Ferreira Leite vê Bloco central rejeitado no PSD
No PSD a ideia de um Governo de Bloco Central saído das próximas legislativas é liminarmente rejeitada. As palavras de Ferreira Leite na entrevista da SIC sobre o Bloco Central causaram agitação no interior do partido, apesar de a líder ter negado de imediato qualquer intenção de reeditar a coligação com o PS. Várias figuras do PSD rejeitam a possibilidade de entendimento entre os dois partidos no pós-legislativas. Porque seria "mau para o País, para o regime e para o PSD", dizem.
O antigo ministro da Administração Interna do Governo imediatamente anterior, Ângelo Correia, é claro: "Qualquer anúncio prévio de uma possibilidade de um acordo pós-eleitoral entre PS e PSD liquida as pretensões de liderança e de bom resultado eleitoral de qualquer um dos dois partidos que o profira."
E nem nas palavras do Presidente da República no 25 de Abril, que pediu às forças políticas que se unissem em soluções de governo perante a crise que o País atravessa, Ângelo Correia viu um apelo a um novo Bloco Central. Na sua opinião, Cavaco Silva falou de consensos no plano parlamentar e extraparlamentar para políticas de continuidade, em áreas como a Justiça, Defesa, Política Externa e Sistema Educativo. "O que não obriga à celebração de acordos de governo."
Miguel Relvas, secretário-geral do PSD de Barroso e Santana, também rejeita um novo Bloco Central pela mesma razão: "Isso iria centralizar nos partidos da extrema--esquerda a alternativa." E acrescenta que "os dois partidos não nasceram para se aliar, mas para se confrontar em projectos alternativos".
Os líderes das distritais do PDS de Lisboa e Porto, respectivamente, Carlos Carreira e Marco António Costa, foram consensuais a considerar "ideologicamente inconciliáveis" os actuais PS e PDS. O economista António Nogueira Leite, do Instituto Sá Carneiro, também considera impossível sentar à mesma mesa Manuela Ferreira Leite e José Sócrates. "O País não pode ser governado em tumulto."
«O fantasma do Bloco Central» 
Também o ex-candidato à liderança social-democrata Pedro Passos Coelho defende que o PSD tem de ser claro na recusa de um novo Bloco Central, sem permitir «equívocos» nem «gaffes» a esse respeito.
Num artigo que será publicado na edição desta quarta-feira do «Jornal de Negócios», intitulado «Não ao Bloco Central», cujo conteúdo é adiantado pela Agência Lusa, Passos Coelho escreve que «o PSD não poderá nunca ser visto como a muleta de Governo do PS», porque «deve ter a ambição de ser a alternativa de Governo ao PS», alternativa «real e não meramente formal».
«Qualquer dúvida a respeito do futuro posicionamento do PSD face a soluções de governo partilhado apenas agrava a sua fraqueza como pretendente à vitória nas eleições legislativas. Neste aspecto, portanto, não pode haver lugar nem a equívocos nem a 'gaffes'», acrescenta, defendendo que o partido recuse «categoricamente» uma futura aliança com o PS.
No artigo do «Jornal de Negócios», Passos Coelho considera que um Bloco Central «pré-anunciado ou pré-consentido representaria um esvaziamento político da alternativa democrática afirmada pelo PSD». Por outro lado, na sua opinião, um Governo de aliança entre PS e PSD «concretizado sem pré-anúncio» seria «uma traição ao eleitorado», que «reforçaria o extremismo parlamentar».
De acordo com o ex-candidato à liderança social-democrata, «o fantasma do Bloco Central reaparece ciclicamente no debate político», ganhando força consoante a fraqueza do PS e do PSD. «A fraqueza do PSD aprofundar-se-á na razão directa da persistência da actual desvantagem eleitoral face ao PS mostrada pelas sondagens, da eventual inconsistência de posições e atitudes que venham a ser tomadas pelos seus dirigentes mais mediáticos ou remotamente da pura dificuldade de percepção ou medo por parte do eleitorado do que poderá representar o projecto de reforma a defender perante o país», escreve.