irlanda”. A especialista em assunto económicos aponta como “decisivo” o teste agendado para quarta-feira, “porque vamos ao mercado e não vamos sozinhos, porque também vão a Itália e Espanha e o problema já não é tanto o sucesso da emissão da nossa dívida, mas a pressão que isto pode fazer sobre “Espanha”. Esta semana, o Governo português vai efectuar uma nova emissão de dívida e, na próxima segunda-feira, estará em Bruxelas para uma reunião com todos os parceiros europeus, onde a situação portuguesa deverá ser discutida.
                                                                                                                   
Como evitar o colapso?
                                                                                                                  
O economista João Ferreira do Amaral, defende que é necessário haver uma reformulação do modo de funcionamento da Zona Euro. Caso contrário, o euro cai mesmo. “Se não houver alteração das instituições e do seu modo funcionamento, julgo que as probabilidades do euro sobrevir não são muitas”, considera João Ferreira do Amaral. Para o economista, é essencial garantir que os países com menor grau de competitividade – os do sul da Europa – tenham mecanismos para melhorá-la sem levar a um excessivo aumento do endividamento externo. João Ferreira do Amaral considera ainda que há um elemento de tensão associado ao euro.
“O euro nunca foi um elemento essencial da Europa. Pelo contrário, sempre achei que era um sistema que levaria a fazer emergir tensões entre os países e que a melhor forma de harmonizar economias e objectivos diferentes entre países que têm, à partida, estruturas também elas muito diferentes, seria manterem as moedas próprias, embora com um reforço da cooperação monetária”, refere João Ferreira do Amaral. Aos líderes da União Europeia, o economista diz que a austeridade reforçada - na Grécia, na Irlanda e em Portugal – não vai resolver nada. “São programas fortíssimos com muito dinheiro metido, ou em vias de ser metido, pelo Fundo de Estabilização e a verdade é que a situação não melhora. Há aqui um problema estrutural na Zona Euro que não vai ser resolvido de certeza apenas por estas austeridades feitas ao sabor dos acontecimentos."
                                                                                                     
“Regras estúpidas” poderiam ter evitado situação. O caso da Grécia é escandaloso
                                                                                                        
Por sua vez, João César das Neves afirma que há uma predisposição para fazer o que é preciso para se evitar o fim do euro. “Os países farão o que for preciso para conseguir evitar o fim do euro e, sobretudo, pagarem por erros que cometeram durante muito tempo, por serem demasiado tolerantes com Estados que, evidentemente, mais cedo ou mais tarde iriam rebentar. O caso da Grécia é escandaloso: nunca cumpriu o Pacto de Estabilidade nem antes, nem durante, nem depois da entrada - aldrabou as contas”, considera João César das Neves. O professor universitário “culpa” o euro pelo estado das coisas. À Renascença, lembra que foram criadas “regras muito claras e definidas” para tentar evitar este tipo de situação, mas foram abandonadas, no início da década, por razões políticas. “Tínhamos um Pacto de Estabilidade a sério. Na altura, foram consideradas regras muito estúpidas, mas era exactamente para evitar uma situação como esta."
Sobre o caso português, João César das Neves sustenta que o Executivo podia fazer um “golpe espectacular, com consequências políticas internas", para abalar os mercados: "Um corte grande nos salários dos políticos, que outros países já fizerem e até tiveram efeitos". César das Neves aconselha golpe espectacular para os mercados. Além disso, recorda que o Governo andou muito tempo a negar as dificuldades do país. "O ano de 2009 foi uma longa negação e agora, que é forçado, continua a dizer que a culpa é dos outros. O principal obstáculo, neste momento, é a falta de clarividência da necessidade de que o Governo tem de mostrar que está mesmo empenhado em fazer austeridade”. Só assim os mercados poderão vir a ser menos severos para com a economia portuguesa, conclui.