Reunião Internacional foi sucesso
Elevada qualidade científica sobre o controlo da qualidade de frutos e legumes, e participação acima da média garantiram o sucesso da reunião, onde estiveram presentes mais de 80 especialistas. Além de facilitarem o intercâmbio entre vários centros de investigação da União Europeia a trabalharem em qualidade na pós-colheita, os três dias da reunião “COST 924 - Tecnologias seguras e amigas do ambiente no controlo da qualidade de frutos e legumes” deram visibilidade acrescida a alguns produtos regionais do Algarve.
Vários especialistas de renome internacional, vindos de centros de investigação de 15 países europeus, dos EUA, do Brasil e de Israel, estiveram na UAlg na primeira quinzena de Janeiro para partilhar conhecimentos sobre a qualidade de frutos e vegetais após a colheita.
A abertura da conferência foi assegurada por David Sugar, da Oregon State University (EUA), um reconhecido especialista que se tem dedicado ao desenvolvimento de técnicas para o maneio integrado de doenças de pós-colheita, especialmente em peras. “A investigação aplicada de David Sugar facilita aos produtores um modelo que permite colher as peras verdes induzindo um rápido amadurecimento e colocar o produto no mercado em excelentes condições organolépticas antes da época normal, com a consequente vantagem económica”, refere Carla Nunes, investigadora na área da pós-colheita no Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal (CDCTPV) da UAlg e coordenadora da comissão organizadora e científica desta reunião.
Outro dos pontos altos deste primeiro dia de trabalhos foi a sessão dedicada a técnicas não destrutivas para determinar a qualidade de frutos e vegetais. Três investigadores abordaram a utilização de técnicas habitualmente usadas em medicina, como a espectroscopia de reflectância, ressonância magnética e raio-x, na determinação da qualidade na pós-colheita. “O físico italiano Alessandro Torriceli falou sobre a espectroscopia de refletância, uma tecnologia que está actualmente a ser desenvolvida a nível europeu para outras aplicações, como a determinação da qualidade em frutos”, adianta Carla Nunes.
Já Pilar Barreiro, da Universidade Politécnica de Madrid, falou das potenciais aplicações da ressonância magnética na determinação da qualidade dos frutos e o último convidado do dia foi um especialista em determinação de defeitos internos dos produtos hortícolas através de raio-x.

Nesta sessão foi também apresentado um trabalho desenvolvido na UAlg, resultante da colaboração entre dois centros de investigação da instituição, o CEOT (Centro de Electrónica e Optoelectrónica e Telecomunicações) e o CDCTPV. “No âmbito deste trabalho realizaram-se os primeiros testes de um sistema óptico para caracterizar de forma não-destrutiva a qualidade da maçã ‘Bravo de Esmolfe’. O sistema foi montado na Universidade do Algarve e baseia-se em técnicas de análise de imagem e medições de luz reflectida”, concretiza a especialista.
O segundo dia de trabalho foi aberto com uma sessão para explicar como as práticas culturais afectam a qualidade dos produtos na pós-colheita. Cristina Oliveira, do Instituto Superior de Agronomia, explicou que, estando a qualidade dos frutos e vegetais definida na colheita, e sendo que após esta etapa as tecnologias usadas apenas garantem qual o ritmo de perda de qualidade do produto, os produtores confrontam-se muitas vezes com o dilema de escolher entre produzir mais ou produzir com melhor qualidade.
Nesta sessão discutiu-se ainda de que modo os fertilizantes podem aumentar a qualidade, como é afectada a qualidade dos frutos pela luz que recebem e que diferenças de qualidade organoléptica existem em frutos de protecção integrada e de agricultura biológica. “Este trabalho em concreto, apresentado por um investigador da Universidade do Algarve, demonstra que o consumidor identifica os citrinos de produção biológica como tendo melhor sabor”, esclarece Carla Nunes.
A sessão dedicada à qualidade em si propriamente dita, teve dois convidados, Bart Nicolai e Angelos Kanellis. Bart Nicolai, coordenador do programa COST e investigador da Universidade Católica de Lueven (Bélgica), pronunciou-se sobre as técnicas disponíveis para determinar parâmetros de qualidade em produtos hortofrutícolas.

Por seu turno, Angelos Kanellis, do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Aristotle (Grécia), apresentou “descobertas verdadeiramente novas” sobre de que modo frutos e vegetais são benéficos para a saúde, ou como os seus compostos quimicopreventivos ou compostos nutracêuticos (um nutracêutico apresenta benefícios fisiológicos e contribui para a redução do risco de incidência de doenças crónicas) se comportam nos frutos e como podem ser manipulados.
Produtos regionais foram estrelas improváveis nesta reunião científica
Laranjas algarvias, fruta cortada, compota de abóbora com nozes, licor de alfarroba e doces tradicionais de figo e amêndoa foram as estrelas improváveis do encontro científico “COST 924 - Tecnologias seguras e amigas do ambiente no controlo da qualidade dos frutos e legumes”, presenças notadas em todos os intervalos para café ao longo dos três dias em que decorreu esta reunião.
“Nos coffee-breaks aproveitámos para mostrar produtos da região e nacionais, como doçaria, compotas, licores, frutas e alguns queijos, o que resultou muito bem, uma vez que acabámos por divulgar vários produtos regionais, com interesse científico para a nossa área de trabalho, de uma forma descontraída e informal junto dos nossos colegas”, refere a Dr.ª Carla Nunes,
Nesta lógica de disseminação do conhecimento acerca do que se faz nesta área no Algarve, todos os participantes foram presenteados com uma pequena escultura alusiva à batata-doce de Aljezur, que em Dezembro último foi classificada como indicação geográfica protegida (aplicada quando a reputação ou as características do produto são atribuíveis a uma dada região ou local, designando um produto agrícola ou um género alimentício).