Liberdade e o Direito de Expressão

Neste blog praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão, próprios de Sociedades Avançadas !

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Lua de Mel" na Madeira

Sócrates na Festa da Flor

Primeiro ministro realçou o "forte empenhamento e colaboração" entre governos para a reconstrução da ilha.

O primeiro-ministro afirmou hoje no Funchal existir "uma forte colaboração e empenhamento" por parte dos governos Regional e da República para concretizar a reconstrução a Madeira o mais rápido possível. "O que há é uma grande colaboração política e de empenhamento politico muito forte do Governo Regional e da República para honrar aquilo que é o desejo de todos os portugueses, que é fazer as coisas bem feitas e depressa", declarou José Sócrates quando questionado sobre o atual relacionamento entre os dois executivos.
"Fiquei agradavelmente surpreendido, primeiro por poder partilhar com os madeirenses este dia que é especial, de alegria, muito emotivo", disse, depois de assistir pela primeira vez ao cortejo da Festa da Flor, no Funchal. Segundo o primeiro-ministro, "todos os portugueses olham para a Madeira neste dia com um nó na garganta de quem se entusiasma ao ver o regresso ao otimismo".
Sócrates garantiu que o Governo da República "vai ajudar a Madeira e o Governo Regional".
"Vamos juntos reconstruir aquilo que falta reconstruir", prometeu, sublinhando que os dois governos têm trabalhado "muito em conjunto e que tem acompanhado com muita proximidade os trabalhos da comissão. Estou satisfeito com a forma como as coisas correram e o mais importante é termos rapidamente bem definido aquilo que é necessário fazer, quanto custa, como vamos fazer, que meios de financiamento vamos definir", mencionou.
Prometeu ainda "novidades" para segunda-feira, após a reunião que vai manter no Funchal com o Governo Regional, sobre os apoios para a reconstrução da Madeira devastada pelo temporal de 20 de fevereiro. "Faço esta visita com a emoção de quem assistiu ao que assistiu há uns tempos atrás e quem verifica este trabalho todo que os madeirenses fizeram, que o Governo Regional fez, e que é recebido por todos os portugueses com uma profunda admiração", sublinhou. "Venho também aqui estar junto dos madeirenses para dizer que nos orgulhamos pelo trabalho que fizeram", adiantou.
O cortejo da Festa da Flor foi o evento escolhido para marcar a transição da imagem de destruição provocada pelo temporal de 20 de fevereiro pela da reposição da total normalidade.
Esta tarde desfilaram pelas ruas do Funchal mais de 1 300 figurantes, distribuídos por nove grupos, mostrando a beleza, cor e variedade de flores naturais da ilha. Quando chegou ao local, Sócrates recebeu um chapéu de palha com o nome "Madeira" e durante todo o cortejo usou um colar de flores e uma orquídea na lapela. Durante a passagem do desfile, o primeiro-ministro recebeu por diversas vezes flores de responsáveis dos diferentes grupos. Milhares madeirenses e turistas aglomeram-se nas principais ruas do Funchal para ver passar o cortejo.
O primeiro-ministro jantou ontem na Quinta Vigia, a convite do presidente do Governo Regional e hoje, segunda-feira, marca presença numa reunião de trabalho entre elementos dos dois governos, seguida de conferência de imprensa.

domingo, 18 de abril de 2010

Domingo especial

O vulcão que quase paralisou a Europa

A nuvem de cinza está a dissipar-se, mas mais de 20 mil voos previstos só para hoje, foram cancelados. Destes, 360 voos têm como destino ou origem Portugal.
A situação do espaço aéreo europeu ficou pior do que com o 11 de setembro nos EUA.

A nuvem de cinzas vulcânicas originária da Islândia está a afetar cada vez mais países europeus. Segundo o posto de observação suíço Payerne, a nuvem de cinzas desceu 2.000 metros de altitude acima do nível do mar na última noite, tornando-se menos densa. "As partículas estão a começar a cair no chão", disse o especialista do observatório Bertrand Calpini, adiantando que a "nuvem está a começar a desaparecer".
Com base em medições feitas hoje de manhã, o especialista afirmou que os resíduos das cinzas vulcânicas já entraram na camada atmosférica que contém o ar que a Humanidade respira e em breve será capaz de detetar partículas da superfície, como aconteceu sábado à noite na estação suíça Jungfrau, situada a 3 600 metros de altitude. Apesar da nuvem estar a diluir-se, Bertrand Calpini não exclui a hipótese do vulcão islandês enviar outra onda de cinzas.
Cerca de 20 mil voos previstos para hoje em toda a Europa encontram-se cancelados, devido ao encerramento da "maior parte" do espaço aéreo europeu. O último balanço da Agência Europeia para a Segurança e Navegação Aérea - Eurocontrol indica que apenas 4.000 dos 24.000 voos previstos durante o dia de hoje poderão operar.
Entre quinta feira e o final do dia de hoje serão cerca de 63 mil os voos cancelados em toda a Europa. Segundo a Eurocontrol, os países europeus que encerraram total ou parcialmente o espaço aéreo são: Áustria, Bélgica, Croácia, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, a maior parte de França, Hungria, Irlanda, norte de Itália, Holanda, Noruega, Polónia, Roménia, Servia, Eslovénia, norte de Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e o Reino Unido. Entretanto, o espaço aéreo da Croácia e Roménia foi reaberto.
Em Espanha já são 16 os aeroportos encerrados. O espaço aéreo alemão vai manter-se encerrado pelo menos até às 18:00 de hoje (19:00 em Lisboa), um problema comum aos 16 aeroportos internacionais do país, assim como a todos os aeródromos regionais. O espaço aéreo holandês vai manter-se fechado até pelo menos as 12:00 GMT (13:00 em Lisboa), enquanto a maioria dos aeroportos franceses se conserva igualmente encerrada.
As autoridades francesas anunciaram já a intenção de manter os aeroportos encerrados até pelo menos às 08:00 de segunda feira (07:00 de segunda feira em Lisboa). Em Itália, os aeroportos do norte do país permanecem também sem operar aviões. No sul do país, os aeroportos estão operacionais, mas com grandes atrasos e cancelamentos. O espaço aéreo dinamarquês e o austríaco ficarão, por seu lado, encerrados, até às 02:00 de segunda feira (mais uma do que em Lisboa).

Entretanto, as autoridades da Bulgária decidiram encerrar parcialmente o espaço aéreo do país a partir das 06:00 GMT de hoje (07:00 em Lisboa), mas sem afetar o aeroporto da capital Sofia. Também o espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia continuará fechado pelo menos até à tarde de hoje.
Na República Checa, as previsões de hoje de manhã apontam para o encerramento do espaço aéreo até segunda feira às 12:00 locais (11:00 em Lisboa). O espaço aéreo croata e bósnio foi encerrado hoje de manhã, pelo menos até às 12:00 locais.
Em Portugal, mais de 360 voos foram cancelados até ao meio dia de hoje, devido ao encerramento de vários aeroportos na Europa provocado pela nuvem vulcânica com origem na Islândia, segundo a ANA - Aeroportos de Portugal. No conjunto dos aeroportos nacionais geridos pela ANA e ANAM-Aeroportos da Madeira foram cancelados 364 voos entre as 00:00h e as 12:00. "A maioria dos destinos e origens destes voos continuam a ser na Europa Central, Europa do Norte e Reino Unido", refere a ANA em comunicado enviado à agência Lusa.
O maior número de voos cancelados (155) foi no Aeroporto de Lisboa, sendo que 78 se referem a partidas e 77 a chegadas. No Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, foram cancelados 81 voos (41 partidas e 40 chegadas) e no Aeroporto de Faro 114 voos (58 partidas e 56 chegadas).
Dois voos (uma partida e uma chegada) foram cancelados no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, enquanto no Aeroporto da Madeira, gerido pela ANAM, foram anulados 12 voos (seis partidas e 6 chegadas).
A ANA - Aeroportos de Portugal, que fará novo balanço da situação às 17:30, aconselha os passageiros que tenham os seus voos planeados para hoje a contactar as companhias aéreas ou as agências de viagens antes de se dirigirem para os aeroportos. Apesar de algumas companhias aèreas já terem efectuado voos de teste, a TAP não o vair fazer, esperanto o resultado das outras companhias como a KLM, a Air France e a Air Berlin.

Cavaco Silva ficou retido em Praga

Regressou de carro, mas pode não sair de Barcelona esta noite de avião.

A Presidência da República está a ser permanentemente informada sobre a situação no aeroporto de Barcelona, mas neste momento é ainda "imprevisível" saber se Cavaco Silva conseguirá partir daquela cidade espanhola para Lisboa ao início da noite. Segundo fonte da Presidência da República, as informações fornecidas pelas autoridades espanholas estão permanentemente a ser atualizadas. Por isso, a Presidência da República irá fazer uma "nova avaliação da situação" a meio da tarde, com as informações que dispuser nessa altura.
O chefe de Estado saíu de carro de Praga com destino a Estrasburgo, de onde partiu às 08:10 locais (07:10 em Lisboa), cidade francesa onde chegou no sábado ao início da noite, depois de uma viagem de 600 quilómetros desde Praga, onde ficou retido na sexta feira devido à nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia. A chegada de Cavaco Silva a Barcelona está prevista para o início da noite e se o aeroporto daquela cidade da Catalunha estiver aberto, o Presidente da República terá à sua espera um Falcon para o transportar para Lisboa.
A restante comitiva será transportada para a capital portuguesa num C-130 da Força Aérea.
Caso o aeroporto de Barcelona encerre, Cavaco Silva e a toda a comitiva presidencial irá passar a noite naquela cidade espanhola, seguindo a viagem para Lisboa por via terrestre na manhã de segunda feira. Fonte oficial da TAP disse esta manhã à Lusa que o aeroporto de Barcelona foi hoje encerrado devido à nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia. Segundo informações dos Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea, o aeroporto de Barcelona foi encerrado por razões de segurança às 08:30 e deverá abrir às 16:00 (horas locais, 15:00 em Lisboa).

Contratempos para uns, sorte para outros

Houve um sortudo no meio da erupção do vulcão na Islândia. Devido ao cancelamento de voos da Irlanda do Norte para destinos fora da Grã-Bretanha, um taxista de Belfast facturou, nada mais, nada menos, do que 800 euros, com uma só viagem. O taxista Duffy precisou de 24 horas para levar um grupo de empresários de Belfast a Londres: depois de atravessar o mar entre a Irlanda e a Grã-Bretanha continuou por terra até ao aeroporto de Heathrow, a oeste de Londres. “Recebi uma chamada para ir até ao Hotel Hilton, em Belfast. A caminho do barco, eles perguntaram-me se eu podia levá-los a Londres. Pensava que era uma piada, mas eles disseram que era a sério”, contou o taxista à BBC.Apanhar um táxi, justificaram os empresários, saía mais barato do que pagar todos os bilhetes de autocarro ou comboio. No final dos 640 quilómetros, os passageiros ainda ofereceram uma gorjeta de 57 euros. A empresa de táxis onde Duffy trabalha - a Fonacab - afirmou que a viagem até Londres foi a mais longa e cara que qualquer taxista da empresa já fez.

Nem a força do vulcão os fez demover

O bloqueio aéreo europeu está a ter efeitos um pouco por todo o mundo. Ao que parece, a nuvem de cinzas insiste em estragar os planos de milhares de pessoas, até de um casal de noivos. Mas os namorados, um britânico e uma australiana, não se deram por vencidos e nem um vulcão os fez desistir do seu grande sonho: casar.
A decisão tinha sido tomada há três semanas, na Austrália, e o casamento estava já marcado para este fim-de-semana, na cidade inglesa de Ealing. No entanto, ao tentar voar para a Inglaterra, Sean Murtagh e Natalia foram surpreendidos pelo caos aéreo e obrigados a permanecer no Dubai. Um pequeno contratempo que não fez com que alterassem os seus planos.
A paixão do casal não cedeu... nem a um vulcão. E os noivos decidiram casar-se online.
Os funcionários do hotel ajudaram o casal a preparar a transmissão da cerimónia via net para que os parentes e amigos pudessem acompanhar tudo. «Os empregados decoraram o hotel. Fizeram um bolo de três andares e arranjaram um computador portátil com o programa Skype e um projector», revelou o noivo, satisfeito. Um casamento original, diz Carolina Black, que conduziu a cerimónia online a partir de Londres. Afinal «foi um casamento como outro qualquer, só a noiva e o noivo não estavam presentes».

Ler mais em: http://www.ionline.pt/conteudos/home.html

Crónica de Domingo

Hoje eles(as) são os filhos do lixo

"Gravei a tristeza, a resignação, a imagem daquelas crianças minúsculas, sujas e seminuas, contentes comendo lixo. Sentadas sobre o lixo. Uma a cuidar do irmãozinho menor, que escalava a montanha de lixo. Criadas, como as suas mães, acreditando que Deus queria isso".

Há quem diga que dou esperança quando escrevo; há quem proteste que sou pessimista quando falo, e também algumas vezes quando escrevo de certos temas. Pricipalmente de política. Eu digo que os maiores optimistas são aqueles que, apesar do que vivem, sofrem ou observam, continuam apostando numa vida esperançosa, trabalhando, cultivando afectos e mantendo projectos. Às vezes, porém, escrevo com dor. Como hoje, por exemplo.
Acabei de assistir há dias, a uma reportagem na TV Globo sobre a pobreza em Portugal, visando com especial destaque crianças que vivem de “catar lixo” em contentores e lixeriras. Nela envolvem portugueses e imigrantes sem qualquer diferenciação, esta só reconhecida por que conhecer bem o ADN de “ser português”. Digamos que mostraram quem são o lixo desse país, e nós enquanto portugueses, permitimos e criámos as condições para que isso esteja acontecer. Eu mesmo já vi com estes olhos de gente morando agora junto de grandes lixões, algumas crianças disputando com abutres pedaços de comida estragada para matar a fome. E não foi em Portugal.
Mas o que me interessa agora, é falar da minha terra. A reportagem pode considerar-se uma história de terror – mas verdadeira, nossa, desse país. Uma jovem de menos de 20 anos trazia num carrinho feito de madeiras velhas e latas os seus três filhos, de 4, 2 e 1 ano. Chegavam ao vazadouro de lixo, e a maiorzinha, já treinada, saía a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo começavam os três a comer, e a mãe, indagada pela reporter, explicou num mau português, mas perceptível e com simplicidade: "A gente tem de sobreviver, não é?".
O relato dessa quase adolescente e o de outras eram parecidos: todas com filhos pequenos, duas novamente grávidas e, como diziam, vivendo a sua sina – como a sua mãe, e sua avó já viveram, antes delas no século passado em tempos de ditadura. Uma chorou, dizendo que tinha estudado, mas então precisou de ajudar em casa e foi catar lixo, como outras mulheres da família já o faziam. "É a minha sina", repetiu, e olhou a filha que amamentava. "E essa aí?", perguntou a jornalista. "Essa, bom, depende, gostava que não, mas Deus é quem sabe. Se Ele quiser..."
Os diálogos foram mais ou menos assim; repito de memória, porque não gravei. Mas gravei a tristeza, a resignação, a dura imagem daquelas crianças minúsculas e seminuas, meias sujas e contentes comendo do lixo. Sentadas sobre o lixo. Uma cuidando do irmãozito menor, que escalava a montanha de lixo. Criadas como estão a ser, como suas mães, acreditando que Deus queria isso.
Não sei como é possível alguém dizer que o nosso país vai bem enquanto estes factos, e outros semelhantes, acontecem. E desconheço se tal tipo de reportagem acontece nos media portugueses. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a impunidade e o falso ufanismo e a corrupção reinante nos tempos que correm. Ouvimos dizer a toda hora que o país está no bom caminho, que os políticos se entendem e têm encontradas as soluções certas. Claro que não é verdade.
Em algumas pequenas coisas, talvez, melhorámos. Temos vacinas. Existem hospitais e ensino públicos – ainda que atrasados e muito ruins. Temos alguns benefícios, como apoios sociais – embora miseráveis –, e uma precária estabilidade económica. Não é preciso lupa: andamos de facto, um pouco mais bem equipados do que há 100 anos atrás...
Mas quem somos, afinal? Que país somos, em que gente nos tornamos, se podemos ver tudo isso e continuamos comendo, bebendo, divertindo, viajando, trabalhando e estudando como se nada fosse connosco? Deve ser o nosso modo de sobreviver, tão portuga e enraizado no “olhar para o umbigo” – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse outro lixo moral em seco, e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos convencermos de que isso acontece no nosso meio, no nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte disso, responsáveis por isso, que sentiríamos? O que se poderia - ou devia - fazer?
Pelo menos, reclamar, protestar, denunciar. Achar que nem tudo está tão maravilhoso como nos querem fazer crer. Procurar eleger pessoas de bem, interessadas, que cuidassem dos contentores do lixo, mas também dos que continuam pobres, da saúde pública, das camas e casas que faltam aos milhares de sem abrigo, dos colégios desprovidos, de tudo isso que cansativa mas incansavelmente tantos de nós têm dito e escrito. Que pelo menos a gente saiba e, em vez de disfarçar, espalhe essa realidade nua e crua. Não para criar hostilidade e desordem, mas para mudar um pouco essa torpe mentalidade. Para que nunca mais crianças que vivam em Portugal sejam filhas do lixo, nem mães dizendo que aquela é a sua sina, porque Deus quer que o seja assim.
De certeza, que Deus não quer assim. Os deuses não inventaram a indiferença, a crueldade, o mal estar causado pelo homem. Nem mandaram desviar o olhar para não ver um menino a meter avidamente na boca restos de um bolo encontrado no lixo, talvez a sua única refeição daquele dia. E, naquele instante, a câmera captou a sua irmãzinha num grande sorriso inocente atrás de um desengonçado par de óculos cor-de-rosa que acabara de encontrar: e assim se iluminou por um breve instante aquela enorme, imensa e trágica realidade.

Carlos Ferreira
Nota:
Pelas "400 mil visitas" (perto de serem atingidas...), obrigado aos leitores pelas suas mensagens. Que fique claro que, o estímulo deste site têm sido sempre os seus leitores. Sem eles, não valeria a pena escrever fosse o que fosse. Porque isto não é um blogue pessoal, mas colectivo. Todos estão de facto de parabéns!

algarve.reporter@live.com.pt

Opinião do Leitor

Portugal, visto do Brasil
(Por Hugo Henriques)

NA MARCA DO PENALTY

Fortaleza, 32 graus, 10h da manhã de frente para o mar, e lá longe minha mente se concentra num lugar chamado PORTUGAL, para muitos um jardim á beira-mar plantado, terra de grandes feitos, terra do FADO (ah grande MARCENEIRO), mas também, terra de tristeza, maledicência, padrasto e carrasco de sua massa cinzenta, a caminho da sua pobreza franciscana por conta de políticos e políticas incompetentes, hipotecando as gerações futuras correndo assim o risco de se transformar em TERRA DE NINGUEM, e a pergunta que não quer calar, e vale um milhão de euros: DE QUEM É EFETIVAMENTE A CULPA?
Inicialmente tudo aponta para os homens de cinzento e preto (se bem que ultimamente há uns mais “coloridos”) que se cruzam numa assembléia dita casa do povo, se movimentam em carros luxuosos e fazem uma dieta á base de uma boa picanha argentina ou de um bacalhau da Noruega, regado com um bom vinho chileno ou francês com um wisky 12 anos a fazer companhia ao tradicional café, (nada de charutos... a malta está de olho, também era demais!) podendo assim mansamente contemplar a majestosa montanha de bosta que serviram aos portugueses com todo o amor e carinho, mas se olharmos com mais atenção e isenção, teremos que perguntar a bem da verdade qual foi o papel dos portugueses nesta crônica de uma falência anunciada, até porque isto tudo não aconteceu da noite para o dia, no mínimo podemos afirmar com toda a certeza que foram todos cúmplices, ou por omissão, comodismo ou também porque fizeram parte da falcatrua pegada que tomou conta do país.
Desde a entrada no famoso mercado comum por mão de MÁRIO SOARES, tornamo-nos num povo preguiçoso (nos últimos 25 anos simplesmente nos recusamos a fazer trabalhos menores, assim sendo... viva os ucranianos, brasileiros, russos, etc. para quem aí viveu na década de 60, deve dizer já ouvi isto em qualquer lado... portugueses imigrados em França a fazer o que mais ninguém queria fazer. lembram-se?), hoje pedante, a viver constantemente acima das suas possibilidades, e pior ainda, nesta altura dificílima continuamos a exigir uma solução sem querer dar nada em troca nem trocar as regras do jogo mantendo jogadores viciados e sem idéias nos locais de decisão.
É necessário elaborar uma lista de prioridades, é altura de botar a mão na massa, arregaçar as mangas e trabalhar arduamente que se faz tarde, temos efetivamente um problema de alucinação e acomodação coletiva, acreditando em HARRY PORTER e suas mágicas, há que fazer uma ruptura na vertical vamos ter que fraturar o sistema e para isso acontecer é necessário, aliás, indispensável formar um MSN - MOVIMENTO DE SALVAÇÃO NACIONAL. A hora é de união, cerrar fileiras, formar um governo de salvação nacional, ir buscar os melhores quadros a independentes e todos os partidos, e ao setor privado, manter em funcionamento a Assembléia da Republica, mas suspender qualquer eleição nos próximos dez (10) anos, assim, evita-se perder o foco com disputas eleitorais e promessas demagógicas, privatizar as grandes multinacionais (EDP, PT, etc.) criar uma comissão fiscalizadora com participação popular para fiscalizar os bancos agregando um aumento nas taxas a cobrar aos mesmos.
Ao povo português cabe, poupar em suas despesas e PARAR com o endividamento, trabalhar ao sábado para aumentar a produção, diminuir os feriados, e aguentar heroicamente e patrioticamente o congelamento de salários, ser solidário, acreditar e consciencializar que o problema de um é de todos, e que todos juntos fizemos acontecer,.
Sem este tipo de atitudes, infelizmente não há volta a dar a esta situação.
É ISTO OU NADA... É PEGAR OU LARGAR (os filhos e netos agradecem)! A bola está na marca de grande penalidade... é só escolher o lado para onde chutar!...UMA MÃO CHEIA DE VENTO E OUTRA CHEIA DE NADA... mas há algo que todos temos que ter, e que é a coisa mais valiosa...VONTADE!
ÁS ARMAS ÁS ARMAS CONTRA A FALÊNCIA... TRABALHAR, TRABALHAR!

(escreveu de Fortaleza)

sábado, 17 de abril de 2010

COMEMORAMOS ENTRE DOMINGO E SEGUNDA 400 MIL VISITAS !

Fim de Semana

"Ano de Portugal na China"

Depois da China comemorar com multiplicado sucesso o seu comércio há vários anos em Portugal, em 2011 e apesar das "limitações orçamentais", o galo vai ficar de olhos em bico...

Portugal vai promover um ano de actividades culturais na China em 2011, para "projetar a arte, a cultura e a língua portuguesas", concretizando "um compromisso assumido" pelo Primeiro-ministro, disse o ministro dos Negócios estrangeiros, Luis Amado.
Luis Amado, que concluiu hoje em Pequim um périplo de cinco dias pelo nordeste asiático, alertou, contudo, que a programação do Ano de Portugal na China terá "limitações em termos orçamentais. No contexto das dificuldades financeiras que o país conhece não podemos ser muito ambiciosos", disse.
A realização de um "Ano de Portugal na China", inspirada em idênticas iniciativas promovidas pela França, Itália, Grécia, Espanha e outros países, foi anunciada pelo primeiro-ministro, Jose Sócrates, durante a sua primeira visita oficial a Pequim, em janeiro de 2007. Na altura - recordou Luís Amado - "foi decidido assumir o compromisso de projetar o nome de Portugal na China através da celebração de um ano de iniciativas de âmbito cultural".
"Tendo sido tomada essa orientação, teremos de organizar um programa para o próximo ano que possa dar alguma projeção à arte, à cultura e à língua portuguesas na China, e em particular em Pequim", acrescentou. Luis Amado adiantou que o programa, com exposições, espectáculos e outras iniciativas, está a ser preparado por uma equipa dirigida pelo embaixador Carlos Pais e envolve também "a promoção de Portugal em todo o continente asiático nos próximos anos". O governo chinês não irá organizar um Ano da China em Portugal, como fez em França, Itália ou Grécia, mas Luis Amado desvalorizou a falta de reciprocidade.
"O interesse em projetar melhor a marca e imagem de Portugal neste grande pais é nosso (...) A economia chinesa está em continuo crescimento e nós queremos que constitua também um importante mercado para os produtos e para a língua e cultura portuguesa", afirmou. Este modelo de promoção foi lançado em 1999 pelo então presidente francês, Jacques Chirac, e pelo seu homologo chinês, Jiang Zemin.
A realização do Ano da França na China, em 2004/05, custou cerca de 82 milhões de euros e a Grécia investiu mais de 40 milhões de euros no seu ano (2007/08), disse fonte diplomática europeia em Pequim. Em fevereiro passado, após uma visita a Pequim, Xangai e Macau, o deputado do PSD pelo círculo da Emigração José Cesário manifestou-se preocupado com a preparação do Ano de Portugal na China.
"E altura de serem tomadas decisões em definitivo porque é óbvio que não seria admissível neste momento uma hipotética desistência (...) É um desafio muito difícil e até bastante ambicioso, mas já que demos este passo não podemos correr o risco de que a imagem de Portugal fique minimamente comprometida", afirmou José Cesário. Em declarações à agência Lusa em Pequim, o ministro português dos Negócios Estrangeiros defendeu "uma relação muito mais ambiciosa" com a China e o "inadiável reforço" da presença diplomática, económica e cultural portuguesa no país.
"Temos que olhar para a nossa relação com a China de uma forma muito mais ambiciosa. Estamos a virar uma página da Historia do mundo e é preciso ter consciência das profundas mudanças que estão a ocorrer (...) A China está nessa nova página", disse. Luis Amado, cujo périplo pelo nordeste asiático incluiu também a Mongólia e a Coreia do Sul, regressa hoje a Lisboa,

Sócrates foi ao peixe

Para ele, a política não tem espinhas...

"Quem anda na política está habituado a tudo, até a tirar as espinhas"

O primeiro ministro, José Sócrates, esteve hoje no Parque das Nações, no certame Peixe em Lisboa, onde usou a ironia para dizer que, como político, está habituado a "tirar espinhas".
José Sócrates visitou a iniciativa Peixe em Lisboa, acompanhado pelo ministro da Agricultura, António Serrano, pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e pelo presidente do Instituto do Turismo de Portugal, Luís Patrão.
À entrada do Pavilhão de Portugal, o primeiro ministro recusou-se a responder a perguntas dos jornalistas sobre temas de atualidade política, mas antes de se sentar à mesa fez um elogio sobre o contributo das ações de promoção de gastronomia para o crescimento do turismo em Portugal.
Depois, confessou gostar de comer peixe, o que levou um jornalista a perguntar-lhe se preferia comer peixe com ou sem espinhas.
Sócrates usou a ironia para responder à pergunta: "Naturalmente, prefiro peixe sem espinhas. Todavia, quem anda na política está habituado a tudo, até a tirar espinhas." Durante a breve visita que fez ao certame, antes do jantar, Sócrates provou vinho tinto de Estremoz e parou em vários stands com petiscos, provando alguns.
Com quem o ladeava no percurso, falou sobre gastronomia, sobre produções agrícolas de qualidade, mas sobre política nem uma palavra. O dia de hoje de Sócrates começou pela manhã com um debate quinzenal na Assembleia da República, aberto desta vez pelo presidente do CDS, Paulo Portas.

Anedota da semana

Ou será um lampejo de lucidez?

O ex Presidente da República Mário Soares defendeu ontem que Cabo Verde "não deveria ter sido independente" e que o arquipélago "teria muito a ganhar" em ter evitado a separação em relação a Portugal.

"Eu sempre achei que Cabo Verde não deveria ter sido independente, não assisti à independência de Cabo Verde por isso mesmo", disse, no colóquio "Vozes da Revolução: Guerra Colonial e Descolonização", no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
Na opinião do antigo Chefe de Estado, Cabo Verde "teria muito a ganhar" caso se tivesse mantido parte do território nacional. "Eu pensava que Cabo Verde não é propriamente África porque Cabo Verde é um arquipélago do norte do Atlântico e que há uma relação que deveria ter sido mais explorada entre os três arquipélagos existentes que são Europa, ou seja, Açores, Madeira, depois Canárias e podia ser Cabo Verde", argumentou.
Nas viagens que realizou como membro do Governo após a revolução de abril de 1974, Mário Soares disse ter contactado muitos cabo-verdianos, nomeadamente nos Estados Unidos "onde havia uma colónia muito poderosa e rica", que "não queriam de maneira nenhuma a independência de Cabo Verde".
Admitindo que "era muito difícil" que o caminho seguido não tivesse sido a independência, Mário Soares explicou que não explicitou "no momento exato" o seu pensamento sobre o assunto porque interrompeu a sua participação direta no processo que conduziu à independência - "nessa altura em já estava fora do combate", disse.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Economista do FMI avisa...

Portugal é o "próximo problema global"

O ministro Teixeira dos Santos diz que a declaração do ex-economista do FMI "é um disparate".

Portugal é o próximo alvo dos mercados financeiros estando, como a Grécia, à beira da bancarrota; ambos parecem muito mais perigosos do que a Argentina em 2001 - é a opinião do antigo economista chefe do FMI, Simon Johnson. A conclusão é apresentada pelo antigo economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Simon Johnson, numa análise realizada para o jornal norte-americano 'New York Times', intitulada "O próximo problema global: Portugal".
"O próximo no radar será Portugal. Este país escapou em grande medida às atenções, muito porque a espiral da Grécia desvaneceu. Mas ambos estão economicamente à beira da bancarrota, e ambos parecem muito mais perigosos do que Argentina parecia em 2001, quando entrou em incumprimento", diz a análise do economista, que é Professor no Massachussetts Institute of Technology.
Simon Johnson equiparou ainda o financiamento de Portugal a um esquema em pirâmide (como o utilizado pelo gestor norte-americano Bernard Maddof que lhe valeu a prisão perpétua).
O economista diz que Portugal, tal como a Grécia, em vez de abater os juros da sua dívida, tem refinanciado os pagamentos de juros todos os anos através de emissão de nova dívida, chegando mesmo ao ponto de dizer que "vai chegar a altura em que os mercados financeiros se vão recusar pura e simplesmente a financiar este esquema ponzi".
Quanto à correção dos desequilíbrios, o economista critica fortemente a falta de medidas mais duras. "Os portugueses nem sequer estão a discutir cortes sérios. (…) Estão à espera e com a esperança de que possam crescer suficientemente para sair desta confusão, mas esse crescimento só pode chegar através de um espantoso crescimento económico a nível global", disse.
Simon Johnson considera ainda que "nem os líderes políticos gregos, nem os portugueses, estão preparados para realizar os cortes necessários", que o Governo português "pode apenas aguardar por vários anos de alto desemprego e políticas duras", e ainda que os políticos portugueses podem apenas "esperar que a situação piore, e então exigir também bailout (plano de apoio)".
Simon Johnson é Professor na Universidade norte-americana MIT - Massachusetts Institute of Technology, faz parte do Instituto de Economia Internacional (em Washington), é conselheiro económico do Departamento Orçamental do Congresso dos EUA (Congressional Budget Office) e foi economista chefe e director do departamento de investigação do FMI. Entretanto, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos já respondeu ao antigo economista chefe do FMI, dizendo que as suas declarações são um disparate.

Aumento dos Combustíveis

Gás e transportes voltam aumentar em Julho

Associação de transportadores admite que com actual preço do gasóleo a subida é inevitável. O ACP registou com surpresa as declarações do ministro.

O primeiro sintoma da subida do petróleo é a subida dos combustíveis. A seguir é a vez do gás natural e dos transportes públicos. Ontem a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) anunciou o primeiro aumento em três anos nas tarifas para os domésticos, de 3,2%. A proposta terá efeitos práticos a 1 Julho. Essa será também a data do provável aumento no preço dos transportes públicos."Vamos ter com certeza um aumento em Julho", disse o presidente da Antrop (Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Passageiros).
Cabaço Martins considera que a actualização tarifária é inevitável dada a subida do preço do gasóleo e o mecanismo de revisão de preços que está em vigor desde 2005 e que reflecte este custo nas tarifas. O responsável não quer ainda falar em valores, porque só em Maio será possível fazer as contas, mas diz que, se o passe social subisse hoje, o aumento seria pequeno. A dimensão dependerá da evolução do gasóleo, que este ano já trepou 11 cêntimos por litro ou 10%. Desde Janeiro de 2008 que o passe social - o título mais usado nos transportes públicos - está congelado. A subida das tarifas é contudo uma decisão do governo.
O presidente da ANTRAL (associação dos táxis), Florêncio Almeida, diz que "se não houver intervenção da parte do governo, as tarifas de transportes vão ter de aumentar, e isso prejudicará o público em geral". A alta do preço do petróleo é a razão apontada pela ERSE para um acréscimo médio de 3,2% nas tarifas domésticas do gás natural. Os preços deste combustível estão indexados à cotação do petróleo, mas o efeito ainda demora alguns meses a chegar.Ao admitir que o preço dos combustíveis é "muito elevado", o ministro da Economia, Vieira da Silva, reabriu a caixa de Pandora. "Nalguns casos é difícil compreender porque é tão elevado.
Naturalmente que vou procurar explicações junto das empresas desse sector", disse numa entrevista à SIC. A Autoridade da Concorrência não tinha recebido ontem um pedido do governo para investigar os preços dos combustíveis e o Ministério da Economia não quis acrescentar nada. Porém, a verdade é que este mercado está sob investigação do regulador desde 2008 sem que tenham até sido detectadas práticas anticoncorrenciais, uma tese que sempre foi contestada por agentes do sector.
A Anarec (associação de revendedores) culpou os impostos, da responsabilidade do Estado, pelos preços dos combustíveis (ver quadro). O Automóvel Clube Portugal (ACP) "registou com surpresa" as declarações do ministro: "Se o dr. Vieira da Silva não compreende a que se deve a exorbitância que o consumidor paga pelos combustíveis, como há-de o cidadão comum perceber?"

Crónica Sem Tempo

Bla, bla, bla, Revisão da Constituição...

Há que dar ao novo líder do PSD, o beneficio da duvida até que seja chamado a dar provas de como irá gerir a sua acção na Oposição ao Governo do partido Socialista, ao que se diz ganhou mais um balão de oxigénio com este Congresso.

O Congresso do PSD que consagrou o “novo” lider do Partido foi um enorme “flop”, não trazendo nada de especial como previmos no artigo anterior às eleições, onde defendi o mal menor, que seria a vitória nas directas do Dr. Paulo Rangel. Politicamente, não existiam diferenças entre os 3 principais candidatos, visto defenderem o mesmo modelo económico baseado no neo liberalismo que não tem ponta por onde se lhe pegue, embora algumas nuances apareciam nos discursos propagandísticos e se é possível dentro desta doutrina classificar, então diríamos que o Dr. Paulo Rangel estaria mais à esquerda, o Dr. Aguiar Branco, mais ao centro e o Dr. Passos Coelho é mesmo o mais à direita possível, bastando ver os seus mentores: Ângelo Correia, Nogueira Leite, Vasco Rato, Medina Carreira, Paula Teixeira da Cruz e o marido banqueiro, Hernâni Lopes e toda uma panóplia de gurus ultra liberais de idades diferenciadas do capitalismo canhestro sem nenhuma preocupação social na atenção aos únicos criadores de riqueza que são os trabalhadores, que eles reduzem a meros numeros numa exploração desenfreada sem olhar a meios para atingir os fins.
Se alguém ainda tivesse duvidas, basta ver quem no Algarve o Dr. Pedro Passos Coelho, foi escolher, os mesmos de sempre, Botas, Silvas de Albufeira e quejandos que há muito mostraram o que valem, o que pretendem e como se comportam. A paga desse apoio, porque não há almoços grátis, tudo foi cozinhado pelas Comissões Distritais nacionais ao longo dos últimos dois anos pela entourage de Passos Coelho, profissionais da politica a 100% que outra coisa não fazem, desde os 14 e já lá vão 31 anos, não revelando nada de novo, é mesmo o Dr. Passos Coelho, politicamente falando, dos mais idosos do PPD/PSD. O seu pensamento recai no antes do 25 de Abril/74, colocando-se o marcelismo-caetanista à sua esquerda, porque os liberais desse tempo, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Miller Guerra, Mota Pinto e tantos outros lutaram na realidade por um sistema social democrata do tipo dos países do norte da Europa, que permanece hoje actualizado, com futuro, vivendo os seus cidadãos muito acima da média da União Europeia.
A representação ao mais alto nível na cúpula do PSD dos “eleitos” pelo Algarve não significa nenhum progresso uma vez que o senhor Silva da relojoaria - 700 relógios para velhos, não tem cultura, capacidade intelectual e politica, conhecimentos filosóficos e científicos e tudo o mais para pertencer à Comissão Politica, o orgão principal de qualquer partido, de onde saem orientações estruturais, organizacionais tácticas e estratégicas não sendo o PSD uma mera Associação Familiar, mas um partido da chamada alternativa de Governo, um partido de massas, um partido de graves responsabilidades para o bem e para o mal na democracia portuguesa, pelo que a sua Comissão Politica a julgar por estas aquisições, está dando um grande passo atrás, revelando igualmente quem são os dirigentes que Passos Coelho escolheu, ou melhor, serão estes políticos que de posse do aparelho escolheram o Dr. Passos Coelho. Como não há regra sem excepção é de aplaudir a eleição do Dr. Cristóvão Norte para a Comissão Nacional. É um jovem bem formado e que está a fazer um bom lugar de Chefe de Gabinete do Eng Macário Correia, actual Presidente da Câmara Municipal de Faro, que até foi o Mandatário Distrital do Dr. Paulo Rangel.
Foi um Congresso vulgaríssimo, sem chama, golpe de asa, igual a tudo que já se fez e disse milhões de vezes – bla, bla, bla, revisão (possivelmente para pior) da Constituição, bla, bla, bla, como se fosse a revisão da Constituição da Republica Portuguesa, em ano de centenário, que operasse todos os milagres que se prendem com o subdesenvolvimento, com a fome, a miséria, o desemprego de 700 000 pessoas de todas as idades, formações intelectuais, sociais e profissionais, para a falta de ordem nas finanças, na economia, na segurança, no ensino, na assistência social, na justiça, na alta dos preços, nos baixos salários para quem trabalha, no desporto e tudo aquilo que não funciona, já sem falar no poder autárquico que pelos estudos agora divulgados, é onde se praticam os actos de corrupção mais execráveis que imaginar se pode. Será com esta ideologia neo liberal de Passos Coelho e seguidores que tudo isto se resolve ? Não, nem pensar, porque liberalismo com algumas regras o pratica melhor o Primeiro Ministro José Sócrates e seus pares.
Mas, há que dar à pessoa, não às politicas do politico, o beneficio da duvida e esse sentimento permanece válido até que seja chamado a dar provas do seu caracter e da forma como irá gerir a sua acção na Oposição ao Governo do partido Socialista, que ao que se diz ganhou mais um balão de oxigénio com as directas e consequente Congresso do PSD. Até às eleições presidenciais, Passos Coelho manterá o estado de graça, mas depois no segundo mandato de Cavaco Silva outro galo cantará, e nessa altura quem chefiará de facto a Oposição será o inquilino do Palácio de Belém, assim como fez Mário Soares, Jorge Sampaio e a cena vai repetir-se, o que prova que o sistema está completamente viciado e perto do fim, mesmo que se reveja a Constituição todos os meses o que é um sinal menor da nossa democracia. Tal como no futebol, Passos Coelho até pode vir a ser uma surpresa, e se tal acontecer poderá ser alternativa, mas para que isso se verifique, terá de virar à esquerda e sanear os seus pares mais perniciosos, que em nada o favorecem.

Manuel Aires

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Falar sobre reforma

Deco relança linha SOS Crise

A DECO relançou um ano depois da sua criação, a linha SOS Crise com o novo nome: SOS Poupar, depois de ter recebido 63 mil visitas, e com novas dicas sobre reformas e energia.

"Abandonámos o nome SOS Crise, que tem uma conotação negativa, para SOS Poupar porque queremos criar uma nova abordagem, transmitindo aos consumidores que terminou o tempo de refletir e há que passar à ação", afirmou á Lusa Rita Pinho Rodrigues, da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor - DECO. A ideia do relançamento da linha, segundo aquela responsável, é o de "pôr o consumidor a refletir sobre os seus atos de consumo", uma reflexão que a crise económica que o país atravessa veio ajudar, e procurar dicas e conselhos para poupar ou potenciar os seus rendimentos.
Os simuladores lançados há um ano para cálculos de poupanças em crédito à habitação (o mais requisitado pelos consumidores), em desemprego (valor da indemnização em caso de despedimento) e telemóveis (para ajudar a escolher o operador mais barato para certo tipo de utilização) vão continuar disponíveis no site, mas a DECO introduz agora novidades. "Esta linha nasceu das dúvidas e preocupações partilhadas com a DECO. Sentimos agora que o consumidor quer saber mais onde pode gastar e poupar, sem diminuir o seu conforto. É a isso que queremos responder", afirmou Rita Pinho Rodrigues.
No site da associação (http://www.deco.pt/) estão a partir de hoje disponíveis novas áreas de intervenção, entre as quais dicas para começar a poupar para a reforma, sugestões para poupar na conta de eletricidade e de aquecimento da água e ainda 12 ideias que a DECO lança aos consumidores para poupanças no imediato. "Vamos ainda acompanhar uma família a reduzir os seus gastos e esse processo pode ser acompanhado no site e, com isso, ajudar outras famílias", acrescenta a responsável da DECO.
No primeiro ano da Linha SOS Crise, a DECo recebeu 63 mil visitas a este site e mais quase quatro mil chamadas de consumidores que pretendiam informações, nomeadamente sobre como renegociar o empréstimo da casa ou gerir o orçamento familiar. A linha SOS Crise foi lançada pela DECO a 12 de março último, tendo como objetivo ajudar os consumidores que ainda não estão sobreendividados ou que ainda têm poucas dificuldades financeiras a precaverem-se das situações de insustentabilidade. O número 808 780 507 funciona todos os dias, entre as 09h00 e as 13h00 e das 14h00 às 18h00 (sexta feira até às 17h00.

Terrorismo nuclear

É a grande ameaça à segurança global

Embora a Guerra Fria tenha terminado, Obama acredita que risco de ataque nuclear "aumentou". Ucrânia e México respondem ao pedido de "acção" do presidente americano.

Após ter recebido 46 líderes mundiais numa passadeira azul em modo "speedy date" - um aperto de mão ou um beijo, consoante o interlocutor, e uma foto para a posteridade - Barack Obama passou à acção. No discurso de abertura da cimeira de segurança nuclear de Washington, Obama admitiu ontem que "duas décadas depois do fim da Guerra Fria, enfrentamos uma cruel ironia da história. O risco de confrontação nuclear entre nações baixou, mas o risco de um ataque nuclear aumentou."
E o presidente americano explica porquê: "É cada vez mais claro que o perigo de terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças à segurança global." Elevado a desafio securitário número um no campo da segurança internacional, o terrorismo nuclear dominou todos os trabalhos formais da cimeira. "Só a mais pequena quantidade de plutónio, do tamanho de uma maçã, pode matar ou ferir centenas de milhares de pessoas" alertou Obama. Este exemplo mostra como os decisores que participam na reunião estão mais preocupados com os materiais nucleares à solta do que com as bombas propriamente ditas.
Estimativas dos peritos apontam para a existência, um pouco por todo mundo, de material nuclear suficiente para produzir 200 mil bombas atómicas: às 1700 toneladas de urânio militar ou enriquecido, juntam-se 500 toneladas de plutónio. São substâncias potencialmente utilizáveis no fabrico de uma bomba nuclear. A maior dor de cabeça dos líderes mundiais é pensar que este material pode cair nas mãos erradas. Não porque as redes terroristas tenham capacidade técnica para causar uma explosão nuclear, mas por terem o engenho necessário para misturar o material radioactivo com explosivos convencionais - as chamadas "bombas sujas".
Na análise dos maiores especialistas em contraterrorismo e proliferação nuclear, os pontos mais frágeis da segurança nuclear estão identificados: Paquistão - Osama bin Laden e os seus associados, jura a Casa Branca, procuram uma bomba e foram localizados a apenas a 60 quilómetros de uma central nuclear paquistanesa - e antigas repúblicas soviéticas, onde se movimentam vários grupos com ligações ao movimento pan-islâmico e também aos rebeldes chechenos (também por isto se explica a preocupação da Rússia).
A Ucrânia e o México foram os primeiros países a responder ao apelo de "acção concreta" do presidente americano. Kiev garantiu que vai abdicar do seu stock de 90 quilos de urânio enriquecido, "suficiente para construir várias armas nucleares", enquanto o presidente mexicano prometeu converter todo o stock de urânio militar em urânio empobrecido - sem aplicação militar.
A cimeira fica marcada por encontros bilaterais e o mais importante juntou durante uma hora e meia Obama e Hu Jintao, presidente chinês. A Casa Branca está optimista para que, até ao fim da Primavera, a grande força de bloqueio no Conselho de Segurança possa a viabilizar as sanções ao Irão. Pequim não confirma, mas só o facto de aceitar falar delas já deu um primeiro passo .

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Nova lei contra a corrupção

Investigadores com acesso rápido a contas bancárias

Os deputados do PS vão discutir hoje várias propostas contra a corrupção. Há gestores que vão ter os rendimentos tornados públicos.

O Banco de Portugal vai ter uma base de dados com todas as contas dos cidadãos (só os números, não os saldos). Cada vez que um magistrado, no decurso de uma investigação, quiser saber as contas que tem alguém que esteja sob suspeita, pede ao Banco de Portugal os números. O levantamento do sigilo bancário torna-se, desta maneira, mais rápido. Esta proposta vai ser hoje discutida numa reunião do grupo parlamentar do PS, junto com outras medidas anti-corrupção que serão entregues pela direcção no parlamento.
Além do banco de dados bancários disponível no Banco de Portugal, os socialistas pretendem facilitar o acesso às contas de quem tem dívidas à Segurança Social. Depois de ter recusado a proposta do deputado socialista Vera Jardim (e a do Bloco de Esquerda, muito similar), este é o consenso possível dentro do grupo parlamentar do PS relativamente ao levantamento do sigilo bancário. Entre as 11 propostas que estavam em discussão na direcção da bancada do PS, está o aumento do universo de cidadãos obrigados à entrega da declaração de rendimentos.
Os administradores da EDP, PT e REN (Redes Energéticas Nacionais) e todos os outros gestores de empresas concessionárias, directa ou indirectamente, de serviços públicos vão ser obrigados a entregar o documento anual descritivo de bens e rendimentos que os titulares de cargos públicos já preenchem há muitos anos. Alguns deputados do PS defendiam que também os magistrados judiciais e do Ministério Público deveriam ser obrigados a apresentar declarações de rendimentos. Mas a proposta foi muito polémica mesmo dentro do grupo socialista. O próprio ministro da Justiça, Alberto Martins, foi ontem à comissão anti-corrupção dizer que era contra a ideia.
A oferta de presentes de elevado valor a detentores de poder público também vai ser travada. Uma proposta do PS, que ontem estava em discussão na reunião da direcção do grupo parlamentar, prevê uma alteração ao Código Penal para tentar acabar com prendas a administradores do estilo dos automóveis de alta cilindrada que alguns dos arguidos do processo Face Oculta são acusados de ter recebido.
A criação do crime urbanístico é uma novidade que terá o apoio da maioria do parlamento. O CDS já apresentou um projecto neste sentido, mas na altura tanto o PCP como o PS acharam que se devia reflectir mais. Agora parece não haver dúvidas e também os socialistas defendem que se avance para a criminalização das violações aos planos directores municipais. A bancada do PS também vai apresentar uma proposta de protecção de testemunhas no âmbito dos processos de corrupção. Recorde-se que o CDS tinha proposto que a figura do arrependido neste tipo de casos pudesse ser favorecida.Outra alteração que já está garantida é o fim da distinção entre corrupção para acto lícito e corrupção para acto ilícito. O projecto socialista aumenta a pena do crime de corrupção para acto lícito.
Ontem, na comissão para o acompanhamento do fenómeno da corrupção, Alberto Martins sinalizou aquilo que o governo está disposto a aceitar e aquilo que vai vetar: "Sim, a um repositório junto do Banco de Portugal de contas bancárias para utilização no âmbito da investigação criminal, sim a um regime de protecção de denunciantes que pode ser melhorado, sim a uma protecção de testemunhas e arguidos colaborantes no combate ao crime de corrupção, e, por último, sim ao reforço da intervenção dos juízes no levantamento do sigilo bancário", disse o ministro no parlamento.
Alberto Martins concordou com o alargamento aos gestores públicos da obrigação de declararem os rendimentos ao Tribunal Constitucional, mas rejeitou que os magistrados façam parte do universo dos declarantes. Justificação: o facto de "serem titulares de um órgão de soberania". A criação do crime do enriquecimento ilícito levou o segundo não.

Comportamento criminoso

É normal um soldado matar a rir?

Mais perturbadora que os disparos do helicóptero que em 2007 matou dois elementos da Reuters no Iraque, foi a conversa dos pilotos.
(ver video)

Ver seres humanos, na sua maioria desarmados, serem abatidos das alturas é extremamente perturbador.
Contudo, para a maioria das pessoas que viram o vídeo do ataque de um helicóptero Apache do Exército Norte Americano, ocorrido em 2007 - e agora divulgado pela WikiLeaks.org, uma organização não-governamental americana -, o pormenor mais chocante é a conversa que se ouve no cockpit sobre as casas em ruínas de Bagdad. Os soldados dizem piadas, riem e troçam, ao mesmo tempo que disparam sobre as pessoas que estão na rua, entre as quais se encontravam um fotógrafo e um motorista da Reuters, que julgam tratar-se de rebeldes.
"Aqueles filhos da puta já estão mortos", diz um dos soldados. "Boa", comenta outro.
Veteranos de guerra sublinham ser impossível um soldado levar a cabo a sua missão se não criar uma distância psicológica relativamente ao inimigo. Essa é uma das razões pelas quais os soldados do Apache parecem estar a jogar um jogo de vídeo.
"Não queremos combatentes que se comportem de forma irresponsável ou que disparem antes de tempo, mas a sua função é destruir o inimigo e uma maneira de conseguirem fazê-lo é encarando a situação como um jogo, para que as pessoas não lhes pareçam reais", explica Bret A. Moore, antigo psicólogo do Exército. O treino militar é fundamentalmente um exercício para ultrapassar o medo de matar outro ser humano, diz o tenente-coronel Dave Grossman, ex-ranger do Exército.
Os homens que se encontravam a bordo do helicóptero Apache e que se ouvem no vídeo estavam a sobrevoar uma área hostil, num conflito em que vários helicópteros tinham sido abatidos. Vários outros factores são visíveis durante os 38 minutos de vídeo, afirmam psicólogos militares e civis. Soldados e comandos são ensinados a observar as regras de combate. Ao longo desses minutos, os que se encontram a bordo do helicóptero contactam a base para obter autorização para disparar. Mas a um nível mais primário, combatentes em zonas de guerra têm de pensar sozinhos e como predadores - não como presas. Esse estado de espírito afecta não só a forma como uma pessoa pensa, como também o que ela vê e ouve, especialmente na presença de perigo iminente ou quando pressente uma ameaça.
Os soldados do helicóptero declaram, através do rádio, terem a certeza de ter visto "uma arma", se bem que aquilo que o fotógrafo da Reuters, Namir Noor-Eldeen, tem pendurado ao ombro seja uma máquina fotográfica. "É verdadeiramente trágico que tudo tenha começado com a aparente confusão entre uma máquina fotográfica e uma arma", lamenta David A. Dunning, psicólogo da Universidade de Cornell. "Mas sabendo agora o que sabemos sobre o contexto e visão, é perfeitamente plausível. Transponha a mesma imagem para uma casa de banho e vai ver como lhe parece que se trata de um secador de cabelo; ou transponha-a para uma loja de bricolage e vai ver como garante que se trata de um berbequim." Para um soldado ou para um piloto, poderá parecer uma situação de vida ou morte.
O vídeo mostra que o segundo objecto que os soldados identificam como sendo uma arma é, com efeito, um lança-granadas-foguete, ou RPG. "Um RPG podia abatê-los numa questão de segundos", esclarece Moore, o psicólogo.Depois de o helicóptero disparar sobre um grupo de homens, o vídeo mostra uma carrinha a parar para recolher um dos feridos. Os soldados do helicóptero suspeitam que sejam inimigos e, após obterem autorização da base, voltam a disparar. Duas crianças que se encontram no interior da carrinha ficam feridas e ouve-se o comentário de um dos soldados: "A culpa é deles. Quem os manda trazer os filhos para o campo de batalha?
"Os soldados estavam à procura de guerrilheiros; os peritos afirmam que não é seguro que eles tivessem visto as crianças, mesmo que devessem (ver caixa). Dizem os especialistas que o impacto emocional do vídeo nos espectadores também tem origem, em parte, no misto de intimidade e distância que lhes confere. O que o espectador vê, a posteriori e na segurança da sua casa, é uma tragédia de maiores proporções; os soldados estão a reagir em tempo real, num estado de alerta máximo e em total exposição.


Ver video: http://www.youtube.com/watch?v=5rXPrfnU3G0&feature=player_embedded

terça-feira, 13 de abril de 2010

Filme a não perder !

Green Zone: O Combate pela Verdade

Quem quizer conhecer a verdadeira história e razão da intervenção (ocupação) americana feita no Iraque com a benção de ingleses, espanhóis e... portugueses (ao canto da porta), não pode perder este filme.


Durante a ocupação da cidade de Bagdad pelos EUA, em 2003, o Sargento Roy Miller e a sua equipa de inspectores do exército são destacados para localizar armas de destruição massiva no deserto do Iraque, onde se previa estarem armazenadas.

Inspeccionando os mais armadilhados e traiçoeiros lugares, a equipa procura agentes químicos mortais mas, em vez disso, deparara-se com um elaborado esquema que inverte o objectivo da sua missão… A contra espionagem norte-americana.


É sem dúvida um dos melhores filmes de 2010, não só pela sua história baseada em relatórios de militares norte-americanos, como pela acção, extraordinária realização e desempenho. O filme junta de novo o imparavel duo da trilogia Jason Bourne, Matt damon (que foi nomeado para um oscar com "Invictus", um outro fantástico filme) e Paul Greengrass.
Pelo trailer, elenco e história é um filme a não perder.

O "diz não diz" da ajuda à Grécia

Portugal é o oitavo país que mais empresta

Os gregos não estão dispostos apertar o cinto...
Zona euro detalhou ajudas se a Grécia falhar. Cada português vai emprestar 73 euros para salvar a economia grega, quantia que muitos "portugas" não ganham numa semana.

Portugal terá de emprestar até 774 milhões de euros à Grécia, caso o governo de Atenas não consiga evitar a falência das finanças públicas gregas. O esforço português, assim como o de todos os países da zona euro, ficou definido ontem, depois de uma reunião dos ministros das finanças que resultou na aprovação unânime de ajudas de emergência de 30 mil milhões de euros. Em termos globais, Portugal assume o oitavo maior empréstimo - contabilizando o esforço por habitante, a ajuda portuguesa é, no entanto, a terceira mais baixa (72,6 euros).
As contribuições de cada país foram calculadas proporcionalmente à participação que cada país tem no capital do Banco Central Europeu (BCE), deixando a Alemanha com a maior parte (ver gráfico). O Estado português, através do Banco de Portugal (BdP), tem 1,75% do capital do BCE, um valor que sobe para 2,58% depois de retirada a participação grega - a percentagem que fixa o tecto da factura. O Ministério das Finanças não esclareceu como será feita a operação, nem que impacto terá nas fragilizadas contas públicas portuguesas. A hipótese de Portugal participar na ajuda tinha sido descartada em Março pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. "Portugal está numa posição muito delicada e dificilmente poderia suportar aumentos da sua dívida pública para acudir a Grécia", disse. O ministro seria contrariado dias depois pelo seu parceiro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que garantiu aos gregos a solidariedade portuguesa.
Estes empréstimos serão activados apenas se a Grécia não conseguir financiar-se no mercado para cumprir as suas obrigações financeiras, explicou ontem Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo. Até agora, Atenas não fez qualquer pedido. Os gregos precisam de pedir emprestados 11 mil milhões de euros até ao final de Maio só para pagar a dívida actual e os juros. A dívida pública grega, a maior do euro, atinge 125% do PIB - em 2010 a Grécia precisa de pedir emprestados 53 mil milhões de euros. A ruptura financeira é uma hipótese que os investidores consideram cada vez mais provável, mas que os líderes europeus esperam evitar com os detalhes sobre as ajudas - amanhã há um primeiro teste decisivo, quando o governo de Atenas tentar um empréstimo de 1,2 mil milhões em títulos de curto prazo.
Na semana passada a agência de rating Fitch reviu em forte baixa o rating da Grécia e o prémio de risco da dívida (face à alemã) tocou um máximo histórico, com os investidores a venderem em massa obrigações e acções gregas. A Grécia está a financiar-se a taxas de mercado acima de 7%, um valor mais de 60% face ao praticado para Portugal e que fontes do próprio governo de Atenas já admitiram não ser sustentável. "Este é o passo de clarificação que os mercados estavam à espera", disse ontem o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. "Mostra que há dinheiro atrás destas intenções", juntou. As ajudas dos 15 países da zona euro serão feitas a uma taxa próxima de 5% para um período de três anos, exemplificou a Comissão Europeia. Esta é uma taxa abaixo da praticada pelo mercado - a Alemanha, o maior contribuinte nas ajudas (8,3 mil milhões de euros) recuou na proposta (apoiada apenas pela Holanda e a Áustria) de cobrar as taxas de mercado aos gregos, para evitar recompensar um país gastador.
Ao compromisso para os próximos três anos feito pelos líderes europeus junta-se ainda a garantia de um empréstimo de 10 mil milhões de euros por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) - um esforço menor que o europeu, como pretendia a França, embaraçada com a ajuda ao euro vinda do outro lado do Atlântico. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, recusou ontem a ideia de que este é um subsídio aos gregos, salientando que se trata de empréstimos bilaterais. As ajudas surgem também depois de o governo socialista liderado por George Papandreou ter posto em prática um programa de austeridade para cortar o défice orçamental em quatro pontos, para 8,7% este ano.

Só nos Centros de Saúde...

Algarve tem menos utentes nas urgências

Por sua vez, aumentou o número de urgências nos Hospitais de Faro e Portimão, e o número de consultas nos centros de saúde. Gripe A afectou serviço de urgências no Algarve.

O número de consultas nos centros de saúde do Algarve aumentou em 2009 para 1,2 milhões, evolução inversa aos atendimentos na rede de urgências da região, que diminuíram para 419 mil face ao ano anterior, diz a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Em comunicado, a ARS/Algarve diz que a maioria dos atendimentos nos centros de saúde regionais no ano passado se refere a consultas programadas (cerca de um milhão), sendo que em 2009 os centros foram usados por cerca de 70 por cento da população residente.
No sentido inverso, nos serviços de urgências da região verificou-se um total de 419 187 atendimentos em 2009, valor ligeiramente inferior ao registado no ano anterior, no qual se realizou naquela rede um total de 422 460 atendimentos, precisa a Administração Regional de Saúde. O organismo salienta, também, que durante o ano passado a actividade desenvolvida na rede de urgências foi afectada pelo eclodir da pandemia de gripe A (H1N1), que no Algarve «provocou dois picos de procura durante os meses de Agosto e Novembro».
Contudo, frisa a ARS, os serviços de urgências apresentaram comportamentos distintos, sendo que nos quatro serviços de urgência básica (Lagos, Albufeira, Loulé e Vila Real de Santo António) a actividade assistencial sofreu uma diminuição face a 2008, caindo de 186 para 171 mil atendimentos. Já nos serviços de urgência do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio e do Hospital de Faro registou-se um aumento da procura em 2009, com 247 mil atendimentos, mais 12 mil que em 2008.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Portugal afinal é um país rico

E quem acode aos pedintes que andam pelas ruas?

O nosso país vai participar no "esforço conjunto" da UE na ajuda à Grécia, com perto de 770 milhões de euros.

Portugal vai participar no "esforço conjunto" de ajuda financeira da Zona Euro à Grécia com perto de 770 milhões de euros, segundo contas feitas pela agência Lusa.
De acordo com o ministério das Finanças e da Administração Pública, Portugal "participará numa proporção correspondente à sua dimensão económica e financeira, reflectida na participação no capital do Banco Central Europeu, com 2,58 por cento, depois de excluída a participação da Grécia". Os ministros das Finanças da área do euro decidiram ontem conceder um montante no valor de 30.000 milhões de euros à Grécia, que serão cedidos a uma taxa de cerca de cinco por cento.
De acordo com a fonte do Ministério das Finanças, os Estados-membros da área do euro "estão preparados para, no seu conjunto, assegurar um montante de financiamento até 30.000 milhões de euros durante o corrente ano, montante esse que será complementado pelo Fundo Monetário Internacional, no âmbito de um programa conjunto". Os trabalhos preparatórios vão iniciar-se segunda feira, dia 12 de abril, precisou a fonte oficial.
Recordou ainda que "desde o início da União Económica e Monetária, Portugal partilha com os seus parceiros a moeda única, o euro", sublinhando ainda que "a garantia da estabilidade financeira da área euro, que é uma condição fundamental para a estabilidade económica e financeira em cada país, exige a solidariedade entre todos os Estados-membros". O ministro grego das Finanças saudou hoje o acordo "muito importante" da zona euro sobre as condições de uma eventual ajuda à Grécia, mas ressalvou não ter pedido para o mecanismo ser ativado.

Uma única pergunta se impõe ao Governo:
E quem acode aos pedintes portugueses (e estrangeiros) que andam pelas ruas do nosso país?

"Que se lixem as vítimas..."

Ele quer prender o Papa

Richard Dawkins, escritor inglês diz: "eu vou prender o Papa".

Richard Dawkins, o militante ateu, está a planear uma emboscada legal para que o Papa Bento XVI seja detido por “crimes contra a Humanidade” durante a sua visita ao Reino Unido.
Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica. O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandato de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas.
Dawkins, autor de “A Desilusão de Deus”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados de calças na mão, o instinto deste homem é encobri-los para evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.

Acabou mais um Congresso do PSD

Quotas e paridades foram por água abaixo

Menos de oito por cento de mulheres, foram as únicas eleitas no Congresso do PSD para os órgãos nacionais.

Os órgãos nacionais do PSD hoje eleitos pelo XXXIII Congresso do partido incluem apenas sete mulheres num total de 89 elementos, o que corresponde a menos de oito por cento. A Comissão Política Nacional do PSD é o órgão com maior presença feminina: quatro mulheres - as vice-presidentes Paula Teixeira da Cruz e Nilza Sena e as vogais Maria da Conceição Pereira e Maria Trindade Morgado Vale - em 18 dirigentes (22,2 por cento).
Se forem apenas considerados os membros eleitos da Comissão Permanente do PSD, ou seja, presidente, vice-presidentes e secretário geral, a percentagem de mulheres sobre para 25 por cento (duas mulheres em oito dirigentes). O Conselho Nacional, órgão máximo do PSD entre congressos, conta apenas com uma mulher - Sofia Galvão, indicada por Paulo Rangel para a lista conjunta com o presidente do partido, Pedro Passos Coelho - em 55 membros efetivos (1,8 por cento).
Também o Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, composto por nove elementos, e a Mesa do Congresso do PSD, com sete lugares, têm apenas um elemento do sexo feminino, respetivamente, Rosa Tomás Conceição e Maria de Fátima Ramos.

Emigração ilegal

Operação efectuada no Algarve

SEF deteve 19 estrangeiros por permanência ilegal e notificou 45 para abandonarem o país.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou ontem a detenção de 19 cidadãos estrangeiros por permanência ilegal em Portugal e notificou outros 45 para abandonarem voluntariamente o país em 20 dias.
Na sequência de uma operação de fiscalização efgectuada no Algarve e em outros distritos do país levada a cabo por 172 elementos da carreira de investigação e fiscalização do SEF, foram identificados 429 cidadãos estrangeiros, dos quais 64 se encontram em situação de permanência ilegal. Foram fiscalizados 40 estabelecimentos de diversão noturna.
"Foram detidos por permanência ilegal 19 cidadãos estrangeiros e 45 foram notificados para abandono voluntário de território nacional no prazo de vinte dias. Foram ainda notificados a comparecer no SEF 28 cidadãos estrangeiros para efeitos de regularização da sua situação documental no âmbito de processos em curso", afirma o SEF, em comunicado divulgado hoje.
Foram ainda instaurados 20 processos de contra-ordenação a entidades patronais por emprego de cidadãos estrangeiros não autorizados a exercer actividade profissional, com as coimas a variarem entre 233 000 e 1 165 000 euros. Segundo o SEF, foi elaborada uma participação policial "por indícios da prática de crime de auxilio à imigração ilegal".

domingo, 11 de abril de 2010

Crónica de Domingo

Medo de ter medo

"Querendo ser politicamente correctos com as nossas crianças, estamos a cometer um triste engano, deformando histórias e até cantigas que fazem parte do nosso imaginário mais básico".

Tenho observado alguns esforços psicopedagógicos no sentido de tornar nossas crianças politicamente corretas - postura que muitas vezes nos transforma em seres tediosos, sem graça nem fervor. Contos de fadas, por exemplo, alimento da nossa alma de criança, raiz de quase toda a educação infantil, sobretudo pequenas histórias e contos, foram originalmente - dizem estudiosos -narrativas populares, orais, vindas de povos muito antigos. Assim eles representavam e tentavam controlar os seus medos e dúvidas, carentes das quase excessivas informações científicas de que hoje dispomos. Nascimento e morte, sexo, sol e lua, raios e trovões, o renascer das colheitas pareciam-lhes misteriosos, portanto fascinantes.
Muito mais recentemente, escritores famosos como Andersen e os irmãos Grimm adaptaram tais relatos ao mundo infantil e criaram as suas maravilhosas histórias, que unem, como a vida real, o belo e o sinistro. Uma sereia quer ter pernas para namorar o seu príncipe na praia, mas o sacrifício é terrível, em cada passo das suas novas pernas, dores inimagináveis a dilaceram (filme A Bela Sereia). Uma princesa, a sua família, o séquito e criados do castelo dormem um sono profundo, maldição de uma fada má, e só serão libertados pelo príncipe salvador - que, é claro, sempre aparece. Branca de Neve, Rapunzel e dezenas de outros personagens alimentaram nossa fantasia e continuam a alimentar a das crianças que têm a sorte, cujos pais e escolas lhes proporcionam contacto quotidiano com esses livros ou narrativas.
Porém, há já algum tempo que existe um movimento para reformular tais relatos, tirando-lhes a sua essência, isto é, o misterioso e até o assustador. Lobos seriam palhaços e avozinhas umas pândegas, só existiriam fadas boas, e as bruxas. Ah, e essas passam a ser velhotas azaradas. Até cantigas de roda seculares tendem a ser distorcidas com novas letras, pois atirar um pau a um gato é uma crueldade, como se fosse preciso explicar isso para as crianças saberem que aos animais a gente deve amar e cuidar - se é assim que se faz a educação em casa.
Vejo em tudo isso um engano fatal e um atraso irrecuperável. Impedindo as nossas crianças do natural contacto com essas antiquíssimas histórias que em muito contribuiam para moldar seus conceitos, e que retratam as possibilidades boas e negativas do mundo, nós deixamo-las despreparadas para a vida, cujos perigos entram hoje nos seus quartos, rondam as escolas e clubes, esperam na esquina com um revólver na mão de um gatuno, ou de um assalto por toxicodependente desesperado, ou mesmo de um psicopata lúcido e frio, sem falar nos insidiosos violadores e pedófilos na internet.
Estamos a emburrecer as nossas crianças e jovens, mesmo querendo o seu bem? E, afinal, o que será o seu bem? Ignorar o que existe de sombrio e mau, caminhar armados em João e Maria alegretes, não abandonados pelos pais, mas procurando borboletas no campo? Receio que a gente esteja a cometer um triste engano, deformando histórias e até cantigas que fazem parte do nosso imaginário mais básico com arquétipos humanos modernistas mas não essenciais.
Em compensação, onde adolescentes e crianças procuram o encanto do misterioso lendo sobre vampiros, bruxos e avatares, vendo os seus filmes cada vez mais fantasiosos no suspense e pesquisando na internet. Para quê tudo isso? - perguntou-me recentemente um pai. Porque, neste momento de altíssima tecnologia, a alma humana busca a expectativa, o segredo e o susto. Precisa conhecer o mal para se acautelar e se proteger, o belo e o bom para crescer com esperança. Mas todos nós, amigos, familiares, pedagogos e pais, nem sempre seguros e informados, começamos a querer aligeirar excessivamente a estrada para eles percorrerem, não lhes ensinando sequer que o mal existe, assim como o bem em qualquer lugar, que o belo nos atrai, assim como o monstruoso pode surgir a qualquer momento, e que é preciso desenvolver discernimento (gosto dessa palavra), isto é, a capacidade de entender e distinguir o melhor do pior, a fim de fazer com mais clareza e melhor segurança as inevitáveis escolhas.
Mas se, porque isso nos tranquiliza, tratármos as nossas crianças como imbecis, e queremos o nosso adolescente infantilizado por um longo tempo, exigindo-o cada vez menos em casa, na escola ou nas universidades - embora deixando que se sexualize de forma precoce e criminosa -, vai ser difícil que tenham a informação atempada e desejada, com capacidade de julgar e escolher com lucidez e segurança, que seriam afinal o nosso maior e melhor legado para elas.

Carlos Ferreira

sábado, 10 de abril de 2010

Fim de Semana

Entrevista com Daniel Sampaio no i on line

"Ninguém se suicida só por ser vítima de bullying". Defende que os pais estão inseguros e precisam de ajuda. Todos os sábados toma o pequeno-almoço com o irmão.

Trinta minutos. Na Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, em Lisboa, o psiquiatra Daniel Sampaio, 63 anos, recebe o i com o atraso da praxe. Em troca oferece todo o tempo de que necessitarmos. "Não tenho pressa", assegura, de cara lavada, enquanto tira uma caixa de bombons da secretária para a fotografia. "Não pode aparecer assim. Sou muito arrumado."

Ainda não o tinha visto sem barba.

Tirei-a em Outubro. Estava muito branca e pesada. Foram 43 anos. Mais de metade a escrever livros sobre adolescentes, família e escola.

Desde que editou "Droga, Pais e Filhos", em 1978, os jovens mudaram muito?

A socialização é muito diferente. Antes tínhamos uma concepção da adolescência ligada à família e à escola. A internet mudou completamente a maneira como o adolescente se relaciona com os amigos. Ainda não sabemos que repercussão vai ter. Depois há outro problema: a insegurança dos pais. Dos anos 60 aos 90, os pais reagiram ao modelo dos seus próprios pais e tornaram-se muito permissivos. Houve uma perda de autoridade. Foi bom, porque pais e filhos se aproximaram muito. Só que os pais, que eu acho que são os melhores de sempre, passaram a ter muitas dúvidas e inseguranças. E agora têm de mudar a forma como se relacionam com os filhos.

O que têm de mudar?

Não podem esperar que o filho vá ter com eles num sábado à tarde para ter uma conversa séria. A sociedade é muito rápida. Existem muitas questões que devem ser resolvidas no momento. As pessoas dizem que não há tempo. O que é preciso é arranjar novas formas de contactar, que não podem passar por manuais ou coisas estereotipadas. Dou-lhe um exemplo: estou no Facebook. Foram os meus netos que me introduziram.

Lei parada há um ano

Menores continuam a poder beber álcool à vontade

Lei seca abaixo da maioridade devia ter entrado em vigor ainda em 2009. Quando receber luz verde do governo, o plano de combate ao álcool já estará desactualizado, admite João Goulão, presidente do IDT.

O governo está há um ano para aprovar o plano contra o consumo de álcool, que inclui a proibição da venda de bebidas a menores de 18 anos. O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, admite que, tanto tempo depois, o documento terá que ser revisto. Com este atraso, quando vir a luz do dia já estará desactualizado. "Os timings provavelmente perderam o sentido. Havia metas previstas para serem concretizadas este ano, algumas até ainda em 2009. Terão que ser repensadas", afirma o responsável nacional pelo combate aos consumos problemáticos.
A razão para o atraso não é a falta de verbas - "não há implicações financeiras, nem necessidade de reforço dos serviços". Nem dificuldades criadas pelos produtores de bebidas alcoólicas - "estão tão interessados que o plano avance quanto nós", garante João Goulão. O plano encalhou num passo burocrático: a nomeação de um conselho interministerial que inclua representantes de mais dois ministérios, além dos que estão já previstos. Para poder aprovar as medidas de combate ao álcool, o Conselho Interministerial do Combate à Droga, criado por um decreto-lei de 2003, terá que passar a chamar-se Conselho Interministerial para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Consumo Nocivo do Álcool. E integrar os representantes governamentais da Agricultura e Economia (que tutelam a produção). É essa mudança que, segundo o Ministério da Saúde, "está em curso"."Mal esteja publicada a referida alteração legislativa será realizada uma reunião do Conselho para apreciar o Plano e proceder à sua aprovação formal", justifica o Ministério da Saúde.
O aumento do consumo de álcool entre os mais jovens e os efeitos nefastos na sua saúde foram admitidos pela ministra, quando foi divulgado o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2010-2012. Ana Jorge sublinhava tratar-se "de um problema de saúde pública" e a proibição de venda abaixo dos 18 anos justificava-se com os "dados suficientemente alarmantes" da ingestão de bebidas nesta faixa. O documento esteve dois meses em discussão pública, e ficou pronto para ser aplicado em Abril do ano passado. Além de decretar a lei seca abaixo da maioridade, o plano prevê ainda uma nova rede de referenciação para tratar os consumos problemáticos. João Goulão afirma que esta tarefa já está em marcha. "As coisas vão-se fazendo, apesar de a aprovação do plano dar uma maior força negocial para acertar estas mudanças com os cuidados primários e a saúde mental", refere.
O Plano Nacional estabelece metas claras para cumprir nos próximos três anos. Se forem atingidas, em 2012 serão 30% os jovens entre os 15 e os 19 anos a ficarem embriagados por ano (hoje a prevalência é de 34,6%). As autoridades de saúde querem que os portugueses bebam menos. Em média, cada cidadão consome por ano uma quantidade de álcool correspondente a 58,7 litros de cerveja, 42 litros de vinho e 3,3 litros de bebidas destiladas. O objectivo é passar de um consumo per capita que ronda os 9,6 para 8 litros de etanol por ano. Por acertar está ainda a forma como será controlada a venda de bebidas em bares e discotecas, que podem ser frequentados a partir dos 16 anos.