Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crise vista do exterior

Eurogrupo "satisfeito" com medidas portuguesas "corajosas"

O ministro das Finanças apresentou na segunda feira aos seus homólogos da Zona Euro, reunidos em Bruxelas, as medidas decididas para acelerar a redução dos respetivos défices orçamentais.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, classificou as medidas adicionais tomadas por Portugal e Espanha para acelerar a diminuição dos seus défices orçamentais como "corajosas", estando os países membros da Zona Euro "satisfeitos" com elas. "Pensamos que as medidas tomadas pelos governos espanhol e português são medidas corajosas, indicam uma trajetória de ajustamento que nos dão satisfação", disse Juncker, na conferência de imprensa que marcou o fim da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, na segunda feira, já perto das 00:00 de Lisboa. As medidas anunciadas pelos governos português e espanhol serão agora "examinadas em detalhe" pela Comissão Europeia, antes de os ministros das Finanças da Zona Euro voltarem a dar o seu "julgamento final" sobre as mesmas, na reunião de 07 de junho próximo, no Luxemburgo.
Por seu lado, o comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos explicou que os países membros da Zona Euro não devem acelerar todos ao mesmo tempo a sua consolidação orçamental para evitar o risco de uma recessão. A aceleração da diminuição dos défices dos países europeus é vista como uma forma para acalmar os mercados financeiros que receiam problemas no pagamento da dívida pública por parte de vários países.
Os ministros das Finanças de Portugal e Espanha apresentaram na segunda feira aos seus homólogos da Zona Euro, reunidos em Bruxelas, as medidas decididas para acelerar a redução dos respetivos défices orçamentais. Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto percentual, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras. O esforço adicional de Portugal e Espanha é considerado importante para acompanhar o pacote de medidas europeias decidido no início da semana passada para acalmar os mercados financeiros, nomeadamente a criação de um fundo de estabilização de 750 mil milhões de euros. Os ministros das Finanças voltarão discutir a questão terça feira numa reunião alargada aos titulares das Finanças da União Europeia (27 países).

PCP anuncia moção de censura ao Governo

O secretário geral comunista, Jeronimo de Sousa, anunciou ontem que o PCP vai apresentar uma moção de censura ao Governo na Assembleia da República, decisão tomada em reunião do Comité Central. A moção de censura será entregue hoje, no Parlamento, o que significa que terá de ser discutida ainda esta semana na Assembleia da República.

PM considera "lamentável e condenável" a "irresponsabilidade total" do PCP

O primeiro ministro, José Sócrates, considerou hoje "lamentável e condenável" a posição de "irresponsabildiade total do PCP" por ter decido convocar uma moção de censura ao Governo.
O secretário geral comunista, Jerónimo de Sousa, anunciou segunda feira que o PCP vai apresentar uma moção de censura ao Governo na Assembleia da República, decisão tomada em reunião do Comité Central. A moção de censura - a primeira enfrentada pelo governo minoritário de José Sócrates - será entregue hoje no Parlamento, o que significa que terá de ser discutida ainda esta semana na Assembleia da República.

domingo, 16 de maio de 2010

Crónica de Domingo

Não ficará pedra sobre pedra

Aprovado que foi o pacote de 110 biliões de euros em socorro da Grécia, resta esperar que o país cumpra a sua parte para salvar a moeda comum. Para Portugal, que lhe sirva de exemplo...

Foi o dia em que o euro tremeu: Um homem e duas mulheres, uma delas grávida de quatro meses, foram as primeiras vítimas da crise financeira grega. Os corpos carbonizados estavam num dos oito prédios atacados na semana passada por coquetéis molotov lançados por uma multidão enfurecida. Não se sabe quem deitou as bombas – as autoridades demoram sempre a descobrir os causadores destas manifs políticas, mas os alvos eram claros: bancos e instituições públicas. Cientes de que terão de permanecer com o cinto apertado pelos próximos três anos, 100.000 gregos saíram às ruas. Armados com paus e pedras, eles enfrentaram a polícia de choque enquanto, no Parlamento, os políticos debatiam se aceitariam ou não as medidas austeras exigidas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Grécia pudesse receber um resgate multi-milionário anunciado pela UE e no qual comparticipou Portugal com 800 milhões de euros. O pacote foi aprovado pelos parlamentares gregos, mas isso não impediu que as bolsas do mundo caíssem no meio do temor pelo impacto da crise grega sobre os outros países da zona do euro.A crise da Grécia - tal como o acentuar da crise financeira que Portugal atravessa - foi causada pela irresponsabilidade do governo na gestão de sua política fiscal. "Os gregos gastaram mais do que podiam num ambiente em que não tinham domínio algum sobre a emissão da moeda, um dos mecanismos para reduzir o endividamento", explicava o economista Sidnei Nehme, em entevista na Time.
O euro é uma moeda supranacional; enquanto cada governo é responsável pela sua política fiscal, mas a política monetária e cambial é gerenciada pelo Banco Central Europeu. A ajuda internacional foi a saída encontrada para evitar que a Grécia declare bancarota com o calote de sua dívida pública, hoje em 115% do PIB. O resgate dará aos gregos 110 biliões de euros nos próximos três anos. A maior parte do dinheiro vem dos outros quinze países da zona do euro (80 biliões de euros, ou 0,9% do PIB do bloco), e o restante, do FMI (e terá uma parcela brasileira equivalente a 227 milhões de euros). Usar o dinheiro de impostos na ajuda financeira a outro país, obviamente, é uma medida impopular. Depois de semanas hesitante, a chanceler Angela Merkel aprovou no seu Parlamento a fatia alemã do socorro financeiro: 22 biliões de euros. "Ele determinará nada menos do que o futuro da Europa e o futuro da Alemanha na Europa", disse Merkel. Bancos alemães e franceses detêm até 70% da dívida grega e seriam gravemente afetados no caso de um calote. A ajuda aos gregos não é um ato de caridade, portanto, mas de interesse mútuo.
O dinheiro a ser recebido pela Grécia está condicionado a ajustes duros, que incluem o corte de benefícios para cerca de 600.000 funcionários do inflacionado setor público do país, o congelamento de salários por três anos, o aumento na idade mínima para aposentadorias e a elevação nos impostos. Com os ajustes, o governo grego pretende cumprir a meta de diminuir até 2014 seu déficit no Orçamento, dos 13,6% atuais para menos de 3%, o limite estabelecido pelo Banco Central Europeu. Os altos juros exigidos pelos credores europeus (em torno de 5% ao ano) tornarão muito difícil que os gregos honrem o compromisso. Por isso, se o governo de Atenas fracassar na contenção dos gastos, terá de decretar uma moratória. O calote da dívida grega espalharia então o incêndio pela zona do euro. Embora a expressão da Grécia no contexto do bloco europeu seja pequena, a moratória mostraria que o euro não consegue resgatar países em apuros. Os investidores então abandonariam a moeda. Isso aconteceu na semana passada, quando o euro caiu em relação ao dólar para o nível mais baixo em catorze meses, enquanto crescia o temor de que a continuação da crise grega contagiasse outras economias europeias enfraquecidas, chamadas de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).
José Manuel Durão Barroso, o português presidente da Comissão Europeia, defendeu a urgência de reformas estruturais para evitar a implosão do euro. O principal defeito da moeda comum é a ausência de uma política orçamentária unificada. Em outras zonas monetárias há um banco central e um ministério responsável pelo equilíbrio orçamentário. Na zona do euro, existe apenas um banco, o Banco Central Europeu. E no lugar do ministério há um "pacto de estabilidade", que na prática ninguém respeita. Barroso anunciou a criação de um mecanismo permanente para lidar com situações de crise como a atual. A possibilidade da Grécia parar de usar o euro já foi descartada. Isso custaria caro demais aos cofres gregos e iria provocar uma crise da dívida, taxas de juro altíssimas e inflação, disse o economista Iain Begg, da London School of Economics. A Grécia não pode sair da zona do euro sem se retirar também da União Europeia. Para os europeus se safarem desta, não há outra opção além de pressionar os gregos a fazer cumprir a lição aprendida dentro da sua própria casa. Para os portugueses... que sirva de exemplo, porque o país está à cabeça na lista dos mais vulneráveis.

Carlos Ferreira

Radiografia às reações da crise

O entendimento que tarda

CGTP apela à participação de trabalhadores de todas as forças partidárias na manifestação nacional do dia 29.

A CGTP-IN apelou hoje à participação dos trabalhadores portugueses de todas forças partidárias na Manifestação Nacional agendada para 29 de maio, em protesto contra as medidas de austeridade do Governo que classifica de "violentas para os trabalhadores".
"Ou há da parte dos trabalhadores portugueses uma mobilização forte ou teremos, semana após semana, mais um pacote que se vão somando aos detrás. Se houver protesto dos trabalhadores vai haver travagem", disse o secretário geral da CGTP, Carvalho da Silva, no final da reunião da comissão executiva da CGTP-IN e do seu plenário de sindicatos.
A reunião tinha como objetivo analisar as medidas anunciadas pelo Governo para reduzir o défice e decidir que respostas dar. De manhã, reuniu-se a comissão executiva da Intersindical, que elaborou uma resolução aprovada por unanimidade no plenário dos sindicatos na qual é defendida a intensificação dos trabalhadores e analisado o pacote de medidas do Governo.

Jerónimo de Sousa diz que "90 por cento da fatura" será paga pelos assalariados e reformados

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje o plano de austeridade quinta feira anunciado pelo Governo para reduzir o défice, garantindo que 90 por cento da fatura será paga pelos assalariados e reformados. "Os trabalhadores e os reformados vão pagar 90 por cento da fatura, enquanto que aqueles que ganham milhões e milhões de euros por dia pagam apenas uma pequena fatia. Chamar a isto equitativo é, no mínimo, uma fraude, um embuste", referiu.
Para Jerónimo de Sousa, o plano de austeridade, aprovado pelo PS e pelo PSD, é "uma subserviência vergonhosa a Bruxelas" e "uma rendição sem condições aos ditames do grande capital. A preocupação central foi salvar aqueles que vão concentrando e acumulando fortuna, com o prejuízo de quem não teve culpa nenhuma [do défice]", referiu Jerónimo de Sousa, classificando os líderes do PS e do PSD como "paus mandados dos grandes mercados financeiros".
Considerou que "este não é o caminho da estabilidade e do crescimento mas sim o caminho da instabilidade e do retrocesso social a todo o vapor" e apelou à luta contra as medidas agora anunciadas. "Os mesmos que acertaram a pancada a dar ao povo são os que lhe dizem para ficarem calados. Era o que faltava", insurgiu-se. Classificou PS e PSD "como farinha do mesmo saco" e criticou a "distinta ousadia" dos dois partidos "de se apresentarem como salvadores da Pátria", quando "têm uma responsabilidade histórica na atual situação do país", por estarem no poder há mais de 30 anos, "umas vezes com o CDS, outras sem o CDS".
O Governo anunciou na quinta feira um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011. Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras.
Para Jerónimo de Sousa, esta redução de cinco por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, exigida pelo PSD ao PS, não passa "uma peninha no chapéu" e de "puro cinismo. Quem criou, legislou e atribuiu essas mordomias foram o PSD e o PS", sublinhou. Desafiou o Governo a aceitar a proposta do PCP de aliviar a carga fiscal sobre o IVA e a "ir buscar os mil milhões de euros de mordomias que estão atribuídas ao capital financeiro".

Governo convoca para quarta feira reunião da concertação social


O Governo convocou para quarta feira, de manhã, uma reunião da concertação social para explicar às confederações sindicais e patronais os motivos inerentes à tomada de medidas de austeridade, disse hoje à agência Lusa fonte do Executivo.
Na quinta feira passada, no final do Conselho de Ministros, José Sócrates apresentou publicamente as medidas adicionais do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que visa reduzir o défice em 2010 para um valor na ordem dos 7,3 por cento e que se traduzem, além de cortes na despesa pública, em aumentos de impostos do IVA, do IRS e do IRC para empresas com lucros superiores a dois milhões de euros.
Também na quinta feira, a meio de uma reunião da Comissão Política Nacional do PS, o líder parlamentar socialista, Francisco Assis, disse que havia um esforço de explicação a fazer aos portugueses sobre as razões das medidas de austeridade, designadamente junto dos parceiros sociais.
No entanto, na mesma reunião, o secretário geral da UGT, João Proença, que estava na Comissão Política Nacional do PS na qualidade de presidente da Tendência Sindical Socialista, criticou as medidas, alegando que agravarão o desemprego e que são mais penalizadoras para os trabalhadores do que para as empresas.

Mário Soares elogia "sentido de Estado" de Pedro Passos Coelho

O ex-Presidente da República Mário Soares elogiou hoje o "sentido de Estado" do presidente do PSD e citou Camões para justificar a decisão do primeiro ministro de aumentar os impostos, depois de ter prometido o contrário. Mário Soares falava aos jornalistas na Feira do Livro, no Parque Eduardo VII, antes de iniciar uma sessão de autógrafos no stand da "Temas e Debates".
Interrogado sobre a decisão do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de viabilizar as medidas de austeridade tomadas pelo Governo na quinta feira, Mário Soares disse não ter ficado surpreendido com a atitude do antigo líder da JSD. "Conheço Pedro Passos Coelho e considero-o um homem muito sensato, lúcido e com um grande sentido de Estado. E o que os políticos precisam de ter nesta altura é um grande sentido de Estado, defendendo sempre o interesse nacional, porque nesta altura é Portugal e a Europa que estão em causa", declarou o ex-Presidente da República.
Para o ex-Presidente da República, as medidas que foram tomadas pelo Governo "são absolutamente necessárias, porque sem elas Portugal poderia ficar numa situação difícil e, até pior, sem meios para poder pagar aos seus funcionários". Nas respostas aos jornalistas, o ex-chefe de Estado reconheceu que as medidas anunciadas de austeridade serão penalizadoras para o cidadão comum, mas alegou que "não havia outro remédio. Não sou só eu que acho estas medidas de austeridade eram imprescindíveis. Também acha isso toda a Europa e todo o Portugal culto, que está informado das coisas". Para o ex-Presidente da República, a "Europa está em crise e está a tentar ultrapassá-la".
"Se a Europa não tivesse socorrido a Grécia e outros que possam vir a estar em posição complicada, se a Europa tivesse continuado sem medidas, a Europa desagregava-se e Portugal ficaria numa situação muitíssimo difícil, muito pior daquela em que estamos", advertiu o fundador do PS. Na perspetiva de Mário Soares, "houve felizmente uma reação da Europa, embora uma reação tardia em relação à Grécia. Estou certo que Portugal não irá necessitar daquilo que foi preciso contribuir em relação à Grécia", acrescentou.
Questionado se o primeiro ministro registou uma inversão no seu discurso, depois de ter prometido que não aumentaria impostos, Mário Soares respondeu citando o sentido de um soneto de Luís de Camões. "Mudam os tempos mudam as verdades [sic]. Tudo aconteceu em oito dias e a comunicação social tem de perceber isso. A comunicação social tem de ajudar para que o povo português perceba o que se está a passar", disse. Mário Soares referiu-se depois ao papel das centrais sindicais em Espanha, "onde os cortes foram mais elevados do que em Portugal. Em Espanha, eles tiveram de aceitar isso e, por isso, fizeram um acordo. Era útil que as centrais sindicais portuguesas também fizessem o mesmo", declarou.

Paulo Pedroso critica ausência de mecanismos para apoiar desfavorecidos

O socialista Paulo Pedroso criticou, em entrevista à agência Lusa, a ausência de mecanismos que diminuam o impacto negativo que as medidas do Governo para acelerar a redução do défice terão nos grupos sociais mais desfavorecidos. O sociólogo diz-se ainda preocupado com a "criação de um clima de culpabilização destes grupos pelo seu destino". Embora sublinhando que a decisão de acelerar a redução do défice foi tomada à escala Europeia e que, nesse sentido, nada há a apontar ao Governo, Paulo Pedroso considera que é preciso distinguir estes objetivos gerais das medidas escolhidas pelo Executivo.
"Sendo certo que a primeira opção deste Governo - com a qual concordo - foi aumentar a receita e não cortar na despesa para não colocar em causa a Educação, a Saúde e os Serviços Sociais, a escolha de aumentar em igual proporção as três taxas de IVA é uma decisão insensível", argumentou. Para o ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade, "a escolha de fazer este aumento cego é insensível ao facto de que no cabaz de compras das famílias de menores recursos há mais produtos de IVA de 5 por cento".
"Se tivéssemos mantido a taxa de 5 por cento e subido a de 20 por cento para 22 por cento, teríamos a mesma receita fiscal, mas estaríamos a taxar mais os consumos mais típicos da classe média e média alta, e menos típicos das classes média baixa e mais desfavorecidas". Paulo Pedroso afirmou ainda que existe um "discurso equivocado" com que se fala dos mais pobres, e que "tende a responsabilizar estes setores da sociedade pela crise que vivemos, como se os beneficiários do subsídio de desemprego e do rendimento mínimo de inserção fossem fraudulentos por natureza".
"Era de esperar que um Governo socialista, na prática, e no discurso, tivesse uma maior sensibilidade para estes problemas. Não creio qe seja num clima de ódio social aos beneficiários de prestações que se constrói uma sociedade mais justa", acrescentou. O socialista afirmou que não "comunga da ideia de que um Governo socialista pode demonizar a fraude dos pobres, sobretudo fechando os olhos e não demonizando a fraude dos mais ricos".

sábado, 15 de maio de 2010

Tráfico de droga entra pelo Algarve

Polícia apanha 2000 kg de haxixe no porto de Lagos

A operação Aleluia não converteu os traficantes. São de várias nacionalidades, e estão nos calabouços em Lisboa acusados de tráfico.

Um barco semi-rígido com motores altamente potentes saiu de Marrocos carregado com 75 fardos de haxixe. Chegou a Portugal e ficou ao largo, a cerca de sete milhas da costa portuguesa. Saíram então três embarcações portuguesas que fizeram o transporte da droga para o porto de Lagos.
À espera, além dos traficantes, estavam agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e da Directoria do Sul, apoiados pela Unidade de Controlo Costeiro da GNR. A operação, apelidada pela PJ de "Aleluia", decorreu na altura do desembarque e nos minutos que se seguiram: parte da droga - 50 fardos - já estava no interior de um veículo que ainda tentou fugir. Um dos responsáveis disse que o condutor da viatura, que já tinha carregado mais de metade do haxixe, tentou escapar, mas foi rapidamente interceptado.
Os restantes 25 fardos foram detectados ainda no interior de uma das embarcações que faziam a travessia entre o barco rápido e o porto. A PJ deteve 14 homens - oito portugueses, um inglês e um brasileiro, todos com morada no Algarve. Foram também presos quatro espanhóis.
A investigação foi conduzida pela Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e pelo Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), razão pela qual os 14 detidos vieram para Lisboa para serem presentes no TCIC. Segundo um dos responsáveis pela operação, há três meses que a PJ e as autoridades judiciárias estão a investigar uma rede de tráfico de haxixe cujos cabecilhas seriam espanhóis. Ao que tudo indica, utilizavam uma rede de contactos no Algarve para organizarem o desembarque do haxixe no porto de Lagos e, posteriormente, levarem a droga para Espanha.
A PJ contactou a Guardia Civil espanhola antes mesmo de levar a cabo a operação e, mais tarde, foram apoiados pela Marinha de Guerra e Força Aérea portuguesas. Uma colaboração que a Polícia Judiciária considera uma "referência de cooperação internacional e de conjugação de esforços na luta global contra o crime organizado". A PJ fez questão de realçar em comunicado o "papel absolutamente decisivo para o sucesso da operação, a persistente acção dos magistrados do DCIAP e do TCIC de Lisboa titulares do inquérito". Uma acção, que no entender do responsável da PJ, se destaca pela capacidade que houve de superar as burocracias e de actuar com rapidez na operação. Até ao fecho desta edição, os detidos, com idades entre os 21 e 42 anos, ainda estavam a ser ouvidos pelo juiz que deve decretar nas próximas horas as medidas de coacção.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Assim vai a crise, e... as soluções

Uns de acordo, outros com chuva de protestos

Comissão Europeia congratula-se com anúncio de medidas pelo Governo. Em Portugal o protesto é uníssono: anda tudo teso.

A Comissão Europeia congratulou-se, em Bruxelas, com o anúncio do Governo português das medidas para acelerar a redução do défice orçamental nos próximos anos de forma a responder à pressão dos mercados internacionais. "A Comissão Europeia saúda as medidas anunciadas pelo Governo português para acelerar a consolidação das contas públicas", disse à agência Lusa Amadeu Altafaj Tardio, porta-voz do comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, acrescentando que Bruxelas irá agora "avaliar essas medidas".
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, irá fazer uma apresentação das medidas decididas por Lisboa na reunião dos titulares das Finanças dos países da União Europeia que terá lugar na próxima terça feira, em Bruxelas. Em 08 junho os ministros voltarão a analisar as medidas portuguesas depois do executivo comunitário dar a sua opinião sobre as mesmas. Portugal e Espanha anunciaram no último fim de semana aos seus parceiros europeus a sua intenção de acelerar a consolidação do desequilíbrio das suas contas públicas.
O anúncio foi feito ao mesmo tempo que os 27 decidiram criar um fundo de estabilização de 750 mil milhões de euros que pode ser utilizado pelos países em dificuldades financeiras. O Governo anunciou ontem um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011 de forma a responder à pressão dos mercados internacionais.
Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento do IVA em 1 ponto percentual nos três escalões, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento, a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, e uma taxa extraordinária de 1 por cento para quem receba até cinco salários mínimos (2.375 euros por mês) ou de 1,5 por cento para quem receba acima desse valor.

PS conclui que há um esforço a fazer de concertação social e de explicação aos portugueses

O líder parlamentar do PS considerou hoje que as medias de austeridade tomadas pelo Governo exigem um esforço de concertação social e de explicação aos portugueses, mas salientou que o primeiro ministro "está de consciência tranquila". Francisco Assis falava aos jornalistas a meio da reunião da Comissão Política Nacional do PS, que está a analisar as medidas adicionais de austeridade hoje apresentadas pelo Governo para o combate à crise financeira. Confrontado com o facto de o PS se ter comprometido nas últimas eleições legislativas a não aumentar os impostos, Francisco Assis alegou que se verificou agora "uma alteração profunda das circunstâncias" ao nível internacional e que os governos "não podem estar prisioneiros de dogmas".
"Perante uma alteração profunda das circunstâncias, teria de haver uma alteração profunda da natureza das respostas. Não é com agrado que o Governo tomou estas medidas", observou. Questionado sobre se o PS não sairá penalizado na popularidade, considerou que "os raciocínios de natureza eleitoral são a última coisa que deve preocupar o partido. Essa questão é completamente irrelevante no momento atual", considerou Assis, antes de ser confrontado com cenários de contestação social ao aumento de impostos. "Há um esforço de explicação, de envolvimento e de concertação social a fazer. Não apenas uma concertação interpartidária, há também uma concertação social a fazer", sublinhou.
Além do papel que os socialistas terão de desempenhar juntos das confederações sindicais, Assis referiu ainda que "há um esforço sério de explicação aos portugueses". "Estou certo que, se houver esse esforço sério, os portugueses compreenderão e participarão neste esforço patriótico. Este não é um momento de impor, mas de ir ter com as pessoas e explicar as medidas às pessoas", sustentou. De acordo com o líder parlamentar do PS, apesar de as medidas hoje anunciadas pelo Governo serem duras, "refletem preocupações de justiça social, porque há numa distribuição do esforço".
"No entanto, em Portugal, não podemos viver num estado de alienação em relação à realidade internacional a ponto de continuarmos a reclamar coisas que são impossíveis nas atuais circunstâncias. Penso que as confederações sindicais compreenderão isso", disse. Interrogado sobre se o acordo com os sociais democratas em torno das medidas adicionais de consolidação orçamental afasta o cenário de eleições antecipadas, Assis respondeu que o PSD "compreendeu - e bem - que caso fosse associada uma crise política a esta crise com que estamos confrontados isso teria efeitos muito negativos para o país. O PSD, ao participar neste esforço, revelou sentido de responsabilidade, que deve ser enaltecido", disse.
Já sobre o facto de Pedro Passos Coelho ter pedido desculpa aos portugueses por o PSD ter viabilizado as medidas de austeridade do Governo, Assis referiu que não tem esse estilo e reiterou que não tomaria tal atitude. "No dia em que eu pedir desculpa por alguma coisa é para me retirar da vida política, porque teria reconhecido que tinha cometido algum erro que me impediria de prosseguir na vida política. Como acho que não o fiz e como me tenho empenhado em exercer condignamente as minhas funções, não peço desculpa por nada. Quanto muito poderia pedir compreensão", contrapôs. Perguntado sobre se o primeiro ministro não deveria pedir desculpa aos portugueses por ter ainda recentemente afastado a possibilidade de aumentar impostos, Assis respondeu: "Os políticos devem fazer em cada momento aquilo que têm de fazer e têm de estar de consciência tranquila. Acho que o engenheiro José Sócrates está de consciência tranquila."

Líder do PSD pede desculpa aos portugueses por "medidas duras" e contrárias ao que sempre defendeu.

O presidente do PSD pediu ontem pessoalmente desculpa aos portugueses por ter dado o seu acordo a um conjunto de "medidas duras" e, no caso do aumento de impostos, contrárias ao que tinha defendido. "Quero, em primeiro lugar, começar por pedir desculpa aos portugueses por ter hoje dado o meu acordo ao primeiro ministro para o conjunto de medidas que o Governo anunciou no final da reunião do Conselho de Ministros", declarou Pedro Passos Coelho, no início de uma conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa. "Não porque me sinta pessoalmente responsável pela situação que se vive no país e que motivou a adoção destas medidas, mas porque elas representam, temos noção disso, um conjunto de medidas duras para a generalidade dos portugueses e para o país", acrescentou. No período de resposta a questões dos jornalistas, Pedro Passos Coelho reiterou o pedido de desculpas: "Devo pessoalmente um pedido de desculpas ao país por estar hoje a fazer aquilo que disse que não gostaria de fazer e que não achava que devesse ser feito, porque não defendi aumento dos impostos e disse mesmo que era necessário esgotar todas as vias para que os nossos compromissos internacionais não exigissem estas medidas".

Paulo Portas rejeita "bombardeamento fiscal" e acusa Governo de não ter palavra

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, anunciou hoje que vai marcar uma interpelação ao Governo para confrontar o executivo com o "bombardeamento fiscal" sobre os portugueses e acusou o Governo de não ter palavra. "Muito provavelmente nem os pensionistas escaparão. Isto é um pequeno esforço? Não, é um bombardeamento fiscal que é negativo para a nossa economia", afirmou Paulo Portas, em conferência de imprensa no Parlamento. Portas avisou que o Governo não contará com o apoio dos democratas cristãos para as medidas hoje aprovadas em conselho de ministros que aumentam a tributação dos rendimentos dos contribuintes e as taxas de IVA e anunciou que vai marcar uma interpelação ao executivo. "Não me digam que o aumento de impostos é inevitável e que a despesa do Estado é incomprimível", criticou.
O Governo anunciou ontem um conjunto de medidas de austeridade, negociadas com o PSD, como o aumento do IVA em 1 ponto percentual nos três escalões, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento, a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, e uma taxa extraordinária de 1 por cento para quem receba até cinco salários mínimos.
Paulo Portas disse que "os portugueses chegam cada vez mais à conclusão que o Governo não tem palavra em matéria fiscal" e advertiu que o aumento da tributação é um duplo aumento já que o mês passado já tinha sido aprovado a redução das deduções fiscais em Saúde e Educação. "A esquerda está sempre a pedir mais impostos. O PS promete que não aumenta impostos e não faz outra coisa senão aumentá-los, o PSD infelizmente acaba sempre a ceder ao PS", acusou Paulo Portas. A cedência ao PS, acrescentou, "aconteceu no Pagamento Especial por Conta, aconteceu assim no PEC com as deduções em saúde e educação e aconteceu agora com o aumento do IRS e do IVA".
Portas rejeitou depois comentar o pedido de desculpas do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, por ter concordado com as medidas de austeridade."Eu mantenho a palavra que dei ao eleitorado. O caminho é a compressão da despesa do Estado, não é com aumento de impostos", disse o líder do CDS-PP, afirmando que nas medidas aprovadas pelo Governo "têm muito detalhe" no aumento de impostos mas "são muito vagas e abstratas" nos cortes na despesa. Para Paulo Portas, a "maior desilusão" das medidas hoje anunciadas foi a "não concretização das medidas relativamente à despesa. Por essa razão também, não é possível conestar um programa que é muito detalhado a aumentar impostos e que parece meramente programático a cortar despesa", disse.
O líder do CDS-PP criticou ainda uma expressão do primeiro ministro que considerou "pouco feliz" a propósito dos aumento do IVA reduzido. "O primeiro ministro, numa expressão pouco feliz disse que no IVA reduzido estava a Coca Cola e a Pepsi Cola. E talvez devamos fazer um esforço para que o IVA reduzido produtos absolutamente necessários e que haja maior consideração para quem precisa de comprar o seu pão, o seu leite e os seus remédios". Quanto à medida para cortar cinco por cento nos salários dos políticos e gestores públicos, Portas assinalou que já em fevereiro passado tinha proposto que os políticos abdicassem de um mês de salário.

Louçã acusa PS de ter "mentido" na campanha eleitoral sobre impostos, privatizações e obras públicas

Francisco Louçã afirmou hoje que o aumento de impostos representa "uma confiscação de duas semanas de trabalho", acusando o PS de ter "mentido" na campanha eleitoral sobre este assunto e sobre o plano de privatizações e obras públicas. Numa conferência de imprensa na Assembleia da República, o coordenador do BE acusou o Governo e o PSD de cometerem "uma injustiça profunda" e de levarem a cabo uma "perseguição ao trabalho", dizendo não ser possível "aceitar as desculpas" pedidas hoje por Pedro Passos Coelho aos portugueses. "Para quem vive uma vida de dificuldades e a quem foi prometido que não haveria aumento de impostos e que haveria, pelo contrário, mais justiça onde ela faz falta, esta violação da palavra dada do contrato eleitoral transforma estas decisões num gigantesco embuste", afirmou.
Para o líder bloquista, o aumento do IVA em todos os escalões "agrava a desigualdade": "O aumento sobre os medicamentos fundamentais, sobre bens de primeira necessidade, sobre a alimentação, este aumento dos impostos, conjugado com a redução dos salários, vai contribuir para estrangular a economia. O resultado do aumento dos impostos e da redução dos salários é que em 2010 haverá uma confiscação de duas semanas de trabalho dos portugueses, que entregarão o resultado, o salário, o rendimento, o produto daquilo que fizeram nessas duas semanas", referiu. Francisco Louçã disse que na campanha eleitoral para as eleições legislativas "foram ditas três mentiras que agora são cobradas aos portugueses", ao nível dos impostos, das privatizações e do plano de obras públicas.
Como alternativa ao aumento de impostos, o líder do BE defendeu "uma correção nos benefícios fiscais injustificados" que disse servirem "para financiar colégios privados caríssimos, medicina privada que não é acessível para a maioria das pessoas, o sistema financeiro através de PPR ou outros benefícios e para financiar o 'offshore' da Madeira. Foi escondido aos portugueses um plano de privatizações, e é a segunda mentira, que faz o Estado perder benefícios de rendimentos na ordem dos 400 milhões de euros em empresas que dão lucro, aeroportos, correios, setor energético, que são recursos fundamentais que poderiam ser utilizados para que não sejam os portugueses a pagar impostos", advogou.
Sobre as obras públicas, Louçã referiu-se a uma "floresta de contradições, em que um ministro um dia de manhã diz uma coisa, à tarde diz outra, para ser contraditado por outro ministro no dia seguinte. Ninguém sabe o que o Governo pretende fazer com as obras públicas, a não ser um meio TGV dum projeto tornado incoerente, porque de Madrid desagua no Poceirão, uma vila de quatro mil habitantes", criticou. "As escolhas que podiam ter feito na campanha eleitoral foram perturbadas por estas três grandes mentiras", considerou. Francisco Louçã insistiu depois nas propostas que o seu partido tem apresentado, como o imposto extraordinário para os bónus dos gestores, a taxa de IRC a 25 por cento para a banca ou o plano de reabilitação urbana.

CGTP e BE concordam com mobilização de trabalhadores contra política de austeridade

O secretário geral da CGTP e o líder do Bloco de Esquerda concordaram na necessidade de os trabalhadores se mobilizarem contra a política de austeridade determinada pelo governo. "É preciso travar isto. Não estamos condenados a estas políticas (...) E a nossa determinação, muito forte, será para uma mobilização fortíssima dos trabalhadores e do povo português de resposta a estas políticas", declarou Carvalho da Silva aos jornalistas, no final de um encontro de cerca de uma hora entre os dois responsáveis.
Francisco Louçã, por seu turno, disse que lhe parecia "indispensável que os trabalhadores demonstrem a sua capacidade democrática de expressão de uma alternativa em nome do salário, em nome do emprego, em nome do combate à precariedade, em nome do combate à pobreza". Para evitar "esta sangria que o país está a sofrer com aumento de impostos, com abaixamento de salários e com uma crise que se tem agravado", adiantou. O encontro foi o primeiro dos que a CGTP pediu aos partidos políticos e analisou a situação económica e social, o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), assim como o desemprego e a manifestação convocada pela central sindical para o próximo dia 29, que "tem o apoio do Bloco de Esquerda".
Carvalho da Silva defendeu uma "mudança de rumo em políticas fundamentais" e salientou que a CGTP não se subjuga à "ideia da inevitabilidade dos sacrifícios que estão a ser impostos aos trabalhadores e ao povo português. As medidas que o Governo está a adotar (...) são medidas muito violentas, muito duras para a esmagadora maioria dos trabalhadores e do povo, com sacrifícios enormes para aqueles que têm baixos rendimentos, quer do trabalho quer das pensões sociais", insistiu.
Segundo Francisco Louçã, "os trabalhadores vão ser gato-sapato deste aumento de impostos e diminuição de salários". Criticando a "desigualdade de sacrifícios impostos aos mais pobres", o líder do Bloco salientou que "o essencial é criar emprego". Francisco Louçã disse que o BE apresentou no início da semana "uma alternativa consistente num pacote financeiro que representa dois mil milhões de euros" que permitiria "reduzir os custos orçamentais e sobretudo trazer mais justiça, para que possa haver um investimento do país em vez de estrangular a economia".
O pacote prevê a criação de um imposto sobre "o dinheiro que é transferido para zonas fiscalmente privilegiadas", de uma taxa sobre os bónus extraordinários e o aumento "do IRC do sistema financeiro para que pague a taxa da lei", disse ainda. "Se não houver uma mobilização dos trabalhadores e do povo português, nós vamos assistir, mês após mês, ao surgimento de pacote atrás de pacote e o povo, que tem menos condições, qualquer dia está a pão e água", disse Carvalho da Silva. A central sindical marcou um plenário "com carácter de urgência" para sábado e promete aumentar os seus compromissos para no dia 29 se realizar em Portugal "uma enorme manifestação".

CIP aceita medidas temporárias e pede redução da despesa pública no orçamento

O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), António Saraiva, considerou ontem que as medidas anunciadas pelo Governo são compreensíveis desde que sejam temporárias e acompanhadas pela redução da despesa pública. "No quadro de dificuldades acrescidas em que nos encontramos justificam-se medidas extraordinárias. Espero que sejam temporárias e que sirvam para dar tempo ao Governo para reduzir a despesa pública, que é por aí que se deve ir", disse à agência Lusa António Saraiva.
O presidente da CIP defendeu ainda a necessidade de serem aprofundadas reformas estruturais e a reforma da Administração Pública. "Estas medidas vão permitir receitas extraordinárias mas não é por aí que se resolvem os problemas do país", disse. A CIP subscreveu um comunicado com a Associação Empresarial de Portugal (AEP)e com a Associação Industrial Portuguesa - Confederação Empresarial (AIP-CE) em que salientam as medidas fiscais anunciadas pelo governo, "que conduzirão a um aumento da carga fiscal em Portugal".
No comunicado, as três estruturas empresariais defendem a necessidade de "um programa que coloque as contas públicas numa trajetória de equilíbrio a médio e longo prazo. É uma condição necessária para um enquadramento económico favorável ao crescimento e para o necessário ajustamento ao nível do défice externo", diz o documento.
Nesta perspetiva, as organizações empresariais defendem o aprofundamento das reformas estruturais, o repensar do papel e das funções do Estado. É a primeira vez que as três estruturas se juntam para tomar uma posição conjunta sobre uma matéria deste género. O Governo anunciou hoje um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice em 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011 de forma a responder à pressão dos mercados internacionais.
Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento do IVA em 1 ponto percentual nos três escalões, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento, a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, e uma taxa extraordinária de 1 por cento para quem receba até cinco salários mínimos (2.375 euros por mês) ou de 1,5 por cento para quem receba acima desse valor.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Afinal, para que serve o Parlamento?


As capas que escondem os deputados que temos

Comissão de Ética rejeita análise da conduta de Ricardo Rodrigues: “desviar" gravadores de jornalistas no exercício da profissão”.


A comissão parlamentar de Ética rejeitou hoje analisar a conduta do deputado Ricardo Rodrigues ao levar os gravadores de jornalistas, pedida pelo Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas, tendo o PSD e o CDS votado contra. O PS, o PCP e o Bloco de Esquerda consideraram que a comissão de Ética, Sociedade e Cultura não tem competência para analisar a conduta dos deputados e que esta matéria constitui um comportamento pessoal e não político.
O PSD contesta esta decisão e anunciou que vai avançar com um projeto de resolução para estabelecer a necessidade de aprovação de um código de conduta e criar um Conselho de Ética e de Conduta que fique na dependência do Presidente da Assembleia da República. A revista Sábado divulgou na quarta feira passada um vídeo em que mostra o deputado socialista Ricardo Rodrigues a levar os gravadores de dois jornalistas da publicação durante uma entrevista e na sequência de perguntas de que não gostou.
Confrontado com perguntas sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia, o deputado levantou-se, enfiou os dois gravadores dos jornalistas nos bolsos das calças e saiu da sala, mas esqueceu-se que a entrevista estava a ser filmada. A revista apresentou, entretanto, queixa no DIAP. Considerando que o deputado cometeu infrações à Constituição e ao Estatuto dos Jornalistas, o Conselho Deontológico pediu à comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais para se pronunciar, mas esta comissão remeteu a questão para a comissão de Ética.

Opinião: "Simplesmenre escandaloso"

A ditadura das elites na União Europeia

Há uma ditadura real das elites sociais que o comum cidadão não consegue contrariar. Políticos, grandes empresários, magistrados, gabinetes de advogados, militares de alta patente, altos funcionários, banqueiros de golpes baixos...
Já reparou que os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE ?
Leia o que segue, pense bem e converse com os amigos. Envie isto para os europeus que conheça!
Simplesmente escandaloso.
Foi aprovada a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros/mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros/mês.

Sim, você leu correctamente!

Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental...), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha... ) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.
Porquê e quem paga isto?
Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro. A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os "Deuses do Olimpo!
"Devemos reagir por todos os meios começando por divulgar esta mensagem para todos os europeus. É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da UE. Os tecnocratas europeus usufruem... Mesmo os deputados nacionais que, no entanto, beneficiam do "Rolls" dos regimes especiais, não recebem um terço daquilo que eles embolsam.

Vejamos!

Giovanni Buttarelli, que ocupa o cargo de Supervisor Adjunto da Protecção de Dados, adquire depois de apenas 1 ano e 11 meses de serviço (em Novembro 2010), uma reforma de 1 515 € / mês. O equivalente daquilo que recebe em média, um assalariado francês do sector privado após uma carreira completa (40 anos).
O seu colega, Peter Hustinx, acaba de ver o seu contrato de cinco anos renovado. Após 10 anos, ele terá direito a cerca de € 9.000 de pensão/mês. É simples, ninguém lhes pede contas e eles decidiram aproveitar ao máximo. É como se para a sua reforma, lhes fosse passado um cheque em branco.
Além disso, muitos outros tecnocratas gozam desse privilégio:
1. Roger Grass, Secretário do Tribunal Europeu de Justiça, receberá € 12.500/mês de pensão.
2. Pernilla Lindh, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, € 12.900 por mês.
3. Damaso Ruiz-Jarabo Colomer, advogado-geral, 14.000 € / mês.


Confrontados com o colapso dos nossos sistemas de pensões, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos (em 2020), etc. Mas para eles, não há problema, a taxa plena é 15,5 anos… De quem estamos falando? Mas o pior ainda, é que eles nem sequer descontam para a sua grande reforma. Nem um cêntimo de euro, tudo é à custa do contribuinte. Nós contribuímos toda a nossa vida e, ao menor atraso no pagamento, é a sanção: avisos, multas, etc. Sem a mínima piedade. Eles, isentaram-se totalmente disso.
Parece que se está a delirar!
Esteja ciente, que até mesmo os juízes do Tribunal de Contas Europeu que, portanto, é suposto « verificarem se as despesas da UE são legais, feitas pelo menor custo e para o fim a que são destinadas », beneficiam do sistema e não pagam as quotas. E que dizer de todos os tecnocratas que não perdem nenhuma oportunidade de armarem em «gendarmes de Bruxelas» e continuam a dar lições de ortodoxia fiscal, quando têm ambas as mãos, até os cotovelos, no pote da compota?
Numa altura em que o futuro das nossas pensões está seriamente comprometido pela violência da crise económica e da brutalidade do choque demográfico, os funcionários europeus beneficiam, à nossa custa, da pensão de 12 500 a 14 000 € / mês após somente 15 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações... É uma pura provocação!
Juntos, podemos criar uma verdadeira onda de pressão.

A. Ramos

Combater a crise pelo topo

PSD quer políticos a ganhar menos

Passos Coelho propõe corte de 2,9% no vencimento de políticos e gestores públicos, equivalente ao aumento dado no ano anterior.

O presidente do PSD propôs hoje perante o Conselho Nacional social democrata que haja um corte sobre os vencimentos de políticos e gestores públicos de 2,9 por cento, equivalente ao aumento que obtiveram no ano passado.
"Num momento em que pedem aos portugueses sacrifícios excecionais, a classe política e os gestores públicos têm a obrigação ética de dar o exemplo", defendeu Pedro Passos Coelho, no início de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do PSD, em Santarém. Esta foi uma das cinco condições que Pedro Passos Coelho propôs aos conselheiros nacionais sociais democratas que o PSD apresente ao Governo durante a negociação de medidas para reduzir o défice orçamental.
O presidente do PSD disse que não apresenta esta proposta por entender "que os políticos e os gestores ganham muito ou pouco". "Trata-se do reconhecimento que é a estes que compete dar o primeiro sinal de sacrifício que se está a pedir a todos os portugueses. Assim, propõe-se que seja, em simultâneo, aprovado o corte sobre os vencimentos dos políticos e gestores públicos em montante, no mínimo, equivalente ao aumento fixado em 2,9 por cento, no ano transato", acrescentou.

Governo propôs redução em 5 por cento nos salários dos políticos e gestores

A proposta de redução dos salários dos titulares de cargos políticos, gestores públicos e dirigentes de entidades reguladoras em cinco por cento partiu do Governo e não do PSD, disse ontem à Lusa fonte do executivo. A mesma fonte confirmou à agência Lusa que, entre as medidas adicionais do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para a redução do défice, se encontra uma medida de corte de cinco por cento nos salários destes setores profissionais.
"Face à proposta do PSD de corte em 2,9 por cento, e do Governo, de cinco por cento, prevaleceu no entendimento final a do Governo", acrescentou o mesmo elemento ligado ao executivo. O primeiro ministro, José Sócrates, e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, vão reunir-se a sós às 09:30 de hoje, quinta feira, em São Bento, para discutir medidas de redução do défice, disseram à Lusa fontes oficiais do Governo e dos sociais democratas.
No entanto, ao contrário do que aconteceu no último encontro a só entre Passos Coelho e José Sócrates, no final da reunião haverá declarações aos jornalistas. Após a reunião com o presidente do PSD, José Sócrates vai presidir à reunião do Conselho de Ministros.

Aumento de Impostos

IVA e IRS são os primeiros

Governo aumenta IVA para 21 por cento e sobe IRS entre 1 a 1,5 por cento.

O Governo vai propor um aumento da taxa máxima de IVA de 20 para 21 por cento e uma subida do IRS de 1 por cento até cinco salários mínimos (2375 euros por mês) e de 1,5 por cento acima deste valor. As novas medidas estão previstas pelo menos até ao final deste ano e incluem a criação de uma tributação extraordinária de 1 por cento para quem aufere até cinco salários mínimos, o que equivale a 2375 euros por mês. Quem ganhar acima desse valor será tributado em 1,5 por cento. De fora deste imposto especial, ficam excluídos apenas aqueles que recebem o salário mínimo.
De acordo com as propostas do Executivo, poderá haver uma subida de 20 para 21 por cento no IVA; nos bens de primeira necessidade o imposto sobe de 5 para 6 por cento e na restauração de 12 para 13 por cento. Segundo fonte do Executivo, os lucros das grandes empresas vão ser tributados com uma taxa acima dos 2 por cento. A mesma fonte diz que, há mais medidas, que serão concertadas no encontro entre o primeiro ministro, José Sócrates, e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, esta quinta feira de manhã, e que serão anunciadas, também na quinta feira, no final do Conselho de Ministros. "Para o Governo, esteve sempre fora de questão tributar o subsídio de Natal", realçou a fonte governamental.
No Conselho de Ministros de quinta feira deverá ser ainda aprovada a medida que reduz em cinco por cento os salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras. De acordo com a fonte do Executivo, o conjunto de medidas a aprovar em Conselho de Ministros deverá dar origem a uma receita suplementar na ordem dos 1.700 milhões de euros, valor considerado suficiente para que Portugal feche o ano de 2010 com um défice de 7,3 por cento.
A Comissão Política Nacional do PS reúne-se na quinta feira, ao fim da tarde, para debater as medidas adicionais de combate ao défice, encontro que será alargado aos deputados do grupo parlamentar socialista. Esta reunião acontecerá depois do encontro a sós entre o primeiro ministro, José Sócrates, e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, em São Bento, ao início da manhã. À reunião seguir-se-á o Conselho de Ministros. No final da reunião da Comissão Política Nacional do PS, alargada à bancada socialista, as declarações aos jornalistas serão prestadas pelo presidente do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis.

Intersindical já mexe

Manifestação agendada para 29 de maio

Carvalho da Silva apela a mobilização dos trabalhadores perante agravamento dos impostos.

O secretário geral da CGTP-IN, Carvalho da Silva, apelou hoje a uma nova "mobilização" dos trabalhadores perante medidas "injustas e duras" como o agravamento dos impostos IVA e IRS. O Governo vai propor um aumento da taxa máxima de IVA de 20 para 21 por cento e uma subida do IRS de 1 por cento até cinco salários mínimos (2375 euros por mês) e de 1,5 por cento acima deste valor, segundo disse à agência Lusa fonte do Executivo.
As medidas, previstas até pelo menos ao fim do ano para conter o défice e que vão na quinta feira a Conselho de Ministros, incluem ainda a subida do IVA dos bens de primeira necessidade de 5 para 6 por cento e da restauração de 12 para 13 por cento. "Isto é muito duro e é injusto", sustentou à agência Lusa o secretário geral da CGTP-IN, Carvalho da Silva, salientando que o agravamento do IVA, nomeadamente dos bens de primeira necessidade, acrescido da redução dos salários e do aumento anterior de outros impostos, "não dinamiza a economia" e vai colocar "imensas famílias numa situação de enormes dificuldades, senão em pobreza efetiva".
"Temos que analisar estas medidas com objetividade e provavelmente teremos que amanhã [quinta feira] tomar decisões [no sentido de] adotarmos uma mobilização excecional dos trabalhadores", afirmou, sem precisar em que termos será feita essa mobilização. "Se não houver mobilização, o país não sai deste descalabro", defendeu Carvalho da Silva, salientando que "há a fazer muitas coisas" antes da manifestação nacional agendada para 29 de maio.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A visita do Papa:

Polícias ficaram sem folgas


Associação sindical aponta que o dia de trabalho não vai ser compensado, porque os polícias ficaram prejudicados no dia de descanso pelo trabalho anteriormente realizado e a que já tinham direito.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) queixa-se de ter ficado prejudicada pela visita do Papa, já que os agentes que estavam de folga neste dia não vão ser compensados. «Este dia de trabalho não é compensado, tendo em conta que a Direcção Nacional da PSP apenas troca o dia da folga, ficando assim os profissionais prejudicados no dia de descanso pelo trabalho anteriormente realizado e a que já tinham direito», diz a ASPP em comunicado. Os agentes sublinham que o mesmo deverá acontecer no Comando Metropolitano do Porto, no dia 14 de Maio.
Também o Corpo de Intervenção da PSP não teve esta terça-feira tolerância de ponto, «com o argumento de que, administrativamente, está dependente da UEP, sediada em Belas, Sintra».
«Por esta ordem de ideias, todos os profissionais da PSP, a nível nacional, deveriam ter o direito à tolerância de ponto decretada pelo Governo, pelo facto de pertencerem administrativamente à Direcção Nacional da PSP, sediada na Penha de França, em Lisboa», apontam.
Para a ASPP, assim se demonstra que a PSP «não pode ser comparada aos outros sectores da Função Pública e, por isso, há a necessidade urgente de excluir a PSP da Lei 12-A (LVCR)», tendo sido já apresentada uma petição na Assembleia da República. «Mais uma vez se prova que o Governo e os dirigentes da PSP estão mais vocacionados em reduzir direitos ou compensações aos polícias em vez de tentar encontrar mecanismos para os motivar no sentido de melhorarem a sua prestação de serviço público», concluem.

Voltou a núvem do vulcão

Reaberto o tráfego aéreo no Aeroporto de Faro

Nova nuvem de cinzas afectou aeroportos em Portugal continental e nas ilhas. 281 voos cancelados, mas os voos normalizaram na Madeira esta madrugada.

O tráfego aéreo em Faro foi reaberto às 22h00 desta terça-feira e o da Madeira será restabelecido à 1h00 de quarta-feira, anunciou em comunicado a NAV-Navegação Aérea de Portugal, citada pela Lusa. A nuvem de cinzas vulcânicas da Islândia levou no domingo à suspensão do tráfego aéreo na Madeira e ao encerramento do aeroporto de Faro esta terça-feira, provocando o cancelamento de centenas de voos.
O conjunto dos aeroportos geridos pela ANA - Aeroportos de Portugal, incluindo o Aeroporto da Madeira gerido pela ANAM, registou o cancelamento de 281 voos até às 17:00 locais, na sequência da nuvem de cinza vulcânica, escreve a Lusa. Assim, no aeroporto de Lisboa foram cancelados 76 voos, sendo que 37 se referem a partidas e 39 a chegadas, verificando-se atrasos nas chegadas e partidas, revela a ANA em comunicado. O mesmo acontece no aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto), onde foram cancelados 19 voos sendo que oito se referem a partidas e 11 a chegadas. Ainda no Continente foram cancelados em Faro 95 voos, sendo que 48 se referem a partidas e 47 a chegadas.
Nos Açores, em Ponta Delgada foram cancelados 16 voos sendo que oito se referem a partidas e oito a chegadas. O mesmo aconteceu na Horta, com 12 voos cancelados, sendo que seis se referem a partidas e seis a chegadas. No aeroporto de Santa Maria foram cancelados dois voos à semelhança do que aconteceu nas Flores (dois voos cancelados): em ambos os aeroportos os cancelamentos dizem respeito a uma partida e a uma chegada. Na ilha das Flores foram cancelados dois voos: uma partida e uma chegada. No aeroporto da Madeira, infraestrutura gerida pela ANAM, foram cancelados 59 voos, sendo que 29 se referem a partidas e 30 se referem a chegadas.

Subida de impostos

PSD já admite aumento dos impostos

O porta-voz do Partido admite eventual aumento de impostos com corte de valor igual na despesa.

O porta-voz do PSD admitiu hoje que, se o Governo vier a propor um aumento de impostos, os sociais democratas possam aceitar esse aumento da receita, desde que haja um corte de valor igual na despesa. O porta-voz e secretário geral do PSD, Miguel Relvas, falava aos jornalistas em Santarém, antes de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do PSD, que começou cerca das 22:00 horas.
Questionado sobre se o PSD concorda com um eventual aumento do IVA e com a eventual tributação extraordinária do subsídio de Natal, Miguel Relvas declarou: "Devemos começar pelo lado da despesa. E, se for necessário mexer na receita, é fundamental que se assuma um princípio básico: todo o valor que for assumido do lado da receita terá de ter correspondência do lado da despesa, ou seja, 50 por 50."
Os jornalistas insistiram em saber o que vai fazer o PSD, concretamente, perante um eventual aumento de impostos. "Face às circunstâncias a que chegámos, se for necessário, se as propostas concretas e quantificadas que nos forem apresentadas pelo Governo - que ainda não foram - demonstrarem que é também necessário mexer do lado da receita, o que nós dizemos é: valor igual tem de ser cortado do lado da despesa", respondeu o porta-voz do PSD. Miguel Relvas assinalou que, para o PSD, o essencial é reduzir o défice "do lado da despesa". "Se é altura de pedir sacrifícios, os sacrifícios têm de valer a pena" e tem de haver "equidade e justiça nos sacrifícios que vão ser pedidos aos portugueses", defendeu, por outro lado, o secretário geral do PSD.
Quanto à exequibilidade ou não das novas metas de redução do défice, declarou: "Vão ter de ser exequíveis." Questionado sobre se está marcada alguma reunião entre o primeiro ministro e o presidente do PSD, Miguel Relvas respondeu: "Não, ainda não temos sequer propostas concretas e quantificadas, portanto, como é que podem estar marcadas reuniões?"
Segundo a direção social democrata, "ao PSD compete, nesta primeira fase, aguardar por propostas concretas e quantificadas por parte do Governo" para redução do défice. "Mas temos o trabalho de casa feito, sabemos o que queremos e para onde queremos ir", acrescentou Relvas. Sobre a posição assumida pelo PSD neste momento, declarou: "Nos momentos difíceis, nós sabemos o caminho e o lado que escolhemos: escolhemos o caminho da resolução dos problemas e o lado dos portugueses."

terça-feira, 11 de maio de 2010

Visita papal gera "veemente protesto"

Vaticano não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem

Papa recebido com honras de “Chefe de Estado”. É como se fosse feriado em Lisboa: ao meio dia encerra tudo. Centros de saúde, escolas e tribunais fechados. ATL, museus e cinemas podem ser alternativa.

Serviços reduzidos ao mínimo, ruas cortadas e uma cidade quase parada à espera do Papa Bento XVI. Hoje, em Lisboa, o melhor é rezar para não sofrer um mal-estar súbito, adiar as burocracias e garantir um plano alternativo para entreter as crianças e adolescentes que frequentam o ensino básico e secundário. A partir do meio-dia encerra tudo ao mesmo tempo: escolas, centros de saúde, repartições de finanças, lojas do cidadão fecham, enquanto a Carris e o Metropolitano vão funcionar a conta-gotas e em função das deslocações do Papa. Sair de casa só vale a pena se estiver interessado em ver Bento XVI por entre a multidão.
Fugir à confusão não será tarefa fácil, mas lembre-se que há serviços a funcionar, como os cinemas. O Instituto dos Museus e da Conservação também abre museus e palácios, hoje com entrada grátis. É como se fosse feriado.
Os centros de saúde de Lisboa estarão hoje fechados a partir das 12h00. Os hospitais S. José, Capuchos, Santa Marta e Estefânia garantem que estão preparados para um atendimento regular. A decisão foi de fechar as escolas, e os tribunais estarão encerrados à tarde, com excepção do da Relação de Lisboa: por estar localizado na Baixa, está todo o dia de portas fechadas. O troço de metro na linha azul, entre a estação da Baixa-Chiado e Santa Apolónia, estará encerrado.

Petição assinada por notáveis foi entregue ao Presidente da República protestando contra condições concedidas à visita do Papa.


Cidadãos portugueses entregaram ontem ao Presidente da República, Cavaco Silva, uma petição a manifestar "veemente protesto" pelas condições de que se reveste a viagem a Portugal do papa Bento XVI. Os subscritores da petição "Cidadãos pela Laicidade" alegam que, embora o Estado português mantenha relações diplomáticas com o Vaticano, o Presidente Cavaco Silva, ao receber Joseph Ratzinger com honras de Chefe de Estado e simultaneamente como dirigente religioso, "fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais".
"Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião e que não reúne os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado", dizem os subscritores do documento. Referem também que a Santa Sé - Governo da Igreja Católica e do "Estado" do Vaticano - não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, não podendo "portanto ser um membro de pleno direito da ONU". Alegam ainda que a Santa Sé não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para "alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas".
"Se em Portugal há católicos dos quais uma fração se regozijará com a visita de Joseph Ratzinger, há também católicos e não católicos para quem o caráter oficial da visita papal, o seu financiamento público e a tolerância de ponto concedida pelo Governo são agressões perpetradas contra os princípios de laicidade do poder político que a própria Constituição da República Portuguesa institui", diz o texto da petição.
Segundo os peticionários, esta infração da laicidade a que estão constitucionalmente vinculadas as autoridades republicanas torna-se ainda "mais gritante e deletéria" quando se celebra este ano o Centenário da Implantação da República, de cujo legado faz parte o princípio de clara separação entre Estado e Igreja. Os subscritores da petição repudiam também as "posições veiculadas pelo Papa em matéria de liberdade de consciência, igualdade entre homens e mulheres, auto-determinação sexual de adultos e outras matérias políticas".
Entre os subscritores do documento figuram Alexandre Andrade, Andrea Peniche, António Serzedelo, Carlos Esperança, Eugénio de Oliveira, Francisco Carromeu, João Pedro Cachopo, João Tunes, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, José Rebelo, Ludwig Krippahl, Luís Grave Rodrigues, Luís Mateus, Luís Sousa, Maria Augusta Babo, Miguel Cardina, Miguel Duarte, Miguel Madeira, Miguel Serras Pereira, Onofre Varela, Palmira Silva, Pedro Viana, Porfírio Silva, Ricardo Gaio Alves, Rui Tavares, J. Xavier de Basto.
O papa Bento XVI visita Portugal a partir de hoje, até dia 14 deste mês, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Depois do Simplex chega o Simplegis

Leis com mais rápida e melhor aplicação

Governo vai revogar 300 diplomas no âmbito do Simplegis com “linguagem simples, clara e acessível".

O Governo vai revogar este ano 300 diplomas desnecessários, comprometendo-se a simplificar a legislação e garantindo que a partir de 2011 que não haverá atrasos na transposição das diretivas europeias, no âmbito do programa Simplegis hoje apresentado.
O Simplegis foi hoje apresentado pelo secretário de Estado da presidência do Conselho de Ministros e tem como principais objetivos "simplificar a legislação, mais acesso das pessoas e das empresas às leis e melhor aplicação" das mesmas. "Este ano comprometemo-nos a revogar 300 leis desnecessárias. São leis que só baralham, só complicam, representam custos para as empresas e não trazem nem transparência nem segurança", disse à Lusa João Tiago Silveira.
A partir do pressuposto menos leis, mais acesso, que passa por leis mais compreensíveis e melhor informação legislativa e ainda melhor aplicação, o governo prevê benefícios de cerca de 200 milhões de euros por ano. "Pretendemos ter menos leis, mais acesso e melhor aplicação da lei para as pessoas e para as empresas que devem conhecer melhor a lei e saber com o que contam", frisou.
O programa prevê também que não haja atrasos na transposição para o regime jurídico português das diretivas europeias o que, para o secretário de Estado, dará a Portugal "mais credibilidade internacional".No âmbito do simplegis está também previsto um acesso mais fácil às leis com novas forma de apresentação dos conteúdos. Assim, "no segundo semestre do próximo ano os decreto-lei e decretos regulamentares terão um resumo explicação escrito em linguagem simples, clara e acessível". João Tiago Silveira destacou as vantagens do Simplegis: "transparência, redução de custos, melhor aplicação da lei e credibilidade internacional". Este ano e no próximo, serão elaborados dez manuais de instruções escritos em linguagem acessível para explicar as leis a quem as vai executar.

Cavaco e os sábios...

Grupo de “sábios financeiros” reune-se com PR

Ex-ministros das Finanças reunidos com Cavaco Silva defendem "medidas adequadas e urgentes" para ultrapassar a crise.

O grupo de 10 ex-ministros das Finanças que hoje reuniram com o Presidente da República manifestaram a sua "profunda preocupação" com a situação do país e defenderam "decisões adequadas e urgentes" para a ultrapassar.
"Viemos manifestar ao senhor Presidente da República a nossa profunda preocupação, mas também a nossa convicção que os portugueses, tal como no passado, apoiarão as medidas que se impõem face à situação atual para restabelecer a confiança na economia portuguesa, desde que essas medidas sejam apresentadas com transparência", disse, em nome do grupo de ex-governantes, o antigo ministro das Finanças Manuel Jacinto Nunes.
Numa curta declaração à saída do encontro com Cavaco Silva, os ex-ministros defenderam - sem especificar quais - medidas "adequadas e urgentes" para resolver "os problemas atuais".
"Portugal viveu no passado situações muito difíceis do ponto de vista das finanças públicas e sempre honrou com determinação os seus compromissos. Estamos certos de que Portugal, com decisões adequadas e urgentes também resolverá os problemas atuais", disse Jacinto Nunes, antigo governador do Banco de Portugal e presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

A crise vista pela UE

Medidas para reduzir o défice em Portugal

Bruxelas acolhe "com muito agrado" novas medidas de Portugal para reduzir o défice, e aprova plano de combate a crises sistémicas.

A Comissão Europeia acolhe com muito agrado as novas medidas anunciadas por Portugal para intensificar cortes no défice, disse hoje em Bruxelas o porta-voz do comissário para os Assuntos Financeiros, Amadeo Altafaj. "A Comissão Europeia acolhe com muito agrado os novos esforços anunciados por Portugal e por Espanha" para cortar o défice orçamental, disse Altafaj no habitual "briefing" diário da Comissão Europeia.
O porta-voz acrescentou ter havido "uma discussão no Ecofin (conselho de ministros das finanças, no domingo) sobre os esforços de consolidação orçamental", acrescentando ser esta "uma tarefa que todos os países da Zona Euro têm que fazer". Questionado sobre se Portugal ou Espanha pediram na reunião, que terminou já na madrugada de segunda-feira, para ser acionado o novo fundo de apoio aos países da Zona Euro em dificuldades, que poderá atingir os 750 mil milhões de euros, o porta-voz respondeu negativamente.
O ministro das Finanças admitiu hoje de madrugada, em Bruxelas, a possibilidade de aumentar os impostos se a medida for necessária para assegurar a consolidação orçamental e a confiança em Portugal nos mercados financeiros. Teixeira dos Santos anunciou, no final de um conselho extraordinário dos responsáveis pelas finanças dos 27, um reforço das medidas de consolidação orçamental que permita uma redução de 1,5 pontos percentuais do défice previsto para 2011.

UE terá 750 bilhões de euros para combater crises

A União Europeia anunciou na madrugada de hoje, em Bruxelas, a criação de um fundo, chamado por agora de "mecanismo de estabilização", no valor total de 500 bilhões de euros. O dinheiro será usado para combater crises sistémicas na zona do euro (que reúne os 16 países que adotaram o euro como moeda única) e nos países do bloco que ainda adotam moedas nacionais. A esses recursos poderão ser adicionados 250 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI), totalizando 750 bilhões de euros.
O anúncio foi feito após uma maratona de 11 horas de negociações entre os ministros de Finanças dos 16 países da zona do euro, com o intuito de detalhar as garantias que os Estados terão de aportar ao dispositivo. O maior obstáculo à aprovação foi o Reino Unido. O país, que ainda não adotou a divisa única, descartava financiar o mecanismo, mesmo que fosse apenas com garantias.
Foi aprovada ainda a proposta franco-alemã de criação de um mecanismo de empréstimos ou de garantias que chegará a 440 bilhões de euros, em recursos dos países-membros da União Europeia. O valor será mobilizado para uso eventual, em caso de turbulência sistémica, e posto à disposição por meio de contratos de empréstimos bilaterais e de garantias, segundo as especificações de juros do FMI e dependendo de autorização unânime dos 27 chefes de Estado e de governo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Crónicas Sem Tempo

Deus os fez, Deus os juntou!

Com este acordo o PSD deixou de ser alternativa de governo, ficando agora a Oposição minoritária, fragmentada em 4 pequenos partidos que em próximas eleições legislativas devem merecer uma oportunidade de se chegarem à frente e forçar uma verdadeira alternativa.

O resultado da eleição do Dr. Pedro Passos Coelho para lider do PPD/PSD, que ainda consegue estar mais à direita do que o Dr. Santana Lopes, salta à vista de todos os portugueses, como previmos em artigos anteriores sobre o tema das famigeradas directas e do execrável Congresso, porque Passos Coelho não está à altura de tamanha responsabilidade, agravado pela crise do capitalismo selvagem que grassa na globalização mundial que o há-de levar à sua total destruição devido à cegueira gananciosa dos monopólios antagonistas que lutam pelo poder esmónico acabando com o sistema e de crise em crise sucumbirão todos. Passos Coelho não tem conhecimentos políticos, económicos e sociais bastantes para ser Primeiro Ministro e se um dia lá chegar será uma marionete dos interesses que o colocaram naquele lugar por ser uma figura que fica bem nos órgãos da comunicação social passando uma imagem favorável ao sector feminino através das televisões e não deixa de ter razão a Drª Manuela Ferreira Leite, quando afirmou que não se deve votar numa pessoa só pela sua figura física, porque isso está votado ao fracasso, sobretudo quando o negócio é uma coisa muito séria chamada politica que tem de ser uma actividade digna.
Ao pedir uma audiência ao Eng José Sócrates, foi-se meter na boca do lobo, uma vez que a iniciativa teria de partir do Primeiro Ministro, pois é ele que tem a batata quente na mão, escaldado por uma governação de 4 anos e meio pouco mais que medíocre com uma acéfala maioria absoluta, e com uma péssima prestação nestes 6 meses de governo minoritário, onde não tem qualquer margem de manobra, naufragando irremediavelmente, vindo esta ajuda de Passos Coelho na melhor hora para confundir completamente os portugueses, que poderiam ainda pensar que o PSD seria a alternância do poder, mas já nem para isso serve. O lider do PSD, não é o lider da Oposição, como alguma imprensa teima propositadamente fazer crer. A Oposição é muito mais que o PSD/Bloco Central. A verdadeira Oposição está nos outros partidos, chamados pequenos como o CDS, o PCP/Verdes e o BE, todos eles com grupos parlamentares e bastante mais produtivos que o PSD, que só quer alcançar o poder, venha ele de onde vier, seja branco ou preto, com um único objectivo a procura de tachos e mordomias, mesmo que para isso tenha de vender a alma ao diabo.
Até o Dr. Mário Soares esfrega as mão de contente, porque agora o PSD é liderado pelo Dr. Passos Coelho, estando correcto o Dr. Morais Sarmento que no Congresso aclamatório foi o único que não embarcou em tanta unanimidade unicitária bem ao gosto dos regimes coreanos. Mas, Mário Soares que sabe de politica como ninguém, fez logo uma ressalva dizendo que não seria bom o PSD entrar para o governo oficializando o Bloco Central, para dar a impressão que o PSD, ajuda o governo mas quando este cair, então temos o PSD para continuar com a mesma politica enquanto o PS vai descansar pois também tem direito a férias de 9 anos de ininterrupta governação se lá chegar. É um cenário conhecido dos tempos de Mário Soares/Mota Pinto do Bloco Central de triste memória, mas apesar de tudo os tempos eram muito diferentes, o FMI estava implantado, o embaixador dos Estados Unidos, Frank Carluci, operacional da CIA dava ordens e a CEE era ainda uma miragem sem grandes possibilidades de alcançar. A mentira tem perna curta, porque o PSD não é um partido diferente do PS, são iguais, tendo Sócrates agora encontrado o seu irmão siamês.
Neste casamento quem ficou a ganhar foi o Primeiro Ministro José Sócrates que tem uma bagagem politica muito superior a Passos Coelho, tal como aconteceu entre Mário Soares e Mota Pinto, mas naquela parelha o Professor Mota Pinto tinha uma envergadura intelectual superior a Mário Soares sobretudo na área do Direito, onde ocupava uma cátedra de grande prestigio nacional e internacional. Infelizmente as figuras politicas do momento não têm esta dimensão não só politica, como ética e comportamental. O pântano em que vivemos foi iniciado por Cavaco Silva, que abriu as portas à mediocridade, com ministros tipo Dias Loureiros, e depois, o pântano tomou proporções gigantescas com António Guterres, e a qualidade dos ministros sempre a cair, do tipo Armandos Varas, tendo-se seguido os governos de Durão Barroso/Santana Lopes, que escancararam as portas para a consumação total do desastre nacional com os governos de José Sócrates, e quem se tramou foi o povo português que sempre viveu em austeridade aperto de cinto, até ao ponto de agora serem os desempregados que têm de pagar a crise, se não fosse ridículo dava para rir até às lágrimas.
Com este acordo o PSD deixou de ser alternativa de governo, ficando agora a Oposição minoritária, fragmentada em 4 pequenos partidos que em próximas eleições legislativas devem merecer uma oportunidade de se chegarem à frente e forçar uma verdadeira alternativa. Os Gurus Economistas que acompanham Passos Coelho, que acumulam ordenados, reformas, mordomias e privilégios, deviam ter vergonha de defender medidas para garotear a classe trabalhadora, dos honestos funcionários públicos e das empresas privadas, da classe média empobrecida e envergonhada que os sustenta. É de saudar medidas como as que o Ministro das Finanças advoga de obrigar os Administradores do Metro do Porto a repôr o dinheiro recebido desde Janeiro de 2007 que acumularam com chorudos ordenados de autarcas. Esse é o caminho, é ai que se podem ir buscar muitos milhões de euros, àqueles que auferem ordenados e reformas superiores a 7 000 euros, só assim o povo acreditará que os sacrifícios são para todos. Rios, Marcos, Valentins e quejandos não têm razão nem moral quando sugam as mais valias de quem os põe no poder a quem empobrecem enquanto esta classe politica esbanja milhões. Se os ricos não tratarem dos pobres, dentro de pouco tempo serão os pobres a tratar dos ricos, como já se observa na desordem grega.

Manuel Aires